• Ricardo Bonacorci

Músicas: Acústico MTV dos Titãs - 20 anos


Para a indústria fonográfica brasileira, a década de 1990 foi marcada por dois grandes acontecimentos: a consolidação do Compact Disc como mídia preferencial do público e o sucesso da série "Acústico MTV". A conjunção destes dois ingredientes levou o mercado musical ao seu auge.

O CD, como o disco ótico digital ficou popularmente conhecido, substituiu o antigo LP (Long Play) no gosto dos consumidores, estabelecendo um novo padrão de produto para este mercado. Apesar de possuir uma qualidade sonora inferior à plataforma anterior, o CD tornou-se hegemônico no mercado. Impossível pensar na música durante esta época sem falar deste formato de armazenamento e de comercialização das canções.

Ao mesmo tempo, o público brasileiro viu surgir, durante os anos de 1990, uma franquia bem-sucedida na venda dos álbuns dos artistas nacionais. Estamos falando do "Acústico MTV". A atração brasileira foi inspirada no "MTV Unplugged", programa norte-americano criado, em 1989, pela Music Television, emissora de televisão especializada em música nos Estados Unidos. O "Acústico MTV" nasceu inicialmente como programa de televisão e, na sequência, virou um selo musical. Sua proposta era lançar os sucessos dos principais artistas com uma nova roupagem: com instrumentos acústicos e sem nada elétrico. Esta regra raramente foi respeitada à risca.

O sucesso do programa se repetiu nas lojas. O selo "Acústico MTV" era também sinônimo de grande número de CDs vendidos. De 1990 a 2011, foram lançados 34 programas/CDs. Destes, seis venceram o Grammy Latino: Paralamas do Sucesso (em 2000, na categoria rock), Cássia Eller (2002, no rock), Lobão (2007, também no rock), Lenine (2007, pop contemporâneo), Zeca Pagodinho (2007, samba/pagode) e Paulinho da Viola (2008, samba/pagode).

Um dos maiores sucessos do "Acústico MTV" ocorreu em 1997. Naquele ano, chegava ao mercado o "Acústico MTV dos Titãs", considerado até hoje como uma das principais produções do rock brasileiro de todos os tempos. O álbum vendeu mais de 1,7 milhão de cópias. Pela primeira vez na história do Acústico, um CD ultrapassava a marca de um milhão de unidades vendidas no Brasil (algo que só seria superado pelo "Acústico MTV do Kid Abelha", em 2002).

Os Titãs são uma banda paulistana formada no início da década de 1980. Apesar de ter flertado com vários gêneros musicais, a essência do grupo sempre foi o rock. Considerado um dos grupos mais importante do rock brasileiro, os Titãs tinham em sua formação inicial nove membros, uma quantidade bem acima do convencional. Destes, seis eram vocalistas (Arnaldo Antunes, Branco Mello, Ciro Pessoa, Sérgio Britto, Nando Reis e Paulo Miklos). Obviamente, eles se revezavam no vocal principal e no vocal de apoio. Além de cantarem, Sérgio Britto, Nando Reis e Paulo Miklos se revezavam nos teclados e no baixo. Os outros três integrantes eram André Jung (bateria), Marcelo Fromer (guitarra rítmica) e Tony Belloto (solo).

O grupo também era constituído por numerosos compositores de talento. Praticamente, todo mundo na banda contribuía com novas produções de letras e de canções. Cada integrante tinha um estilo diferenciado. Não é à toa que o repertório de músicas memoráveis dos Titãs seja tão elevado e eclético. Colocar uma faixa em um álbum da banda era motivo de satisfação para seus integrantes (e razão para tórridas discussões e disputas internas). Este talento artístico era tão evidente que quase todos os membros que saíram do grupo acabaram seguindo carreiras bem-sucedidas individualmente ou em novas formações.

Dos integrantes originais, restam apenas três: Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto. Para as línguas mais venenosas do cenário musical brasileiro, este trio seria composto justamente pelos músicos mais fracos tecnicamente da composição inicial. Eles acabaram permanecendo, pois sabiam que não teriam grandes êxitos sozinhos. Os mais talentosos acabaram saindo por não terem este receio e por buscarem voos mais altos em suas carreiras.

O primeiro a deixar o grupo foi Ciro Pessoa. Ele não chegou a gravar nenhum álbum com a banda, mas deixou músicas marcantes como "Homem-Primata", "Sonífera Ilha", "Babi Índio" e "Toda Cor". O baterista André Jung saiu em 1984, após o lançamento do primeiro disco, indo integrar a banda Ira! Arnaldo Antunes deixou o grupo em 1992. Em 2001, Marcelo Fromer morreu atropelado em São Paulo. Nando Reis, em 2002, optou por seguir em carreira solo. O último a pular fora deste barco foi Paulo Miklos, no ano passado. Atualmente, além de Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto, os Titãs contam com Beto Lee (filho de Rita Lee, integrado no ano passado) e com o baterista Mário Fabre (desde 2010).

O auge dos Titãs aconteceu no ano de 1997, com o lançamento do seu "Acústico MTV". Gravado em março daquele ano no Teatro João Caetano, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro, o programa de televisão e o CD contaram com várias participações especiais. Arnaldo Antunes, ex-integrante da banda, cantou "O Pulso". O argentino Fito Páez, Marisa Monte, o jamaicano Jimmy Cliff e Marina Lima também participaram, respectivamente, nas faixas "Go Back", "Flores", "Querem Meu Sangue" e "Cabeça Dinossauro".

É difícil apontar qual das 21 músicas ("Homem Primata" aparece duas vezes no álbum, uma como mera vinheta e outra em sua versão completa) que compõe do CD é a melhor. Destas, quatro eram canções inéditas do grupo ("Cegos do Castelo", "Nem Cinco Minutos Guardados", "A Melhor Forma" e "Não Vou Lutar"). As demais eram sucessos de álbuns antigos da banda.

O "Acústico MTV Titãs" começa com "Comida" (de 1987), uma das músicas mais conhecidas do grupo.

Na sequência vem "Go Back" (1984), "Pra Dizer Adeus" (1985), "Família" (1986), "Os Cegos do Castelo" (1997) e "O Pulso" (1989).

Completam a primeira metade do CD as músicas "Marvin" (1984), "Nem Cinco Minutos Guardados" (1997), "Flores" (1989), "Palavras" (1989) e "Hereditário" (1993).

Depois, vem "A Melhor Forma" (1997), "Cabeça Dinossauro" (1996), "32 Dentes" (1989), "Bichos Escrotos" (1986), "Não Vou Lutar" (1997) e "Homem Primata" (1986).

Para terminar, ainda tem "Polícia" (1986), "Querem Meu Sangue" (1984), "Diversão" (1987) e "Televisão" (1985).

Realmente, este é um dos melhores álbuns de rock brasileiro de todos os tempos. Entre os "Acústicos MTV", ele rivalize, em termos de qualidade na categoria rock nacional, com o da "Legião Urbana" (1992) e com o do "Ira!" (2004), também memoráveis.

Neste mês de março, "Acústico MTV Titãs" está completando 20 anos. Muito legal ouvir novamente estes clássicos da nossa música.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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