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Keli Quitutes

A literatura de Isabel Allende possui três fases distintas. Na primeira delas, que se estendeu por toda a década de 1980, a escritora chilena produziu romances históricos ambientados na América do Sul. Seus primeiros livros ficcionais, “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), “De Amor e de Sombra” (Bertrand Brasil) e “Eva Luna” (Bertrand Brasil), por exemplo, foram protagonizados invariavelmente por figuras femininas de personalidade forte, possuíam elementos de realismo fantástico e seus enredos eram afetados substancialmente pelas influências do cenário externo (a camada mais frágil da população estava suscetível a perseguições, violências, injustiças sociais e desmandos políticos de militares e/ou de caudilhos que se perpetuavam no poder).

Na segunda etapa de sua produção ficcional, iniciada com a chegada dos anos 1990, Allende passou a ambientar seus romances nos Estados Unidos, país onde foi morar em 1988. Para ser mais exato em minha análise, a chilena escolheu como nov...

Avancemos ainda mais na compreensão do Modelo de Análise Estilística de Romances (MAER). A ideia é debater, no post de hoje do Bonas Histórias, a Análise Horizontal, a terceira etapa do MAER. Quem chegou agora e não está por dentro do que está rolando nessa temporada da coluna Teoria Literária, eu explico rapidamente. Estamos estudando uma matriz de pesquisa, o tal Modelo de Análise Estilística de Romances, que permite ao analista literário investigar o estilo dos romancistas. Nos últimos meses, apresentamos os Onze Elementos Constituintes do MAER, sua primeira etapa, a Identificação do Tipo de Estudo, e a sua segunda etapa, a Definição Estatística da Pesquisa. Portanto, agora estamos preparados para caminhar mais um pouco.

Estabelecidos o censo/amostra e a amostragem do estudo (estágios da Definição Estatística da Pesquisa), o passo seguinte é realizar a Análise Horizontal dos romances considerados. Cada um dos títulos integrantes do conjunto amostral deve ser estudado indivi...

Li, nesta semana, “Meu País Inventado” (Bertrand Brasil), o quarto livro de Isabel Allende do Desafio Literário de outubro. Esta obra é classificada formalmente como as memórias da escritora chilena. Lendo essas linhas, um fã mais atento (e crítico) poderá reclamar: mais uma autobiografia de Allende, né?! O comentário ácido faz, à princípio, todo o sentido. “Paula” (Bertrand Brasil), publicado oito anos antes, tinha essa mesma característica/função. Naquela primeira narrativa biográfica, a autora, uma das principais figuras da literatura contemporânea em língua espanhola, descrevia de maneira sublime sua trajetória pessoal, familiar e profissional. Não à toa, “Paula” é um dos títulos mais famosos e emocionantes de Isabel Allende até hoje.

Então, “Meu País Inventado” é um livro sem muitas novidades para quem já leu a obra de memórias anterior, certo? Errado! Confesso que eu tinha a expectativa, no início desta leitura, de me deparar com um texto repetitivo e com um conteúdo sem...

Os cinemas reabriram na cidade de São Paulo. Uhu! Desde sábado, dia 10, já é possível pegar uma sessão em várias salas da capital paulista. Essa é, evidentemente, a boa nova dos últimos dias do setor cinematográfico. A má notícia é que nem todas as salas voltaram a operar - algumas por decisão momentânea, como as redes Cinemark e Cinépolis (elas estão voltando aos poucos), e outras em caráter definitivo (fecharam de vez). Como bom cinéfilo que sou, interrompi o jejum forçado de mais de seis meses sem filmes nas telonas na primeira oportunidade. Seguindo os protocolos de higiene, fiz uma visita, nesta terça-feira à tarde, ao Petra Belas Artes (ou Cine Belas Artes para quem for avesso aos naming rights). E minha escolha recaiu sobre o mesmo longa-metragem que iria assistir quando as medidas de distanciamento social foram decretadas na cidade em março: “Tel Aviv em Chamas” (Tel Aviv On Fire: 2018).

Lembro-me, como se fosse hoje, que na fatídica semana do fechamento dos cinemas, e...

Em dezembro de 1991, Isabel Allende já era uma das principais escritoras sul-americanas. Seus quatro primeiros romances, “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), de 1982, “De Amor e de Sombra” (Bertrand Brasil), de 1984, “Eva Luna” (Bertrand Brasil), de 1987, e “O Plano Infinito” (Bertrand Brasil), de 1991, tinham sido lançados com êxito em vários países da Europa, da América do Norte e da América do Sul. Morando nos Estados Unidos desde 1988 com o segundo marido, um advogado norte-americano, a autora chilena levava uma vida, enfim, tranquila. A situação parecia ter entrado nos eixos depois de tempos de intermináveis complicações.

Vale lembrar que o inferno astral de Isabel começou justamente com a decretação do golpe militar no Chile, em setembro de 1973. Sobrinha de Salvador Allende e jornalista combativa, ela foi perseguida pelo governo de Augusto Pinochet. Não foram poucas as ameaças de morte que recebeu. Assustada, Isabel Allende teve de se exilar com a família por 13 an...

Sei que serei apedrejado por muitos colegas na praça pública das redes sociais. Também sei que serei tachado de traidor da causa por muita gente que não aceita opiniões divergentes. Afinal, como alguém que trabalha no mercado editorial pode ser a favor do novo imposto dos livros, hein?! A questão é justamente esta. Por estar inserido neste setor, não quero privilégios. Na minha visão, um dos grandes problemas do Brasil é que cada um exige vantagens para si e para os seus, independentemente da coletividade. É o famoso olhar para o próprio umbigo (e que se dane todo o resto!). Quem me conhece sabe o quanto abomino qualquer tipo de mordomias que perpetuam injustiças históricas. Não por acaso, estamos na segunda nação mais desigual do planeta.

Neste sentido, a reforma tributária que está sendo estudada pelo governo federal, que pretende unificar o PIS e o Confins na nova Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS) e que propõe, entre outras medidas, o fim da isen...

Li, nesta semana, “Eva Luna” (Bertrand Brasil), o terceiro romance de Isabel Allende. Após o sucesso meteórico de “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), sua primeira narrativa longa e também seu primeiro best-seller internacional (livro este analisado na segunda-feira, dia 5, no Bonas Histórias), a escritora chilena passou a investir na produção de romances históricos ambientados no conturbado cenário político-social da América do Sul. Com pitadas generosas de realismo fantástico, personagens encantadoras, humor inteligente, cenas inesquecíveis, críticas sociais pesadas, sátiras políticas divertidíssimas e dramas sentimentais contundentes, Allende criou um receituário narrativo original e de enorme repercussão comercial na década de 1980. “Eva Luna”, o segundo dos seis livros da autora que serão comentados no Desafio Literário de outubro, é peça fundamental para compreendermos este início arrebatador da carreira literária de Isabel Allende, um dos mais populares nomes da f...

Meu celular tocou de um jeito bisonho. Demonstrando que não estava mais aguentando os dissabores recentes, ele resolveu protestar como podia: esperneando em tom baixo, inconstante e anasalado. Era o sussurro metálico de um aparelho a ponto de sucumbir. Infelizmente, eu entendia o seu estado de espírito naquela noite. A alteração de som devia ser consequência tanto da queda sofrida à tarde quanto da garoa que ele estava recebendo na última hora. Por mais que eu tentasse protegê-lo com o guarda-chuva aberto, sempre um pouco de água espirrava.

Depois de ver de quem era a ligação, procurei um lugar menos molhado na calçada e atendi. Precisava me esforçar para parecer minimamente bem.

– Alô.

– Oi, amor! Tá tudo bem aí?   

– Sim, Dora. Está tudo ótimo. Melhor impossível.

– Que bom. Fiquei preocupada. Tive pressentimentos ruins.

– Pressentimentos ruins?!

– Na verdade, não foram pressentimentos. Aproveitei que cheguei mais cedo hoje, aquele lance do eletricista que você tinha marcado,...

Comecemos a análise da literatura de Isabel Allende, a escritora chilena que será estudada em profundidade no Desafio Literário deste mês, pelo seu romance de estreia. “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil) não é apenas o primeiro romance de Allende como é sua obra mais famosa até hoje. Sucesso instantâneo de público e de crítica, este livro se tornou um best-seller em vários países. Li esta publicação no último final de semana e confesso que fiquei maravilhado com seu conteúdo. Ao lado de “Os Vestígios do Dia” (Companhia das Letras), de Kazuo Ishiguro, e “Uma Questão Pessoal” (Companhia das Letras), de Kenzaburo Oe, “A Casa dos Espíritos” é um dos melhores títulos que li neste ano (e, sem dúvida nenhuma, é também um dos romances históricos mais impactantes que conheci).   

Publicado em 1982 por uma editora de Buenos Aires, “A Casa dos Espíritos” nasceu de uma carta que Isabel Allende escreveu, no ano anterior, para seu avô, então com 99 anos e que parecia estar à beira...

03.10.2020

Ó mar salgado. Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal... O mar inspira a humanidade há séculos! Ele desafia e acalanta, une terras distantes e pode ser benção ou maldição ao sabor de seu humor. Seu trabalho incansável sob a batuta da lua é música pros ouvidos.

Um dos grandes amantes do mar foi Jorge Amado. O baiano, autor de “Mar Morto”, “Capitães de Areia”, “A Estrada do Mar”, “Gabriela, Cravo e Canela” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, todos pela Companhia das Letras, aventurou-se pelo romance, pela poesia, pelo teatro e, claro, pelo mar.

Quando tinha, aproximadamente, 14 miliádios de vida, escreveu “O Mundo da Paz” (Vitoria), livro no qual relata sua viagem por vários países da União Soviética. Aos 30 mil dias de vida, ganhou o Prêmio Camões. Seu falecimento completa 7 miliádios no dia 5.

Quem também ganhou o Prêmio Camões foi Raduan Nassar. Ele conseguiu tal proeza com apenas 3 livros lançados: “Lavoura Arcaica”, “Um Copo de Cólera” e “Menina a Caminho”, todos pela Comp...

Depois de analisar a literatura de Rubem Fonseca em setembro, o Desafio Literário deixa o território brasileiro, atravessa a Cordilheira dos Andes e chega ao Chile. A escritora que será estudada em outubro no Bonas Histórias é Isabel Allende, uma das vozes latino-americanas mais populares da atualidade. Traduzida para quatro dezenas de idiomas e com mais de 70 milhões de livros vendidos, Allende é a autora viva de língua espanhola mais lida no mundo. Ela é dona de best-sellers internacionais como “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), “Eva Luna” (Bertrand Brasil) e “Paula” (Bertrand Brasil). É impossível falar da literatura contemporânea sul-americana sem citar o nome de Isabel Allende.

Nascida em Lima, no Peru, em agosto de 1942, quando seu pai, Tomás Allende, trabalhava como diplomata, Isabel tem a nacionalidade chilena. Atuando como jornalista desde os 17 anos, ela foi repórter de televisão, redatora e editora de revista em Santiago até o golpe militar de 1973. Sobrinha...

Rubem Fonseca ficou famoso na segunda metade do século XX por ter sido o introdutor no Brasil e o principal adepto no cenário nacional da Literatura Brutalista (RODRIGUES, 2017), um dos subgêneros do Romance Policial. Segundo a Teoria Literária, o Brutalismo também é chamado de Neorrealismo Violento (BOSI, 1975), de Romance Noir ou de Romance Negro (TODOROV, 2013, p.98). Atuando como contista, romancista, novelista, ensaísta e roteirista, Fonseca publicou 32 livros, sendo 19 coletâneas de contos, 8 romances, 4 novelas e 1 ensaio. Falecido em abril deste ano, no comecinho da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o escritor que nascera em Minas Gerais e vivera desde a infância no Rio de Janeiro foi vítima de um infarto fulminante. Ou seja, sua morte não tem nada a ver com a COVID-19, como chegou a ser ventilado na época. Rubem Fonseca é um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea. Sua influência pode ser sentida até hoje. Não é difícil descobrir várias de s...

Inauguro, hoje, a minha participação na coluna Dança do Bonas Histórias falando um pouco sobre a história da dança - seu surgimento e desenvolvimento. A dança, junto com o teatro e a música, foi uma das principais artes cênicas da Antiguidade. Ela é uma das poucas artes que não precisa de instrumentos nem de ferramentas para se manifestar. A dança depende apenas do nosso corpo, dos corpos em movimento. Gosto muito da definição do filósofo, crítico cultural, poeta e compositor prussiano Friedrich Nietzsche (1844 – 1900): “A dança é a única arte em que o artista se torna a própria obra de arte”. A dança está presente em todos os países e culturas, envolvendo desde as crianças até os idosos. Através desta arte pode se transmitir amor, contentamento, tristeza e incontáveis sentimentos.

A história da dança é longa, sendo uma das expressões artísticas mais antigas. Quem aqui nunca bateu o pé ouvindo uma música? Pois era assim, com as batidas dos pés, que tivemos as primeiras manifes...

Li, nesta semana, "José" (Nova Fronteira), a novela autobiográfica de Rubem Fonseca. A obra é apresentada ao leitor como uma ficção, porém é inegável seu caráter de memória. O José da história e do título do livro é o próprio Rubem Fonseca. Para quem não sabe, o nome completo do escritor é José Rubem Fonseca. Nesta narrativa em terceira pessoa, Fonseca apresenta a infância e a juventude de sua personagem. A trama segue até o protagonista completar vinte e poucos anos de vida. Nesta época, José atuava como advogado criminalista (e sua carreira de escritor ainda não tinha começado – até então, ela não passava de um sonho distante).

A pergunta que me fiz durante a leitura de "José" foi: por que o autor e sua editora posicionaram esta obra como uma novela e não como um livro de memórias? Sinceramente não sei a resposta. O próprio escritor justifica-se na segunda página da narrativa: "Ao falar de sua infância José tem que recorrer à sua memória e sabe que ela o trai, pois muita coi...

Hoje, vamos tratar, na coluna Teoria Literária, da etapa 2 do Modelo de Análise Estilística de Romances (MAER). Afinal, nos últimos meses, apresentamos, no Bonas Histórias, os conceitos iniciais dessa ferramenta de pesquisa que permite aos analistas literários a realização de estudos estruturados sobre os estilos dos romancistas. Em junho, por exemplo, revelamos no blog a Matriz Completa do MAER. Em julho, explicamos a relevância dos Onze Elementos Constituintes deste modelo. E em agosto, detalhamos a Etapa 1 do MAER – Identificação do Tipo de Estudo. Agora vamos evoluir no debate ao apresentar a Etapa 2 – Definições Estatísticas da Pesquisa.     

Por ser um estudo ancorado em elementos quantitativos, apesar de possuir também sua dose qualitativa, o Modelo de Análise Estilística de Romances exige algumas definições estatísticas da pesquisa a ser realizada. As duas vertentes estatísticas mais relevantes são o censo/amostra (número de obras que devem ser seleciona...

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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