• Ricardo Bonacorci

Livros: O Morto ao Telefone - A primeira publicação de Le Carré


John Le Carré é um escritor inglês especializado em produzir histórias de espionagem. Sua obra mais famosa é "O Espião que Saiu do Frio" (Record), publicada em 1963. Considerado pela revista Times como um dos melhores romances da história neste gênero, "O Espião que Saiu do Frio" foi adaptado para o cinema dois anos após chegar às livrarias britânicas. Outros dois livros de grande sucesso deste autor que também foram levados ao cinema são "O Jardineiro Fiel" (Best Bolso), de 2001, e "O Alfaiate do Panamá" (Record), de 1996.

Desejando conhecer mais sobre o estilo literário de Le Carré, li na noite desta terça-feira sua primeira publicação: "O Morto ao Telefone" (Klick). Lançada em 1961, esta novela representou a estreia na literatura do personagem George Smiley, um agente secreto completamente diferente do estilo James Bond. Smiley foi protagonista de várias histórias importantes de John Le Carré, como "O Espião que Sabia de Mais" (Record) ,de 1974, e "A Vingança de Smiley" (Record), de 1979.

Em "O Morto ao Telefone", conhecemos a figura singular de George Smiley. Ele é um sujeito baixinho, gordinho e feio que trabalha para o serviço secreto da Inglaterra. Parecido com um sapo, Smiley foi abandonado pela linda esposa, que fugiu para viver com um jovem e atraente piloto de corridas. Desiludido com a separação conjugal, o agente secreto vê sua vida se complicar ainda mais após o suicídio de Samuel Arthur Fennan, um funcionário do Ministério do Exterior. Fennan deixou uma carta afirmando que tirara sua vida por causa de uma entrevista concedida, na véspera, a George Smiley. Segundo Fennan, Smiley estava desconfiado de que ele era um espião inimigo, não podendo viver sob tal acusação. A morte do graduado funcionário do Ministério Exterior na certa provocaria uma grande confusão no governo inglês, o que colocava em risco o emprego de Smiley.

Para provar que não fora o responsável pela morte de Samuel Arthur Fennan e que não suspeitava da lealdade do falecido, George Smiley inicia a investigação do caso. Para isso, contará com a ajuda do inspetor Mendel, veterano policial com quem o agente secreto faz amizade no início do livro. À medida que analisa a morte de Fennan, Smiley é atirado para dentro de uma intriga internacional de espionagem, o que coloca sua vida em risco.

Com pouco mais de 140 páginas, "O Morto ao Telefone" é uma história compacta e rápida. Apesar de ser bem escrita e possuir uma trama envolvente, ela não empolga em nenhum momento. Por ser sua primeira publicação, percebe-se que John Le Carré ainda não tinha "pego a mão" do suspense. Tudo nesta novela parece meio inacabado. A sensação é que se fosse transformado em um romance e a história tivesse uma narrativa mais encorpada, o livro ficaria melhor. Minha impressão é que a rapidez dos acontecimentos e a velocidade do enredo impedem a empatia do leitor com os protagonistas e com o mistério da trama.

Se o leitor não sai decepcionado, também fica longe de terminar a obra encantado com o clima de suspense e de perigo que o autor propõe. Quem já leu "O Espião que Saiu do Frio" na certa não achará a menor graça nesta novela. Acredito que "O Morto ao Telefone" seja mais uma apresentação do principal personagem de Le Carré. Por isso, quem quiser ler "O Espião que Sabia de Mais", pode começar lendo esta novela como uma boa introdução.

O grande (e talvez único) mérito de John Le Carré com "O Morto ao Telefone" foi ter lançado um espião totalmente diferente dos clichês do cinema e da literatura. Não há ninguém mais anti-James Bond do que George Smiley. Ele é feio, desajeitado, gordo, vive humilhado pelo abandono da esposa e é apaixonado pela literatura alemã do século XVII. Ninguém em sã consciência poderia imaginar que um sujeito assim seria capaz de resolver os problemas mais complexos da agência secreta inglesa. Contudo, Smiley é, para muitos, o melhor agente secreto da história da literatura. Sua inteligência e perspicácia o colocam sempre a frente dos agentes sedutores e bombadões dos países inimigos.

Assim, em "O Morto ao Telefone", temos um jovem John Le Carré ainda aprendendo a arte de escrever ficção e com muito potencial para se tornar um grande autor de espionagem. Nada mais do que isso. Felizmente, ele evoluiu muito ao longo das demais publicações.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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