Mercado Editorial: Os livros mais vendidos no Brasil em 2025
- Ricardo Bonacorci
- há 7 horas
- 9 min de leitura
Conheça quais foram as 25 obras mais adquiridas nas livrarias nacionais no ano passado.

Para muita gente, o ano só começa depois do Carnaval. Justo! Em 2026, haverá quem prefira iniciar os trabalhos depois da Copa do Mundo. Muito justo! E tem o grupo daqueles que vão dar uma esticadinha no recesso até as eleições nacionais de outubro. Justíssimo! No meu caso, um mero colunista do Bonas Histórias, confesso que a temporada literária só tem cara de nova depois da divulgação da lista dos livros mais vendidos do ano anterior. Portanto, aconcheguem-se nas cadeiras, senhoras e senhores, porque o post de hoje da coluna Mercado Editorial tem atmosfera de segundo Réveillon.
Para fazer o tradicional ranking dos títulos mais comercializados nas livrarias brasileiras em 2025, recorremos às informações do PublishNews, a fonte mais confiável da indústria do livro em nosso país. O mais interessante é que os dados deles são extraídos diretamente dos sistemas de venda das principais redes do varejo livreiro do Brasil. Aí contemplam-se tanto as operações físicas quanto as operações digitais dessas companhias. Assim, o PublishNews considera uma parte considerável do universo das lojas nacionais. Ficam de fora do seu levantamento apenas as pequenas livrarias, que não apresentam um volume de transação tão representativo assim.
A partir dos números coletados pelo PublishNews, fazemos um singelo filtro para retirar algumas obras editoriais por eles consideradas como livros e que, na visão do Bonas Histórias, não são livros nem aqui nem na China. Por exemplo, as publicações para os consumidores colorirem são, na nossa ótica, cadernos de desenho e não títulos literários. Assim, sacamos todos os “livros de colorir” da lista. O mesmo princípio se aplica às agendas, palavras-cruzadas e exercícios lúdicos de adivinhação. Eles são, na nossa crença, materiais de organização e revistas de passatempo. E não livros. Por fim, retiramos todos os gibis, mangás e graphic novels. Uma vez que as ilustrações são peças fundamentais para o entendimento das histórias, a obra deixa de ser estritamente literária, né?
Feita a separação do joio do trigo, ficamos apenas com os livros-livros. E, a partir daí, damos as nossas próprias classificações para cada uma das obras selecionadas. Porque há vários títulos que, no nosso ponto de vista, são incorretamente nomeadas por suas editoras e pela mídia nacional. Afinal, tem um monte de publicação infantojuvenil estrangeira que é colocada nas estantes da literatura do público adulto. O motivo? Mascarar o paladar adolescente de grande parte dos brasileiros. Há também uma infinidade de livros de autoajuda que não ganha tal classificação. Por quê? Porque ela é considerada preconceituosa por uma parcela significativa dos leitores. E o que dizer do blábláblá religioso vendido como literatura terapêutica, hein? Juro que é preciso estômago forte para mergulhar nos detalhes do nosso mercado editorial.

Concluída essa observação de tom meramente metodológico, ainda tenho mais um comentário rápido a fazer antes de entrarmos na análise geral das publicações mais adquiridas pelos brasileiros na temporada passada. Acho legal dizer que o ranking anual dos livros mais vendidos do Bonas Histórias completa, em fevereiro de 2026, sua décima segunda edição. Sim, senhoras e senhores, é isso mesmo o que vocês leram. Apresentamos aos leitores do blog os títulos mais procurados nas nossas livrarias há exatamente 12 anos. Para fazer a consulta histórica do ranking dos best-sellers em nosso país, basta acessar a coluna Mercado Editorial e procurar pelos posts mais antigos. Lá estão as listas das obras mais comercializadas do Oiapoque ao Chuí em 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 e, ufa, 2024.
Depois dessa longa (e possivelmente desnecessária) introdução, podemos mergulhar, enfim, no ranking dos 25 livros mais vendidos em 2025. Numa primeira análise, chegamos à conclusão de que não tivemos mudanças estruturais no topo dos títulos mais procurados pelos brasileiros. Por uma perspectiva histórica, meus conterrâneos dão preferência aos exemplares sacros e de autoajuda. Meu Deus, como os leitores nacionais precisam de apoio espiritual, financeiro e comportamental, né? Em volume de vendas, essas duas categorias – religioso e autoajuda – dominam a coletânea de best-sellers há pelo menos duas décadas e meia.
Por falar em livros religiosos, “Café com Deus Pai” (Vélos), de Junior Rostirola, segue como o título mais comprado em nossas livrarias. No ano passado, foram aproximadamente 120 mil unidades vendidas. Vale ressaltar que isso já tinha acontecido nos dois anos anteriores, conforme apresentado no ranking de 2023 do Bonas Histórias e no ranking de 2024. Portanto, temos um legítimo tricampeão na lista dos best-sellers do Brasil. Nas páginas de “Café com Deus Pai”, o pastor fundador da Igreja Reviver traz 365 mensagens ao seu rebanho evangélico. Entre passagens bíblicas, “ideias inspiradoras” e pregações cristãs, os leitores podem ler um capítulo por dia ao longo de todo o ano. Como 2026 é ano bissexto, ainda sobra tempo para ler algo diferente no dia extra.
Já os livros de autoajuda no top 25 foram: “Hábitos Atômicos” (Alta Life), de James Clear (9º colocado); “O Homem Mais Rico da Babilônia” (HarperCollins), de George S. Clason (13ª posição); “Mais Esperto que o Diabo” (Citadel), de Napoleon Hill (17º lugar); “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” (Sextante), de Dale Carnegie (19º colocado); “A Morte É Um Dia que Vale a Pena Viver” (Sextante), de Ana Claudia Quintana Arantes (21ª posição); “As 48 Leis do Poder” (Rocco), de Robert Greene (23º colocado); e “A Coragem de Não Agradar” (Sextante), de Fumitake Koga e Ichiro Kishimi (25º colocado).

Na prateleira das obras de não ficção, tivemos apenas duas publicações no ranking dos best-sellers do ano passado. Entretanto, elas ficaram muito bem-posicionadas. “A Psicologia Financeira” (HarperCollins), de Morgan Housel, alcançou a segunda posição ao oferecer dicas de Finanças e Investimentos aos leitores. E “Coisa de Rico – A Vida dos Endinheirados Brasileiros” (Todavia), de Michel Alcoforado, atingiu a 4ª colocação ao oferecer um estudo interessante e inteligentíssimo do estrato mais abastado do nosso país. Não por acaso, esse foi o título mais surpreendente de 2025. Vale a pena conhecer o trabalho espetacular de Alcoforado. Se já sentíamos profunda vergonha da tacanha, limitada e acéfala elite nacional, depois da leitura de “Coisa de Rico” entramos em desespero.
Outra boa nova do ano passado é que, assim como aconteceu em 2024, a literatura ficcional voltou a dominar o ranking dos mais vendidos. Pelo menos em número de obras listadas no alto do pódio editorial. Foram 15 títulos ficcionais entre os 25 best-sellers nacionais. Usando a velha matemática, isso dá 60% da listagem dos maiores sucessos de 2025. Para os adoradores das narrativas literárias (coloque o dedo aqui que já vai fechar!), essa constatação é um enorme alívio. Ainda há esperança nesse país, senhoras e senhores.
Dos romances direcionados ao público adulto, o campeão em vendagem foi “O Segredo Final” (Arqueiro), a mais recente publicação de Dan Brown. O aguardado sexto volume da coleção de Robert Langdon vendeu mais de 71 mil unidades no Brasil, alcançando a terceira posição no ranking geral e o primeiro lugar no ranking da ficção. Outro destaque foi Freida McFadden. Além de “A Empregada” (Arqueiro), obra que já aparecia no pódio dos mais vendidos em 2024, a norte-americana também emplacou “Nunca Minta” (Record) no top 25 de 2025. Assim, na quantidade de publicações comercializadas em nosso país, McFadden superou Brown como a romancista mais popular entre os brasileiros no ano passado.
Uma curiosidade inexplicável é que, na última temporada editorial, os leitores nacionais procuraram em massa algumas ficções antigas. Na literatura brasileira, os títulos mais vendidos foram: “A Hora da Estrela” (Rocco), drama de Clarice Lispector que completará em 2027 seu primeiro cinquentenário (6ª colocação no ranking de best-sellers do ano passado); “Jantar Secreto” (Companhia das Letras), thriller de Raphael Montes publicado em 2016 (12ª posição na lista dos mais comercializados em 2025); e “A Cabeça do Santo” (Companhia das Letras), romance de Socorro Acioli de 2014 (15º livro mais vendido na última temporada). Na literatura estrangeira, “A Metamorfose” (Principis), clássica novela de Franz Kafka com mais de um século de publicação, foi tão procurado que chegou à 11ª colocação na lista dos best-sellers do ano passado.

Na literatura infantojuvenil, a maioria dos títulos e autores no ranking de 2025 é de velhos conhecidos de quem vem acompanhando a lista dos mais vendidos do Brasil nos últimos anos. “Verity” (Galera) de Colleen Hoover, “A Biblioteca da Meia-noite” (Bertrand Brasil) de Matt Haig, “Melhor que Nos Filmes” (Intrínseca) de Lynn Painter e “A Hipótese do Amor” (Arqueiro) de Ali Hazelwood seguem vendendo muitíssimo bem obrigado. A única novata nessa lista é a norte-americana Hannah Nicole Maehrer, autora de “Aliada do Vilão” (Alt). Publicado originalmente em 2023 nos Estados Unidos e lançado no fim de agosto de 2025 no Brasil em versão traduzida, o romance de Maehrer atingiu a 20ª colocação entre os livros mais vendidos por aqui com cerca de 32 mil cópias comercializadas. Isso em quatro meses. Incrível!
Na prateleira da literatura infantil, Enaldinho continua como o autor do livro mais procurado pela criançada. “Elo Monsters Books – Flow Pack” (Pixel) vendeu mais de 60 mil unidades nas livrarias nacionais e foi o título de sua categoria mais comercializado (e o 5º colocado no ranking geral). Contudo, Maidy Lacerda foi a autora infantil com maior vendagem em 2025 graças às coleções “O Diário de Maldades do Scorpio” e “O Diário de Uma Princesa Desastrada”. “O Diário de Maldades do Scorpio 2” (Outro Planeta) e “O Diário de Uma Princesa Desastrada” (Outro Planeta) venderam, respectivamente, 31 mil e 30 mil cópias.
Esse é o cenário geral dos livros mais vendidos em 2025. Se vocês quiserem acompanhar a listagem completa dos best-sellers em nosso país no ano passado, apresento, a seguir, o ranking com os 25 títulos mais adquiridos pelos brasileiros na última temporada. Não nos esqueçamos, por favor, que os dados são do PublishNews. Aí estão, senhoras e senhores, os maiores sucessos de nossas livrarias:
1º “Café com Deus Pai” (2021) – Junior Rostirola (Brasil) – Religião – Vélos – 119,1 mil unidades.

2º “A Psicologia Financeira” (2020) – Morgan Housel (Estados Unidos) – Literatura Não Ficcional Estrangeira (Finanças e Investimentos) – HarperCollins – 88,7 mil unidades.

3º “O Segredo Final” (2025) – Dan Brown (Estados Unidos) – Literatura Ficcional Estrangeira – Arqueiro – 71,6 mil unidades.

4º “Coisa de Rico – A Vida dos Endinheirados Brasileiros” (2025) – Michel Alcoforado (Brasil) – Literatura Não Ficcional Nacional (Sociologia) – Todavia – 70,5 mil unidades.

5º “Elo Monsters Books – Flow Pack” (2024) – Enaldinho (Brasil) – Literatura Infantil Nacional – Pixel – 60,2 mil unidades.

6º “A Hora da Estrela” (1977) – Clarice Lispector (Brasil) – Literatura Ficcional Nacional – Rocco – 58,9 mil unidades.

7º “A Empregada” (2022) – Freida McFadden (Estados Unidos) – Literatura Ficcional Estrangeira – Arqueiro – 56,0 mil unidades.
8º “Verity” (2018) – Colleen Hoover (Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil Estrangeira – Galera – 52,3 mil unidades.

9º “Hábitos Atômicos” (2018) – James Clear (Estados Unidos) – Autoajuda Estrangeira – Alta Life – 46,6 mil unidades.

10º “A Biblioteca da Meia-noite” (2020) – Matt Haig (Inglaterra) – Literatura Infantojuvenil Estrangeira – Bertrand Brasil – 46,1 mil unidades.
11º “A Metamorfose” (1915) – Franz Kafka (República Tcheca – Literatura Ficcional Estrangeira – Principis – 45,6 mil unidades.

12º “Jantar Secreto” (2016) – Raphael Montes (Brasil) – Literatura Ficcional Nacional – Companhia das Letras – 45,4 mil unidades.
13º “O Homem Mais Rico da Babilônia” (1926) – George S. Clason (Estados Unidos) – Autoajuda Estrangeira – HarperCollins – 42,7mil unidades.

14º “Melhor que Nos Filmes” (2021) – Lynn Painter (Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil Estrangeira – Intrínseca – 42,7 mil unidades.

15º “A Cabeça do Santo” (2014) – Socorro Acioli (Brasil) – Literatura Ficcional Nacional – Companhia das Letras – 41,3 mil unidades.

16º “A Hipótese do Amor” (2021) – Ali Hazelwood (Itália) – Literatura Infantojuvenil Estrangeira – Arqueiro – 39,0 mil unidades.

17º “Mais Esperto que o Diabo” (1938) – Napoleon Hill (Estados Unidos) – Autoajuda Estrangeira – Citadel – 38,0 mil unidades.

18º “Nunca Minta” (2022) – Freida McFadden (Estados Unidos) – Literatura Ficcional Estrangeira – Record – 37,0 mil unidades.

19º “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” (1936) – Dale Carnegie (Estados Unidos) – Autoajuda Estrangeira – Sextante – 35,4 mil unidades.

20º “Aliada do Vilão” (2023) – Hannah Nicole Maehrer (Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil Estrangeira – Alt – 32,9 mil unidades.

21º “A Morte É Um Dia que Vale a Pena Viver” (2017) – Ana Claudia Quintana Arantes (Brasil) – Autoajuda Nacional – Sextante – 32,5 mil unidades.

22º “O Diário de Maldades do Scorpio 2” (2025) – Maidy Lacerda (Brasil) – Literatura Infantil Nacional – Outro Planeta – 31,6 mil unidades.

23º “As 48 Leis do Poder” (1998) – Robert Greene (Estados Unidos) – Autoajuda Estrangeira – Rocco – 31,2 mil unidades.

24º “O Diário de Uma Princesa Desastrada” (2022) – Maidy Lacerda (Brasil) – Literatura Infantil Nacional – Outro Planeta – 30,8 mil unidades.

25º “A Coragem de Não Agradar” (2013) – Fumitake Koga (Japão) e Ichiro Kishimi (Japão) – Autoajuda Estrangeira – Sextante – 30,2 mil unidades.

Na primeira semana de abril, retornarei à coluna Mercado Editorial para exibir o ranking dos livros ficcionais mais vendidos no Brasil em 2025. Dessa maneira, conseguiremos analisar com mais propriedade os títulos best-sellers em nosso país que ficaram nas estantes preferidas dos leitores do Bonas Histórias – a literatura ficcional. Afinal, quais são os romances, as novelas, as coletâneas de contos e crônicas, as obras infantojuvenis e as narrativas infantis que caíram no gosto dos brasileiros, hein? Aposto que, assim como eu, vocês também têm curiosidade para saber.
Enquanto não solucionamos essa questão (calma, abril já está quase aí!), continuem acompanhando o conteúdo das demais colunas do blog. Tenho certeza de que haverá muito assunto literário-cultural interessante para discutirmos.
Até a próxima, senhoras e senhores!
Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.








