Dança: Breve História da Dança

Inauguro, hoje, a minha participação na coluna Dança do Bonas Histórias falando um pouco sobre a história da dança - seu surgimento e desenvolvimento. A dança, junto com o teatro e a música, foi uma das principais artes cênicas da Antiguidade. Ela é uma das poucas artes que não precisa de instrumentos nem de ferramentas para se manifestar. A dança depende apenas do nosso corpo, dos corpos em movimento. Gosto muito da definição do filósofo, crítico cultural, poeta e compositor prussiano Friedrich Nietzsche (1844 – 1900): “A dança é a única arte em que o artista se torna a própria obra de arte”. A dança está presente em todos os países e culturas, envolvendo desde as crianças até os idosos. Através desta arte pode se transmitir amor, contentamento, tristeza e incontáveis sentimentos.

 

A história da dança é longa, sendo uma das expressões artísticas mais antigas. Quem aqui nunca bateu o pé ouvindo uma música? Pois era assim, com as batidas dos pés, que tivemos as primeiras manifestações de dança. Isso se deu na Pré-história. Através das pinturas nas paredes das cavernas, a arte rupestre, tivemos conhecimento que já se dançava naquela época. A dança, em seus primórdios, não era acompanhada de música. Porém, aos poucos, o homem foi percebendo que com as diferentes intensidades das batidas dos pés podia-se criar sons variados. E depois, os movimentos das mãos foram incorporados à dança, e com as palmas se produziram mais ritmos. Na Pré-história, a dança tinha um caráter de certa forma mágico: ela servia para que cada povo pudesse ter melhores colheitas, induzisse à chegada da chuva, enfrentasse grandes animais, saísse em busca de alimentos e água, celebrasse datas especiais e agradecesse às divindades. 

 

No Egito antigo, a dança adquiriu um papel religioso. Ela era vista como algo sagrado, feita para agradecer ou para se fazer pedidos aos deuses. Essa característica transcendental também foi muito comum aos povos asiáticos, tendo sobrevivido até hoje na cultura de países como o Japão e a Índia.

 

Na Antiguidade grega, a dança era utilizada em rituais religiosos. Por isso, sua prática era invariavelmente em grupo. Ela também servia para que os guerreiros se preparassem fisicamente para os combates. Esta arte tinha uma grande importância no teatro, onde era interpretada por meio do coro. Com o passar do tempo, a dança foi perdendo seu aspecto estritamente religioso, passando a se associar aos jogos, principalmente aos jogos olímpicos. Aristóteles chegou a comparar a dança à poesia. Ele disse que o dançarino, assim como o poeta, era capaz de expressar suas emoções, desejos e atitudes.

Na Roma antiga, a dança não tinha qualquer caráter religioso, entrando inclusive em decadência. Ela era usada apenas em festas e bacanais. Foi aí que ela ganhou um aspecto mais sensual. Na Idade Média, com a expansão do Cristianismo pela Europa, a dança perdeu importância e foi depreciada. A moral cristã via o corpo como fonte de pecado e, assim, considerava a dança como uma arte profana. Por isso, diferente das outras artes, a dança não entra de jeito nenhum nas igrejas, se restringindo às festas populares.

 

Apenas nos séculos XVI e XVII, no Renascimento, a dança (re)começou a ganhar destaque. Ela passou a ser apreciada pela nobreza e voltou a ter um caráter teatral e social. Nesse período, ela passou a ser mais estudada, ganhando manuais e professores especializados. E deixa, assim, de ser uma atividade apenas lúdica para se tornar mais complexa e com um repertório de movimentos mais elaborados. Os espetáculos teatrais ganharam passos ensaiados, músicas, figurinos próprios, iluminação e cenários majestosos.

 

Na Itália, a dança integrada ao conjunto de passos e ritmos começou a ser chamada de “balleto”, que significa bailar. Esta modalidade de dança era uma releitura das danças tradicionais da corte, misturando arte, política e socialização. Se antes a dança tinha um cunho religioso e sagrado, aqui ela passa a ser usada especialmente para exaltar o Estado. A princesa florentina Maria de Médice, apaixonada por música e dança, casou-se, em 1600, com o rei da França Henrique IV. Foi ela quem introduziu o “balleto” na França, que neste país passou a ser chamado de ballet, uma arte digna de ser praticada na corte.

 

A França da dinastia dos Bourbon vivencia a era dourada da produção cultural. A dança deixa de se restringir aos salões e invade os palcos dos grandes teatros. É o início dos grandes espetáculos dançantes. O século XVII é considerado a grande fase do ballet. No século seguinte, o ballet foi incorporado à Ópera de Paris. Assim, o ballet ganhou mais reconhecimento, se fortalecendo como arte.

 

A partir daí, os dançarinos passam a expressar seus sentimentos e emoções com mais liberdade e veracidade. Os grandes espetáculos de ballet passam a contar histórias nos palcos, com começo, meio e fim. Foi neste período que os dançarinos de ballet começaram a usar as sapatilhas para dançar. A dança passou a fazer parte da educação da nobreza. As modalidades mais conhecidas eram o minueto, a gavote, a zarabanda, a allamande e a giga.

Foi no final do século XVIII, na Áustria, que surgiu a valsa. Esta foi a primeira dança em que os casais tinham que dançar abraçados e de frente um para o outro. Por isso, esta modalidade dançante causou inicialmente grande escândalo, principalmente entre os mais conservadores. Mas logo a valsa se espalharia por toda a Europa, chegando até o Brasil através da corte portuguesa.

 

O Romantismo, no século XIX, é incorporado ao ballet, que até então narrava histórias de fadas, de fantasias e de bruxas. Neste período, o ballet se consolida como forma de expressão artística e ganha mais notoriedade na corte russa. O ballet romântico teve seu auge com a criação das obras do compositor russo Piotr Ililch Tchaikovsky (1840 – 1893) e com as atuações do bailarino Marius Petipa. Os espetáculos mais famosos desta época são “O Lago dos Cisnes” e “O Quebra-Nozes”.

 

No final do século XIX, as antigas colônias americanas também passaram a fazer suas próprias criações, a partir das releituras das danças e das músicas europeias. Foi também neste período que as danças em pares, hoje conhecidas como Danças de Salão, se desenvolveram, como o choro e o samba, no Brasil, e o tango, na Argentina e no Uruguai.

 

A partir do século XX, a dança moderna faz uma ruptura com as tradições e a rigidez do ballet. Novas formas de se dançar e de se expressar com o corpo são criadas. Portanto, abrem-se as portas para muitas linguagens. A diversidade passa a ditar os movimentos e a incorporar os sons dos mais variados ritmos. A dança atual tem muitos elementos e muitas modalidades. Não há qualquer restrição para a criatividade dos dançarinos e dos coreógrafos contemporâneos.

 

No próximo post da coluna Dança, vamos falar mais da Dança Moderna e da Dança Contemporânea. E para terminar o texto de hoje do Bonas Histórias com uma pegada inspiradora, deixo aqui uma frase de George Balanchine, um dos grandes nomes do ballet russo: “Dançarinos são instrumentos, como um piano que o coreógrafo toca”.

 

Dança é a coluna de Marcela Bonacorci, dançarina, coreógrafa, professora e diretora artística da Dança & Expressão. Esta seção do Bonas Histórias apresenta mensalmente as novidades do universo dançante. Gostou deste conteúdo? Não se esqueça de deixar seu comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre este tema, clique na coluna Dança. E aproveite também para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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