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  • Recomendações: Livros – Melhores Leituras do 2º Semestre de 2025

    Com uma coletânea de títulos de ficção, não ficção e biografia, listamos as cinco publicações mais impactantes que foram analisadas pelo blog de julho a dezembro . Fim de ano é o período oficial das retrospectivas . Confesso que adoro olhar para trás e verificar o que de melhor e pior vivenciamos de janeiro a dezembro. Essa mania (chamo tal hábito de mania, tá?!) é algo que trago desde a infância. Na cada vez mais distante década de 1980, ainda molecote, ficava grudado na televisão de tubo da sala acompanhando com atenção as retrospectivas anuais das várias emissoras abertas. Minha irmã menor (beijo, Celinha) queria morrer por perder seus desenhos animados favoritos. Na adolescência, a curtição era mergulhar nas recapitulações de jornais e revistas. Aí quem ficava maluquinho comigo era meu pai, que ganhava concorrência em suas leituras. Sim, senhoras e senhores, sou de uma época em que as pessoas liam periódicos. Bons tempos aqueles! Por causa do meu gosto um tanto peculiar pelas retrospectivas, o Bonas Histórias  reúne, nesse término de 2025, alguns posts de revival. A ideia é, por supuesto , fazer um apanhado geral da mais recente temporada literário-cultural . Na semana passada, por exemplo, apresentamos os vencedores do 11º Prêmio Melhores Músicas Ruins , evento tradicional do mercado fonográfico promovido por este blog. Parabéns para Brenno & Matheus e DJ Ari SL (Orelhão de Ouro com a música “Descer pra BC”), Xand Avião e Talita Mel (Orelhão de Prata com a canção “Melzinho”) e Oruam, Zé Felipe, MC Tuto e Rodrigo do CN (Orelhão de Bronze com a faixa “Oh Garota, Quero Você Só Pra Mim”). Vamos combinar que a coluna Melhores Músicas Ruins  está cada vez mais vigorosa. É de chorar de emoção, senhoras e senhores. Agora a pegada é mais séria (eu sério?! ÀS VEZES!) e envolve a literatura . Trago para o post de hoje da coluna Recomendações as melhores leituras feitas no segundo semestre de 2025 . Antes que alguém, com razão, me pergunte “mas por que uma retrospectiva literária semestral e não anual, Ricardinho?!”, já respondo na lata: “porque, na última semana de junho, apresentei as melhores leituras do primeiro semestre de 2025 ”. Como não quero parecer repetitivo (eu repetitivo?! NUNCA!), achei por bem concentrar a avaliação nas obras consumidas de julho a dezembro. Justo. Muito justo. Justíssimo! Para começo de conversa (sim, ainda estamos no início desta prosa – senta que lá vem história!), informo que li aproximadamente três dezenas de obras neste semestre que está rumando ao crepúsculo. Se você achou muito a média de cinco títulos por mês (é pouco mais de um por semana), saiba que esse número é baixo para o meu padrão. Não se esqueça que trabalho com crítica literária (a coluna Livros – Crítica Literária  está aí para comprovar), edição de livros (na EV Publicações ) e produção de conteúdo (na Epifania Comunicação Integrada ). Ou seja, minha rotina profissional exige naturalmente leitura em tempo integral. À título de comparação, de janeiro a junho, conheci 35 novos livros (média aproximada de seis por mês). Se o ponto de referência for meu histórico dos últimos cinco anos (consumo de 48 publicações semestrais, o que dá oito mensais ou duas semanais), a queda é até mais acentuada. Quando dou a dimensão das minhas leituras, juro que não a faço para me vangloriar. Até porque, tenho a ciência de que, na minha profissão, esse tipo de coisa é mera obrigação. Como posso escrever, editar e analisar livros com qualidade se não invisto na quantidade do meu repertório literário, né? Além do mais, em uma sociedade cada vez mais audiovisual como a nossa, quem disse que ter hábitos de leitura é algo bem-visto pelas pessoas, hein?! Claro que não! Muitas vezes, me sinto um ET consumindo jornais, revistas e livros em grande escala. Prova disso é que quando conheço uma bela dama, seja En La Ciudad de La Furia , seja na Selva de Pedra, escondo o quanto posso minha compulsão jornalístico-literária. Há coisas da minha personalidade que a candidata à Senhora Bonacorci não precisa saber logo de cara.   Apesar da ligeira diminuição do ritmo de leitura neste semestre, reconheço que tive muita felicidade com a qualidade do que consumi de julho para cá. Em outras palavras, a queda quantitativa não implicou em perda qualitativa. Ufa! Assim, apresento, aos leitores do Bonas Histórias  que procuram ótimas sugestões de aquisição nas livrarias nacionais, as cinco obras que mais gostei nos últimos seis meses. É bom dizer que entre as publicações que mais mexeram comigo há um pouco de tudo: ficção (tanto romance  quanto novela ), não ficção  ( ensaio  e crônica ) e biografia  (com dicas de gestão e empreendedorismo e boas doses de autoajuda  e receitas culinárias ). Por outro lado, essa variedade não se repetiu quando olhamos para a data de publicação e para a nacionalidade das obras do ranking. No top 5, só há representantes contemporâneos (todos foram lançados nos últimos sete anos) e exemplares da literatura brasileira  e da literatura norte-americana . Feita essa introdução (longa, reconheço!), acredito que já estamos preparados para adentrar na  coletânea de melhores   leituras semestrais do Bonas Histórias . Inicialmente, comentarei com mais detalhes os cinco títulos que mais apreciei. Na sequência, de lambuja, citarei os exemplares que ficaram da sexta à décima posição no meu ranking pessoal. Portanto, além do top 5, revelarei com certa timidez o top 10. Respeitando o clima de suspense (que rufam os tambores!), elemento essencial de uma boa narrativa, listo agora os livros por ordem crescente de importância. Aí vamos nós, senhoras e senhores, pelo mundo do melhor da literatura na segunda metade de 2025: 5º Lugar: A Empregada  – Freida McFadden – Romance – Arqueiro – Literatura norte-americana – Thriller dramático – 2022 – 304 páginas. Uma das boas surpresas semestrais foi “A Empregada”  ( Arqueiro ), best-seller internacional de Freida McFadden . A jovem romancista norte-americana criou um thriller  ágil, surpreendente e com várias reviravoltas. O que mais gostei foi da construção das personagens (quase sempre redondas) e da temática (muito em voga atualmente – só não falo o que é para não dar o spoiler). Assim, acompanhamos o drama psicológico de Millie Calloway, uma bonita funcionária doméstica. A moça padece nas mãos de Nina Winchester, uma patroa rica, amalucada e extremamente ciumenta. O que era para ser o emprego dos sonhos se transforma em um pesadelo para Millie. O interessante deste livro foi sua ascensão meteórica ao posto de um dos mais vendidos dos Estados Unidos. “A Empregada” foi publicado inicialmente em e-book por uma editora inglesa em abril de 2022. A receptividade do público foi tão positiva que, já em agosto daquele ano, ele foi lançado em versão física nas livrarias norte-americanas. Rapidamente, o primeiro romance comercial de McFadden entrou na prestigiada lista dos mais comercializados do New York Times, ficando 60 semanas por lá. No Brasil, ele alcançou a liderança em vendas entre os títulos ficcionais em 2025. Talvez a prova maior da excelência desta história esteja no fato de que a trama de “A Empregada” foi adaptada há pouco para o cinema. Querendo ou não, o livro que vai para as telonas ganha o certificado de qualidade do mercado editorial. E, por falar nisso, este longa-metragem estreará nas próximas semanas no circuito brasileiro de cinema. Que tal ler a obra literária antes de correr para as salas de projeção, hein? Posso dizer que já fiz isso. Agora só me falta conhecer o segundo e o terceiro volumes desta saga. Saga? É isso mesmo! Diante do enorme sucesso, Freida McFadden deu sequência à sua trama mais famosa. Os dois novos títulos protagonizados pela carismática e corajosa Millie Calloway são: “O Segredo da Empregada” (Arqueiro) e “A Empregada Está de Olho” (Arqueiro). 4º Lugar: Copo Vazio  – Natalia Timerman – Novela – Todavia – Literatura Brasileira – Drama psicológico – 2021 – 144 páginas. Um dos maiores sucessos comerciais da literatura brasileira desta década é “ Copo Vazio” ( Todavia ), novela de  Natalia Timerman . Esta obra narra o drama sentimental de uma mulher vítima de ghosting . Vamos combinar que essa temática é extremamente contemporânea, não é?! Atire a primeira pedra quem ainda não passou por isso (beijo, Sub-30). Publicado em fevereiro de 2021, esse livro catapultou a carreira de romancista da médica psiquiatra e psicoterapeuta paulistana. Assim, graças ao êxito deste título perante o público leitor e a crítica literária, nosso país ganhou uma belíssima autora ficcional. Saravá! O enredo de “Copo Vazio” gira em torno da vida sentimental de Mirela, uma arquiteta paulistana de 32 anos. Bem-sucedida e com a situação financeira confortável, a moça entra num aplicativo de relacionamento para aplacar a solidão momentânea. Lá, o primeiro cara que conhece virtualmente é Pedro, um mineiro bonitão que está em São Paulo fazendo doutorado em Ciências Políticas. O bate-papo flui, eles se encontram presencialmente, curtem a companhia um do outro e vão para a cama. Instantaneamente, Mirela se apaixona por Pedro e começa a namorá-lo de maneira séria. Até o dia em que ele desaparece sem dar explicações e nunca mais responde às suas mensagens. A partir daí, a arquiteta entra em depressão. Com temática atual, personagens ficcionais bastante verossímeis, protagonista e antagonista contraditórios, excelente ritmo narrativo, prosa elegante, profundidade dramática, narradora pouco confiável, entrelaçamento de espaço temporal, mistura de realidades e desfecho aberto, “Copo Vazio” é uma novela com várias camadas literárias que valoriza a inteligência dos leitores. Gostei tanto deste livro de Timerman que pensei que ele seria o melhor deste semestre. Contudo, tal qual um bom suspense psicológico  com surpresas e reviravoltas nas últimas páginas, surgiram nas semanas derradeiras de 2025 alguns títulos não ficcionais que o suplantaram. Durmamos com essa bomba, senhoras e senhores.    3º Lugar: Talvez Você Deva Conversar com Alguém – Lori Gottlieb – Crônica – Vestígio – Não ficção norte-americana – Biografia/Crônica/Ensaio – 2019 – 448 página. Na primeira sexta-feira de dezembro, peguei “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”  ( Vestígio ) emprestado com minha irmã. Sem nada para ler naquele final de semana, queria uma boa companhia literária. E Celinha (também conhecida como Marcela, a responsável pela coluna Dança e diretora da Dança & Expressão ) me sugeriu sua mais recente aquisição, que ela sequer tinha aberto. Admito que conhecia apenas de nome essa obra de Lori Gottlieb . Afinal, estamos falando de um best-seller internacional que está entre os títulos não ficcionais  mais comercializados no Brasil neste ano. Contudo, confesso envergonhado que não esperava muita coisa desta leitura. Na minha visão um tanto leiga sobre as novidades das demais estantes das livrarias (sou especialista em ficção, única prateleira que navego sem o uso de equipamentos), acreditava se tratar de um mero sucesso comercial com pouca qualidade. Nada mais equivocado da minha parte. Só precisei ler três capítulos de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” para compreender a riqueza de seu texto e não o largar mais. Nesse livro sincero, inteligente e sagaz, Lori Gottlieb, terapeuta norte-americana que trabalhou por muitos anos como assistente de redação em séries de televisão, aborda um momento crítico de sua vida: a depressão causada pelo término repentino de um relacionamento amoroso. Na véspera de se casar com o namorado visto até então como perfeito, ela descobre que ele não quer viver com uma criança pequena. A escritora é mãe de um menino de oito anos. Assim, eles terminam, o que causa uma enorme dor em Lori, que afeta sua saúde física e mental e seu desempenho profissional. O mais legal de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” (exatamente o que o torna uma leitura tão envolvente) é a multiplicidade de faces desta narrativa. Acompanhamos não apenas o drama presente da terapeuta como seu passado. Além disso, ela descreve os tipos mais inusitados que atendeu (sem revelar, obviamente, a identidade real dos pacientes), as descobertas feitas quando se sentou no divã (dessa vez no papel de atendida), os bastidores da televisão norte-americana (lembremos que ela foi assistente de redação de seriados famosos como “Friends” e “Plantão Médico”) e alguns conceitos da psicanálise (de um jeito simples e didático). Em suma, esse livro é uma conversa franca e extremamente perspicaz sobre a importância de se fazer terapia. Ao percorrer as páginas desta publicação, conhecemos a dinâmica das boas conversas terapêuticas e algumas das neuras contemporâneas da nossa sociedade. Curti tanto essa leitura que quero analisá-la em janeiro na coluna Livros – Crítica Literária . Aguardem novidades sobre “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” para as próximas semanas.    2º Lugar: Se a Vida Tivesse Receita  – Silvia Leite – Biografia – EV Publicações – Não ficção brasileira – Autobiografia/Negócios/Autoajuda – 2025 – 200 páginas. Na segunda posição do ranking dos melhores livros analisados pelo Bonas Histórias  no segundo semestre de 2025, temos “Se a Vida Tivesse Receita”  ( EV Publicações ), a autobiografia de Silvia Leite . Sem risco de cair no exagero, afirmo com segurança que esta é a história real mais sensacional que conheci nos últimos anos. A trajetória pessoal e profissional da autora, uma das mais inovadoras empresárias paulistanas do setor de doces congelados, até parece uma novela (e poderia virar filme). Os altos e baixos, com tragédias, reinícios e superações em todas as fases da vida, emocionam os leitores mais exigentes. E olha que quem está falando/escrevendo isso é alguém que normalmente não curte tanto assim biografia . Porém, o jeito franco e direto como Silvia narra seu passado é digno de elogios intermináveis. Impossível não ficar seu fã.  Para quem não sabe, a escritora foi a inventora de algumas sobremesas geladas mais amadas pelos brasileiros. Fazem parte das criações icônicas de Silvia Leite a torta holandesa, a torta alemã, o gelado inglês e o creme holandês. Aposto que você não sabia que foi uma conterrânea nossa a responsável por desenvolver esses doces, né? Falo por mim: eu não conhecia as particularidades da confeitaria nacional antes de ler “Se a Vida Tivesse Receita” . Curiosamente, esse não é o aspecto mais impactante desta leitura. Na minha visão, o grande feito da autora foi ter criado a Holandesa & Cia, a maior empresa de sobremesas congeladas do país em meados dos anos 2000. E Silvia fez isso a partir das receitas confeccionadas na cozinha residencial. Incrível! Lançado em julho deste ano pela EV Publicações , “Se a Vida Tivesse Receita” é uma obra híbrida. Além de narrar os desafios familiares e profissionais de Silvia, ele apresenta lições de empreendedorismo, debate conceitos de gestão empresarial, mostra a evolução da indústria nacional de sobremesas congeladas, oferece pitadas de autoajuda e, claro, encanta os apaixonados pela culinária com algumas receitas que fazem os leitores salivarem. Isso tudo em um projeto gráfico que merece os aplausos do mercado editorial. Em outras palavras, esse livro é perfeito: reúne temas variados, conteúdo riquíssimo, uma história inacreditável e visual impressionante. O que mais podemos querer de uma obra literária, hein? 1º Lugar: Como as Democracias Morrem – Steven Levitsky e Daniel Ziblatt – Ensaio – Zahar – Não ficção norte-americana – Política – 2018 – 272 páginas. A publicação mais impactante desse semestre foi “Como as Democracias Morrem” ( Zahar ), ensaio político dos norte-americanos Steven Levitsky   e Daniel Ziblatt.  A partir de estudos reais, a dupla de cientistas políticos da Universidade Harvard descreve o passo a passo de como os líderes autoritários contemporâneos fazem para matar ou enfraquecer as instituições democráticas de seus países. Assim, podem governar com maiores poderes, sem temer a interferência ou a influência da Justiça, do Legislativo, da mídia e da sociedade civil. Ao invés de darem golpes armados e/ou recorrerem às forças militares, como ocorria nas décadas de 1960, 1970 e 1980, os déspotas do século XXI corroem pouco a pouco o sistema político para que ninguém reclame da usurpação de poder. Aí quando a sociedade percebe, o país já está de mãos amarradas, sendo comandado por um ditador que usa roupas (pseudo)democráticas.  O mais assustador do livro de Levitsky e Ziblatt é que o método traiçoeiro para destruir a democracia é usado atualmente nos quatro cantos do planeta e por todas as correntes políticas. Ele cita casos na Europa (Hungria), Ásia (Turquia), América do Sul (Venezuela), América Central (El Salvador) e América do Norte (primeiro governo de Donald Trump). Até a tentativa de Jair Bolsonaro de melar o sistema eleitoral do Brasil é mencionado rapidamente. Para quem possa enxergar algum teor ideológico no conteúdo de “Como as Democracias Morrem”, vale dizer que os exemplos trazidos contemplam tanto ditadores de direita quanto ditadores de esquerda. Até porque, vamos combinar, no fim das contas dá no mesmo ser oprimido, perseguido e censurado por qualquer um dos extremos políticos. Lançado em 2018 nos Estados Unidos e traduzido rapidamente para vários idiomas, “Como as Democracias Morrem” é uma obra imperdível para quem quer entender a realidade sócio-política dos dias de hoje. A partir dos estudos e das pesquisas históricas de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, conseguimos compreender as manhas e artimanhas de líderes tóxicos e populistas para se perpetuar no poder. Além de uma leitura imperdível, ela é uma obra de utilidade pública. Quem dera a maioria da população enxergasse a manipulação que seus ídolos políticos arquitetam na surdina.   Como prometido no início deste post da coluna Recomendações , agora vou exibir o top 10 das minhas leituras preferidas do segundo semestre de 2025. Como o clímax já ficou para trás, sinto que posso exibir a lista de livros em ordem decrescente de importância. Confira: Por hoje é só, pessoal. Um ótimo finalzinho de 2025 para todos os leitores do Bonas Histórias . Em 2026, prometo retornar ao blog com novas seleções com o melhor da literatura, cultura, artes e entretenimento. Até a próxima indicação! Gostou deste post do Bonas Histórias ? Para acessar a lista de melhores livros, filmes, músicas, peças teatrais e exposições, clique na coluna Recomendações . Para ver as nossas análises literárias, clique na coluna Livros – Crítica Literária . E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook , Instagram , Twitter e LinkedIn .

  • Livros: Talvez Você Deva Conversar Com Alguém – A polêmica autobiografia de Lori Gottlieb

    Publicada originalmente em abril de 2019 e lançada no Brasil em abril de 2020, esta obra não ficcional da jornalista e terapeuta norte-americana entrou na lista dos títulos mais vendidos do New York Times  ao apresentar o universo da psicoterapia com franqueza, bom humor, profundidade e, por que não, boas doses de polêmica . Hoje vou comentar um livro que li no início de dezembro e que gostei demais. Gostei tanto que o resultado prático desta leitura é, voilà , uma nova matéria do Bonas Histórias . Conforme escancarado no título e na imagem principal deste post, o que estraga qualquer tentativa de mistério ou suspense das linhas introdutórias da minha análise, a obra em questão é “Talvez Você Deva Conversar com Alguém – Uma Terapeuta, O Terapeuta Dela e A Vida Louca de Todos Nós”  ( Vestígio ), o best-seller internacional  da jornalista e psicoterapeuta norte-americana Lori Gottlieb . Para ser mais preciso em minhas palavras iniciais, diria que fiquei encantado com esta biografia sincera, inteligentíssima e inovadora. Como é bom mergulharmos em trabalhos editoriais que realmente valem a experiência de leitura, apesar das polêmicas geradas. E põe polêmica aí, senhoras e senhores!    Depois de figurar, quase que instantaneamente ao seu lançamento, na lista dos mais vendidos do New York Times , este livro foi publicado no Brasil um ano mais tarde. A tradução para nosso idioma foi feita por Elisa Nazarian . E por aqui, “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” também despontou como um dos títulos mais adquiridos pelo público nacional. Nada mal se pensarmos que se trata de uma autobiografia que se propõe a revelar os mecanismos das psicoterapias e o bem-estar gerado pelas conversas dos pacientes com seus psicólogos. Convenhamos que este assunto não é, principalmente em nosso país, dos mais populares, né? Diferentemente do que ocorre com os moradores de Buenos Aires (meu outro lar!), paulistanos, cariocas, belo-horizontinos, porto-alegrenses, curitibanos, recifenses, soteropolitanos, calangos e manauaras, por exemplo, não têm a psicoterapia como prática rotineira. Acredito até que muitos de meus conterrâneos ainda a vejam com certo grau de preconceito, o que é uma pena. Antes de me aprofundar nos pormenores deste best-seller, preciso explicar aos leitores do blog o quão excepcional foram as últimas análises da coluna Livros – Crítica Literária . Afinal, em uma seção voltada prioritariamente para o debate das melhores produções ficcionais, tivemos recentemente uma overdose de publicações não ficcionais . Além de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”, nosso tema de hoje, discutimos, no mês retrasado, “Se A Vida Tivesse Receita” (EV Publicações), autobiografia de Silvia Leite, a inventora da torta holandesa e de várias outras sobremesas famosas da confeitaria nacional. O que estaria acontecendo com o tradicional espaço de análises das narrativas literárias, hein?! Abro uma dupla de parênteses imaginários em meu texto justamente para esclarecer essa inquietação (talvez mais minha do que da meia dúzia de leitores que me acompanham sazonalmente). Começo minha explicação dizendo que, no vasto mundo do mercado editorial, sou especialista apenas em Ficção Literária. E ponto final. Repare na redundância proposital da união do “apenas” com a explicitação, logo a seguir, do “ponto final”. Por mais que me contratem como editor, consultor, revisor e ghostwriter em outras áreas (Negócios, Não Ficção e Biografias, principalmente), sempre deixo claro (com a mesma ênfase colocada aqui) que só entendo (e olhe lá!) do que se passa nas prateleiras e nas páginas dos livros ficcionais. Adoraria ser um profissional mais versátil e completo? Claro que sim. Contudo, reconheço minhas limitações e incompletudes. Como diria o título do novo longa-metragem de Eva Victor, Sorry, Baby ! Isso quer dizer que não leio nada fora das estantes da ficção? Evidentemente que não! Como leitor recreativo, me considero bem mais eclético, profundo e sagaz do que como profissional da indústria editorial. Meu hobby é devorar livros de quase todos os assuntos. Só não aprecio, tenho que reconhecer que por puro preconceito, títulos religiosos e de autoajuda. Eca! O correto seria dizer que nutro enorme ojeriza deles. Fujo de tais temas como o Diabo foge da cruz. Ou como o primo pobre que corre na direção contrária à fortuna e à vida abastada. Pensando melhor agora, talvez esse hábito de leitura explique muita coisa na minha vidinha tão caótica, pecadora e pouquíssimo farta em recursos monetários. Mas o porquê estou derramando essa ladainha antes de começar a falar de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”, o livro de Lori Gottlieb que é o tema central desse post do Bonas Histórias ? Aí que está o X da questão, senhoras e senhores. No segundo semestre de 2025, os três títulos que mais gostei de ter conhecido foram obras não ficcionais. Confesso que há muito tempo isso não se passava comigo. Tanto é que comentei essa excepcionalidade na matéria sobre as melhores leituras do último semestre . Não sendo especialista nessa área, poderia eu comentar tais livros com a mesma profundidade dos romances, novelas, coletâneas de contos, coleções de crônicas, histórias infantojuvenis e narrativas infantis? Conseguiria, ao fazer análises fora do campo ficcional, manter a qualidade já conhecida da coluna Livros – Crítica Literária ? Minha resposta inicial foi um retumbante e sonoro duplo “NÃO”. Entretanto, pensei melhor (nada como o fim do ano para repensarmos velhas crenças, né?) e decidi que ainda assim faria posts de pelo menos duas das obras que mais gostei na metade final de 2025. O importante é que os leitores do blog entendam o tom incomum de minhas análises. Passado esse momento de exceção, sei que voltarei a concentrar a atenção na ficção. E é bom também todos saberem que as análises de “Se A Vida Tivesse Receita” e “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” foram feitas com meus olhos de entusiasta e não de profissional. Infelizmente, não entendo como gostaria dos meandros das narrativas não ficcionais. Espero que os leitores me perdoem por essa falha. Feita essa explicação (ou seria desabafo?), podemos entrar propriamente na parte do texto sobre o livro em questão. Ufa. Até que enfim acabou a enrolação. Peguei “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” para ler meio que por acaso no comecinho do mês passado. De volta à São Paulo depois de dois anos e meio morando em Mi Buenos Aires Querido , me alojei provisoriamente no apartamento de minha irmã em Perdizes. De bom grado, Marcelinha fez do escritório/biblioteca dela o meu quartinho. E, no final de tarde da primeira sexta-feira de dezembro, enquanto Pescuitto puxava um soninho canino aos meus pés, procurei algo diferente para ler na prateleira. Foi aí que avistei o amarelão da capa desta obra de Lori Gottlieb ainda embrulhado no plástico. Hermanita  comprou o livro há algum tempo e não teve a preocupação sequer de desembrulhá-lo antes de colocar na estante residencial. Li “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” de maneira despreocupada. Definitivamente, não queria algo para comentar no Bonas Histórias  nem esperava uma experiência literária de altíssimo nível. Só desejava mesmo algo diferente para me entreter por algumas horas no quarto de visita (tá bom, na biblioteca) da irmãzinha. Juro que pensei de um jeitão muito preconceituoso: “como boa parte dos best-sellers recentes, esse título deve trazer uma enxurrada de obviedades e lugares-comuns”. Não poderia estar mais enganado. Gostei tanto desta publicação que não desgrudei dela no final de semana inteiro. Em três dias, já a tinha devorado integralmente. O curioso é que, conversando com uma nova amiga no meio daquele final de semana (beijo, Tati), descobri que ela também o estava lendo. No sábado à noite, quando nos conhecemos, estávamos inclusive na mesmíssima parte de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”. Aí nossa prosa engatou como milagre, embalada sobre o que estávamos achando desta leitura. Nada como, além das coincidências e aleatoriedades da vida, trocar ideias com mulheres bonitas, inteligentes e de gosto refinado!    Publicado nos Estados Unidos em abril de 2019 com o título original “ Maybe You Should Talk to Someone ” pela editora HarperCollins , esse livro rapidamente se tornou um enorme sucesso de vendas em seu país. Lori Gottlieb, californiana de 59 anos, é uma jornalista e psicoterapeuta acostumada a escrever sobre psicologia tanto nas livrarias quanto na mídia impressa e na internet. Além dos vários livros lançados, ela tem uma coluna semanal na revista The Atlantic  em que dá conselhos aos leitores. Também é figura frequente nos artigos do New York Times , onde discorre sobre terapia, cultura e bem-estar. Alguns dos seus textos se transformaram em sensação entre os leitores do tradicional jornal nova-iorquino, daí sua popularidade junto ao público. Preciso dizer que “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” é um livro híbrido. Em parte, ele pode ser descrito como uma biografia convencional. Afinal, a autora relata boa parte dos seus desafios profissionais e os momentos mais delicados de sua trajetória pessoal. Por outro lado, esta obra pode ser descrita como uma coletânea de crônicas . Afinal, assistimos ao debate de variados temas: amor, separação conjugal, maternidade/paternidade, morte, luto, depressão, suicídio, alcoolismo, felicidade/infelicidade, reinvenção profissional, busca pelo perdão, entre outros assuntos. E há, por supuesto , o conteúdo técnico da psicologia , trechos em que a escritora detalha o processo de cura emocional a partir da realização de sessões de psicoterapia. Inclusive, de forma surpreendente, Gottlieb exibe em detalhes os casos de quatro pacientes que ela atendia. Olha a polêmica aí, gente! Ela revela as dificuldades mais íntimas deles e como fizeram para superar os momentos mais difíceis. É bom dizer que a própria psicoterapeuta se coloca no papel de paciente, quando sua vida emocional desmorona e ela procura a ajuda de um psicólogo. Por isso mesmo, não é errado enxergar essa publicação com pitadas generosas de autoajuda .   Ou seja, esse é um livro que, entre vários assuntos discutidos e pessoas abordadas, trata do poder terapêutico da terapia. Juro que não sei se escrever “poder terapêutico da terapia” é uma expressão redundante. Se for, desculpe-me pela falha linguística. Por mais que saibamos da importância e da eficácia das sessões de psicoterapia, ainda assim é muito legal ver na prática os efeitos saudáveis das conversas sinceras e profundas dos pacientes com seus terapeutas. Ao assistir às curas acontecendo no texto de Lori Gottlieb, entendemos com mais intensidade o método de melhora mental e emocional da terapia. Incrível! Confesso que a minha vontade, ao fechar as páginas de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”, foi procurar um psicólogo para começar a me clinicar (algo que jamais passara por minha cacholinha pra lá de oca). Ou fazer um curso de psicologia para entender o poder da cura das boas conversas (outro pensamento inédito que tive). Vendo a dificuldade natural dos dois caminhos, preferi extravasar meus anseios produzindo esse post para a coluna Livros – Crítica Literária . Quem foi que disse que o fazer literário ou o exercício da crítica literária não têm também poderes terapêuticos, hein?! Vamos agora detalhar com mais rigor a trama desta obra. Se estivéssemos com um título de ficção em mãos, diria simplesmente que entraríamos na análise de seu enredo . Porém, como “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” é uma não ficção/autobiografia, tenho que dizer que iremos comentar, nos próximos parágrafos, sua narrativa. Então vamos nessa, pessoal! Com 40 e poucos anos, Lori é uma psicoterapeuta de Los Angeles com a rotina aparentemente tranquila. A narradora tem seu consultório próprio onde atende a alguns pacientes. Ela possui um filho, Zach, de oito anos. O menino foi gerado de maneira independente (entenda como quiser a essa frase!). Lori namora há alguns anos um homem do tipo perfeito: carinhoso, inteligente, bonito, educado e compreensivo. O Namorado, como ele é chamado, tem duas filhas já adolescentes de um relacionamento anterior, que vivem com a mãe. O namoro de Lori vai muito bem obrigado. Eles até planejam se casar em breve. Os preparativos para o casório são, inclusive, pauta de conversas deles. Isso até o mundo da autora simplesmente desabar. Numa noite qualquer, ela está na cama com o Namorado e o questiona sobre o motivo de ele estar tão calado e sério. O rapaz diz que não é nada, talvez cansaço do trabalho. A psicoterapeuta insiste. Ela o conhece muito bem. Há algo o incomodando para gerar aquela cara amarrada e pouco usual. Diante da insistência da amada, o Namorado desabafa: ele não quer mais viver com Lori nem deseja se casar. O problema não é exatamente ela e sim o filho dela. O Namorado não quer passar a próxima década tendo uma criança em casa. Ele já viveu esse período com as filhas e está aliviado por elas terem crescido. Diante desse diagnóstico, ele pega suas coisas e vai embora. É o fim abrupto de um relacionamento longo e que deveria durar muito mais. Não é preciso dizer que Lori entra em profunda depressão. Ela não consegue parar de chorar e acha que jamais superará aquela traumática separação. Para complicar ainda mais sua vida, seu novo estado mental/emocional atrapalha em cheio seus planos profissionais. Há vários meses, a psicoterapeuta recebeu um polpudo adiantamento de uma editora para escrever um livro sobre felicidade, mas não produziu uma linha sequer. Contudo, a procrastinação deve acabar imediatamente. Pressionada pelos editores pelo longo atraso, ela tem que entregar uma parte da nova obra sim ou sim. Do contrário, a editora cancelará o contrato e exigirá a devolução da bolada. O problema é que Lori não tem mais a grana (gasta, evidentemente) e não se sente em condições para escrever algo com uma temática tão delicada. Desde quando uma depressiva que vive no fundo do poço poderá discorrer sobre a beleza da vida?        Por isso, a narradora procura a ajuda de um psicólogo. A partir de indicações de amigos e colegas de trabalho, ela se torna paciente de Wendell Bronson, um experiente e gabaritado profissional de Los Angeles. A autora apresenta aos leitores suas sessões com o psicólogo e mostra o quanto as conversas com ele a ajudam a superar o trauma do término do relacionamento com o Namorado. Ao mesmo tempo, Lori exibe alguns casos clínicos em que está trabalhando como terapeuta. Não nos esqueçamos que ela também é psicoterapeuta. Assim, a narradora discorre basicamente sobre quatro de seus pacientes mais marcantes: John, Julie, Rita e Charlotte. John, um ator quarentão famoso, extremamente egocêntrico e frio com as pessoas, tem uma péssima relação com a família – esposa e duas filhas pequenas. Para ser franco, ele não tem uma interação satisfatória com ninguém. Do seu ponto de vista, todos a sua volta são idiotas, que só o atrapalham e o fazem perder tempo com babaquices. Não por acaso, vive enfezado seja em casa, seja no trabalho. Por mais que ame a mulher e as filhas, John não consegue se aproximar como deveria nem sabe demonstrar o que verdadeiramente sente por elas.   Julie, uma professora universitária de 35 anos, descobre ter câncer terminal. A descoberta médica acontece assim que retorna de lua de mel, o que estende o drama para seu marido. Assim, os planos de seguir com um casamento convencional e de ter filhos foram por água abaixo com um diagnóstico tão atroz. Agora a preocupação de Julie é se recuperar ou, conforme as notícias dos médicos pioram cada vez mais, simplesmente sobreviver o máximo possível. Aos 69 anos, Rita é uma senhora amarga e depressiva, que sente raiva de tudo e de todos. De tão desanimada com a vida, ela até cogita se suicidar tão logo complete o septuagésimo aniversário. Depois de alguns casamentos fracassados, quase sempre relacionamentos tóxicos com homens violentos, e de não ter qualquer contato com os filhos adultos, que a odeiam profundamente, a paciente mais idosa de Lori vive sozinha. Sem interação com amigos, vizinhos, colegas ou parentes, Rita não vê mais sentido em seguir com seu cotidiano triste e enfadonho. Por fim, Charlotte é a paciente mais jovem de Lori. Aos 25 anos, a moça tem graves problemas com alcoolismo, o que potencializa sua depressão e ansiedade. Ela é campeã em se envolver em péssimos relacionamentos amorosos. De maneira geral, ela dispensa os bons partidos e os rapazes que querem construir algo positivo ao lado dela. E não consegue largar os sujeitos que são tranqueiras, que não querem nada além de sexo e curtição desvairada, de preferência em eventos regados com muitas bebidas e drogas. Nesse eterno ciclo de relacionamentos tóxicos, o alcoolismo de Charlotte só piora, o que a faz seguir tomando péssimas escolhas em todas as esferas da vida: profissional, financeira, sentimental etc. Assim, o texto de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” caminha por várias direções. Enquanto fala de seu passado (antes de ser psicoterapeuta, Lori foi, por exemplo, roteirista de TV e estudante de medicina) e mostra a evolução das suas sessões de terapia com Wendell, a narradora do livro revela também as interações com o seu quarteto de pacientes. Ela não apenas diz o que John, Julie, Rita e Charlotte conversam nas consultas como indica o que se passa com as vidas deles a partir daí. Em outras palavras, temos basicamente seis linhas narrativas andando paralelamente nesta obra: passado de Lori; presente de Lori; trajetória de John; trajetória de Julie; trajetória de Rita; e trajetória de Charlotte. No meio dos textos pessoais das personagens/figuras retratadas, há ainda espaço para o detalhamento de assuntos técnicos da psicologia e do exercício da psicoterapia.    “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” é um livro bem volumoso. Suas 448 páginas estão distribuídas em 58 capítulos, que por sua vez estão espalhados por quatro blocos/partes. Levei mais ou menos dez horas de leitura para concluí-lo de ponta a ponta. Obviamente, não fiz isso em uma única sessão, né? Também foram necessários mais de um dia de trabalho. Para ser mais específico em meu relato, na sexta-feira à tarde, li esta publicação por cerca de duas horas e meia (terminei o bloco um). No sábado de manhã, fiz mais uma sessão de duas horas (e parte dois finalizada). À tarde, outra sentada no sofá de duas horas e meia, três horas (e bloco três concluído). Por fim, encerrei esta obra (parte quatro completada) no domingo à noite, o que me demandou mais duas horas ou duas horas e meia de mergulho literário. A primeira característica que chamou minha atenção nesta publicação foi a narrativa envolvente. Lori Gottlieb é uma excelente escritora. Ela sabe contar histórias como pouquíssimos autores contemporâneos. A californiana prende a atenção do leitor desde as primeiras páginas de um jeito que não conseguimos largar “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”. E ela faz isso relatando sua biografia e a trajetória de pessoas que não conhecemos. Preciso dizer que tal tarefa não é nadinha fácil. Experimente você colocar no papel seus dramas mais íntimos e as angústias de pessoas conhecidas para ver o nível de complexidade para tornar esse texto atraente. Falo por mim. Não conhecia Gottlieb nem seu quarteto de pacientes. Também não tinha interesse em ler algo sobre psicoterapia e as técnicas terapêuticas das sessões psicológicas. Ainda assim, adorei o livro e grudei nele. Outro elemento elogiável é a entrada direta no texto principal da obra. Assim que viramos as páginas do Sumário, já caímos no conteúdo da Parte Um de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”. Incrível a simplicidade e a objetividade de Lori Gottlieb. Ou seja, não há aqui Apresentação, Prefácio, Introdução, Preâmbulo ou qualquer outro blábláblá. Infelizmente, leio muitos livros de não ficção que trazem uma encheção de linguiça interminável logo no início. É um tal de convidar os amigos dos autores para comentar a importância daquele título e nada de entrarmos no conteúdo principal da publicação. Semana passada, por exemplo, li com a devida atenção “Entre a Vida e a Inteligência Artificial” (EV Publicações), primeira obra de Fábio Scabeni que mescla passagens autobiográficas e dicas de como usar a IA no dia a dia e no trabalho. Percorremos intermináveis 30 páginas (não estou exagerando, são três dezenas de páginas) para chegar ao começo propriamente do livro. Até lá, percorremos Dedicatória, Agradecimento, Sumário, Apresentação, Prefácio, Mensagem Especial ao Leitor e Introdução, além de páginas com frases em destaque. Ufa! O pior é a sensação de que o autor chamou pessoas que ele valoriza (fundador da sua empresa, o mentor famosinho, o médico que lhe tratou) simplesmente para puxar o saco delas. Diante dessa realidade atroz das produções editoriais recentes, é um alívio ver uma escritora que simplesmente começa seu livro logo de cara. Saravá! O texto de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” apresenta bom humor, descontração e informalidade, mesmo tratando de assuntos pesadíssimos como separações conjugais, relacionamentos tóxicos, crises familiares, mortes, lutos, depressões, suicídios, vícios e doenças terminais, entre outros assuntos punk. Para completar, Gottlieb ainda discorre de questões do ofício dos psicoterapeutas de maneira extremamente didática e simples. A sensação é de estarmos conversando na sala de casa com uma amiga de longa data. Juro que me recordei, durante esta leitura, do conteúdo de “Comer, Rezar e Amar” (Objetiva), clássico contemporâneo de Elizabeth Gilbert. As duas obras falam de momentos delicados da vida de suas autoras de um jeitão franco, objetivo, próximo e bonito. Não é porque o assunto é árido que o texto também deva ser, né?  A proposta deste livro de Lori Gottlieb também é, devemos reconhecer, brilhante. Ela fala do poder e da importância da psicoterapia de forma extremamente prática, fazendo com que fiquemos desconcertados com a sua simplicidade argumentativa. Se ela pinça alguns conceitos de psicologia para ilustrar os acontecimentos dos vários pacientes descritos, essa parte mais técnica não sufoca o texto em nenhum momento. Muitas vezes, o conteúdo mais formal acaba até passando desapercebido pelos leitores mais desatentos. Tenho que reconhecer que esse estilo narrativo é maravilhoso. A autora prova a relevância de se fazer terapia e a força terapêutica das boas conversas no divã apresentando vários cases reais, inclusive o dela próprio. Somos convencidos quase que naturalmente. Ao fecharmos o livro, sentimos o impacto do conteúdo assimilado. Ainda falando da estratégia narrativa, note que Gottlieb não foi excessivamente didática ao ponto de estragar sua linha textual. Falo isso porque há muitos autores que duvidam da inteligência dos leitores e apresentam textos extremamente mastigados. Eles explicam várias vezes o conteúdo autoexplicativo que o resultado acaba empobrecendo a experiência de leitura. Felizmente, a psicoterapeuta norte-americana não comete esse erro em nenhum momento de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém”. Pela sua ousadia narrativa, confesso que, por vários capítulos, achei que estava diante de um título ficcional (que naturalmente inova mais no aspecto estético) e não de uma publicação não ficcional (que comumente é mais conservadora no quesito estrutural). Prova maior disso é que a autora mistura espaços temporais (presente e passado – épocas em que era jornalista/redatora de televisão, estudante de medicina e terapeuta em início de carreira) e linhas narrativas (descreve os dramas particulares de quatro pacientes paralelamente à sua trajetória). Sem uma divisão formal desse volumoso caldo textual, a pergunta que faço é: os leitores ficam confusos com a falta de ordenamento narrativo? A resposta é um sonoro e inequívoco “NÃO”. Não ficamos confusos porque temos a capacidade de reconstruir nós mesmos as várias partes fragmentadas da trama em nossa mente. É um processo parecido à montagem de um quebra-cabeça. Por que, então, a mania de muitos escritores de ficção e de não ficção de recorrerem à didática excessiva, as explicações desnecessárias e à redundância textual? Juro que não entendo. Felizmente, temos aqui um texto agradável que valoriza nossa sagacidade. Dessa forma, quer dizer que “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” é uma publicação impecável, Ricardo? Eu tenderia a responder que sim, participativo(a) leitor(a) desta análise. Afinal, gostei tanto dela que resolvi comentá-la na coluna Livros – Crítica Literária  mesmo sendo uma obra não ficcional. Contudo, preciso apontar para um único deslize deste título que tem capacidade para mudar a sua visão sobre o trabalho editorial de Lori Gottlieb. Aí vem a parte polêmica desta publicação, que adiantei no início deste post. Sente-se que lá bem bomba, senhoras e senhores! É ético abordar publicamente os dramas que seus pacientes lhe expuseram nas consultas terapêuticas? Note o quão delicado é esse questionamento e, principalmente, o nível de polêmica das possíveis respostas para ele. Porque o que a autora fez neste livro foi justamente isso: escancarou as vidas das pessoas que confiaram nela a confidencialidade de seus relatos mais íntimos. É ou não é uma bomba moral, hein? Do ponto de vista ético, será que podemos confiar (ou perdoar) um(a) psicoterapeuta que não cumpre o requisito número um de sua profissão que é o sigilo absoluto dos relatos feitos no divã?! É claro que Gottlieb teve a preocupação de alterar os nomes reais dos envolvidos. Portanto, John não é John. Julie não é Julie. Rita não é Rita. E Charlotte não é Charlotte. Nem mesmo o psicólogo Wendell Bronson se chama Wendell Bronson. Ufa! Dos males o menor. Ainda assim, temos um problema ético gravíssimo. Se os nomes reais não foram expostos (só faltava!), as particularidades mais íntimas dessa gente foram atiradas ao grande público. Pode isso, Arnaldo? No meu ponto de vista, a resposta é “NÃO”. O sigilo do ofício dos psicoterapeutas não é apenas para o nome dos pacientes. Ele abrange também seus relatos. Imagine você ler o livro de seu terapeuta e descobrir que ele falou de você para o mundo, expondo seus dramas mais delicados que foram ditos nas sessões de terapia, um espaço regido pela confiança absoluta e pelo sigilo total das conversas!  Eu não ia gostar nadinha e aposto que você também não iria ficar nem um pouco feliz. Por que, então, os verdadeiros John, Julie, Rita, Charlotte, Charlotte e Wendell estariam contentes com a divulgação de seus casos? Acho difícil. Como expliquei no início deste post do Bonas Histórias , não sou especialista neste tema. Viu só como é ruim comentar assuntos de não ficção?! A análise só se torna verdadeiramente completa se somos entendidos daquela área. Assim, o correto seria consultarmos psicólogos e psicoterapeutas para entender se Gottlieb foi antiética ou não. Como disse nos parágrafos anteriores, na minha humilde visão, seu livro desrespeita o elemento fundamental da relação terapeuta-paciente que é a confidencialidade. Só por isso, o livro perde a validade, por melhor que seja seu conteúdo. Se eu estivesse no papel de editor ou de publisher desta obra, juro que descartaria “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” sem pestanejar. Nunca aprovaria tal proposta para a minha editora, mesmo ciente do possível sucesso desta publicação. Não é porque um título alcança o status de best-seller internacional que devemos fechar os olhos para suas implicações morais. Ainda que a editora não entrasse na alça de mira dos processos judiciais milionários, acredito que não é correto expor publicamente meia dúzia de pessoas inocentes. Curiosamente, não vejo ninguém da imprensa e do mercado editorial comentar o enorme deslize ético de Lori Gottlieb. Será que só eu tenho esse tipo de preocupação ainda ou o mundo à minha volta enlouqueceu de vez? A impressão que tenho ao observar os comentários e as avaliações de “Talvez Você Deva Conversar com Alguém” é que sua autora não cometeu nenhum atentado à moral com seus pacientes. Será mesmo? Duvido. Em suma, temos um livro, ao mesmo tempo, sublime e polêmico. Na leitura de suas páginas, ficamos dentro do consultório acompanhando as sessões de Lori Gottlieb. Ora ela é a terapeuta, ora é a paciente. O que não muda é a dinâmica: a conversas do divã ajudam as pessoas a resolverem ou minimizarem suas dores psicológicas e sentimentais. Com humor, franqueza, inteligência e profundidade, a autora comenta aspectos sensíveis da existência humana e o poder transformador das conversas terapêuticas.  Não é surpresa nenhuma que esse livro tenha se tornado um best-seller internacional (e que Gottlieb não tenha perdido seu diploma!). Vale a pena lê-lo. E para os fãs da boa e velha ficção, informo que no mês que vem retornarei ao blog para comentar um novo romance. No caso, será um exemplar da literatura brasileira contemporânea. Isso é tudo o que posso adiantar. Até a próxima, senhoras e senhores. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias ? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais análises literárias, clique em Livros – Crítica Literária . E aproveite para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook , Instagram , Twitter e LinkedIn .

  • Passeios/Gastronomia: Buenos Aires – Experiências etílico-gastronômicas

    Na crônica “CABA que não ACABA”, Paulo Sousa narra de maneira divertida e sincera sua aventura de 11 dias pela capital argentina. A viagem deste brasileiro teve muitos vinhos, carnes e surpresas da cultura local. 1) PREFÁCIO E SAUDAÇÃO: CABA QUE NÃO ACABA – Março de 2024 Oh, CABA que não acaba! Que saudades guardo de ti! Cada gota de teu vinho levarei comigo em minha gordura subcutânea. Cada fibra de tua carne levarei comigo em meu sangue na forma de colesterol LDL. Cada preço que encontro divido por 200 com muita nostalgia. 2) DEDICATÓRIAS: Quero dedicar esta breve descrição de minha viagem  a meu grande amigo e irmão Ricardo Bonacorci, que me hospedou em sua residência, no bairro de Saavedra , na capital argentina . Você deve conhecê-lo como o autor do Bonas Histórias , este maravilhoso blog de literatura, cultura e entretenimento que está prestes a completar dez anos. Ele também me cedeu espaço nas colunas Passeios  e Gastronomia para que eu narrasse como foram os meus 11 dias na encantadora e surpreendente Buenos Aires . Daí a ideia desse texto, “CABA que não ACABA” , que é uma espécie de crônica de minhas experiências etílico-gastronômicas  pelos restaurantes , pizzarias , bodegones  e bares  portenhos. Quero saudar também meu amigo Eduardo Vilella , que me deu a honra de suas ligações e lições de vida ao longo da viagem, além claro de ótimas indicações de vinhos  e alfajores . 3) ESTULTÍCIAS ·       Coragem é decidir bêbado e manter a decisão depois de sóbrio; ·       Bêbado é quem vomita; tudo antes disso é classificado como alegrinho; ·       Reuniões de imigrantes são encontros de almas solitárias; ·       O que se leva da viagem é a viagem que se leva. 4) CARNES, VINHOS E MOMENTOS: Chegar em Buenos Aires, depois de tantos dias de expectativa, foi uma alegria sem tamanho. Estava ávido para curtir a vida de um cidadão portenho, com as vantagens que só a efemeridade turística e uma moeda desvalorizada frente ao dólar podem me proporcionar. Por isso, evitei programas típicos dos turistas  e preferi aqueles lugares cotidianos, que foram a maioria de minhas visitas. Fui recebido por meu amigo Bona na área de desembarque do Aeroparque Jorge Newbery  e logo pegamos um Cabify até seu apê em Saavedra. Devidamente instalado, fiz minha primeira caminhada pelo barrio , na qual compramos meu Whey Protein, item magnânimo que não pode faltar em minha dieta, mesmo sabendo que teria pela frente 11 dias de carne vermelha . Meu primeiro jantar foi na unidade de Saavedra do La Farola , uma rede famosa na cidade, lugar simples e honesto. Botando em jogo meu portunhol fluente, pedi “ El cardápio” , e a garçonete não me entendeu. Percebi, então, que o muro linguístico não é tão baixo quanto pensara. “ La Carta, por favor ”, salvou-me Bona, o que me permitiu comer um Bife de Chorizo  muito bom, nota 8,5 (no REPS, Ranking do Estômago do Paulo Sousa – que servirá de base para toda a pontuação gastronômica deste post e que vai de 0 a 10). Bem servido, generoso, um jantar pedestre em CABA ( Ciudad Autónoma de Buenos Aires ) , mas que seria um banquete no Brasil. A carne foi acompanhada por papas fritas. Vale destacar que o argentino não tem o costume de comer arroz e, assim, as carnes são acompanhadas por batatas (fritas ou purê) ou legumes sortidos, salvo pratos mais elaborados. O dia seguinte começou cedo, arrumando a casa para receber Jéssica, amiga do Bona que tive o prazer de conhecer. Ela é conteudista e professora de português para estrangeiros, e precisava gravar um vídeo promocional para a plataforma em que atua. Acontece que o imprevisível sempre mora nos pequenos detalhes. No nosso caso, residia no adaptador de tomada comprado na feirinha de Saavedra. Com certeza, um apetrecho sem o selo do Inmetro argentino, que explodiu quando colocamos o celular que filmava para carregar. O curto-circuito apagou as luzes do apartamento. Os disjuntores locais estavam em ordem, o que causou estranheza. Ligamos para o vizinho e – pasmem – todo o prédio estava sem energia. Nesse momento, a angústia e o desespero típicos de um tango portenho invadiram nossos corações. Entretanto, somos brasileiros, e tomamos a madura decisão de irmos almoçar antes resolver o problema de 26 famílias. Nós três caminhamos até a Parilla Jorge , local muito movimentado da região, que exala um perfume de churrasco pelas redondezas. Impossível não salivar. O ambiente estava muito agradável. O ponto negativo é que o toldo era vermelho e, com o sol escaldante, todo o ambiente se tornava rojo . Pedimos um Vacío  (8,7) com fritas e provoleta (uma rodela grande de provolone assada). Para acompanhar, bebemos o vinho Vasco Viejo Tinto , nota 2,9 no Vivino , aplicativo para enólogos que permite dar notas de 1 a 5 para cada exemplar – e que servirá de base para toda a pontuação etílica deste post. O almoço foi muito tranquilo e, quando voltamos ao prédio – surpresa! –, o problema da energia elétrica estava resolvido em todos os apartamentos. Exceto no nosso. Tivemos, então, um momento típico de Escape60 , atração de escape games  trazida para o Brasil pela dupla dinâmica Márcio e Jeannette. Esse jogo é composto por salas temáticas nas quais um grupo tem 60 minutos para sair. A brincadeira é muito divertida pois emula cassinos luxuosos, invasões zumbis e garagens de serial killers , mas produz uma tensão extra quando praticada em apartamentos alugados na Argentina. Com breves ajudas do síndico pelo WhatsApp, conseguimos desvendar o mistério do local da chave. Abrimos vários cadeados até encontrar os disjuntores gerais no térreo e reestabelecer a ordem. Saímos do desafio energizados, quase que literalmente, mas ele consumiu nosso tempo restante. Jéssica foi embora sem o vídeo gravado, mas com ideias na cabeça. Naquela noite, eu e Bona fomos ao bar Growlers em Chacarita  para um encontro do Mundo Lingo , que reúne pessoas que querem aprender a falar qualquer idioma. Conversei em inglês, espanhol e português com russos, argentinos, peruanos e brasileiros. Essa mistura fundiu meu cérebro, tal qual um adaptador de tomada de má qualidade, e chegou uma hora que eu não entendia nem o português. Conheci, então, Carmen e Julieta, argentinas que queriam falar inglês e tentaram me ajudar a hablar español . Porém, logo me senti um pez fuera del agua , sem entender absolutamente nada do que elas diziam. Decidi, então, tentar absorver mais do idioma local, fazendo perguntas perspicazes sempre que possível. No dia seguinte, um sábado de sol, trabalhamos um pouco e fomos almoçar em outro bodegón , o A Morfar . Pedi um Bife de Chorizo a la Riojana , com ervilhas, ovo frito, presunto cozido e pimentão, acompanhado de fritas (9,6 no REPS). Uma epifania portenha, a melhor carne que comi durante a viagem inteira, com aquele gostinho de novidade e liberdade. “ Suerte ”, me desejou o portenho da mesa ao lado. Afinal, pedi um prato para dois que comi sozinho. Orgulhoso, bebi também o vinho Eugenio Bustos Malbec (3,3 no Vivino ). A garçonete era muito simpática, sempre sorridente e solícita, me ensinou até que rolha em espanhol é corcha . Ela também ficou impressionada com meu apetite, e me senti orgulhoso por representar bem meu país. Após capotar no sono depois do almoço, fomos correr no Parque Saavedra  no final da tarde, quando avistei um enxadrista sentado em frente a três tabuleiros. Ao seu lado, um cartaz anunciava suas aulas. Fiquei muito tentado a jogar uma partida de xadrez com ele, seria um embate Brasil e Argentina muito interessante, mas decidi deixar para outro dia. Mais à noite, tive o prazer de acompanhar um jogo do novo time do coração do Bona, o Club Atlético Platense . Meu amigo me ensinou uma música da torcida para me sentir mais em casa. Cante conosco também! Vengo del barrio de Saavedra, Barrio de murga y carnaval, Barrio que sueña con la vuelta, En las malas siempre te va alentar, Dale dale Calamar, Ponga huevo y corazón, Está hinchada se merece ser campeón, En las buenas vamo a estar, En la malas mucho más, Vamos a quemar La Paternal. Caminhamos algumas quadras até o Estádio Ciudad de Vicente López , local pequeno que deve comportar umas 12 mil pessoas, mas jacta-se de abranger 34 mil torcedores. O jogo foi Platense x San Lorenzo, pela Copa da Liga Argentina. Foi muita cantoria ao longo de 90 minutos, com direito a 2 minutos de acréscimo. Pela qualidade da partida, deveria ter sido 2 minutos de decréscimo! O jogo em si foi muito ruim: 0 a 0 com direito a 1 gol anulado e 2 bolas para fora do estádio. O centroavante platense, Mateo Pellegrino, um corpulento de corpo lento, bem que tentou, mas não conseguiu marcar. Para efeito de comparação, ele é um Finazzi levemente piorado. A nota positiva foi a quantidade de famílias na geral, com direito a uma idosa que dava zoom numa foto da Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, e a beijava no celular, buscando proteção a cada momento crítico do jogo. O domingo começou com um café da manhã no Cosecha , lugar zen e meio natureba de Saavedra. No café simples, o bom do momento foi o terraço com uma vista privilegiada para o Parque Saavedra. Aliás, a quantidade de parques e praças em Buenos Aires acompanha o crescimento da inflação! Por isso, na nossa primeira grande caminhada saímos do próprio Parque Saavedra e passamos por Parque Carlos Mugica , Parque General Paz , Parque Pioneros , Parque Alberdi  e Av. Parque Roberto Goyeneche , cercada por dois parques. Ainda rodeamos o Parque Presidente Sarmiento , cuja entrada é paga. No final da tarde, chegaram a CABA Daniella, prima de Bona, e Markinhos, o namorado da Daniella. O rapaz é alemão, mora na Suíça, já trabalhou nos Estados Unidos e quer morar na Espanha um dia. Mesmo com tantos dialetos, seu vocabulário em português se resume ao que Ricardinho ensina. São palavras simples como xixi, desculpa, vinho, cinemão, pão na chapa e vai Curinthiá. Fizemos os quatro um programa de turista pela Feira de San Telmo , foto ao lado da Mafalda  e fomos jantar no La Brigada , restaurante chique focado em turistas em San Telmo . Bebemos algumas botellas  de Sophenia Synthesis Malbec  (4,1) e Gran Famiglia Bianchi Malbec (4,0). Para comer, pedi patitas de cordero de entrada (8,1), um prato exótico. As patinhas são servidas frias e com vinagrete. São pálidas e ricas em colágeno, valeram a pena. Foi nesse momento em que ganhei o apelido que o Bona me deu e que me acompanharia por toda a viagem – Pablito, El Caníbal. Para o prato principal, eu e Markinhos dividimos um asado de tira  (7,8), que poderia ser melhor. A carne foi muito bem-preparada, mas o corte não ajudou. Para finalizar a noite, fomos a Puerto Madero  tomar um Negroni Tropical no   Negroni Bistro & Sushi Bar . O dia seguinte amanheceu bem chuvoso, com trovoadas e ventanias. Percebi que árvores caídas são uma característica de grandes centros urbanos sul-americanos. Eu e Bona encontramos o casal helvético na El Ateneu Grand Splendid , enorme e clássica megastore de livros e afins na Recoleta. Foi lá que tirei a foto mais emblemática desta viagem – eu em pose bíblica segurando os alfajores Mar del Plata  da Havanna como se eles fossem sagrados. Pensamos durante bons minutos sobre o que faríamos em seguida, mas a chuva torrencial nos obrigou a voltar para casa. No jantar, eu e Bona fomos ao Los Amigos de Siempre , bodegón  raiz (o preferido dele em Saavedra). Eu pedi um Ojo de Bife  e um Chorizo  (linguiça) para arrematar (9). De vinho, um San Felipe 12 uvas  (3,5). Uma refeição muito boa, em um ambiente acolhedor e com um mozo  bem simpático, o Amadeu, que me ensinou a diferença entre papas  e batatas . A saber: papas  são batatas inglesas; e batatas  são batatas-doces. Para não sair muito da rotina maromba, fui no dia seguinte ao Gimnasio La Rosa , academia do bairro com relativamente aparelhos novos, mesmo que em número pequeno. Devido à chuva, não tivemos passeios a céu aberto e decidimos ir, junto a Daniella e Markinhos, ao cinemão – mais conhecido pelos locais como Cinemark Palermo . Escolhemos assistir a “Zona de Interesse” (The Zone of Interest: 2023), filme em alemão com legendas em espanhol. Muito chato. A película  começa com um minuto de tela preta e um som grave que induz a um estado de calmaria cerebral. Acho que o diretor fez questão que só assistiria ao filme quem realmente estivesse MUITO interessado. Confesso, o conforto da cadeira, as vozes monótonas, a agitação prévia e a quantidade excessiva de carne e vinho no meu organismo me fizeram dormir duas vezes e pescar algumas outras. Fiquei surpreso ao saber que meus amigos gostaram muito do filme, concordando com os jurados do Oscar. Mas, em minha defesa, nas partes que estava consciente, escutei alguns roncos na sala. Acho que não fui só eu que dormiu durante a sessão. Mas o melhor do dia estava guardado para a noite: enquanto Daniella jantava com uma amiga argentina, Bona, Markinhos e eu curtimos a noite portenha. Primeiro, fomos ao Uptown , bar e restaurante feito para turistas que emula uma estação de metrô. Tudo muito bem-feito, mas como não havíamos reservado mesa, ficamos de pé. No pouco tempo que estivemos por lá, bebemos uma taça de DV Catena Malbec  (4,3), o melhor vinho da viagem. Depois, fomos ao Rock and Beer , bar famoso com algumas unidades em CABA. Como era terça-feira, estava vazio. Bebemos apenas uma taça do vinho da casa e partimos para a Plaza Serrano , point badalado de Palermo Soho . Fomos jantar no Arte de Mafia , restaurante italiano muito charmoso e com comida ótima. Tomamos os vinhos Viña el Cerno Malbec (3,9)  e La Posta Fazzio Malbec  (3,9), ótimas escolhas. Pedi um Ossobuco com risoto de legumes  (9), um prato maravilhoso que tornou a noite ainda mais especial. Conversamos bastante e demos muita risada, e assim continuamos depois de Daniella se juntar a nós. O garçom Marcelo foi muito educado e gentil, e reservou para nós um lugar no Karaoke Privado , no qual pude mostrar meu dom cantando “Just a Gigolo”, clássico de Louis Armstrong revitalizado e escrachado por Dave Lee Roth . Também cantei outras músicas mais. Muito mais. Para evitar a ressaca, fui ao Gimnasio La Rosa  logo que acordei para treinar costas e bíceps. Depois dos exercícios, voltei para o apê de Ricardinho e logo chegou o querido casal. Abrimos duas garrafas de Cordero con Piel de Lobo  (3,8), vinho básico na Argentina, mas com certo requinte aqui no Brasil. Como estava faminto, pedi via Rappi um Milanesa Sweet Spicy  (7), do El Club de la Milanesa . Um delivery honesto para matar a fome e trazer certo prazer gustativo, mesmo que um pouco industrializado. À noite, fomos encontrar Jéssica no El Boliche de Roberto , em Almagro . Fundado em 1893, o bar traz muito da arquitetura original. Um charme, mas que traz certos perrengues, como a falta de mesa. Por isso, a botella  seguinte de Cordero con Piel de Lobo foi tomada em pé. “ Tenes cigarilla? ”, perguntou uma mulher loira, na faixa dos trinta anos, para Jéssica no meio do bar. A amiga do Bona disse que não tinha, e a moça continuou sua busca por cigarro. Pouco depois, Patrícia, uma amiga de Jéssica se juntou a nós, e o tango muito bem executado começou. Foi um momento muito especial, no qual pude escutar várias canções de Gardel, Baltar e, claro, Piazzola. A foto de Evita e as palmas para Diego Maradona antes de seu tango preferido, “El Sueño del Pibe”, conferiram o verdadeiro clima portenho à noite. “ Tenes cigarilla? ”, voltou a mulher, dessa vez para a amiga da Jéssica, recebendo a mesma resposta e continuando seu périplo pelo tabaco. Os cantores foram muito simpáticos e carismáticos. Já no fim da noite, todos cantavam em uníssono os tangos famosos. Consegui puxar a letra de “Por una Cabeza” , a favorita do Bona, e me juntei ao coro. Depois, tivemos pique para ir ao La Catedral Club , outro bar muito interessante da cidade. Conversei com o segurança do local, e entendi que a casa fecharia às 02h da manhã. Porém, para minha alegria, percebi que foi outro erro de interpretação, e que a casa reabriria naquele horário. Ufa! E ficamos esperando um pouquinho. “ Tenes cigarilla? ”, nos perguntou a loira, que aparentemente tinha a memória fraca para encontrar fumantes. Ela também tinha deixado o El Boliche de Roberto  e se aventurado pela La Catedral . Conversamos um pouco mais, e conheci aspectos mais profundos dela. Mesmo assim, quando entramos, passamos pelo fumódromo, e adivinha o que ela repetia insistentemente para os demais visitantes: “ Tenes cigarilla? ”. No salão do La Catedral , tomamos um Hormiga Negra Malbec (3,1) enquanto escutávamos canções tradicionais de milonga – não confundir Tango com Milonga, por favor! O lugar era amplo, escuro e bem alternativo. Uma ótima pedida para o fim de noite, início de madrugada. Na volta, deixamos Jéssica em sua casa em Almagro. Em uma nova caminhada pela noite portenha, comprei o vinho Alambrado Malbec  (3,5) num kiosko. Kiosko é um mercado de etílicos e conveniências aberto 24 horas e que está presente em todo quarteirão da cidade. Só que, para minha surpresa, o lugar não vendia abridor de vinhos (também conhecido como saca-rolha), e comecei uma busca incessante por comprar a ferramenta. “ Tenes abridor de vino? ”. A cada kiosko que passávamos, repetia aquele que se transformou em meu mantra naquela madrugada. Infelizmente, quanto mais perguntava, mais negativas como resposta eu recebia. Será que ninguém vendia abridor de vinhos naquela cidade?! Bem no final do bairro de Almagro, no último kiosko antes de seguirmos de volta para Saavedra, um vendedor iluminado resolveu me ajudar. Acostumado com bêbados desesperados por vinho, ele conseguiu abrir a garrafa sem o saca-rolha. O que o MacGyver argentino fez? Ele bateu na base do vinho e, em seguida, empurrou a corcha  para dentro. Ainda teve a delicadeza de me dar um palito de sorvete para manter a rolha longe do gargalo e facilitar a degustação. Genial! A noite não poderia ficar melhor, mas ficou! “ Tenes cigarilla? ”. Sim, a loira apareceu absolutamente do nada na frente do kiosko quando ia sorver o primeiro gole da tão desejada garrafa. Devido à aleatoriedade do encontro, minha alegria ao vê-la foi tão efusiva que dei um alto grito fraternal. A moça e um amigo deram um pulo assustados. Passado o espanto mútuo, trocamos algumas palavras e continuamos nossa jornada. No quarteirão seguinte, pegamos um Uber para Saavedra. Às 5h30, chegamos em casa. Foi aí que percebi que eu praticamente não bebera o vinho que demandou tanto esforço para ser aberto, mesmo ele sendo superior aos outros dois rótulos da noite, segundo o Vivino . E na casa do Bona, acredite: na falta de um saca-rolha, havia dois! Duas horas depois, já estávamos no Moshu , café meio chique do bairro e que fica bem frente ao apê do Bona. Era a partida de Daniella e Markinhos para o Brasil, antes de voltarem para a Suíça. Pedi uma fatia de bolo de chocolate que veio extremamente generosa e gostosa. Mesmo assim, não consegui evitar a ressaca forte, e dormi o restante da manhã (e início da tarde). No final da tarde, já devidamente restabelecido, andei de trem e metrô até o Cine Gaumont , ao lado do Congresso, para conhecer uma tradição de CABA: os protestos contra Milei. Chegamos e já avistamos a multidão contra a privatização do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA) ocupando toda a rua. As coisas estavam muito tranquilas, até os policiais da tropa de choque se aproximarem. Primeiro, um agrupamento fechou um lado do quarteirão e, logo depois, outro agrupamento se aproximou do outro lado. Foi quando encontramos Jéssica, a moça que teve a ideia daquele passeio cultural, e ficamos observando tudo a uma distância segura. É interessante que, na mesma praça onde a tropa de choque do presidente enfrenta jovens protestantes como se eles fossem ingleses em uma ilha do Atlântico Sul, idosos passeiam com seus cães sem guia, adolescentes apaixonados tomam gelados  de mãos dadas e casais empurram os carrinhos dos filhos pequenos. Tudo bem e tranquilo naturalizando a violência entre cidadãos e Estado. Furtivamente, um terceiro agrupamento de policiais penetrou na massa e abriu à força uma faixa da Avenida Rivadavia. Aí, as coisas se animaram: as pessoas cantaram mais, os batuques aceleraram, algumas porradas aconteceram. Nenhum carro se atreveu a passar por lá, mesmo com a insistência dos policiais. Um deles acabou atropelando levemente alguns manifestantes, que gritaram de ódio, fazendo o carro acelerar. Só que ele parou no farol ao lado, e não teve jeito, foi cercado e teve vidros quebrados, lataria chutada e portas abertas visando o espancamento do motorista. Agora sim, tínhamos um legítimo protesto portenho. Temendo por tiros e bombas de gás lacrimogêneo, decidimos abandonar o espetáculo pela metade, e caminhamos pelo centro até entrarmos no La Americana , pizzaria simples e popular, cheio de manifestantes de esquerda que decidiram interromper momentaneamente a revolução para uma medialuna  ou uma empanada . No La Americana  (em uma enorme contradição entre o nome da pizzaria e o perfil político do público frequentador daquela tarde/noite), encontramos Débora e Juliana, brasileiras peronistas e amigas de Jéssica. Elas também estiveram no protesto (só que diferentemente da gente, estavam no meio da porrada-e-bomba). Conversamos bastante, comemos empanadas e bebemos um vinho da casa. A certa altura, uma salva de palmas ecoou, e vimos pela TV ligada que o Congresso havia recusado naquele instante o DNU, lei que daria superpoderes ao presidente Milei. “ Milei, basura, vos sos la ditadura ”, gritaram os manifestantes, satisfeitos com a vitória política e com a comida bem servida. Animados, decidimos continuar a noite no Bellagamba , restaurante menos barulhento a algumas quadras dali. No novo estabelecimento, bebemos algumas botellas  de Portillo Chardonnay 2019 (3,6) entre um blackout e outro. Quando a luz voltou em definitivo, pedi como jantar a carne Bondiola com papas  e batatas  (8,0), que caiu muito bem. Terminamos a noite levando Jéssica e Débora para suas respectivas casas.   Na sexta-feira, trabalhamos durante o dia inteiro e no final da tarde fomos caminhar pelo barrio  de Núñez . Além de avistar o Monumental de Núñez , estádio do River Plate, passamos pelo recém-inaugurado Parque de la Innovación , que será um enorme hub de tecnologia algum dia. Mas, até lá, tudo bem, o importante é que já é um parque inaugurado. À noite, caminhamos pelo barrio Chino , visitamos uma agradável comissaria de policia  na Calle Mendoza (coisas do Bona, vai entender?!) e voltamos para Núñez para jantar no bodegón   Rox . Bebi um Portillo Malbec  2018 (3,6), e pedi um Bife de Chorizo Rox (8,8), com papas españolas , ramón cozido  e huevo frito . Receita honesta executada de ótima forma. Chegamos, então, ao meu último fim de semana na Argentina. Para coroar uma viagem maravilhosa, fomos ao Siga La Vaca , em Puerto Madero, casa tradicional de parrilla argentina muito visitada por turistas. O esquema é um pouco diferente do que estamos acostumados em um rodízio brasileiro: você se serve frente à grelha e depois tem à disposição um buffet de saladas e acompanhamentos. Foi a única vez que vi arroz em Buenos Aires, e fiz questão de não comer, por respeito à cultura local. Incluído no pacote estava o vinho San Huberto Malbec Clásico  (2,9), uma opção válida, mas muito abaixo do nível das carnes. Tive a oportunidade de comer Chorizo, Morcilla  (a melhor da minha vida), Vacío, Picanha  e Bife de Chorizo, além das achuras (entranhas): os chinchulines (tripa de boi) estavam suculentos, e as ruedas  (região superior do intestino delgado) idem. Os riñones (rins) também estavam bem temperados, mas achei a carne muito forte e não comi muito. No total, o conjunto das carnes do Siga La Vaca  recebeu nota 9,1. À noite, Ricardinho (denominação alternativa do Bona que só fui conhecer em Buenos Aires) estava cansado e com muito trabalho a fazer, e resolveu ficar em casa. Eu relutei em sair, mas para dar um pouco de paz e privacidade ao meu amigo, que me acompanhava bravamente nas noitadas e na bebedeira, resolvi voltar para a rua. Fui ao aniversário de Juliana (amiga de Jéssica que conheci no protesto), e seu namorado Diego (nome comum entre os argentinos nascidos na década de 1980 – por que será?). O rendez-vous  aconteceu no Le Troquet Henry , um bar charmoso de Almagro. A temática foi fundo do mar, e colei alguns adesivos na minha Tech T-Shirt da Insider  para estar à caráter. Não, isso não é uma publi da empresa de vestuário, mas bem que poderia ser – o Bonas Histórias  merece! A festa contou com pessoas muito gentis, que me receberam muito bem. Mesmo sozinho, percebi que a barreira linguística já não era tão grande. Conversei bastante em espanhol com Hernán e Rosa, casal de amigos compreensivo com minhas perguntas sobre o espanhol, que visavam aumentar meu vocabulário minúsculo e consertar minhas bisonhas conjugações verbais. Bebemos um Etnia Malbec Roble  (2,8), último vinho portenho e a pior nota no Vivino . Na saída, encontrei um mendigo bêbado e trocamos algumas palavras. Talvez pelo álcool, nossa comunicação fluiu de forma boa e, sei lá como, nos entendemos. Servi o restante de meu vinho a ele, até para não levar para casa mais uma garrafa aberta. A geladeira do Bona já não cabia – toda noite voltava com uma botella  aberta. Decidi estender a noite e caminhei um pouco até encontrar o Club Cultural Bula . Lugar bacana, no qual uma banda com gaita de fole se apresentava. Infelizmente, cheguei tarde para o show, e eles já estavam no bis. Começou, então, uma baladinha com a temática anos 1990, levando toda a geração Z ali presente ao delírio. Mas já estava tarde, e decidi voltar para o meu/nosso apê em Saavedra. Depois de nove dias em CABA, ele já era um pouco meu. Finalmente, chegou o domingão, último dia portenho completo. Eu acordei animado pela noite anterior, mas já sentindo saudades do período festivo. Tomamos o café da manhã no Dandy Deli , lugar com algumas unidades em CABA e com um ambiente acolhedor e refinado ao ar livre. Pedi huevos revoltos con tostadas , uma omelete clássica e bem-feita. Quis aproveitar a manhã e, finalmente, jogar aquela partida de xadrez com o professor do Parque Saavedra. Infelizmente, não o avistei. Entendi que nós devemos aproveitar as oportunidades assim que elas aparecem, pois nunca sabemos quanto tempo elas permanecerão à nossa disposição. Após essa edificante lição de vida, caminhamos até o Parque de Los Niños , onde vi a imensidão do Rio da Prata , dos panapanás onipresentes e dos enxames de mosquitos. Eu já estava farto de tanto comer carne e, por isso, escolhi para jantar o restaurante italiano La Rossi Maniera . Mas não teve jeito, pedi um bife à milanesa . Essa foi uma grande surpresa da viagem, porque a Milanesa a La Mama  (9,3) estava maravilhosa, com pimentão, queijo, carne moída e tomate cereja, além das papas . Muita generosidade no prato, e um tempero caseiro que me marcou bastante. No dia seguinte, bebi apenas um scoop de Whey Protein e parti para o Aeroparque. Foram dias maravilhosos, nos quais pude aproveitar uma liberdade grande, conversar com meu amigo Bona, conhecer pessoas bacanas, comer muita carne e beber muito vinho. E, claro, escrever para o Bonas Histórias . Que venham as próximas viagens! E mais posts etílico-gastronômicos  na coluna Passeios  e na coluna Gastronomia . A seguir, vão os links dos locais visitados e as notas do que degustei, no caso de algum viajante se interessar por repetir minha aventura pelos prazeres das carnes e dos vinhos argentinos: 5) ANEXOS: Anexo A - Instagram dos locais visitados A Morfar - https://www.instagram.com/a.morfar/ Los Amigos de Siempre - https://www.instagram.com/los.amigos.de.siempre/ Arte de Máfia - https://www.instagram.com/artedemafia/ Bellagamba - https://www.instagram.com/bellagambapalermo/ Cine Gaumont - https://www.instagram.com/cine.gaumont/ Cinemark Palermo - https://www.cinemarkhoyts.com.ar/ Club Cultural Bula - https://www.instagram.com/clubculturalbula/ Cosecha - https://www.instagram.com/cosechaok/ Dandy - https://www.instagram.com/dandybsas El Ateneu - https://www.instagram.com/yenny_elateneo El Boliche de Roberto - https://www.instagram.com/bolichederoberto_/ El Club de la Milanesa - https://www.instagram.com/elclubdelamilanesa/ Gimnasio La Rosa - https://www.instagram.com/gimnasiolarosa/ Growlers - https://www.instagram.com/growlerscc/ Karaoke Privado - https://www.instagram.com/premium_club_ba/ La Americana - https://www.instagram.com/pizzerialaamericana/ La Brigada - https://www.instagram.com/parrillalabrigada/ La Catedral Club - https://www.instagram.com/lacatedralclub La Farola - https://www.instagram.com/lafarola.restaurante/ La Rossi Maniera - https://www.instagram.com/larossimaniera/ Le Troquet Henry - https://www.instagram.com/le.troquet.de.henry/ Moshu - https://www.instagram.com/compartimoshu/ Negroni Bistrô & Sushi - https://www.instagram.com/negronimadero/ Parilla Jorge - https://www.instagram.com/parrillajorge.saavedra/ Club Atletico Platense - https://www.instagram.com/caplatense/ Rock and Beer RNB - https://www.instagram.com/_rockandbeer/ Rox - https://www.instagram.com/explore/locations/1031439934/pizza-cafe-rox/ Siga la Vaca - https://www.instagram.com/sigalavaca/ Uptown - https://www.instagram.com/uptown.ba/ Anexo B - Ranking de Vinhos (segundo o Vivino) Anexo C - Ranking de Carnes (segundo REPS) ------------ Paulo Sousa  é escritor, autor do romance “A Peste das Batatas” (Pomelo) e da coletânea de haicais “Acinte 2020” (Pomelo), e diretor-geral da Epifania Comunicação Integrada , agência de marketing digital. No Bonas Histórias , ele produziu por duas temporadas a coluna Miliádios Literários  e publicou a novela “Histórias de Macambúzios” na coluna Contos & Crônicas . Bom de garfo e de copo, Paulo (mais conhecido em CABA como Pablito, El Caníbal) está sempre contando boas histórias para diversão dos amigos. Isso é, quando não está comendo e bebendo.   ------------ Que tal o conteúdo do Bonas Histórias ? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessas colunas, clique em Passeios e Gastronomia . E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook , Instagram , Twitter e LinkedIn .

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    Cinema é a coluna de Ricardo Bonacorci, no Bonas Histórias, que apresenta as análises de filmes atuais e antigos. O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento criado em 2014. CINEMA Esta coluna dedica-se à apresentação das novidades e das curiosidades da sétima arte. Mensalmente, será analisado um punhado de filmes nacionais e estrangeiros. A ideia é avaliar as produções mais recentes (que estejam em cartaz no país), mas também lembrar, de tempos em tempos, dos grandes clássicos do cinema (que jamais se tornarão obsoletos). Busca-se filmes com apelo comercial e aqueles distribuídos apenas em festivais. Além disso, pretende-se englobar nessas análises tanto os longas-metragens quanto os documentários e os curtas-metragens. Os posts desta seção são desenvolvidos por Ricardo Bonacorci, crítico cinematográfico há cinco anos. Filmes: O Agente Secreto – O melhor longa-metragem de Kleber Mendonça Filho Filmes: Tubarão – O cinquentenário do clássico de terror de Steven Spielberg Filmes: Homo Argentum – A comédia argentina mais esperada do ano Filmes: Amores Materialistas – A segunda comédia dramática de Celine Song Recomendações: Cinema – Melhores Filmes do 1º Semestre de 2025 Filmes: Mensagem em Uma Garrafa – A nova comédia dramática de Gabriel Nesci Filmes: Flow – A animação da Letônia que conquistou o Oscar em 2025 Filmes: Ainda Estou Aqui – Walter Salles recoloca o cinema brasileiro em evidência Premiações: Vencedores do Oscar de 2025 – A inédita estatueta para o Brasil Filmes: Emilia Pérez – O musical de Jacques Audiard é o favorito ao Oscar em 2025 Recomendações: Retrospectiva - Melhores filmes de 2024 Filmes: Golpe de Sorte em Paris – A comédia romântica de Woody Allen com Lou de Laâge Filmes: A Substância – O terror de Coralie Fargeat é o melhor do ano Filmes: Como Vender a Lua – A criativa comédia-romântica de Greg Berlanti Filmes: Pobres Criaturas - A nova parceria de Yorgos Lanthimos e Emma Stone Filmes: A Sociedade da Neve - O drama real do time uruguaio de rugby preso nos Andes Filmes: Napoleão - O novo épico de Ridley Scott agora com Joaquin Phoenix Filmes: El Duelo - O delicioso thriller romântico de Augusto Tejada Filmes: Oppenheimer - A cinebiografia do Pai da Bomba Atômica por Christopher Nolan Filmes: EO - O drama de um simpático burrinho por Jerzy Skolimowski Filmes: O Exorcista do Papa - O terror de Julius Avery com Russell Crowe Filmes: Os Banshees de Inisherin - A obra-prima de Martin McDonagh Filmes: M3gan - A eletrizante ficção científica de Gerard Johnstone Filmes: O Tesouro do Pequeno Nicolau - O terceiro longa-metragem da série de Goscinny e Sempé Filmes: O Menu - O terror de Mark Mylod com jeitão de sátira gastronômica Filmes: Sorria - A estreia de Parker Finn na direção dos longas-metragens Filmes: A Teoria dos Vidros Quebrados - O mais recente thriller cômico do Uruguai Filmes: Turno - O documentário de Pauline Beugnies sobre a uberização do trabalho Filmes: Cinco é o Número Perfeito - O thriller noir de Igort Filmes: Mais Estranho que a Ficção - A comédia sobre o fazer literário Recomendações: Retrospectiva - Melhores filmes de 2020 Filmes: Babenco - O representante brasileiro no Oscar de 2021 Filmes: Belle Époque - A premiada comédia de Nicolas Bedos Filmes: Tenet - A estreia mais esperada do cinema em 2020 Filmes: Trinity é o Meu Nome - O clássico de Terence Hill e Bud Spencer Filmes: Tel Aviv em Chamas - A comédia sobre o conflito Israel-Palestina Filmes: Nápoles Velada - O thriller surpreendente de Ferzan Ozpetek Filmes: Branca como a Neve - O drama tórrido de Anne Fontaine Filmes: O Homem Invisível - A nova adaptação do clássico de H. G. Wells Filmes: Thelma - O terror psicológico de Joachim Trier Filmes: O Mistério de Henri Pick - O thriller cômico de Rémi Bezançon Filmes: Rock´n Roll, Por Trás da Fama - A comédia de Guillaume Canet 1 2 3 4 5

  • Talk Show Literário | Bonas Historias | Brasil

    Talk Show Literário é a coluna mensal de Ricardo Bonacorci, no Bonas Histórias, que apresenta as entrevistas ficcionais com as principais personagens da literatura. O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento criado em 2014. TALK SHOW LITERÁRIO Um programa de televisão fictício em que os entrevistados são os principais protagonistas da literatura. Essa é a proposta do Talk Show Literário . Nessa criativa atração, Darico Nobar, personagem criada exclusivamente para conversar com seus colegas mais famosos, é o responsável por comandar os bate-papos. De maneira leve e muito divertida, Ricardo Bonacorci mostra uma forma diferente de se fazer análise literária e de interagir com as obras canônicas. Se você ainda não leu alguns dos clássicos citados, na certa ficará motivado a iniciar a leitura depois de ver essas entrevistas. Clássicos Brasileiros - Temporada VIII Em 2024 e 2025, o Talk Show Literário exibe sua oitava e última temporada. Darico Nobar segue como apresentador das entrevistas com as personagens clássicas da literatura brasileira. Serão mais seis programas ao vivo e exclusivos. Clique nas entrevistas abaixo e leia na íntegra a oitava temporada do Talk Show Literário: Talk Show Literário: Dona Carolina Talk Show Literário: Ana Rosa da Silva Talk Show Literário: Marcelinho Talk Show Literário: Raquel Talk Show Literário: Marta da Ala Vermelha Talk Show Literário: Helena Matoso Talk Show Literário: Oitava Temporada - Apresentação Clássicos Brasileiros - Temporada VII Em 2023, o Talk Show Literário chega à sétima temporada. No comando das entrevistas com as personagens clássicas da literatura brasileira, Darico Nobar apresenta mais seis programas ao vivo e exclusivos com as figuras mais marcantes da ficção do nosso país. 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Clique nas entrevistas abaixo e leia na íntegra a sexta temporada do Talk Show Literário : Talk Show Literário: Claudius Hermann Talk Show Literário: Dirceu de Marília Talk Show Literário: Cecília de Mariz Talk Show Literário: José Maria Talk Show Literário: Stanislaw Ponte Preta Talk Show Literário: Macabéa Talk Show Literário: Sexta Temporada - Apresentação Clássicos Brasileiros - Temporada V Em 2021, o Talk Show Literário chega à quinta temporada. O programa de entrevistas mais amado da ficção brasileira continua se dedicando aos clássicos da literatura nacional. Neste ano, serão entrevistadas mais nove personagens icônicas da cultura do nosso país. 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Clique nas entrevistas abaixo e leia na íntegra a terceira temporada do Talk Show Literário : Talk Show Literário: Salvatore Melli Talk Show Literário: Vitorino Carneiro da Cunha Talk Show Literário: Virgínia Talk Show Literário: Menino Maluquinho Talk Show Literário: Evangelista Talk Show Literário: Maria Moura Talk Show Literário: João Miramar Talk Show Literário: Riobaldo Tatarana Urutú-Branco Talk Show Literário: Emília de Rabicó Talk Show Literário: Ponciano de Azeredo Furtado Talk Show Literário: Dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna Talk Show Literário: Bibiana Terra Cambará Talk Show Literário: Terceira Temporada - Apresentação Clássicos Brasileiros - Temporada II Em sua segunda temporada, o Talk Show Literário continua abordando os cânones da Literatura Brasileira. Ao longo dos doze meses de 2018, os entrevistados do programa são as mais tradicionais personagens da ficção nacional. Clique nas entrevistas abaixo e leia na íntegra a segunda temporada do Talk Show Literário : Talk Show Literário: João Romão Talk Show Literário: Álvaro Talk Show Literário: Senhorita Simpson Talk Show Literário: André Talk Show Literário: Leonardo Talk Show Literário: Florípedes Guimarães Madureira Talk Show Literário: Analista de Bagé Talk Show Literário: Maria Capitolina Santiago Talk Show Literário: Alberto Mattos Talk Show Literário: Fabiano Talk Show Literário: G.H. Talk Show Literário: Sérgio Talk Show Literário: Segunda Temporada - Apresentação Clássicos Brasileiros - Temporada I Esta primeira temporada do Talk Show Literário é dedicada à Literatura Brasileira. Ao longo de todo ano de 2017, os entrevistados do programa são as mais famosas personalidades do universo literário nacional. Clique nas entrevistas abaixo e leia na íntegra a primeira temporada do Talk Show Literário . Talk Show Literário: Augusto Talk Show Literário: Neusa Sueli Talk Show Literário: Souza Talk Show Literário: Jeca Tatu Talk Show Literário: Catarina Paraguaçu Talk Show Literário: Policarpo Quaresma Talk Show Literário: Macunaíma Talk Show Literário - Aurélia Camargo Talk Show Literário: Santiago Talk Show Literário: Paulo Honório Talk Show Literário: Gabriela Talk Show Literário: Brás Cubas Talk Show Literário: Apresentação do programa

  • Mercado Editorial | Bonas Historias | Brasil

    Mercado Editorial é a coluna de Ricardo Bonacorci, no Bonas Histórias, que apresenta as principais novidades desse setor no Brasil. O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento criado em 2014. MERCADO EDITORIAL O Blog Bonas Histórias dá espaço também para as notícias do mercado editorial. Nesta coluna, você saberá as novidades do setor livreiro e do setor editorial. A ideia é falarmos tanto do que acontece no Brasil quanto no exterior. A proposta é apresentarmos posts sobre os rankings dos mais vendidos nas livrarias, as tendências das editoras, os hábitos e os gostos dos leitores, as inovações das empresas desse mercado, os prêmios e a opinião dos escritores. Ricardo Bonacorci é o responsável pela coluna Mercado Editorial . Ele trará periodicamente as informações mais interessantes para quem gosta e vive da literatura. Mercado Editorial: Livros - Lançamentos em novembro e dezembro de 2025 Ricardo Bonacorci 5 de jan. 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