• Ricardo Bonacorci

Desafio Literário de abril/2019: José Saramago


O Desafio Literário de 2019 começa em grande estilo. O primeiro escritor que vamos analisar no Bonas Histórias, neste ano, é José Saramago, um dos principais nomes da história da literatura em língua portuguesa. Ao longo de abril, iremos comentar seis das mais importantes obras de Saramago. Os títulos escolhidos são: "Memorial do Convento" (Companhia das Letras), romance de 1982, "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (Companhia das Letras), publicação de 1984, “A Jangada de Pedra" (Companhia de Bolso), livro de 1986, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (Companhia das Letras), obra polêmica de 1991, "Ensaio sobre a Cegueira" (Companhia das Letras), narrativa alegórica de 1995, e "Caim" (Companhia das Letras), trama religiosa de 2009.

Cada uma dessas obras ganhará um post específico e todos estarão disponíveis no blog entre os dias 5 e 25. A partir das impressões coletadas nessas leituras, será desenvolvido um raio X do estilo literário do autor. O post com as principais características da literatura e da carreira de José Saramago será publicado no final do mês, mais precisamente no dia 29. Não é preciso dizer que o primeiro capítulo do Desafio Literário de 2019 (ainda estudaremos mais sete autores de todos os cantos do mundo até o final do ano - Chimamanda Ngozi Adichie em maio, Noah Gordon em junho, Orhan Pamuk em julho, Rachel de Queiroz em agosto, Milan Kundera em setembro, Gabriel García Márquez em outubro e Colleen McCullough em novembro) está imperdível, né? Esta é a quinta temporada do Desafio Literário do Bonas Histórias.

José de Sousa Saramago nasceu, em 1922, na vila de Golegã, pertencente à província do Ribatejo, região central de Portugal. Vindo de uma família de camponeses, José se mudou ainda pequeno para Lisboa, cidade onde viveu a maior parte da vida. Lá, trabalhou em várias profissões antes de embarcar definitivamente para o universo da literatura. Ele atuou como serralheiro, desenhista, funcionário público, tradutor e jornalista. Seu primeiro romance foi “Terra do Pecado” (Caminho), publicado em 1947, quando Saramago tinha apenas 25 anos. A obra não foi bem recebida pelo público nem pela crítica. Como consequência, as editoras portuguesas se recusaram, nos anos seguintes, a lançar os novos originais do jovem romancista. Desanimado, José Saramago ficou quase duas décadas sem publicar nenhum romance. Apenas nos anos de 1960, o escritor produziu, ainda que timidamente, trabalhos em outros gêneros: poesia, coletâneas de contos e crônicas e peças teatrais.

A volta aos romances aconteceu apenas em 1977 com a publicação do ousado “Manual de Pintura e Caligrafia” (Companhia das Letras). Entretanto, o sucesso em nível nacional ocorreu com sua terceira narrativa longa, “Levantado do Chão” (Companhia das Letras), de 1980. Quando o livro chegou às livrarias portuguesas, José Saramago já era um homem de quase sessenta anos e, enfim, ganhava o reconhecimento da crítica e dos leitores pelo seu trabalho na literatura. Nesse livro, o autor apresenta ao público um estilo de prosa único, que marcaria mais tarde sua carreira. “Levantado do Chão” conquistou naquele mesmo ano o Prêmio Cidade de Lisboa como o melhor romance português da temporada.

O livro seguinte, “Memorial do Convento”, de 1982, alçou o nome de Saramago para fora das fronteiras portuguesas. Era o início da trajetória internacional do escritor. Somente a partir desse momento, ele pôde se dedicar exclusivamente à produção literária, algo até então inviável. Por isso, as décadas de 1980 e de 1990 foram as mais produtivas para José Saramago. Nesse período, ele lançou suas obras mais famosas: "O Ano da Morte de Ricardo Reis", “A Jangada de Pedra", “História do Cerco de Lisboa” (Companhia das Letras), "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" e "Ensaio sobre a Cegueira". Entre 1980 e 1998, o português lançou dez livros, sendo oito romances.

O resultado mais objetivo desse trabalho apareceu nas premiações recebidas. Em 1995, José Saramago conquistou o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa. Três anos mais tarde, chegaria à consagração definitiva: o Nobel de Literatura. Pela primeira vez na história, a Academia Sueca de Letras entregava a honraria máxima da arte literária a um escritor de língua portuguesa. Assim, José Saramago deixava de ser apenas um grande autor português para se transformar em um dos mais importantes nomes da prosa ficcional do século XX.

Em 2010, o escritor faleceu aos 87 anos nas Ilhas Canárias, onde foi morar na década de 1990 com sua segunda esposa, a jornalista e tradutora Mária del Pilar del Río Sánchez. Pilar ficaria mais conhecida do grande público após o documentário “José e Pilar” (José y Pilar: 2010). Afinal, ela acabou em muitos momentos atraindo para si mais a atenção das câmeras do que o próprio marido, a razão principal daquela filmagem.

É este o escritor que vamos analisar em abril no Desafio Literário. A primeira obra de José Saramago que será comentada no Bonas Histórias é “Memorial do Convento” (Companhia das Letras), o primeiro grande sucesso internacional do escritor. Esse post estará disponível no blog no dia 5, próxima sexta-feira. Não perca. E boa leitura para todos!

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#LiteraturaClássica #literaturaportuguesa #JoséSaramago

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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