Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 40 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

  • Ricardo Bonacorci

Crônicas: O Ano que Esperávamos Há Anos - Abril de 2012

As primeiras fases do Paulistão e da Libertadores estão nas retas finais e os corintianos já se preparam para os jogos de mata-mata do futebol em 2012.

O Ano que Esperávamos Há Anos - Contos & Crônicas - Bonas Histórias - Ricardo Bonacorci - Abril de 2012

1° de abril de 2012 – domingo


Aconteceu algo muito desagradável nesse domingo. Fui à padaria comprar pão logo cedo e vi um grupo de corintianos, de doze a quatorze anos, fazendo baderna em frente ao estabelecimento. Os garotos estavam vestidos com camisas do Coringão. Durante a arruaça, o bando chegou a quebrar a porta da panificadora e a agredir alguns clientes. Os meninos provocaram também estragos nos carros parados no estacionamento, além de furtarem alguns itens. Aquela cena mexeu tanto comigo que me perguntei se estava torcendo para o time certo. Após uma mea-culpa, cheguei à conclusão que não poderia mais ser corintiano. Torcer para o Timão era ser conivente com aquele tipo de violência.


Na volta para casa, decidi mudar de time para todo o sempre. A partir daquele instante seria torcedor do São Caetano. Pronto: a decisão estava tomada. Ao entrar na residência, encontrei meu pai na cozinha (esperando o pão). Comuniquei-lhe a resolução. Ele não se mostrou muito feliz com o que ouvira, mas também não lamentou. Parecia conformado com o destino do filho. Aí desejei: "Feliz 1º de abril!". No dia da mentira, nada como uma leve brincadeirinha, né? Obviamente que um legítimo corintiano jamais alteraria sua preferência clubística. E a história da molecadinha na padaria, confesso agora, também era brincadeirinha!


Esse é um ponto interessante para ser debatido no O Ano que Esperávamos Há Anos. O cara pode trocar de esposa mil vezes (está em busca da felicidade), pode alterar sua profissão algumas vezes (está atrás da vocação) ou se mudar de cidade, de casa ou de país incontáveis vezes (está à procura de novos horizontes). Pode até modificar de sexo (cada um sabe de sua vida), de religião (deve ser vontade divina) e até de cor de pele (abraço, Michael Jackson!). Não há problema nenhum nisso tudo. Contudo, se o sujeito admitir ter mudado de time uma única vez durante a vida adulta, imediatamente ele passa a ser malvisto pela sociedade. Como assim mudou de time?! Somente um mau caráter, alguém desprovido de bom senso e de valores morais sólidos poderia se sujeitar a essa grande metamorfose. Se um amigo confessar que trocou de clube, deixo de estimá-lo imediatamente.


A tarde teve Corinthians e Oeste, jogo em Presidente Prudente transmitido pela televisão. O placar final foi o mais elástico do ano: 3 a 0 para o Timão. Liedson fez dois e deu uma assistência. O centroavante voltou a marcar depois de 13 jogos em jejum. Apesar de o time todo ter jogado muito bem, principalmente no segundo tempo, não podemos nos iludir. O adversário era muito fraco e jogou desde a metade do primeiro tempo com um homem a menos. A expulsão foi, vale a pena destacar, justa. Apesar da boa atuação de Liedson, ele continua claramente sofrendo de problemas físicos. Tal fato ficou evidente no segundo gol, quando ele deu uma arrancada do meio de campo. O luso-brasileiro correu meio torto, como se estivesse com algum problema no joelho que impedisse sua movimentação. Se ele estiver bem, teremos um ótimo centroavante. Se não, poderemos ficar mais 13 jogos sem vê-lo comemorar um novo tento. Por outro lado, é um prazer ver as atuações de Emerson Sheik. Ele é disparado o melhor jogador da equipe. Está voando em campo e merece ser titular.


2 de abril de 2012 – segunda-feira


Descubro pelos jornais que o São Paulo continua dividindo a liderança do Campeonato Paulista com o Timão. Cada equipe soma 40 pontos. O tricolor paulistano venceu ontem o Ituano, fora de casa, de virada por 4 a 2, depois de terminar o primeiro tempo perdendo de 2 a 0. Pô, pessoal de Itu, nem para dar uma forcinha, hein?! Fizeram o mais difícil no primeiro tempo, que era abrir vantagem. Na hora de se segurarem, a vaca foi pro brejo.


A competição estadual já tem todos os oito classificados para a próxima fase confirmados, apesar de ainda faltarem duas rodadas para o término do turno. São Paulo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Mogi Mirim, Guarani, Bragantino e Ponte Preta estão garantidos nas quartas de finais. Os próximos jogos vão decidir os confrontos.


Pelos mesmos jornais, pude acompanhar a notícia de que o estádio do Corinthians chegou a 30% de sua conclusão. Em uma foto, já é possível ver até um lance de arquibancada concretizado. O sonho da casa própria vai tomando forma. Logo mais será possível assistir aos jogos do Coringão em Itaquera. É esperar para conferir!


As demais notícias relacionadas ao clube do Parque São Jorge são sobre o fim do jejum de gols de Liedson. O atacante tão criticado nos últimos jogos é agora reverenciado pela mídia. Segundo alguns jornalistas, a renovação contratual do atleta estaria até adiantada. A diretoria agora não quer perdê-lo no meio do ano. Como a vida de jogador de futebol é uma gangorra, né? Uma hora o cara está por baixo. De repente, volta com tudo para o topo. Engraçado isso!


Como já escrevi aqui algumas vezes, não confio nas condições físicas de Liedson. Renovar por mais de seis meses com ele é uma temeridade. Não ter um centroavante no banco de reservas à sua altura também é uma grande fonte de preocupação. Com a saída de Adriano, o substituto imediato de Liedson é o Élton. O jogador, trazido do Vasco da Gama no início do ano, pode até ser esforçado e estar bem fisicamente, mas é muito limitado. Ele dificilmente consegue trocar passes com os companheiros e não possui boa finalização. Se dependermos de uma boa atuação dele na Libertadores, nossos rivais vão continuar com as eternas gozações em relação ao fracasso corintiano na competição mais importante das Américas.


Com essas apreensões em mente, meu dia não foi muito produtivo. Isso é, profissionalmente falando. Não consegui avançar quase nada no meu romance. Consegui escrever apenas duas páginas o dia inteiro (até então minha média era de dez folhas). Fiquei me sentindo mal pelo baixo desempenho literário. Fazia tempo que não tinha um bloqueio para escrever. Não tenho certeza sobre o real motivo desse problema: se são as preocupações com o alvinegro do Parque São Jorge ou com a minha nova situação financeira (cada vez mais calamitosa). De qualquer forma, desisti de continuar escrevendo por hoje. Saí de casa no meio da tarde para dar uma volta pela cidade, em busca de inspiração. Mesmo assim, as preocupações me acompanharam. O Corinthians conquistará a Libertadores nesse ano?!


3 de abril de 2012 – terça-feira


Hoje, o programa noturno foi um pouco diferente. Fui ao cinema assistir "O Corintiano", filme estrelado por Mazzaropi. A Cinemateca Brasileira está reapresentando, nesse mês, vários clássicos do ator. É uma homenagem ao centenário de seu nascimento. E logo no primeiro dia da mostra, tivemos o longa-metragem de Milton Amaral. O personagem principal dessa produção de 1966 é um fanático torcedor do Sport Club Corinthians Paulista. Eu já havia visto uma ou outra cena desse filme, mas confesso que nunca o tinha visto integralmente. Também não conhecia o enredo. "O Corintiano" é um excelente título para uma obra cinematográfica.


Para chegar às 20h30 na Cinemateca, na Vila Mariana, tive que sair às 16h de casa. Fiz o percurso de ida totalmente a pé (na volta, não aguentei e peguei metrô e ônibus!). Estou ou não estou bem fisicamente, hein? Aguentei uma caminhada por várias horas (com algumas paradas no caminho, admito) pelas ruas de São Paulo.


Por causa da caminhada vespertina, não pude assistir à partida entre Barcelona e Milan. As equipes disputaram o jogo de volta das quartas de finais da Copa dos Campeões da Europa. Eu sei que agora a competição tem outro nome (mais bonito e marqueteiro), mas eu continuo a chamá-la da mesma forma como fazia quando garoto. Desculpe-me os mais modernos, mas pra mim é Copa dos Campeões e pronto.


Quando retornei para casa, soube que o Barça despachou os milaneses com um show de bola. O placar final de 3 a 1 para os espanhóis não refletiu a grande superioridade catalã. Era para ter sido 5 a 0 ou mais. Já estou imaginando o Timão enfrentando em dezembro o Barcelona. Que jogão seria, né?! Danilo, Jorge Henrique, Paulinho, Ralf e Júlio César de um lado. Messi, Xavi, Iniesta, Piqué e Valdés do outro. Será preciso o Timão jogar muita bola para voltar do Japão com o título mundial. Como seria legal um confronto assim na decisão do Mundial Interclubes.


Perder o jogão da tarde só valeu a pena porque o filme da noite foi bom. Não havia quase ninguém na sala acompanhando "O Corintiano". Éramos apenas cinco pessoas. Creio que todos eram corintianos pelas suas reações. O filme não era tão engraçado como eu imaginei. Às vezes, ele ficava muito parado. As cenas das partidas de futebol foram as melhores. O longa-metragem mostra dois clássicos entre Corinthians e Palmeiras da metade da década de 60. As cenas eram reais de jogos no Pacaembu. O estádio era igualzinho ao atual. As únicas diferenças, de lá para cá, foram a construção do Tobogã no lugar da Concha Acústica e a colocação das cadeiras em alguns setores. No restante, a casa corintiana era exatamente idêntica a atual.


Nas imagens de “O Corintiano”, o estádio estava completamente lotado. O público deveria ser de 50 mil pessoas. O único jogador que reconheci no gramado foi o palestrino Ademir da Guia. Afinal, ele era magro, alto e loiro, se destacando dos demais. Nos jogos fictícios do filme, o Palmeiras venceu o primeiro por 3 a 1. O Timão ganhou o segundo por 2 a 1. Para alegria dos espectadores, o longa terminou com o Corinthians na liderança do Campeonato Paulista. É a ficção imitando a realidade!


4 de abril de 2012 – quarta-feira


A quarta-feira foi atípica: não tivemos partida do Corinthians nesse meio de semana. Desde o início da temporada, o time mais popular de São Paulo estava entrando em campo duas vezes por semana. Os compromissos do Paulistão e da Libertadores obrigaram a equipe a jogar sem folga. Por consequência, o técnico Tite revezava titulares e reservas. Enfim, tivemos a primeira data livre no calendário! A primeira e única do semestre, espero eu. Afinal, se o clube chegar às finais dos torneios estadual e sul-americano, não haverá mais paradas daqui para frente. Que São Jorge esteja conosco e não dê novos descanso aos jogadores do Timão!


O técnico Tite aproveitou a brecha no calendário para treinar o time. Ele prometeu escalar força máxima na partida de domingo, no Pacaembu, contra o Paulista de Jundiaí. Pensando bem, esse é um bom jogo para eu acompanhar no estádio. Se o dia estiver bom e eu acordar animado, vou lá assistir. Será minha primeira partida no Pacaembu em 2012 em um confronto dos profissionais. Nem pareço o fiel torcedor do ano passado, quando acompanhei in loco a maioria dos jogos em casa do meu time. O que faz a falta de grana no bolso de uma pessoa, Santo Deus!


Pela internet, pude ver que o Cruz Azul roubou provisoriamente a liderança do Timão no grupo 6 da Libertadores. O empate de 1 a 1 na Venezuela contra o Deportivo Táchira reconduziu a equipe mexicana ao topo da tabela. O gol de empate dos visitantes veio no finalzinho. Agora, tanto Corinthians quanto Cruz Azul estão com os mesmos 8 pontos. Nossos adversários levam vantagem no saldo de gols, mas a equipe brasileira tem um jogo a menos. A partida faltante é pela quinta rodada e será disputada na semana que vem no Paraguai.


Por falar em Libertadores, à noite assisti ao jogão entre Internacional de Porto Alegre e Santos válido pelo grupo 1. Quem vencesse garantiria a classificação antecipada para as oitavas de finais. Quem perdesse, teria sua vida complicada na primeira fase. Como o duelo terminou empatado (1 a 1), os dois continuam vivos na competição. Neymar não marcou, mas jogou muito bem. Se ele mantiver essa evolução técnica nos próximos anos, deverá ser um dos grandes nomes da Copa do Mundo de 2014. Com a igualdade no placar, a classificação de Inter e Santos ficou para a última rodada. Se vencerem seus próximos compromissos, os dois times brasileiros passam para a próxima fase.


Quem se complicou no torneio continental foi o Flamengo. O time carioca visitou a fraca equipe equatoriana do Emelec e conseguiu perder de virada por 3 a 2. Está, assim, quase eliminado. Para passar para a segunda fase, o Mengo precisará de um milagre: vencer o Lanús na última rodada e torcer pelo empate entre Olímpia do Paraguai e Emelec. Ou seja, o rubro-negro deve ser o único brasileiro que não conseguirá passar para as oitavas de finais. Sinceramente, não fiquei nem um pouco triste com a notícia. Ainda tenho na memória a derrota para eles nas oitavas de finais da Libertadores de 2010. Adiós, Mengo. Hasta la próxima Libertadores.


5 de abril de 2012 – quinta-feira


Fora das quatro linhas, o jogador mais discreto do elenco corintiano é o volante Ralf. O camisa 5 do Timão é extremamente pacato e tímido. Ele não gosta de dar entrevistas, raramente é visto em baladas ou em eventos públicos e prefere o anonimato quando vai a algum lugar com muitas pessoas. Dentro de campo, Ralf também não faz questão nenhuma de aparecer para os torcedores e para os jornalistas esportivos. Sua missão é proteger a defesa, roubando a bola do adversário e evitando o gol do oponente. E isso, ele faz com excelência. O volante é um monstro no meio de campo. Ele protege a retaguarda corintiana com simplicidade e eficiência, sem precisar apelar para as faltas ou para a violência. Seu apelido é Pit Bull pela voracidade e precisão na "mordida" (no bote ao adversário).


Ralf é paulistano, tem 27 anos e joga no Corinthians desde o início da temporada de 2010. Ele veio do Grêmio Barueri, onde se destacou no Campeonato Brasileiro de 2009. Antes disso, o jogador havia passado por equipes menores do futebol brasileiro. Após o início nas categorias de base do Clube Atlético Taboão da Serra, ele se profissionalizou no Imperatriz do Maranhão. Lá foi campeão estadual. Depois, atuou com as camisas do XV de Jaú, Gama e Noroeste.


A contratação do atleta pelo Corinthians foi para compor o elenco. O titular na época era o experiente Marcelo Mattos. Com seu futebol preciso e limpo, Ralf precisou de algumas semanas para se tornar titular em pleno ano do centenário do clube. Nunca mais saiu do time. Hoje é peça imprescindível no esquema do técnico Tite.


Após se fixar no time titular corintiano na temporada de 2010, o ano de 2011 foi especial para Ralf. Ele foi eleito o melhor volante do Campeonato Paulista e do Campeonato Brasileiro. Também chegou pela primeira vez à Seleção Brasileira. O técnico Mano Menezes o convocou para dois jogos do Super Clássico das Américas. Contra a Argentina, nosso Pit Bull jogou como titular os dois confrontos e foi muito elogiado.


Por ficar na proteção da defesa, Ralf não é de se aventurar ao ataque. Assim, raramente faz gol. Na carreira profissional, são apenas 12, sendo cinco com a camisa alvinegra do Parque São Jorge. Curiosamente, um dos gols mais importantes desse ano do Corinthians foi feito pelo volante. Sua cabeçada certeira, no último lance contra o Deportivo Táchira, decretou o empate na partida de estreia da Libertadores. Aquele ponto conquistado foi fundamental para dar tranquilidade ao Timão. Uma derrota logo no início complicaria muito o clima e o ânimo corintiano para o restante da temporada.


Esse é o nosso camisa 5, o primeiro volante do Timão. Desejado por várias equipes do mundo todo desde o ano passado, Ralf renovou recentemente seu contrato por mais algumas temporadas. Deverá ficar alguns anos mais no Corinthians. Ter o Pit Bull supervisionando a defesa é uma segurança maior para o goleiro, para os zagueiros e para os laterais mosqueteiros. Com Ralf em campo, a Fiel Torcida fica mais tranquila nas arquibancadas.


6 de abril de 2012 – sexta-feira


É Sexta-Feira Santa, feriado nacional. Como sei que em todas as casas de minha família o almoço é bacalhau, resolvo não almoçar. Faço sempre isso nessa data. O único tipo de comida no qual tenho grande ojeriza (para não dizer nojo, asco, raiva, repulsa, indisposição...) é carne de peixe. Não consigo comer nada vindo do mar ou da água doce. É uma coisa minha, tá?! Por isso, hoje acordei cedo e fui visitar logo de manhãzinha minhas avós. Para cada uma delas disse que já havia combinado de almoçar na casa da outra. Elas entenderam e não se incomodaram por me ver partir sem provar as refeições por elas preparadas com tanto carinho.


Como ainda era cedo, resolvi ir ao Pacaembu. Queria comprar meu ingresso do jogo de domingo. Estava decidido a assistir Corinthians e Paulista de Jundiaí no Paulo Machado de Carvalho. Como fazia sempre antes de me colocar a caminho do estádio, comprei o jornal O Lance! Precisava me informar sobre a vendagem de ingressos. Várias vezes já fora informado previamente pelas páginas do periódico esportivo sobre alguma particularidade das bilheterias: "os ingressos estão esgotados", "hoje não há venda de bilhetes" ou "no Pacaembu não está sendo feita a venda para o jogo do Corinthians, apenas para a partida do Palmeiras". Se fosse o caso, evitaria um deslocamento desnecessário. E novamente fui salvo pelo jornal! No setor dedicado ao meu time, havia uma nota informativa dizendo que na sexta-feira não haveria venda de ingresso no estádio por ser feriado. As vendas seriam retomadas no sábado. Ufa! Ainda bem que vi isso. Não fiz uma viagem à toa para lá.


Lendo as demais seções do jornal, pude analisar a tabela da Libertadores. O Corinthians tem tudo para avançar em primeiro lugar do grupo. O próximo jogo, na semana que vem, será fora de casa contra o Nacional do Paraguai. Entretanto, como o Nacional é um time pequeno em seu país e não conta com muitos torcedores, a diretoria resolveu mandar o jogo para uma cidade próxima à fronteira com o Brasil. Os cartolas adversários querem angariar maior público e renda. Como na divisa com o Paraná tem muitos corintianos, haverá grande número de torcedores do time brasileiro. A expectativa é que a maioria do estádio seja ocupada por alvinegros. Em outras palavras, o Timão jogará praticamente em casa o próximo duelo contra o fraco time do Nacional. Assim, três pontos estão a caminho. No último confronto da primeira fase da Liberta, o jogo será contra o Deportivo Táchira no Pacaembu. Aí serão mais três pontos à vista, senhores e senhoras! E a primeira posição no grupo garantida.


Com as duas vitórias, o Timão ficará junto com o Fluminense e o Vélez da Argentina como as equipes com as melhores campanhas da primeira fase. Dificilmente o Corinthians conseguirá roubar o título simbólico de melhor time da competição do Flu, já que a equipe carioca tem quatro vitórias em quatro jogos. Com um provável tropeço da equipe argentina em um dos seus jogos, os guerreiros do Parque São Jorge terminarão como o segundo melhor time. Assim, enfrentarão, teoricamente, um adversário mais fraco nas oitavas de finais. Essa colocação também permitirá ao clube paulista decidir o segundo jogo de todos os confrontos do mata-mata no Pacaembu (exceto se pegar o tricolor carioca na final). É esperar as próximas semanas para ver!


7 de abril de 2012 – sábado


É véspera de jogo. É dia de se organizar para a partida e de comprar o ingresso. Fui ao Pacaembu no início da tarde para adquirir minha entrada. Direcionei-me à bilheteria principal do estádio, na Praça Charles Miller. Não havia ninguém por lá. O movimento de pessoas era todo para o Museu do Futebol, localizado no mesmo endereço. Subi até a bilheteria do lado ímpar do Tobogã, onde normalmente são feitas as vendas. Também estava fechada. Será que não estavam vendendo ingressos naquele dia? Decepcionado, já caminhava em sentido contrário para ir embora quando, voltando à entrada principal, vi um pequeno cartaz pregado em um dos portões: "Caro torcedor, ingressos estão sendo vendidos na bilheteria par do Tobogã. Grato". Por que todo jogo eles resolvem vender os bilhetes em um local diferente do estádio, hein? Será uma brincadeira com o torcedor: "vamos ver se você consegue achar onde vamos estar hoje!". Precisei caminhar um bom pedaço para chegar ao novo local das vendas. Durante o trajeto, pensei em Flávio Prado, jornalista da Rádio Jovem Pan e da TV Gazeta. Ele está certo em suas duras críticas a forma como os torcedores são tratados nos estádios brasileiros. 1 a 0 para você, Flávio!


Felizmente não havia fila. Apenas duas pessoas estavam na minha frente. Antes de comprar o ticket, analisei os valores de cada setor. Arquibancada: R$ 30,00. Cadeira Especial Laranja: R$ 70,00. Numerada Descoberta: R$ 100,00. E VIP: R$ 180,00. Deixem-me explicar um detalhe. Normalmente fico na Cadeira Laranja. Gosto de assistir aos jogos ali por dois motivos. Primeiro é um dos setores ao lado do campo. Gosto de ver o jogo de lado, como na TV (a numerada e o setor VIP também tem essa posição, mas os preços lá são proibitivos, pelo menos para mim). Depois, é um local onde as torcidas organizadas não ficam. Com todo o respeito a esse tipo de torcedor, gosto de ver o jogo sem ser atrapalhado por bandeiras tapando minha visão e sem pessoas gritando o tempo todo. O meu plano do Fiel Torcedor era do setor Laranja.


Por que estou falando isso? Porque pagar R$ 70,00 para assistir a um joguinho do Campeonato Paulista contra o Paulista de Jundiaí, um time que nem está na quarta divisão do Campeonato Brasileiro, é demais. Sinceramente não acho justo. Pagar esse valor para acompanhar as partidas da primeira divisão do Brasileirão, vá lá. Aí aceito. Porém, arcar com o mesmo valor para uma competição insignificante como o torneio regional, contra um adversário semiamador... Desculpem-me: não pago não!


Dessa maneira, pedi um ingresso para a arquibancada (setor amarelo). O valor de R$ 30,00 era mais adequado para a importância do jogo e do adversário. Os torcedores do Paulista de Jundiaí que me perdoem: minha intenção não é ofender nenhuma competição e nenhuma agremiação. Estou apenas analisando, como consumidor, o valor do espetáculo no qual me inclinei a ir e, por consequência, a pagar. É uma análise mercadológica do negócio futebol. Sou o cliente aqui.


Será a primeira vez, nos últimos dez anos, que ficarei na arquibancada. Será a primeira partida no Pacaembu em 2012 com a equipe principal do Timão – fui à final da Copa São Paulo de Juniores. Não vejo a hora de entrar no estádio amanhã!


8 de abril de 2012 – domingo


Domingão era dia de jogo entre Corinthians e Paulista de Jundiaí. Para comemorar a Páscoa, minha família inteira se reuniu novamente para um grande almoço de confraternização. Como eu não sou muito chegado nesse tipo de evento (e de todos os outros eventos sociais), fugi do local da reunião e fui mais cedo ao estádio.


Cheguei ao Pacaembu às 15 horas. O público ainda era pequeno e composto majoritariamente por famílias. Como o pontapé inicial seria dado às 16 horas, tive tempo para almoçar um hot dog e tomar um sorvete para amenizar o calor. À medida que os minutos para o início da partida foram se aproximando, a torcida foi chegando em maior número. Curiosamente, quase todos os corintianos no estádio pensaram como eu. A arquibancada ficou lotada, enquanto o setor laranja apresentou um pequeno número de pessoas. O setor das numeradas estava vazio. Os quase 15 mil espectadores ficaram confinados na arquibancada atrás de um dos gols, na entrada principal do estádio, e no Tobogã, no lado aposto.


Gostei de ficar na arquibancada. O clima ali era mais animado e vibrante. Além disso, fiquei bem ao lado das numeradas, onde uma sombra cobria boa parte do setor. É claro que preferi ficar no lado oposto ao reservado às torcidas organizadas. Falando nisso, os integrantes da Gaviões da Fiel foram ao Pacaembu sem faixas, bandeiras e camisas da instituição. Eles ainda estão oficialmente proibidos de entrar nos estádios paulistas depois das confusões protagonizadas no clássico contra o Palmeiras. Era evidente que eles estavam lá, só estavam sem identificação.


O jogo foi no padrão Corinthians de Tite. Um primeiro tempo sem graça, com pouca inspiração do time mandante. Na metade da primeira etapa, quem acabou jogando mais foi o Paulista. A equipe do interior teve três claras chances para abrir o marcador, mas pecou na finalização. O melhor do primeiro tempo, para se ter uma ideia, foi o jovem zagueiro corintiano Marquinhos. O prata-da-casa mostrou talento. Ele tem todas as condições para ser titular do time nos próximos anos.


No segundo tempo, o Timão voltou com mais vontade. William armava jogadas pela ponta esquerda e levava perigo ao gol do Paulista. Os únicos lances relevantes da equipe alvinegra eram produzidos pelos pés do camisa 7. Quando todo mundo achava que o jogo não sairia do 0 a 0, aos 34 minutos, o lateral Fábio Santos fez uma boa jogada pela lateral esquerda. Cruzou na área e encontrou William. O melhor jogador do dia se antecipou à defesa e cabeceou. Bola no contrapé do goleiro. Gooool!!! Timão 1 a 0. Para aumentar a felicidade geral da nação alvinegra, o telão do estádio anunciou a vitória do Guarani sobre o Palmeiras, em Campinas.


No finalzinho do jogo, veio a chuva. Para espantar o friozinho do começo de noite e para amenizar o molhado, a torcida começou a pular e cantar com intensidade. Ainda foi possível ver o Paulista perder um gol cara a cara. Júlio César fez grande defesa. Com esse resultado, seguimos empatados com o São Paulo na liderança. A decisão da primeira fase ficou para a próxima rodada, a última.


9 de abril de 2012 – segunda-feira


O balanço da rodada foi positivo para o Timão. Com 43 pontos no Campeonato Paulista, a equipe do Parque São Jorge deverá ficar em segundo lugar ao final da primeira fase. O São Paulo (tem o mesmo número de pontos e leva vantagem no saldo de gols) enfrentará o fraco time do Linense na última rodada. Dificilmente perderá o jogo e a primeira posição. O Corinthians, por sua vez, enfrentará o bom time da Ponte Preta em Campinas. De qualquer maneira, ficando em primeiro ou em segundo, o adversário nas quartas de finais será ou a Ponte Preta ou o Bragantino. Um dos dois ficará em sétimo e o outro em oitavo lugar. Ou seja, trata-se de uma barbada para a classificação para a semifinal. Além disso, o duelo será travado no Pacaembu.


Em situação mais complicada estão Palmeiras e Santos. Os torcedores do antigo Palestra Itália puderam acompanhar mais uma derrota do seu time no domingo. O Palmeiras caiu diante do Guarani por 3 a 1 no Brinco de Ouro da Princesa. Com a nova derrota (a terceira nos últimos quatro jogos), o time verde da capital do Estado caiu para o quinto lugar, sendo ultrapassado pelo próprio Guarani. Estou falando desde o começo do ano: o time do Palmeiras é muito ruim! Eles não têm bons jogadores e o técnico, coitado, é muito limitado, além de ser retranqueiro. Viveram, no princípio do campeonato, uma maré de sorte e ficaram invictos por uma longa série de jogos. Agora as coisas estão voltando à normalidade. Para a alegria dos adversários, os palmeirenses vão ainda sofrer muito ao longo do ano. Lembre-se das minhas palavras.


O Santos (terceiro colocado) também perdeu em São Caetano de virada por 2 a 1 para o time local. Nessa posição, a equipe do litoral vai enfrentar nas semifinais (caso passe das quartas de finais), o segundo colocado da classificação geral (provavelmente o Corinthians). Diferentemente do Palmeiras, o Santos tem um excelente plantel, provavelmente o melhor da América. É dirigido pelo competentíssimo Muricy Ramalho e conta com o supercraque Neymar, em minha opinião o segundo melhor jogador do mundo (só perde para o argentino Messi).


Ou seja, os confrontos mais prováveis para as quartas de finais são: São Paulo x Bragantino; Corinthians x Ponte Preta; Santos x Mogi Mirim; e Guarani x Palmeiras (com mando do primeiro time citado). Se não houver zebras, os duelos das semifinais serão: São Paulo e Palmeiras no Morumbi e Corinthians e Santos no Pacaembu. Aí sim o bicho vai pegar, com jogos realmente interessantes.


No lado oposto da tabela de classificação, o final de semana definiu três dos quatro times que irão disputar no ano que vem a série A-2 do Paulista (a segunda divisão). Comercial, Catanduvense e Guaratinguetá são as equipes já rebaixadas. Na última rodada, brigarão para não completar esse grupo Botafogo de Ribeirão Preto, XV de Piracicaba e Portuguesa. Um dos três cairá.


Todos os jogos do próximo final de semana acontecerão simultaneamente às 16 horas de domingo. Eu que não sairei da frente da televisão por nada nesse mundo. Ouviu, Talita?!


10 de abril de 2012 – terça-feira


Estamos na véspera do jogo do Timão pela Libertadores. Segundo as notícias dos principais sites esportivos, o grupo corintiano já chegou à Foz do Iguaçu. A cidade fica próxima à fronteira paraguaia. O time paulista ficará no lado brasileiro até algumas horas antes da partida. Só então se deslocará para o lado paraguaio. Pelas imagens dos programas noturnos de televisão, foi possível ver a festa na cidade de Foz com a chegada dos campeões brasileiros. Uma grande recepção foi montada já no aeroporto. A torcida corintiana lotou o local para ver seus ídolos de perto. Os atletas tiveram que distribuir autógrafos e conceder fotos para os fãs ainda na pista das aeronaves. No saguão de desembarque, o êxtase do público foi completo. A cidade paranaense demonstrou muito carinho pelos nossos jogadores. A previsão para amanhã é que o estádio esteja lotado. A expectativa dos organizadores é de maioria alvinegra, com o Bando de Loucos ocupando entre 90% e 95% dos espaços das arquibancadas. É a invasão corintiana ao Paraguai devidamente preparada!


Outro ponto favorável foi o discurso do técnico e de alguns jogadores. Todos entenderam que a partida de amanhã, mesmo sendo em terras estrangeiras, deverá ser como se ocorresse no Brasil. Tite disse que vai jogar para cima do adversário e tentar pressionar a equipe paraguaia como se estivesse no Pacaembu. Trata-se de uma postura muito diferente da imposta nos dois primeiros jogos fora de casa. Naquelas oportunidades, os atletas corintianos se limitaram a defender e saíram felizes com a igualdade no placar. A mesma opinião foi dada pelo goleiro Júlio César. Em suas declarações à imprensa, o arqueiro pregava respeito ao adversário, mas alertava os companheiros para a necessidade da busca pela vitória desde o primeiro minuto. Os três pontos conferem ao clube a classificação antecipada para a próxima fase. Ou seja, será a primeira meta do ano cumprida. Aí alguém pode dizer: "Passar da primeira fase é moleza. É obrigação para todos os clubes grandes!". Meu amigo, minha amiga, nada é fácil para o Corinthians na Libertadores. Lembremo-nos da eliminação do ano passado na fase anterior a essa. Querendo evitar novos pesadelos e fantasmas, vamos classificar o mais rápido possível para as oitavas. Esse é o primeiro passo.


Em relação à escalação para amanhã, Jorge Henrique e Emerson Sheik devem voltar à equipe titular. Eles ficaram fora do jogo do final de semana. Para variar, Jorge estava levemente contundido. Emerson foi poupado, pois jogara vários jogos consecutivos. E por falar no Sheik, ele foi preso antes da viagem ao Paraná. Uma blitz policial no Rio de Janeiro o parou durante sua folga de segunda-feira. Como o atleta se recusou a fazer o teste de bafômetro, recebeu multa e teve a carteira de motorista retida. Meu Deus! Esse é o nosso principal atacante no ano!


Outra notícia: Alex e Alessandro devem continuar fora do time titular. Eles não se recuperaram das contusões. Para a sorte da torcida corintiana, o time melhorou com a entrada de Edenílson e Emerson. O provável Corinthians para quarta-feira contra o Nacional é: Júlio César; Edenílson, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Danilo; Jorge Henrique, Emerson e Liedson. Vai para cima deles Timão! Rumo à próxima fase!


11 de abril de 2012 – quarta-feira


A quarta-feira foi marcada por fortes chuvas que caíram em São Paulo no período da tarde. A tempestade provocou uma série de inconvenientes: alagamentos em vários pontos, árvores foram derrubadas pelos ventos, a energia elétrica foi cortada em alguns bairros e um grande congestionamento se formou pelas vias. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), responsável pelo monitoramento e pela administração do trânsito, registrou recorde de congestionamento na cidade nesse ano.


Em meio ao caos paulistano, estava eu em uma empresa na Avenida Nove de Julho. Fui para uma entrevista de emprego. Minha vida de escritor está sendo interessante, mas sinto que não conseguirei ficar sem um emprego formal por muito tempo. Sinto falta principalmente de um salário no final do mês. Por isso, a minha disposição de voltar a trabalhar com publicidade. Após a entrevista, o problema mais imediato era como conseguiria retornar para casa com a cidade desabando. Saí da empresa às 15h30 e cheguei, acredite se quiser, às 21h. Meu regresso foi uma maratona que não ousarei contar. Para meu alívio, a energia elétrica já havia sido restabelecida em casa. Era possível, então, acompanhar o Coringão pela televisão.


De banho tomado, de roupa trocada e com algumas esfihas no meu estômago, pude ver, atirado ao sofá, o início do jogo no Estádio 3 de Febrero, em Ciudad Del Este, no Paraguai. Com a necessidade de vencer, os paraguaios do Nacional se lançaram com tudo para o ataque e deixaram os contra-ataques para a equipe brasileira. Assim, o Corinthians pôde jogar como gostava: se defendendo e partindo com a bola dominada para cima do desarrumado adversário.


Após alguns lances de pouco perigo dos visitantes, Jorge Henrique arriscou um chute despretensioso na ponta esquerda. A jogada surpreendeu o goleiro adversário. A bola entrou. Timão 1 a 0. Frango! Depois disso, os contragolpes dos paulistas tornaram-se cada vez mais perigosos. O Corinthians dava sinal que aumentaria o placar. O segundo gol veio no começo da segunda etapa. Em bela jogada individual de Edenílson pelo meio, Emerson Sheik complementou com categoria. 2 a 0.


Aí os paraguaios decidiram atacar ainda mais. Após uma série de boas defesas de Júlio César, o Corinthians sofreu o primeiro gol no jogo e o segundo na competição. Não deu tempo para o Nacional comemorar. Em seguida, Élton, que acabara de entrar no lugar do apagado Liedson, recebeu livre na grande área. Sem goleiro, ele só precisou empurrar a bola para as redes. Foi seu primeiro gol na competição.


Com o placar em 3 a 1, a maioria dos torcedores no estádio, composta por corintianos, pôde comemorar a classificação antecipada. Com vários sinalizadores acesos, bandeiras desfraldadas e cantorias típicas, a nação alvinegra suspirou aliviada a passagem à próxima fase. A noite pode até ter começado complicada aqui em São Paulo, mas terminou da maneira mais agradável possível em Ciudad Del Este. O Corinthians está no mata-mata da competição mais importante das Américas. Isso é o mais importante agora.


12 de abril de 2012 – quinta-feira


Ao ler o caderno de esportes do Jornal da Tarde no dia seguinte ao quinto jogo do Timão na Libertadores, pude constatar alguns fatos. Primeiro: Jorge Henrique fora eleito o melhor em campo. Ele foi um leão! Armou jogadas, deu bons passes para os companheiros, fez gol e, como sempre, ajudou muito na marcação. Outro que teve desempenho destacado foi Emerson Sheik. Nessa parte, discordei um pouco dos jornalistas esportivos. Só porque o camisa 11 fez gol não podemos dizer que ele foi bem ontem. Emerson, dessa vez, errou quase todos os lances disputados. Ele foi péssimo! Alguns profissionais da imprensa decidem esquecer 99% dos lances quando o jogador marca um gol. Não concordo com isso. Júlio César também foi bem e mereceu menção honrosa. O gol sofrido aconteceu em um chute indefensável.


Com a vitória, o Corinthians chegou à liderança do grupo 6 com 11 pontos. Deixou, assim, o Cruz Azul em segundo lugar com 8. Para terminar definitivamente na primeira posição em seu grupo na fase inicial, o time brasileiro precisa apenas empatar o último duelo, na próxima semana, contra o Deportivo Táchira. Para ficar com a melhor campanha da competição, precisa vencer os venezuelanos e torcer por tropeços de Fluminense, Vélez e Atlético Nacional. Ainda é possível ser o melhor time do torneio!


Na noite de ontem, o Fluminense perdeu em casa por 2 a 0 para o Boca Juniors. Já o Vélez venceu o Chivas, no México, pelo mesmo placar. Na terça feira, os colombianos do Atlético Nacional venceram em seus domínios o Peñarol. Dos três concorrentes diretos pela melhor campanha no geral, só não acredito no tropeço do Vélez na última rodada. Os argentinos jogarão em casa contra os uruguaios do Defensor. Devem vencer. Já o Flu e o Atlético Nacional pegam pedreiras fora de casa. Os cariocas enfrentam o Arsenal na Argentina e os colombianos vão até Santiago pegar o Universidad do Chile. Se tudo transcorrer como se prenuncia, o Corinthians terminará como primeiro do grupo e com a segunda melhor campanha da competição. O único problema é que nem sempre o futebol é regido pelas previsões, né?


A única coisa garantida é que o time do Parque São Jorge está assegurado na fase eliminatória da competição sul-americana. Se por um lado tal informação é motivo de felicidade e orgulho para os corintianos, sabemos que ela traz também doses generosas de preocupação. Quem resumiu bem esse temor foi o jornalista Felipe Bolguese do Jornal O Lance! Veja a manchete e o subtítulo de sua reportagem de hoje: "Classificado para as oitavas, Timão encara 'fase do terror' na Copa Libertadores - Três das últimas quatro eliminações no torneio foram nas oitavas. Última vitória em mata-mata aconteceu somente em 2000". Na reportagem, o repórter relembra as eliminações recentes do Timão em 2010 para o Flamengo, em 2006 para o River Plate e em 2003 novamente para os argentinos de Nuñes. Curiosamente, em todas essas derrotas, o clube paulista tinha um elenco mais forte do que os adversários. Há algumas coisas no futebol que sinceramente não consigo entender. Uma delas é como um time bem entrosado e jogando bem pode ser eliminado por um adversário mais fraco e jogando mal? A única justificativa plausível é a existência de um grande e cruel fantasma pairando sobre o Corinthians durante os jogos dessa competição.


13 de abril de 2012 – sexta-feira


A noite de ontem foi recheada de partidas emocionantes pela Copa Libertadores. Comecei acompanhando a epopeia do Flamengo em busca da classificação. Precisando vencer, o time carioca foi para cima do Lanús (já classificado). Com muita facilidade, o rubro-negro fez 3 a 0 já no início do segundo tempo. Para passar para as oitavas, o clube da Gávea precisava que Olímpia e Emelec empatassem a partida que acontecia simultaneamente em Assunção. Se algum dos dois vencesse o confronto direto, o Mengo ficaria fora e o vencedor desse jogo se classificaria.


O segundo tempo do duelo no Paraguai começou com o time da casa vencendo por 1 a 0. Na metade da etapa final, o time equatoriano empatou para delírio dos torcedores no Engenhão. O jogo no Rio de Janeiro se aproximava do final, quando o Emelec virou a partida na capital paraguaia. 2 a 1 e tristeza rubro-negra. Com o término do jogo na cidade Maravilhosa, jogadores e torcedores passaram a acompanhar os minutos finais da partida em Assunção. De dentro do campo, os atletas do Flamengo comemoraram o improvável empate do Olímpia no último minuto do jogo. 2 a 2 e festa carioca. Porém, em um final de jogo eletrizante, o Emelec fez o terceiro gol já nos descontos e conseguiu a classificação. Em um minuto, a alegria flamenguista se transformou em decepção. Os atletas saíram do gramado chorando. A verdade é que o Flamengo não mereceu se classificar. O time deu muita bobeira e a eliminação é mais culpa sua do que méritos dos adversários.


Em seguida, acompanhei o bom jogo entre Vasco da Gama e Nacional do Uruguai. O duelo foi realizado em Montevidéu e valia pelo grupo 5. Mesmo sem as três principais estrelas (Juninho, Felipe e Dedé) poupadas, os cruzmaltinos conseguiram vencer fora de casa por 1 a 0. Diego Souza fez uma boa partida e foi o autor do único gol da noite no estádio uruguaio. Apesar dos três pontos, os cariocas acabaram em segundo no grupo. A primeira posição ficou com os paraguaios do Libertad, que venceram por 2 a 1 os peruanos do Alianza Lima em seu último compromisso nessa fase. O Vasco não vem mostrando o bom desempenho da temporada passada, quando foi considerado a equipe brasileira com o futebol mais bonito do segundo semestre de 2011. Mesmo assim, é ainda um time perigoso e deverá dar trabalho no torneio sul-americano. É preciso ficar de olhos abertos neles.


A sexta-feira 13 foi até tranquila pelos lados do Parque São Jorge. Não tivemos nenhuma notícia desagradável, como poderia se esperar em uma data tão aterrorizante. Tite realizou treinamentos visando o jogo de domingo pelo Campeonato Paulista. A Ponte Preta é o adversário. O técnico corintiano não confirmou a escalação dos titulares. Com a classificação já assegurada para as quartas de finais do torneio regional, o treinador deve colocar onze suplentes para a partida do final de semana. Os titulares serão resguardados para o último confronto da primeira fase da Libertadores na quarta-feira que vem. Pelas informações vindas de Campinas, a Ponte também deve jogar sem alguns de seus principais atletas. Esse é o Campeonato Paulista! Os jogos não valem nada e ainda são disputados pelos reservas. Ai, ai, ai.


14 de abril de 2012 – sábado


14 de abril de 2012 foi a data de comemoração do centenário do Santos Futebol Clube. Há exatamente 100 anos, três jogadores - Márcio Ferraz, Argemiro de Souza e Raymundo Marques - fundaram no centro da cidade praiana o time mais vitorioso do futebol brasileiro. Com dois mundiais interclubes, três Libertadores da América, oito títulos Brasileiros, uma Copa do Brasil e dezenove Campeonatos Paulistas, o Santos teve como principal feito ter sido a casa do maior de todos. De 1956 a 1974, Pelé desfilou seu talento pelo gramado da Vila Belmiro. Lá encantou a todos com os seus 1.091 gols pelo clube. É uma marca também incrível.


A linda história do Santos está sendo (re)contada nessa semana em vários lugares. Um filme sobre o centenário do clube foi lançado nos cinemas da cidade nos últimos dias. Muitos programas de televisão têm mostrado os vários eventos comemorativos. Incontáveis revistas esportivas e quase todos os periódicos semanais de notícia deram destaque à data. Livros foram publicados sobre o tema e algumas empresas aproveitaram para fazer propaganda atrelando suas marcas ao símbolo da equipe.


O evento comemorativo dos 100 anos do Santos que mais chamou minha atenção foi o jogo festivo ocorrido no gramado do Estádio da Vila Belmiro nesse sábado. A preliminar foi realizada por jogadores veteranos do clube. Depois, no jogo de fundo, o elenco principal do Peixe jogou contra 100 garotos selecionados das escolinhas do Santos. Foi uma festa! Ver os profissionais tendo que enfrentar o exército de formiguinhas no gramado foi muito divertido. Fiquei imaginando a emoção dos garotos e das garotas que estavam em campo atuando contra os ídolos Neymar, Paulo Henrique Ganso e Cia. Era impossível para os atletas adultos conseguirem trocar passes ou arrancar com a bola dominada. A centena de pequenos jogadores adversários se amontoava em volta da bola, roubando-a e avançando em bloco para o ataque. Era tanta criança junta que elas mesmas atrapalhavam umas as outras. Não conseguiam chutar a bola contra o gol defendido por Rafael. Achei a ação do Santos simples e poética. Um jogo contra a molecadinha (cem deles, na verdade). Perfeito!


Mesmo sendo corintiano, deixo-me fascinar pela história, pelas conquistas e pelos jogadores do Peixe. Talvez por não ter vivido o incrível jejum de vitórias de meu time sobre esse adversário lá nos anos 1960 e 1970, eu não sinta remorso por gostar e, algumas vezes, torcer pelos jogadores de branco. Naquela época, a equipe de Pelé não perdia nenhum dos confrontos para o Corinthians. Devia ser difícil ser corintiano e gostar do Santos. Sou de um tempo em que o time praiano é muito mais freguês do Timão do que o contrário. Além disso, é tão difícil encontrar um santista da minha idade para poder brincar e tirar sarro. Os santistas são geralmente pessoas mais velhas, o que gera certa empatia nos demais torcedores.


Por tudo isso, vou torcer para o Santos nesse ano... Parabéns Santos pelo seu centenário! Espero que essa data seja marcada por tantas conquistas como foram os centenários do Coringão, do Flamengo, do Atlético Mineiro, do Coritiba e tantos outros clubes brasileiros afetados pela maldição dos 100 anos. Boa sorte!


15 de abril de 2012 – domingo


A última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista de 2012 teve todas as partidas iniciadas às 16h. Em uma competição de fraco nível técnico, muito alongada, com mais equipes do que o ideal e com uma fórmula de disputa equivocada, as emoções do final de semana foram escassas. A disputa pelo título simbólico de campeão da etapa inicial, a definição dos confrontos da próxima fase e a decisão do último time rebaixado para a segunda divisão eram as únicas pendências do domingo.


Na ponta de cima, Corinthians e São Paulo duelavam pela conquista da melhor campanha. O tricolor só precisava de uma vitória simples contra o já eliminado time do Linense, em Lins. Como o técnico Emerson Leão colocou força máxima nesse jogo, a probabilidade de vitória são-paulina era grande. Os jogadores do Morumbi vinham de 11 vitórias consecutivas na competição. Com um novo triunfo, bateriam um recorde histórico (maior número de sucessos seguidos no Paulistão). Porém, o futebol não é tão afeito assim a probabilidades, né? O Linense com a força de sua torcida mostrou bom futebol e conseguiu vencer o time de Leão por 2 a 1. Adeus recorde!


Dessa maneira, bastava o Corinthians empatar em Campinas contra a Ponte Preta para ficar com o primeiro lugar. O problema para os atuais campeões brasileiros era que, para poupar os principais jogadores para o duelo da Libertadores no meio de semana, o técnico Tite colocou apenas os reservas em campo. E os pontepretanos vinham com força máxima. Ou seja, a probabilidade maior era de uma vitória do time da casa. Nova surpresa! Depois de um primeiro tempo equilibrado e de baixo nível, o Corinthians voltou melhor. Como já acontecera no clássico contra o Palmeiras, em seis minutos o Timão fez dois gols. O primeiro aconteceu aos 3 minutos. Chicão bateu bem o pênalti e fez 1 a 0. Aos 6 minutos, em bela jogada de Élton e Vitor Júnior pela direita, Welder colocou para dentro. Nos minutos finais, a Ponte Preta conseguiu descontar. Final do jogo: 2 a 1 para o Timão e conquista da primeira fase do Paulista!


O Santos goleou o Catanduvense por 5 a 0. O Palmeiras decepcionou novamente. Empatou no Pacaembu com o lanterna do campeonato, o Comercial. O time de Ribeirão jogou boa parte do segundo tempo com dois (dois!) homens a menos. Assim, os confrontos das quartas de finais ficaram: Corinthians e Ponte Preta; São Paulo e Bragantino; Santos e Mogi Mirim; e Guarani e Palmeiras. Para o Timão, a boa notícia é que depois que derrotar a Ponte mais uma vez, ele enfrentará o vencedor do jogo entre Guarani e Palmeiras. Para nossa sorte, São Paulo e Santos, os adversários mais difíceis, só serão enfrentados pelo Coringão em uma possível final. Ufa!


Para terminar o dia, a grande surpresa do campeonato foi a Portuguesa. A Lusa conseguiu perder por 4 a 2 do Mirassol e foi rebaixada. Depois de fazer uma grande Série B do Brasileiro em 2011, os jogadores do Canindé decepcionaram a torcida. Perderam muitos jogos fáceis nesse ano e caíram. A descida para a segunda divisão do torneio regional em 2013 foi consequência do péssimo futebol apresentado. E imaginar que no começo do ano, várias pessoas colocavam a Lusa como uma das favoritas ao título. Há quem a tenha chamado de Barcelusa (mistura de Barcelona e Lusa).


16 de abril de 2012 – segunda-feira


Li, hoje à tarde, o livro "O Jogo da Minha Vida". A obra é de Paulo André, zagueiro do Timão. No mês passado, na época de seu lançamento, falei sobre essa obra aqui no O Ano que Esperávamos Há Anos. Contudo, somente agora tive a oportunidade de lê-la. Apesar de ter pouco mais de 300 páginas, a publicação é muito rápida de ser lida. Levei cerca de três horas para concluir seu conteúdo integralmente. A leitura é muito agradável e divertida. Quem me recomendou o livro foi o meu amigo Paulo, o corintiano fanático e muito intelectualizado que já passou algumas vezes por essas páginas. Há cerca de quinze dias, ele me ligou para contar a novidade: "Sabe que livro comprei ontem e li todo nessa noite? O livro do Paulo André. Saiba que a obra é muito boa. Foi uma grata surpresa!". Desde então, fiquei curioso e só agora pude ler a publicação que repousava na minha estante há algumas semanas.


No livro, o defensor do Corinthians conta sua história desde os tempos de garoto. Retrata as dificuldades para entrar nas categorias de base dos clubes de futebol e os martírios para se manter lá. Fala dos medos, dos receios e das condições encontradas para mostrar seu potencial para os treinadores do infantil, do juvenil e dos juniores. Paulo André conta como fez para chegar até o time de base do São Paulo e explica como mudou de posição. Até os juniores do tricolor, ele sempre fora meia-direita. Aí, certo dia, a diretoria do Morumbi decidiu reduzir o elenco do time sub 20 de 60 para apenas 30 meninos. Paulo André inteligentemente calculou que dificilmente seria mantido se continuasse na posição original. Afinal, eram muitos os concorrentes e todos de excelente condição técnica. Por isso, falou para o novo técnico que ele era zagueiro. Conseguiu, assim, se manter no time.


Depois, o atleta narra as suas aventuras como profissional. Passou por times do interior como o Guarani e por um time da sexta divisão do Campeonato Paulista, até chegar ao Atlético Paranaense. De lá, ele foi jogar no Le Mans da França, antes de vir atuar no Corinthians, time do coração de sua família. Nesse meio tempo, Paulo André passou por algumas contusões, brigas e problemas com seus empresários. O livro retrata a rotina de um jogador profissional dentro e fora dos gramados.


No Timão, o escritor conta as curiosidades sobre seus companheiros durante a conquista do título brasileiro de 2011 e as dificuldades para chegar à posição de titular no time de Tite. Por causa de uma contusão, Paulo André começou sua passagem pelo Coringão na reserva. Ao longo do tempo, foi alçado à condição de titular, tendo sido considerado o melhor zagueiro do país no último ano.


A parte final da obra é reservada às reflexões. Paulo André opina sobre a estrutura dos clubes brasileiros, a forma como os dirigentes encaram as categorias de base e os problemas do calendário do futebol nacional. Ele também oferece algumas dicas aos pais e aos meninos interessados em ingressar no futebol.


É ou não é uma leitura agradabilíssima, hein? O livro mostra a realidade, os bastidores do futebol e a vida real dos artistas da bola. Vale a pena lê-lo.


17 de abril de 2012 – terça-feira


Cheguei a duas conclusões nessa terça-feira: Jorge Henrique é melhor do que Cristiano Ronaldo e Tite é o melhor técnico do mundo. Sim, tais constatações foram tiradas após assistir ao jogo de ida das semifinais da Copa dos Campeões da Europa entre Bayer de Munique e Real Madrid. A partida realizada no Allianz Arena, em Berlim, atraiu a atenção dos apaixonados pelo futebol no mundo todo. O milionário time do Real Madrid, recheado de estrelas, começou melhor e pressionava os mandantes. Na primeira oportunidade concreta do Bayer, o time alemão fez 1 a 0. Em desvantagem no placar, o time merengue se perdeu completamente em campo. Deixou de exercer o ótimo futebol até então imposto. O Bayer pressionou e podia ter ampliado ainda na etapa inicial. Na volta do intervalo, em uma rara falha defensiva alemã, o Real empatou. O gol sofrido desestabilizou os jogadores da casa. Nesse momento, o Real voltou a jogar melhor. Cristiano Ronaldo esteve péssimo e não conseguiu contribuir com os companheiros. Aí surgiu o técnico José Mourinho, do Real, considerado por muitos o melhor do mundo. Ele fez três alterações equivocadas e piorou o time. Aí o Bayer se aproveitou e venceu a partida por 2 a 1.


Quais as conclusões que podemos tirar desse confronto entre dois titãs do futebol europeu? A primeira: prefiro ter no meu elenco um jogador como Jorge Henrique a ter Cristiano Ronaldo. O português, considerado por muita gente o jogador mais completo do futebol mundial na atualidade, some em todos os jogos decisivos. Ele geralmente vai muito bem nas partidas de pouca importância, geralmente contra fracos adversários do Campeonato Espanhol. Em clássicos, em finais ou em jogos pela seleção portuguesa, Cristiano nunca joga nada. Pera aí! O que adianta ter um jogador desse nível se na hora do "vamos ver" ele não rende? Prefiro o Jorge Henrique. O camisa 23 do Timão é o contrário. Em jogos de pouca importância, ele desaparece. Por outro lado, nos clássicos, nas finais ou em partidas importantes, o atacante de 29 anos cresce e se transforma em um monstro. Normalmente é o melhor em campo, fazendo gols, ajudando a defesa e desestabilizando os adversários com seus dribles e jogadas de efeito. Por tudo isso, Jorge é melhor do que Cristiano Ronaldo. Anote aí!


A segunda conclusão é sobre a competência do Tite. Ele é hoje o melhor técnico do mundo. Vendo a atuação desastrosa do lusitano José Mourinho, fica evidente a qualidade do gaúcho. Não me lembro da última vez em que o treinador corintiano escalou mal sua equipe ou mexeu equivocadamente durante a partida. Pelo contrário. Ele muda o time sem precisar fazer nenhuma alteração. Só modificando o posicionamento dos atletas, ele transforma o jogo. Quando faz substituições, quase sempre o Corinthians melhora e consegue sair de situações difíceis. Eu poderia listar inúmeros exemplos de quando o treinador alvinegro foi decisivo.


Para completar, Tite e Jorge Henrique ainda são humildes. Eles não dão declarações dizendo serem perfeitos, infalíveis e se colocando no posto de melhores do mundo em suas funções, como os colegas portugueses. Cristiano Ronaldo e José Mourinho são tão arrogantes e presunçosos que não consigo torcer por eles. Vou torcer pelo Bayer. Quero ver os alemães chegarem à final do torneio europeu.


18 de abril de 2012 – quarta-feira


Último jogo da primeira fase da Liberta. O Corinthians entrou em campo às 22 horas no Pacaembu para delírio de seus torcedores. Interessada na audiência, a Rede Globo transmitiu ao vivo a partida. E não podia ser diferente. Com 30 milhões de corintianos espalhados pelo país sonhando obsessivamente com a conquista da América, onde o Timão jogasse, atrairia os olhares de uma multidão. Assim, a emissora carioca esteve lá, cobrindo cada detalhe da saga alvinegra e colhendo mais pontos de audiência. Todos os seis jogos do Todo Poderoso na primeira fase tiveram cobertura da Toda Poderosa.


Os jogadores do Parque São Jorge que pisaram no gramado do Paulo Machado de Carvalho nessa noite foram: Júlio César; Edenílson, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Danilo; Jorge Henrique, Emerson e Liedson. Era a mesma equipe da última partida da Liberta contra o Nacional do Paraguai.


Animado com o apoio da torcida e querendo terminar com a melhor campanha da competição, o Timão atacou o adversário desde o primeiro minuto. O Deportivo Táchira só se defendia. A meta era evitar os gols adversários. Na primeira chance real, os brasileiros abriram o placar. Aos 17 minutos, Emerson cobrou falta na lateral esquerda. Danilo (sempre ele!) cabeceou para dentro. Timão 1 a 0. Aos 26, Paulinho e Liedson trocaram passes sucessivos do meio campo até a pequena área. Embaixo da trave, o volante mandou a bola novamente para as redes. 2 a 0. A alegria da Fiel aumentou quando um jogador venezuelano foi expulso ainda no primeiro tempo. Ele fez falta feia em cima do Danilo. O meio-campista corintiano teve até que ser substituído depois por Douglas. Chicão, para ser poupado, também saiu no intervalo.


Com os dois gols de vantagem, o Coringão começou a administrar a partida. A tônica do jogo corintiano era as trocas de passes no meio de campo. Se quisesse, poderia golear facilmente. Essa era a impressão. Porém, outra questão me intrigava: o time queria mesmo fazer mais gols? Quando começava a duvidar disso, veio uma enxurrada deles. Aos 17 minutos do segundo tempo, Jorge Henrique recebeu livre pela ponta direita e chutou forte e cruzado. Gol! Sete minutos mais tarde, Emerson recebeu cruzamento e arrematou de primeira. Golaço. 4 a 0. O Timão goleava pela primeira vez na competição. Enfim, tínhamos o resultado mais elástico do ano até aqui.


E o show alvinegro não tinha acabado. Na jogada seguinte, Emerson foi derrubado na área. Pênalti. O estádio inteiro gritou: "Liedson! Liedson! Liedson!". Todos queriam ver o centroavante marcar na Libertadores. Ele cobrou mal, mas marcou o gol no rebote do goleiro. No final, Douglas, que entrou bem no lugar de Danilo, ainda fez mais um em novo pênalti cometido dessa vez em cima de Liedson.


A goleada de 6 a 0 confirmou o Corinthians no primeiro lugar do grupo. Aposto que todos os torcedores do Timão foram dormir tranquilos com o desempenho do time nessa noite. Agora é só esperar a definição dos confrontos da próxima fase. Amanhã saberemos quem será o nosso adversário. Aí sim o bicho irá pegar pra valer!


19 de abril de 2012 – quinta-feira


O dia seguinte à classificação do meu time na Libertadores foi marcado por expectativas quanto aos enfrentamentos da próxima fase. Hoje era o momento de fazermos contas e de analisarmos quais eram as equipes teoricamente mais fáceis para serem enfrentadas nas oitavas. Assim, precisei acompanhar os jogos faltantes. Torci por alguns times e sequei outros nesses últimos duelos da fase de grupos.


O Vélez surpreendeu a todos. Perdeu seu jogo em casa para o eliminado Defensor do Uruguai. A derrota por 3 a 1 jogou no lixo a chance de os argentinos ficarem com o primeiro lugar na classificação geral. Depois foi a vez do Atlético Nacional, outro time com tal pretensão, perder seu último compromisso. Os colombianos caíram diante do Universidad de Chile, em Santiago, por 2 a 1. Além de não conseguir a melhor campanha entre os participantes, o Atlético terminou em segundo lugar no seu grupo.


Na sequência, era hora de torcer para que o Santos e o Internacional vencessem seus últimos jogos. Dessa forma, evitaríamos o confronto prematuro de ambos com o Corinthians nas próximas fases. O time da Vila Belmiro conseguiu passar pelo The Strongest da Bolívia por 2 a 0. O Internacional, porém, perdeu para os peruanos do Juan Aurich por 1 a 0. O Inter terminou com a pior campanha entre os segundos colocados e enfrentaria o melhor time da primeira fase. Problemas à vista!


Agora só faltava o Fluminense tropeçar contra o Arsenal de Sarandi para o Timão ficar com o primeiro lugar no geral. A questão era: seria interessante alcançar esse posto e enfrentar o forte time do Internacional já na segunda fase?! O medo de uma eliminação precoce estava rondando minha mente enquanto assistia pela televisão ao jogo na Argentina. Em uma partida emocionante, o Flu conseguiu a vitória no último minuto, com um gol de cabeça do centroavante Rafael Moura, ex-jogador do Parque São Jorge. Por isso, o Flu terminou em primeiro no geral e o Timão em segundo. Quem pegaria o Inter seria o Fluminense. Ufa! Escapamos dessa. Além disso, se a equipe carioca passar para as quartas de finais, deverá pegar o sempre perigoso Boca Juniors. Meu Deus, eles caíram em uma chave bem mais complicada do que a gente.


O Corinthians, com a segunda melhor campanha, enfrentará o Emelec do Equador, um time sem tanta tradição e limitado tecnicamente. Se passar para as quartas de finais, o Timão pegará o vencedor de Vasco da Gama e Lanús. Apesar de ser um confronto Brasil-Argentina, algo sempre difícil, essas equipes são as mais fracas de seus países nesse estágio do torneio. Ou seja, ficamos em uma boa chave para avançar até as semifinais. Vale lembrar que os atletas do Parque São Jorge farão sempre o segundo jogo de seus confrontos em casa até o final da Libertadores. Somente a decisão, se for contra o tricolor carioca, não seguirá tal regra.


O único confronto mais difícil no caminho do Timão será contra o Santos, em uma possível semifinal. Já imaginou Santos e Corinthians brigando diretamente para chegar à decisão da Libertadores? Será emocionante! As próximas semanas prometem.


20 de abril de 2012 – sexta-feira


As chaves das próximas fases do torneio sul-americano ficaram assim:

Confrontos de mata-mata da Copa Libertadores de 2012

É possível ver que a parte de cima do chaveamento tem times mais difíceis: Fluminense, Internacional, Boca Juniors, Universidad de Chile e Libertad. A parte de baixo, o lado corintiano, só tem o Santos e o Vélez Sarsfield como equipes mais complicadas. E ambos os times só serão enfrentados pelo Timão, possivelmente, nas semifinais. Ou seja, o Timão tem uma oitava-de-final fácil contra o Emelec e uma quarta-de-final de nível mediano contra Vasco da Gama ou Lanús.


Com a tabela já definida, agora é hora de nos prepararmos bem para os confrontos. Nisso, eu confio no profissionalismo, na capacidade de liderança e na visão técnica e tática do treinador Tite. Será que dessa vez a Liberta será nossa?!


21 de abril de 2012 – sábado


O final de semana chegou trazendo de volta as emoções do Campeonato Paulista. Agora é fase decisiva, amigo(a)! Nesse sábado, tivemos apenas um jogo do torneio: São Paulo e Bragantino no Morumbi. Os demais confrontos (Corinthians e Ponte, Guarani e Palmeiras e Santos e Mogi Mirim) serão disputados no domingo.


No Centro de Treinamento Joaquim Grava, a animação de todos era evidente. Empolgados com a goleada de 6 a 0 contra o Deportivo Táchira, os jogadores do Timão exalavam confiança em nova vitória. Nesse cenário, Tite definiu o Corinthians para a partida contra a Ponte Preta. Danilo se recuperou bem da contusão sofrida na quarta-feira e é certeza de estar em campo. Já Chicão não foi liberado pelo departamento médico. O camisa 3 não poderá jogar domingo. Marquinhos, o garoto da base corintiana, foi escalado em seu lugar. Dessa maneira, o Timão pisará no Pacaembu com: Júlio César; Edenílson, Leandro Castán, Marquinhos e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Danilo; Jorge Henrique, Emerson Sheik e Liedson. É força máxima!


A Ponte tem problemas em sua defesa. Quase todos os zagueiros estão suspensos, machucados ou impedidos de jogar por algum motivo. Por isso, o técnico da Macaca irá improvisar atletas de outros setores lá atrás. Eu acho a Ponte um bom time, mas tenho certeza de que ela não conseguirá segurar o Timão jogando completo no Pacaembu. Na semana passada, os pontepretanos perderam do time reserva do Tite em jogo em Campinas. Imagine, então, o que acontecerá no jogo em São Paulo contra os titulares do Parque São Jorge, hein?! Para mim, será nova goleada e passagem garantida para as semifinais do torneio regional. A vitória também será boa para o Corinthians começar com o pé direito suas disputas de mata-mata tanto no Campeonato Paulista quanto na Libertadores.


À noite, assisti ao jogo do São Paulo no Sportv. O tricolor do Morumbi dominou todo o primeiro tempo e fez um gol. O placar de apenas 1 a 0 no intervalo não refletiu o amplo domínio do time da casa. O Bragantino apenas ficava na defesa evitando tomar mais gols. No segundo tempo, o técnico do time do interior trocou alguns jogadores para dar mais força ofensiva. O Braga perdeu três chances claras para empatar. E sabe como é: quem não faz, toma. O São Paulo aproveitou o contra-ataque para fazer 2 a 0. Podia ter feito mais se não tivesse perdido um pênalti. A equipe visitante chegou a diminuir, mas a noite era mesmo são-paulina. Os comandados de Emerson Leão fizeram o terceiro e o quarto tentos. Estava fechada a goleada em 4 a 1 e o primeiro semifinalista do Paulistão estava definido. Com facilidade, o São Paulo despachou o Bragantino e se colocou entre os quatro melhores da competição.


Agora a responsabilidade está com corintianos, santistas e palmeirenses. Para confirmarem o favoritismo, eles precisam passar por seus adversários e avançar para as semifinais. Definitivamente, o Campeonato Paulista está começando de fato agora. Ninguém mais pode perder um jogo. Como os confrontos são em jogo único, perdeu uma partida, adeus competição. Se houver empate, disputa por pênaltis. Ai meu Deus!


22 de abril de 2012 – domingo


O domingo começou com chuva e muito frio na cidade de São Paulo. O clima era de Inverno, apesar de estarmos ainda no Outono. Uma gripe me pegou de jeito e me deixou de cama o dia inteiro. Fiquei muito mal! Se fosse contar, acho que meu nariz espirrou mais vezes do que o número de batidas do meu coração ou de piscadas dos meus olhos. Por sorte, não havia comprado antecipadamente ingresso para o jogo do Pacaembu. Com certeza, não estaria em condições para ir ao estádio e tomar chuva. Por isso, só saí do quarto duas vezes ao longo de todo o dia: para tomar café da manhã e, à tarde, para ver a partida das 16 horas pela televisão da sala.


O duelo entre Corinthians e Ponte Preta começou com o time visitante no campo de defesa, bloqueando os ataques do Timão. Os pontepretanos ainda tinham habilidade para armar contra-ataques e levar perigo à meta corintiana. Aos 12 minutos, uma falta foi marcada para a equipe do interior em sua intermediária ofensiva. A cobrança foi rasteira e sem força. Com o gramado molhado, Júlio César deixou a bola escorregar por entre suas mãos. Ponte 1 a 0. Frango do nosso goleirão!


Com a vantagem, os campineiros ganharam confiança. Eles não perdiam nenhuma jogada. O Coringão até tentava atacar, mas era sempre bloqueado. Não me lembro de ter visto um bom chute ao gol do meu time na primeira etapa. Do outro lado, os avanços da Ponte eram sempre perigosos. Antes do intervalo, os visitantes chegaram ao segundo gol. Dessa vez Júlio César não teve culpa. Ponte 2 a 0.


No segundo tempo, Tite mexeu na equipe. Alex e Douglas substituíram Danilo e Jorge Henrique. Mesmo com as alterações, o Corinthians continuava mal, muito mal. Não conseguia furar o bloqueio pontepretano e dava espaço lá atrás para o adversário. O time do Parque São Jorge só melhorou pra valer com a entrada de William. O atacante substituiu o zagueiro Marquinhos e colocou fogo no jogo. Após várias oportunidades criadas pela direita, William fez o seu: 2 a 1. Pressão total do Timão!


Quando o empate parecia iminente, Júlio César falhou novamente ao chutar um tiro de meta no pé do rival. Era o terceiro gol da Ponte. Na saída de bola, Alex diminuiu novamente: 3 a 2. Os cinco minutos finais foram eletrizantes. Paulinho, Emerson e William perderam um gol feito cada um. A Ponte segurou bravamente a vitória. Final de jogo no Pacaembu: o Corinthians perdeu e foi desclassificado.


A tristeza dos corintianos pela eliminação precoce no estadual só não era menor, ao final da partida, do que as preocupações decorrentes da derrota. Será que o time vai se abalar com essa desclassificação? Entrará tenso no próximo jogo da Libertadores? Júlio César é realmente um goleiro à altura da grandeza do clube? Nosso camisa 1 suportará a pressão de evitar os gols adversários no torneio sul-americano? O Timão está verdadeiramente preparado para disputar o mata-mata continental?


Com esses pensamentos, voltei para o quarto para espirrar mais uma centena de vezes. Não sei se a derrota ou a gripe me deixaram com uma forte dor de cabeça.


23 de abril de 2012 – segunda-feira


É segunda-feira de ressaca para os corintianos. Como se estivessem de luto, os torcedores do Timão passaram o dia de cabeça baixa ouvindo as gozações de são-paulinos e santistas. O único consolo, nessa hora difícil, foi que os palmeirenses não puderam abrir a boca para falar de futebol. Seu time também tinha sido eliminado do torneio estadual por um clube de Campinas. O Palestra perdeu para o Guarani por 3 a 2 e deu adeus ao sonho de sair do jejum de títulos. O Santos foi o único grande a vencer no domingo. O Peixe derrotou o Mogi Mirim por 2 a 0 na Vila Belmiro. As semifinais do Paulistão de 2012 terão São Paulo versus Santos e Guarani versus Ponte Preta. Os dois jogos serão no próximo final de semana.


A desclassificação do Campeonato Paulista em si não representa grandes perdas esportivas para o Timão. Afinal, a equipe do Parque São Jorge é a maior vencedora da história do torneio estadual. De todas as competições do ano (incluindo Libertadores e Campeonato Brasileiro), essa é a de menor importância. O problema é o impacto da derrota no ambiente dos jogadores. Para ficar claro o que estou dizendo, a melhor comparação possível a ser feita é imaginar o Parque São Jorge como um grande barril de pólvora. Cada derrota é uma fagulha e as grandes perdas (desclassificações) são como se fossem grandes labaredas de fogo. Junte uma coisa à outra e você tem a probabilidade de algo explosivo acontecer.


Júlio César saiu chorando do campo pelos dois frangos sofridos. O goleiro foi muito criticado hoje em todos os jornais pela atuação bizarra contra a Ponte Preta. Suas falhas em partidas decisivas foram lembradas: no último jogo do Campeonato Brasileiro de 2010 contra o Goiás, que representou a perda do título nacional daquele ano; na final do Campeonato Paulista de 2011, com um peru contra o Santos nos últimos minutos do jogo; e agora. No Mesa Redonda da TV Gazeta de ontem (sim, assisti ao programa mesmo com a derrota do meu time), o jornalista mais corintiano do mundo, Chico Lang, evidentemente transtornado pela derrota, foi muito ácido com o camisa 1 alvinegro. Ele disse que Júlio não tinha nenhuma condição de ser o arqueiro do time. E esperava a sua retirada imediata da equipe titular pelo treinador corintiano.


Outro ponto citado pelos jornais esportivos foram as sucessivas derrotas do técnico Tite em fases eliminatórias: Libertadores do ano passado na fase de pré-grupo, campeonato paulista do ano passado e novamente agora no torneio estadual. A única conquista do gaúcho pelo Timão fora em uma competição de pontos corridos. Se for seguida essa tendência, o Corinthians dificilmente conquistará a Libertadores, um torneio no estilo mata-mata.


O próximo compromisso do Todo Poderoso será daqui a dez dias. Será justamente contra o Emelec pela Libertadores. Até lá, Tite terá um bom tempo para remontar o time e motivar seu goleiro destroçado pelas falhas e pelas críticas.


Ah, por falar em se restabelecer, eu melhorei sim da gripe. Estou 100% outra vez. Obrigado por se preocupar e me perguntar como eu estou.


24 de abril de 2012 – terça-feira


Após dias complicados, com ausência de boas notícias e perspectivas positivas, os torcedores do Corinthians tiveram, enfim, algo para comemorar hoje. O Barcelona foi eliminado na semifinal da Copa dos Campeões da Europa. O dream team catalão não será, portanto, adversário do campeão da Libertadores no final do ano, no Mundial de Clubes. O melhor time do mundo foi desclassificado em casa pelo Chelsea. Após vencerem em Londres na semana passada pelo placar mínimo, os ingleses arrancaram um empate na segunda partida na Espanha. Os Blues vão disputar a decisão do torneio europeu pela primeira vez na história.


E que jogo semifinal foi esse, hein? O time espanhol começou jogando muito bem. Fez 2 a 0 com extrema facilidade. Para piorar as coisas para os visitantes, um zagueiro da equipe inglesa saiu machucado e outro foi expulso antes do intervalo. A defesa do Chelsea precisou ser remendada para não sofrer mais gols. No finalzinho da primeira etapa, quando todos esperavam mais gols do Barcelona, quem marcou foi o Chelsea. Em um contra-ataque velocíssimo, o brasileiro Ramirez fez um golaço de cobertura, diminuindo a vantagem do adversário. Curiosamente, era a primeira vez que o time inglês chutava a gol na partida.


O segundo tempo foi de muita pressão do Barcelona e de muita dedicação defensiva do Chelsea. Os espanhóis atacavam, atacavam e atacavam. E os ingleses se defendiam, se defendiam e se defendiam. Era jogo de ataque contra defesa. De tanto insistir, o Barça conseguiu um pênalti a seu favor. Messi cobrou. A bola acertou a trave e saiu. O melhor jogador do mundo perdia a oportunidade de matar a partida. A pressão catalã permaneceu até o fim. Aí aconteceu o que parecia impossível. Nos minutos finais, os ingleses conseguiram empatar em um contragolpe sensacional. Era o segundo chute a gol deles no jogo. O 2 a 2 no Camp Nou representou a eliminação dos atuais campeões espanhóis, europeus e mundiais. Por consequência, sentenciou a passagem do Chelsea para a final do torneio, a ser disputado no dia 19 de maio.


Aí alguém pode me perguntar: "Por que você está tão interessado nos assuntos relacionados à Copa dos Campeões da Europa?". A resposta é simples. Porque o vencedor desse campeonato será o adversário do Timão no Mundial de Clubes em dezembro. Não quero que o Coringão sofra o que o Santos vivenciou no ano passado. Para quem não se lembra, o Peixe foi campeão da Libertadores jogando um futebol maravilhoso, de encher os olhos dos torcedores. Quando chegou ao Japão para o duelo com o Barça, a equipe de Muricy Ramalho era considerada por muitos brasileiros como o único time capaz de parar a mágica equipe espanhola. O resultado? O Barcelona goleou por 4 a 0. Os santistas não viram a cor da bola e voltaram envergonhados para casa, humilhados com a surra sofrida.


Para o ano de 2012 ser perfeito, precisamos vencer a Libertadores e o Mundial depois. A saída do clube catalão da competição do final do ano é um ótimo sinal para o Timão e para todas as equipes sul-americanas. Agora só falta mesmo o Corinthians vencer a Libertadores... Às vezes, acho que essa é a parte mais difícil da tarefa.


25 de abril de 2012 – quarta-feira


Hoje começou a segunda fase da Copa Libertadores. Tivemos duas partidas envolvendo três brasileiros. Os demais jogos de ida do torneio serão realizados na próxima semana. Os duelos de volta serão na semana posterior. Em aproximadamente 15 dias, teremos a lista das oito melhores equipes sul-americanas da temporada.


O Santos viajou para a altitude de La Paz, na Bolívia, e perdeu para o Bolivar por 2 a 1. O jogo foi muito fraco tecnicamente. Os três gols surgiram em cobranças de falta. Neymar foi caçado em campo. O craque sofreu com a violência do adversário. As cenas vistas pela televisão foram típicas do torneio: torcida atirando objetos no gramado, os policiais e seus escudos protegendo os atletas visitantes, o juiz sendo pressionado por todos no estádio e os brasileiros apanhando em campo. O placar final não foi encarado pelos santistas como algo tão ruim. Uma vitória de 1 a 0 no jogo de volta, na Vila Belmiro, classificará os brasileiros. O Santos continua bem na competição e deve passar para a próxima fase. Para mim, o Peixe segue sendo o grande favorito a erguer a taça da Liberta pela quarta vez na história (a segunda consecutiva).


Em Porto Alegre, Internacional e Fluminense se enfrentaram no duelo 100% brasileiro das oitavas de finais. O jogo foi equilibrado com as equipes se preocupando mais em não sofrer gol do que em marcar. Se no primeiro tempo os cariocas dominaram as ações, na segunda etapa foram os gaúchos os protagonistas em campo. Entre as várias chances desperdiçadas pelos colorados, destaque para um pênalti defendido pelo goleiro do Fluminense e uma bola que explodiu na trave tricolor. O empate sem gols foi consequência da boa atuação dos dois arqueiros e deixa o confronto em aberto para a próxima partida no Rio de Janeiro.


A quarta-feira foi recheada de futebol. Além dos duelos pelo torneio sul-americano, jogaram, na Europa, Real Madrid e Bayer de Munique pelo segundo jogo da semifinal da Copa dos Campeões. Quem passasse faria a final com o Chelsea, classificado ontem. Depois de perder o primeiro jogo na Alemanha por 2 a 1, o Real devolveu o mesmo placar em Madrid, o que levou a partida para a prorrogação. Com a nova igualdade no marcador, a peleja foi para os pênaltis. Na disputa de desempate, os jogadores do Real perderam três pênaltis (um dos amarelões, obviamente, foi Cristiano Ronaldo) e os atletas do Bayer apenas dois. Assim, os alemães se classificaram. As estrelas do Santiago Bernabéu decepcionaram mais uma vez.


Para terminar o dia, acompanhei a repercussão da entrevista que Adriano concedeu no domingo ao Fantástico. O ex-jogador corintiano disse à reportagem que realmente faltara várias vezes aos treinos e às sessões de fisioterapia. Reconhecia que sua recuperação da cirurgia no Tendão de Aquiles não fora bem-sucedida por seu descuido. Ele não respeitou as orientações médicas. E ainda admitiu beber constantemente e não conseguir parar na primeira latinha de cerveja. Em outras palavras, o cara queimou o próprio filme. A diretoria corintiana comemorou a entrevista. Os advogados do Timão poderão usar mais essa prova contra o atleta em uma possível audiência na Justiça do Trabalho. Como Adriano é burro, meu Deus!!!


26 de abril de 2012 – quinta-feira


26 de abril é o Dia Nacional dos Goleiros. Parabéns aos encarregados por defender com as mãos seus times. Essa é uma das profissões mais ingratas que existe. Lembro-me imediatamente dos versos da música de Jorge Ben Jor:


Eu vou lhe avisar

Goleiro não pode falhar

Não pode ficar com fome

Na hora de jogar

Senão, um frango aqui,

Um frango ali,

Um frango acolá


Curiosamente, essa é a pior semana para os arqueiros titulares dos principais clubes da cidade de São Paulo. Todos passam por momentos delicadíssimos. Enquanto o corintiano e o palmeirense sofrem com as críticas, o são-paulino padece com contusões. Deola, o goleiro do Palmeiras, falhou em três lances na derrota para o Guarani. Ele assumiu a camisa 1 do alviverde no começo desse ano com a aposentadoria de Marcos. E já voltou para a reserva no jogo dessa quarta-feira pela Copa do Brasil. Por sua vez, o são-paulino Rogério Ceni sofre com dores e limitações desde a operação no ombro. Nessa semana, os rumores pelos lados do Morumbi indicavam a possibilidade de aposentadoria de Rogério dos gramados. Vamos esperar para ver se o goleiro artilheiro pendurará as luvas e as chuteiras de vez.


Após os frangos de domingo, Júlio César retornou, na terça-feira, aos trabalhos no CT corintiano. Mesmo sendo muito criticado pela imprensa e pelos torcedores, o goleiro recebeu o apoio do técnico e do presidente do clube. Ambos os profissionais vieram a público, nessa semana, prestigiar o arqueiro. Afirmaram possuir total confiança em Júlio. Tite, porém, não assegurou a sua manutenção entre os titulares. O treinador disse que o trio de goleiros do elenco alvinegro tem condição para ser titular.


Mostrando muita personalidade, Júlio César concedeu entrevista coletiva ontem. Aos jornalistas, o camisa 1 afirmou estar ciente de suas falhas na última partida. Garantiu estar bem emocionalmente e manter a confiança em ser mantido no time principal. Destacou seu bom desempenho na atual temporada e no último ano, quando fora um dos principais responsáveis pelo título brasileiro.


Concordo com ele. Júlio César tem tido um bom desempenho nos últimos anos e deve ser mantido como titular. As pessoas se esquecem que no ano passado o Timão teve a melhor defesa do Brasileirão. E quem era o goleiro do time, hein? O único momento em que o Corinthians fraquejou naquele torneio, sofrendo derrotas sucessivas, foi justamente quando Júlio César se machucou e não pôde defender a meta corintiana. Além do mais, qual goleiro não falha, né? Até hoje não conheci nenhum. Talvez, no final do ano, nós devemos agradecer ao nosso camisa 1 por ele ter falhado no campeonato estadual e não na Copa Libertadores. Júlio como titular! Essa é a minha opinião.


27 de abril de 2012 – sexta-feira


Hoje, o Pacaembu fez aniversário. Ele completou 72 anos. Parabéns! O estádio municipal leva o nome de Paulo Machado de Carvalho em homenagem ao empresário dos meios de comunicação que foi o chefe da vitoriosa delegação brasileira nas Copas do Mundo de 1958 e 1962. Em sua inauguração, em 27 de abril de 1940, o estádio tinha a capacidade para 70.000 pessoas. Era considerado o maior e mais moderno da América do Sul. O Pacaembu foi a sede paulista da Copa do Mundo de 1950 e o principal palco dos jogos Pan-Americanos de 1963. Por muitos anos, o campo foi a sede dos principais times de São Paulo e o palco das grandes decisões e dos clássicos estaduais. Com a construção do Morumbi e a reforma do Parque Antártica na década de 1960, São Paulo e Palmeiras começaram a mandar seus jogos em suas respectivas casas. A partir daí, o Pacaembu virou definitivamente o estádio do Timão.


Não por acaso, é no Paulo Machado de Carvalho em que a nação corintiana se sente mais à vontade. Foi nesse campo onde a Fiel assistiu às conquistas dos títulos do Paulistão de 1951, 1954 e 2009, do torneio Rio-São Paulo de 1950, 1954 e 1966 e do Brasileirão de 2011. O estádio municipal também foi o local das primeiras partidas das finais da Copa do Brasil de 1995 e 2009, importantes conquistas alvinegras.


O que eu mais gosto no Pacaembu é seu fácil acesso e o clima aconchegante das arquibancadas. Localizado na Praça Charles Miller, o estádio está na região central da cidade. É muito tranquilo para chegar e sair. Além disso, ele consegue ser ao mesmo tempo grande e intimista. O Morumbi, por ser maior, deixa os torcedores bem longe do campo e não oferece boa visão do espetáculo. O Parque Antártica, o Canindé e o Parque São Jorge proporcionam um bom panorama do gramado, mas são estádios acanhados. O único que consegue aliar tamanho adequado (hoje com 40 mil lugares disponíveis) e boa proximidade do campo é o Pacaembu. A visão em todos os setores é excelente.


Apesar de ter estádio particular, o corintiano que é corintiano não abre mão de ver os jogos do Timão no Paulo Machado de Carvalho. Diferentemente do que dizem nossos rivais, o Corinthians tem casa própria sim. O Parque São Jorge, também conhecido como Fazendinha, é o estádio corintiano desde 1928. Ele até tem uma boa capacidade, cerca de 16 mil lugares. O problema é o tamanho da torcida corintiana. Os quase 30 milhões de loucos amantes do clube tornam inviável o uso frequente do estádio do Tatuapé. Por isso, a Fazendinha foi usada na maior parte da história como campo de treino e não de jogo. Desde o ano passado, com a inauguração do Centro de Treinamento em Guarulhos, ele deixou de abrigar os treinos da equipe profissional de futebol. É atualmente usado apenas para as partidas do time de futebol americano.


A partir de dezembro de 2013, com a inauguração da nova arena própria em Itaquera, para 70 mil torcedores, os corintianos serão a única torcida do mundo com três estádios: Pacaembu, Parque São Jorge e Itaquerão. Infelizmente, depois de 2014 não teremos mais o bom e velho Pacaembu como palco de nossas principais partidas. Sentiremos saudades desse antigo companheiro de vitórias!


28 de abril de 2012 – sábado


Meu dinheiro está diminuindo assustadoramente. Dois meses sem trabalho formal provocaram estragos em minhas finanças. Estou economizando ao máximo e precisarei me empenhar ainda mais para conseguir pagar as contas nos próximos meses. Sem verba, não pude sair no sábado à noite nem convidar a Thalita para dar umas voltas pela cidade. Resolvi, então, fazer um programa barato e solitário. A Caixa Cultural, localizada no centrão de São Paulo, estava com uma programação gratuita de filmes iugoslavos. Sim, existem cinema e cineastas na Iugoslávia! Sim, algum louco resolveu reuni-los em um festival. E havia outros malucos que se propuseram a assisti-lo. O longa-metragem que me chamou mais atenção foi o documentário "Maradona", do cineasta sérvio Emir Kusturica. O filme pretendia mostrar o verdadeiro homem por trás da imagem do campeão do mundo de 1986.


Minha expectativa não era, confesso, muito alta. Eu havia visto alguns anos atrás a ficção "A Mão de Deus", filme ítalo-espanhol baseado na biografia de Diego Armando. Portanto, já conhecia a história do craque argentino repleta de lances geniais dentro de campo e de tristes atitudes fora dele (brigas familiares, dependência da cocaína, detenções policiais e internações em clínicas de reabilitação). Mesmo assim, o documentário iugoslavo me surpreendeu positivamente. Ele é sensacional! Diferentemente do senso comum, Kusturica não quis recontar a história do atleta. Ele se preocupou mais em apresentar a verdadeira figura por trás do mito. O público teve a oportunidade de ouvir Diego falando de vários temas e de acompanhá-lo em sua rotina (na casa em Buenos Aires e em viagens a Cuba, Nápoles e Iugoslávia). Também há lances bem-humorados como as cenas da Igreja Maradoniana e seus fiéis.


Ao assistir aos depoimentos de Diego, a minha sensação é que Maradona é uma pessoa, infelizmente, de cabeça muito fraca. Dois pontos me chamaram mais a atenção. Primeiramente, ele se alinha incondicionalmente ao pensamento da esquerda latino-americana. Aprova a Revolução Cubana, admira Hugo Chaves e Ivo Morales e é a favor de medidas populistas na Argentina. Considera os Estados Unidos e a Inglaterra como os responsáveis por todas as desgraças em seu país. Também tem grande antipatia por todas as instituições de poder, sejam elas políticas ou futebolísticas. A segunda questão é que ele não admite ser responsável por nenhum de seus fracassos esportivos e pessoais. Perdeu a Copa de 1990 porque foi roubado, foi banido do futebol no início da década de 1990 por doping porque a federação italiana queria se vingar dele (Diego desclassificou a seleção local na Copa da Itália) e foi pego no antidoping na Copa de 1994 porque a FIFA queria dar o título ao Brasil. Sua decadência foi culpa das drogas e não dele, o usuário.


Já no final do documentário, Maradona desabafa: "Que jogador nós perdemos (por causa da cocaína)! O que me amarga a boca é que eu poderia ter sido mais do que sou (fui). Te garanto". Ou seja, se a cabecinha de vento do Diego tivesse ajudado, talvez teríamos um argentino como o melhor jogador de futebol da história. Como ele não soube lidar com a realidade nua e crua, Pelé continua reinando como o maior de todos. Pronto: falei e disse.


29 de abril de 2012 – domingo


Esse final de semana foi o mais triste do ano até agora. Com pouco dinheiro, permaneci em casa o domingo inteiro. O frio intenso e a chuva insistente completaram o panorama sombrio. Para que colocar os pés na rua, né? Além disso, esse era o primeiro dos três finais de semana sem jogos do Timão. Com a eliminação precoce do Campeonato Paulista, o Corinthians não tem compromissos agendados aos domingos. A nação alvinegra acompanharia aos duelos de seus rivais pela televisão.


Os primeiros a entrar em campo foram as equipes de São Paulo e Santos. Mesmo o jogo sendo realizado no Morumbi, com aproximadamente 45 mil são-paulinos, o favoritismo estava no lado santista. Além de ter um time melhor, o clube praiano contava com Neymar. O garoto foi o nome da semifinal. Ele fez os três gols de sua equipe na vitória de 3 a 1. Ele ainda chutou uma bola na trave e distribuiu dribles desconcertantes por todos os lados do campo. O Santos conquistou a vaga à final com propriedade, apresentando um ótimo futebol. Os são-paulinos não jogaram mal. Até tiveram boas chances, mas não foram páreos para os atuais bicampeões estaduais.


Na final, em dois jogos, o Santos pegará o Guarani. Os bugrinos venceram seus rivais históricos no Derby de Campinas. A vitória de 3 a 1 em cima da Ponte Preta, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, credenciou o Guarani para disputar sua primeira final de torneio estadual em 24 anos. E como o time verde jogou! Depois de sair perdendo no primeiro tempo, o Guarani voltou para a segunda etapa melhor. Só não fez uma goleada histórica porque o goleiro pontepretano estava em ótima forma e os atacantes alviverdes estavam com péssima pontaria. Os três gols nos 45 minutos complementares pareceram pouco. Festa da torcida verde de Campinas!


Se a chegada à final do Santos era mais ou menos previsível no início do ano, a passagem do Guarani para a decisão foi surpreendente. Até o final do ano passado, o time campineiro estava ameaçado de cair para a Série C do Campeonato Brasileiro. Sem conseguir pagar os salários de seus atletas por meses, o tradicional clube do interior estava ameaçado de fechar as portas por falência. Via, assim, os principais atletas abandonarem o time. Os que permaneceram ameaçavam fazer greve e não entrar em campo. Com muita dificuldade, o Guarani conseguiu se manter na Série B no final de 2011. Essa temporada começou da pior maneira possível. Sem dinheiro, o clube teve sérias dificuldades para montar um elenco satisfatório justamente no ano de seu centenário. As perspectivas eram ameaçadoras. A única boa notícia era a manutenção do experiente técnico Vadão, responsável por arrumar jogadores baratos para jogar pela camisa verde e branca. Aí, quatro meses depois, o Guarani fez a quarta melhor campanha da primeira fase do Paulistão e se classificou para as quartas de finais. Após eliminar Palmeiras e Ponte, chegou à final por méritos.


Enquanto os bugrinos sonham com seu primeiro título estadual, os santistas tentarão faturar o primeiro tricampeonato em 42 anos. O último tri do clube foi conquistado pela equipe comandada por Pelé (entre 1967 e 1969). Querendo ou não, essa será uma decisão histórica de Campeonato Paulista.


30 de abril de 2012 – segunda-feira


Nessa segunda-feira, fui à banca de jornal. Atualizei-me com as notícias do Timão. A principal novidade pelos lados do Parque São Jorge foi a retirada do goleiro Júlio César da equipe titular. O camisa 1 passou a treinar separadamente do grupo. Sua vaga será ocupada por Cássio. A decisão do técnico Tite foi baseada na maior altura e experiência do camisa 24. Cássio é 6 centímetros mais alto do que Danilo Fernandes, o outro goleiro postulante à posição. O novo titular tem 25 anos contra 24 de Danilo. Nas reportagens, os jornalistas asseguram que Cássio tem se destacado positivamente nos treinos. Está em excelente forma! O problema é que ele jogou apenas uma vez desde a sua chegada ao clube. Enquanto Danilo Fernandes já jogou 10 vezes (foi muito bem em todas as oportunidades), Cássio foi à campo apenas contra o XV de Piracicaba. Foi bem, é verdade. O risco de colocar um goleiro desconhecido embaixo das traves corintianas em plena Libertadores é enorme. Além disso, em sua passagem pela Europa nos últimos anos, o goleiro foi pouco aproveitado pelos clubes onde passou. Estaria o nosso camisa 24 com bom ritmo de jogo, hein?!


O problema no gol corintiano preocupa a torcida. Todos os amigos e conhecidos com quem falo sobre o tema demonstram muita apreensão. Não é possível imaginar um clube ganhando a principal competição da América sem um grande goleiro embaixo das metas. Infelizmente, o Timão não possui um atleta unânime e 100% seguro para a posição. Há alguns boatos dizendo que a diretoria está tentando a contratação de um nome de alto nível e experiente para o restante do torneio. Contudo, não há boas opções no mercado. O time também tem outras carências: um centroavante titular (já está claro que Liedson não tem condições para se manter no time principal) e de um primeiro volante para a reserva de Ralf. Essas fraquezas do elenco são as mais nítidas. Parece que os cartolas corintianos procuram por reforços para esses setores, mas não há nada aparentemente certo com ninguém.


Nos treinamentos dos últimos dias, o técnico alvinegro resolveu fazer outras mudanças além da já comentada alteração no gol. No ataque, William entrou no lugar de Liedson em alguns coletivos e pode ser a novidade para o jogo contra o Emelec. Dificilmente William fará o papel de centroavante da equipe. Com sua entrada, Emerson Sheik passaria para o lugar do luso-brasileiro e William assumiria a posição de Emerson na beirada do campo. Satisfeito com Edenílson na lateral direita titular e com Welder na reserva, Tite passou a treinar Alessandro como volante na equipe reserva. Assim, o gaúcho ganha a opção de ter alguém experiente para substituir Ralf se assim for necessário. Gostei das duas novidades: tanto da entrada de alguém no lugar de Liedson quanto da proposta de ter Alessandro como um meio-campista marcador (reserva) ao invés de lateral (titular).


Sobre a mudança de goleiro, sinceramente não sei se foi acertada. Manter Júlio César no gol era arriscado, assim como colocar algum de seus reservas em seu lugar também é. Qualquer decisão a esse respeito implica grandes riscos. O melhor mesmo seria colocar a mão no bolso e trazer um bom nome para ocupar a camisa 1 do Timão. Aí sim estaria realmente tranquilo para acompanhar os jogos.


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Oitava série narrativa da coluna Contos & Crônicas, “O Ano que Esperávamos Há Anos” é o testemunho dos doze meses de 2012. Este relato é uma espécie de diário feito no calor das emoções por um fanático torcedor corintiano. Ele previu as conquistas de seu time do coração naquela temporada que se tornaria mágica. Nessa coletânea de crônicas é possível acompanhar os jogos do Corinthians, relembrar as decisões do técnico, entrar nos bastidores do Parque São Jorge e conhecer a vida dos principais jogadores alvinegros. O leitor também sofrerá com as angústias dos torcedores do Timão, poderá acompanhar o desenrolar dos campeonatos e, principalmente, irá se emocionar com as maiores conquistas futebolísticas desse clube centenário.


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