• Ricardo Bonacorci

Livros: Pecados Sagrados - Thriller policial de Nora Roberts


Li, na última terça-feira, o thriller policial "Pecados Sagrados" (Bertrand), da norte-americana Nora Roberts. Trata-se da primeira obra da lista do Desafio Literário deste mês de agosto. Quando esse romance foi lançado no final da década de 1980, sua autora já era conhecida no mercado editorial dos Estados Unidos. É claro que ela não era uma superstar literária, status que seria adquirido ao longo da década de 1990, mas já possuía um bom número de leitores fiéis. Vários trabalhos anteriores de Roberts tinham alcançado o topo do ranking dos mais vendidos nas livrarias norte-americanas.

Publicado originalmente em 1987 (no Brasil, sua primeira edição é de 2009), "Pecados Sagrados" tem 350 páginas e apresenta um enredo diferente do que Nora Roberts estava acostumada a desenvolver até então. Ao invés das tramas românticas, temos aqui um suspense policial. Esta é uma das primeiras histórias desse gênero da autora, que o exploraria com mais afinco na década de 1990, principalmente sob o pseudônimo de J.D. Robb. É verdade que em "Pecados Sagrados" há bastante romantismo também, porém o foco do livro é a investigação para descobrir a identidade de um perigoso serial killer.

O êxito comercial deste romance foi tão grande que sua autora resolveu produzir uma sequência. Os investigadores Ben Paris e Ed Jackson voltaram à ativa em "Virtude Indecente" (Bertrand), publicado em 1989. Esse segundo livro da série que ficou conhecida como "Detetives de Washington D.C" recebeu o prêmio Golden Medallion Awards no ano de seu lançamento como o melhor suspense norte-americano.

A trama de "Pecados Sagrados" se passa na cidade de Washington. A capital dos Estados Unidos sofre uma série de assassinatos misteriosos que aprovara a população e deixa as autoridades perplexas. Algumas mulheres loiras são estranguladas com amictos brancos, uma vestimenta tipicamente utilizada por padres católicos em suas missas. Em todos esses casos criminosos, o maníaco deixa um bilhete: "Seus pecados foram perdoados". O objetivo dele ao tirar as vidas das moças é tentar purificá-las de seus pecados. Por isso, ele não rouba nem abusa sexualmente de suas vítimas. O assassino é chamado pela imprensa local de "Padre". Afinal, somente os religiosos católicos usam os amictos.

Intrigado com os crimes e sem conseguir provas para chegar ao serial killer, o chefe de polícia local aceita a sugestão do prefeito para incorporar na equipe de investigação Tess Court, uma renomada psiquiatra da cidade. A especialista em trabalhar com mentes transtornadas poderá ajudar os investigadores a solucionar o crime, traçando o perfil psicológico do maníaco. Afinal, o assassino deve ser um homem totalmente desequilibrado para praticar crimes tão cruéis.

Assim, senhorita Court é integrada à equipe de investigadores. Jovem, bonita, rica e bem-sucedida, a doutora também é filha de um influente senador da República. A forasteira não é bem recebida pelo detetive Ben Paris. O policial, que tem como parceiro Ed Jackson, é o responsável por conduzir esse caso. Ele não acredita que uma mulher elegante e rica poderá ajudar na resolução do crime. Em contrapartida, a postura machista, arrogante, pouco educada e às vezes violenta de Ben causa repulsa na psiquiatra. Rapidamente, os dois passam a se odiar, não escondendo suas diferenças e suas antipatias.

Contudo, à medida que a investigação prossegue, a dupla acaba se apaixonando. Trata-se do famoso caso dos "opostos se atraem". O relacionamento e os sentimentos entre o detetive Paris e a doutora Court serão postos à prova em meio ao mais perigoso e complexo trabalho profissional de ambos. As diferenças entre eles e os preconceitos que cada um tem podem não apenas destruir a paixão do casal como também colocar a investigação em risco. Somente unidos eles terão chances para descobrir quem é o "Padre".

A leitura de "Pecados Sagrados" é super-rápida. Li o livro inteiro nessa terça-feira. O que faz sua leitura ser fácil é a linguagem simples e a objetividade narrativa de sua autora. Sem utilizar recursos literários sofisticados, Nora Roberts vai direto ao ponto, sem rodeios. O que importa para ela é a ação e a constituição psicológica das personagens. O único momento de interrupção da narrativa se dá para a descrição dos pensamentos e dos sentimentos do casal de protagonistas e do criminoso.

Para ser sincero, não gostei de "Pecados Sagrados". Achei o romance muito fraquinho. Com uma história banal e com pouquíssimos elementos narrativos interessantes, essa trama não empolga o leitor mais qualificado e maduro. O livro não consegue cativar nem como thriller policial nem como uma história romântica. Tentando misturar os dois gêneros, Nora Roberts acabou não fazendo bem nem uma coisa nem outra. Se compararmos, por exemplo, "Pecados Sagrados" com qualquer livro de Harlan Coben, especialista em suspenses policiais que misturam altas doses de romantismo, a obra de Roberts perde de goleada em todos os quesitos. A impressão que tive é que a autora estava fazendo uma experimentação estilística. Infelizmente, não foi bem sucedida.

O contraditório relacionamento amoroso do casal principal é até interessante. As diferenças de personalidade e de crenças jogam um contra o outro, enquanto a atração física os aproxima, em um jogo constante de vai e volta. A caracterização dos protagonistas também é bem feita. Tess Court, Ben Paris e Ed Jackson são personagens complexos e carismáticos. Eles conseguem cativar o leitor.

A história do crime, por sua vez, carece de elementos fortes e originais. Apesar da tentativa salutar de Nora Roberts de construir uma investigação policial ancorada em análises psiquiátricas sólidas, ela não conseguiu sair da superficialidade. Em muitos momentos, as tramas secundárias dos pacientes da Doutora Court chegam a ser mais empolgantes do que o próprio caso policial retratado.

A sensação é que estamos lendo um romance juvenil. Isso fica mais evidente no desfecho. Apesar de ser surpreendente, o final é pouco verossímil e um tanto forçado. Achei que a autora escolheu alguém que não cogitávamos como assassino somente para deixar o encerramento do romance inusitado. Além disso, o desfecho da história é muito rápido. O melhor do livro está restrito a um pequeno capítulo final, onde o clímax da narrativa é rapidamente solucionado. Para que a pressa em terminar o romance quando ele, enfim, chega ao seu instante mais esperado?!

Este é daquele tipo de livro que depois de uma semana você não se lembrará do enredo nem das personagens. Durante a leitura de "Pecados Sagrados", recordei do livro "A Outra Face" (Record), primeira publicação de Sidney Sheldon. A obra do norte-americano, publicada em 1970, também misturava romantismo com investigação policial e acrescentava análises psicológicas no meio da trama. Acredite se quiser, mas achei o romance de Sheldon melhor trabalhado. E aí quando Sidney Sheldon é melhor do que alguém em uma comparação direta, há sérios problemas com quem está sendo analisado!

Os fãs de Nora Roberts que me desculpem, mas não tive uma boa primeira impressão da autora. Ainda bem que esse é apenas o livro inicial do "Desafio Literário" de agosto. Ainda restam mais 5 livros de Nora Roberts que serão lidos e analisados aqui no Bonas Histórias. Há tempo suficiente para eu mudar minha opinião sobre a literatura da norte-americana.

Na quarta-feira, dia 9, retorno ao blog para analisar o segundo livro do Desafio, "Doce Vingança" (Bertrand). Ele foi publicado em 1988 e pertence ao gênero que Nora Roberts estava mais à vontade naquele momento de sua carreira: as tramas românticas. Até mais!

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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