• Ricardo Bonacorci

Livros: On The Road, Pé na Estrada - O clássico hippie de Jack Kerouac


Nesta semana, li o segundo livro de Jack Kerouac do Desafio Literário de abril. A obra em questão foi nada mais, nada menos do que “On The Road – Pé na Estrada” (L&PM Pocket), o grande sucesso do escritor norte-americano. Com tintas autobiográficas, o romance ao melhor estilo road story se baseou nas viagens feitas por Kerouac, o maior expoente da Geração Beat, pela América do Norte entre o final da década de 1940 e o início da década de 1950. Ao seu lado nessa jornada, o autor teve, na maior parte do tempo, a companhia do amigo Neal Cassady. A dupla cortou as estradas dos Estados Unidos e do México por vários anos sem se preocupar com nada mais do que a aventura libertária (e, por que não, libertina) de acordar todo dia em um local diferente. Por que trabalhar, cuidar da família, conviver com os filhos, ganhar dinheiro e viver honestamente ao lado de uma única mulher se a alternativa de passar os dias vadiando por aí era mais prazerosa, hein? Essa era a concepção desses jovens aventureiros.


Assim que foi lançado, “On The Road” se tornou imediatamente um título cultuado. A obra serviu de referência conceitual e estética para vários artistas de diferentes campos da cultura e das artes nos quatro cantos do mundo. Só para citar algumas personalidades que dizem ter sido influenciadas direta ou indiretamente pelo romance beat de Jack Kerouac: Bob Dylan, Jim Morrison, Bono, Beck, Chrissie Hynde, Lou Reed e Joni Mitchell na música; Francis Coppola, Wim Wenders, Hector Babenco, Gus Van Sant, Johnny Depp e Jim Jarmush no cinema; Tom Wolf, Charles Brukowski, Paulo Coelho, Reinaldo Moraes, Bret Easton Ellis, Hunter Thompson e Jay MacInerney na literatura; e Sam Shepard e Bob Wilson no teatro. Por sua vez, Kerouac diz ter sido influenciado pelos trabalhos de Thomas Wolfe e William Saroyan.


“On The Road” é um clássico da literatura norte-americana do século XX. O livro adentrou na cultura sociocultural dos Estados Unidos e se alastrou depois para o planeta. Era o início da cultura hippie, que propagava, entre outras coisas, o desapego material, a simplicidade da vida cotidiana, a liberdade existencialista, as contradições do sistema capitalista, a falta de sentido do trabalho convencional, o uso das drogas, o abuso das bebidas alcoólicas, o sexo sem compromisso, a vida nômade, a formação de comunidades alternativas, o flerte com o anarquismo e a valorização da espiritualidade. Não à toa, esses princípios foram levados ao extremo pelos protagonistas do romance de Jack Kerouac.

Segundo seu autor, “On The Road” foi escrito em apenas três semanas. Entre 9 e 27 de abril de 1951, Jack Kerouac datilografou sua história em folhas de papel de Telex. De acordo com a lenda por trás desse livro, o escritor passou esse período fechado em um quarto escrevendo compulsivamente a base de doses cavalares de Benzedrina e café. O resultado desse processo criativo é um material com mais de 40 metros ininterruptos de folhas com uma letra pequenina e quase sem espaço entre os parágrafos. Hoje, os originais da obra são relíquias cultuadas pelos fãs de Kerouac e da Geração Beat.


Contudo, uma vez finalizado, “On The Road” recebeu a recusa de incontáveis editoras ao longo de cinco anos. Ninguém em sã consciência queria publicar um romance com quase 500 páginas sobre um grupo de arruaceiros que viajavam pelo país barbarizando. As constantes negativas mexeram com a autoestima do autor, que já duvidava de sua capacidade literária e do valor de sua obra. Apesar de jamais reconhecer publicamente isso, Jack Kerouac acabou fazendo incontáveis revisões em seu material para torná-lo mais palatável ao gosto do público e, acima de tudo, dos severos editores. Até mesmo quando, na metade de 1956, alguém resolveu investir no material (coube à Viking Press a ousadia de apostar no livro), Kerouac precisou fazer novos ajustes. Além de exigir o corte de mais de 120 páginas, Malcolm Cowley, o editor da Viking Press, mexeu diretamente no texto de “On The Road”, acrescentando pontuações nas longas frases e tornando a narrativa menos caótica. Ou seja, se o romance parece até hoje anárquico com as mudanças exigidas pela editora, imagine só como foi que Cowley o recebeu?!


Em 1º de setembro de 1957, quando “On The Road” chegou às livrarias norte-americanas, Jack Kerouac, então com 35 anos, era ainda um autor ficcional iniciante. Esse livro foi apenas o seu segundo trabalho literário a chegar ao público (dos 23 que ele escreveria ao longo da carreira). Vale lembrar que seu romance de estreia tinha sido “Cidade Pequena, Cidade Grande” (L&PM Pocket), obra publicada em 1950. Infelizmente, “Cidade Pequena, Cidade Grande” não foi bem recebido nem pela crítica nem pelos leitores, o que frustrou consideravelmente seu autor (algo que não foi citado em “On The Road”, que fala sucintamente sobre essa publicação e do recebimento dos seus direitos autorais). Obviamente, a trajetória do segundo romance de Kerouac foi totalmente distinta a do antecessor.

Não é errado afirmar que “On The Road” se tornou um sucesso de público e de crítica tão logo foi publicado. Já no dia 4 de setembro de 1957, um artigo do The New York Times assinado por Gilbert Millstein dizia: “On The Road é o segundo romance de Jack Kerouac, e sua publicação é um evento histórico, na medida em que o surgimento de uma genuína obra de arte concorre para desvendar o espírito de uma época (...). É a mais bela execução, a mais límpida, e se constitui na mais importante manifestação feita até agora pela geração que o próprio Kerouac, anos atrás, batizou de beat e da qual o principal avatar é ele mesmo”. Se essa era a opinião do especialista em literatura do principal jornal norte-americano, quem iria contestá-la?! Nas semanas seguintes, a crítica literária do país curvou-se para o que, desde então, ficou celebrado como uma nova obra-prima da literatura contemporânea dos Estados Unidos.


Não deixa de ser um contrassenso o sucesso de “On The Road” nos Estados Unidos no final da década de 1950. Afinal, o romance de Jack Kerouac ia totalmente contra o conservadorismo norte-americano. O livro é a antítese da família tradicional: rapazes que flertavam o tempo todo com a delinquência juvenil, com o sexo livre, com o abuso do álcool e das drogas, com o roubo, com o adultério e com a vida-livre. Foi justamente esse o parecer da revista Times, em 17 de setembro de 1957: “(On The Road) dá fundamento à explosiva juventude que, de um canto ao outro do país, se agrupa em torno de jukeboxes e se envolve em arruaças sem motivo em plena madrugada”. Por isso, podemos dizer que essa obra de Kerouac foi para a literatura o que “Juventude Transviada” (Rebel Without a Cause: 1955) significou para o cinema e Elvis Presley representou para a música. Essa trinca cultural guiou os novos padrões de comportamento dos jovens na metade da década de 1950 e sinalizaram os desejos até então reprimidos daquela geração.


Poucos dias após o lançamento de “On The Road”, Jack Kerouac se tornou uma celebridade nos Estados Unidos, o tipo de autor que qualquer pessoa antenada precisava ler e conhecer. Parte desse status foi construída por uma excelente campanha publicitária em torno do seu romance e de sua figura polêmica. O escritor viajou pelo país participando de programas de televisão e de rádio, além de ser pauta obrigatória das principais revistas e jornais da época. Em pouco tempo, “On The Road” passou a ser visto como a obra literária mais importante de sua geração. O dinheiro obtido com esta publicação sustentou Kerouac até o final de sua vida.


Por outro lado, o sucesso precoce (advindo logo no segundo romance) permitiu ao escritor norte-americano mergulhar mais fundo em sua proposta literária. Seus novos livros foram para um caminho cada vez mais hermético, radical e desconectado da preferência da maioria do público. Uma vez famoso e conceituado, ninguém mais tinha coragem de interferir no texto de Kerouac como Malcolm Cowley da Viking Press fez em 1956. Assim, o autor beat nunca mais repetiu o êxito comercial de “On The Road”, apesar de alguns dos seus títulos posteriores serem até mesmo melhores quando analisados pela perspectiva de suas narrativas.

No Brasil, “On The Road” demorou para ganhar uma edição nacional. Por quase três décadas, os leitores brasileiros precisaram recorrer à versão original (em inglês), às edições feitas em Portugal (com o português do Velho Continente) ou às traduções em espanhol. Apenas em fevereiro de 1984, a editora Brasiliense lançou o livro, que ganhou por aqui o subtítulo de “Pé na Estrada”, no português brasileiro. A tradução foi feita por Eduardo Bueno. Duas décadas depois, a L&PM Editores também publicou o livro em uma tradução revista por Bueno. A edição de 2004 (assim como a de 1984) foi feita a partir do texto lançado em 1957 pela Viking Press. Há uma outra edição da L&PM Editores, essa de 2011, que foi feita a partir dos originais de Kerouac (aquele mesmo de 1951 que foi recorrentemente recusada pelos editores da época). Essa última tradução também foi feita por Eduardo Bueno, mas dessa vez ele contou com a colaboração de Lúcia Brito.


Confesso que optei por ler a versão traduzida para o português a partir do livro de 1957. Achei meio arriscada a experiência literária advinda da tradução do original de Kerouac (como o autor escreveu “On The Road” em 1951). Como trabalho como editor há anos e sei que uma obra literária editada geralmente é muito melhor do que seu material bruto (se não fosse assim, as dezenas e dezenas de editores da época teriam aprovado a obra do autor beat sem pestanejar), preferi a versão que passou por mais de duas mãos.


A história de “On The Road” é narrada em primeira pessoa por Salvatore Paradise, um jovem estudante universitário de Letras que aspira se tornar escritor profissional. No Inverno de 1947, quando o romance de Jack Kerouac se inicia, Sal, como o rapaz é chamado por quase todos os familiares e amigos, mora com sua tia em uma residência simples em Nova Jersey. Ele foi viver ali depois de se separar de sua primeira esposa. A vida tranquila do protagonista é obtida graças aos trabalhos eventuais que Sal consegue (se bem que ele nunca se preocupou muito com o trabalho nem em ganhar seu sustento) e à ajuda de custo oferecida pelo governo (periodicamente o universitário recebe o dinheiro de sua bolsa de estudo).


Com uma rotina que não tem muitas pretensões além da produção literária, Sal fica encantado com o estilo de vida anárquico dos seus amigos da costa Oeste. O alvo principal do seu fascínio é Dean Moriarty, um sujeito trambiqueiro que saiu recentemente de um reformatório juvenil no Novo México e que tem duas mulheres (uma é Camille, sua esposa e a mãe de seu filho, e a outra é Marylou, sua amante). Viciado em sexo, drogas, bebidas, festas e azaração noturna, Dean gosta de sair viajando pelo país, mesmo quando não tem dinheiro para isso. Para pegar a estrada, ele pede carona, faz pequenos roubos e se aproveita da boa vontade e da receptividade dos amigos e até mesmo dos desconhecidos. Trabalhar? Bem, ele trabalhou algum tempo como manobrista em um estacionamento em São Francisco, mas não era chegado ao batente.

Apesar do estilo de vilão inconsequente e egoísta (ele é quase um psicopata), Dean Moriarty possui certo charme que hipnotiza os amigos, as mulheres e, principalmente, Sal Paradise. Assim, os dois se tornam uma dupla inseparável que passa a viajar compulsivamente pelos Estados Unidos. Eles pegam a estrada por vários anos indiferentes à opinião das pessoas e aos compromissos familiares. Seus meios de transporte são os mais variados possíveis: trem, ônibus, carona de caminhão, carro de amigos, carro próprio, a pé... O importante é estar em movimento, independentemente de onde dormem e o que precisam conseguir para sobreviver.


O estilo de vida anárquico e hippie dos amigos ganha alguns adeptos em um primeiro momento. É criada assim uma rede de apoio aos jovens vigaristas. Por algum tempo, Sal e Dean conseguem se hospedar na casa de conhecidos. Assim, caem na gandaia ao lado dos parceiros locais. Quando eles estão em São Francisco, querem viajar e morar em Nova York. Quando chegam à Big Apple, querem retornar para Frisco e viver na costa oeste. Depois de percorrer incontáveis vezes as estradas do Leste-Oeste, decidem ir para o Sul, para o México.


“On The Road – Pé na Estrada” possui 328 páginas. O romance está dividido em cinco partes. A edição da L&PM Editores que li ainda possui uma introdução e um posfácio. Essas duas seções adicionais foram produzidas por Eduardo Bueno, o tradutor brasileiro. Nas páginas iniciais do livro, Bueno relata a importância histórica, literária e cultural da narrativa de Jack Kerouac. E na parte final, o tradutor detalha um pouco mais da vida do escritor norte-americano após a publicação de sua obra-prima. Li “On The Road” em cinco dias. Nada como uma quarentena de coronavírus para ajudar na imersão literária, hein?


A primeira questão que coloco é: este livro de Jack Kerouac é tudo isso o que dizem? Sinceramente, não achei. Se você analisar sua narrativa, seu conflito, temos um romance bobinho. As personagens principais ficam viajando para lá e para cá sem qualquer sentido. Onde está a trama do livro então? Difícil apontar. Sal Paradise é maluco por Dean Moriarty e, por isso, segue seu amigo não se importando com o amanhã. Dean, por sua vez, é um vigarista hedonista que não gosta de trabalhar e pega a estrada para fugir de suas responsabilidades como marido, pai e cidadão. Apesar de existir menção sutil a um conflito amoroso (Sal está à procura de um amor verdadeiro em suas andanças pelo país), “On The Road” tem como cerne narrativo as experiências de viajantes transloucados de seus protagonistas (no que podemos chamar de flanar inconsequente de jovens vagabundos).

Então, “On The Road” é um título supervalorizado? Não diria isso. Sua graça não está propriamente em sua narrativa (vazia), nem em seu conflito (inexistente), muito menos em suas personagens (planas). O aspecto mais interessante deste romance, para começo de conversa, está no retrato de uma época. Os anseios da geração beat (que mais tarde seriam adotados pelos movimentos hippie e punk) conferem grande charme aos relatos de Kerouac. O olhar atento a cada região dos Estados Unidos, a visão de mundo anticapitalista, a preocupação com as pessoas mais humildes (geralmente pobres e marginalizadas), o sexo casual, a imersão nas drogas e nas bebidas, o desapego material, a busca pela liberdade e pela felicidade genuínas, o sonho artístico, a adoração pelas artes e pela cultura e a procura pela vida com base em valores simples ainda hoje possuem certa beleza edílica. Aí começam justamente os pontos que fazem desta obra um clássico literário.


Se como romance dramático “On The Road” não tem lá grande profundidade, como road story este livro é ainda hoje marcante. A geografia dos Estados Unidos e do México é detalhada com rara felicidade pelo seu autor. O encanto do narrador com o que vivencia em suas jornadas é genuíno e contagiante. Gostei muito dos relatos sobre as pessoas que a dupla encontrou no meio do caminho. Ao mesmo tempo em que conhecemos os homens e as mulheres que cruzam com os viajantes, passamos a entender melhor os próprios andarilhos. Pouco a pouco, Sal Paradise e Dean Moriarty se descortinam aos olhos dos leitores. Seus dramas são de natureza psicológica e existencialista.


Por falar nas personagens principais de “On The Road”, é importante fazer uma distinção entre a ficção e a realidade. É inegável que os protagonistas do romance de Kerouac foram baseados em figuras reais. Assim, Salvatore Paradise é o próprio Jack Kerouac, Dean Moriarty é Neal Cassady, Carlo Marx é Allen Ginsberg (poeta e filósofo da Geração Beat, autor de “Uivo e Outros Poemas”), Old Bull Lee é William Burroughs (escritor e pintor beat, autor de “Almoço Nu”) e Camille é Carolyn Cassady (primeira mulher de Cassady e amante por muitos anos de Kerouac). Contudo, não podemos nos esquecer: essa é uma obra ficcional e não uma biografia.


A partir de acontecimentos e pessoas verídicas, Jack Kerouac construiu uma narrativa própria (de sua cabeça). Com liberdade criativa, ele moldou como quis os fatos de “On The Road”, acrescentando, subtraindo e modificando cenas e situações que vivenciou ou que gostaria de ter vivenciado. Por isso, a classificação deste livro é como uma obra ficcional. Por mais fidedignas que sejam as ações e por mais elementos de concretude narrativa que tenhamos nessas páginas, é importante o leitor não se esquecer do aspecto literário desses relatos (por mais que na divulgação publicitária do livro na década de 1950, a editora e seu autor quisessem ressaltar o lado biográfico).

Porém, o que torna “On The Road” uma obra marcante é o tipo de texto produzido por Jack Kerouac. Chegamos, enfim, ao ponto alto deste livro. Infelizmente, a tradução para o português (e para qualquer outro idioma) atrapalha consideravelmente a experiência literária (obtida em seu maior grau apenas na leitura em inglês). E não culpemos os tradutores, por favor. É impossível reproduzir para outra língua a avalanche linguística, literária, estética e narrativa da obra original.


A prosa de Kerouac é rimada, o que deixa seu texto envolvente e bonito, quase como uma poesia. Obviamente, esse romance foi feito para ser lido em voz alta, como eram os textos gregos da Antiguidade. Se por um lado temos a preocupação do autor com a sonoridade das suas frases (uso de muitas aliterações), também temos o uso de várias gírias e do coloquialismo das diferentes partes dos Estados Unidos. É incrível essa mistura da prosa poética com a linguagem popular.


O romance também tem longas frases que emulam o fluxo de consciência e o estado de espírito do seu narrador. Por isso, o leitor precisa ter fôlego para encarar sequências intermináveis de palavras, imagens, sentimentos, desejos e promessas de Sal Paradise que chegam muitas vezes misturadas no meio das frases. Se por um aspecto esse recurso tem tudo a ver com a proposta dos protagonistas e do narrador do livro (viver com liberdade, intensidade e coragem), por outro pode dificultar a leitura de quem exige construções frasais lineares.


Outra questão marcante de “On The Road” é espírito espontâneo e de certa maneira anárquico do registro de sua narrativa. A impressão que se tem é que os acontecimentos relatados por Jack Kerouac estão ocorrendo efetivamente naquele instante. A sensação do leitor é que o livro foi escrito na própria estrada, ao vivo. Muito legal notar como o escritor conseguiu esse efeito.


É verdade que “On The Road” perdeu, aos olhos do leitor contemporâneo, muito do seu ar de novidade e de rebeldia. Se lá atrás o romance escancarava uma nova visão de mundo da juventude das décadas de 1950 e de 1960, depois de Woodstock essa concepção hippie foi disseminada aos quatro ventos. E como tudo o que se torna comum perde o apelo de novo e de rebelde. Dessa forma, é complicado encarar hoje as personagens e a narrativa de Kerouac com o mesmo olhar de empolgação e de fascínio de sessenta anos atrás. Para mim, por exemplo, a obra pareceu ter uma trama infantojuvenil e seus protagonistas são mais dignos de pena do que de exaltação. Juro que deu vontade de gritar para eles ainda antes da metade do livro: “Vão trabalhar, bando de vagabundos!

O que permanece intacto em “On The Road” é o espírito anárquico de sua literatura e a estética ousada da narrativa de Jack Kerouac. Se você procura uma leitura conceitualmente disruptiva, este livro irá, na certa, agradá-lo(a) bem mais do que seu conteúdo. Confesso que gostei do que li. Se pelo lado estético esta obra merece estar no panteão dos clássicos, por outro lado compartilho da opinião de quem se frustrou com o conteúdo dessa leitura.


O Desafio Literário da literatura de Jack Kerouac retorna na próxima terça-feira, dia 14, com a análise de “Os Subterrâneos” (L&PM Pocket), o terceiro romance do norte-americano. Essa publicação foi lançada em 1958, um ano após “On The Road”. Continue acompanhando ao longo de abril os debates sobre as principais obras do maior nome da Geração Beat. Até a próxima!


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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