• Ricardo Bonacorci

Filmes: Os Parças - O baixo nível do humor nacional


Na próxima quinta-feira, dia 30 de novembro, estreia no circuito nacional o filme "Os Parças" (2017). Dirigido por Halder Gomes, de comédias pitorescas como "Shaolin do Sertão" (2016) e "Cine Holliúdy" (2011), e estrelado por Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Tirullipa e Bruno de Luca, o longa-metragem promete atrair para as salas de cinema o público identificado com o humor popularesco da televisão aberta. A referência é clara: os programas como "A Praça é Nossa" e "Zorra Total".

Não duvido que estejamos falando de um dos possíveis campeões de bilheteria desta temporada. Porém, não espere encontrar grande qualidade nesta produção. Diferentemente de "Até que A Sorte Nos Separe" (2012), "Minha Mãe é uma Peça" (2013), "Se Eu Fosse Você" (2006) e "De Pernas para o Ar" (2010), só para ficarmos em alguns exemplos de blockbusters nacionais, que aliavam humor popular com grande qualidade narrativa e cinematográfica, em "Os Parças" temos um bando de artistas obsoletos e de terceiro escalão repetindo piadas antigas e sem a menor graça. Se você tiver um gostinho um pouco mais apurado, na certa irá odiar este filme.

O enredo de "Os Parças" até parece interessante. Um grupo de quatro trambiqueiros do centro de São Paulo, formado por Toinho (interpretado por Tom Cavalcante), Romeu (Bruno de Luca), Ray Van (Whindersson Nunes) e Pilôra (Tirullipa), acaba sem querer metido em um grande mal-entendido. Eles precisam realizar a cerimônia de casamento de Cintia Maria (Paloma Bernardi), uma ricaça paulistana. A moça é filha de Vacário Barola (Taumaturgo Ferreira), o maior contrabandista da Rua 25 de Março. Se o casório da filhinha querida não for realizado como ele espera (ou seja, com muito luxo e bom gosto), o bandido irá matar os responsáveis pela festa com requintes de crueldade.

O problema de Toinho, Romeu, Ray Van e Pilôra é que o dono da empresa responsável pelo evento, Mário (Oscar Magrini), fugiu com quase todo o dinheiro entregue por Vacário. Com pouquíssimos recursos em mãos, o grupo terá de organizar o casamento com muita ostentação para agradar ao pai da noiva. E o único jeito de eles fazerem isso é usando a criatividade e o jogo de cintura de quem sobrevive diariamente nas ruas da maior cidade do país. Está armado o cenário para um número incontável de confusões.

"Os Parças" tem alguns pontos que merecem elogios. A fotografia é ótima (talvez esse seja o seu melhor quesito). A trilha sonora também é muita boa. A trama em si possui um enredo nonsense e bem engraçado. Porém, os elementos positivos do filme terminam aí.

Há vários erros de continuidade durante o longa-metragem que deixam desconfortáveis até mesmo o espectador menos atento. Quanto à lógica narrativa e à questão da verossimilhança, é melhor não entrarmos nessa questão. Elas merecem um post exclusivo só com os pontos que não fazem sentido nenhum na história. O desfecho, que era para ser a parte mais interessante do filme, ganhou uma edição acelerada e capenga. Porém, a pior parte está na qualidade das piadas. Para uma produção cômica, não há nada mais decepcionante do que ver uma enxurrada de tiradas de mau gosto, envelhecidas e preconceituosas.

Em suma, o humor de "Os Parças" é previsível e de baixo nível. As personagens repetem velhas piadas e abusam dos estereótipos. Em uma produção de mais de uma hora e meia, o espectador fica mais tempo constrangido com o que vê na tela do que rindo dos acontecimentos. Para agravar o problema, a escolha dos protagonistas foi péssima. Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Tirullipa e Bruno de Luca não conseguem ser engraçados nem cativam a plateia. Eles também não convencem como grupo. Juro que até agora não entendi os critérios dessa escolha. O quarteto não tem química nenhuma.

Dos atores, Tom Cavalcante é o mais decepcionante. Usando suas velhas piadas e imitações, ele parece mais o Ribamar do programa "Sai de Baixo" do que um novo personagem ficcional. Será que Cavalcante não tem novas piadas ou não sabe fazer graça com outras coisas? Para um humorista do tamanho dele é muito pouco.

Um exemplo didático do que estou falando pode ser visto na cena em que o grande contrabandista da Rua 25 de Março pede aos funcionários da empresa de eventos um show com o cantor Fábio Júnior no casamento de sua filha. Todo mundo na sala de cinema, em poucos minutos de filme, já entendeu como os rapazes farão para enganar o criminoso. Ou o roteirista acha que a plateia é burra ou foi ingênuo de mais para acreditar que surpreenderia alguém no final do longa-metragem.

Confesso ter saído muito decepcionado da pré-estreia do filme. É triste ver uma boa ideia tão mal executada. "Os Parças" até pode levar muita gente aos cinemas brasileiros neste fim de ano, mas creio que a maioria do público irá deixar a sessão arrependida da escolha feita na bilheteria.

Veja, a seguir, o trailer de "Os Parças":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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