• Ricardo Bonacorci

Mercado Editorial: Livros novos e baratos - A tendência das livrarias populares


Livro no Brasil é artigo de luxo. Quem diz isso não sou eu e sim as pesquisas. Diferentemente do que acontece em muitos países, por aqui apenas uma parcela restrita da população tem o costume de frequentar livrarias e de adquirir constantemente obras literárias. Esses hábitos são inclusive vistos como elitistas pela maioria dos nossos compatriotas. É verdade que grande parte desse problema se dá pelo gigantesco analfabetismo funcional dos brasileiros e do nosso baixo desenvolvimento cultural. Quem manda ter um dos piores sistemas educacionais do mundo, né? Por outro lado, esse triste cenário também é culpa dos preços altos. Aí volto à frase que abriu esse post: livro no Brasil é artigo de luxo.


Você já reparou que em nosso país são poucas as iniciativas para baratear os preços das obras literárias?! Parece que todas as partes da cadeia editorial estão satisfeitas com os valores dos títulos comercializados por aqui: R$ 39,90, R$ 49,90, R$ 59,90 e R$ 69,90. Notamos o quanto os livros nacionais são caros quando os comparamos com os preços de seus similares estrangeiros. Lá fora, é comum existirem faixas mais econômicas: livros pockets (ou livros de bolso) e livros ainda mais simples (em papel simplório e com acabamento rudimentar). Ou seja, se você quer comprar um livro tradicional, pagará um valor maior. Se não pode arcar com esse custo, há opções mais em conta. Legal, né? Contudo, entre o Oiapoque e o Chuí essa tendência não pegou. As editoras brasileiras desenvolvem obras com qualidade gráfica e editorial espetaculares, mas não investem em opções populares.


No Brasil, livro barato só em sebo, que comercializa obras usadas e antigas. Se você quer um título novo (zero bala) terá que abrir a carteira. Não seria possível vender publicações novas e em primeira mão a preços de exemplares de sebos?! Como seria legal se isso ocorresse nas livrarias dos principais shopping centers do país, né? Se você almeja isso como eu, saiba que nossos sonhos podem estar se tornando realidade. Desde o ano passado, tem crescido o número de livrarias com preços populares. Pelo menos na cidade de São Paulo elas estão surgindo com força.

Eu conheço duas redes de livrarias com propostas de baixo custo que gostaria de compartilhar no post de hoje da coluna Mercado Editorial. Quem disse que o Bonas Histórias só dá dicas de leitura, hein? Nós também nos preocupamos em indicar onde você pode comprar bons títulos por preços acessíveis. Afinal, sem essa parte do processo (a compra), a anterior (a leitura propriamente dita) fica inviável.


A primeira livraria que gostaria de citar é a Promolivros. Ela vende normalmente títulos por R$ 10,00 em shopping centers. Na frente de suas lojas, temos a seguinte informação estampada: qualquer livro por R$ 10,00 - exceto livros jurídicos, boxes, HQs e etiqueta branca. A Promolivros nasceu operando exclusivamente em bienais do livro e em feiras do mercado editorial. Quem visitou a Bienal do Livro de São Paulo e a Bienal do Livro do Rio de Janeiro deve se lembrar dela. Desde o ano passado, a empresa instalou-se em lojas de shopping e passou a atender diretamente aos clientes. Ela já possui sete unidades na cidade de São Paulo: Butantã Shopping, Central Plaza, Shopping Metrô Itaquera, Shopping Metrô Tucuruvi, Raposo Shopping, Tietê Plaza e West Plaza.


Na Promolivros, os livros ficam expostos em bancadas temáticas (infantil, infantojuvenil, romances, negócios, jurídicos, histórias em quadrinhos...). Aí o cliente escolhe o que deseja e se dirige ao caixa para pagar. Normalmente, a loja tem entre um e dois funcionários. Nos dias e horários de pico, uma dupla atua em conjunto, enquanto nos dias e horários mais tranquilos apenas um integrante da equipe cuida da operação. Como não há consulta de títulos (o que está a venda está aos olhos dos clientes) nem quaisquer serviços mais elaborados, não se exige tanto dos funcionários (não sendo necessário, portanto, um quadro grande de trabalhadores).


A outra rede é a Top Livros. Com sede em Curitiba, a empresa trabalha com mais de 200 editoras e tem como proposta vender livros a custo baixo. Atuando tanto no varejo quanto no atacado e possuindo uma loja virtual, a Top Livros está presente em feiras de livros, estandes temporários em shopping centers, em supermercados, em estações de metrô, em bienais de livros e em eventos especiais. As obras vendidas nas lojas físicas também têm um preço fixo: R$ 10,00. A diferença é que sua operação é até mais simples do que a Promolivros. Segundo o sistema pegue-pague, mais comum no exterior e uma raridade no Brasil, o consumidor escolhe os títulos que deseja e se dirige ao caixa. Na Top Livros não há funcionários para fazer o atendimento. Assim, cabe ao próprio cliente passar o valor da compra nas máquinas de cartão ou deixar o dinheiro em uma caixinha.

Diferentemente da Promolivros que investe mais em lojas fixas, a Top Livros prefere atuar em estandes no meio dos corredores dos shoppings centers. Pelo menos é assim que eles estão dando as caras na maioria dos pontos comerciais aqui na cidade de São Paulo. Em Curitiba, há mais lojas regulares e convencionais. Por enquanto, a empresa paranaense opera em quatro unidades na capital paulista: no Boavista Shopping, no Shopping D, no Raposo Shopping e no Tietê Plaza.


Comprar livros novinhos por R$ 10,00 é bom demais. A operação enxuta (quase sem serviço nenhum), os poucos títulos disponíveis e a ausência de lançamentos explicam os preços competitivos dessas redes de livrarias. Portanto, não espere encontrar entre as opções disponíveis os best-sellers do momento e os últimos lançamentos do mercado editorial. Há nos catálogos da Promolivros e da Top Livros muitas obras infantis, infantojuvenis e clássicos da literatura brasileira e mundial. Os best-sellers comercializados são aqueles que deixaram há muito tempo de frequentar a lista dos mais vendidos. Ou seja, o consumidor precisa dar uma boa garimpada para achar boas leituras (ossos do ofício que qualquer fanático por literatura não irá se importar em realizar).


Este tipo de loja é excelente para quem está passeando pelo shopping e procura uma oferta de ocasião. Falo por experiência própria. Quando entro em uma livraria de desconto sempre saio com ao menos um exemplar. Minhas últimas compras foram: “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” (Leya), best-seller de Leandro Narlock, “Órfão X” (Planeta do Brasil), romance policial de Gregg Hurwitz, e “Mundo Bizarro: as Histórias Mais Estranhas e as Imagens Mais Esquisitas do Planeta” (Panda Books), coletânea da Bradt Travel Guides - Wanderlust.


Em época de dinheiro curto e de lenta retomada econômica, dar uma passadinha na Promolivros e/ou na Top Livros pode ser um bom negócio. Quem sabe você não acha aquele título que está postergando em comprar há tempos, hein? Sua próxima visita ao shopping pode ser mais lucrativa do que você imagina. Boa leitura a todos!


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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