• Ricardo Bonacorci

Melhores Músicas Ruins: Premiação de 2020


O ano de 2020 pode ter sido atípico para boa parte dos habitantes do planeta. Para os colecionadores de música ruim, grupo do qual integro com muito orgulho e que passa os dias trancado dentro de um quarto escuro só ouvindo música brasileira verdadeiramente popular (nunca entendi esse papinho de que MPB é um gênero popular – só é no nome), os últimos doze meses foram perfeitamente normais.


Toda semana (às vezes, todo dia) surgiam novas canções que mereciam nossa atenção, análise e categorização. A demanda de trabalho foi tão elevada que confesso certa surpresa com esse paniquito das pessoas em relação a vírus, pandemia, lockdown, quarentena e vacina. Com tantas faixas ruins tocando nas rádios, nas playlists, no Spotify e (a grande novidade desse ano) em lives, para que se preocupar com outro tipo de propagação epidêmica, hein? Como alguém que está se afogando em alto-mar, eu prefiro ficar abraçado com a genuína música brasileira, uma das mais ricas e legítimas manifestações culturais do nosso país.


Usando o material farto e inédito disponibilizado pelos compositores e cantores nacionais, a sexta edição do Prêmio Melhores Músicas Ruins, uma tradição do Bonas Histórias, apresenta um repertório de grande qualidade e variedade. As vinte melhores músicas ruins de 2020 contemplam seis gêneros: sertanejo, forró, funk, pop, rap/hip-hop e pagode. Ou seja, ninguém pode nos acusar de preconceito musical. O nosso negócio é canção ruim, independentemente do tipo e do cantor. Se é ruim, tá ótimo!


A cerimônia do Prêmio Melhores Músicas Ruins desse ano foi realizada na noite de ontem, sábado. Por causa das medidas de distanciamento social, pela primeira vez o evento ocorreu virtualmente. Devido ao sucesso dessa modalidade (ao menos para os organizadores – além de economizarmos na locação de espaço e com os comes e bebes da festa, não precisamos interagir com um bando de gente alcoolizada e com uma multidão de fãs barulhentos na porta do teatro), já estamos planejando a manutenção dessa dinâmica para os próximos cinco anos (obrigado, governo federal, por não querer trazer a vacina tão rapidamente para essas bandas).


A comissão julgadora do prêmio foi a mesma das cinco últimas edições. Trata-se da SOSAMOR (Sociedade Orelhuda Secreta dos Adoradores das Músicas Orgulhosamente Ruins). As identidades dos integrantes do SOSAMOR (pronuncia-se SOS AMOR) são mantidas em sigilo porque a maioria deles tem vergonha de participar de tal comunidade. Respeitamos todos aqueles que ainda não saíram do toca-discos.


O grande vencedor do Orelhão de Ouro (sim, esse é o apelido carinhoso do nosso troféu!) de 2020 foi a dupla Guilherme e Benuto. Eles são os intérpretes da impecável “Três Batidas”, desde já um clássico da música brasileira. Os sertanejos são estreantes no Prêmio Melhores Músicas Ruins. Outra estreante é Luisa Sonza, a vencedora do Orelhão de Prata. Ela dá voz a bela canção “Olhos Castanhos”. O Orelhão de Bronze ficou com um velho conhecido, Wesley Safadão. Ao lado de Zé Neto & Cristiano, o forrozeiro canta “Na Cama que Eu Paguei”, uma das gratas surpresas desse ano. Apesar de não terem levado nenhum Orelhão metálico para casa, Dilsinho e a dupla Henrique & Juliano emplacaram duas faixas cada na lista das vinte melhores canções dessa edição do prêmio. Eles inclusive cantam juntos “Sogra”, uma das letras mais profundas da música popular contemporânea. Esse hit ficou na 13ª colocação no ranking das melhores da última temporada musical.


Confira, a seguir, a lista completa dos vencedores do Prêmio Melhores Músicas Ruins de 2020:


20ª posição: “Romance Desapegado” – Conde do Forró – Forró


19ª posição: “Ela Aperta a Minha Mente” – Xand Avião e Os Barões da Pisadinha – Forró


18ª posição: “Menina Solta” – Giulia Be – Pop


17ª posição: “Misturados” – Dilsinho – Sertanejo


16ª posição: “Amor e Fé” – Hungria – Rap/Hip-hop


15ª posição: “Letícia” – Zé Vaqueiro – Forró


14ª posição: “Nem Guindaste” – Jottapê e Mila – Funk


13ª posição: “Sogra” – Dilsinho e Henrique & Juliano – Sertanejo


12ª posição: “Ela Tá Podendo” – MC Kekel, Mumuzinho e Maiara & Maraisa – Funk


11ª posição: “Amor de que” – Pabllo Vittar – Pop


10ª posição: “Casa do Amor” – Ferrugem – Pagode


9ª posição: “Cara Feio” – Fernando & Sorocaba – Sertanejo


8ª posição: “Tangerina” – Tiago Iorc – Pop


7ª posição: “Liberdade Provisória” – Henrique & Juliano – Sertanejo


6ª posição: “Já Peguei Coisa Pior” – Tierry – Forró


5ª posição: “Bebi Minha Bicicleta” – Zé Neto & Cristiano – Sertanejo


4ª posição: “Pare, Pensa e Volta” – Yasmin Santos e Marília Mendonça – Sertanejo


3ª posição: “Na Cama que Eu Paguei” – Wesley Safadão e Zé Neto & Cristiano – Forró


2ª posição: “Olhos Castanhos” – Luisa Sonza – Funk


1ª posição: “Três Batidas” – Guilherme & Benuto – Sertanejo


Parabéns aos vencedores da sexta edição do Prêmio Melhores Músicas Ruins! Contamos com todos vocês para a premiação de 2021. Afinal, precisamos manter a qualidade e a variedade de nossas criações musicais no próximo ano. Até lá!


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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