• Ricardo Bonacorci

Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 1 - Usar telefone fixo


Você passa vergonha com você mesmo?! Saiba que eu sou o campeão mundial de autoconstrangimento. Se houvesse Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos com essa modalidade, na certa, eu seria reconhecido nas ruas como um herói nacional. Afinal, sempre acabo me encabulando com algumas coisas que faço ou digo. Normalmente, o causador dos embaraços em que acabo metido é a minha personalidade retrógrada. Às vezes, desconfio da minha capacidade de evoluir tão rápido quanto as tecnologia e as demais pessoas.

Se você duvida do quão complicado é viver tendo como companhia uma alma pré-histórica e, principalmente, uma mente tão antiquada, meu conselho é ler todos os meses os textos autobiográficos de "Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora". Nesta série de crônicas, vou tentar apresentar meus dramas mais rotineiros. Vou contar um problema de cada vez para não assustar ninguém.

E começo, hoje, falando sobre algo que tem tirado o meu sono. Pior do que me constranger rotineiramente (já estou acostumado com isso, acredite) é quando passo vergonha tentando impressionar positivamente os outros ou tentando ser gentil com quem mais estimo. Aí, é fogo! E não há nada mais retrógrado nos dias atuais do que telefonar para alguém em um (não ria, por favor!) telefone fixo.

Sim, eu ainda faço isso com alguma frequência...

Item 1 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Usar telefone fixo.

Por exemplo, sempre que telefono para alguém para dar os parabéns pelo aniversário, sou recebido com risadas e mais risadas. Aí, pergunto: "O que fiz de errado?". Do outro lado da linha, meu interlocutor (eita palavrinha antiga esta, né?) me responde sem cerimônias: "Só você mesmo para me ligar no dia do meu aniversário! Ninguém mais faz isso, Ricardo. Todo mundo agora manda uma mensagem no Face ou no Whats. Para piorar, você ligou no meu telefone fixo! A única pessoa que ainda me liga no fixo é a minha avó. E você, é claro".

Juro que não entendo o motivo para tanto estranhamento. Eu sempre gostei de felicitar amigos e parentes no dia de seus aniversários. Gosto de trocar umas palavras carinhosas ao invés de enviar uma mensagem fria e muitas vezes impessoal pelas redes sociais. Além disso, se a pessoa tem telefone fixo é para ser usando, né? Vai entender esta gente!

O que era para ser um instante de gentileza e de atenção da minha parte torna-se de fato mais um momento de gozação do outro para com meus hábitos. O aniversariante lembra-se mais do quanto o amigo ou parente do outro lado da linha é um ser desajustado aos novos tempos do que uma pessoa gentil e carinhosa. Onde este rapaz irá parar se continuar ligando para telefones fixos em pleno século XXI, devem pensar todos preocupados.

Para piorar, ainda costumo ouvir: "Fale a verdade, Ricardo: seu telefone aí é daquele em que precisamos ficar girando os números para discar, né?". Eu rio porque acho graça dessas brincadeiras. Quem me conhece melhor ainda solta um acertadíssimo comentário: "Aposto que você ainda usa aquela sua agenda de papel velha para anotar o meu número ou sabe de cabeça o meu telefone, né?".

Brincadeiras à parte, só não consigo entender o motivo de tanto estardalhaço. Por que será que todo mundo deixou de usar o bom e velho telefone fixo? E por que não podemos nos apegar a um ou outro comportamento antigo?!

Enquanto eu continuar vivo, lutarei com a finco para a perpetuação desse lindo hábito. Por mim, os aparelhões com fios não entrarão em extinção nunca. E para quem ainda estiver com dúvida, saiba que há um bom tempo não tenho mais aparelho fixo de discar em casa. O meu aqui é de clicar as teclas. Não sou tão retrógrado assim, tá!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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