• Roberto S. Inagaki e Ricardo Bonacorci

Novela: O Ghost Writer - Capítulo 8, Costura


O Ghost Writer - Capítulo 8 - Costura

– E então, Paulo, o que você achou?! – Em minha voz havia um quê de confiança (que meus inimigos poderiam enxergar como sendo de pura prepotência) e uma natural pontinha de curiosidade – Não vai me dizer que você, depois de tudo o que passamos, se arrependeu de ter me contratado, né?


Eu começava a reunião de um jeito descontraído. No fundo, sabia da excelência do material entregue na semana passada à Pomelo. Os originais de Guerra e Paz nos Negócios tinham superado as minhas expectativas (e na certa agradaram o editor que, naquele instante, estava sentado à minha frente). Possivelmente, esse livro era o melhor que eu já tinha escrito (o que, por si só, não queria dizer grande coisa). E antes que alguém pense que eu esteja me gabando, afirmo com total clareza do processo de produção textual: os méritos são inteiramente do Roberto, o autor da obra.


Trabalhar com texto é se dedicar à costura. Em muitos aspectos, as atividades dos escritores não se diferenciam às dos tecelões. Enquanto os primeiros conectam as ideias nas folhas de papel (ou nos programas de processamento de texto), os segundos juntam as fibras (algodão, linho, seda, nylon) em filamentos têxtis nas máquinas de fiar. Ambos os profissionais precisam amarrar muito bem as pequenas tramas para o conjunto das linhas ganhar forma e sentido.


No caso específico do ghost writer, categoria que integro há alguns anos, todas as matérias-primas de seus trabalhos são terceirizadas. Invariavelmente, os resultados desse ofício dependem fundamentalmente da qualidade e da confiabilidade do principal fornecedor – o autor das ideias do livro. Se você não tiver alguém entregando bons e numerosos novelos textuais, não será sua habilidade na costura das linhas que produzirá uma boa obra literária.


Já aconteceu de meus contratados ficarem extremamente felizes com os textos que apresentei. Mal sabiam que os méritos, nesses casos, não estavam nas habilidades do escritor aqui e sim na dedicação e na capacitação dos autores envolvidos nas empreitadas. Afinal, foram eles que trouxeram conteúdos ricos, inovadores e interessantes. Se as publicações saíram das gráficas com páginas saborosas, tiremos o chapéu para quem disponibilizou suas receitas (e não para quem agrupou os ingredientes nas formas).


Por outro lado, já fui muito criticado por alguns materiais entregues, considerados pelos editores como de baixa qualidade. Aí ninguém se preocupou em saber que os autores responsáveis por fornecer os conteúdos não eram lá tão gabaritados assim nem tinham tantas novidades para apresentar aos leitores. Em alguns casos, o problema estava mais na falta de disposição e de didática do autor para transmitir seus conhecimentos do que em sua bagagem intelectual e em seu repertório profissional.


Portanto, independentemente de a qualidade final ser positiva ou negativa, o maior responsável pelo resultado do livro me parece evidente: o autor. O ghost writer é sim peça fundamental no trabalho de produção textual, mas sua função é meramente de auxiliar o provedor das informações. Sem a oferta de boas linhas, não é possível obter um bom tecido.


Mesmo assim, a culpa da qualidade do texto sempre acaba caindo no colo do ghost writer. É muito mais fácil, do ponto de vista da editora encarregada de desenvolver o livro, responsabilizar o escritor pelo fracasso do projeto editorial do que atribuir o insucesso à escolha, à capacidade, à postura e/ou à didática do autor, geralmente uma figura mais proeminente nos âmbitos social e profissional.


Paulo deu uma risadinha silenciosa e um tanto tímida às minhas perguntas. Ao levantar os olhos até então postados nas folhas impressas e agrupadas em uma espiral, ele pareceu ter tomado coragem para me encarar pela primeira vez naquele dia. Desde que iniciáramos a reunião, ele se limitara a contemplar o material em suas mãos sem dizer qualquer palavra, além dos protocolares “bom dia” e “sente-se aí”. Por pelo menos cinco minutos, ele folheou as páginas com calma, se atentando a algumas anotações que fizera à caneta.


De onde eu estava, no outro lado da mesa, pude ver que havia uma infinidade de rabiscos no texto que eu tinha produzido. As observações à mão eram de três canetas de cores diferentes (azul, preta e vermelha). Pelo visto, alguém analisara atentamente o material durante o final de semana. O resultado era uma explosão de cores que tomava conta das páginas da primeira versão de Guerra e Paz nos Negócios.


Ao invés daquela imagem multicolorida me abalar, ela revigorou meu otimismo. Nenhum editor se propunha a comentar com tanto afinco um texto que ele não tivesse apreciado. Minha experiência no mercado editorial dizia que se os originais estavam muito rabiscados, havia grande chance de o livro ser aprovado e ter como destino as prateleiras das livrarias. Se as folhas, por sua vez, estivessem “limpas”, a chance de ouvir um não do editor era gigantesca.


Nas nove semanas que passei em São José dos Campos me dedicando ao livro (obviamente, excluí dessa conta a primeira semana, que não quero lembrar nunca mais!), Roberto teve um comportamento admirável. Ele me levou a todas as reuniões que participou e em todos os treinamentos que ministrou. Virei, de uma hora para outra, sua sombra. O consultor não se furtou em me explicar detalhadamente sua metodologia de trabalho e suas convicções. Falo agora sobre isso porque jamais encontrei um autor tão disponível, tão disposto e com tanta sede em transmitir seus conhecimentos.


Ele leu e comentou cada linha que produzi, apontando falhas conceituais e indicando melhores exemplos para ilustrar cada passagem. É até difícil de acreditar que no início aquele homem se mostrara reticente em desenvolver a publicação. Até hoje não sei se Roberto não queria ter um título com seu nome ou se as estratégias usadas pelo pessoal da editora eram desencorajadoras. Em vários momentos, admito que achei que ele só estava participando daquele projeto por minha causa. Vai ver se sentia culpado pelo que eu tinha passado na porta de sua casa.


Por isso, tinha a certeza de que os originais de Guerra e Paz nos Negócios estavam redondinhos, prontos ou quase prontos para serem aprovados. Ao mesmo tempo em que tinha a confiança do bom trabalho realizado e estava esperançoso com os desdobramentos daquele projeto nas próximas semanas, algo contrastava com o final feliz da história que eu projetara. Por que o editor da Pomelo parecia tão desconfortável na reunião em que deveria aprovar a proposta do livro?!


Se eu o conhecia bem, Paulo teria me recebido com um forte abraço e cheio de piadinhas de gosto duvidoso. Isso é, se ele tivesse gostado da leitura que havia feito no final de semana. Porém, seu silêncio na reunião indicava um grande desconforto. Ele nem ao menos me buscara na recepção da editora como fazia normalmente. Fora sua secretária a encarregada de me levar até a sala, onde ele me aguardava calado e com o semblante fechado. E, o que é pior, em nenhum momento Paulo me chamou de “meu escritor favorito”. Será que eu perdera esse importante posto, justamente agora que fizera por merecê-lo?


– Olha, vou ser franco com você. O livro não está de todo ruim. Há alguns capítulos bem legais, bem escritos... O que ainda não consegui assimilar foi a parte ficcional que você acrescentou.


– Parte ficcional?! – Sabia que não devia brincar em um momento delicado da conversa. Mas eu estava tão animado com o meu retorno à São Paulo (aliviado por ter conseguido entregar o texto à editora e empolgado com as notícias dadas por minha esposa) que soltar um chiste foi inevitável – Você quis dizer a parte não ficcional da obra, né?


– Sim, não... Você entendeu o que eu quis dizer! – pela primeira vez na vida eu via o Paulo constrangido, muito constrangido. Praticamente invertíamos os papéis: eu virei o piadista inconsequente e ele o sujeito que pisava em ovos – Vamos chamá-la de parte romanceada do livro, tá bem? Foi desse jeito que você se referiu a ela no telefone, se eu não estiver enganado. “O mais legal é que temos duas partes: a teórica e a romanceada”. Foi o que você disse para mim na sexta-feira, não tá lembrado?


Balancei a cabeça afirmativamente. Achei graça que o editor não notou que eu estava apenas brincando. Será que ele entendeu meu gracejo na reunião como algo sério? Ele devia estar muito nervoso para não ter notado o tom de sarcasmo das minhas frases. E ainda foi buscar na memória o que havíamos conversado outro dia.


Naquela ligação da semana passada, Paulo reclamou de uma nota fiscal que eu enviara no relatório de despesas. Ele disse que a editora havia se comprometido a me reembolsar apenas com os gastos de transporte, alimentação e hospedagem que eu tivesse no interior. Por esse critério, a conta de um dentista (com muitos zeros à direita, segundo sua opinião) não estava contemplada no nosso acordo. Já prevendo aquela reclamação, usei o discurso que a Dora me orientara na véspera: “você disse que se responsabilizava por todas as minhas despesas profissionais em São José dos Campos. E os dentes quebrados foram consequência do meu trabalho. Ou não foram?”.


Obviamente, o proprietário da Pomelo não concordou com meu ponto de vista e a discussão se arrastou por mais meia hora. Entendendo que não conseguiria convencê-lo facilmente, apelei: “Você quer falar com a minha advogada sobre isso? Ela está aqui do meu lado, louquinha para falar com você. E ela acabou de comentar que... o que, amor? Ah, sim. No caso do não pagamento do dentista, ainda podemos entrar com uma ação contra a editora, a responsável por me colocar em uma posição de vulnerabilidade”.


Temeroso, Paulo disse que não falaria com a Isadora em hipótese nenhuma. Se ela não era normalmente uma interlocutora das mais fáceis, imagine só em uma fase de overdose hormonal. Ciente que perderia a “batalha dos dentes” para minha esposa, Paulo decretou o armistício ao garantir que veria com o financeiro o que poderia fazer por mim. Achei graça em sua atitude conciliatória. Eu sabia que era ele quem estava criando obstáculos para o pagamento e não o departamento financeiro. Mesmo assim, agradeci seu possível apoio.


Antes de desligar, aproveitei para perguntar o que ele havia achado dos originais que entregara no começo da semana, juntamente com o relatório de despesas (que, curiosamente, parecia ter despertado mais a atenção do pessoal da editora do que o texto do livro). Paulo garantiu que só iria ler o material no final de semana e que discutiríamos o conteúdo na reunião da semana seguinte. E foi aí que falei: “Antes que você estranhe, já vou logo contando – o livro tem uma parte teórica e uma parte romanceada, que quebra um pouco o formalismo das obras de negócios”.


Quando falamos ao telefone, Paulo não agira de maneira estranha comigo (sim, eu ainda era seu escritor favorito, apesar dos gastos considerados excessivos no interior). A mudança de clima começou inexplicavelmente naquela reunião na Pomelo de pós-final de semana.


– Não sei se agrega, entende? O cara compra um título querendo saber mais sobre estratégia e, então, recebe uma história besta de um escritor fracassado em metade das páginas. Ele não vai gostar, sei disso! O leitor vai se sentir enganado. Não é isso o que ele comprou, sabe? Se ele quisesse ler um romance, um drama, ele ia na prateleira de ficção e pegava outro livro.


– Você achou essa parte besta? – Aquele tinha sido o trecho da fala do Paulo que mais me chamou a atenção. O pedaço do “escritor frustrado” eu simplesmente relevei. Como assim falar que minha história era besta?! – Não acredito que você não gostou. Ela ficou tão boa!


– Besta não. Desculpe, me expressei mal. Não é besta. Ela só é incompatível com a proposta da obra.


Adorava como os editores usavam eufemismos na hora de recusar as publicações. A impressão que tinha é que não existiam livros ruins. O que havia eram: propostas incompatíveis com a linha editorial do selo; narrativas voltadas para públicos diferentes do nosso; contenção de investimentos que impossibilitam novos lançamentos nos próximos dois ou três anos; e, o que era a pior de todas as justificativas vazias, decisões estratégicas da editora não permitiam a aposta em títulos tão vanguardistas. No final da ladainha, sempre havia uma mensagem de esperança ao pobre do escritor: mas tenho certeza de que há muitas editoras interessadas em lançar um livro como o seu.


– Acho que o romance dialoga muito bem com a parte teórica. Paulo, ele é um complemento da teoria, quase uma exemplificação real das questões levantadas no Planejamento Estratégico. É a colocação em prática, por alguém comum, dos ensinamentos do Roberto – meu discurso saiu convincente, ao menos para mim – Você não reparou como as duas partes estão interligadas? Se excluirmos esse pedaço, o livro perderá todo o charme.


– Não concordo! Acredito que essa seção não contribua em nada para a leitura. E ainda pode causar reações negativas na maioria dos leitores. Além disso... – Paulo parou de falar como se tivesse se arrependido de prosseguir. Diante do meu olhar atônito e ávido por um complemento, ele não pôde deixar de continuar – Além disso, achei que você pintou a Pomelo com tintas negativas. O que as pessoas vão achar da minha empresa, hein?


Não consegui segurar a gargalhada. Enfim, Paulo confessava o principal motivo do seu desconforto. Não era a editora que eu havia retratado com tintas negativas e sim ele, o editor que jogava escritores e autores uns contra os outros na esperança de conseguir novas obras sem muito esforço. Só aí minha ficha caiu para sua nova (e até então misteriosa) postura.


Admito que achei que o Paulo fosse levar mais na esportiva o jeito que eu o descrevera em Guerra e Paz nos Negócios. Até porque ele encarara, até então, tudo meio que na galhofa, como é típico de seu espírito alegre e anárquico. Nunca imaginei que o dono da Pomelo pudesse ficar magoado com sua exposição nas páginas do livro (talvez aquilo fosse uma novidade para ele). Para ser franco, tinha me esquecido que o Paulo era uma das personagens da trama ficcional-não-tão-ficcional-assim.


– Você ficou ofendidinho com o que escrevi sobre você! – Não conseguia segurar as risadas – É esse o problema, não é? Por isso a mudança repentina de comportamento... Cara, não seja infantil, é só uma narrativa como qualquer outra.


De certa forma, não havia vingança melhor do que aquela. Eu devolvia os perrengues que passara expondo o grande culpado pelo meu drama pessoal-profissional. Sim, porque o Paulo era o principal vilão da minha história até ali. Eu não tinha parado para pensar sob tal ponto de vista, mas um sujeito minimamente correto não me exporia ao ridículo nem exploraria minhas fraquezas pensando unicamente nos seus interesses. Além disso, não conseguia esquecer que padecera de frio, fome, sede, solidão e, o pior, violência por causa de suas decisões questionáveis.


Aceitara tudo mais ou menos de bom grado em nome da grana que receberia no final do trabalho. Porém, deixar Paulo constrangido ao publicar seus métodos ortodoxos era a cereja do bolo. Confesso que não tinha pensado em nada disso enquanto estava produzindo o texto. Só agora eu percebia o quanto aquilo era catártico e afrodisíaco, uma espécie de doce vingança. Na minha concepção, o livro representava a revolta de todos os ghost writers indefesos contra a tirania e a vilania dos editores do planeta inteiro.


– A questão não é se eu fiquei ofendido ou não. O ponto central é que esse tipo de abordagem é para um público diferente do nosso. Não me importaria de passar vergonha nas páginas de uma obra, mas depois ganhar muito dinheiro com suas vendas. O problema aqui é muito claro para mim: incompatibilidade entre o desejo dos leitores e o que estamos oferecendo a eles.


Bingo! Paulo trazia agora a desculpa esfarrapada número dois. Se eu me mantivesse firme na defesa do conteúdo original da publicação, ele traria, na certa, as outras duas justificativas clássicas para desaprovar o material. Como os editores podem ser previsíveis, né? Será que eles não sabem o quão patético é fugir da verdade.


Por que será que eles não chegam para a gente e dizem: “Não quero saber de você e do seu livro. Vocês são uns lixos. Fora da minha sala, agora!”. Ou simplesmente: “Não gostei do texto e pronto. Não vou lançar um livro que eu não goste! Procure um editor com gosto duvidoso ou menos criterioso na avaliação”. Essas seriam posturas sinceras e elogiosas. Mas não. O que eles fazem para terminar o debate? Falam sem nenhum ponto de vergonha: “Olha, amorzinho, o problema não está em você. Eu até gosto da nossa relação e da sua pessoa. Você é ótimo(a)! O problema sou eu”. Covardes!


– Se você quiser tirar essa parte, Paulo, por mim não tem problema – blefei. Se os editores podiam emoldurar os discursos ao seu bel prazer, por que eu tinha que evitar esse recurso? – Se eu não precisar escrever nada no lugar, está beleza. O problema será convencer o Roberto. Adianto que ele gostou muito do romance no meio dos capítulos técnicos. Ele inclusive pautou a narrativa para destacarmos os pontos mencionados no Planejamento Estratégico. Talvez não seja tão fácil assim convencê-lo a excluir esse texto.


– Do Roberto cuido eu. Vou aproveitar que preciso mesmo ligar para ele e já esclareço que só os capítulos técnicos foram aprovados. Então você concorda em tirar sua historinha do livro?


– Se eu não precisar escrever nada no lugar, concordo.


– Você não precisará fazer mais nada! Vamos mexer em algumas coisas no texto, coisas normais que você já está acostumado, mas não será preciso acrescentar nada novo. A obra ficará menor do que esperávamos, mas não vejo problema.


– Então beleza. Mas converse primeiro com o Roberto. É ele quem precisa aprovar a mudança, não eu.


Não me pergunte como, mas eu intuía que o Roberto jamais iria aceitar a exclusão dos capítulos romanceados. Se eu que não sou muito inteligente percebi os motivos do editor para podar essa parte da obra, o autor, um cara muito mais vivo do que eu, na certa já havia sacado há um tempão as prováveis reclamações do Paulo. E lembremos: se eu tinha o que me vingar do dono da Pomelo, meu amigo de São José também tinha. Se eu fora envolvido em uma armadilha das mais sacanas, Roberto fora a outra vítima do golpe da editora.


– Sim, vou falar com ele agora mesmo – Paulo se levantou da cadeira, sacou o celular e me cumprimentou friamente. Era o indício de que a reunião estava encerrada – Temos várias coisas para acertarmos. Depois eu te ligo para a gente combinar os próximos passos do livro.


Claro que os dois tinham o que acertar. Roberto não tinha sequer assinado o contrato com a editora. Onde já se viu primeiro produzir o texto da obra para depois discutir os aspectos comerciais e contratuais do título? Ou o Paulo era louco ou ele era maluco.


– Está bem. Bom dia.


Saí da editora com a sensação de dever cumprido. Ao chegar na portaria do prédio, notei que havia esquecido de perguntar sobre a despesa do dentista. Sem dúvida, essa seria a primeira indagação da Dora quando me visse. Da próxima vez, eu questionaria o Paulo sobre isso. Contudo, se ele não disse nada na reunião, é porque ele pagaria numa boa.


Deixei a rua da editora e entrei na primeira farmácia. A Dora havia pedido para comprar um remédio para enjoo e para levá-lo ao seu escritório. Desde que eu voltara de viagem, ela estava super carente. Não parecia mais uma versão brasileira da Joana d'Arc, pronta para queimar tudo e todos com sua impetuosidade.


Após comprar o remédio, liguei para ela. Dora atendeu no primeiro toque. Realmente, aquela era uma nova mulher.


– Bom dia, amor – Falei demonstrando meu bom humor – Como vocês estão? Fica tranquila, já comprei o remédio e estou passando aí. Posso sim. Vai ser legal almoçar com você. Há quanto tempo a gente não almoça junto durante a semana, hein? Beleza. Em meia hora eu chego. Beijo.


Entrei no metrô e segui para o escritório da Couto & Pacheco Associados na Avenida Faria Lima. Eu era agora um escritor em ascensão, um marido exemplar e, quem sabe, um futuro pai presente e participativo.


Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

A Editora Pomelo é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
A Dança & Expressão é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
Eduardo Villela é Eduardo Villela é book advisor e parceiro do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento

Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

bonashistorias.com.br

Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

Mandarina é a livraria diferenciada que está localizada em Pinheiros, na cidade de São Paulo
BonaBelle Design & Organização é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
A Epifania Comunicação Integrada é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento