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Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura, arte e entretenimento criado por Ricardo Bonacorci em 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, dança, teatro, exposição, pintura e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 42 anos, mora em Buenos Aires e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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Filmes: Sorria - A estreia de Parker Finn na direção dos longas-metragens

Estrelado por Sosie Bacon, este terror psicológico oferece vários sustos e uma ótima ambientação, mas peca por ter uma trama recheada de clichês.

Sorria (Smile: 2022) é o filme de terror psicológico escrito e dirigido por Parker Finn e protagonizado por Sosie Bacon

Sorria, meu bem. Sorriiiiiiia. Da infelicidade. Que você procurou. Sorria, meu bem. Sorriiiiiiia. Você hoje chora. Por alguém que nunca lhe amou. Sorria, meu bem. Sorriiiiiiia. Eu sempre lhe dizia. Quem ri por último, ri melhor.


Percebemos que o Halloween (e o Día de Los Muertos para quem prefere a influência da cultura mexicana à norte-americana) está chegando pelo aumento considerável do número de filmes de terror em cartaz. Para quem gosta de sentir medo e de levar muitos sustos (beijo, Tati!), não existe melhor época do ano para visitar o cinema. As melhores opções que o público brasileiro tem à disposição nesse momento são “Halloween Ends – O Acerto de Contas Final” (Halloween Ends: 2022), “Órfã 2 – A Origem” (Orphan: First Kill: 2022), “Morte Morte Morte” (Bodies Bodies Bodies: 2022), “Não! Não Olhe!” (Nope: 2022), “Sorria” (Smile: 2022), “Telefone Preto” (The Black Phone: 2021) e “A Última Chamada” (Call: 2020). Obviamente, os dois últimos da lista são blockbusters não tão recentes assim. Eles voltaram agora para as salas de cinema para justamente aproveitar o apelo do Dia das Bruxas (e do Dia dos Mortos).


Querendo entrar o quanto antes no clima da(s) data(s) comemorativa(s) mais aterrorizante(s) do calendário, fui ao Cinemark do Shopping Tietê Plaza no último final de semana para assistir a “Sorria” (abraço, Evaldo Braga!!!). Esta produção marca a estreia de Parker Finn, jovem cineasta norte-americano, como diretor e roteirista de longas-metragens. O que me fez optar por este título foi o ótimo trailer que vi na semana retrasada. Confesso que se não fosse por isso, teria escolhido “Órfã 2” (beijo, Mara!). Como sou fã de filmes de terror, algo que os leitores mais assíduos do Bonas Histórias já estão carecas de saber (feliz aniversário, Eduardo!), não poderia perder a oportunidade de conferir nas telonas uma das novidades da atual temporada do cinema de terror.


Mesmo não tendo achado o primeiro longa de Parker Finn um filme tão sensacional (o que mais me incomodou foi a enxurrada de clichês, o que certamente irá atrapalhar bastante a experiência dos cinéfilos mais exigentes e experientes), achei válido analisá-lo na coluna Cinema. Apesar de não conter nenhuma grande novidade de ordem narrativa e cinematográfica (não espere, por favor, uma produção memorável nem uma história extremamente original!), “Sorria” consegue sim entreter a maioria do público. Quanto mais jovem for a plateia e quanto menor for a bagagem do espectador dentro do gênero de terror, mais este filme irá agradar.

O filme Sorria (Smile: 2022) é o terror psicológico escrito e dirigido por Parker Finn

Portanto, se você almeja um título honesto que consiga mexer com suas emoções pra valer no próximo Halloween (ou no Día de Los Muertos), independentemente da profundidade dos recursos utilizados e da sagacidade da trama, vale a pena olhar com atenção para “Sorria”. Em outras palavras, este filme deve ser colocado na prateleira do “entretenimento leve e rasteiro” e não na prateleira das “obras marcantes da sétima arte”. Ciente dessa particularidade, não há o porquê reclamar do trabalho de Parker Finn. Como longa-metragem de estreia, este título do cineasta norte-americano é razoável e obtém nota para passar de ano (do contrário não ganharia um post no Bonas Histórias).


Pelo menos na sala de cinema em que estive presente no final de semana, a plateia embarcou de corpo e alma nos dramas apresentados. Não por acaso, “Sorria” oferece sustos e mais sustos ao longo de toda a sessão. O que seria do gênero terror sem os sustos, né? E ele tem também uma ótima ambientação, capaz de hipnotizar os espectadores do início ao fim. Sabe aquele filme em que muitas vezes temos mais sustos dos gritos do pessoal à nossa volta do que propriamente dos acontecimentos na tela? Pois foi o que vivenciei. Admito que se a sala estivesse vazia ou se eu estivesse assistindo ao longa em casa (em streaming, por exemplo), não teria achado tanta graça (no caso, a graça aqui é sentir medo). “Sorria” é uma produção para ser vista prioritariamente nos cinemas! E de preferência com a sala cheia de adolescentes!


Lançado no circuito nacional no finalzinho do mês passado, “Sorria” é a principal aposta da Paramount Pictures para o Halloween de 2022. O tradicional estúdio hollywoodiano contratou Parker Finn, que até então só produzira dois filmes independentes e de curta duração, para adaptar “Laura Hasn´t Slept” (2020). “Laura Hasn´t Slept” foi escrito, dirigido e produzido pelo próprio Finn no ano retrasado. Nesse terror psicológico, uma moça recorre à ajuda do terapeuta para se livrar de um pesadelo recorrente. O curta-metragem conquistou prêmios nos Estados Unidos e foi muito bem recebido pela crítica.


Encantada com a qualidade narrativa e com os recursos utilizados pelo jovem cineasta em “Laura Hasn´t Slept”, a Paramount deu um orçamento na casa de US$ 17 milhões para Parker Finn produzir uma versão mais longa e mais comercial de seu filme. Surgia, dessa maneira, “Sorria”, o suspense vivido por uma terapeuta que padece de uma maldição sinistra. A doutora é atormentada por um ser maligno que a persegue em todos os lugares. Ela sabe que ele está por perto porque ele entra no corpo das pessoas e sorri. Nunca um sorriso foi tão perturbador e contraditório desde “O Coringa” (Joker: 2019).

Estrelado por Sosie Bacon, “Sorria” é um filme de terror psicológico lançado em 2022

“Sorria” é estrelado por Sosie Bacon, atriz de 30 anos que é mais conhecida pela participação no seriado “13 Reasons Why” (2017-2020) e por ser filha de Kevin Bacon e Kyra Sedgwick, um dos casais mais carismáticos do cinema norte-americano (abraço, Brad e Angelina!). Os cinéfilos mais veteranos irão se lembrar da menina Emily de “Obsessão” (Loverboy: 2005). No longa-metragem de estreia de Kevin Bacon na direção (ele também atuou ao lado da esposa nessa produção), a pequena Sosie Bacon, então com 13 anos, trabalhou pela primeira vez como atriz. Agora uma trintona, Sosie ganha seu primeiro papel de destaque no cinema comercial.


Se a atriz principal não está acostumada aos papéis de protagonista, o elenco de “Sorria” é recheado de figuras experientes. Destaque para Jessie T. Usher, Kyle Gallner, Caitlin Stasey, Kal Penn, Rob Morgan, Judy Reyes, Gillian Zinser e Scot Teller. Curiosamente, Caitlin Stasey foi a protagonista de “Laura Hasn´t Slept”. Se no curta metragem a australiana interpretou a moça atormentada por sonhos recorrentes, no longa de Finn ela vive Laura Weaver, a paciente mais problemática da Dra. Rose Cotter (interpretada por Sosie Bacon) e que passa a maldição para a terapeuta.


Outra curiosidade interessante de ser mencionada é que “Sorria” não foi concebido para ser enviado às salas de cinema. Ele foi produzido para ser lançado exclusivamente em streaming. Contudo, durante a fase de testes do filme com o público no meio do ano, a Paramount viu que o longa funcionava muito bem nas sessões em telona (algo que pude constatar na prática agora!). Assim, o planejamento foi alterado e “Sorria” ganhou verba extra de divulgação. E após uma atraente campanha de Marketing (com direito a ações de merchandising em jogos da Liga Norte-americana de Baseball e em programas matinais de grande audiência dos Estados Unidos), a produção de Finn ganhou os cinemas na última semana de setembro.


Há três semanas no circuito comercial de cinema da América do Norte (leia-se Estados Unidos e Canadá), “Sorria” teve uma estreia para lá de bem-sucedida. Logo em seu primeiro final de semana em cartaz, o filme atingiu faturamento de aproximadamente US$ 22 milhões (lembremos que seu orçamento foi de meros US$ 17 milhões) e figurou no topo da lista dos lançamentos mais assistidos. Mesmo sendo uma produção com orçamento razoável (para os padrões norte-americanos, né?), “Sorria” conseguiu brigar de igual para igual com os blockbusters. Evidentemente, a proximidade com o Halloween ajudou a todos os títulos de terror. Porém, é inegável que o fato de “Sorria” estar lado a lado nas bilheterias com “Halloween Ends – O Acerto de Contas Final”, uma superprodução com orçamento muito maior (quase o dobro) e pertencente a uma franquia famosa (algo cada vez mais importante para o público), é por si só um feito admirável. Precisamos tirar o chapéu para o trabalho de Parker Finn.

O filme Sorria (Smile: 2022) é o terror psicológico escrito e dirigido por Parker Finn

Chorar pra quê? Choraaaaaaar! Você deve sorrir. Que outro dia será bem melhor. Querida, o seu erro você vai pagar. Entenda! Que eu não posso mais lhe aconselhar. Confesso que você foi o meu grande amor. Sempre sorria. Sempre sorria, assim como estou. Sempre sorria. Sempre sorria assim, meu amor.


O enredo de “Sorria” começa em um hospital psiquiátrico. Rose Cotter (Sosie Bacon) é a terapeuta responsável pelo atendimento dos pacientes com problemas mentais que chegam ao pronto-socorro. Workaholic, a médica engata um turno no outro e raramente sai de férias ou pega uma folga. Em uma de suas longas sessões de trabalho no departamento psiquiátrico do centro hospitalar, Dra. Cotter presencia uma cena perturbadora. Laura Weaver (Caitlin Stasey), jovem paciente sem histórico de problemas mentais, dá entrada no hospital com quadro de alucinação. A moça conta para a terapeuta que está sendo perseguida por uma entidade diabólica. Laura sabe que a maldição está por perto quando as pessoas começam a sorrir de um jeito satânico para ela.


Obviamente, Rose Cotter não acredita naquele relato um tanto amalucado. Aí Laura Weaver tem um novo surto, dessa vez na frente da médica e em plena sala de atendimento do hospital. No meio da crise, a paciente simplesmente quebra um vaso de flores. E com os fragmentos pontiagudos do objeto recém-destruído, ela se mata com um corte seco no rosto. Presenciar o suicídio de uma jovem mexe muito com Rose.


A terapeuta, que já vivia sob traumas do passado e tinha pouquíssimas relações sociais e familiares, passa a ter espasmos alucinantes em pleno horário de trabalho. Para completar, ela começa a misturar realidade com imaginação, o que coloca seus pacientes em perigo. Preocupado com a saúde mental da médica e com a dinâmica no hospital, Dr. Morgan Desai (Kal Penn), chefe de Rose, concede enfim uma semana de folga remunerada para a sua mais dedicada terapeuta. Na visão do gestor, a doutora estaria sob efeito do estresse pós-traumático e alguns dias de descanso seriam mais do que suficientes para ela se recuperar.

Estrelado por Sosie Bacon, “Sorria” é um filme de terror psicológico lançado em 2022

Em casa, Rose continua com a sensação de estar sendo perseguida por algo diabólico. Além disso, ela vê aqui e ali os sorrisos sinistros que Laura Weaver lhe confidenciara antes de morrer. O comportamento cada vez mais perturbador da protagonista deixa a todos perplexos. Trevor (Jessie T. Usher), o noivo da terapeuta, acredita que ela está enlouquecendo. Madeline Northcott (Robin Weigert), antiga psicóloga de Rose, acha que a jovem está em um momento delicado e que precisa voltar urgentemente para a terapia. E Holly (Gillian Zinser), a irmã de Rose, tem a certeza de que dessa vez a doutora mergulhou no caos psicológico e que quer boicotar de propósito a já tênue harmonia familiar.


O único que parece acreditar na versão um tanto confusa de Rose é Joel (Kyle Gallner), ex-namorado da médica. Ele nota que algo verdadeiramente estranho está acontecendo com a Dra. Cotter e se propõe a ajudá-la. Por ser policial, ele auxilia Rose a investigar o estranho suicídio de Laura Weaver e logo crê na possibilidade da existência de uma maldição que está perseguindo sua ex.


Joel e Rose descobrem que há uma certa corrente maligna envolvendo uma série de suicídios. Antes de se matar, a pessoa é atormentada por imagens recorrentes de sorrisos macabros. De tão perturbadoras que são as imagens e de tão angustiante que é a sensação de perseguição, o indivíduo prefere tirar a própria vida. E ele faz isso sempre na frente de uma testemunha, que passa a incorporar a maldição. Uma vez que se entra na espiral satânica, não há jeito de escapar. Ou haveria? É isso o que Rose Cotter e Joel terão que desvendar na marra! O problema é a falta de tempo. Nenhuma (ou quase nenhuma) das vítimas da corrente amaldiçoada durou mais do que uma semana. Pobre, Rose.


Sorria, meu bem. Sorriiiiiiia. Da infelicidade. Que você procurou. Sorria, meu bem. Sorriiiiiiia. Você hoje chora. Por alguém que nunca lhe amou. Sorria, meu bem. Sorriiiiiiia. Eu sempre lhe dizia. Quem ri por último, ri melhor.


“Sorria” tem 115 minutos de duração e propicia uma boa experiência para quem for à sessão de cinema. Se você gosta de passar medo e curte tomar vários sustos, na certa sairá satisfeito da sala de exibição. O primeiro aspecto que merece ser elogiado neste longa-metragem de estreia de Parker Finn é o seu ritmo narrativo. Da primeira à última cena, temos muita tensão, reviravoltas e sustos em “Sorria”. Quem foi que disse que filme de terror precisa deixar a melhor parte para o desfecho, hein? Apesar do clima de tensão crescente, essa produção já começa na temperatura alta. Impossível piscar os olhos ou dar uma saidinha da sala em qualquer momento. Adoro produções dinâmicas e intensas!

O filme Sorria (Smile: 2022) é o terror psicológico escrito e dirigido por Parker Finn

Outra questão interessante é a ambientação. Boa parte do clima angustiante que o espectador sente em “Sorria” se deve à confusão mental da personagem principal. Afinal, Rose está sofrendo de alucinações ou está sendo vítima de uma maldição sobrenatural, hein? O que é real e o que é imaginação? Essas dúvidas conferem caráter dúbio à trama e alimentam as reviravoltas do enredo. Querendo ou não, acabamos mergulhando de cabeça nas paranoias e nas dúvidas da protagonista. Não à toa, “Sorria” pode ser classificado como um título de terror psicológico.


Repare na qualidade do trabalho de maquiagem e de figurino deste longa-metragem. De maneira muito sutil e eficiente, acompanhamos a transformação de uma terapeuta respeitada, séria, tranquila e competente em uma mulher amalucada, desesperada, passional e perigosa. A mudança psicológica da personagem principal pode ser acompanhada pela sua maquiagem e por sua roupa. Veja como Rose está nas primeiras cenas e confira depois como ela ficou nas últimas cenas. É verdade que essa transmutação se deve em boa parte à excelente atuação de Sosie Bacon. Entretanto, as equipes de maquiagem e de figurino também deram show e merecem sim nossos créditos.


Por falar na belíssima atuação da protagonista (se pensarmos que Sosie Bacon não é ainda uma atriz tão experiente, ela até que foi muito bem no papel da Dra. Rose Cotter!), “Sorria” tem um elenco rodado que soube dar conta do recado. Não há neste filme qualquer deslize interpretativo ou mesmo grandes oscilações na atuação dos atores/atrizes (algo comum de ocorrer em uma produção com elenco extenso). Saiba que se você não gostar deste longa-metragem de Parker Finn, a culpa não será dos artistas que aparecem em cena.


Agora vamos falar dos pontos negativos. Ai, ai, ai. O maior deles é sem dúvida nenhuma a falta de originalidade do enredo. O que pega é a enxurrada de clichês cinematográficos presente em “Sorria”. Sabe quando assistimos a um filme e temos a forte sensação de déjà vu? Pois foi exatamente essa a minha impressão durante a sessão. Apesar de muito bem construído e de estar redondo, redondinho, o roteiro de Parker Finn é, infelizmente, banal. “Sorria” foi bem filmado e é interessante do ponto de vista narrativo e cinematográfico, mas está longe, muuuuito longe de trazer qualquer novidade para o gênero de terror. Se ele pode agradar aos fãs menos exigentes desse tipo de cinema, na certa irá suscitar a velha reclamação daqueles que não gostam: filme de terror é tudo igual. Nesse caso especificamente, não tenho argumentos para contrapor.

Estrelado por Sosie Bacon, “Sorria” é um filme de terror psicológico lançado em 2022

Outro elemento que precisa ser abordado nessa análise da coluna Cinema é que a maioria dos sustos que tomei na sessão de “Sorria” foi provocada mais pela gritaria da plateia do que necessariamente por algo substancial que ocorreu nas cenas. Se por um lado esse expediente é divertido no começo e mostra o alto nível de tensão da trama (o toque do telefone e a chegada de uma pessoa no meio da escuridão, por exemplo, são capazes de levar o público ao desespero), por outro lado quando acontece pela terceira ou quarta vez no filme, a gente fica se perguntando: onde está o terror do longa-metragem? De qualquer maneira, susto é susto, né? Não existe uma medição de qualidade.


Por fim, precisamos discutir o desfecho de “Sorria”. Antes que alguém se preocupe com um possível spoiler da minha parte, peço calma a todos e um voto de confiança. Não costumamos dar os spoilers nas análises do Bonas Histórias, seja na coluna Livros – Crítica Literária, seja na coluna Cinema. E não vou abrir exceção dessa vez, tá? Dito isso, vamos à minha impressão do final do filme (sem dizer o que aconteceu efetivamente, né?). Achei o desenlace de “Sorria” perfeito. Por mais que uma leva considerável do público na minha sessão não tenha gostado (alguns espectadores mais revoltados chegaram a soltar palavrões impublicáveis quando as luzes da sala foram acesas), ele é sim totalmente condizente com a narrativa e tem bastante força narrativa.


O problema é que temos em “Sorria” um desfecho amargo, o que nem sempre é bem-vindo para um título comercial. Há um tipo de plateia que não aceita sabores que não sejam doces ou açucarados para o final de uma obra de arte. Aí quando recebem algo ligeiramente amargo ou mesmo ácido, viram a cara na hora. Confesso que desse mal eu não sofro. Eu adoro finais trágicos e indigestos, quando eles fazem sentido (como o desta produção).


Então quer dizer que você está elogiando o desenlace de “Sorria”, Ricardo? Sim e não. Sim porque, como disse, ele é perfeitamente coerente, apesar de extremamente indigesto. E não porque, como o roteiro inteiro, ele é muuuuito previsível. Quem assistiu a “Possuídos” (Fallen: 1998) e “A Profecia” (The Omen: 1977), por exemplo, conseguirá prever sem dificuldades o final do longa de Parker Finn já na metade da sessão. Foi o que aconteceu comigo, um espectador um tanto calejado pelos filmes de terror. Paradoxalmente, as principais reviravoltas do enredo de “Sorria” acontecem na parte final do filme, até o desenlace. Aí quando pensei que seria surpreendido, o rio desembocou no velho oceano de sempre. Ai, ai, ai.


Assista, a seguir, o trailer de “Sorria” (Smile: 2022):

Chorar pra quê? Choraaaaaaar! Você deve sorrir. Que outro dia será bem melhor. Querida, o seu erro você vai pagar. Entenda! Que eu não posso mais lhe aconselhar. Confesso que você foi o meu grande amor. Sempre sorria. Sempre sorria, assim como estou. Sempre sorria. Sempre sorria assim, meu amor.


E você: gostou ou não gostou de “Sorria”?! Enquanto aguardo o seu comentário, aqui vai o meu ótimo Halloween (e um excelente Día de Los Muertos) para todos!


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