• Ricardo Bonacorci

Filmes: Liga da Justiça - A decepcionante reunião dos super-heróis da DC


Para os fãs dos super-heróis (em outras palavras, para a comunidade nerd no geral), "Liga da Justiça" (Justice League: 2017) era o filme mais aguardado do ano. Afinal, pela primeira vez no cinema, as principais personagens da DC Comics estariam reunidas em uma mesma produção. Quando mencionamos "Liga da Justiça", os mais saudosistas e, principalmente, os pouco fluentes no universo geek (como eu) podem se lembrar de "Superamigos" (Superfriends), clássico desenho animado das décadas de 1970 e 1980. Nessa célebre produção da dupla Hanna-Barbera, baseada nos quadrinhos da DC, o Super-Homem comandava uma legião de super-heróis no combate ao mal. O grupo agia em sua sede, chamada de Sala da Justiça, a partir das informações transmitidas pelo Coronel Wilcox. O desenho era ótimo e marcou algumas gerações.

O filme atual, "Liga da Justiça", mantém-se fiel à proposta original de editora norte-americana. A única modificação necessária para o cinema foi a redução do grupo de super-heróis contemplados na liga. No longa-metragem, o grupo se restringe ao sexteto principal: Super-Homem, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman, Flash e Ciborgue. Para representar essas personagens, foram convocados, respectivamente, Henry Cavill, Gal Gadot, Jason Momoa, Ben Affleck, Ezra Miller e Ray Fisher. Um elenco de primeira, precisamos reconhecer...

A direção do filme ficou inicialmente a cargo de Zack Snyder, de "Batman vs Superman - A Origem da Justiça" (Batman v Superman - Dawn Of Justice: 2016), "O Homem de Aço" ( Man of Steel: 2013) e "A Lenda dos Guardiões" (Legend Of The Guardians - The Owls of Ga'Hoole: 2010). Após o falecimento da sua filha durante as gravações, Snyder precisou abandonar a produção às pressas. Assim, Joss Whedon, de "Os Vingadores - The Avengers" (The Avengers: 2012), "Vingadores - Era de Ultron" (The Avengers: Age of Ultron: 2015) e "Thor - O Mundo Sombrio" (Thor - The Dark World: 2013), foi chamado para concluir o filme. O novo diretor, contudo, fez várias alterações no longa-metragem, o que atrasou seu lançamento e elevou ainda mais seus custos (várias cenas foram regravadas).

"Liga da Justiça" tinha tudo para ser um ótimo filme. Possuía orçamento de blockbuster, excelente atores, personagens conhecidos, acesso ao que há de mais tecnológico em recursos especiais, dois conceituados diretores à frente do trabalho e uma legião de fãs ao redor do mundo ávidos em ver essa história nas telonas. Infelizmente, o longa-metragem ficou muito aquém das expectativas criadas. Assisti a sua estreia nessa semana e considerei sua trama chatíssima e suas personagens, de modo geral, pouco carismáticas. Na sessão em que estive presente, fiquei com a sensação de que a maioria do público não aprovou o que viu. Acredito que nem mesmo os nerds, fanáticos pela série em quadrinhos, vão apreciar o longa-metragem.

O enredo de "Liga da Justiça" é muito simples (e banal). O planeta está para ser destruído. O Lobo da Estepe (interpretado por Ciarán Hinds), um vilão extraterreno, invade a Terra com uma legião de parademônios (espécie de insetos gingantes e demoníacos). O grupo está na eminência de colocar as mãos nas três caixas maternas, que dão segurança à vida humana em nosso mundo. Para impedir que isso ocorra, Batman e a Mulher-Maravilha dão início ao recrutamento de um grupo de super-heróis (entenda-se: convencer Aquaman, Flash e Ciborgue a lutarem com eles). Juntos, o quinteto poderá derrotar o temível inimigo e evitar a destruição da Terra. Com a recente morte do Super-Homem, somente a união dos cinco heróis poderá impedir as pretensões macabras do Lobo da Estepe.

Onde "Liga da Justiça" falha realmente? São vários os pontos que comprometem a produção. O primeiro deles é a trama bobinha. Um vilão sem graça com um exército de insetos destruidores invade nosso planeta para acabar com a humanidade (acho que já vi esse enredo pelo menos um milhão de vezes no cinema). Por que eles fariam isso? Pior do que a falta de motivos claros, é a maneira como os vilões irão agir. A busca pelas caixas maternas beira a infantilidade. Nem mesmo as crianças apontarão alguma lógica por trás do poder das três caixas juntas.

Para piorar ainda mais, muitos super-heróis estão levando vidas tranquilas longe dos holofotes (e dos perigos de sua profissão) e não desejam se unir para combater um perigoso inimigo da humanidade. Que raio de heróis são esses que não ligam para nada além de sua rotina fútil?! Por que preferem ver o planeta destruído a voltar (ou começar, em alguns casos) a lutar?! Assim, por mais interessantes que sejam os dramas pessoais dessas personagens, eles parecem bobinhos diante do mal maior que, de início, eles recusam combater.

Além disso, os cinco super-heróis vivos parecem um bando de incompetentes. Mesmo juntos, eles não conseguem fazer nada direito. Dessa maneira, eles precisam desesperadamente do falecido Super-Homem. Sem a personagem de Clark Kent, o quinteto torna-se presa fácil para os inimigos, sofrendo sucessivas derrotas em combates.

Entretanto, o pior aspecto do enredo de "Liga da Justiça" deve-se a ressurreição do Super-Homem (ops, aí foi um pequeno spoiler. Foi mal!). "Como assim?", o espectador fica se perguntando. "Mas ele não estava morto e enterrado há muito tempo?!". Sim, estava. Mesmo assim, o grupo de amigos foi lá e o fez voltar à vida. Acho esse recurso triste. Ou se mata o herói para sempre, como fizeram com Wolverine em Logan (2017) ou não se mata. Matar para depois trazer de volta sem qualquer explicação lógica e científica, não dá! O filme acaba exatamente aí. A volta à vida do Super-Homem representou o falecimento da história da "Liga da Justiça". Uma pena...

Os únicos pontos positivos do longa-metragem são: sua ótima trilha sonora, o bom-humor de algumas cenas (principalmente as protagonizadas pelo hilário Flash) e a sensualidade (na maior parte das vezes da lindíssima Mulher-Maravilha e do tipão Aquaman).

Em resumo, "Liga da Justiça" é aquele tipo de filme que você reúne várias boas personagens que sozinhas fariam um bom longa-metragem, mas que juntas não dão jogo. Não há qualquer química entre o grupo. O melhor exemplo disso acontece com a Mulher-Maravilha. O filme protagonizado individualmente por Gal Gadot é muito bom. Diria até que ele é a melhor produção cinematográfica de super-heróis de 2017. Nesse filme de agora, porém, a Mulher-Maravilha é subaproveitada. Uma pena! O mesmo poderia ser dito de um longa-metragem que fosse feito somente com Aquaman ou Flash (Dizem que cada um ganhará seu próprio longa-metragem em breve...). Aqui eles também são subestimados.

Veja o trailer de "Liga da Justiça" (Justice League: 2017):

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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