• Ricardo Bonacorci

Filmes: La La Land - Um novo clássico do cinema


O filme mais comentado do momento é "La La Land - Cantando Estações" (La La Land: 2016). O musical de Damien Chazelle conquistou sete prêmios no último Globo de Ouro, recorde histórico, e chega como o grande favorito ao Oscar de 2017. Para quem não se lembra de Damien Chazelle, ele foi o diretor e o roteirista do fantástico "Whiplash - Em Busca da Perfeição" (Whiplash: 2014). Agora, Chazelle trabalha outra vez na direção e no roteiro de sua nova produção.

Diante da avalanche de críticas positivas que o longa-metragem vem recebendo, fui ao cinema, na semana passada, para conferi-lo. Queria saber se "La La Land" era tudo isso que estavam falando ou se era apenas fogo de palha. Resultado: saí encantado da sessão! Os elogios que havia lido e visto parecem pouco diante da magnitude desta obra-prima. A sensação que tive é de ter assistido a um novo clássico da sétima arte. O musical é fenomenal. Além de ser uma linda homenagem ao cinema, "La La Land" inova em incríveis cenas dançantes e apresenta uma trama emocionante e envolvente.

Neste filme, Mia (interpretada por Emma Stone) é uma jovem que sonha em ser atriz de cinema. Para tornar real esta sua aspiração, a moça se muda para Los Angeles, onde pode fazer testes para os mais variados papéis. Contudo, ela não passa em nenhum processo seletivo. Assim, Mia acaba se acostumando ao emprego de balconista em um café que fica próximo aos estúdios cinematográficos. Um tanto desiludida com o desenrolar profissional da sua vida, a aspirante a atriz conhece Sebastian (Ryan Gosling), um rapaz também sonhador e que enfrenta dificuldades financeiras. O sonho de Sebastian é ser proprietário de um clube de Jazz. Porém, ele não consegue recursos para viabilizar esta sua ideia. Ele trabalha de maneira mal remunerada como músico em locais precários ou em bandas amadoras que se apresentam em festas e casamentos.

Uma vez juntos, Mia e Sebastian passam a se ajudar incansavelmente em busca da realização de seus sonhos. A vida do casal se torna, então, maravilhosa. Os namorados batalham pela conquista do que desejam, apoiando-se e incentivando-se mutuamente. Com o tempo, esta união fortalece cada um deles individualmente. Quando o sucesso e a fama de ambos começam a chegar, o que fica seriamente ameaçado é o relacionamento deles, até então inabalável. O que será mais forte: o amor do casal ou seus antigos sonhos pessoais? Eles conseguirão unir as escolhas profissionais ao relacionamento amoroso?

O primeiro aspecto que chama a atenção em "La La Land" são as cenas dançantes. Esqueça a ideia de que os musicais podem ser chatos ou entediantes. Aqui você fica hipnotizado diante da tela. Parte da beleza do filme está na espontaneidade dos atores no momento da dança. Não há cortes nestas cenas, por mais longas que elas sejam. Repare, por exemplo, na abertura do longa-metragem, quando Mia está presa em um engarrafamento na estrada. Os atores saem dos carros e começam a dançar. Tudo é feito sem cortes. Maravilhoso!

Outro ponto impressionante é a quantidade absurda de referências ao mundo do cinema. Quem é cinéfilo vai pirar ao encontrar citações aos grandes clássicos durante todo o filme. Tudo é motivo para a recordação das principais produções da história: as locações, os detalhes do cenário e os objetos usados. Não é errado afirmar que este longa-metragem é uma linda homenagem aos clássicos do cinema antigo.

A forma como "La La Land" foi filmado e editado também merece elogios. A fotografia, a cenografia e os figurinos são responsáveis por parte da experiência estética que o espectador recebe. Além disso, há alguns movimentos de câmera e certas tomadas pouco usuais que impressionam. Para completar, a história é contada nem sempre de maneira linear. O vai e volta cronológico ajuda a intensificar a dramaticidade do enredo. Os aspectos lúdicos e sonhadores dos personagens também são aproveitados. Isto fica muito evidente no final. Por falar no desfecho, este é um capítulo à parte.

Fazia muito tempo que não via um final de filme tão fantástico como o protagonizado em "La La Land". A história caminha para um desfecho um tanto óbvio para quem repara na progressão das estações do ano das quais a trama é dividida (Primavera, Verão, Outono e Inverno). Porém, no finalzinho, o roteiro é caprichosamente impiedoso com os corações mais românticos, surpreendendo a todos. Aí está a graça! A história termina de maneira pragmática, tornando-a ainda mais bela. O último olhar trocado por Mia e Sebastian fala mais do que qualquer palavra ou discurso. Em um futuro não tão distante, este instante será relembrado como um dos momentos mais marcantes da história do cinema. Simplesmente espetacular!!!

O musical também tem várias cenas engraçadas. O clima do filme é leve e descontraído, até mesmo nas partes de maior densidade dramática. Por isso, em vários momentos, tive a impressão de estar vendo um longa-metragem recente de Woody Allen. Esta comparação é no sentido do roteiro, já que Allen jamais fez musicais. Talvez a presença de Emma Stone, a nova queridinha de Woody Allen, pode ter intensificado esta minha impressão.

E por falar nos atores, não há nenhuma atuação que mereça qualquer puxão de orelha ou reclamação por parte do público. Todos estão excelentes! Obviamente, Emma Stone e Ryan Gosling brilham mais por serem os protagonista. O casal principal do musical possui uma ótima química e um excelente jogo de cintura para cantar e dançar a todo instante. O carisma deles é contagiante.

Fiquei com a sensação de que com "La La Land", Damien Chazelle atingiu um novo patamar dentro de Hollywood. A partir de agora, ele será visto como um dos melhores diretores da atualidade. Com apenas 32 anos, o norte-americano tem potencial para se transformar em um dos grandes nomes da história desta indústria. Se "Whiplash - Em Busca da Perfeição" foi um filme maravilhoso, sua nova produção pode ser considerada histórica. Não duvido que em dez ou quinze anos, "La La Land" figure na lista dos grandes produções da história do cinema.

Veja o trailer de "La La Land - Cantando Estações":

O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

#DamienChazelle

A Editora Pomelo é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
A Dança & Expressão é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
Eduardo Villela é Eduardo Villela é book advisor e parceiro do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
BonaBelle Design & Organização é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
A Epifania Conteúdo Inteligente é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
Keli Quitutes

Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

bonashistorias.com.br

Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

Bonas Histórias | blog de literatura, cultura e entretenimento | bonashistorias.com.br

Blog de literatura, cultura e entretenimento