Mercado Editorial: Os livros juvenis mais vendidos no Brasil em 2025
- Ricardo Bonacorci

- há 5 horas
- 5 min de leitura
Conheça o ranking das 13 obras da literatura juvenil (também chamada de literatura young adult) que se tornaram best-sellers nas livrarias brasileiras no ano passado.

Seguimos apresentando, na coluna Mercado Editorial, o ranking dos best-sellers das livrarias brasileiras em 2025. Em fevereiro, eu trouxe a lista dos livros mais vendidos no ano passado em nosso país. Em abril e junho, por sua vez, foi a vez de detalhar os campeões da prateleira da literatura ficcional. Primeiramente, comentei os títulos da ficção mais comercializados na última temporada, independentemente da nacionalidade do autor. Em seguida, foquei nas obras ficcionais dos escritores brasileiros que foram mais procuradas pelos leitores nacionais de janeiro a dezembro. Agora em agosto, quero usar as páginas do Bonas Histórias para listar os livros juvenis mais vendidos no Brasil em 2025.
Sempre que alcançamos esta etapa do ranking dos títulos mais comercializados, alguém me questiona sobre os critérios que uso para classificar uma publicação como sendo juvenil. Por mais que pareça óbvia a resposta (pelo menos para quem atua há muito tempo com literatura), dou-a sem qualquer melindre ou constrangimento. Na minha visão (e de boa parte do mercado editorial), o livro juvenil é aquele direcionado essencialmente aos leitores entre os 12 e os 18 anos. Basicamente, estamos falando de pré-adolescentes e de adolescentes.
Para agradá-los, as narrativas literárias são mais simples, o linguajar menos rebuscado e o estilo literário não costuma ser complexo. Afinal, estamos falando de um público de entrada no universo da leitura ficcional, né? Costumeiramente, as tramas juvenis são protagonizadas por adolescentes ou jovens adultos e giram em torno dos seguintes temas: desafios escolares, dúvidas sobre o crescimento pessoal, descoberta de identidade, conflitos de autoestima e pertencimento, intrigas familiares e de amizades, dores e delícias dos primeiros amores, descobertas da sexualidade, dilemas éticos, amadurecimento emocional e entrada quase sempre problemática na fase adulta.

E se alguém mais velho ler o livro juvenil, hein? Não há problema nenhum. O texto continuará tendo a mesmíssima denominação e as mesmíssimas características. Pensando bem, é até muito comum encontrarmos leitores com idade mais avançada que permanecem com paladar literário mais simplório, típico da molecadinha. E se uma multidão de consumidores mais velhos comprar as obras dos pré-adolescentes e dos adolescentes, superando-os como público prioritário? Aí, sim, temos um problema grave de letramento literário. Quando um país tem adultos com mentalidade juvenil para a leitura, temos uma nação imatura. De qualquer maneira, os títulos mantêm o perfil original: são publicações juvenis.
Para resolver a enorme contradição entre a idade estimada dos leitores e a idade efetiva dos consumidores de livros, o mercado editorial criou recentemente o termo young adult (YA). O que é, afinal, um livro young adult? É basicamente uma obra juvenil com uma nova denominação que agrade a todos os públicos. Os adultos com gosto precário não se sentem bem quando comparados aos adolescentes. E os adolescentes gostam de achar que são adultos. Porém, não nos enganemos, senhoras e senhores. Um livro young adult é um livro juvenil em sua essência. Costumo deixar tal conceituação clara porque vira e mexe alguém escreve para mim reclamando: essa aí não é uma publicação juvenil; ela é young adult. O que eu posso dizer nessa hora? Juro que não sei.
Explicitado o principal aspecto metodológico deste post da coluna Mercado Editorial, posso passar agora para o outro componente estrutural. As informações utilizadas pelo Bonas Histórias para a confecção de seus rankings são provenientes do PublishNews, a fonte mais confiável da indústria livreira do Brasil. Seus números são coletados diretamente dos sistemas de venda das principais redes do varejo livreiro do país. Ou seja, as estatísticas do PublishNews abrangem tanto as vendas físicas quanto as vendas digitais dos maiores varejistas nacionais.
Apresentados os bastidores do nosso levantamento, podemos entrar no conteúdo propriamente dito da pauta de hoje. Em primeiro lugar, o que chama a atenção no novo ranking dos livros juvenis (ou young adult, como queiram) mais vendidos no país no ano passado é a supremacia de autores estrangeiros. Não há nenhum escritor nacional na lista de best-sellers dessa categoria. De maneira geral, os romancistas de língua inglesa predominam. Norte-americanos, ingleses e irlandeses se revezam no topo dos mais comercializados. As exceções são o francês Antoine de Saint-Exupéry, clássico dos clássicos quando o assunto é literatura juvenil, e a italiana Ali Hazelwood, surpresa da ficção contemporânea. A dupla conseguiu furar a bolha da literatura anglófona.

O segundo detalhe curioso é a ausência, em 2025, de um nome preponderante entre os best-sellers juvenis. Vale dizer que é comum um autor se destacar nessa categoria. Já tivemos as fases de domínio de J. K. Rowling, Rick Riordan, Suzanne Collins, Stephenie Meyer e John Green. Mais recentemente, a líder absoluta em vendas foi Colleen Hoover. A autora norte-americana ficou na primeiríssima posição da ficção no Brasil em 2022, 2023 e 2024. Inclusive, no ano passado, “Verity” (Galera), um de seus romances mais bem-sucedidos, figurou na liderança entre os títulos juvenis. Foram comercializadas mais de 50 mil unidades dessa obra nas livrarias brasileiras.
A questão é que, dessa vez, Hoover teve companhia na liderança juvenil quando analisamos os principais títulos do ranking. Lynn Painter, a própria Ali Hazelwood, Hannah Nicole Maehrer e Matt Haig conseguiram equilibrar a disputa no alto do ranking dos autores mais procurados por adolescentes e “jovens adultos”. Eles alcançaram tal êxito com a oferta de um bom portfólio de livros. É o famoso círculo virtuoso do mercado editorial: após emplacar um sucesso, o autor sagaz produz uma série literária ou lança novas obras com o mesmo estilo narrativo. Dessa maneira, conquista uma legião de fãs.
Esclarecida a metodologia por trás do nosso ranking e analisado o cenário geral dos best-sellers juvenis no ano passado, acredito que já estamos prontos para conferir os sucessos dessa categoria em nossas livrarias, segundo os números do PublishNews. Assim, segue a lista dos 13 livros mais exitosos de 2025 quando o assunto é literatura juvenil (ou literatura young adult):
1º “Verity” (2018) – Colleen Hoover (Estados Unidos) – Literatura Juvenil Estrangeira – Galera – 52,3 mil unidades.

2º “A Biblioteca da Meia-noite” (2020) – Matt Haig (Inglaterra) – Literatura Juvenil Estrangeira – Bertrand Brasil – 46,1 mil unidades.
3º “Melhor Que Nos Filmes” (2021) – Lynn Painter (Estados Unidos) – Literatura Juvenil Estrangeira – Intrínseca – 42,7 mil unidades.

4º “A Hipótese do Amor” (2021) – Ali Hazelwood (Itália) – Literatura Juvenil Estrangeira – Arqueiro – 39,0 mil unidades.

5º “Aliada do Vilão” (2023) – Hannah Nicole Maehrer (Estados Unidos) – Literatura Juvenil Estrangeira – Alt – 32,9 mil unidades.

6º “Coraline” (2002) – Neil Gaiman (Inglaterra) – Literatura Juvenil Estrangeira – Intrínseca – 28,8 mil unidades.

7º “Não é Como Nos Filmes” (2024) – Lynn Painter (Estados Unidos) – Literatura Juvenil Estrangeira – Intrínseca – 27,9 mil unidades.

8º “Assistente do Vilão” (2023) – Hannah Nicole Maehrer (Estados Unidos) – Literatura Juvenil Estrangeira – Alt – 27,9 mil unidades.

9º “Amor, Teoricamente” (2023) – Ali Hazelwood (Itália) – Literatura Juvenil Estrangeira – Arqueiro – 26,7 mil unidades.

10º “Se Não Fosse Você” (2019) – Colleen Hoover (Estados Unidos) – Literatura Juvenil Estrangeira – Galera – 22,5 mil unidades.

11º “Apostando no Amor” (2023) – Lynn Painter (Estados Unidos) – Literatura Juvenil Estrangeira – Intrínseca – 19,9 mil unidades.

12º “O Pequeno Príncipe” (1943) – Antoine de Saint-Exupéry (França) – Literatura Juvenil Estrangeira – HarperKids – 12,3 mil unidades.
13º “Binding 13: Marcação Cerrada no Amor – Livro 1 da Série Os Garotos de Tommen” (2018) – Chloe Walsh (Irlanda) – Literatura Juvenil Estrangeira – Bloom Brasil – 11,7 mil unidades.

Por hoje é só, senhoras e senhores. No início de outubro, voltarei à coluna Mercado Editorial para comentar o ranking dos livros infantis mais vendidos nas livrarias brasileiras na última temporada. Até lá, continuem acompanhando as matérias das demais editorias do Bonas Histórias. Tem muita coisa interessante para discutirmos no universo artístico-cultural.
Até a próxima!
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