• Ricardo Bonacorci

Livros: Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias - O mundo sombrio de Edgar Allan Poe


Nesta semana, li "Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias" (L&PM Pocket), coletânea de contos de Edgar Allan Poe. Vale a pena dizer que esta não é a obra mais famosa do escritor norte-americano. "Histórias Extraordinárias" (Companhia das Letras) é o livro mais importante da carreira de Poe e um dos clássicos da literatura romântica. Contudo, "Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias" reúne alguns dos contos de terror e suspense mais conhecidos do autor, o que torna sua leitura extremamente interessante.


Edgar Allan Poe nasceu em Boston, em 1808, e trabalhou como poeta, ficcionista, editor e ensaísta literário. Considerado o inventor do gênero policial e um dos grandes nomes da literatura de terror de todos os tempos, Poe morreu cedo, com apenas 40 anos de idade. Suas histórias eram muito bem construídas e originais. Elas possuíam geralmente um tom gótico e giravam em torno de temas mórbidos e macabros: pessoas mortas que voltam à vida, crimes cruéis, experiências sobrenaturais, bizarrices inexplicáveis, indivíduos abalados por angústias na consciência e eventos em que os homens expõem a pior faceta de suas almas.


"Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias" reúne cinco contos e uma novela. Eles foram escritos por Edgar Allan Poe entre 1841 e 1849. As histórias contempladas nesta coletânea são: "Demônio da Perversidade", de 1845, "Hog-Frog ou os Oito Orangotangos Acorrentados", de 1849, "Os Fatos que Envolveram o Caso de Mr. Valdemar", de 1845, "O Gato Preto", de 1843, "Nunca Aposte sua Cabeça com o Diabo - Uma História de Moral", de 1841, e "Assassinatos na Rua Morgue", de 1841.


Em "Demônio da Perversidade", um homem sofre por ter matado uma pessoa. Muitos anos depois do crime, o protagonista vive ressentido, apesar de ninguém suspeitar de nada (o assassinato foi do tipo perfeito). O sentimento de culpa é aqui o pior inimigo e poderá levar esse homem à loucura. "Hog-Frog ou os Oito Orangotangos Acorrentados" narra a vingança arquitetada por um bobo da corte anão contra o rei e os ministros cruéis. Para isso, ele propõe uma brincadeira macabra: O rei e seus principais assessores devem se vestir de orangotangos para assustar a corte em uma festa no salão real.

O conto "Os Fatos que Envolveram o Caso de Mr. Valdemar", por sua vez, apresenta a experiência de hipnose de um homem em seu leito de morte. O experimento foge do controle da equipe médica e dá origem a um episódio insólito. Em "O Gato Preto", conhecemos um narrador que passa a odiar os animais de estimação. A grande vítima de suas maldades é seu gato preto. Contudo, o bichinho irá se vingar do seu dono. E "Nunca Aposte sua Cabeça com o Diabo - Uma História de Moral" é a trama de um homem que gostava de apostar dizendo a expressão: Aposto minha cabeça com o diabo.


E em "Assassinatos na Rua Morgue", a única novela deste livro, temos a primeira narrativa policial da história da literatura. Nela, o narrador era um homem comum que vivia em Paris. Ele dividia a casa com Monsieur C. Auguste Dupin, um amigo excêntrico. Dupin era uma pessoa culta e extremamente inteligente. Entediados com a rotina na capital francesa, os amigos passam a investigar por conta própria um assassinato que rendia diariamente várias páginas nos jornais parisienses. Assim, misturando a rigorosa análise das evidências deixadas na cena do crime e a imaginação fértil, Dupin consegue elucidar o mistério antes da polícia.


Este livro possui 160 páginas e sua leitura é extremamente rápida. Acho que não gastei mais de duas horas para concluí-la. Por isso, quem quiser ler algo sem grande complicação e, ao mesmo tempo, de qualidade indiscutível, essa é uma boa opção. Poe sempre oferece entretenimento de ótima qualidade aos seus leitores.


Das histórias desse livro, as mais famosas são "Demônio da Perversidade", "O Gato Preto" e "Assassinatos na Rua Morgue". As duas primeiras são contos clássicos de terror, enquanto a terceira é a trama que deu origem às narrativas policiais. Mais tarde, os Estados Unidos, seguindo o caminho inicialmente trilhado por Poe, transformariam o gênero policial em uma categoria literária mais abrangente e tipicamente sua.

O mais interessante em ler Edgar Allan Poe é que acabamos conhecendo a fonte que muitos grandes escritores contemporâneos "beberam" direta ou indiretamente. Monsieur C. Auguste Dupin, por exemplo, é a versão antiga de Sherlock Holmes, Hercule Poirot e tantos outros detetives que elucidam crimes quase indecifráveis. Praticamente todos os grandes detetives da ficção que vieram depois de Dupin seguiram seus métodos de trabalho: união da investigação cuidadosa e científica com a imaginação criativa para entender as motivações dos suspeitos. Assim, todos os romancistas policiais dos séculos XIX, XX e XXI são frutos da literatura de Poe.


E o que dizer dos contos de terror do escritor norte-americano, hein? Com certeza, não existiria Stephen King, Mary Shelley, Bram Stoker e tantos outros grandes autores desse gênero narrativo sem Edgar Allan Poe. O principal mérito das obras de Poe está em mergulhar despudoradamente no lado obscuro da alma humana. Ele se aprofunda no universo sombrio do homem sem quaisquer constrangimentos ou preocupações de natureza moral. Com isso, imprimiu a sua marca na literatura gótica e fantasmagórica.


Grande contista, Edgar Allan Poe também revolucionou as narrativas curtas. Até hoje, ele é considerado um dos principais autores de contos dos Estados Unidos. Conhecer o trabalho de uma lenda da literatura é uma experiência indescritível. Por isso, "Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias" é uma leitura tão agradável e emblemática. Os fãs do gênero de terror e das narrativas policiais não podem ficar sem conferir essa obra.


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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