• Ricardo Bonacorci

Peças teatrais: O Homem de La Mancha - A beleza de um clássico


Nesse sábado, fui assistir ao musical "O Homem de La Mancha", no teatro do SESI na Avenida Paulista. A versão original dessa obra foi lançada em 1965 na Broadway e teve como inspiração a obra Don Quixote, de Miguel de Cervantes. No Brasil, a primeira adaptação da peça foi feita em 1972 por Flávio Rangel. Trata-se de um clássico do teatro musical contemporâneo. Inclusive já tinha lido citações sobre esta peça em um livro de Gestão Empresarial, mas ainda não tinha tido a oportunidade de vê-la pessoalmente. Quem ler "Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" verá que Steve Covey comenta alguns pontos sobre o musical.

Nesta nova adaptação, Miguel Falabella ficou encarregado da direção. Ótima escolha! A história se passa em um manicômio. Lá é levado Miguel de Cervantes e seu fiel aliado Sancho Pança. Para provar sua sanidade mental aos diretores da instituição psiquiátrica, o escritor espanhol decide ensaiar uma peça teatral contando a história de amor e loucura de Don Alonso Quijana, o vulgo Don Quixote de La Mancha. Ele se apaixona por Aldonza, por quem insiste em chamar de Lucinéia. A moça, por sua vez, evita as investidas do amalucado pretendente. O divertido da história é que para compor os demais personagens da peça são chamados os pacientes do hospício, onde Miguel de Cervantes está, para fazer a figuração. Os médicos e os enfermeiros surgem de tempo e tempo para atrapalhar a encenação da trupe.

O musical é primoroso. A história é excelente, com humor e ação na medida certa. O figurino e o cenário são belíssimos, no padrão da Broadway e das montagens do SESI. Alguns números são superlativos, como é comum neste tipo de gênero teatral: 35 atores dividem o palco (em muitas ocasiões simultaneamente) e 16 músicos integram a orquestra. As escolhas das músicas e dos atores também foram muito bem feitas. Apesar de algumas canções terem sido repetidas ao longo da peça, elas são, de um modo geral, muito interessantes. Destaque para a adaptação de "Impossible Dream", canção gravada por Frank Sinatra e Elvis Presley. Confesso que sai do teatro cantarolando essa música.

Nos papéis principais, o talentoso Cleto Baccic ficou encarregado da interpretação de Don Quixote e de Miguel de Cervantes e a belíssima e competentíssima Sara Sarres ficou incumbida de viver Aldonza e Dulcinéia. Os dois têm atuação primorosa. Jorge Maya, como Sancho, também rouba a cena várias vezes, principalmente com os lances engraçados protagonizados por seu personagem.

O SESI tem se tornado uma referência nacional da produção de grandes musicais. No ano passado, assisti a "Madrinha Embriagada" (outra direção de Miguel Falabella, com interpretação também de Cleto Baccic e Sara Sarres), peça de grande sucesso (foi vista por mais de 150 mil pessoas e ganhou o Prêmio Aplauso Brasil de melhor musical, além de dez indicações ao Prêmio Bibi Ferreira). Comparando as duas produções, acho "O Homem de La Mancha" muito superior à "Madrinha Embriagada" em relação à história e à mensagem (em relação à qualidade da produção, elas se equivalem). Por mais engraçadinha que "Madrinha Embriagada" tenha sido, eu senti falta de alguma coisa no final. Percepção esta inexistente na nova produção de Falabella. "O Homem de La Mancha" é uma obra densa e completa. As alterações promovidas por Miguel Falabella, remetendo a história para um hospício, a deixaram ainda mais forte e impactante.

Curiosamente, quando falamos em teatro musical, as pessoas que não gostam desse gênero têm duas justificativas para condená-lo. A primeira é o preço. Normalmente, os musicais são muito caros, com ingressos na ordem dos três dígitos. O segundo é que eles seriam chatos. Muita gente os considera "parados" e "sem graça". Para quem compartilha de alguma dessas opiniões, eu me sinto na obrigação de rebater essas críticas. Como um amante dos musicais, eu não os vejo nessa perspectiva. Em relação ao preço, o SESI oferece os ingressos gratuitamente. Para os interessados, basta comparecer nos horários indicados para a retirada das entradas (chegue com pelo menos uma hora de antecedência para não correr o risco de ficar sem o seu) ou entrar no site indicado pela instituição para reservá-lo. Ou seja, quem disse que é preciso gastar muito dinheiro para ver um ótimo musical? O SESI proporciona uma excelente programação artística cobrando muito pouco ou nada por isso. Normalmente, os musicais bem sucedidos do SESI ficam quase um ano em cartaz. Agora, para quem os considera chatos, o que eu posso dizer? Gosto é gosto. Entretanto, eu tenho uma teoria para quem não gosta desse gênero. Muitas pessoas com essa opinião acabam não prestando a atenção nas letras das músicas. A chave para compreender este tipo de enredo é entender as mensagens por trás das letras das canções. As músicas nas peças musicais são fundamentais. Pode parecer meio óbvio falar isso, mas infelizmente uma parte do público, não acostumado a esse gênero, acaba desprezando a mensagem das letras das músicas e por isso considera a peça enfadonha e chata, não conseguindo compreendê-la em sua totalidade.

O "Homem de La Mancha" deve ter sua temporada encerrada este ano (vai até o dia 22 de dezembro). Quem ainda não foi ver e gosta de bons musicais, vale a pena ir. Há previsão da peça prosseguir em cartaz em 2015, apesar de não existir uma definição de quando e em quais horários. Se ela continuar no próximo ano, mais um motivo para você vê-la.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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