• Ricardo Bonacorci

Contos: Paranoias Modernas - Aos Quarenta


Paranoias Modernas: Aos Quarenta - Conto de Ricardo Bonacorci

Acho que nunca fui tão feliz como agora", refletiu Isabela em um suspiro adocicado advindo dos recôncavos da consciência. Seu aniversário de quarenta anos era no dia seguinte. No carro, voltando do trabalho para casa, ela pensava, entre lembranças e planos, naquela data especial. No para-acelera-e-para-de-novo do trânsito do começo da noite, a motorista do imponente SUV aproveitava para fazer uma rápida retrospectiva de sua trajetória.


Seu casamento era do tipo perfeito, capaz de provocar inveja até mesmo nas almas mais compassivas. Isabela e Evandro amavam-se exatamente como no dia em que começaram a namorar. Estavam juntos havia quinze anos. Em nenhum momento deste período, a vida afetivo-sexual do casal margarina se esmorecera. Era até difícil de acreditar em tamanha afinidade. Nelson Rodrigues estaria se revirando no túmulo se soubesse da existência daquele relacionamento monocórdio.


A situação financeira da família era excelente. Ele era o mais renomado jornalista econômico do país e ela era a gerente de um importante escritório de agenciamento de artistas. Para coroar a união inverossímil, eles jamais receberam a visita da cegonha. Era muita sorte, pensava a esposa aliviada por não precisar passar pelas transmutações físicas e hormonais da gravidez. Sem filhos, os cônjuges mantinham a boa forma e continuavam com a liberdade para fazer o que quisessem.


"Na certa, o Van irá preparar uma grande festa para mim amanhã", previu Isabela ao abrir a porta do apartamento. Seu marido não perdia a oportunidade de reunir os amigos e de festejar cada uma das grandes comemorações que pintavam no calendário. "Ou a surpresa será hoje à noite?". Sim, ele era bem capaz de se adiantar para surpreendê-la.


– Precisamos conversar – Evandro anunciou de bate-pronto assim que a esposa colocou os pés no interior da residência. Sua voz era um misto de preocupação e desespero – Quero a separação! Não aguento mais este inferno em que estou metido.


Isabela caiu no sofá assustada. Ela não podia acreditar nas palavras que violentavam seus ouvidos. Talvez fosse só uma brincadeira (de mal gosto) dele. Depois de esclarecido o chiste, Evandro anunciaria que a amava e falaria dos detalhes da festança do dia seguinte.


– É verdade, Belinha. Quero o divórcio. Nos últimos anos, tenho me sentido estranho como se esta vida não fosse minha – prosseguiu o jornalista em tom melancólico – Você não tem nada a ver com isso, querida. Sou eu quem não está feliz comigo mesmo. Quero mudar completamente de rotina. Preciso fazer alterações radicais em minha vida. Tenho que descobrir coisas novas e explorar outras partes do meu eu. Você me entende, não entende?


Isabela não entendeu nada daquele papinho existencialista, mas aceitou a decisão de Evandro passivamente. "O desgraçado deve ter conhecido uma vagabunda e agora está me largando para viver com ela", cogitou em uma fúria introspectiva. Ela era um vulcão de raiva e ressentimento que fazia de tudo para não expelir as lavas para a superfície.


Em uma semana, estavam separados oficialmente e vivendo em casas diferentes. A celebração do aniversário de Isabela acabou sendo sinistra. Ao invés de passar aquele dia em uma sorridente festa com muita gente, ela ficou sozinha embaixo das cobertas. Suas únicas companhias foram as lágrimas que insistiram em aparecer.


Para aplacar a tristeza de Isabela, Ângela, sua melhor amiga, passou a convidá-la para sair. Solteirona convicta, Ângela queria mostrar o quanto uma mulher desacompanhada poderia se divertir na noite. Depois de incontáveis recusas, Isabela, enfim, aceitou o primeiro convite da amiga. No início, ela saía uma vez por semana. Sua desculpa era sempre a mesma:


– Só estou indo para te agradar, Ângela. Mas não pense que eu vou ficar por aí me atirando em cima dos homens como você faz. Não quero saber de ninguém por enquanto.


Não demorou e a dupla passou a frequentar bares, baladas e shows duas, três vezes por semana. À medida que ia gostando da azaração e da boemia, Isabela fez novas amizades e não recusava nenhum programa. Em pouco tempo, já saía todas as noites e aproveitava para viajar aos finais de semana com seus novos amigos. Sua vida se transformou em uma interminável curtição. A quarentona virou uma espécie de versão feminina dos protagonistas de Jack Kerouac.


Nesta fase, Isabela passou a colecionar companhias masculinas. Ela adorava terminar a noite transando com um homem diferente. O importante era variar o cardápio. A repetição do menu era encarada como uma derrota pessoal pela moça. Por sua cama passaram adolescentes, universitários, homens maduros, velhos, duplas de amigos, homens casados, deficientes físicos, antigos colegas de trabalho, rapazes desconhecidos...


A fome por novos parceiros só acabou quando ela conheceu Benjamim. O moço de dezoito anos mostrou-se o professor ideal da matéria “curta o mundo pós-moderno sem pensar no amanhã”. Com o jovem, Isabela percebeu que tinha vivido até então de maneira burocrática e sem graça. O rapaz abriu sua mente para novas experiências e possibilidades. Ele a apresentou ao universo das drogas ilícitas. Benjamim também levava a namorada às casas de swing e às grandes orgias. Não havia limites para o novo casal.


Eles passaram a viajar para todos os cantos do mundo. Os pombinhos escalavam montanhas, atravessavam florestas e pulavam de paraquedas. Benjamim ensinou Isabela a praticar alguns crimes por adrenalina e diversão. Certa vez, só por curtição, tentaram colocar fogo em um mendigo. Em outra oportunidade, cogitaram sequestrar uma criança de colo só para ver o desespero da mãe.


Paradoxalmente, os novos hábitos e o novo estilo de vida fizeram bem para a carreira de Isabela. Vista até aquele momento como uma mulher conservadora e pouco criativa, ela estava estagnada no mesmo cargo havia oito anos. Depois de assumir o namoro com alguém doze anos mais jovem, de fazer uma série de tatuagens e de ser acusada de contrabando em uma viagem para o exterior, Isabela passou a ser vista com outros olhos pelos colegas e clientes. Todos no escritório começaram a admirá-la. A mais entusiasmada era Marisa, a dona da empresa que cuidava da carreira dos principais artistas do Brasil. Isabela, até então uma gerente comum, era agora uma mulher decidida, confiante e moderna, invejada por todo mundo.


Depois de chegar bêbada algumas vezes e ser pega com maconha no banheiro da empresa, Isabela foi promovida à diretora. Enfim, ela estava preparada para administrar as contas dos maiores nomes do show business nacional. Tratava-se da primeira mulher em tal cargo na história daquela companhia. Apesar de a dona ser mulher, o alto comando da organização só havia aceitado homens desde a sua fundação. "Este é o momento mais feliz de minha vida", concluiu Isabela. Ela estava duplamente realizada: nos âmbitos pessoal e profissional.


Os tempos alegres ao lado de Benjamim acabaram subitamente. O rapaz foi preso em uma operação da Polícia Federal e enviado a um presídio em Mato Grosso. Os advogados contratados por Isabela para cuidar do caso afirmaram que era difícil tirar o rapaz de trás das grades. Homicídio e sequestro eram crimes hediondos e renderiam ao menos trinta anos de cana.


O mundo de Isabela desabou. Ainda bem que Marisa resolveu ajudar sua melhor funcionária. A dona da agência, recém-separada do terceiro casamento, levou sua diretora para passar um final de semana em Angra dos Reis. A ideia era que elas pudessem esquecer os pesadelos que estavam vivendo ao lado de homens errados.


No primeiro dia, não houve qualquer êxito de Marisa em animar Isabela. A ex-namorada de Benjamim chorava sem parar. Ela sentia muitas saudades do companheiro que mudara sua forma de enxergar a vida. Na segunda noite, a realidade foi diferente. Depois de beberem três garrafas de vinho, Isabela e Marisa acabaram dividindo a mesma cama pela primeira vez. As duas mulheres, inexperientes no sexo homossexual, esbaldaram-se com o corpo uma da outra. Num estalar de dedos, a história de Isabela se transformou em um romance de Régine Deforges ou de Patricia Highsmith.


Sem dúvida, aquela fora a melhor experiência sexual de suas vidas. Somente alguém que conhecia a intimidade feminina poderia proporcionar um prazer daquele tipo à outra mulher. Assim, nenhum homem tinha esta capacidade, concluíram as amantes com os corpos grudados. Isabela adorou tudo em Marisa, dez anos mais velha. Imediatamente, ela se esqueceu de Benjamin e de todos os homens do planeta.


– Ao invés de sofrermos com maridos e namorados que não nos merecem, vamos ficar juntas para sempre, meu amor – propôs Marisa para surpresa dela mesma e da nova companheira.


Na segunda-feira, ao voltar da viagem, Isabela se mudou para a casa de Marisa. Nas primeiras semanas, as duas tiveram receio de comunicar o novo relacionamento aos colegas e parentes. Contudo, depois de um mês juntas, todos os funcionários da empresa, os familiares mais próximos, os amigos e a vizinhança já sabiam da união.


Para provar que aquela relação não seria passageira e que confiava de olhos fechados em sua nova esposa, Marisa promoveu sua parceira a vice-presidente. A partir de então, as duas se tornaram unha e carne tanto dentro quanto fora da agência. "Acho que jamais fui tão feliz em minha vida", decretou Isabela certa noite.


O dia a dia ao lado de Marisa era maravilhoso. Isabela acreditava que poderia viver aquele conto de fadas até o fim da vida. E foi o que aconteceu. O fim da vida, neste caso, foi a morte repentina de Marisa em pleno escritório. A esposa de Isabela teve um ataque cardíaco fulminante em pleno sexo entre duas reuniões importantes. Há quem diga que a cinquentona não tenha aguentado o orgasmo múltiplo conferido pela parceira mais jovem. Polêmicas à parte, o fato é que Isabela precisou enfrentar, depois de duas conturbadas separações, uma viuvez.


Era outra rasteira que o destino lhe conferia. Talvez, essa tenha sido pior do que as anteriores. Isabela caiu em uma depressão profunda. Além de sofrer com a perda da esposa, ela ainda teve de encarar uma intensa briga judicial pela herança de Marisa. Os filhos e os antigos maridos da falecida exigiam a totalidade da fortuna da empresária e não queriam deixar nada para a nova amante dela.


Para aplacar a dor e fugir daquela confusão, Isabela resolveu viajar sozinha à Europa por seis semanas. Um período longe faria bem, calculou a moça. E foi o que aconteceu. Depois de visitar a Espanha, a Inglaterra e a França, a viúva já se achava renovada. E neste clima de maior otimismo, Isabela conheceu Anísio em um hotel de Florença. Anísio era um ator brasileiro quarentão, solteiro, bonito e culto. Para Isabela, foi amor à primeira vista. Ela não conseguia mais parar de pensar nele. Com a desculpa de se tornar sua agente artística, Isabela engatou os primeiros encontros e jantares com Anísio. Depois, passaram a falar de tudo, menos dos aspectos relacionados ao trabalho.


Anísio parecia muito animado com a nova amizade, mas sempre conseguia fugir das investidas da amiga. A cada dia, Isabela ficava mais ousada. Ela queria aquele homem de qualquer jeito. Em uma noite, depois de uma desculpa esfarrapada dada ao funcionário da recepção do hotel italiano, Isabela conseguiu as chaves reservas do quarto de Anísio. Após vestir sua melhor lingerie, ela invadiu o quarto dele seminua. Para delírio de Isabela, seu amor estava apenas de cueca ao lado da cama quando ela adentrou no cômodo.


– O que você faz aqui? – o proprietário do quarto se assustou.


– Eu vim porque...


– Com quem você está falando, amor? – uma voz masculina veio do banheiro, interrompendo o discurso ensaiado por Isabela. Um jovem musculoso saía do banho envolto a uma toalha – Quem é você?!


Isabela ficou sem entender nada. O que um homem fazia no quarto de Anísio naquela hora? Não! Não poderia ser, pensou.


– Isabela, desculpe não ter te contado. Sou gay.


Ela saiu do quarto com nojo de Anísio e do amor que nutria por ele. Mal se apaixonara novamente, já se desiludia outra vez. Com raiva do mundo, Isabela passou aquela noite chorando em seu quarto. Na manhã seguinte, já havia decidido o que fazer.


Voltou para o Brasil naquele mesmo dia e procurou a família de Marisa. Informou a todos que iria brigar por todo o patrimônio da esposa (e não apenas por uma parte dele) e que não sairia mais do comando da agência e da casa da falecida. Contratou os melhores advogados da cidade para cuidar do seu caso e viajou novamente. O destino dessa vez era a Indonésia.


Um mês depois, Anísio retornou ao Brasil. Seu namorado português, que conhecera justamente nas férias pelas planícies italianas, havia ficado na Europa. Os dois seguiriam suas vidas separadamente. O caso havia sido, para ambos, apenas uma paixão de verão.


No quarto dia no Brasil, Anísio recebeu uma mensagem misteriosa em seu celular. Um desconhecido dizia: "Ei gatinho, então você voltou! Encontre-me na mesa 20, às 20 horas, no restaurante Grand Torin. Saudades!". Curioso para saber de quem se tratava, Anísio foi ao restaurante no horário marcado e encontrou um rapaz atlético na mesa indicada.


– Oi, meu nome é Victor – apresentou-se o misterioso mensageiro – Talvez você não se lembre de mim, mas a questão não é essa. O ponto principal é que você jamais irá se esquecer de mim novamente.

A profecia de Victor se concretizou. Anísio se apaixonou por ele. Os dois viveram uma tórrida história de amor por dois meses. A dupla era inseparável. "Acho que nunca mais serei tão feliz como hoje" pensou Victor certa noite, enquanto tinha o corpo entrelaçado ao do parceiro.


Certo dia, depois de se esbaldarem no sexo, Anísio lembrou-se da forma como se conheceram e perguntou ao amante:


– Victor, quando nos encontramos no restaurante, você disse que já nos conhecíamos, mas eu não me lembro de você. Desde quando você me conhece?


Nesta hora, Victor explicou que nem sempre fora um homem. Na primeira vez em que se viram de verdade, ele era ela e se chamava Isabela.


– Meu amor por você é tão forte que resolvi fazer uma operação de mudança de sexo no exterior. Como você é gay, precisei me transformar em homem para satisfazê-lo. E aqui estou! Agora sou Victor.


De início, Anísio não achou que aquela história fosse real. Na certa, tratava-se de uma piada. Aquele homem perfeito na sua frente, na certa jamais teria sido uma mulher. À medida que Victor contava os detalhes dos encontros entre os dois na Europa, o ator ficou convencido. Ao perceber que Victor era Isabela ou Isabela era Victor, Anísio se sentiu traído.


– Você é um monstro! - disse repudiando a atitude do(a) parceiro(a).


A partir do dia seguinte, Victor nunca mais viu Anísio. O namorado fugiu em um passe de mágica. Ele desapareceu completamente da vida do antigo namorado. Victor até tentou encontrá-lo, mas não descobriu seu paradeiro. E olha que ele contratou até um detetive particular para ajudar na empreitada. Diferentemente do que acontecia nos thrillers policiais de Halan Coben, a vida real era impiedosa para quem queria desvendar o esconderijo da pessoa amada.


Outra vez, Victor estava sozinho no mundo, desprezado pelo destino e por quem mais amava. O que seria de sua vida a partir de agora? Dinheiro não lhe faltava. Ele conseguiu receber metade da fortuna da antiga esposa e ficou com a presidência da agência. Era um homem bem-sucedido, mas faltava alguém ao seu lado para partilhar os bens materiais. Precisava de um amor verdadeiro para alimentar a alma e confortar o coração.


Na véspera de completar quarenta e um anos, Victor resolveu ir sozinho a um bar badalado na área nobre da cidade. Não queria passar pela segunda vez consecutiva o aniversário sem ninguém. Ao pedir o uísque no balcão, ele viu uma moça muito bonita sentada em um banco ao lado. Aparentemente, ela estava desacompanhada. Ao perceber que havia acertado na suposição, Victor começou a puxar conversa com a desconhecida. Em menos de cinco minutos, a dupla já estava no meio de um animado bate-papo.


– Yasmin, pode parecer uma cantada barata da minha parte, mas acho que já a conheço – Após duas horas de intensa falação e flerte, o rapaz estava convicto da atração entre eles – Como isso é possível?


– Também sinto isso, Victor. Engraçada esta química entre a gente, né? – Yasmin também estava sendo sincera e ficou impressionada com o que também sentia – Pode ser coisa de vidas passadas. Quem sabe já não fomos casados?


Algumas horas depois, os dois estavam na cama do primeiro motel que acharam. Transaram como animais selvagens. Quem os visse diria que ambos os amantes passaram os últimos anos aprisionados sem qualquer companhia. "Este é o homem que tanto esperei", pensou Yasmin. "Acho que a felicidade da minha vida está nesta mulher incrível que conheci hoje" previu Victor.


Na manhã seguinte, o casal tomou café da manhã na cama como dois pombinhos apaixonados.


– Bom dia, meu amor. E parabéns para você. Feliz aniversário!


Yasmin não havia se esquecido do que Victor lhe falara na noite anterior. Era realmente uma mulher sem comparação. No fim da refeição, ele pediu para ela se sentar na beira da cama. Victor precisava falar algo importante.


– Conte-me tudo sobre sua vida, meu amor. Acho que iremos passar muitos anos juntos e preciso saber tudo sobre você. Só assim me sentirei pronto para revelar os meus segredos.


Yasmin concordou com a solicitação. Para explicar quem ela era, precisou pegar seus documentos na bolsa.


– Sei que ao mostrar isso para você, Victor, posso perdê-lo para sempre. Se você não quiser me ver nunca mais, saiba que entenderei perfeitamente. Veja isso.


Victor pegou o documento de identidade que lhe fora entregue. Ao ver a foto e o nome estampado ali sentiu um arrepio. O que o documento de Evandro, seu ex-marido, estava fazendo com Yasmin? Seria ela a responsável pela sua separação? Seria aquela mulher a amante que seduziu Evandro e o tirou de casa no ano passado?


Vendo a incompreensão nos olhos de Victor, Yasmin explicou:


– Eu nasci homem. Há um ano chamava-me Evandro e era casado. Minha esposa era perfeita, a melhor mulher do mundo. O problema é que eu não queria estar ao lado de uma mulher, por mais maravilhosa que ela fosse. Eu queria ser a própria mulher da relação. Aí, pedi a separação e fiz uma operação de mudança de sexo. Agora sou o que sempre sonhei. Meu problema é que minha realização pessoal ainda não foi alcançada. Não consegui encontrar alguém para amar. Já estive com homens e mulheres e ninguém me complementa como eu desejo. Pela primeira vez em muito tempo, senti uma coisa especial na noite passada. Se minha intuição feminina estiver certa, você é o homem da minha vida.


Lágrimas jorraram dos olhos de Victor. Ele se levantou da cama e chegou perto de Yasmin, abraçando-a carinhosamente. Depois de devolver a identidade para a moça, Victor apanhou da carteira seu documento original e entregou para ela ver. Yasmin também se espantou ao notar a foto e o nome de outra pessoa no material. Ao perceber que ela não entendia o que estava se passando ali, Victor resolveu explicar que havia abandonado o corpo de Isabela e chegado à sua nova condição.


O velho-novo casal voltou a viver junto. Se não eram mais Isabela e Evandro, pelo menos eram agora Victor e Yasmin.


"Nunca fui tão feliz em minha vida", pensou Victor ao fechar um livro de Virginia Woolf. Ele dormiu abraçado à esposa na primeira noite que passaram na nova residência do casal.

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Paranoias Modernas é a série mensal de narrativas curtas criada por Ricardo Bonacorci. Os 11 contos do quadro estão sendo publicados com exclusividade no Blog Bonas Histórias ao longo deste ano.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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