• Paulo Sousa

Miliádios Literários: outubro/2020


Ó mar salgado. Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal... O mar inspira a humanidade há séculos! Ele desafia e acalanta, une terras distantes e pode ser benção ou maldição ao sabor de seu humor. Seu trabalho incansável sob a batuta da lua é música pros ouvidos.


Um dos grandes amantes do mar foi Jorge Amado. O baiano, autor de “Mar Morto”, “Capitães de Areia”, “A Estrada do Mar”, “Gabriela, Cravo e Canela” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, todos pela Companhia das Letras, aventurou-se pelo romance, pela poesia, pelo teatro e, claro, pelo mar.


Quando tinha, aproximadamente, 14 miliádios de vida, escreveu “O Mundo da Paz” (Vitoria), livro no qual relata sua viagem por vários países da União Soviética. Aos 30 mil dias de vida, ganhou o Prêmio Camões. Seu falecimento completa 7 miliádios no dia 5.


Quem também ganhou o Prêmio Camões foi Raduan Nassar. Ele conseguiu tal proeza com apenas 3 livros lançados: “Lavoura Arcaica”, “Um Copo de Cólera” e “Menina a Caminho”, todos pela Companhia das Letras. Um verdadeiro show de eficiência! Isso sem contar 2 Jabutis e 1 APCA, com a invejável média de 1,33 prêmio para cada livro publicado. Ele completa 31 miliádios no dia 11.


Raduan é vencedor! Raduan é guardador de prêmios. Assim como nós. Esta coluna do Bonas Histórias é uma guardadora de miliádios. Os miliádios são os meus guias. Afinal, o caminho da disrupção é incerto, não está escrito nas estrelas. O que nos lembra de Sidney Sheldon, cuja morte completa 5 miliádios no dia 8.


O autor de “O Outro Lado da Meia-Noite”, “A Outra Face”, “Escrito nas Estrelas”, “Manhã, Tarde & Noite” e “Se Houver Amanhã”, todos pela Record, foi traduzido para 51 idiomas, o que lhe rendeu entrar no Guiness Book, e vendeu 300 milhões de exemplares.


Exemplar mesmo foi a educação de Philip Roth. Criado com muita disciplina pela presente mãe, acabou usando seus primeiros miliádios de vida como inspiração para sua obra, que retrata bem o universo judaico-norte-americano. O autor de “O Complexo de Portnoy”, “Pastoral Americana” e “Complô contra a América”, todos pela Companhia das Letras, ganhou o Prêmio Pulitzer aos 23 mil dias de vida e completaria 32 no dia 28.


Ao falecer, Roth era um dos mais cotados para o Nobel de Literatura. Azar do Prêmio. A vida pode ser injusta e irônica. Mas o que é a vida? A pergunta eternizada por Antônio Abujamra, cujo falecimento faz 2 miliádios no dia 18, merece uma resposta àltura. Respondemos, então, que a vida é breve. Breve o dia, breve o miliádio, breve tudo.


Quanto sentimentalismo nesta coluna miliádica! O que nos remete a Nicholas Sparks. O autor de “Diário de uma Paixão”, “Uma carta de Amor”, “Querido John” e “Um Amor para Recordar”, todos pela Editora Arqueiro, faz 20 miliádios no dia 3. Que efeméride mais bela! Sparks não ganhou nenhum prêmio de alto reconhecimento literário, mas tem uma fortuna estimada em 30 milhões de dólares.


Quem fugiu à vida indexada ao vil metal foi Jack Kerouac, que faria 36 miliádios no dia 3. O autor de “On the Road: Pé na Estrada”, “Os Subterrâneos”, “Os Vagabundos Iluminados” e “Big Sur”, todos pela L&PM Editores, fez parte da Geração Beat, famosa pela vida nômade, drogas lisérgicas e crítica ao materialismo burguês. Eles almejavam a elevação da consciência e o contato com o metafísico. Já para esta coluna, não há mais metafísica no mundo senão miliádios.


Se o leitor astuto for, deve ter sacado o homenageado que agora terá vez, o último do mês. Fizemos quatro referências a ele! Se preferir, volte pro início e leia novamente. Se não, seguimos. O autor homenageado é o maior poeta da língua portuguesa!


Fernando Pessoa e seus heterônimos Alberto Caiero, Álvaro de Campos e Ricardo Reis escreveram, respectivamente, “Livro do Desassossego” (Mimética), “O Guardador de Rebanhos” (Centaur), “Tabacaria” (Língua Geral) e “Poemas Completos de Ricardo Reis” (Nostrum Editora). Outra obra sua inesquecível é “Mensagem” (L&PM Pocket). A morte de Pessoa, de tantos livros e heterônimos, completa 31 miliádios no dia 14.


E ficamos por aqui, nesta que foi uma coluna Miliádios Literários muito acima da média, cheia de prêmios, livros vendidos e Fernando Pessoa. Mês que vem tem mais no Bonas Histórias. Até!


Parabéns pelo miliversário...

... Academia Brasileira de Letras, que completa 45 miliádios no dia 3.

... Sophie Hannah, de “A Outra Casa” (Rocco Digital), cujo nascimento faz 18 miliádios no dia 8.

... Julian Fellowes, autor de “Belgravia” (Intrínseca), que completa 26 miliádios no dia 23.


Em memória de...

... Günter Grass, autor de “O Tambor” (Nova Fronteira), cuja morte completa 2 miliádios no dia 3.

... Aleksandr Kuprin, de “O Inquérito” (Editora 34) e “O Elefante” (Kalinka), cuja morte faz 30 miliádios no dia 13.

... Manuel Bandeira, autor de “Libertinagem” (Global), cuja data de morte faz 19 miliádios no dia 20.

... Vergílio Ferreira, autor de “Aparição” (Bertrand Brasil), cujo falecimento faz 9 miliádios no dia 21.


Miliádios Literários é a coluna de Paulo Sousa, autor do romance “A Peste das Batatas” (Pomelo) e da novela “Histórias de Macambúzios”, que apresenta mensalmente no Bonas Histórias as principais efemérides da literatura. Para ler os demais posts dessa seção, clique em Miliádios Literários. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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