• Ricardo Bonacorci

Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 6 - Gostar (Apenas) de Livro Impresso


Uma das maneiras de se perceber que alguém envelheceu antes da hora (ao menos em relação à parte psicológica) é notar se ele (ou ela) está "brigando" o tempo inteiro com as novas tecnologias. Infelizmente, a luta contra a modernidade é mais frequente do que podemos supor (e é um ótimo indicativo de quão velha a cabeça de um indivíduo pode estar). Ao invés de usufruir do conforto e dos benefícios das novas invenções, a pessoa passa a repudiá-las simplesmente por aversão a tudo o que é recente e/ou por saudosismo doentio aos itens do passado.

Quem ainda escreve texto nas máquinas de escrever (preterindo o computador), quem pesquisa nas velhas enciclopédias encadernadas (desprezando, assim, a Internet) e quem prefere acompanhar as partidas de futebol no rádio (quando se tem à disposição a televisão), para ficarmos em apenas três exemplos aleatórios, pode ser enquadrado na categoria "envelheceu antes da hora". Afinal, nesses casos, as novas tecnologias vieram para facilitar em muito nossa vida e melhorar substancialmente as atividades realizadas. É impossível questionar as vantagens trazidas por cada uma dessas invenções (computador, Internet e televisão).

Nesse sentido, me parece que o mesmo pode ser dito dos livros eletrônicos. Eles são realmente incríveis! Quando comparados aos similares impressos, eles vencem de goleada em todos os quesitos. Os e-books (e seus dispositivos) economizam espaço (concentram uma biblioteca inteira em um só lugar), são mais práticos (carregamos conosco a tal biblioteca para todos os lugares e o tempo todo), permitem a leitura em ambientes escuros (a maioria dos aparelhos atualmente vêm com luz própria), são mais baratos (em quase 100% dos casos as versões eletrônicas têm preços menores do que as versões físicas), a compra é instantânea (não é preciso sair de casa para comprá-los nem esperar seus envios) e podem durar muito mais tempo (afinal, o papel está sujeito as várias intempéries).

Na minha visão, o livro eletrônico só tem um probleminha: ele não é impresso. Juro que continuo preferindo a boa e velha brochura com suas várias, pesadas e perecíveis páginas de papel. Será que envelheci precocemente e não reparei?! Apesar dos olhares enviesados da nova geração, da incompreensão coletiva e, porque não, da falta de lógica em minha preferência, continuo só lendo as versões físicas dos livros.

Item 6 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Gostar (Apenas) de Livro Impresso.

Um dos momentos em que a escolha do livro eletrônico é mais vantajosa é nas viagens de ônibus, trem ou avião. Quanto mais longos forem os percursos e mais livros forem lidos, mais interessante é a opção pelos e-books. Ao invés de levar várias obras impressas na mochila ou na mala (e ficar carregando esse peso o tempo inteiro), você pode levar um pequeno e leve aparelhinho que concentra todas as obras que você deseja ter à mão. Além disso, como a maioria desses aparelhos já vem com sistema de luz embutida, você não precisa mais ficar brigando com o passageiro ao lado se a luz deve ficar acessa ou apagada. Incrível, né? Como não preferir essa tecnologia?

Esse é o meu problema... Até mesmo nas viagens ainda prefiro levar comigo os livros impresso. Esse meu hábito impressionou uma passageira que se sentou ao meu lado no ônibus durante a última viagem que fiz para Minas Gerais. Quem acompanha frequentemente o Blog Bonas Histórias sabe que vou mensalmente para lá. Como o trajeto de ida é de quase seis horas (e tem as outras seis horas de volta!), sempre levo alguns livros em minha mochila para me distrair. Quando digo alguns, saiba que são pelo menos cinco publicações (imagine o peso!).

A viagem estava tranquila até que chegou o momento mais delicado do trajeto. Quando precisei trocar de livro (tinha terminado um e iria começar outro), a moça de aproximadamente vinte anos que até então se mantinha muda ao meu lado (e que eu não conhecia) reagiu indignada ao que achou uma aberração da minha parte. Ela arregalou os olhos e me perguntou: "Por que você não lê em e-book? Não é mais fácil e prático do que ficar carregando dois livros?". Mal sabia ela que havia mais em minha bagagem... Repare que ela ficou brava mesmo não tendo que se mexer da poltrona. O segundo livro estava junto comigo. E eu juro que fiz a troca com a maior discrição possível. Afinal, ninguém se orgulha dos péssimos hábitos, né?

Entendi sua dúvida e expliquei que jamais tinha lido um livro digital em minha vida. Sempre preferi as obras impressas por mais "trabalhosas" que fossem para carregá-las de um lado para outro. Ela passou a viagem me encarando como se a qualquer momento eu fosse desmentir o que havia falado. Acreditava que eu era um piadista que estava tirando uma com a cara dela.

O livro digital pode ter um milhão de benefícios (reconheço!), porém, o livro impresso não tem nenhum defeito. É por isso que eu continuo lendo as suas versões em papel. O livro impresso continua sendo uma das melhores tecnologias desenvolvidas pelo homem. Se ele fosse tão ruim como dizem os mais modernos, ele não teria sobrevivido por tantos séculos e não teria auxiliado tanto no desenvolvimento da nossa espécie. A experiência de virar as páginas de uma boa obra ainda é algo muito prazeroso (e insubstituível) para mim.

Vocês podem ficar aí me olhando incrédulos e rindo dos meus hábitos antigos, mas não pretendo mudar tão cedo meu comportamento. Pera aí! Não é essa a conduta típica de quem luta contra as novas tecnologias?

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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