• Ricardo Bonacorci

Filmes: Vigilante do Amanhã - Pot-pourri de ficções-científicas


Neste feriado de Sexta-feira Santa, fui ao cinema para ver Scarlett Johansson. Até onde eu saiba, é proibido comer carne vermelha nesta data. Nunca ninguém alertou os cristãos sobre o pecado de assistir a um blockbuster por causa da (maravilhosa) atriz principal. Por isso, aproveitei e conferi "Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell" (Ghost In The Shell: 2017) sem qualquer receio de ordem religiosa.

Para quem ainda não sabe, sou apaixonado por Johansson desde "Ponto Final - Match Point" (Match Point: 2005). Foi amor à primeira vista. Desde então, tento não perder suas estreias cinematográficas. O problema é que cada vez mais a atriz tem sido chamada para fazer papéis de super-heroínas. Ao fazer escolhas profissionais deste tipo, ela abre mão do seu talento artístico (além de linda, ela é também uma boa atriz) para engordar sua conta bancária. Não há paixão que resista a "Capitão América - Guerra Civil" (Captain America: Civil War: 2016), "Vingadores - Era de Ultron" (The Avengers: Age of Ultron: 2015) e "Homem de Ferro 2" (Iron Man 2: 2010). Afinal, sou apaixonado por Scarlett Johansson não apenas pelos seus atributos físicos (admito que os uniformes das suas recentes personagens caem muitíssimo bem em seu corpo escultural e alimentam um milhão de fantasias masculinas).

Apesar dos meus protestos quanto às histórias de super-heróis (elas estão longe de figurarem entre as minhas favoritas), estava eu novamente no cinema, na semana passada, vendo um destes longas-metragens. Fazer o quê? São sacrifícios que passamos por quem amamos. Não é, Scarlettizinha?

Lançada no começo de abril, "Vigilante do Amanhã" é uma ficção-científica originada de um mangá de Masamune Shirow. A direção ficou a cargo de Rupert Sanders, de "A Branca de Neve e o Caçador" (Snow White and the Huntsman: 2012). Além de Scarlett Johansson, participam desta produção Pilou Asbaek, Takeshi Kitano e Michael Pitt. Destaque para a presença da icônica atriz francesa Juliette Binoche, do premiado "Paciente Inglês" (The English Patient: 1995) e da cultuada "Trilogia das Cores" do polonês Krzysztof Kieslowski.

"Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell" se passa no Japão em um futuro distante. Nessa época, os avanços tecnológicos já terão transformado completamente a realidade dos seres humanos. A principal característica desta nova era será a incorporação de robôs ao dia a dia das pessoas. Além disso, homens e mulheres usarão cada vez mais recursos robóticos em partes dos seus corpos. Será um tanto difícil, no futuro, distinguir os seres humanos das máquinas (androides).

Vendo esta tendência da sociedade, a Hanka Corporation, uma empresa vanguardista de tecnologia, investiu uma fortuna para desenvolver um projeto de um novo tipo de ser. Ele terá o corpo de um robô, mas guardará o cérebro e a alma de uma pessoa. Trata-se, portanto, da união das duas "espécies". A versão mais atualizada desta tecnologia é Major Mira Killian (interpretada por Scarlett Johansson). A moça foi arrancada do seu corpo natural e transplantada em um exoesqueleto inteiramente artificial. Para evitar qualquer tipo de problema, a memória da vida regressa da jovem foi apagada da sua mente. Ela se lembra de poucas coisas do seu passado.

O experimento, realizado pela Doutora Ouelet (Juliette Binoche), foi tão bem-sucedido que Major Mira Killian foi "alugada" para o departamento de polícia. Seu trabalho agora é combater o crime. Comandada pelo chefe de polícia, Aramaki (Takeshi Kitano), e tendo como parceiro Batou (Pilou Asbaek), o cotidiano da moça-robô é pegar os bandidos mais temidos da cidade, gerando altos dividendos para a sua fabricante.

Em uma missão aparentemente corriqueira, Major Mira Killian frustra a tentativa de criminosos de roubar os segredos industriais da Hanka Corporation. Contudo, essa ação criminosa acaba expondo o sistema de informações da companhia. De repente, alguns dados do principal produto da empresa são revelados. Assim, Major Mira Killian descobre alguns segredos do seu passado que sua fabricante sempre tentou esconder. Afinal, qual é o passado da moça antes dela ser transformada em uma máquina? Por que ela virou o que é? O que há de tão misterioso que todos tentam ocultar? Essas dúvidas farão a protagonista tentar descobrir a verdade da sua vida, iniciando uma investigação própria a este respeito.

"Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell" é, na verdade, um pot-pourri de várias outras histórias de ficção-científica. Este é o seu principal defeito. A trama é uma mistura de "RoboCop" (1987), "Blade Runner - O Caçador de Androides" (Blade Runner: 1982), "Eu, Robô" (I, Robot: 2004) e "Identidade Bourne" (The Bourne Identity: 2002). Misture estas quatro produções em um liquidificador e o resultado será um Frankenstein que atende pelo nome de "A Vigilante do Amanhã".

Major Mira Killian é a versão feminina e repaginada de RoboCop. Seus dramas e suas angústias são parecidíssimos com os do policial-robô da década de 1980. O cenário onde "A Vigilante do Amanhã" se passa guarda incontáveis semelhanças ao ambiente do filme de Ridley Scott. Até a chuva inicial e a constituição da cidade futurista são similares a de "Blade Runner". O fato de a protagonista tentar descobrir seu passado, que foi apagado da sua memória (além de ter incríveis habilidades para perseguir inimigos e fugir da polícia), a torna uma "nova Jason Bourne". Para completar, em "Eu, Robô", criação de Isaac Asimov, o personagem principal também era uma máquina em busca de emoções e sentimentos humanos. Ou seja, não espere receber um enredo novo e surpreendente ao entrar na sala de cinema para ver este lançamento.

Outra questão que incomoda é a falta de unidade da trama em relação ao contexto geográfico. A história se passa claramente no Japão. Até aí, tudo bem. A pergunta que fica é: Por que os personagens principais não são japoneses? Por que a protagonista é Scarlett Johansson, uma norte-americana, e não uma mulher com traços orientais? Não é à toa que a escolha da atriz gerou tantas críticas dos fãs do mangá de Masamune Shirow. Todos são japoneses nesta trama, menos a heroína e o vilão Kuze (Michael Pitt). Muito estranho isso, né?

"Vigilante do Amanhã" começa com um ritmo lento e vai aos poucos engrenando. Se no começo você dorme, no final já está ligadíssimo acompanhando as cenas de luta e de perseguição. Este é o tipo de filme para quem gosta de pancadaria, ação, destruição, explosão e, óbvio, de Scarlett Johansson. As cenas de luta o deixarão hipnotizado. Os méritos não são tanto do combate travado, mas do corpo escultural da atriz principal. Juro que gostaria de saber quem teve a ideia (apelativa) de criar uma heroína que tira a roupa para lutar. A única explicação é tirar a atenção dos adversários. Não dá para entender!

Se você não assistiu a nenhum filme de ficção científica nos últimos trinta e cinco anos e não é muito exigente em relação à lógica narrativa, acredito que irá gostar de "A Vigilante do Amanhã". Caso contrário, sua única diversão será acompanhar por quase duas horas a atriz mais bonita da atualidade em trajes mínimos. E por falar nisso, Scarlett, por favor, volte a fazer filmes com Woody Allen! E, depois, me ligue porque preciso pedir você em casamento, tá?

Veja o trailer de "A Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell":

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#ScarlettJohansson #RupertSanders

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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