• Ricardo Bonacorci

Exposições: O Corpo é a Casa - O divertido Erwin Wurm


O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) trouxe pela primeira vez ao país uma exposição de Erwin Wurm. Um dos artistas europeus contemporâneos de maior sucesso, o austríaco é conhecido pelo lado irreverente e descontraído de apresentar suas criações ao público. "Erwin Wurm - O Corpo é a Casa" é a mostra que está em cartaz em São Paulo desde 25 de janeiro. Através de obras conceituais e interativas, é possível conferir a visão crítica do artista em relação a sociedade de consumo.

O principal mérito de "Erwin Wurm - O Corpo é a Casa", distribuído pelas labirínticas salas dos quatro andares do CCBB, está em entreter o público e levá-lo ao riso fácil. Trata-se de uma excelente opção para quem não está muito familiarizado com as artes plásticas e, portanto, está em uma fase de introdução ao universo das artes visuais. Se não encontramos profundidade conceitual nem rigor formal nas criações desta exposição, ao menos nos deparamos com uma divertida mostra, fácil de ser digerida. Em uma comparação livre e meio absurda, podemos dizer que Erwin Wurm é o Romero Brito das artes plásticas da Europa. Seu jeito simples, marcante e leve consegue agradar a massa de expectadores, apesar de não despertar grandes emoções nos olhares mais críticos e exigentes.

Os trabalhos de Wurm são compostos, na maior parte do tempo, de materiais usuais do dia a dia das pessoas, como alimentos, embalagens plásticas, veículos, casas, mobília residencial, roupas e figuras de pessoas. Há também o uso de matérias-primas mais formais, como o bronze e o ferro, quando Erwin Wurm se dedica às esculturas clássicas. Mesmo assim, o bom humor e a ironia fina estão presentes em todas as suas criações.

Estas características ficam mais evidentes no andar em que o público pode interagir diretamente com as peças. O artista disponibiliza materiais corriqueiros do cotidiano como embalagens de produtos de limpeza, bolinhas de tênis, livros e puffs. Os visitantes devem seguir as diretrizes de Wurm e fazer suas próprias criações usando seus corpos. O objetivo é promover uma divertida sessão de fotografias. O resultado, apesar de banal e limitado artisticamente, empolga as pessoas que se aglomeram para interagir com os exercícios criativos. Sem sombra de dúvidas, este é o espaço mais concorrido da exposição.

Nos demais ambientes, a mistura de diferentes linguagens, a irreverência do artista e a inversão da lógica natural da perspectiva estética deixam o público desconcertado. A concepção crítica baseada na superficialidade da vida moderna, a banalidade na escolha dos materiais, a troca dimensional e a temática inusitada também provocam forte impacto no olhar dos visitantes. Às vezes, ficamos em dúvida se nossa visão está querendo nos enganar ou se o artista conseguiu produzir um efeito ludibriador sobre nossos sentidos.

A obra mais impactante da exposição está logo na entrada do prédio do centro cultural (porém, é a última a ser visitada se o participante seguir a ordem natural da mostra). Trata-se de uma casa muito peculiar, construída com material que lembra bexigas brancas infladas no lugar dos tijolos convencionais e que parece estar o tempo inteiro sorrindo. O seu aspecto de leveza contrasta com as quase duas toneladas de materiais usados. O seu interior está vazio. A mobília típica de uma residência está flutuando no espaço externo do prédio do CCBB, invertendo a lógica deste tipo de construção. Dentro da casa, é possível assistir a um curta-metragem divertido no qual se discute a concepção da arte moderna. Vale a pena vê-lo na íntegra.

Outras criações muitos badaladas são o veículo vermelho em formato de beijo, o homem obeso que engoliu o planeta, o vaso sanitário em tamanho reduzido e o beijo dos pepinos amorosos. Eles atraem os olhares e a admiração de adultos e crianças, produzindo bastante frisson nas salas. Através destas obras, podemos ver que Erwin Wurm consegue ser ao mesmo tempo crítico e irônico sem deixar se ser acessível e popular.

"Erwin Wurm - O Corpo é a Casa" ficará em cartaz na capital paulista até 3 de abril. Ou seja, há quase um mês para os interessados conferirem esta exposição. A entrada é gratuita, o acesso é livre para todos os públicos e a mostra é exibida de quarta a segunda-feira.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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