• Ricardo Bonacorci

Filmes: Despedida em Grande Estilo - O morno remake de 1979


Assisti, nesta terça-feira, ao recém-lançado "Despedida em Grande Estilo" (Going In Style: 2017). O filme, que chegou aos cinemas brasileiros na semana passada, teve a direção de Zach Braff, no início da transição da carreira de ator para a de diretor. O protagonismo ficou com um trio experiente e muito talentoso: Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin. "Despedida em Grande Estilo" é um remake de uma comédia-policial homônima de 1979. Na versão original, os papéis principais ficaram com George Burns, Art Carney e Lee Stranberg. É difícil apontar qual dos grupos de atores é o melhor!

No longa-metragem de 2017, três amigos idosos, Willie (Morgan Freeman), Joe (Michael Caine) e Albert (Alan Arkin), sofrem com sérios problemas financeiros. A empresa industrial que o trio trabalhou por décadas decidiu deixar os Estados Unidos, se mudando para o exterior. A recessão econômica, fruto do colapso financeiro, foi a desculpa dada pela companhia para sua saída do país. Desta maneira, ela abandonou o pagamento ao fundo de pensão dos ex-funcionários. Ou seja, do dia para a noite, aqueles alegres senhores ficaram sem receber suas aposentadorias (e nunca mais vão recebê-las). Como consequência imediata, suas contas bancárias minguaram e suas casas correm o risco de serem confiscadas. A situação deles é delicadíssima! Justamente no momento da chegada da velhice, eles não têm dinheiro sequer para comprar uma torta em uma lanchonete barata de sua cidade.

Sem esperança de terem seus direitos atendidos (até mesmo nos Estados Unidos a Justiça pode ser muito lenta), os amigos resolvem assaltar um banco. E não é qualquer agência que eles querem roubar. É o próprio banco onde são correntistas. A inspiração para aquela medida radical surgiu quando um dos integrantes do grupo presenciou um assalto em uma instituição financeira. Ele achou que os criminosos tiveram muita facilidade. Refletindo depois, ele considerou justa a apropriação dos recursos do banco, responsável pela exploração das pessoas comuns e a causadora daquela grave crise que atingiu o país inteiro.

A pequena fortuna que será pega na operação servirá como aposentadoria dos amigos. Como eles não têm nenhuma experiência no mundo do crime, o plano é muito arriscado. A idade avançada também é um problema evidente. Eles não vivem a melhor fase da vida e estão longe da forma ideal para correrem da polícia. Apesar destes obstáculos, Willie, Joe e Albert estão dispostos a se arriscarem para colocar a mão naquela bolada que salvará suas vidas.

O ponto alto deste filme está, obviamente, em seu elenco recheado de figurões do primeiro escalão do cinema norte-americano. Os protagonistas são todos vencedores da estatueta do Oscar. Ou alguém tem dúvida do talento de Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin? Dos coadjuvantes, temos ainda outros dois indicados ao prêmio máximo do cinema: Matt Dillon e Ann-Margret. Não dá para apontar qual deles está melhor em seu papel.

Outra questão interessante é verificar como funciona o sistema de aposentadoria no país mais rico do mundo. Em um momento em que se fala tanto em reforma da previdência no Brasil, é curioso ver o lado negativo de um sistema privado de aposentadoria. Nos Estados Unidos, é o fundo criado pela própria empresa que é o responsável pelo pagamento aos ex-funcionários (o governo não tem nada a ver com isso). Se por um lado não onera as contas do Estado, a previdência privada fica a mercê da boa intenção das companhias capitalistas, o que muitas vezes não agrada aos aposentados. Ou seja, não há modelo perfeito.

Os méritos de "Despedida em Grande Estilo" acabam por aí. O longa-metragem tem um espírito leve e escrachado, mas está longe de ser engraçado. As piadas soam um tanto antiquadas, pueris e machistas. Em se tratando de uma comédia, este é um problemão. O roteiro também não sai do trivial. As sucessões de acontecimentos não trazem surpresas ou grandes reviravoltas à trama. O enredo caminha de maneira morna até seu final, com raros momentos de maior empolgação.

Além disso, o filme faz parecer fácil assaltar um banco. Se fosse mesmo simples esta tarefa, como o longa-metragem quer transparecer, haveria vários roubos destes todos os dias. Talvez essa tenha sido a realidade na década de 1970, período em que a história foi originalmente produzida. A segurança nos bancos naquela época era uma piada se comparada à atual. Assim, por mais elaborados que tenham sido os detalhes prévios e posteriores da operação dos corajosos velhinhos, a falta de imaginação do roteirista para explicar como superar a forte segurança da agência bancária no século XXI, prejudicou a trama. Para um filme policial, não há nada pior do que a falta de verossimilhança na ação dos criminosos.

"Despedida em Grande Estilo" não é um filme ruim. Não é isso o que estou dizendo. Diria que ele é apenas razoável. Minha impressão é que esta é uma história que foi muito boa há algumas décadas e sua adaptação sem grandes alterações para os dias de hoje acabou empobrecendo muito o roteiro. Há, inclusive, várias outras produções recentes muito mais interessantes quando pensamos em roubo a banco e em iniciativa inusitada na terceira idade. Este é o grande problema deste longa-metragem. Se "Despedida em Grande Estilo" de 1979 foi inovador, abusado, divertido e perspicaz, o atual se mostra simplesmente convencional.

Veja o trailer do novo "Despedida em Grande Estilo":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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