• Ricardo Bonacorci

Desafio Literário de maio/2020: Maria José Dupré


Se no mês passado o Desafio Literário analisou um ícone norte-americano, Jack Kerouac, vamos focar em maio na literatura brasileira. A autora escolhida para nosso novo estudo é Maria José Dupré. Um dos principais nomes da ficção nacional na metade do século XX, Dupré produziu grandes sucessos como “Gina” (Ática) e “Os Rodriguez” (Ática). Alguns de seus principais títulos são lidos até hoje e foram traduzidos para outros idiomas. Sua principal obra é indiscutivelmente “Éramos Seis” (Ática), romance publicado em 1943 e que foi adaptado inúmeras vezes para a televisão. Há inclusive uma versão de telenovela da Rede Globo baseada nessa história que saiu do ar recentemente.


Além da literatura para adultos, Maria José Dupré também escreveu vários livros infantis e infantojuvenis de grande sucesso de crítica e de público. “A Ilha Perdida” (Ática), “A Montanha Encantada” (Ática) e “A Mina de Ouro” (Ática), por exemplo, foram best-sellers da famosa coleção “Vaga-Lume”, febre editorial nas décadas de 1980 e 1990. A série infantil “O Cachorrinho Samba” (Ática) recebeu os principais prêmios literários no Brasil em sua categoria e é, até hoje, uma narrativa com a capacidade de emocionar a criançada.


Apesar de sua inegável importância histórico-literária, Maria José Dupré foi renegada, nas últimas décadas, ao segundo plano dos autores clássicos da literatura brasileira. Isso explica o porquê de muitos leitores contemporâneos não a conhecerem à fundo. Sinceramente não sei o motivo para essa desvalorização precoce. O que sei é que a ideia de incluirmos seu nome nos estudos estilístico do Bonas Histórias é uma maneira de nos redimirmos dessa falha imperdoável.


Maria José nasceu, em 1898, em Botucatu, no interior paulista. Foi ali onde passou toda a infância. Na juventude, mudou-se para São Paulo, formando-se no magistério. Trabalhou alguns anos como professora, até se casar com o engenheiro Leandro Dupré. Somente após o matrimônio é que Maria José começou a se dedicar ao ofício de escritora. Ela foi muito incentivada pelo marido, que ficava encantado com suas narrativas.


Após a publicação pontual de alguns contos nos jornais da capital paulista entre o final da década de 1930 e o início dos anos de 1940, Maria José Dupré estreou na literatura comercial com o lançamento, em 1941, de “O Romance de Teresa Bernard” (Brasiliense). Assim como aconteceu durante boa parte de sua carreira, ela usou o nome Sra. Leandro Dupré para estampar a capa desse primeiro livro (a denominação Maria José Dupré surgiria apenas na década de 1950). O lançamento de “O Romance de Teresa Bernard” marcou o início do período de ouro da produção literária da autora paulista. Nos dez anos seguintes, ela escreveria seus principais livros.


Em 1943, “Éramos Seis”, o segundo romance de Dupré, chegava às livrarias. Sucesso quase instantâneo, a obra conquistou o Prêmio Raul Pompéia da Academia Brasileira de Letras, a honraria literária mais importante daquela época. Empolgada com o êxito do livro, a escritora passou a se dedicar à literatura como profissão. Anos mais tarde, em 1949, uma continuação da história clássica de “Éramos Seis” foi lançada. “Dona Lola” (Brasiliense) relata mais detalhes sobre os perrengues da família Lemos.


Além de “Éramos Seis” e “Dona Lola, Maria José Dupré publicou outros sete romances adultos. As tramas desses livros giram quase sempre em torno dos dramas femininos. Os maiores sucessos dessa lista são: “Luz e Sombra” (Ática), de 1944, “Gina”, de 1945, e “Os Rodriguez”, de 1946.


Em 1943, a escritora de Botucatu estreou na literatura infantojuvenil com “Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca” (Brasiliense). Nos títulos seguintes dessa categoria, Dupré deu sequência à trama da animada e corajosa turma de amiguinhos. “A Ilha Perdida”, de 1944, “A Montanha Encantada”, de 1945, e “A Mina de Ouro”, de 1946, são seus maiores sucessos infantojuvenis. Em 1949, Dupré iniciava a série “O Cachorrinho Samba” com o livro homônimo. Ao todo, essa coletânea infantil sobre o carismático e endiabrado Fox teve seis títulos.

Para contemplarmos todas as facetas da literatura de Maria José Dupré, escolhemos analisar, em maio, três romances adultos e três livros infantojuvenis da escritora paulista. Segue, a seguir, a programação desse mês do Desafio Literário do Bonas Histórias:


- 6 de maio de 2020 - Análise de “Éramos Seis” (1943).


- 10 de maio de 2020 - Análise de “A Ilha Perdida” (1944).


- 14 de maio de 2020 - Análise de “Gina” (1945).


- 18 de maio de 2020 - Análise de “A Mina de Ouro” (1946).


- 22 de maio de 2020 - Análise de “Os Rodriguez” (1946).


- 26 de maio de 2020 - Análise de “O Cachorrinho Samba” (1949).


- 30 de maio de 2020 - Análise da literatura de Maria José Dupré.


O primeiro livro do Desafio Literário de Maria José Dupré que vamos discutir na próxima semana é justamente seu maior sucesso, "Éramos Seis" (Ática). O post com a análise deste romance será publicado no blog na quarta-feira, dia 6. Boa leitura para todos nós!


Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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