• Ricardo Bonacorci

Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 4 - Ler jornais e revistas impressos


Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora

Depois de algumas revelações bombásticas feitas aqui no Blog Bonas Histórias nos últimos três meses (como, por exemplo, não usar telefone celular, telefonar para aparelhos fixos para dar parabéns aos aniversariantes do dia e ainda ouvir música no rádio e em CD player), o quarto hábito ultrapassado que vou comentar hoje na série "Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora" não deverá parecer tão estranho aos olhos das pessoas. Pelo menos se comparado aos anteriores, ele parece fichinha... Mesmo assim, às vezes, esse comportamento pode assustar um pouco aqueles desacostumados com o mundo off-line.

Dessa forma, apesar de uma ponta de vergonha (sim, tenho vergonha na cara por agir como se estivesse no século passado), consigo admitir com um ligeiro arrependimento que ainda (lá vai a revelação: seja o que Deus quiser!) leio diariamente jornais e revistas impressos. Pronto, falei.

Item 4 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Ler jornais e revistas impressos.

Ler jornais e revistas impressos

Sei que parece impossível uma atitude dessas nos dias de hoje. É realmente muito difícil de acreditar, mas garanto que estou falando a verdade. Leio diariamente jornais e revistas impressos como fonte de informação. Não conheço mais ninguém com esse hábito tão antiquado. Um conhecido meu (pai da Débora - beijo, Debinha!) ainda lê toda manhã seu jornal. Contudo, ele não é chegado a uma revista. O Roberto (um amigo mais velho de longa data) gosta de ler algumas revistas. Ele é (acredite!) assinante de vários títulos. Porém, não lê jornal impresso há vários anos. Quando compra jornal na banca aos domingos é para limpar, conforme confessado, as sujeiras dos seus cachorros de estimação.

Fazer as duas coisas (ler jornal e revistas impressos) parece algo pré-histórico. Admito o quanto é estranho até mesmo para mim. Por isso, me sinto uma espécie rara ou em extinção. Será que há algo de muito errado comigo por agir inapropriadamente nos novos tempos?!

Para não despertar a ira de ninguém, juro que tomo o cuidado de agir escondido no meu lar ou discretamente nos ônibus ou nos vagões do trem e do Metrô. Quando vejo que estou incomodando alguém com minhas atitudes antigas, imediatamente interrompo a leitura e não abro mais as páginas do material que tenho em mãos. Sou um leitor consciencioso do mal que posso causar àqueles que estão a minha volta. Onde já se viu ter a petulância de ler materiais impressos hoje em dia, hein?!

Meu receio de parecer alguém deslocado do tempo é tanto que até minha namorada desconhece meus hábitos de leitura. Amor, se você estiver lendo esta crônica, por favor, não acredite nela. Estou só fazendo tipo para os leitores. É óbvio que não leio essas coisas do século passado, tá? Beijinhos.

Engraçada essa questão, né? Tenho a impressão que ninguém mais em São Paulo lê jornais e revistas no formato que não seja o digital/eletrônico. Posso contar nos dedos de minhas mãos quantas pessoas que conheço que ainda têm esse hábito (abraço, pai da Debinha e Roberto!). Nenhum desses indivíduos, porém, tem menos de setenta anos de idade. Sou, portanto, a exceção da exceção, a mosca branca com três asas.

Ler notícias de maneira off-line parece que se tornou "algo fora de moda" e "coisa de velho excêntrico". Isso porque até mesmo a maioria do pessoal com mais idade já abandonou os jornais e as revistas há muito tempo. Muitos ainda podem recebê-los em casa como hábito (e por impossibilidade de cancelar suas assinaturas), mas ler que é bom ninguém mais o faz.

"Você não tem nojo de manusear aquele calhamaço de papel com cheiro ruim e que solta tinta?", "Para que pagar por notícia se você as tem de graça na Internet?", "Não há nada mais ultrapassado do que o jornal de hoje; Ele só traz notícias de ontem" e "Que bom saber que você ainda compra/recebe jornal. Você poderia me dar para eu colocar a sujeira do meu cachorro?" são os comentários que mais ouço quando alguém descobre esse meu segredo infame.

É triste, mas sei que esse meu comportamento exótico não deverá durar por muito tempo. Logo mais, as empresas de mídia deixarão de imprimir seus produtos. Vários títulos de revistas e jornais já foram cancelados e muitos outros caminham para esse fim sombrio. Enquanto isso não acontece, vou aproveitando... Mesmo que seja mal visto por quem está a minha volta, não deixarei de ler meu jornal e minhas revistas diariamente.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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