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Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura, arte e entretenimento criado por Ricardo Bonacorci em 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, dança, teatro, exposição, pintura e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 42 anos, mora em Buenos Aires e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

  • Foto do escritorRicardo Bonacorci

Crônicas: O Ano que Esperávamos Há Anos - Agosto de 2012

Depois da tempestade de emoções, chegamos à bonança. Conquistado o título da Libertadores, o Timão volta-se para a disputa do Brasileirão.

O Ano que Esperávamos Há Anos - Contos & Crônicas - Bonas Histórias - Ricardo Bonacorci - Agosto de 2012

1° de agosto de 2012 – quarta-feira


Vou contar uma coisa, mas não quero ver ninguém rindo, tá? Estamos combinados?! Algo assim pode acontecer em qualquer lugar, até nas melhores famílias. Todos nós estamos sujeitos a pequenos acidentes domésticos. Normal, né? Contudo, como aconteceu com o Corinthians, aí você já viu! As brincadeirinhas e as gozações dos torcedores rivais não param. Está bem, vou falar de uma vez por todas. Vou direto ao assunto para não criar suspense: a taça da Copa Libertadores da América quebrou. Sim, o troféu aos cuidados do Timão sofreu um acidente e teve uma parte danificada. Pronto, falei! Depois de anos e anos de sofrimento para conquistá-la, em menos de um mês em nossas mãos algo de ruim aconteceu com a preciosidade. Até parece piada, mas é verdade! Deve ser olho gordo de palmeirenses e de são-paulinos.


O troféu entregue ao Corinthians no dia (ou seria na noite?) 4 de julho é feito em bronze e banhado com prata. A base é constituída de madeira. Ele tem 76 cm de altura e seu custo aproximado é de R$ 15 mil. Segundo as primeiras informações passadas pela Conmebol, a taça avariada era a original, a que fica com a entidade que organiza o futebol no continente. Após algumas semanas em posse do atual campeão da Libertadores (o Corinthians, no caso), ela teria que ser devolvida à Confederação Sul-Americana. Em troca, o Timão receberia (em definitivo) uma réplica. Para ver pessoalmente a versão legítima do troféu, mais de 17 mil corintianos já visitaram o Memorial das Conquistas no Parque São Jorge. Eu mesmo havia me programado para ir lá na próxima semana.


A parte danificada é mínima. O bonequinho de um jogador chutando a bola que fica em cima do globo, na parte superior do prêmio, se desprendeu do restante da peça. O restauro já foi providenciado. O mini jogador será soldado à parte principal da taça. O acidente, segundo a diretoria alvinegra, aconteceu durante o transporte entre o museu do clube e um evento externo. Qual evento? Não foi especificado. Afinal, a agenda do troféu, nessas três semanas em posse do Corinthians, estava mais concorrida do que agenda de político em época de eleição. A taça da Liberta já havia sido levada à casa do ex-presidente Lula (fanático corintiano), passeado pela sede da Gaviões da Fiel, participado de jantares comemorativos e sabe-se mais por onde ela esteve. Todo mundo queria chegar perto e tocá-la. Até o Seu Barriga (Edgar Vivar, ator mexicano intérprete do famoso personagem do programa Chaves) veio da Cidade do México para São Paulo para erguer o símbolo máximo da conquista corintiana (ele tirou fotos segurando o troféu). Agora imagine por quantas mãos essa peça havia passado antes de quebrar, hein? Se pensarmos bem, demorou até para acontecer o pior...


À noite, li uma notícia na Internet que dizia que esse troféu não é o original. Em nota, a Conmebol informou que desde 2004, quando o Once Caldas destruiu totalmente a verdadeira taça durante as comemorações, a entidade envia apenas a réplica para o campeão. A original, construída novamente em 2005, fica guardada na sede da Confederação em Assumpção, no Paraguai. Assim, após Alessandro erguer o troféu verdadeiro no Pacaembu, a peça foi levada em segurança de volta para casa.


2 de agosto de 2012 - quinta-feira


Tenho um tio muito querido que é assinante da Folha de São Paulo. Grande Tio Luiz! São-paulino fanático, ele adora ler de manhã a coluna "Buemba! Buemba!" de José Simão (outro são-paulino). Simão é um dos mais divertidos jornalistas do nosso país e comenta de maneira debochada os principais assuntos do dia em sua coluna. Como Tio Luiz é também anticorintiano, ele só se lembra de me contar as piadas envolvendo o Corinthians. Devo admitir, elas são hilárias.


Por que estou falando sobre isso hoje? Nessa manhã, vi um vídeo do José Simão no UOL. O nome do programa é "Monkey News". Nele, o humorista retrata os acontecimentos cotidianos de forma zombeteira. É mais ou menos o que ele já faz há anos no jornal impresso (só que dessa vez pelo formato audiovisual). Como o título do vídeo da quinta-feira era "Buemba! Bonequinho da Libertadores se matou!", resolvi assistir. Depois de tirar um sarro da má fase do Flamengo e falar sobre as Olimpíadas de Londres, Simão entrou no tema principal do programa:


"Tudo bem, a Olimpíada está rolando, não sei o que lá lalalala. Mas o grande assunto (do dia) é a taça da Libertadores. Porque (a) quebraram no Corinthians (risos). Porque tudo acontece no Corinthians (mais risos). É o time mais sensacional que existe porque essa taça já andou na mão de todo mundo. Aí foi para o Corinthians e quebrou. Deve ser a pouca prática (em manuseá-la). É a pouca prática! Está aqui, tem a foto dela. A prova, olha lá a prova (mostra-se duas fotos no vídeo). Primeiro com o bonequinho e depois sem o bonequinho. Cadê o bonequinho? Sumiu o bonequinho! Sumiu não, menino. Ele foi recolhido para a Fundação Casa (novo nome da FEBEM). Em cinco semanas recolheram ele para a Fundação Casa (e mais risos!).


Existem várias versões. Porque têm teorias para explicar isso. Como é que some assim? Aí eu entrei no site futirinhas.com. Tem (lá) uma coisa que eu já falei e eles foram ali mostrar. Revelaram onde foi parar o tal do bonequinho. Vamos ver (mostra-se a imagem de um carro velho com o bonequinho da Libertadores pregado no capô com o seguinte título: virou enfeite de algum Chevette na Zona Leste de São Paulo). Pode ser. É o Chevettão do corintiano. Segunda possibilidade (mostra-se a foto de um homem sendo preso. Ele usa a camisa do Corinthians e tem uma corrente com o tal bonequinho. O título é: virou pingente de algum mano). Encontraram o bonequinho pendurado na corrente do mano, que dá um belo pingente mesmo. Tipo daqueles rappers americanos. Eu acho essa (possibilidade) a mais provável. Pode ser! E tem uma terceira opção. Porque aí é o destino, não tem jeito. Vamos ver (mostra uma ilustração com o bonequinho enforcado e o título: se matou de desgosto). Eu acho essa opção mais viável, a do bonequinho que se matou. Ele se suicidou, né?


Mas a grande piada pronta, foi a (notícia) que eu li hoje de manhã aqui na home do UOL. Está ali: Conmebol diz que essa Taça Libertadores da América (em posse do Corinthians) é réplica. Até aí tudo bem. A original está no Paraguai! Ah não (risos). No momento em que uma coisa original está no Paraguai, para o mundo que eu quero descer. A original está no Paraguai, eu não acredito".


3 de agosto de 2012 - sexta-feira


José Simão citou o futirinhas.com no programa "Monkey News" de ontem, né? Interessado em saber mais sobre o tal site cômico, resolvi acessá-lo hoje. E gostei bastante. Ele é muito engraçado! O Futirinhas se dedica a contar piadas exclusivamente sobre futebol. O texto mais interessante é de Maju Uchôa. Em sua coluna, a humorista comenta como está o Brasileirão de 2012 até esse momento. Ela ainda aproveita para fazer previsões para os principais clubes brasileiros. Confira:


"O Campeonato Brasileiro ainda está no comecinho, mas como já tem torcedor fazendo faixa de campeão, acho que já posso dar minha humilde opinião do que vai acontecer até o fim do campeonato.


Atlético Mineiro: é líder do Brasileirão, tem o melhor ataque, jogadores excelentes e que vem se destacando na competição, mas como o GaLOL é o GaLOL, é só esperar o momento em que vai começar a cair na tabela (provavelmente na 19ª rodada, quando enfrentar o Cruzeiro); Vasco: vem muito bem no Brasileirão, perdeu jogadores importantes, mas continua na vice-liderança e deve brigar pra se manter lá até o final. RUMO AO VICE;


Fluminense: É forte candidato ao título, possui um excelente elenco e é considerado por muitos o melhor time do Brasil. Tanto que ganhou a Libertadores e… OH WAIT!; Grêmio: está no G4, tem um bom time, organizado e tá conseguindo vitórias importantes. Dos times estrangeiros é um dos candidatos mais forte ao título;


Palmeiras: começou mal, mas usava a desculpa de que estava focado na Copa do Brasil. Ganhou a mesma, mas continua palmeirando e vai brigar por uma vaga na Série B de 2013; Santos: PELO AMOR DE DEUS VOLTA LOGO, NEYMAR!;


Corinthians: o melhor time do Brasil atualmente deve ficar em uma boa colocação, mas não vai assustar muito, pois deve focar no Mundial. (E passar mais 100 anos em lua de mel com esse título da Libertadores); São Paulo: tá querendo bater o recorde sem títulos do Palmeiras e deve ficar no meio da tabela;


Flamengo: a situação do Flamengo tá mais feia que encoxar a mãe achando que é a empregada. E como em 2012 tudo pode acontecer. Acredito que dessa vez o urubu não escapa do rebaixamento; Botafogo: é igual ao Gasparzinho. Pode até assustar um pouco, mas não faz mal a ninguém. Vai ficar sonhando com uma vaguinha na Libertadores, mas vai ter que se contentar com a Copa do Brasil.


No ano em que o Corinthians ganhou a Libertadores e o Palmeiras conseguiu quebrar o jejum de títulos, eu ainda acredito seriamente que o GaLOL pode sim, ganhar o Brasileirão".


Eu completo com mais um prognóstico: se 2012 é o ano das zebras no futebol, por que o Brasil não pode ganhar, enfim, a medalha de ouro nas Olimpíadas, hein?


4 de agosto de 2012 - sábado


Nesse sábado, assisti à vitória da Seleção Brasileira de futebol masculino nos Jogos Olímpicos de Londres. O Brasil derrotou com certa dificuldade (e muito ajudado pela arbitragem!) a fraca equipe de Honduras por 3 a 2. Passou agora para a semifinal do torneio. Se vencer o próximo compromisso, a Coréia do Sul na terça-feira, chegará à final. A partida de hoje foi tão fraca tecnicamente que dormi durante boa parte do segundo tempo. O time comandado por Mano Menezes vem ganhando sem convencer – passou apertado por Egito, Bielorrússia e Nova Zelândia na primeira fase. É muito pouco para quem se prepara para a Copa do Mundo de 2014 almejando o título.


Porém, o grande assunto de hoje é outro, pelo menos para corintianos e vascaínos. As duas torcidas se preparam para o jogão de amanhã pelo Campeonato Brasileiro. O Timão voltará a enfrentar o Vasco da Gama no Rio de Janeiro. As equipes disputaram o título nacional da última temporada e se enfrentaram nas quartas de finais da Libertadores desse ano. Para muitos, o confronto com os vascaínos foi o mais difícil (e dramático) do Corinthians na competição continental de 2012. A intensa disputa entre as agremiações aumentou consideravelmente a rivalidade, o que coloca um tempero especial para o novo duelo. O Vasco é atualmente o vice-líder do Brasileirão. E arrancar três pontos deles será importante para o Coringão.


No CT Joaquim Grava, o técnico Tite não fez mistério sobre sua escalação. O Corinthians irá a campo em São Januário com os mesmos 11 titulares que atuaram no final de semana passado em Salvador. Chicão e Emerson continuam sendo os desfalques. Enquanto o zagueiro já está recuperado da contusão e tem a volta prevista para a próxima rodada, o atacante ficará mais duas semanas no departamento médico. Assim, os representantes da Fiel no gramado serão: Cássio; Alessandro, Paulo André, Wallace e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Douglas; Romarinho e Jorge Henrique. Paolo Guerrero mais uma vez é opção no banco.


Do lado vascaíno, a grande ausência será o zagueiro Dedé. Mais uma vez o craque cruzmaltino não enfrentará o Timão. Se no torneio sul-americano ele estava machucado, dessa vez ele está suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Diego Souza, aquele mesmo do gol perdido na frente do Cássio na partida de volta da Liberta, também não estará em campo. Ele foi vendido para o futebol do Oriente Médio há duas semanas. Os corintianos (principalmente o goleiro Cássio) vão sentir muito sua falta.


Enquanto se preparam para assistir à 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, os torcedores corintianos puderam comemorar uma data muito especial. Há exatamente um mês, em 4 de julho de 2012, o Timão vencia o Boca Juniors no Pacaembu com dois gols de Emerson Sheik e erguia o troféu mais esperado de sua história. Como se esquecer desse dia, né?! Se a torcida pôde celebrar a efeméride, os jogadores não conseguiram nem pensar no assunto. "O título modifica o reconhecimento que todos nós temos na rua. É invejável por muitos. Isso nos orgulha muito. Mas só vamos curtir realmente o título quando entrarmos de férias, inclusive o técnico”, disse Tite, encerrando o assunto. O pensamento agora é o Brasileirão!


5 de agosto de 2012 - domingo


O clássico entre Corinthians e Vasco da Gama, duas das melhores equipes do país na atualidade, começou alguns minutos antes das 16 horas. Por causa da inexplicável antecipação, a transmissão da Rede Globo quase perdeu o apito do juiz. Assim, a emissora carioca não apresentou as escalações nem permitiu que os repórteres de campo passassem as últimas informações sobre o jogo. Incomodado com a postura da líder de audiência em começar suas coberturas esportivas tão em cima da hora, mudei imediatamente para a Bandeirantes. Ali, Téo José narrava e Neto comentava.


A primeira chance de gol foi do Vasco. Juninho Pernambucano bateu falta na ponta esquerda e a bola passou por cima dos atacantes. Como ninguém tocou nela, ela saiu mansinha pela linha de fundo. No lance seguinte, o Timão respondeu. Jorge Henrique chutou de fora da área e o goleiro vascaíno teve que espalmar para aliviar o perigo. Cinco minutos depois, Douglas bateu falta para o Corinthians. O goleiro do time da casa não segurou e a bola sobrou para Romarinho dentro da área. O atacante chutou, mas a bola foi desviada pelo zagueiro adversário para escanteio. Uhhhhh.


Os bons momentos iniciais deram a falsa impressão de que a partida seria boa. Infelizmente, o restante do primeiro tempo foi monótono. O Vasco não conseguia passar pela forte defesa dos visitantes e o Corinthians criava jogadas sem conseguir finalizar ao gol. A ausência de um centroavante matador continuava prejudicando o esquema tático corintiano. Os atacantes do Parque São Jorge estavam bem: tabelavam e chegavam até a área adversária. Contudo, ninguém chutava com perigo. Douglas era novamente o melhor em campo. Foi dele a oportunidade mais insinuante do primeiro tempo. O meia recebeu sem marcação um ótimo lançamento de Jorge Henrique. A cabeçada do Maestro bateu no chão e subiu. Fora!


Como já é tradição no Timão, a equipe corintiana voltou muito melhor no segundo tempo. Não sei o que o Tite fala ou faz nos vestiários durante os intervalos. Só sei que funciona. A pressão dos campeões da América foi intensa. Jorge Henrique perdeu dois gols na frente do goleiro. INACREDITÁVEL! A coleção de defesas do arqueiro cruzmaltino foi se ampliando: chute de Romarinho, arremate de Douglas e finalização fraca de Paulinho. Enquanto isso, Cássio assistia à partida tranquilamente em seu canto.


Precisando vencer, os dois técnicos resolveram mudar. Tite colocou Guerrero no lugar de Jorge Henrique e Ramirez substituiu Romarinho. O Vasco também alterou seus atacantes. Nos quinze minutos finais, a equipe de São Januário teve algumas chances. Em todas, Cássio saiu bem do gol e interceptou as jogadas dos adversários.


Placar final no Rio de Janeiro: Vasco da Gama 0, Corinthians 0. Se a defesa do Timão está em ótima forma (não é vazada há três partidas), o ataque chega ao segundo jogo inoperante. É algo que deve estar preocupando o treinador. Com o empate, tanto Vasco quanto Corinthians permanecem nas mesmas posições que começaram a rodada (os cariocas na vice-liderança e os paulistas no meio da tabela).


6 de agosto de 2012 - segunda-feira


O título da Libertadores mudou a vida dos corintianos. Isso é inegável. Na minha vidinha em especial, a principal transformação foi que agora divulgo sem hesitação que estou escrevendo O Ano que Esperávamos Há Anos. Aquele receio inicial de parecer louco desapareceu. Quase todos que convivem comigo já estão sabendo (e curiosamente não me censuram mais). Hoje, recebi um e-mail da minha amiga Hanna: "Ricardinho, saudades enormes de vc! Tudo bem comigo e com vc? Tenho certeza de que você irá publicar o livro. Ele deve estar demais!!! Mas vi no site do Estadão que lançaram um livro do Timão na Libertadores. Dá uma procurada. Bjs".


Uma obra parecida com a minha?! Ai meu Deus! Eu me esforçando para escrevê-la e um maledetto tem a mesma ideia. E, o que é pior, lança antes! Ainda atordoado com tal informação, coloquei uma roupa apropriada para o frio paulistano e fui até minha livraria favorita. Precisava ver a publicação citada pela Hanna o mais rápido possível. Queria vê-la pessoalmente. Na loja, uma atendente me trouxe o título.


Tratava-se do livro "Corinthians: Todo-Poderoso Campeão da Libertadores 2012", da editora Panda Books. Diferentemente da minha expectativa, a obra era essencialmente um registro fotográfico da campanha corintiana no torneio sul-americano. O fotógrafo Daniel Augusto Jr. captou pelas lentes de sua câmera todos os jogos do Timão. As imagens são belíssimas. Há também a ficha técnica de todas as partidas do clube, as escalações dos times, os autores dos gols e as informações básicas dos confrontos. Um CD acompanha o material impresso e contém a narração radiofônica da final contra o Boca e de todos os gols do Corinthians na competição. Adorei o livro e em alguns segundos estava na fila do caixa para adquiri-lo.


No caminho de volta para casa, um pensamento me passou. O livro recém-comprado era completamente diferente daquele que estava escrevendo. O Ano que Esperávamos Há Anos é o relato sincero de um torcedor comum dos 366 dias mais emocionantes vividos pelos corintianos. Mais do que uma obra sobre a Libertadores e sobre o Timão, O Ano é um documento sobre minhas emoções ao longo de 2012. Minha narrativa trata sim da campanha vitoriosa dos jogadores alvinegros no torneio sul-americano, mas traz muito mais: fala dos outros campeonatos, descreve a montagem do elenco pelo técnico Tite, relata o trabalho da diretoria no Parque São Jorge, comenta cada partida sob olhar da torcida e analisa o cotidiano do time e dos torcedores. E, principalmente, aborda os medos, as preocupações, os sofrimentos e a alegria da nação mais preta e branca do mundo. Mesmo tendo adorado o livro do Daniel Augusto Jr., sei o quanto o meu também pode ser interessante, valioso e único.


Já em casa, escolhi um belo canto na minha estante para o "Corinthians: Todo-Poderoso Campeão da Libertadores 2012". Depois, coloquei o CD no aparelho de som e o ouvi inteirinho. Enquanto meus ouvidos captavam a emocionante narração, respondi ao e-mail da minha amiga: "Obrigado, Hanninha. Acabei de comprar o livro. Ele é muito bom! Contudo, o meu é bem diferente. Prometo te presentear com um exemplar quando ele for publicado".


7 de agosto de 2012 - terça-feira


O próximo desafio do Timão no Campeonato Brasileiro é amanhã à noite no Pacaembu. O adversário é o Atlético Goianiense. Os goianos estão na penúltima colocação com apenas nove pontos (a lanterna é do Figueirense com oito pontos) e vêm jogando muito mal. Ou seja, essa é uma ótima chance para o Corinthians vencer bem, fazer muitos gols e acabar com a sequência incômoda de empates em 0 a 0.


Além da possibilidade de obtenção dos três pontos, outra questão chama a atenção para o jogo de quarta-feira. O técnico Tite deverá voltar a escalar a equipe com um meia-armador e três atacantes (esquema tático 4-3-3) depois de muito tempo sem usá-lo. Tudo por causa das dores na panturrilha de Danilo. O veterano meio-campista não tem condições para ir a campo e o treinador corintiano optou pela colocação do centroavante Guerrero em seu lugar. O camisa 9 ficará centralizado lá na frente e Romarinho e Jorge Henrique ficarão abertos pelas pontas. A armação do time ficará à cargo de Douglas, o único meia entre os titulares.


Vale lembrar que o esquema tático 4-3-3 foi o mais usado no ano passado e era a primeira opção do técnico gaúcho para a temporada de 2012. Como Liedson teve uma grande queda de rendimento, Alex entrou em seu lugar e não saiu mais. Aí foi preciso adaptar a formação para o 4-4-2. Com a escalação mais tradicional com dois armadores, o Timão conseguiu conquistar a Copa Libertadores e ter uma defesa quase intransponível. O problema, entretanto, ficou com o ataque. O setor ofensivo se tornou menos poderoso e os gols se tornaram artigo escasso no Parque São Jorge. Para a Libertadores, essa característica não foi um grande problema, pois a defesa compensava a pouca produtividade do ataque não sofrendo quase nenhum gol.


A luz amarela foi acesa quando o Corinthians voltou as atenções para o Brasileirão, campeonato de pontos corridos no qual os gols são mais necessários. Com dois homens de frente sem muito faro de artilheiro (Jorge Henrique e Romarinho), o placar teima em não sair do zero. Quando um gol é feito pelo Timão, pode reparar, geralmente não é um atacante quem balança as redes. Curioso isso, né? Nas últimas sete partidas, o Corinthians fez apenas nove gols. Deles, o meio campo foi responsável por sete (Danilo e Douglas fizeram três cada um e Paulinho um) e a defesa por dois (Chicão fez ambos de pênalti). Os atacantes não fizeram nenhum! Para piorar, Emerson, nosso melhor avante, está machucado.


Com uma equipe mais ofensiva, é bem possível que o ataque do Timão volte a marcar. Por isso, gosto da opção tática com três atacantes. Não é possível termos de contar sempre com os gols de defensores e dos meio-campistas para balançarmos as redes, né? O ataque precisa voltar a funcionar urgentemente! As esperanças passam pelos pés de Guerrero e de Martínez. O peruano estreará como titular enquanto o argentino ficará pela primeira vez no banco de reservas. A expectativa é que ele entre no segundo tempo. Com Chicão recuperado de contusão, o Corinthians escalado para a próxima rodada é o seguinte: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Douglas; Jorge Henrique, Romarinho e Paolo Guerrero.


8 de agosto de 2012 - quarta-feira


A noite agradável de quarta levou 24 mil torcedores ao Pacaembu. A grande diferença de pontos na classificação e a disparidade de qualidade entre os jogadores do Timão e do Atlético Goianiense davam a certeza de vitória aos torcedores corintianos. Os mais otimistas esperavam uma goleada. O jogo começou aos gritos de "Vamos, vamos Corinthians! Esta noite, teremos que ganhar" vindos da arquibancada.


Os quinze primeiros minutos foram condizentes com as expectativas da Fiel Torcida. Os donos da casa pressionaram muito e estavam na iminência de inaugurar o placar. Douglas deu ótimo passe para Romarinho na entrada da área. O atacante pegou mal na bola e a jogou longe. Minutos depois, o camisa 10 corintiano cobrou falta e exigiu bela defesa do goleiro adversário. O melhor momento dos alvinegros na primeira etapa aconteceu aos 14 minutos. Paulinho cruzou da direita e Jorge Henrique cabeceou muito próximo à trave. Uhhhhh. Quase o primeiro tento da noite.


À medida que a primeira etapa corria, o Atlético-GO começava a sair mais nos contra-ataques. Na primeira oportunidade dos visitantes, o lateral-esquerdo do time goiano chutou cruzado rente à trave de Cássio. Quase! O Corinthians tinha mais chances, mas os lances mais perigosos eram dos visitantes. Nos 20 minutos antes do intervalo, o jogo ficou completamente aberto. O lá e cá indicava que o gol poderia sair a qualquer instante de algum dos lados. No fim, o 0 a 0 prevaleceu.


O segundo tempo foi mais emocionante. Logo de cara, o Atlético aproveitou uma falta cruzada na grande área corintiana para marcar. Gol dos visitantes! O centroavante goiano aproveitou vacilo de Cássio e cabeceou para o fundo das redes. 1 a 0. O Corinthians então se lançou desesperadamente para o ataque. Jorge Henrique empatou de cabeça, mas o juiz marcou falta do camisa 23. Um absurdo! O gol foi legal, Jorge nem tocou no adversário na hora do cabeceio.


Precisando reagir, Tite resolveu tornar sua equipe mais ofensiva. O gaúcho tirou Alessandro e colocou Martínez (Jorge Henrique virou lateral-direito) e substituiu Douglas por Ramirez. As chances dos mandantes se multiplicavam. Ralf e Paulinho perderam gols feitos dentro da pequena área. Depois de tanta pressão, Romarinho fez jogada pela direita e cruzou rasteiro. Paulinho chutou forte de primeira. Gol! Jogo empatado. O Timão teve outras boas oportunidades até o final, mas o segundo gol não quis sair. A partida terminou mesmo 1 a 1.


Pela terceira vez seguida no Brasileirão, o Corinthians ficava na igualdade. Dessa vez, a sensação era de derrota. Afinal, o adversário era o saco de pancada do campeonato e o duelo fora no Pacaembu. A formação com três atacantes também não funcionou. Douglas sozinho na armação das jogadas foi o pior em campo. Foi substituído sob vaias. Paolo Guerrero não conseguiu chutar nenhuma vez ao gol. Muito pouco para um centroavante com seu gabarito. Os atacantes passaram mais uma partida sem marcar. Agora são oito partidas em jejum. A torcida deixou o estádio municipal decepcionada com o resultado e com a atuação da equipe.


9 de agosto de 2012 - quinta-feira


O empate com o Atlético-GO em casa surpreendeu a todos. Chicão foi o primeiro a se dizer espantado com o placar da partida. “É um resultado que a gente não esperava, com todo respeito. Eles defenderam o tempo todo, jogaram uma bola e conseguiram o gol”, lamentou o camisa 3.


O técnico Tite reconheceu o mau futebol da equipe, mas preferiu sair em defesa dos jogadores. Para o treinador, o baixo desempenho em campo na quarta-feira era explicado pela ausência de vários atletas titulares do primeiro semestre. Sem eles, o entrosamento do time naturalmente diminui. “É um reajuste natural que temos que passar por isso. Estamos sem quatro ou cinco (jogadores) que terminaram a Libertadores. Você não consegue fazer isso sem aquela fluência”, declarou Tite, lembrando que Danilo e Emerson Sheik, lesionados, não enfrentaram o Atlético-GO e Leandro Castán e Alex não compõem mais o grupo corintiano.


Outra questão debatida pelo técnico foi o esquema tático. A utilização do 4-3-3 não foi tão positiva. Os jogadores do Timão não se acharam em campo. Ao invés de proporcionar mais ofensividade, a nova engrenagem gerou confusão e enfraqueceu a defesa alvinegra. O Atlético chutou dez bolas ao gol de Cássio, a maioria com muito perigo. Se os visitantes tivessem caprichado um pouco mais nas finalizações, poderiam ter saído com uma bela vitória do Pacaembu.


“Quando se mexe num jogador (tirando um meia e colocando mais um atacante), o time passa por processo de adaptação. Eu não quero e não aceito quando perde em organização. Mas o time fez (uma partida) abaixo do que é normal”, acrescentou o gaúcho. Pelo visto, Tite só voltará a escalar a equipe com três homens de frente depois de treinar muito o esquema tático.


A única boa notícia do duelo da quarta-feira foi a estreia do argentino Martínez. Ele entrou no segundo tempo e atuou por meia hora. O novo camisa 7 foi bem: acertou a maioria dos lances e mostrou muita vontade. Martínez promete dar trabalho aos adversários quando estiver em forma. É um belo reforço que conseguimos.


Quem ainda não demonstrou bom futebol com a camisa corintiana foi o centroavante Paolo Guerrero. Em quatro jogos pelo Timão, o peruano ainda não conseguiu chutar ao gol adversário. Ontem, no primeiro jogo como titular, ele perdeu nove bolas para os adversários. Guerrero trombou com os zagueiros, demonstrou vontade, mas foi pouco efetivo. Ainda falta ritmo de jogo para ele.


O Corinthians segue com a série invicta, agora de sete partidas. Se não perde há mais de um mês, podemos também dizer que não vence há três rodadas. Com a sequência de empates nas últimas partidas, o Timão não sabe qual é o sabor de ganhar os três pontos há 15 dias. Dessa maneira, a pretensão de galgar posições na tabela de classificação do Brasileirão foi interrompida. Cada vez mais, a conquista do título nacional da temporada de 2012 fica mais difícil e distante do Parque São Jorge.


10 de agosto de 2012 - sexta-feira


Minha sexta-feira foi inteiramente dedicada à Bienal do Livro de São Paulo. No principal evento editorial do país, as maiores editoras, livrarias e distribuidoras brasileiras se reúnem para apresentar as novidades ao mercado. Nessa que é a 22ª edição da Bienal, a expectativa dos organizadores é que aproximadamente 800 mil pessoas visitem o Centro de Convenções do Anhembi nas duas semanas do evento.


Diferentemente da maioria dos visitantes que percorre os estandes com o intuito de comprar obras com desconto, de adquirir em primeira mão os lançamentos mais aguardados ou de simplesmente passear pelo local, minha intenção era pesquisar quais editoras poderiam se interessar pelo O Ano que Esperávamos Há Anos. Para descobrir, precisei analisar atentamente o perfil editorial de cada empresa. Conversei também com os representantes das principais companhias. Percorri os 60 mil metros quadrados da feira em um dia inteiro. Saí da Bienal morto de cansado, mas bastante feliz. A esperança de ver essa obra publicada foi renovada. Acredito que encontrei algumas editoras que podem publicar a saga desse corintiano maloqueiro e sofredor.


Não sei se comentei, mas nas últimas seis semanas revisei completamente as páginas do meu livro. Retomei os acontecimentos desde o primeiro dia de 2012 e analisei os textos página a página. Basicamente, corrigi os erros de português e fiz alterações para tornar a leitura mais agradável. Não mexi na essência dos relatos, apenas tentei melhorá-los. Espero ter deixado a obra mais interessante.


Pensando em ter uma opinião prévia de como O Ano que Esperávamos Há Anos está ficando, combinei com meu amigo Paulo para ele fazer uma análise crítica da obra. Enviei o material feito até aqui e ele avaliará nas próximas semanas. Paulo Sousa é sempre o primeiro a ler meus livros (juntamente com o Roberto S. Inagaki). Foi assim com o Explosão da Inovação (2010), cuja temática envolvia o mundo empresarial. E será dessa maneira com as três obras que estou escrevendo em 2012: O Ano que Esperávamos Há Anos, O Ghost Writer (sobre Estratégia Empresarial que estou fazendo com o Sr. Inagaki) e o romance (que ainda não tem nome) sobre a História do Brasil. Assim que receber os comentários do Paulo e fizer as mudanças necessárias, estarei pronto para começar o envio dos originais para os editores.


Gostaria que O Ano que Esperávamos Há Anos fosse lançado ainda em 2013. Acredito que os corintianos ainda estarão eufóricos com a conquista do Mundial Interclubes em dezembro (tenho certeza de que iremos obter mais um troféu reluzente) e vão querer adquirir minha obra. Só não sei se será viável publicar o livro em um prazo tão curto. Acho quase impossível terminar o texto, revisar o material, encontrar uma boa editora e publicar O Ano nos próximos dois anos.


Se não der para lançá-lo em 2013, irei guardar a obra para apresentá-la em 2017 ou em 2022. Já pensou O Ano que Esperávamos Há Anos chegando aos leitores durante as comemorações dos cinco ou dos dez anos da conquista da nossa primeira Liberta, hein? Vai ser muito legal se utilizarmos a efeméride para a divulgação!


11 de agosto de 2012 - sábado


Até agora a Seleção Brasileira só havia conseguido chegar a duas finais olímpicas no futebol masculino. Em 1984 e 1988, os brasileiros ficaram com a medalha de prata. Como eu era muito pequeno naquela época, obviamente não me lembro de nada. Hoje, os jogadores da equipe canarinho disputaram a terceira final da competição, dessa vez no emblemático Estádio de Wembley. A partida foi contra o México e valia a medalha de ouro em Londres. Por se tratar de um jogo histórico, eu me preparei para acompanhar o confronto pela televisão. Na terça-feira passada, nas semifinais, o Brasil havia passado pelos sul-coreanos por 3 a 0 e os mexicanos derrotaram os japoneses na prorrogação por 2 a 0 (no tempo normal foi 2 a 2).


Os brasileiros entraram em campo nesse sábado de manhã como favoritos ao ouro, pois tinham Neymar, Oscar, Alexandre Pato e Thiago Silva, estrelas de primeira grandeza do futebol mundial. O adversário era formado por desconhecidos e inexperientes jogadores. Para piorar a situação dos mexicanos, Giovanni dos Santos, sua única estrela, ficou no banco de reservas por ter se machucado na última partida.


A zebra apareceu aos 30 segundos de jogo. Logo na saída de bola, o México marcou o gol em uma falha do lateral-direito brasileiro. Com a inferioridade no placar, os jogadores comandados pelo técnico Mano Menezes se perderam em campo e não conseguiram jogar bem. Mesmo com a melhora no segundo tempo, ainda sim foi pouco para quem almejava o título. No final da partida, os mexicanos ampliaram o marcador. O resultado só ficou em 2 a 1 porque, no último lance, o Brasil conseguiu descontar. Festa mexicana em Londres.


Pela terceira vez, a seleção verde-amarela volta com a medalha de prata no peito. Uma grande decepção para quem esperava o 1º lugar. A desilusão é ainda maior porque os jogadores que disputaram as Olimpíadas formam a base do nosso time que atuará na próxima Copa do Mundo. Tempos difíceis esses para o Brasil!


Para me animar um pouco, depois de tanto desapontamento, comprei o jornal O Lance! à tarde para ler sobre o time que realmente me dá alegrias. As notícias do Timão para domingo eram boas. O técnico Tite poderá escalar força máxima contra o Coritiba no duelo de amanhã na capital paranaense. Com a recuperação de Danilo, o Corinthians voltará ao esquema tático 4-4-2, com o camisa 20 formando dupla na armação de jogadas com Douglas. Paolo Guerrero volta para o banco de reservas. O time corintiano irá assim para o próximo desafio: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Douglas e Danilo; Romarinho e Jorge Henrique.


O jogo de amanhã é considerado o confronto entre o pior ataque da competição (infelizmente o Timão tem esse nada honroso desempenho) e a pior defesa do nacional (essa marca é do Coxa). Se o ataque do Corinthians não balançar as redes dessa vez, acho que nunca mais conseguirá. Torcemos para que tudo dê certo e que as vitórias voltem para o lado do Parque São Jorge o mais rapidamente possível.


12 de agosto de 2012 - domingo


Coritiba e Corinthians foram a campo no estádio Couto Pereira precisando vencer. Os paranaenses, vice-campeões da Copa do Brasil, vinham de duas derrotas consecutivas e flertavam com a zona de rebaixamento. Uma nova derrota ou mesmo um empate em casa complicaria ainda mais a vida do Coxa Branca. O alvinegro paulista estava invicto a sete partidas. Os três pontos se faziam necessários porque o Timão apenas empatara nas três últimas apresentações. Perdeu, assim, algumas posições na classificação e teve interrompida a ascensão ao topo da tabela.


O jogo começou muito parecido aos dois últimos confrontos do Corinthians fora de casa (contra Bahia e Vasco da Gama). A equipe de Tite dominava as ações ao permanecer com a posse da bola e não dava espaços para o adversário atacar. O maior volume dos visitantes, todavia, não se transformava em jogadas de perigo lá na frente. O time tocava a bola para lá e para cá. Porém, nada de um chute a gol. Essa foi a tônica do primeiro tempo. O único lance de perigo dos campeões sul-americanos aconteceu em um arremate de fora da área de Romarinho. O goleiro paranaense pegou com facilidade. Quando todos se preparavam para voltar para o vestiário com o empate de 0 a 0, o Coritiba arranjou um bom ataque aos 45 minutos. Em uma troca de passes envolvente, o atacante do Coxa ficou na frente de Cássio e fuzilou. Gol do Coritiba. No primeiro e único ataque dos mandantes, eles abriram o placar. Injustiça!


No segundo tempo, Tite mexeu. O gaúcho colocou Paolo Guerrero e Martínez e sacou Douglas e Fábio Santos. A ordem era atacar. A nova formação com mais atacantes logo se mostrou exitosa. As chances de gol do Timão brotavam de todos os lados. Em menos de cinco minutos, os alvinegros já haviam chutado mais ao gol do que na primeira etapa inteira. O efeito colateral da postura mais ofensiva estava nos maiores espaços deixados lá atrás. Se aproveitando disso, o Coritiba também teve suas chances. Cássio evitou a ampliação do resultado negativo. O jogo ficou lá e cá, muito bom de se assistir.


Aos 24 minutos, Jorge Henrique, transformado em lateral-esquerdo com a saída de Fábio Santos, cruzou. Paulinho cabeceou para marcar seu 24º gol com a camisa mosqueteira. Partida empatada! O gol mexeu com a estabilidade emocional dos jogadores mandantes. Eles se perderam completamente. Os corintianos, por sua vez, cresceram. Martínez era o melhor jogador em campo. O novo dono da camisa 7 do Coringão armava jogadas, cabeceava, chutava para o gol e fazia lançamentos primorosos. Em uma das jogadas iniciadas pelo argentino, aos 45 minutos, Paulinho cruzou. E Romarinho de letra colocou para dentro. Golaço de Romarinho!!! Virada do Timão em Curitiba. Enquanto os corintianos comemoravam mais um belo gol do camisa 31, o juiz terminou a partida.


A vitória permitiu ao Corinthians voltar para a 10ª colocação do Brasileirão (são 21 pontos ganhos). A série invicta passou para oito partidas. O mais importante foi ter visto o ataque voltar a jogar bem e a marcar. Romarinho acabou com o jejum de gols e Martínez mostrou-se um craque. A alma da Fiel Torcida ficou mais leve nessa noite.


13 de agosto de 2012 - segunda-feira


Futebolisticamente falando, o final de semana foi farto em polêmicas. A maioria ainda repercute. A derrota brasileira na final das Olimpíadas e as péssimas apresentações da equipe de Mano Menezes foram mal-recebidas pela torcida e pelos cartolas da confederação. A demissão do treinador é quase um consenso de Norte a Sul. Antes mesmo do presidente da CBF tomar a decisão, os jornalistas esportivos já começam a ventilar os nomes dos prováveis postulantes ao cargo. Os favoritos são Luiz Felipe Scolari do Palmeiras, Muricy Ramalho do Santos e Tite do Corinthians. Tite do Corinthians?! Nem brinquem com isso! É verdade, nosso técnico é atualmente o melhor do país, mas tirá-lo agora do Timão, no meio da preparação para o Mundial, nem pensar. Vamos deixar o Tite pelo menos até o final do ano no Parque São Jorge (por que os dirigentes corintianos não fazem um contrato de quatro ou cinco anos com o gaúcho?) e vamos colocar outro nome na equipe nacional. Estamos combinados?


Outro tema polêmico dos últimos dias foi a venda milionária do atacante Lucas do São Paulo para o Paris Saint-Germain por R$ 108 milhões (cerca de 43 milhões de euros). Trata-se da maior transação da história do futebol brasileiro. Os são-paulinos estão empolgados com a bolada que vão receber. Eles já fazem planos de investimento. O mais curioso é como os torcedores do tricolor aproveitaram o episódio para provocar um pouco os rivais corintianos. Veja o diálogo travado entre meu tio e meu pai no último domingo, em pleno Dia dos Pais. "O Lucas sozinho vale mais do que aquele timinho inteiro de vocês que teve a sorte de vencer a Libertadores", disse meu tio são-paulino. "É, tem time que ainda precisa vender jogador para faturar. O Corinthians recebeu quase esse montante da Globo (R$ 60 milhões) pela audiência da Libertadores e não precisou vender ninguém. Pelo contrário, tem contratado", rebateu meu pai para delírio dos alvinegros presentes na reunião familiar.


Outro tema de destaque na mídia é a excelente campanha do Atlético Mineiro. O Galo venceu mais uma partida no último domingo. Chegou a 38 pontos ganhos e está três a frente do Fluminense, o vice-líder. Vale lembrar que o Atlético tem uma partida a menos, pois o confronto com o Flamengo foi adiado para setembro. Dessa maneira, os atleticanos têm um incrível aproveitamento de 84% (12 vitórias, 2 empates e 1 derrota). Faltando quatro jogos para o término do turno, o Galo pode superar a campanha do Grêmio de 2008 (41 pontos ganhos naquele 1º turno), o melhor da história. Mesmo com a liderança folgada, o clima começa a desandar por lá. No final de semana, Ronaldinho Gaúcho brigou com o presidente atleticano por esticar as baladas e se atrasar para comparecer à concentração do time. Quase foi expulso do clube (na verdade, ele foi expulso, mas os demais jogadores pediram para o comandante máximo rever a decisão, o que foi feito em seguida). Será o prenúncio de uma futura queda do líder do Brasileirão nas próximas rodadas? Tomara!


Para encerrar, a arbitragem do Brasileirão tem sido protagonista em vários jogos, com erros absurdos e interferência indevida nos placares. A maioria dos times tem reclamado da atuação dos juízes. Ainda bem, o Timão não tem sido muito (eu disse muito!) afetado, apesar de toda partida ter um pênalti a seu favor não marcado...


14 de agosto de 2012 - terça-feira


A vitória de virada sobre o Coritiba trouxe de volta a tranquilidade e a alegria aos jogadores corintianos. No CT Joaquim Grava, o mais empolgado era Romarinho. O jovem atacante havia feito três gols nos dois primeiros jogos com a camisa do Timão (Palmeiras e Boca Juniors). Depois disso, ficou várias partidas sem balançar as redes. Mesmo com as boas atuações, a pressão para o avante voltar a marcar era grande, principalmente porque os atacantes não faziam gol há mais de um mês. E quem marcou naquela oportunidade foi Liedson, agora fora do clube.


Com o golaço feito aos 45 minutos do segundo tempo, Romarinho pode respirar aliviado. “Com certeza eu estava precisando deste gol. O Tite me deu confiança e liberdade. Felizmente deu tudo certo. Foi uma jogada feliz e um gol bonito. Mas o importante é o resultado”, disse a revelação alvinegra para a rádio Estadão/ESPN após a partida. Curioso que o camisa 31 não sabe fazer gol feio. Todos os seus quatro tentos pelo Timão foram espetaculares. Agora alguém precisa ensinar o garoto a marcar alguns gols feinhos também, porque eles valem tanto quanto os bonitos.


Quem também surpreendeu positivamente no domingo foi Martínez. O novato é realmente um grande jogador! Pela atuação no segundo tempo em Curitiba, deu para perceber como o argentino é diferenciado: sabe chutar bem, é habilidoso, toca a bola com competência e é inteligente. Quando ele entrar em forma, será titular do ataque corintiano em um piscar de olhos. Uma dupla com ele e Emerson lá na frente é certeza de muitos gols. E por falar do camisa 11, Sheik já está treinando. Ele está recuperado da lesão no tornozelo esquerdo e pela primeira vez em duas semanas foi ao gramado nessa terça-feira. Ele apenas correu em volta do campo, mas tudo indica que seu retorno ao time está cada vez mais próximo. Possivelmente ele estará entre os titulares no clássico do próximo domingo contra o Santos na Vila Belmiro.


Aqui vão outras notas sobre o elenco alvinegro. O Corinthians emprestou Élton para o Vitória até o final do ano. O centroavante, que não conseguiu demonstrar bom futebol e estava encostado, jogará pela equipe baiana na Série B. Se uns vão, outros chegam. Depois de meses e meses de negociação, o volante Guilherme da Portuguesa foi anunciado como o novo reforço do Timão. A jovem promessa assinou contrato de cinco anos com a equipe do Parque São Jorge. Deve ser o reserva imediato de Ralf. Para contar com o volante de 21 anos, o Corinthians pagou R$ 7 milhões por 70% do passe do atleta (o restante continua nas mãos de empresários e do jogador). Guilherme vem para suprir a carência de primeiro volante do elenco corintiano. É um excelente reforço para o Brasileirão e para o Mundial de Clubes da FIFA.


Nem tudo são flores para a comissão técnica nessa semana. A próxima partida é na quinta-feira contra o Internacional, um dos favoritos ao título. Tite não poderá contar com seis jogadores: Romarinho (suspenso), Paulinho, Paolo Guerrero e Ramirez (nas respectivas seleções), Edenílson (machucado) e Emerson (retomando o preparo físico). Ou seja, o treinador deverá quebrar a cabeça para escalar a equipe.


15 de agosto de 2012 - quarta-feira


Corinthians e Internacional. Esse jogo tem história! A rivalidade entre paulistas e gaúchos cresceu substancialmente nos últimos anos. Os colorados são os maiores vencedores do país no século XXI com 14 conquistas importantes (8 Gauchões, 2 Libertadores, 1 Mundial, 1 Copa Sul-Americana e 2 Recopas Sul-americanas). O Timão vem logo atrás com 9 troféus relevantes (3 Paulistões, 1 Rio-São Paulo, 2 Campeonatos Brasileiros, 2 Copas do Brasil e 1 Libertadores).


Repare que a maioria dos títulos do Internacional aconteceu no cenário continental, enquanto os troféus corintianos se concretizaram quase que exclusivamente no âmbito nacional. É justamente essa a diferença que acirra a rivalidade entre as agremiações. Os colorados não vencem o Campeonato Brasileiro desde 1979 e a Copa do Brasil desde 1992. Nos últimos anos, quando esteve mais perto de ganhá-los (Copa do Brasil de 2009 e Campeonato Brasileiro de 2005), o Inter perdeu para a equipe do Parque São Jorge. Já os corintianos olham com inveja a galeria de conquistas internacionais do adversário, almejando incorporá-las também ao seu currículo.


Com tal ingrediente, as duas equipes irão ao gramado do Pacaembu amanhã para o confronto direto. Os gaúchos estão na sexta posição do Brasileirão e querem o título. Os paulistas estão no meio da tabela e precisam subir mais. O único ponto negativo do duelo é a série de desfalques que os dois times têm. A ausência de vários jogadores importantes no Timão fez o técnico Tite optar pela seguinte escalação: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Willian Arão, Douglas e Danilo; Martínez e Adílson.


As grandes surpresas do time corintiano estarão na reserva. Com a falta de jogadores para compor o grupo, o treinador relacionou vários jovens (Denner, Marquinhos, Giovanni) e o chinês Zizao para o banco. Lembram-se do chinês? Ele continua no clube e voltará a acompanhar uma partida oficial da suplência. A última vez que Zizao foi relacionado tem exatamente quatro meses. Ele era um dos corintianos à disposição do técnico no jogo contra a Ponte Preta na última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista. Tite já afirmou que não o colocará em campo dessa vez, pois ele ainda não fez treinamentos suficientes para ir ao gramado.


Se do lado alvinegro os desfalques são numerosos, no Internacional podemos dizer que as ausências formam um time inteiro. Com jogadores convocados pelas seleções brasileira, argentina e uruguaia, com as suspensões, os contundidos e os atletas recém-contratados em fase de recondicionamento físico, o treinador colorado deverá colocar em campo uma equipe quase inteira de reserva.


Se no papel o Inter possui um dos elencos mais fortes do Brasil, na prática seus torcedores são obrigados a assistir aos jogos com os jogadores coadjuvantes. Tudo por culpa do calendário do futebol brasileiro que atrapalha as equipes mais talentosas. Não é errado afirmarmos que estarão em campo no Pacaembu amanhã o Corinthians B enfrentando o Internacional C. É uma pena para o espetáculo.


16 de agosto de 2012 - quinta-feira


Como vem ocorrendo nas partidas em casa do Timão após a conquista da Copa Libertadores, a torcida corintiana não decepcionou. Ela compareceu em bom número ao Paulo Machado de Carvalho na noite dessa quinta-feira. Aproximadamente 28 mil corintianos foram ao estádio para ver Timão e Internacional de Porto Alegre pelo Campeonato Brasileiro. Mesmo com os vários desfalques dos dois lados, o jogo valia pela rivalidade crescente entre as agremiações.


E o duelo começou com tudo! Aos 40 segundos, o centroavante colorado cabeceou a bola para as redes de Cássio. Enquanto a torcida vermelha e branca comemorava, o juiz marcava impedimento. Realmente ele estava adiantado: posição ilegal! No lance seguinte, o Timão foi para o ataque. Adilson fez boa jogada pela esquerda. No meio de três marcadores, o atacante conseguiu chutar para o gol. O goleiro gaúcho bateu roupa e a bola se insinuou para Danilo. Infelizmente, o zagueiro visitante tirou a redonda da área antes que o meio-campista corintiano pudesse arrematar. Quase!


Depois disso, a partida ficou sonolenta e sem grandes atrativos. As duas equipes erravam muitos passes e não conseguiam chegar ao gol adversário. Não ocorreu mais nenhuma jogada perigosa até o intervalo. O Corinthians estava bem na defesa, mas o meio campo não criava boas jogadas para os atacantes. Adilson e Martínez precisavam recuar para receber a bola. Assim, o placar de 0 a 0 me pareceu justo, muito justo, justíssimo.


O segundo tempo manteve a tônica da primeira etapa. As equipes marcavam bem e os ataques estavam pouco inspirados. Como solução para chegar ao gol, os times procuravam os cruzamentos aéreos na grande área. Primeiro, o Corinthians cobrou com Douglas uma falta no meio campo. O goleiro do Inter pegou fácil no alto. Na sequência do lance, o arqueiro deixou a bola escorregar na frente de Adilson. O atacante quase aproveitou. Uhhh! O goleirão estava louquinho para nos entregar um gol. O Internacional também tentou alguns cruzamentos para seu centroavante. Quando a bola não ia para fora, Cássio estava lá para defender.


Aos 23 minutos, Fábio Santos sofreu falta na lateral esquerda. Douglas cobrou em direção à área. Aproveitando-se da altura e da boa impulsão, Paulo André cabeceou no ângulo. Indefensável! Gol do Corinthians!!! 1 a 0 no Pacaembu. Com a vantagem, a equipe da casa teve a calma e a paciência necessárias para tocar a bola e administrar o resultado até o final.


Os corintianos comemoraram mais uma vitória na competição. Mesmo com o fraco desempenho, eles foram embora felizes com os três pontos computados. O Timão chegou agora à 9ª colocação no campeonato. São 24 pontos ganhos. A diferença para o primeiro colocado caiu para 15 pontos. E estamos a apenas seis pontos do Internacional, o 5º na classificação. Estamos chegando! Invicto a nove partidas (cinco vitórias e quatro empates), o Corinthians vai com moral para os clássicos estaduais. Nas duas últimas rodadas do primeiro turno, enfrentaremos Santos e São Paulo.


17 de agosto de 2012 - sexta-feira


Já se passaram mais de 200 dias de 2012 e eu ainda não tive a oportunidade de falar de Fábio Santos no O Ano que Esperávamos Há Anos. Acho que o lateral-esquerdo é o único titular de Tite que ainda não mereceu uma descrição ou um comentário mais extenso da minha parte. Esse fato é justificado pelas características do jogador dentro e fora das quatro linhas. Fábio Santos é muito reservado e um pouco tímido. Seu futebol é extremamente regular. Dificilmente ele se destaca em campo, seja positiva ou negativamente. O camisa 6 é um jogador nota 6. Se não é excelente em nenhum fundamento, por outro lado não tem deficiências gritantes.


Fábio chegou ao Timão no começo da temporada passada vindo do Grêmio. A ideia da diretoria e da comissão técnica corintiana era ter um lateral-esquerdo para a reserva de Roberto Carlos, até então titular absoluto. Porém, logo no comecinho de 2011, aconteceu a fatídica partida contra o Tolima. Após viajar para a Colômbia, Roberto Carlos amarelou: não quis entrar em campo. Reclamou de incômodo muscular alguns instantes antes do apito inicial. Aí coube ao recém-contratado a tarefa de cuidar do lado esquerdo do Coringão. Fábio Santos não comprometeu, apesar da derrota e da eliminação traumática. Depois desse jogo, Roberto Carlos foi embora e a camisa 6 caiu no colo de Fábio.


Com atuações regulares, o novo lateral demorou a provar seu valor. Os elogios só vieram após oito meses da estreia. O divisor de águas na carreira de Fábio Santos no Parque São Jorge foi o clássico contra o São Paulo no segundo turno do Brasileirão de 2011. Se o Timão perdesse a partida, o título nacional estaria quase perdido. E possivelmente o treinador corintiano seria mandado embora. Vale lembrar que o Timão vinha de uma sequência de derrotas e os protestos da torcida se intensificaram.


Naquela oportunidade, Fábio Santos estava há várias semanas machucado e não tinha condições de jogo. Entretanto, como vários jogadores da defesa também estavam machucados, suspensos ou afastados, Tite teve que colocar Fábio no banco de reservas para completar o grupo. Ainda no primeiro tempo, para piorar as coisas, Leandro Castán se machucou. Sem outro defensor na suplência, coube ao ainda "baleado" camisa 6 entrar. E Fábio entrou. Sem estar totalmente curado da contusão e sem o preparo físico adequado, o lateral foi um leão no gramado e foi eleito um dos melhores em campo. O placar de 0 a 0 deixou o Corinthians ainda vivo na briga pelo título, mais tarde conquistado. E provou à torcida e à diretoria o valor do nosso lateral.


Fábio Santos nasceu na cidade de São Paulo e tem 26 anos. Mesmo jovem, é considerado um atleta veterano. Isso porque se tornou profissional com apenas 18 anos no São Paulo. Com 19, já era o titular da lateral-esquerda do Morumbi. Após altos e baixos na carreira, Fábio jogou no Cruzeiro antes de ir para a Europa. No Velho Continente, atuou pelo Mônaco. De volta ao Brasil, vestiu as camisas de Santos e Grêmio. Quando o Timão o contratou em janeiro do ano passado, a Lazio estava querendo contratar o atleta. O lateral-esquerdo do Timão é assim: discreto, simples e eficiente. Ele joga para o time e não para torcida.


18 de agosto de 2012 - sábado


Amanhã, teremos Santos e Corinthians na Vila Belmiro. Os rivais vivem momentos distintos no Campeonato Brasileiro. O Timão está na 9ª posição com 24 pontos e vem de uma boa série invicta. Os campeões da Libertadores chegam motivados e confiantes para o clássico. A ideia é subir ainda mais na classificação. Já o Santos ocupa apenas a 14ª posição com 20 pontos. A meta dos santistas é vencer a partida para apagar o mau desempenho do primeiro turno e se afastar de uma vez por todas da zona de rebaixamento. Se o campeonato de 2012 já parece perdido para a equipe da Baixada, o consolo será vencer o grande rival em casa. Essa é a maneira mais rápida de levar um pouco de alegria aos torcedores.


No futuro, alguém poderá ler O Ano que Esperávamos Há Anos e se perguntar: "Afinal, como o Santos de Neymar e Ganso, campeão da Libertadores da América de 2011, semifinalista da competição continental em 2012 e tricampeão Paulista entre 2010 e 2012, conseguiu fazer uma campanha tão ruim nesse Campeonato Brasileiro? Como chegou ao final da primeira metade do torneio próximo aos últimos colocados?".


A questão é válida e a explicação é simples. O Santos atuou com a equipe reserva em quase todas as partidas do campeonato nacional. No começo era para poupar os titulares para os desafios da Libertadores (algo feito também pelo Corinthians!). Com a eliminação na semifinal, os principais jogadores santistas foram convocados pela Seleção Brasileira. Depois de excursionar pela Europa e Estados Unidos, eles foram para as Olimpíadas de Londres. Dessa maneira, o técnico Muricy Ramalho perdeu suas grandes estrelas no primeiro turno inteiro. Somente agora Neymar, Ganso e o goleiro Rafael estão de volta à equipe da Baixada. Sem eles, os torcedores santistas tiveram que se acostumar com as derrotas e se contentar com as vitórias esporádicas.


Para o clássico com o Timão, o Santos estará completíssimo. Todas as estrelas já regressaram. O Peixe quer dar à sua torcida o gosto saboroso da vitória sobre o principal adversário. Se vencer a partida de domingo, os santistas se esquecerão da péssima campanha nos demais jogos do campeonato.


No lado corintiano, alguns desfalques são certos. Na lateral direita, Alessandro (suspenso) e Welder (machucado) não podem atuar. Com isso, o Timão terá a estreia do lateral Guilherme, vindo da Ponte Preta no final do Paulistão. Como agora há outro jogador com mesmo nome, recém-chegado da Portuguesa, o lateral será chamado de Guilherme Andrade e o volante ex-Lusa de Guilherme. Dá um pouco de medo de ver um jogador estreante e desconhecido incumbido de marcar Neymar no clássico? Dá! Porém, vamos torcer para Guilherme Andrade começar com o pé direito, né?


Na zaga, Chicão (suspenso) dá lugar a Wallace. No ataque, Jorge Henrique (continua no departamento médico) e Emerson (readquirindo forma física) seguem fora. O Corinthians escalado por Tite é o seguinte: Cássio; Guilherme Andrade, Paulo André, Wallace e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Douglas e Danilo; Romarinho e Paolo Guerrero.


19 de agosto de 2012 - domingo


A Vila Belmiro estava lotada para ver o clássico paulista mais antigo. Pela terceira vez no ano, Corinthians e Santos se enfrentavam no litoral. Se pelo campeonato regional o time da casa tinha vencido por 1 a 0, no jogo da competição continental foram os visitantes quem saíram com o triunfo mínimo. Impossível não nos lembrarmos do golaço de Emerson naquela oportunidade!


A partida começou e a primeira jogada de perigo foi do Santos. Após cruzamento da esquerda, a bola tocou no centroavante santista. Cássio foi obrigado a se esticar todo para defender. Depois do susto inicial, o Corinthians passou a dominar as ações. Primeiro foi Romarinho quem arriscou. O rápido atacante driblou o marcador e finalizou no cantinho. O arqueiro adversário fez ótima defesa. Depois foi Ralf quem mandou uma bomba de fora da área. Novamente o goleiro santista espalmou para escanteio. Romarinho e Guerrero tiveram outras oportunidades para abrir o marcador, mas falharam na hora da finalização. O gol corintiano só veio aos 30 minutos. Após cobrança de falta de Douglas no meio de campo, Danilo subiu mais alto do que a defesa anfitriã e mandou para o fundo das redes. Timão 1 a 0.


O primeiro tempo caminhava para a vitória tranquila dos visitantes quando na única boa jogada dos santistas, Neymar conseguiu passar por três defensores e cruzou. O centroavante do Santos só precisou encostar o pé na bola para mandar para o fundo das metas de Cássio. Jogo empatado: 1 a 1.


O segundo tempo começou com tudo para os campeões paulistas. Aos 3 minutos, o centroavante santista completou outro cruzamento e fez o segundo tento dele na tarde. Santos 2 a 1. No replay, foi possível ver o quanto o jogador estava em impedimento. Erro vergonhoso do bandeirinha. Timão prejudicado.


Em desvantagem e nervosos pelo erro do juiz, os corintianos se perderam em campo. O Santos passou a dominar a segunda etapa e vários gols foram perdidos. Cássio fechou o gol e evitou o que poderia ser uma goleada. O Timão só melhorou um pouco após a entrada de Martínez no lugar de Danilo. Em jogada individual do argentino, o Corinthians conseguiu empatar. O camisa 7 se livrou da marcação e mandou no cantinho. Gooool. Partida novamente empatada.


Enquanto os corintianos ainda comemoravam, o Santos conseguiu um escanteio. Na cobrança para a grande área, um defensor santista cabeceou livre. Gol do Santos. 3 a 2 para o Peixe. Aí não teve mais tempo para uma nova reação corintiana. Vitória dos campeões paulistas sobre os campeões da América.


Se o resultado não agradou a Fiel Torcida, pelo menos o jogo foi agradável de se ver, com boas jogadas das duas equipes. Enquanto o Corinthians foi bem melhor no primeiro tempo, o Santos foi superior no segundo. A única nota lamentável do clássico foi o erro do juiz. O segundo gol santista foi validado erroneamente. Fazer o quê? Desse mal, o futebol ainda não tem uma solução definitiva.


20 de agosto de 2012 - segunda-feira


"Errar é humano. Persistir no erro é burrice". Esse é um famoso ditado popular. Há também uma variação do mesmo provérbio que eu gosto muito: "Errar uma vez é humano. Duas é até compreensível. Mas errar três é burrice!".


Aposto que você já viu um bandeirinha validar um gol em impedido, né? É normal, infelizmente, acontecer algo desse tipo. Trata-se de um erro humano. Você já viu, no mesmo lance, acontecer dois impedimentos em sequência e mesmo assim o juizão legitimar tudo? Repare que não estou dizendo que havia dois jogadores impedidos na mesma jogada. Estou dizendo: um jogador recebeu em posição irregular e depois passou a bola para outro também em condição ilegal. Ok, mesmo assim poderíamos dizer que o engano do assistente é compreensível. E se nesse lance acontecerem três impedimentos seguidos, hein?!!! Um atleta passou para outro em posição irregular, que passou para um terceiro, também em impedimento, que por sua vez lançou para um quarto jogador, também adiantado. Você já viu uma bizarrice desse nível?!


Pois bem, o bandeirinha Emerson de Carvalho validou o segundo gol do Santos no clássico de domingo após três impedimentos do ataque santista em sequência. Eu confesso jamais ter visto um gol tão irregular como esse em toda a minha vida. Se não fosse trágica, a marcação do juiz poderia até ser encarada como engraçada.


A jogada, pela falha clamorosa da arbitragem, ganhou repercussão mundial. O lance foi repetido várias vezes nas televisões do planeta inteiro para a indignação dos esportistas. Por causa do erro e da dimensão do caso, Emerson de Carvalho acabou afastado pela Comissão Nacional de Arbitragem por um mês.


O ponto principal a ser debatido agora é por que não se insere de uma vez por todas o recurso eletrônico como ferramenta de auxílio ao juiz? Para quem estava em casa vendo o clássico pela televisão, deu para perceber na hora o impedimento – ou seriam os impedimentos?! Aí surge sempre alguém se opondo à modernização do esporte: "A graça do futebol é a polêmica, o gol marcado irregularmente ou o lance legal anulado erroneamente". Eu discordo dessa opinião. Tanto os corintianos estão chateados com a derrota injusta de ontem quanto muitos santistas devem estar envergonhados pela vitória irregular. O futebol já possui muitas polêmicas, muito mais interessantes para serem debatidas do que aquelas relativas à arbitragem. Para mim, quem defende os erros dos juízes está parado no tempo e preso ao passado medieval.


As partidas e os campeonatos não podem continuar sendo decididos pelas falhas dos juízes! Isso não faz o menor sentido. É claro, como corintiano, fiquei revoltado com a derrota de ontem. Porém, fiquei mais chateado pela forma como ela aconteceu. Se o Santos tivesse ganhado na bola, com um gol legítimo, tudo bem. É do jogo. Mas não foi isso o que aconteceu. Assim como não quero ver meu time prejudicado, também não quero ver minha equipe beneficiada pela arbitragem. Se o árbitro consultasse as imagens da TV, como já acontece em várias modalidades esportivas, os erros seriam menores. Espero estar vivo para ver isso acontecer um dia no futebol.


21 de agosto de 2012 - terça-feira


Enfim, estamos chegando à metade do Campeonato Brasileiro. No próximo final de semana, teremos a 19ª rodada, a última do 1º turno. Como já está virando tradição, esse é o final de semana dos grandes clássicos do futebol brasileiro. A CBF tem deixado para as últimas rodadas do 1º e do 2º turno do Brasileirão as partidas entre os rivais estaduais. Essa medida dá um tempero especial aos duelos derradeiros de cada turno. Mesmo que na última rodada os times não briguem por nada no torneio, a vontade de vencer o arqui-inimigo motiva os jogadores e mobiliza as torcidas. Além disso, evita-se que haja entrega de resultados para prejudicar o grande rival. Em duelos diretos, se alguém quiser atrapalhar os planos adversários precisa ganhar o jogo no campo.


A tabela para o próximo sábado e domingo está recheada de disputas emocionantes. No Rio de Janeiro, teremos Vasco da Gama contra Fluminense e Botafogo versus Flamengo. Belo Horizonte verá Cruzeiro e Atlético Mineiro. Em Porto Alegre, o duelo ficará à cargo de Internacional e Grêmio. Sport e Náutico movimentam a capital pernambucana. A cidade de São Paulo verá Palmeiras versus Santos e o grande jogo do final de semana, Corinthians e São Paulo. Para permitir aos clubes se prepararem melhor para esses confrontos, não teremos jogos no meio de semana.


Para os corintianos, está cada vez mais difícil conquistar o sexto campeonato nacional. A campanha espetacular do Atlético Mineiro em 2012 e o fraco desempenho dos jogadores do Parque São Jorge no início da competição, quando priorizaram a Libertadores, tornaram a primeira posição um sonho quase impossível para a Fiel Torcida. A diferença do líder Atlético para o décimo colocado Corinthians é de 18 pontos (e os mineiros ainda têm um jogo a menos).


Assim, a pretensão corintiana para os próximos três meses está em preparar o time para o Mundial de Clubes. Enquanto as partidas no Japão não chegam, nossa maior preocupação será ganhar os clássicos estaduais, os jogos que realmente valem a pena no Brasileirão. E dos duelos regionais, não há nenhum mais saboroso e esperado do que contra o São Paulo Futebol Clube.


Se o tricolor paulista detinha a hegemonia do futebol nacional entre os anos de 2005 e 2008 (quando foi campeão três vezes do Brasileirão e ganhou uma Libertadores e um Mundial), o Timão passou a dominar o cenário futebolístico após 2009 (sendo campeão do Paulistão, da Copa do Brasil, do Campeonato Brasileiro e da Libertadores da América). Esse contraste acirrou a rivalidade entre as agremiações nos últimos anos e alçou o Majestoso ao principal duelo do futebol paulista na atualidade. Esse é um jogo imperdível para corintianos e são-paulinos.


Como a partida desse turno será no Pacaembu, mando do Corinthians, resolvi assisti-la no estádio. No instante em que as bilheterias forem abertas para os torcedores não associados ao Programa Fiel Torcedor (meu plano já expirou!), irei lá comprar minha entrada. Não perderei esse jogo por nada nesse mundo.


22 de agosto de 2012 - quarta-feira


Cássio agora é goleiro de seleção! O arqueiro corintiano foi convocado hoje pelo técnico Mano Meneses para integrar a Seleção Brasileira que disputará dois amistosos em setembro. Os adversários serão África do Sul e China. Paulinho foi mantido no grupo e, dessa maneira, o Timão terá dois jogadores entre os melhores da nação.


O titular da meta alvinegra completa uma incrível reviravolta na carreira em menos de um ano. Nesse período, o jogador saiu do ostracismo vivido na Holanda, onde era um desconhecido reserva do PSV, para se tornar goleiro da Seleção Brasileira. Nesse meio tempo, foi para o Corinthians no início de 2012 e permaneceu alguns meses como a terceira opção do treinador. Após as falhas do titular, Cássio virou o dono da posição na Libertadores, sendo campeão com ótimas e decisivas atuações.


Cássio já virou ídolo corintiano. Entrou para a história do clube com a conquista do torneio continental. Ele vem até sendo muito comparado ao goleiro Dida, ídolo corintiano no início da década passada e último goleiro do Timão a vestir a camisa verde e amarela. Assim como o veterano arqueiro, hoje na Portuguesa, Cássio é alto (ambos têm 1,95 metro) e é extremamente calmo embaixo da meta. Sua frieza e controle emocionais são acima da média.


Essa é a segunda vez em que Cássio é convocado. A primeira aconteceu em 2007, quando ainda estava no Grêmio. Na época, tinha apenas 19 anos. A jovem promessa ficou no banco de reservas, após o corte do goleiro Hélton, nos amistosos contra Chile e Gana. Naquela oportunidade, Cássio não tinha qualquer chance de conseguir a vaga de titular da seleção. Dessa vez é diferente. O corintiano chega como favorito para assumir a camisa 1 da nação pentacampeã do mundo e acabar com a indefinição no gol brasileiro. O Brasil não tem um arqueiro unânime para a próxima Copa do Mundo. Mano Meneses já chamou 12 goleiros nos dois anos em que está no cargo. Parece não ter confiança em nenhum deles.


Pelo visto, o enredo na seleção será idêntico ao que assistimos no Timão. Depois das falhas de Júlio César no estadual, o gol corintiano ficou vago no momento mais crítico da temporada: o início da fase de mata-mata da competição sul-americana. Cássio foi escolhido pela comissão técnica. Entrou tranquilo e seguro. Ele atuou em todas as partidas eliminatórias da Libertadores e sofreu apenas dois gols em oito partidas. O ótimo desempenho e o título renderam o reconhecimento da Fiel Torcida e, agora, a lembrança de Mano.


Há menos de dois anos para a Copa do Mundo no Brasil, Cássio terá a grande chance de mostrar que também tem condições de ser o titular da camisa canarinho. Condições para isso ele tem de sobra. Se Cássio aguentou a pressão de ser o arqueiro do Timão em uma Libertadores, porque não pode aguentar a pressão de ser o camisa 1 do Brasil na Copa disputada em casa, hein? Se ele começar jogando alguma partida pela seleção, tenho certeza de que não sairá nunca mais do time nacional. Boa sorte, Cássio! Seu destino é mesmo vestir a camisa 1 da nação brasileira!


23 de agosto de 2012 - quinta-feira


Hoje, fui comprar o ingresso para o jogo de Corinthians e São Paulo. Antes de sair de casa, acessei a Internet para ver as notícias. Foi possível verificar que mais de 27 mil lugares já haviam sido vendidos para o Majestoso. Essas entradas foram comercializadas pelo Fiel Torcedor. A partir dessa quinta-feira, começava a operação na bilheteria física. Para não correr riscos de ficar sem ingresso ou de sofrer com as filas, resolvi chegar ao estádio no primeiro horário, logo no início das vendas.


Antes de me deslocar para lá, pensei no quanto seria interessante levar alguém comigo para ver essa partida. Quem poderia ser? Aí lembrei-me de algo que só descobri há algumas semanas. Nos jogos no Estádio do Pacaembu, um local público, aposentados e pessoas acima de 60 anos não pagam para entrar. É uma lei municipal. Dessa maneira, poderia levar meu Tio Luiz só pagando a minha entrada. Além de ser uma ótima companhia e não prejudicar meu orçamento (ele tem 65 anos), seria interessante assistir ao Majestoso ao lado de um são-paulino fanático. Obviamente, ele estaria camuflado no meio dos corintianos. Pelo menos essa era a minha ideia... O problema do meu tio é que ele não é uma pessoa discreta.


Lembrei-me automaticamente do Corinthians e São Paulo em que assistimos juntos em 1994. Como o mando de campo era do Timão, meu tio decidiu ficar no meio dos corintianos para não ficar no tobogã (local destinado aos visitantes). Eu, ainda garoto, adorei por não precisar estar entre os tricolores. Naquele dia, o São Paulo ganhou de 4 a 3. Meu tio comemorou todos os gols como se estivesse no meio dos são-paulinos. Juro que não sei como saímos vivos (e ilesos!) do estádio naquele dia/noite.


Apesar desse ponto de preocupação, liguei para o Tio Luiz para saber se ele aceitava o meu convite. Prontamente, ele concordou. Então, combinamos de nos encontrar na casa dele para irmos juntos naquela manhã até a bilheteria. Chegamos às 10 horas na Praça Charles Miller. Pegamos uma fila razoável para comprar as entradas. Às 11 horas, estávamos com a primeira missão cumprida. Agora bastava aguardar a chegada do domingo à tarde para conferir o clássico pessoalmente.


No caminho de volta, meu tio disse: "Precisamos parar aqui. Tem uma lotérica naquela rua. Preciso fazer um joguinho (da Mega-Sena)". O curioso é que a lotérica escolhida por ele ficava na Avenida Turiassu, em frente ao Palmeiras. Na hora de fazer a aposta, o sistema do estabelecimento caiu. Meu tio quis ir embora e eu não deixei. Evidentemente, havia algo de errado. O sistema caiu justamente quando um são-paulino fazia aposta no estabelecimento palmeirense, após adquirir a entrada para ver um jogo no meio da torcida do Corinthians! Com a sequência de fatos improváveis, estava claro: ele ganharia no sorteio, se jogasse naquele instante.


Aguardamos pacientemente. Depois de quase uma hora, o sistema voltou e tivemos a certeza de termos feito a coisa certa. Meu tio ficou otimista: dessa vez iria ganhar na loteria. E eu fiquei contente: teria uma companhia divertida no próximo domingo à tarde. No meu caso, a loteria já fora conquistada em 4 de julho.


24 de agosto de 2012 - sexta-feira


É incrível como as notícias do futebol envolvendo as negociações de atletas podem enganar (e assustar) a gente, né? De manhã, li uma matéria publicada no UOL Esporte com o seguinte título: "Paulinho chega à Inter de Milão em janeiro de 2013, diz jornal". Desanimado com a informação, li atentamente a reportagem:


"De acordo com o jornal Gazzeta dello Sport, a Inter de Milão acertou um acordo com o volante corintiano Paulinho, convocado nesta quinta-feira para defender mais uma vez a Seleção Brasileira de Mano Menezes. Segundo a publicação, os últimos detalhes foram acertados entre os representantes do jogador e o clube. Paulinho se apresentaria em janeiro de 2013".


Era um balde de água fria para quem sonhava com um Timão forte e competitivo na disputa pelo bicampeonato da Libertadores no ano que vem. Paulinho é um dos pilares da atual equipe corintiana, ao lado de Ralf, Danilo e Emerson Sheik. Sem ele para 2013, a tendência é do Corinthians se enfraquecer.


À noite, li um post do jornalista Vitor Birner. Em seu blog, ele comunica exatamente o contrário da matéria da manhã. Segundo o texto, o Corinthians adquiriu metade do passe do volante da Seleção Brasileira para evitar a saída prematura do jogador no próximo ano. Veja o conteúdo completo do post:


"Corinthians comprou os 50% dos direitos econômicos de Paulinho, que pertenciam ao BMG. Vai pagar quase R$ 15 milhões ao longo de um ano, em parcelas. A negociação desagradou a direção do Audax (clube do Grupo Pão de Açúcar), dono da outra parte. Ela queria negociar o volante. Paulinho recebeu proposta de um clube russo, mas não quis atuar no futebol daquele país. Só pretende deixar o Parque São Jorge se aparecer alguma oferta muito boa tanto na parte financeira quanto na esportiva. O atleta tem contrato até junho de 2014 e pode prorrogá-lo até o mesmo mês de 2015".


A verdade é uma só. Não podemos nos preocupar antes da hora. Com a compra de metade do passe do Paulinho, ou o Corinthians irá continuar se esforçando para mantê-lo no clube ou irá vendê-lo e obter um bom lucro em cima da negociação. As duas possibilidades são interessantes, apesar de eu preferir a primeira. O que não poderia acontecer era o jogador ir embora e o Timão não receber nada pela transação.


O dia terminou com mais uma contratação. Quem se apresentou no Parque São Jorge foi o lateral-esquerdo Chiquinho, contratado do Ipatinga. O jogador de 23 anos tem características ofensivas e chega para o lugar do lateral Ramon, emprestado ao Flamengo. Chiquinho também pode atuar como meia e como atacante. O jogador chegou por empréstimo e assinou contrato por um ano e meio. Se apresentar bom desempenho, poderá ter o passe comprado em definitivo no final do período. Trata-se de mais uma aposta da diretoria e da comissão técnica. É o bom e barato!


25 de agosto de 2012 - sábado


Em véspera do Majestoso, sempre dá um friozinho na barriga do torcedor. Mesmo sabendo da superioridade corintiana, ainda assim há a preocupação de algo dar errado nos 90 minutos. O juiz pode errar em um lance decisivo ou a sorte pode soprar para o adversário na hora do jogo. Tenho certeza de que, se tudo ocorrer dentro da normalidade, o Timão sairá vencedor domingo e os corintianos vão gritar com força: "O freguês voltooooou. O freguês voltooooou".


Na atividade de hoje de manhã no CT Joaquim Grava, Tite definiu a equipe alvinegra que enfrentará o tricolor paulista. A principal novidade está no ataque. Emerson Sheik, após um mês no departamento médico, volta a ser relacionado. Será titular. Nesse período sem o mais perigoso dos nossos avantes, o ataque corintiano só marcou dois gols (Romarinho contra o Coritiba e Martínez contra o Santos). A volta do camisa 11 traz a esperança de mais gols à equipe mosqueteira. Sheik treinou leve durante a semana, visando a retomada do preparo físico. Infelizmente, a tendência é que o herói corintiano na final da Libertadores não tenha condições para atuar os 90 minutos. Muito provavelmente, será substituído no segundo tempo por Martínez.


Ao lado de Emerson, o ataque será completado por Romarinho. Danilo e Douglas terão a incumbência de armar as jogadas. Guerrero e Jorge Henrique, machucados, não estarão no banco de reservas. São as baixas para o clássico. O peruano apresenta um problema no tornozelo direito e Jorge ainda sente dores. Ambos devem ficar de fora de mais rodadas do Brasileirão.


Nas outras posições, nenhuma novidade. Chicão e Alessandro voltarão após o cumprimento da suspensão automática. A defesa corintiana terá força máxima. Os 11 atletas escolhidos por Tite são: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Douglas e Danilo; Emerson Sheik e Romarinho.


As novidades do adversário me foram passadas por um são-paulino. À noite, Tio Luiz me ligou todo empolgado: "O Luís Fabiano vai jogar domingo. Ele vai jogar! Está confirmado. Depois de mais de um mês machucado, o técnico do São Paulo confirmou o Fabuloso na equipe titular". Achei graça da empolgação dele com a escalação do camisa 9 são-paulino. Realmente, Fabiano é um grande centroavante e sabe fazer gols. Porém, o veterano não está vivendo boa fase. É alvo de xingamentos e críticas de sua própria torcida. "Tio, se vocês forem depender do Fabiano para fazer gols, vocês estão fritos. Ele não faz gol há um tempão. E não vai ser nesse domingo que ele desencantará! A defesa do Timão é a melhor do país", respondi.


O São Paulo vem completinho para o clássico. Lucas voltou da Seleção Brasileira e formará dupla de ataque com o Fabuloso. O jovem craque são-paulino foi negociado recentemente com o PSG e ficará no clube paulista até o final do Campeonato Brasileiro. Trata-se da última chance de Lucas vencer o principal rival fora de casa. Se não ganhar domingo, irá embora com a fama de amarelão em clássicos.


26 de agosto de 2012 - domingo


Eu e Tio Luiz chegamos ao Pacaembu faltando vinte minutos para o início do clássico entre Corinthians e São Paulo. Como o estádio estava cheio, com 37 mil pessoas, tivemos certa dificuldade para entrar e arranjar bons lugares. Acabamos ficando perto das escadas e, com isso, nossa visão era em parte bloqueada pelos torcedores que ficaram em pé nos degraus. Eu precisei ver o jogo de pé e meu tio preferiu ficar sentado e sofrer com as cabeças à sua frente.


O Majestoso começou alucinante para os corintianos. Aos 6 minutos, Paulinho roubou a bola do adversário na entrada da área são-paulina. Passou por dois marcadores e tocou para Emerson, livre na grande área. Um chute forte e no alto. Indefensável. Gooooooooooool de Sheik. 1 a 0 para o Timão.


A pressão dos mandantes só estava começando. Nos 15 minutos seguintes, só dava o time da casa. Foram os melhores 20 minutos da equipe de Tite nesse ano. A defesa e o meio de campo conseguiam bloquear o avanço do rival e lançavam para os atacantes mosqueteiros. Paulinho, Douglas e Romarinho tiveram chutes defendidos pelo goleiro adversário. Emerson, após lance pela esquerda de Danilo, chutou forte e rasteiro. A bola estava entrando quando bateu na cabeça de um defensor do São Paulo, que estava caído em cima da linha, e saiu. Uhhhhhhh. Quase o segundo.


"Tio, está muito fácil! Hoje vai ser de goleada", preconizei. A Fiel Torcida fazia festa nas arquibancadas aos gritos de: "O freguês voltooooooooooou. O freguês voltooooooooou". Aí na metade do primeiro tempo, o São Paulo foi pela primeira vez ao ataque. A bola caiu nos pés de Luís Fabiano. O centroavante tricolor chutou cruzado no cantinho. Partida empatada. 1 a 1. Meu tio comemorou com as mãos. Para nossa sorte, ninguém viu seus gestos. Pelo menos ele não gritou. O placar era completamente injusto. Era para o Corinthians estar goleando. "Não estou vendo nada de injustiça. Para mim, o que vale é bola na rede", disse o são-paulino ao meu lado.


Com o gol de empate dos visitantes, a partida mudou de cenário. Quem foi melhor na segunda metade da primeira etapa foram os são-paulinos. Cássio salvou algumas bolas. A defesa alvinegra desviou outras. No intervalo, Tite tirou Douglas e colocou Martínez. A ideia era atacar mais. Entretanto, o São Paulo continuava melhor e saía nos contra-ataques. Em um contragolpe, logo no início do segundo tempo, Luís Fabiano recebeu outro passe, driblou Cássio e mandou para o fundo das redes. São Paulo 2 a 1. Dessa vez não vi se meu tio comemorou. Como fiquei revoltado com o vacilo da defesa do meu time, me esqueci de olhar para o torcedor ao meu lado.


O restante do segundo tempo foi do Corinthians pressionando e o goleiro adversário defendendo. As duas melhores chances foram de Romarinho. O camisa 31 finalizou fraco e o goleiro defendeu. Com o apito final do juiz, a pequena torcida dos visitantes começou a gritar: "O tabu acabooooou. O tabu acabooooou". O São Paulo não vencia o Timão no Pacaembu havia sete anos (foram seis derrotas em seis jogos). Oh céus, oh dia, oh azar.


27 de agosto de 2012 - segunda-feira


O 1º turno do Brasileirão terminou com o Atlético Mineiro na liderança, com 43 pontos (e um jogo a menos). O craque da competição, até o momento, tem sido Ronaldinho Gaúcho. Eleito o melhor do mundo em 2004 e 2005, o experiente meia-atacante comandou o Galo mineiro com grandes atuações e gols decisivos. Quem pode tirar o título dos atleticanos é o Fluminense. O tricolor carioca está na vice-liderança com 42 pontos e tem mostrado futebol bem competitivo. Logo atrás na classificação e com atuações irregulares estão Grêmio (37) e Vasco da Gama (35). Dificilmente os dois conseguirão brigar pelo primeiro lugar. Veja a classificação do turno:

Classificação Primeiro Turno do Brasileirão de 2012 - Bonas Histórias - O Ano que Esperávamos Há Anos

Interessante notar que Corinthians, Santos e Internacional, as melhores equipes do país tecnicamente falando, estão em posições intermediárias na tabela. Isso é reflexo da priorização da Libertadores (Santos e Corinthians) e da ausência dos jogadores convocados pela Seleção Brasileira na maioria dos jogos (Inter e Santos). Se não fossem esses problemas, os três clubes estariam lá em cima brigando pelo caneco com Atlético e Fluminense.


Com a vitória no domingo, o São Paulo se consolidou como o melhor paulista no campeonato. Agora o tricolor do Morumbi ocupa a 5ª posição, a quatro pontos do Vasco, última equipe na zona de classificação para a Libertadores do próximo ano. O pior paulista é o Palmeiras, com apenas 16 pontos e ocupando a 17ª posição. O Verdão está dentro da zona de rebaixamento. Se os jogadores do Palestra Itália não abrirem os olhos irão disputar a Série B em 2013.


28 de agosto de 2012 - terça-feira


Pela primeira vez no ano, o Timão perdeu duas partidas seguidas. Para a tristeza dos corintianos, as derrotas aconteceram justamente em dois clássicos estaduais. O moral dos campeões sul-americanos ficou abalado. Essa é uma situação inédita desde a conquista da Copa Libertadores.


Nos dois últimos jogos, a equipe corintiana começou muito bem e abriu o marcador. Poderia ter definido a situação já no primeiro tempo, quando teve várias chances para ampliar o marcador. Porém, os atacantes não conseguiram aproveitar as oportunidades criadas e o time acabou sofrendo as viradas. No último clássico, por exemplo, o Corinthians finalizou 16 vezes ao gol são-paulino e apenas uma bola entrou. Ai, ai, ai. Em outras palavras, perdemos jogando melhor.


A explicação do técnico Tite para o baixo aproveitamento do setor ofensivo é a falta de entrosamento. Em entrevista coletiva, ele disse: "Pego essa segunda parte (da partida contra o São Paulo) e coloco dentro desse processo de entrosamento, principalmente na frente. Vai acontecer naturalmente. Isso é apenas uma compreensão, não uma justificativa. Vai ainda precisar de um tempo (até engrenar)”.


Pelo menos não houve erro de arbitragem dessa vez. A vitória são-paulina foi limpa. Ciente disso, o treinador corintiano estava mais sereno e isentou o juiz: “Não tenho nada a falar (de errado sobre a arbitragem). Um lance ou outro é passível de interpretação. Torço para que eles (juízes) tenham uma capacidade boa nos jogos”.


Com as últimas derrotas, o Corinthians caiu para o 12º lugar com 24 pontos. A disputa pelo título é agora algo improvável. Há quem diga que a equipe do Parque São Jorge deva se preocupar é com o rebaixamento. Afinal, em 2007, na fatídica temporada da queda para a Série B, o Timão terminou aquele 1º turno com 26 pontos, um desempenho ligeiramente melhor do que nesse ano.


Para não ficar se preocupando com as contas e para esquecer definitivamente as derrotas recentes, o melhor a ser feito é vencer os próximos compromissos. Os próximos jogos do Corinthians serão contra os dois líderes da competição. Na quarta-feira, o Timão enfrentará o Fluminense no Rio de Janeiro e no próximo final de semana pegará o Atlético Mineiro em São Paulo.


Para o jogo contra os cariocas, Tite escalou como titulares: Cássio; Alessandro, Chicão, Wallace e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Douglas; Emerson e Romarinho. Os desfalques são: Paulo André (suspenso pelo terceiro cartão amarelo), Paolo Guerrero, Martínez e Jorge Henrique (machucados).


A partida contra o Fluminense será muito difícil. Se os corintianos não entrarem em campo com o espírito dos jogos da Libertadores e os atacantes não estiverem com o pé bem calibrado, dificilmente a Fiel Torcida verá a conquista de mais três pontos.


29 de agosto de 2012 - quarta-feira


O Estádio do Engenhão no Rio de Janeiro apareceu surpreendentemente vazio no início da transmissão da Rede Globo. Esperava uma casa cheia para ver o Fluminense, vice-líder do Brasileirão, enfrentando o temido e sempre competitivo Corinthians. Na noite dessa quarta-feira, menos de 5 mil pessoas foram até a arena carioca para assistir ao clássico entre os dois últimos campeões nacionais. Mais estranho do que isso foi a camisa dos jogadores da equipe visitante. A direção do clube paulista promoveu o lançamento do terceiro uniforme corintiano, na cor cinza. Achei horrível! Com certeza jamais vou comprá-lo ou usá-lo. Parece camisa de treino.


Com essas surpresas, o jogo começou. Diferentemente das últimas partidas do Timão, quando a equipe corintiana jogou e deixou os oponentes jogarem, proporcionando bons espetáculos ao público, dessa vez o técnico Tite preferiu o tradicional esquema de não deixar o adversário pegar na bola. Com isso, a partida ficou extremamente chata. As disputas se limitaram ao meio de campo, com fortes divididas. Às vezes, parecia até sair faísca. O Fluminense não conseguia passar pela defesa alvinegra e os atacantes do Parque São Jorge não conseguiam avançar com perigo até a meta do goleiro tricolor.


O Fluminense só conseguiu chegar uma vez com perigo ao gol de Cássio. Nesse lance, o goleiro da seleção fez boa defesa. No mais, o time da casa precisou arriscar de fora da área, não ameaçando muito os visitantes. Quando o primeiro tempo caminhava para o empate sem gols, Ralf roubou a bola no meio de campo. Avançou com rapidez para a grande área adversária e tocou para Emerson. O camisa 11 acertou um belo chute de primeira. Goooooool do Timão. 1 a 0 para os visitantes.


No intervalo, os atletas do Flu souberam que o Atlético Mineiro havia empatado em casa com a Ponte Preta. Uma vitória sobre o Corinthians daria a liderança do campeonato ao elenco tricolor. Com o pensamento de virar a partida, o Fluminense voltou para o segundo tempo mais ofensivo. A pressão foi grande sobre a defesa corintiana. Apesar da bola ter ficado rondando a área de Cássio várias vezes, o Timão se segurava bem e não corria tantos riscos. Infelizmente, os comandados de Tite se esqueceram de contra-atacar e matar a partida.


Na metade do segundo tempo, Emerson cansou. Como não havia nenhum atacante de ofício no banco de reservas para substituí-lo, Edenílson entrou no lugar do camisa 11. Sem o melhor avante, o Corinthians recuou ainda mais, chamando o adversário para o seu campo. O Fluminense, assim, aumentou a pressão. No final da partida, uma bola cruzada na área corintiana encontrou o centroavante tricolor sozinho. Sem dó, ele mandou para as redes. Gol do Flu. 1 a 1 no Engenhão.


O empate não foi bom para nenhum dos lados. Se o Fluminense perdeu a chance de assumir a liderança isolada, o Timão deixou outra vitória escapar no finalzinho. A maré não tem sido de sorte para os corintianos nos últimos jogos.


30 de agosto de 2012 - quinta-feira


Estou com a sensação de que a lua de mel da torcida corintiana com o time está no fim. Não estou dizendo isso por causa dos últimos tropeços e pelas derrotas nos clássicos. Também não estou querendo dizer que os torcedores não estejam felizes com os jogadores e que tenham desanimado do sonho de ver o Timão campeão do mundo em dezembro. Para mim, apenas a empolgação e a euforia diminuíram sensivelmente. O mesmo ocorre com os jovens casais após algum tempo de casamento. Passada a fase das festas, das viagens pós-matrimônio e dos primeiros dias morando junto, quando tudo é belo, alegre e perfeito, a vida volta ao normal. A rotina é a responsável pela normalização dos ânimos de todos.


Vamos aos fatos. Na terça-feira da próxima semana completam-se dois meses da conquista máxima dos corintianos. Esses 60 dias foram suficientes para a celebração e para a gozação em cima dos torcedores rivais. Milhares de Fiéis Torcedores já foram visitar a taça no Memorial da Conquista no Parque São Jorge. Outras dezenas de milhares foram ver seus heróis pessoalmente no Pacaembu em algum jogo do Campeonato Brasileiro. Atletas importantes, como Leandro Castán e Alex, deixaram o clube. Outros jogadores foram contratados com elevada expectativa das arquibancadas. Após algumas rodadas, foi possível perceber que não eram tudo aquilo que pensávamos ser.


A crença de que tínhamos uma superequipe invencível se desfez com as derrotas. A equipe alvinegra é boa, talentosa e bem-organizada taticamente, mas não é imbatível. Podemos perder, assim como podemos vencer as partidas. Não possuímos nenhum jogador excepcional e, por isso, não veremos jogadas brilhantes dentro do campo o tempo todo. O Timão continua sendo um time razoável tecnicamente, mas com bastante aplicação tática e vontade de vencer.


Tenho a impressão de que os próximos 18 jogos do segundo turno desse Brasileirão serão profundamente entediantes para os corintianos. Salvo um ou outro clássico regional (sempre emocionantes para os torcedores), as demais partidas não representarão nada para o clube. O Timão estava acostumado, nos últimos três anos, a brigar na parte de cima da tabela de classificação. Como não deverá ser campeão nessa temporada e não será rebaixado, qual a motivação para se assistir aos próximos duelos, hein? Pude perceber essa falta de ambição no jogo contra o Fluminense. Nosso adversário corria pelo gramado em busca da vitória e da liderança do torneio, enquanto os jogadores alvinegros cumpriam a obrigação profissional de jogar bola.


Temo que os corintianos estão começando a cair na rotina com seu time, assim como os jovens cônjuges após alguns meses de união. Nada é mais novidade, os defeitos do parceiro começam a ficar mais evidentes, alguns deles começam até a incomodar bastante, e os dias não diferem muito uns dos outros. As companhias dos amigos e dos demais familiares voltam a ser requisitadas. A vida real mostra os sinais de não ser perfeita, apesar de agradável. Não vejo a hora de dezembro chegar para disputarmos o Mundial. Aí sim o bicho vai voltar a pegar para a Fiel Torcida.


31 de agosto de 2012 - sexta-feira


A última sexta-feira de agosto teve sabor de prévia do Mundial de Clubes para os corintianos. O Chelsea, provável adversário do Timão na final em dezembro no Japão, foi a campo pela decisão da Supercopa Europeia. O adversário era o Atlético de Madrid. Essa disputa é realizada no início da temporada do Velho Continente entre o campeão da última Copa dos Campeões e o atual vencedor da Liga Europa (antiga Copa da Uefa). A taça em si não vale muita coisa, mas foi uma excelente oportunidade para ver como nossos adversários estão após as férias de Verão.


Vale ressaltar que o Chelsea manteve os principais jogadores (a única grande perda foi o centroavante Didier Drogba, que foi atuar no futebol chinês) e ainda gastou alguns milhões de euros para se reforçar. As grandes contratações dessa temporada para os Blues londrinos foram o meia brasileiro Oscar (ex-jogador do Internacional e titular da Seleção Brasileira) e o jovem atacante belga Eden Hazard (vindo da França).


A tarde de sexta-feira foi incrível para a Fiel Torcida. O Atlético de Madrid humilhou os ingleses com uma goleada de 4 a 1. O Chelsea não viu a cor da bola e os espanhóis passearam em campo. O destaque da partida foi o colombiano Falcão Garcia com três gols. Do lado inglês, ninguém atuou bem. O time londrino esteve apático e parecia estar desentrosado. Os jogadores de azul erraram a maioria das jogadas.


Com inesperada derrota do futuro rival, os corintianos se encheram de esperanças para o Mundial. Na Internet, os vários membros do Bando de Loucos puderam se manifestar: "Valeu Atlético de Madrid por mostrar ao Chelsea como vai ser em dezembro quando pegarem o Corinthians!!!"; "Então o Atlético atropelou o Chelsea...!!! ... É Corinthians, não é impossível!"; "Corinthians vai ter o Mundial mais fácil da história para ganhar"; e "Chelsea perdeu para o Atlético de Madrid que é o campeão da Sul-Americana da Europa. Imagine para o Corinthians que é o Campeão da Liberta!". Até os anticorintianos já estão se conformando com o título intercontinental do Timão. Veja algumas mensagens de palmeirenses e são-paulinos na rede mundial de computadores: "Esse time do Chelsea é tão ruim, que infelizmente o Corinthians vai ser campeão do mundial de clubes"; e "Tomara que o Chelsea não faça contra o Corinthians o que fez hoje contra o Atlético de Madrid".


O único que não pareceu muito animado com o resultado da partida e com as previsões dos torcedores foi o técnico Tite. Na entrevista à noite, o gaúcho declarou: "Só para a torcida é dessa forma, não para nós profissionais. Tem muito tempo até o final do ano. Não muda em nada (o pensamento sobre o Chelsea). Serve para o torcedor fazer esse acompanhamento, que é normal". Ainda bem que nosso comandante não se deslumbra com a possibilidade de vitória antes da hora.


O importante, nos próximos três meses, é torcermos para o Chelsea não melhorar nada. Se eles jogarem em dezembro como atuaram hoje, dificilmente conseguirão tirar o título das mãos alvinegras. Estou sentindo que o Japão será nosso!!!


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Oitava série narrativa da coluna Contos & Crônicas, “O Ano que Esperávamos Há Anos” é o testemunho dos doze meses de 2012. Este relato é uma espécie de diário feito no calor das emoções por um fanático torcedor corintiano. Ele previu as conquistas de seu time do coração naquela temporada que se tornaria mágica. Nessa coletânea de crônicas é possível acompanhar os jogos do Corinthians, relembrar as decisões do técnico, entrar nos bastidores do Parque São Jorge e conhecer a vida dos principais jogadores alvinegros. O leitor também sofrerá com as angústias dos torcedores do Timão, poderá acompanhar o desenrolar dos campeonatos e, principalmente, irá se emocionar com as maiores conquistas futebolísticas desse clube centenário.


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