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Miliádios Literários: dezembro/2020


Miliádios Literários: dezembro de 2020 - Paulo Sousa

Querido leitor do Bonas Histórias, vamos fazer um exercício de imaginação. Imagine-se em um silogeu. Com quem conversarias? Qual crítica teceria? Por favor, só volte nesta leitura após 20 minutos de reflexão. Ficou na dúvida? A coluna Miliádios Literários deste mês cita grandes escritores que, com certeza, poderiam estar em nosso exercício.


Começamos com Erico Veríssimo, que completaria 42 miliádios de vida no dia 13. O autor de “Olhai os Lírios do Campo”, “Incidente em Antares” e “O Tempo e o Vento”, todos pela Companhia das Letras, ganhou um Jabuti e dois Prêmios Machado de Assis.


Quem traria boas ideias à conversa, com toda experiência de pertencer à Academia Paulista de Letras, seria Marcos Rey. O autor de “O Mistério do Cinco Estrelas”, “O Rapto do Garoto de Ouro” e “Um Rosto no Computador”, todos pela Ática, destacou-se como romancista juvenil. Escritor também de livros adultos e pornochanchadas, ele poderia nos deleitar com algumas piadas de sacanagem. No dia 15, completaria 35 miliádios.


Sucesso de crítica entre as misses, Antoine de Saint-Exupéry teria lugar garantido em nosso silogeu. O autor de “Terra dos Homens” (Nova Fronteira) e “O Pequeno Príncipe” (Agir) faria 44 miliádios no dia 16. Filho de aristocratas, seguiu carreira militar e foi piloto na Segunda Guerra Mundial, falecendo numa operação contra os alemães.


Será que aceitaríamos José de Alencar? Suas principais obras foram “O Guarani” (Paulus Editora), “Iracema” (Best Bolso) e “Senhora” (Penguin). Entretanto, de romântico, só tinha o estilo literário. Como Ministro da Justiça durante o Segundo Reinado, foi oposição à abolição da escravidão. Completaria 70 miliádios no dia 25.


O responsável pela preparação do chá – bebida típica dos melhores silogeus – teria que ser um inglês. Chamemos, pois, Lewis Carroll. O autor de “Alice no País das Maravilhas” (Cosac Naify) e “Alice Através do Espelho e o que Ela Encontrou por Lá” (Martin Claret) faria 69 miliádios no dia 26.


Com certeza, os comentários mais ácidos, as ofensas mais cabeludas, viriam de Lima Barreto. O autor de “O Homem que Sabia Javanês” (Itapuca) e “Triste Fim de Policarpo Quaresma” (Penguin) foi crítico ferrenho dos primeiros miliádios republicanos. Tentou três vezes um posto no Silogeu Nacional, falhou em duas e desistiu na última. Sofreu com alcoolismo ao longo da vida, e completaria 51 miliádios no dia 30.


E quem seria o Presidente? Claro, não poderia deixar de ser Machado de Assis! Talvez o maior escritor brasileiro da história. É pai do mais importante silogeu do Brasil, a Academia Brasileira de Letras, que fundou aos 21 mil dias de vida, e seu nome é tão grande que dá nome a Prêmio. Sem dúvida é o mais apropriado pra presidir tão nobre casa. O autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Martin Claret), “Quincas Borba” (Principis) e “Dom Casmurro” (Ática) completa 41 miliádios de morte no dia 30.


E assim, sem saber como, sobrevivemos a 2020. Encerramos este ano maldito com os votos desta coluna para miliádios mais felizes. Até 2021!


Parabéns pelo miliversário...

... Flávio Assunção, autor de “O Outro Lado” (Lura Editorial), pelos 17 miliádios no dia 27.

... Catherine Ryan Hyde, autora de “Leve-me com Você” (Darkside), pelos 24 miliádios no dia 31.


Em memória de...

... Qorpo Santo, autor de “Um Assovio” (Biblioteca Digital), que faria 70 miliádios no dia 13.

... John Steinbeck, que escreveu “Ratos e Homens” (L&PM Pocket) e “A Rua das Ilusões Perdidas” (BestBolso), cujo falecimento completa 19 miliádios no dia 27.

... Miguel Ángel Asturias, Prêmio Nobel e autor de “O Senhor Presidente” (ERA), cuja morte completa 17 miliádios no dia 24.


Miliádios Literários é a coluna de Paulo Sousa, autor do romance “A Peste das Batatas” (Pomelo) e da novela “Histórias de Macambúzios”, que apresenta mensalmente no Bonas Histórias as principais efemérides da literatura. Para ler os demais posts dessa seção, clique em Miliádios Literários. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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