• Ricardo Bonacorci

Filmes: Amor.com - A decepção romântica do cinema nacional


A ideia parecia excelente. Lançar um filme romântico na véspera do Dia dos Namorados. O nome do longa-metragem não poderia ser mais sugestivo: "Amor.com" (2016). Unia-se, assim, o romantismo tão em voga nesta época do ano com o debate sobre o universo das relações virtuais, um tema cada vez mais sério e contemporâneo. Para angariar a presença do público masculino, sempre reticente em ver uma produção melosa, nada melhor do que escalar a belíssima Isis Valverde no papel principal (meninas, não fiquem com ciúmes, por favor!). Duvido que algum namorado fosse recusar um programa assim com sua amada. Os encantos valverdianos são capazes de amolecer até mesmo os corações mais insensíveis dos marmanjos. Digo isso por experiência própria. Só aceitei ver o filme porque a atriz principal era a Isis. Se você outra (essa frase não vale para Scarlett Johansson, ok?) iria repensar minha decisão.

Como disse, a ideia parecia excelente... Parecia! Na teoria uma maravilha. Na prática, porém, uma decepção. Como diria minha avó nestas ocasiões: "Por fora bela viola. Por dentro, pão bolorento". O problema para os casais de namorados que queiram ir ao cinema é que o filme é ruim. Muito fraco mesmo! Daquele em que você dorme durante boa parte da sessão. Se você não estiver com muito sono, irá pedir ajuda aos Deuses para o tempo passar mais depressa e você conseguir fugir da sala de cinema.

Anita Barbosa ficou encarregada da direção de "Amor.com". Este é seu primeiro trabalho nesta posição. Até então, ela só havia trabalhado no cinema como assistente de direção de Daniel Filho e Paulo Fontenelle. O roteiro é do trio Saulo Aride, Bruno Garotti e Leandro Mato. O casal de protagonistas é interpretado por Isis Valverde e Gil Coelho.

"Amor.com" trata do relacionamento pouco convencional de Katrina (Isis Valverde) e Fernando (Gil Coelho), dois vlogueiros completamente diferentes um do outro. Trata-se de um bom exemplo do famoso ditado "os apostos se atraem". Ela tem um vlog que aborda aspectos da moda feminina e que atrai milhões e milhões de seguidoras (e patrocinadores, por consequência). Katrina, portanto, navega no universo da futilidade e da aparência a qualquer preço. Fernando, por sua vez, tem um canal sobre videogames acessado por meia dúzia de gatos pingados. Assim, ele é do tipo nerd sem graça e pobretão.

Katrina e Fernando se conhecem por acaso. O rapaz é chamado para ajudar um lojista com problemas em seus computadores. O sistema de informática do estabelecimento caiu justamente no dia de um grande evento. Katrina, uma das personalidades mais famosas do mundo da moda, está neste evento como a principal convidada. A moça descobre, neste momento, que um ex-namorado acabou de publicar na Internet algumas fotos suas. Nessas imagens, a jovem aparece pelada. Katrina se desespera e pede ajuda para Fernando. O rapaz consegue evitar a propagação das fotos. Como consequência, ambos se apaixonam. Trata-se de uma união nada convencional. Ela é a fútil desmiolada e rica e ele é o nerd introspectivo e pobretão.

Iniciado o romance, começa o maior desafio de ambos. Eles precisam superar as diferenças e a desconfiança alheia. "Como uma moça bonita e bem-sucedida se sujeita a ficar com um pé-rapado como aquele?" é a pergunta que todos se fazem. As características tão distintas entre os protagonistas são o mote para várias cenas e situações que eles têm de enfrentar ao longo do filme.

"Amor.com" é talvez o filme mais fraco que assiste neste ano. Seu principal defeito está em seu roteiro pobre e sem graça. Ele não tem nada de especial. Nada! O mundo das personalidades da Internet é algo corriqueiro e não representa nenhuma novidade para o espectador. Além disso, não há quase nenhuma cena realmente cômica no longa-metragem inteiro. Não me recordo, por exemplo, de ter rido uma única vez ao longo dos noventa minutos de produção. Por isso, não podemos classificá-lo como sendo uma comédia-romântica. Eu pelo menos me recuso a fazer isso, apesar da divulgação do filme apontá-lo como um. Para mim, "Amor.com" é um romance ruim. Se fosse encará-lo como uma comédia-romântica, diria que ele é péssimo.

O único ponto que salva o filme é a atuação esplendida de Isis Valverde. Não falo isso apenas pela beleza exuberante da moça (e põe beleza nisso!). Ela também é uma atriz talentosíssima, uma das melhores de sua geração. Isis consegue pegar pequenos papéis e transformá-los em personagens riquíssimos. Veja o que aconteceu, por exemplo, com Suelen, em "Avenida Brasil" e Rakelly, em "Beleza Pura", duas participações bem-sucedidas na televisão. A atriz também sabe sustentar papéis maiores e mais complicados. Maria Lúcia em "Faroeste Caboclo" (2013), filme de René Sampaio, e mais recentemente Ritinha, em "A Força do Querer", telenovela de Glória Perez, são provas concretas do seu talento tanto no universo cômico como no dramático.

Neste sentido, dá dó em ver a tentativa de Gil Coelho em interpretar o nerd Fernando. Talvez o rapaz não seja um ator ruim. Seu problema está na comparação que o expectador do filme faz ao vê-lo ao lado da excelente Isis Valverde. Aí, o resultado é desleal para ele. Gil simplesmente não convence em seu papel. Assim, o casal da trama também não convence ninguém. Falta química entre eles. A situação é tão vexatória que acabamos não torcendo por eles com a intensidade que deveríamos. Em alguns momentos, chegamos a pensar que o melhor seria o casal se separar e viver cada um a sua vidinha.

"Amor.com" é bem filmado. Neste sentido, não se pode reclamar. O filme tem ótima fotografia e uma trilha sonora razoável. Seu problema mesmo é a trama pouco inspiradora e nada criativa. Isso fica evidente quando analisamos o roteiro na perspectiva dos personagens secundários. Não há um personagem verdadeiramente interessante ao redor de Katrina e Fernando. Nenhum! Os amigos e colegas deles são muito caricatos e totalmente previsíveis. Com isso, temos uma enxurrada de clichês. O filme é tão previsível (e bota previsível nisso!) que muitas vezes já sabemos, no início da cena, o que irá acontecer em seu final. Chega até a dar raiva. "Será que os roteiristas eram amadores?" pensei durante a sessão.

Se você está pensando em passar este 12 de junho com seu(sua) namorado(a) no cinema, é melhor pensar em outra opção para vocês assistirem. O único caso em que esta produção é aconselhável é se seu relacionamento está chato, tedioso, complicado ou em uma fase decadente. Nestes casos específicos, "Amor.com" pode ajudar, sendo uma boa alternativa. Você terá a certeza, ao final do longa-metragem, que há casais com mais problemas do que os seus e namorados muito (muito mesmo) mais chatos também. Na certa, você achará seu relacionamento ótimo e seu parceiro uma maravilha.

Veja o trailer de "Amor.com":

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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