• Ricardo Bonacorci

Desafio Literário: Balanço de 2016


Terminamos o ano com mais um Desafio Literário concluído. Esta foi a segunda edição do Desafio que o Blog Bonas Histórias se propôs. Assim como aconteceu em 2015, foram sete os autores analisados. De maio a novembro, foi estudado um escritor por mês. Para tal, lemos suas principais obras e pesquisamos sobre sua vida e sobre sua carreira. Assim, ao longo de 2016, foram lidos 33 livros para o Desafio, o que totalizou aproximadamente 7 mil páginas. Vale lembrar que nos demais meses do ano, quando o Desafio Literário não esteve em vigência, lemos outras 17 obras de escritores diversos. Ultrapassamos, assim, a marca das 10 mil páginas lidas no ano.

Foi, pelo menos para mim, uma jornada muito prazerosa e enriquecedora. Acredito que quem tenha me acompanhado nesta empreitada também tenha se divertido muito. Nada melhor do que ler para descobrir os segredos da literatura. Já estou com vontade do mês de maio do próximo ano chegar para retomar este divertido exercício de conhecimento. Espero contar com mais leitores e participantes nas futuras edições do Desafio. Para os interessados em fazer parte deste grupo de apreciadores da literatura, estaremos juntos outra vez aqui no Blog Bonas Histórias em 2017. Não perca!

Aproveitando que estamos no finalzinho do ano, vou fazer agora um balanço da edição de 2016 do Desafio Literário. Como reza a tradição, procurei equilibrar o tipo de literatura lida. Em 2016, havia escritores nacionais (dois) e estrangeiros (cinco: um norte-americano, uma inglesa, um italiano, um afegão e um chileno). Tivemos autores vivos (dois) e já falecidos (cinco). Na lista, havia exemplares da literatura comercial (como Sidney Sheldon e Paulo Coelho) e da clássica (como Italo Calvino e Graciliano Ramos). E tivemos também poetas (Pablo Neruda) e romancistas (Khaled Hosseini), além de contistas, cronistas, memorialista e teóricos da literatura.

O único desequilíbrio continua sendo em relação aos gêneros dos autores. Tivemos apenas uma mulher (Agatha Christie) contra seis homens. Apesar de este problema ainda persistir, vejo um avanço. No ano anterior, não tivemos nenhuma autora feminina. Prometo continuar melhorando neste quesito para que nos próximos anos tenhamos uma igualdade de sexos.

Dos livros lidos, o que mais gostei foi "Cidades Invisíveis" (Companhia das Letras). Neste clássico, Italo Calvino consegue retratar as diferentes particularidades dos homens ao descrever as cidades construídas por eles. Trata-se de uma obra poética e com grande profundidade reflexiva. O autor fala de algo (cidades e construções) para dizer outra coisa indiretamente (essência humana). É preciso, portanto, alguma sensibilidade para entender a brincadeira de Calvino.

Em seguida, vem "Se Houver Amanhã" (Best Bolso) de Sidney Sheldon. Neste romance, o norte-americano consegue criar uma trama criativa e com várias reviravoltas. É impossível não torcer por sua protagonista, mesmo quando ela mergulha no submundo do crime. Neste caso, a polícia se torna a vilã da história e os ladrões são os mocinhos. Este é um daqueles livros que gostaria de ter escrito. Além disso, se ele tivesse uma continuação, iria ler com certeza sua sequência.

A terceira obra que mais gostei foi "O Assassinato de Roger Ackroyd" (Globo). Se Agatha Christie sempre foi conhecida por surpreender o leitor como um desfecho improvável, aqui ela chega ao ápice. O assassino desta história é tão incrível que cheguei a me assustar de verdade com sua revelação. O segredo da trama acabou revolucionando a lógica do romance policial moderno. A inglesa consegue proeza parecida em "O inimigo secreto" (Record) e "E Não Sobrou Nenhum" (Globo), porém para mim "O Assassinato de Roger Ackroyd" é o melhor dela.

Logo depois, em minha lista de favoritos, vem "O Caçador de Pipas" (Nova Fronteira). Neste livro que tornou Khaled Hosseini mundialmente conhecido, encontramos beleza e poesia na tristeza e na violência da sociedade afegã. Esta trama é emocionante! Cheguei a compará-la aos dramalhões das telenovelas mexicanas. Apesar do cenário, dos fatos e dos personagens macabros, o romance é muito bonito. Hosseini é um exímio contador de histórias e consegue emocionar até os corações mais duros.

O quinto melhor livro do Desafio Literário de 2016 foi "São Bernardo" (Martins) de Graciliano Ramos. Apesar de o alagoano ter outras obras mais conhecidas, como "Vidas Secas" (Record), "Memórias do Cárcere" (Record) e "Angústia" (Record), para mim "São Bernardo" é sua obra-prima. Paulo Honório, o protagonista, é um personagem clássico da literatura nacional. Seu relato em primeira pessoa desnuda um tipo muito comum que viveu e vive em nosso país: o coronel brucutu. Apesar do aspecto e dos comportamentos repugnantes de Honório, acabamos nutrindo certo apreso por ele. Ao longo da narrativa, acabamos compreendendo os motivos das ações do rico fazendeiro que construiu sua fortuna através da violência e da opressão.

Na sequência, aparece "Confesso que Vivi" (Difiel) de Pablo Neruda. Apesar de o poeta chileno ter escrito obras melhores que esta, como "Canto Geral" (Bertrand Brasil) e "Cem Sonetos de Amor" (L&PM Pocket), acabei ficando fascinado pelo seu livro de memórias. O fato de eu não ser muito fã de poesia ajudou neste sentido. Além disso, a história de vida de Neruda, retratada em detalhes em "Confesso que Vivi", é espetacular. Até parece que o que estamos lendo é uma ficção, tamanha é a coleção de surpresas. Para completar, achei o título desta obra maravilhoso. Até quando escreve suas memórias, Neruda consegue ser poético. Incrível!

Para terminar a lista dos sete melhores livros do Desafio Literário de 2016, coloco na sétima posição "O Alquimista" (Planeta). Sei que isso provoca certa polêmica. Afinal, há muita gente que detesta Paulo Coelho e não consegue encontrar qualidade em nenhuma de suas obras. Admito que os outros quatro livros do brasileiro que li são muito fracos. Contudo, "O Alquimista" é uma excelente parábola. A história é boa e ela é escrita como deve ser uma parábola: trama simples, linguagem informal, temática universal e personagens maniqueístas. Apesar de possuir um conteúdo fortemente religioso (algo que me faz sempre ficar com um pé atrás), esta narrativa, de uma maneira geral, é mais uma obra inspiradora do que dogmática (outra característica de uma boa parábola). Não é à toa que este seja o livro brasileiro de maior sucesso internacional. Ele teve mais de 80 milhões de unidades vendidas e foi traduzido para mais de 60 línguas. Não pode ser uma porcaria como alguns teimam em afirmar.

Estes foram os setes autores lidos e analisados em 2016: Graciliano Ramos, Agatha Christie, Pablo Neruda, Sidney Sheldon, Paulo Coelho, Khaled Hosseini e Italo Calvino. Felizmente, foi possível extrair um pouco de cada um deles para compor os melhores livros lidos neste ano.

Até o próximo Desafio Literário! Até 2017!

Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.


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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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