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- Teoria Literária - MAER - Etapa 4 - Análise Vertical
Quem está acompanhando essa temporada da coluna Teoria Literária desde o comecinho, já deve ter percebido que estamos chegando à conclusão do Modelo de Análise Estilística de Romances (MAER). O MAER é uma ferramenta de pesquisa acadêmica que permite aos analistas literários investigarem os estilos dos romancistas de uma maneira estruturada, prática e objetiva. No mês passado, por exemplo, apresentamos a terceira etapa desta matriz, a Análise Horizontal. Em setembro, agosto e julho, por sua vez, explicamos, respectivamente, a etapa 2, a Definição Estatística do Estudo, a etapa 1, a Identificação do Tipo de Estudo, e os Elementos Constituintes do MAER. No post de hoje, vamos debater a Etapa 4 - a Análise Vertical. Essa é a antepenúltima fase do Modelo de Análise Estilística de Romances. Uma vez realizada a Análise Horizontal de todos os romances da amostra, o analista literário deve colocar as informações coletadas em um grande quadro. Também chamada de quadro geral do MAER, essa matriz tem a propriedade de sintetizar as descobertas feitas até então. Ela deve organizar as principais informações das obras estudadas em categorias. Obviamente, o termo categorias da frase anterior se refere aos elementos da narrativa: o enredo, as personagens, o espaço narrativo, o tempo narrativo, a ambientação, a realidade ficcional, o narrador, a linguagem, o discurso, a textualidade e a tipologia. Assim, será possível comparar romance a romance pela perspectiva de cada um dos onze elementos da narrativa. A partir da montagem do quadro geral, o analista literário pode iniciar a investigação efetiva da etapa 4 do Modelo de Análise Estilística dos Romances, que é a Análise Vertical. Para fazê-la, o pesquisador deve procurar padrões ou semelhanças de características entre os romances investigados em cada categoria. Uma forma interessante para melhorar essa análise é fragmentar o quadro geral em vários quadros específicos ou monotemáticos. Veja, a seguir, alguns exemplos dessa divisão. Através da Análise Vertical, é possível descobrir, por exemplo, que a maioria dos romances de Machado de Assis possui narradores que dialogam diretamente com o leitor. Nas obras do japonês Haruki Murakami, as personagens principais são normalmente indivíduos solitários, melancólicos, sem muitos amigos e com quase nenhuma relação com a família. Quando comparamos a linguagem dos livros de João Guimarães Rosa, encontramos em todos eles a presença de neologismos. Na literatura da francesa Régine Deforges, um elemento fundamental da narrativa é o erotismo de suas personagens femininas. E em Jorge Amado, o espaço em que as tramas ocorrem tradicionalmente é a Bahia. Esses elementos podem ser considerados, portanto, aspectos característicos dos estilos literários desses autores, porque aparecem de maneira objetiva em todos, em quase todos ou na maioria de seus romances. Vejamos um caso mais concreto. Ao comparar os protagonistas dos romances de Rubem Fonseca, chegamos aos seguintes quadros: Ao fazermos a Análise Vertical dos romances de Rubem Fonseca, percebemos que seus protagonistas são sempre anti-heróis. E eles possuem como características preponderantes o fato de serem homens bonitos, hedonistas, viciados em sexo, mulherengos, mentirosos, amantes das artes e propensos à violência e ao crime. A função da Análise Vertical é encontrar pontos convergentes entre as obras, elemento a elemento. Quando semelhanças aparecem aos olhos do analista literário, é possível decretar a descoberta de uma característica própria do autor investigado. Em dezembro, a coluna Teoria Literária trará a penúltima etapa do MAER, a Análise Transversal. E em janeiro de 2021, apresentaremos a última etapa, a Conclusão do Estudo. Não perca as partes finais do debate sobre o Modelo de Análise Estilística dos Romances no Bonas Histórias! Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Teoria Literária - MAER - Apresentação
Quais os procedimentos metodológicos necessários para a realização de uma análise literária que atenda aos fundamentos da Teoria Literária? Esse foi o questionamento que me fiz em abril de 2017 quando iniciei os trabalhos de pesquisa acadêmica no Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS). Naquela oportunidade, estudava, no Projeto de Iniciação Científica, os romances de Rubem Fonseca e procurava um método que me permitisse apontar de maneira objetiva e clara o estilo de suas narrativas ficcionais. Assim, uma das minhas primeiras tarefas como estudioso da Teoria Literária foi procurar um modelo que pudesse ser usado como matriz analítica pela minha pesquisa. O modelo em questão precisava ser adequado para a análise dos romances, gênero narrativo que estava pesquisando, e, ao mesmo tempo, permitir a identificação das características estilísticas do autor estudado. Com a união dessas duas vertentes, a matriz analítica seria considerada ideal. Entretanto, dentre as opções avaliadas, não havia um único modelo de análise literária que atendesse concomitantemente aos dois requisitos acima mencionados. No campo do estudo estilístico dos autores ficcionais, havia pouquíssimas matrizes que ofereciam uma investigação objetiva e sistematizada. Quando o foco da pesquisa era, além disso, o estudo da narrativa, as alternativas se tornavam ainda mais limitadas. Portanto, a melhor solução que encontrei para atender à questão cerne da minha pesquisa acadêmica (como se define o estilo literário de um romancista?) foi desenvolver um modelo próprio de análise literária. A matriz analítica que criei foi concebida a partir do embasamento teórico desenvolvido por outros autores. Assim, ela deve ser encarada mais como uma adaptação dos modelos já existentes do que como a criação de algo novo, totalmente inédito ou elaborado a "partir do zero". Sua concepção partiu também da premissa de sua aplicabilidade geral e não apenas para seu uso específico naquele trabalho acadêmico que realizava na época. Ou seja, o modelo proposto podia/pode ser utilizado tanto no estudo estilístico dos romances de Rubem Fonseca quanto na investigação do estilo autoral de qualquer outro romancista. Em outras palavras, a matriz apresentada podia/pode ser usada por analistas literários que tenham as mesmas necessidades aqui pontuadas: descobrir as características peculiares de um escritor em meio à publicação de uma série de romances de sua autoria. Para a melhor caracterização desse modelo analítico, dedicarei um ano inteiro da coluna Teoria Literária, uma exclusividade do Bonas Histórias, à sua apresentação, à sua justificativa e, principalmente, à sua aplicabilidade. Para facilitar a identificação da matriz, foi criada também uma nomenclatura específica para ela. A partir de agora, vamos chamá-la de Modelo de Análise Estilística de Romances. Para facilitar ainda mais sua menção, também podemos nos referir a ela simplesmente pelas suas iniciais: MAER. Ficou interessado em conhecer o Modelo de Análise Estilística de Romances – MAER? Seja, então, bem-vindo(a) à terceira temporada da Teoria Literária. Vamos apresentar mensalmente, aqui no blog, todos os aspectos constituintes do MAER. Segue, abaixo, o cronograma de posts desse ano sobre o MAER: - 15 de junho de 2020 - Apresentação. - 27 de junho de 2020 - Matriz Completa. - 19 de julho de 2020 - Onze Elementos da Narrativa. - 16 de agosto de 2020 - Etapa 1 - Identificação do Tipo de Estudo. - 23 de setembro de 2020 - Etapa 2 - Definições Estatísticas da Pesquisa. - 19 de outubro de 2020 - Etapa 3 - Análise Horizontal. - 20 de novembro de 2020 - Etapa 4 - Análise Vertical. - 30 de dezembro de 2020 - Etapa 5 - Análise Transversal. - 24 de janeiro de 2021 - Etapa 6 - Conclusões do Estudo. Não perca as novidades da coluna Teoria Literária de 2020. Bom trabalho e ótimas leituras a todos! Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Teoria Literária - MAER - Onze Elementos Constituintes
Em junho, apresentamos, na coluna Teoria Literária, a matriz completa do Modelo de Análise Estilística de Romances (MAER). Criado em 2018, o MAER é uma ferramenta objetiva e prática de pesquisa acadêmica que permite ao analista literário estudar, segundo os conceitos da Teoria Literária, os estilos dos romancistas. A partir desse mês, vamos debater, no Bonas Histórias, as diferentes partes da engrenagem desse modelo. No post de hoje, iniciaremos a discussão pelos Elementos Constituintes do MAER. O Modelo de Análise Estilística de Romances está integralmente ancorado nos Onze Elementos da Narrativa. Essa relação é tão intrínseca que se optou por chamar os elementos da narrativa de elementos constituintes do MAER. Portanto, dá na mesma se referir aos elementos da narrativa e aos elementos constituintes da matriz analítica (eles são termos sinônimos). Os Onze Elementos Constituintes do Modelo de Análise Estilística de Romances são: (1) o enredo, (2) as personagens, (3) o espaço narrativo, (4) o tempo narrativo, (5) a ambientação, (6) a realidade ficcional, (7) o narrador, (8) a linguagem, (9) o discurso, (10) a textualidade e (11) a tipologia. Veja, na figura a seguir, a representação visual destes componentes: Apesar de não integrar o cerne do modelo de análise, os elementos da narrativa são utilizados intensamente nas etapas derradeiras da pesquisa estilística (etapas 3, 4, 5 e 6). Não é errado, portanto, enxergar os Onze Elementos Constituintes do MAER como componentes que orbitam a matriz, influenciando diretamente em seus resultados. Por tudo isso, é impossível um analista literário optar pela utilização do MAER e não ter amplo domínio conceitual de todos os Elementos da Narrativa. De certa maneira, todos os romancistas trabalham com o mesmo leque de opções narrativas. O que irá conferir distinção ao estilo de cada autor é o jeito particular com que cada um deles calibra os diferentes ingredientes narrativos em seus textos artísticos. Em suma, o primeiro passo para o acadêmico que deseja trabalhar com o Modelo de Análise Estilística de Romances é estudar a fundo as características dos onze elementos da narrativa. Em linhas gerais, podemos defini-los da seguinte forma: 1) Enredo: conjunto de fatos (conflitos e ações) ocorridos ao longo da narrativa ficcional; 2) Personagens: pessoas ou figuras envolvidas na trama ficcional; 3) Espaço Narrativo: locais ou planos onde se realizam a narrativa ficcional; 4) Tempo Narrativo: período ou época em que a trama ficcional acontece; 5) Ambientação: clima psicológico, social, econômico, religioso e/ou moral que permeia a realização de uma narrativa ficcional; 6) Realidade Ficcional: tipo de realidade construída pelo autor para alicerçar sua trama ficcional; 7) Narrador: ponto de vista de quem conta a história ficcional; 8) Linguagem: idiomas, níveis de sentido, variações linguísticas, termos e palavras utilizados para a construção textual; 9) Discurso: representação e/ou o registro das falas das personagens no contexto ficcional; 10) Textualidade: conjunto de orações, frases e palavras que dá sentido, lógica e unidade ao texto; 11) Tipologia: categoria, gênero narrativo ou tipo de romance que uma trama ficcional pertence influenciam diretamente em suas características. Obviamente, essas definições são extremamente sintéticas e estão longe de esclarecer seus conceitos. Quem tiver interesse em se aprofundar em cada um desses temas, relembro que a temporada passada da coluna Teoria Literária foi dedicada exclusivamente aos Elementos da Narrativa. Todos os posts sobre esse tema estão disponíveis no Bonas Histórias. Quem ainda não conferiu esse conteúdo, vale a pena dar uma boa olhada antes de prosseguir no estudo do Modelo de Análise Estilística de Romances. Uma vez entendido cada um dos Elementos Constituintes do MAER, podemos avançar para as fases da construção da matriz de pesquisa. Sua primeira etapa é a da Identificação do Tipo de Estudo. Porém, esse será o assunto para o próximo post da coluna Teoria Literária. Em agosto, retorno ao blog para aprofundar os debates sobre o Modelo de Análise Estilística de Romances. Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Teoria Literária - MAER - Etapa 3 - Análise Horizontal
Avancemos ainda mais na compreensão do Modelo de Análise Estilística de Romances (MAER). A ideia é debater, no post de hoje do Bonas Histórias, a Análise Horizontal, a terceira etapa do MAER. Quem chegou agora e não está por dentro do que está rolando nessa temporada da coluna Teoria Literária, eu explico rapidamente. Estamos estudando uma matriz de pesquisa, o tal Modelo de Análise Estilística de Romances, que permite ao analista literário investigar o estilo dos romancistas. Nos últimos meses, apresentamos os Onze Elementos Constituintes do MAER, sua primeira etapa, a Identificação do Tipo de Estudo, e a sua segunda etapa, a Definição Estatística da Pesquisa. Portanto, agora estamos preparados para caminhar mais um pouco. Estabelecidos o censo/amostra e a amostragem do estudo (estágios da Definição Estatística da Pesquisa), o passo seguinte é realizar a Análise Horizontal dos romances considerados. Cada um dos títulos integrantes do conjunto amostral deve ser estudado individualmente. O analista literário precisa montar um quadro informativo para cada obra investigada. Essa tabela deve levar em consideração a estrutura do MAER. Assim, os Onze Elementos Constituintes do Modelo de Análise Estilística de Romances devem ser identificados obra por obra. Na sequência, o pesquisador acadêmico precisa registrar suas descobertas mais relevantes e inseri-las no quadro analítico. Esse tipo de análise se chama horizontal, pois o preenchimento da tabela do MAER é feito romance a romance, elemento da narrativa a elemento da narrativa, sem que haja uma relação, por ora, entre os dados coletados. Veja, a seguir, a imagem esquemática de um quadro informativo da Análise Horizontal do MAER. Em muitos casos, o analista literário precisará adaptar a estrutura de sua tabela para incluir todas as informações importantes que garimpou. Assim, uma alternativa interessante é fragmentar a tabela da Análise Horizontal em diferentes seções temáticas. Por exemplo, no caso de uma análise detalhada sobre as personagens de um romance, pode-se abrir uma tabela apenas para esse assunto, dividindo-a em: protagonista, antagonista e personagens secundárias; e/ou em personagens planas e redondas. Na sequência, pode-se detalhar ainda mais as personagens com o registro de suas características físicas, psicológicas, morais, sociais e ideológicas. Veja, a seguir, dois desses tipos de adaptação. Precisando de algo mais concreto para compreender a Análise Horizontal? Segue, então, um exemplo prático do preenchimento do último modelo de quadro analítico de Análise Horizontal do MAER. Para tal, usamos como referência o romance “Agosto” (Companhia das Letras), de Rubem Fonseca, e seu protagonista, o comissário Alberto Mattos. A função da Análise Horizontal, a terceira etapa do Modelo de Análise Estilística de Romances, é catalogar as características mais relevantes de cada romance investigado segundo os Onze Elementos da Narrativa. Em novembro, retornarei à coluna Teoria Literária para detalhar a próxima etapa do MAER, a Análise Vertical. Não perca as novidades do Bonas Histórias! Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Teoria Literária - MAER - Etapa 2 - Definições Estatísticas da Pesquisa
Hoje, vamos tratar, na coluna Teoria Literária, da etapa 2 do Modelo de Análise Estilística de Romances (MAER). Afinal, nos últimos meses, apresentamos, no Bonas Histórias, os conceitos iniciais dessa ferramenta de pesquisa que permite aos analistas literários a realização de estudos estruturados sobre os estilos dos romancistas. Em junho, por exemplo, revelamos no blog a Matriz Completa do MAER. Em julho, explicamos a relevância dos Onze Elementos Constituintes deste modelo. E em agosto, detalhamos a Etapa 1 do MAER – Identificação do Tipo de Estudo. Agora vamos evoluir no debate ao apresentar a Etapa 2 – Definições Estatísticas da Pesquisa. Por ser um estudo ancorado em elementos quantitativos, apesar de possuir também sua dose qualitativa, o Modelo de Análise Estilística de Romances exige algumas definições estatísticas da pesquisa a ser realizada. As duas vertentes estatísticas mais relevantes são o censo/amostra (número de obras que devem ser selecionadas para o estudo em questão) e a amostragem (como serão selecionados os romances de determinado autor que comporão a amostra). É sobre esses dois pontos que vamos tratar a seguir. 1) Censo/Amostra: O cálculo do tamanho do censo ou da amostra do estudo deve respeitar os preceitos estatísticos. Segundo David A. Aaker, V. Kumar e George S. Day, o pesquisador acadêmico deve escolher entre o censo e a mostra antes de iniciar uma pesquisa. Os dois conceitos estão atrelados à população, isto é, ao conjunto total de sujeitos ou elementos constituintes do problema da pesquisa (2001, p. 377). Se o estudo literário recair sobre os romances de Nora Roberts, por exemplo, a população será formada pelos 213 romances escritos pela autora norte-americana entre 1981 (data do início de sua produção) e 2017 (data atual). Se, por outro lado, o estudo estiver voltado para os romances de Raduan Nassar, a população será bem menor. Neste caso, ela será constituída por “Lavoura Arcaica” (Companhia das Letras) e “Um Copo de Cólera” (Companhia das Letras), os dois únicos romances publicados pelo escritor paulista, em 1975 e 1978, respectivamente. Uma vez identificada a população da pesquisa, o analista literário precisará escolher entre o censo e a amostra. O censo é caracterizado quando todos os respondentes de uma população forem considerados como fontes de informação para o estudo. Isso ocorre quando o tamanho populacional não é tão elevado e o analista literário pode se ater sobre toda a população. A amostra é quando um conjunto considerável da população é selecionado para se extrair as informações necessárias de toda a população. Assim, a amostra, uma parcela representativa de um conjunto maior, serve como fonte de informação válida e segura estatisticamente para o estudo da população (AAKER, KUMAR e DAY, 2001, p. 377). No caso da investigação estilística dos romances de Raduan Nassar, o ideal é o analista literário utilizar o censo. Afinal, são apenas dois romances publicados pelo autor e a exclusão de um deles representaria elevada perda para a investigação proposta. Por outro lado, o estudo estilístico dos romances de Nora Roberts deve ser feito a partir do estabelecimento de uma amostra. Até porque seria humanamente impossível a realização de um trabalho acadêmico voltado para o estudo de mais de duas centenas de obras. Portanto, nesse caso, o analista literário deve calcular a amostra para sua pesquisa. A amostra (n) é calculada de acordo com a seguinte fórmula (AAKER, KUMAR e DAY, 2001, p.406-411): Nesta fórmula: n = amostra calculada N = população Z = valor correspondente ao intervalo de confiança. p = verdadeira probabilidade do evento e = erro amostral Os conceitos de amostra (n) e de população (N) já foram discutidos anteriormente. Agora, é necessária uma explicação mais detalhada sobre o que significa erro amostral (e), valor correspondente ao intervalo de confiança (Z) e verdadeira probabilidade do evento (p). O erro amostral (e) é a diferença entre o valor estimado pela pesquisa amostral e o valor que pode ser encontrado em uma investigação com toda a população. Frequentemente, esse valor é estipulado em 5%. Ou seja, o resultado que esperamos alcançar com a pesquisa feita pela amostra difere em 5% da pesquisa que seria realizada com a população inteira. Os estatísticos consideram essa variação pequena ou desprezível. Assim, um erro amostral de 5% valida os resultados alcançados pela pesquisa como sendo verdadeiros. De maneira superficial, o valor correspondente ao intervalo de confiança (Z) é um número extraído da tabela de curva normal especialmente usado na fórmula matemática de cálculo do tamanho amostral. O intervalo de confiança (também chamado de margem de segurança) refere-se à estimativa de variação de resultados obtidos a partir do uso de diferentes amostras. Geralmente, os estatísticos usam a margem de confiança em 68%, 95%, 95,5% e 99,7%. Veja, a seguir, o valor correspondente ao intervalo de confiança (Z) de cada uma dessas margens (AAKER, KUMAR e DAY, 2001, p.406-411): Margem de Segurança ou Intervalo de Confiança = 68%, Z = 1; Margem de Segurança ou Intervalo de Confiança = 95%, Z = 1,96; Margem de Segurança ou Intervalo de Confiança = 95,5%, Z = 2; Margem de Segurança ou Intervalo de Confiança = 99,7%, Z = 3; E a verdadeira probabilidade do evento (p) refere-se à relação entre a repetição do experimento e a constatação do mesmo resultado de ocorrência do evento. Em suma, quando não sabemos a probabilidade do evento, convencionou-se atribuir o valor de 50% (p = 0,5). Com essas informações, já é possível calcular o tamanho da amostra. Para tal, basta o analista literário preencher os dados da fórmula do cálculo amostral e extrair o resultado. Quem não gosta ou não é bom em matemática, há calculadoras virtuais na Internet que fazem rapidamente esse tipo de cálculo para o pesquisador. Uma delas é a Calculadora Amostral, encontrada no seguinte endereço eletrônico: https://comentto.com/calculadora-amostral/. 2) Amostragem: Se a escolha recaiu para o censo, a amostragem dessa pesquisa é simples: todos os romances do autor (ou seja, todos os elementos da população) integram o conjunto a ser analisado pelo estudo. No caso da investigação sobre Raduan Nassar, a amostragem é formada por “Lavoura Arcaica” e “Um Copo de Cólera”, os dois romances da população considerada. Se a escolha do pesquisador recaiu para a amostra, a amostragem deve ser definida. Importante esclarecer a diferença entre amostra e amostragem. Enquanto a amostra determina quantos elementos da população investigada devem integrar o conjunto representativo que fornecerá informação ao pesquisador (amostra é quanto, é um número), a amostragem determina quais elementos da população podem integrar a pesquisa (amostragem é quem, determina como serão eleitos os indivíduos considerados pela pesquisa). Em outro exemplo, o cálculo amostral de uma pesquisa de determinado romancista com muitas obras apontou o número de 17 títulos a ser considerado na amostra. A partir daí, deve-se discutir quais dos romances desse autor podem integrar essa amostragem. Qual o critério de seleção a ser utilizado pelo pesquisador? Ele irá escolher os livros aleatoriamente ou irá selecionar os de maior vendagem? Esse critério faz parte da amostragem (e não da amostra, que já foi estabelecida no cálculo amostral - 17). Há duas formas para se definir a amostragem: a probabilística e a não probabilística. A probabilística utiliza critérios objetivos e estatísticos em todas as fases do processo de seleção da amostragem. Já a não probabilística utiliza algum critério subjetivo e/ou não estatístico em alguma das fases da amostragem. Se nas ciências chamadas de exatas o método probabilístico de seleção da amostragem é o mais comum, na literatura o método não probabilístico se faz mais presente. Isso acontece porque nem todas as obras de um escritor possuem o mesmo peso para a análise estilística. Em muitos casos, o ideal é o analista literário escolher para a amostragem os romances mais conceituados de um autor, os mais vendidos ou aqueles que marcaram determinada fase da carreira do escritor. Apesar de não probabilístico, esse tipo de seleção enriquece a pesquisa, ao invés de desmerecê-la. Bibliografia: AAKER, David A.; KUMAR, V.; DAY, George S. Pesquisa de Marketing. São Paulo: Atlas, 2001. Calculadora Amostral - Disponível em: https://comentto.com/calculadora-amostral/ Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Teoria Literária - MAER - Etapa 1 - Identificação do Tipo de Estudo
Falemos mais um pouco, no Bonas Histórias, do Modelo de Análise Estilística de Romances (MAER). Essa matriz de pesquisa, que permite ao analista literário estudar os estilos dos romancistas, é o tema central da terceira temporada da coluna Teoria Literária. Uma vez compreendidos os Onze Elementos Constituintes do MAER, conforme apresentado no post do mês passado, vamos ao passo seguinte: a aplicação prática do Modelo de Análise Estilística de Romances. O uso dessa matriz por parte do analista literário requer cinco etapas: (1) a Identificação do Tipo de Estudo, (2) as Definições Estatísticas da Pesquisa, (3) a Análise Horizontal, (4) a Análise Vertical e (5) as Conclusões do Estudo. O detalhamento sucinto dessas fases está descriminado no post de junho, chamado de Matriz Completa. Hoje, a ideia é aprofundar nosso debate em direção à primeira etapa do método, a Identificação do Tipo de Estudo. A primeira fase da aplicação do MAER requer, como seu próprio nome informa, a identificação do tipo de estudo que o analista literário deseja realizar. O Modelo de Análise Estilística de Romances é, obviamente, recomendado apenas para a investigação do estilo dos romancistas. Apesar de existir a possibilidade do uso dessa matriz analítica em outras situações de pesquisa acadêmica, sua finalidade é o estudo exclusivo do estilo literário dos autores romanescos. A partir desse ponto, o analista deve considerar se seu estudo terá como princípio norteador a teoria literária, a crítica literária ou a historiografia literária. O MAER é aplicável objetivamente aos trabalhos embasados pela teoria literária. Seu uso pela crítica literária é opcional e pela historiografia é aparentemente inviável. Na sequência, o acadêmico deve verificar os tipos de análise que seu trabalho requer. O MAER é voltado exclusivamente para análises macroestruturais que tenham como foco investigativo aspectos relacionados ao estudo da sintaxe narrativa. Ou seja, se a pesquisa acadêmica tiver como proposta análises microestruturais e/ou estiver voltada para os estudos temáticos ou retóricos, o Modelo de Análise Estilística de Romances não é recomendável. Portanto, o MAER é aplicável única e exclusivamente ao caso de trabalhos acadêmicos: - voltados para o estudo estilístico do autor; - focados no estudo de romances e de romancistas; - embasados pela teoria literária; - dirigidos às analises macroestruturais; - e direcionados ao estudo da sintaxe narrativa. Se as cinco condições acima descritas forem integralmente cumpridas, a escolha do Modelo de Análise Estilística de Romances como matriz do trabalho acadêmico se mostra aplicável. Dessa maneira, o analista literário pode passar para a próxima etapa da aplicação do método, que é as Definições Estatísticas da Pesquisa. Porém, esse será o assunto de setembro da coluna Teoria Literária. Não perca o próximo capítulo do estudo sobre o MAER. Até lá! Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Eventos: Palestra sobre Rubem Fonseca no Congresso Internacional do UNIS
Na quinta-feira da semana passada, dia 26 de abril, estive em Minas Gerais para apresentar, no IV Congresso Internacional do Grupo UNIS e na VI Semana de EAD do UNIS, a palestra "A Literatura de Rubem Fonseca". O local do evento foi a Sala Interativa da biblioteca da Cidade Universitária do Centro Universitário do Sul de Minas, na cidade de Varginha. A apresentação foi filmada e transmitida ao vivo para professores e alunos da universidade que não puderam comparecer presencialmente. O convite para eu ministrar essa palestra partiu da minha ex-professora e ex-orientadora Carina Adriele Duarte de Melo Figueiredo, que também é coordenadora do curso de Letras do UNIS. Como tinha prometido disponibilizar o link da palestra aqui no Blog Bonas Histórias, segue agora o vídeo dessa apresentação: A apresentação de quinta-feira reuniu as descobertas que fiz ao longo do meu Projeto de Iniciação Científica, chamado de "Análise Literária dos Romances de Rubem Fonseca - Investigando a Nova Literatura Brasileira". Essa pesquisa acadêmica foi realizada sob a orientação da professora Carina e da professora Terezinha Richartz Santana entre abril de 2017 e março de 2018. A proposta do estudo era investigar os romances fonsequianos e descobrir suas principais características estilísticas. Os resultados parciais do projeto já tinham sido divulgados em dezembro do ano passado, em Minas Gerais mesmo, durante o XVI Encontro da Iniciação Científica e o III Seminário Internacional Online de Inovação do Grupo UNIS. A palestra que fiz no Congresso Internacional na semana passada englobou, dessa vez, as conclusões finais da Iniciação Científica. Assim, além de mostrar as peculiaridades do estilo literário de Rubem Fonseca, também expliquei o MAER - Modelo de Análise Estilística de Romances. Essa metodologia foi desenvolvida na "Análise Literária dos Romances de Rubem Fonseca - Investigando a Nova Literatura Brasileira" e permite ao teórico da literatura identificar os elementos particulares do estilo literário de um romancista. Espero que todos que assistiram à palestra tenham gostado dela e dos resultados do meu trabalho acadêmico. Da minha parte, foi um grande prazer retornar a Varginha e ao UNIS mais uma vez. Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Eventos: Palestra sobre a Literatura de Rubem Fonseca em Minas Gerais
É com muito prazer que anuncio minha participação no próximo Congresso Internacional do Grupo UNIS. Nesse evento, farei uma palestra intitulada "A Literatura de Rubem Fonseca". O convite partiu da minha ex-professora e ex-orientadora Carina Adriele Duarte de Melo Figueiredo, que também é coordenadora do curso de Letras do Centro Universitário do Sul de Minas. Como não poderia ser diferente, aceitei prontamente o convite, que me deixou profundamente honrado. A quarta edição do Congresso Internacional do Grupo UNIS será realizada entre os dias 23 e 27 de abril, em Varginha, Minas Gerais. O evento tem como tema "O Mundo em Reconstrução". Minha palestra acontecerá no dia 26 de abril, a última quinta-feira do mês que vem, na Sala Interativa da biblioteca da Cidade Universitária do UNIS. A apresentação, que também integrará o calendário da VI Semana de EAD do UNIS, será filmada e poderá ser assistida ao vivo pelos professores e pelos alunos da instituição de ensino, tanto presencialmente quanto eletronicamente. Quem quiser ver a gravação depois, ela ficará disponível a todos no YouTube. Prometo disponibilizar o link aqui no Blog Bonas Histórias. A palestra "A Literatura de Rubem Fonseca" é o resultado do meu Projeto de Iniciação Científica chamado de "Análise Literária dos Romances de Rubem Fonseca - Investigando a Nova Literatura Brasileira". Essa pesquisa acadêmica foi realizada sob a orientação das professoras Carina Adriele Duarte de Melo Figueiredo e Terezinha Richartz Santana entre abril de 2017 e março de 2018. A proposta do estudo era investigar os romances fonsequianos e descobrir suas principais características estilísticas. Os resultados parciais do projeto já tinham sido apresentados em dezembro do ano passado, em Minas Gerais, durante o XVI Encontro da Iniciação Científica e o III Seminário Internacional Online de Inovação do Grupo UNIS. Agora, a palestra que ministrarei no mês que vem no IV Congresso Internacional do Grupo UNIS englobará os resultados finais da minha Iniciação Científica. Assim, além da apresentação das peculiaridades do estilo literário de Rubem Fonseca, explicarei também o MAER (Modelo de Análise Estilística de Romances). O MAER é a metodologia desenvolvida na "Análise Literária dos Romances de Rubem Fonseca - Investigando a Nova Literatura Brasileira" que permite ao teórico da literatura identificar os elementos particulares do estilo literário de um romancista. Pessoal de Varginha e do UNIS, preparem-se porque já estou fazendo minhas malas. Estou com saudades de todos vocês. Até o mês que vem! Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em Cursos e Eventos. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook.
- Livros: Passatempoemas - A poesia brincante de Carolina Zuppo Abed
Lançado em outubro deste ano, “Passatempoemas – Desafios Verbo-lógico-matemáticos” (Quelônio) é a terceira publicação de Carolina Zuppo Abed. Com este título, a jovem escritora paulistana se consolida como uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea. Li este livro no final do mês passado e fiquei positivamente impressionado com sua proposta. “Passatempoemas”é uma coletânea poética que une jogos de passatempo e poesia (daí seu nome) em uma experiência literária lúdica, instigante e inusitada. A obra de Carolina bebe da fonte da poesia concreta (em alguns momentos lembra até a poesia-práxis), tem como inspiração o movimento OuLiPo (corrente literária francesa que une literatura e matemática) e interage com os velhos almanaques (tipo de publicação popular entre os anos 1980 e 1990 que trazia uma série variada de atividades para a garotada). “Passatempoemas” apresenta poemas escondidos em charadas brincantes. Os versos de Carolina Zuppo Abed estão ocultos, por exemplo, em palavras-cruzadas, em atividades de liga os pontos, em quebra-cabeças, em jogos dos sete erros, em sudokus verbais, em caça-palavras e em códigos binários. Cabe ao leitor fazer as descobertas a partir das instruções deixadas pela autora/poetisa. As soluções virão do uso da sagacidade e dos repertórios verbais, lógicos e matemáticos de cada um. Incrível, né?! Além de escritora, Carolina Zuppo Abed é psicopedagoga e professora de oficinas literárias. Formada em Letras na Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em Formação de Escritores no Instituto Vera Cruz e doutoranda em Processos Criativos em Escrita na USP, ela é coordenadora do Curso Livre de Formação de Escritores em Santos e professora de Escrita Criativa em São Paulo. Seu livro de estreia foi a coletânea de contos “Tecle 2 Para Esquecer” (Patuá), publicado em 2017. Naquele mesmo ano, Carolina lançou, ao lado de Isabel Carvalhaes, “Menos o Mar” (Carapaça/Quelônio), obra que mistura poemas e fotografias da cidade de Santos. “Passatempoemas” foi produzido com o apoio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), linha estatal voltada para o incentivo da produção artística. Essa é a segunda vez que Carolina Zuppo Abed é contemplada pelo programa estadual – o que mostra a força e o apelo de seus projetos literários. Há quatro anos, “Tecle 2 para Esquecer” também foi viabilizado a partir do ProAC. Por sua vez, “Menos o Mar” venceu um edital municipal em Santos. O incentivo dessa vez veio pela Secretaria de Cultura (Secult) da cidade litorânea. Apaixonada desde a infância por palavras-cruzadas, Carolina se inspirou no famoso passatempo para criar sua coletânea poética. Essa primeira edição de “Passatempoemas” teve tiragem de 1 mil unidades. Parte dos exemplares foi entregue a bibliotecas e instituições públicas, conforme exigências do ProAC. Outra parte foi direcionada às livrarias comerciais (Livraria Mandarina, Travessa e Martins Fontes, por exemplo) e às lojas de departamento (Magazine Luiza é uma delas). A comercialização do livro também pode ser feita na própria loja virtual da Editora Quelônio. Com 48 páginas, “Passatempoemas” reúne 16 poemas: (1) “Jogo dos Erros”, (2) “O Outro”, (3) “Fact-checking”, (4) “Quebra-cabeças”, (5) “Horizontes”, (6) “Anotações para Uma Sinfonia Poético-Sexual”, (7) “Ciclos”, (8) “Roma (no Primeiro Domingo Antes da Páscoa)”, (9) “Sobre Vazios e Preenchimentos”, (10) “Reforma Agrária”, (11) “Padrão dos Descobrimentos”, (12) “Cartilha”, (13) “Mensagem na Garrafa Para um Mundo Pós-Computacional”, (14) “Naturais”, (15) “Teoria dos Conjuntos” e (16) “Resolução de Sistemas”. O último poema-charada está na quarta-capa e serve como uma exemplificação ao leitor do que ele encontrará no interior da publicação. As atividades do livro estão separadas em quatro níveis/categorias: fácil, médio, difícil e matemático. Cada poema-atividade é apresentada em uma página. Suas respostas estão no final do livro para consulta. De maneira inteligente, há ainda três páginas em branco para o leitor usar como rascunho. Esse espaço é vital para aqueles que consideram um sacrilégio riscar o livro – algo quase inevitável aqui. Para explorar ainda mais a interatividade do livro, Carolina Zuppo Abed criou um e-mail (passatempoemas@gmail.com) para se comunicar diretamente com seus leitores. Ela incentiva o compartilhamento de ideias, impressões, sugestões e comentários entre as duas pontas do processo poético – produtor e consumidor. Não testei esse canal de comunicação, mas, conhecendo um pouco a autora, não estranharia se ela respondesse todas as mensagens com empolgação, rapidez e brilho. O caráter lúdico de “Passatempoemas” pode passar a falsa impressão de que este é um livro exclusivamente infantojuvenil. Acredito até que as crianças (maiores de 12 anos) e os adolescentes podem curtir numa boa as charadas propostas por Carolina. Porém, eles não são os únicos leitores em potencial da obra. Os fãs de poesia moderna e os amantes de palavras-cruzadas e de jogos de adivinhação irão embarcar de cabeça nas experiências poético-verbal-lógico-matemáticas da autora. Confesso que não sou grande fã de poesia (meu mundo literário gira quase que totalmente em volta da prosa), mas desse livro eu gostei. E gostei muito! A leitura de “Passatempoemas” me fez lembrar muito de minha infância e adolescência, quando mergulhava nas atividades dos almanaques de férias que eu e minha irmã fazíamos. No último domingo de novembro, levei cerca de uma hora para percorrer todas as páginas deste título. É até difícil dizer o que mais apreciei em “Passatempoemas”: a variedade de atividades (cada uma é diferente das outras), o nível crescente de dificuldade (o livro começa pelas mais fáceis e termina com as mais difíceis), as dinâmicas inteligentes (elas instigam o leitor), as respostas claras nas páginas finais (só não entendi a resolução de “Mensagem na Garrafa para Um Mundo Pós-Computacional”) ou o design gráfico elegante e prático da publicação (aspecto essencial em se tratando de uma obra que emula a poesia concreta e os jogos de passatempo)? Talvez seu grande mérito esteja no conjunto harmônico. Refletindo agora um pouco mais, vou mudar minha interpretação anterior (e o conteúdo da última frase do parágrafo acima). Muito provavelmente, o aspecto mais elogiável de “Passatempoemas” esteja na própria linha editorial/conceituação poética. Sabe aquela ideia que, quando olhamos pronta, parece simples e óbvia? Entretanto, até alguém a ter, ninguém tinha cogitado antes... Pois este livro é assim: por fora parece uma proposta corriqueira, por dentro é um material rico, divertido e incomparável, típico de uma autora madura e que não tem medo de ousar. Em um ano marcado pelo isolamento social e pelo refúgio doméstico, “Passatempoemas” revela-se um livro perfeito para o encerramento de 2020. Ele traz, ao mesmo tempo, a beleza da poesia e a diversão dos jogos de charada. Essa mistura explora os diferentes caminhos da literatura e da poesia. Através de uma experiência estética inusitada, somos levados aos limites da linguagem, à riqueza idiomática e a multiplicidade formal da arte. Sem perceber, dialogamos intimamente com as propostas artísticas da poetisa, em uma interação que não depende do tempo e do espaço. Como diz Carolina Zuppo Abed no sumário/apresentação: “Cada poema foi criado a partir de relações entre o assunto tratado e a forma adotada, sem perder de vista alguns elementos como a sonoridade, a visualidade e a polissemia. Na minha cabeça, há um sentido para cada um ser como é (...). Fique à vontade para interpretar, relacionar, refletir, divagar, inventar, propor. Porque, afinal, esse é um livro brincante, e cada leitor brinca de criar o que quiser a partir dele (...)”. A coletânea de poemas não poderia ter uma definição melhor do que essa. “Passatempoemas” é o melhor livro da autora até aqui. Considerei “Tecle 2 Para Esquecer”, a publicação de estreia de Carolina, uma excelente coletânea de contos. Contudo, sua riqueza estava na força das narrativas e na ótima ambientação das histórias. Em relação à forma, ele não trazia nada de novo. Em “Menos o Mar”, o segundo livro da escritora paulistana, tivemos exatamente o oposto. Ele apresentava uma proposta formal diferenciada: junção de registros poéticos e fotográficos de uma cidade (Santos) em um material com folhas avulsas. Porém, seu conteúdo era aparentemente corriqueiro. “Passatempoemas” termina de vez com a dicotomia entre forma e conteúdo. Ele inova ao quebrar as fronteiras estéticas, chegando até mesmo a embaralhar os elementos formais e conceituais. O resultado é interessante em qualquer ponto de vista analisado. Das publicações brasileiras desse final de ano, “Passatempoemas – Desafios Verbo-lógico-matemáticos” está entre as que mais gostei. Vale a pena conhecê-lo, independentemente se você gosta mais de prosa ou de poesia. Há títulos tão interessantes que estão acima dos gostos pessoais e das divisões literárias. Agora, se você é chegadinho a uma atividade lúdica, como jogos de adivinhação e palavras- cruzadas, essa coleção poética é imperdível, além de ser um ótimo presente de final de ano. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais análises literárias, clique em Livros – Crítica Literária. E aproveite para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Mercado Editorial: Livros – Lançamentos em janeiro e fevereiro de 2020
Trago boas novas! A partir de hoje, a coluna Mercado Editorial divulgará bimestralmente os livros recém-lançados no Brasil. A ideia é informar em primeira-mão aqueles leitores que não querem perder nenhuma novidade do universo literário. Assim, o Bonas Histórias contribuirá de outra maneira para o incentivo à leitura e à promoção das obras literárias. Nossos catálogos de publicações incluirão ficção (romances, novelas, coletâneas de contos e de crônicas, ensaios e literatura infantojuvenil) e poesia. Vamos abordar tanto títulos de autores nacionais quanto de autores internacionais. Neste post de estreia da nova série, são apresentados 37 livros que foram lançados entre janeiro e fevereiro de 2020. Confira! Ficção Brasileira: “A Peste das Batatas” (Pomelo) – Paulo Sousa - Romance (192 páginas). “Dionísio em Berlim” (Quelônio) – Tiago Novaes – Romance (176 páginas). “Os Jacarés” (Grua) – Carlos Eduardo Magalhães – Romance (128 páginas). “O Último Trem da Cantareira” (Editora 34) – Antonio Arnoni Prado – Romance (128 páginas). “A Idade de Ouro do Brasil” (Alfaguara) – João Silvério Trevisan – Romance (216 páginas). “Ela Queria Amar, Mas Estava Armada” (Instante) – Liliane Prata – Coletânea de Contos (224 páginas). “Sobre os Canibais” (Companhia das Letras) – Caetano W. Galindo – Coletânea de Contos (200 páginas). “Como Se Mata Uma Ilha” (Zouk) – Priscila Pasko – Coletânea de Contos (80 páginas). “Os Dias Antes de Nenhum” (Patuá) – Ricardo Terto – Coletânea de Contos (104 páginas). “Calma, Estamos Perdidos” (Positivo) – Luís Henrique Pellanda - Coletânea de Crônicas (224 páginas). “Boi na Linha” (Raiz) – Andréa Apa e Jonathas Martins – Literatura Infantojuvenil (48 páginas). “Cascudinho – O Peixe Contador de Histórias” (Editora do Brasil) – José Bessa Freire - Literatura Infantojuvenil (48 páginas). Ficção Estrangeira: “Arquipélago Gulag” (Carambaia) – Aleksandr Soljenítssyn (Rússia) – Romance (704 páginas). “A Ilha do Tesouro” (Antofágica) – Robert Louis Stevenson (Escócia) – Romance (368 páginas). “A Mãe” (Nova Fronteira) – Máximo Górki (Rússia) – Romance (352 páginas). “O Asno de Ouro” (Editora 34) – Apuleio (Itália) – Romance (264 páginas). “O Templo” (Editora 34) – Stephen Spender (Inglaterra) – Romance (240 páginas). “Uma Noite com Sabrina Love” (Todavia) – Pedro Mairal (Argentina) – Romance (160 páginas). “Sistema Nervoso” (Todavia) – Lina Meruane (Chile) – Romance (240 páginas). “O Romance da Minha Vida” (Boitempo) – Leonardo Padura (Cuba) – Romance (328 páginas). “O Médico e o Monstro e Outros Experimentos” (Antofágica) - Robert Louis Stevenson (Escócia) – Novela e Coletânea de Contos (352 páginas). “Caderno de Talamanca” (Âyine) – E. M. Cioran (Romênia/França) - Novela (58 páginas). “Três Guinéus” (Autêntica) – Virginia Woolf (Inglaterra) – Ensaio (264 páginas). “Francisco de Assis” (Record) – Hermann Hesse (Alemanha) – Ensaio (128 páginas). “Carta à Minha Filha” (Agir) – Maya Angelou (Estados Unidos) – Ensaio (144 páginas). “A Água e a Águia” (Companhia das Letrinhas) – Mia Couto (Moçambique) – Literatura Infantojuvenil (32 páginas). “Lute como uma Princesa” (Boitatá) – Vita Murrow e Julia Bereciartu (Índia/Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil (96 páginas). Poesia Brasileira: “Roendo Unha” (Pedra Papel Tesoura) – Fabrício Corsaletti (48 páginas). “7 em 1” (Gryphus) – Jorge Salomão (252 páginas). “Rose Ausländer” (Eduerj) – Simone Brantes (224 páginas). “Os Invisíveis – Tragédias Brasileiras” (Bertrand Brasil) – Carlos Nejar (364 páginas). “Preocupações” (Macondo) – Ana Guadalupe (84 páginas). “Fabulário” (Confraria do Vento) – Ana Santos (92 páginas). “Uma História do Paraíso & Outros Poemas” (Patuá) – Ruy Espinheira Filho (108 páginas). Poesia Internacional: “Poesia” (Perspectiva) – Bertolt Brecht (Alemanha) - 584 páginas. “O Tempo Adiado e Outros Poemas” (Todavia) – Ingeborg Bachmann (Áustria) - 208 páginas. “Poemas” (Loplop/Elefante) – Robert Desnos (França) - 128 páginas. No mês que vem, retorno à coluna Mercado Editorial para trazer os lançamentos de março e abril deste ano. Até lá! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Mercado Editorial: Livros - Lançamentos em março e abril de 2020
As últimas semanas não foram fáceis para ninguém. O Brasil e boa parte do mundo pararam temendo a propagação do surto do novo coronavírus (o tão famigerado Covid-19). Nesse cenário de caos, o mercado editorial, que já antes da epidemia estava muito longe de viver dias tranquilos, também foi seriamente afetado. Muitos lançamentos de livros foram postergados e quase todos os eventos literários precisaram ser cancelados. Não é errado dizer que entre 15 de março e o final de abril de 2020 os setores livreiro e editorial ficaram completamente estagnados. Uma pena tanto para os negócios quanto para os leitores mais ávidos por novidades! Mesmo assim, uma ou outra coisinha sempre pinta de novo, não é? No post de hoje da coluna Mercado Editorial, vamos apresentar as obras publicadas nos últimos dois meses (quase todas até a segunda semana de março). Nesta lista do Bonas Histórias, enfocamos 87 publicações entre títulos ficcionais (romances, novelas, coletâneas de contos e de crônicas, ensaios e literatura infantojuvenil) e coletâneas poéticas. Abordamos tanto os livros nacionais quanto os internacionais. Confira, a seguir, os livros que foram lançados em março e abril de 2020 no Brasil! Ficção Brasileira: “Posso Pedir Perdão, Só Não Posso Deixar de Pecar” (LeYa) – Fernanda Young – Romance – 160 páginas. “VHS – Verdadeiras Histórias de Sangue” (Darkside) – Cesar Bravo – Romance – 288 páginas. “Marcelino” (Ímã) – Godofredo de Oliveira Neto – Romance – 260 páginas. “Anatomia das Borboletas” (Giostri) – Eduardo Leite – Romance – 152 páginas. “Cadafalso” (Terceiro Nome) – Roberto Elisabetsky – Romance – 240 páginas. “Corpo em Combate, Cenas de Uma Vida” (7 Letras) – Sofia Karam – Romance - 208 páginas. “Com o Corpo Inteiro” (Pólen) – Lucila Losito Mantovani – Romance – 168 páginas. “Confissões – Cartas ao Mestre” (Vernacular) – Carol Costa e Silva – Romance – 136 páginas. “Opulência” (Cepe) – Luis S. Krauz – Romance – 284 páginas. “Puro Gesto” (Iluminuras) – Teixeira Coelho – Romance – 128 páginas. “Maria Altamira” (Instante) – Maria José Silveira – Romance – 280 páginas. “O Manuscrito do Jovem Gabriel” (Reformatório) – João Batista de Andrade – Romance – 184 páginas. “Páginas de Recordações - Memórias” (Chão) – Floriza Ferraz – Romance – 288 páginas. “O Fazedor de Velhos 5.0” (Companhia das Letras) – Rodrigo Lacerda – Romance – 312 páginas. “A Cidadela” (Miguilim) – Maurício Meirelles – Romance – 272 páginas. “O Alienista” (Antofágica) – Machado de Assis – Novela ilustrada – 304 páginas. “Aranhas” (Record) – Carlos Henrique Schroeder – Coletânea de Contos – 192 páginas. “Meus Olhos” (Sulina) – Gilberto Schwartsmann – Coletânea de Contos – 158 páginas. “As Baleias do Saguenay” (Moinhos) – João Batista Melo – Coletânea de Contos – 112 páginas. “Quatro Passos sobre o Vazio” (Nós) – Marcia Tiburi – Coletânea de Contos – 64 páginas. “Partes Homólogas” (Reformatório) – Leila Guenther – Coletânea de Contos – 104 páginas. “Todo Mundo Tem uma Primeira Vez” (Plataforma 21) – Ale Santos, Bárbara Morais, Fernanda Nia, Jim Anotsu, Olívia Pilar e Vitor Martins – Coletânea de Contos – 224 páginas. “Somente nos Cinemas” (Ateliê) – Jorge Ialanji Filhotini – Coletânea de Contos – 160 páginas. “O Sino e o Relógio” (Carambaia) – Hélio de Seixas Guimarães e Camilo Vagner – Coletânea de Contos – 416 páginas. “Os Cadernos de Solidão de Mario Levante” (Zouk) – Arthur Telló – Coletânea de Contos – 160 páginas. “Gosto de Amora” (Malê) – Mário Medeiros – Coletânea de Contos – 148 páginas. “A História Universal do After” (Nunc) – Leonardo Felipe – Coletânea de Crônicas – 190 páginas. “Terra Papagalorum” (Imprensa Oficial do Estado de SP) – Gerda Brentani e Paulo Vanzolini – Coletânea de Crônicas – 292 páginas. “Dias Ensolarados no Paraíso - Memória” (Chão) – Brazilia Oliveira de Lacerda – Coletânea de Crônicas – 180 páginas. “Mulheres Normais” (Lura) – Izabella de Macedo – Coletânea de Crônicas – 50 páginas. “O Destino é o Caminho – Uma Crônica do Caminho de Santiago” (Edições de Janeiro) – Ricardo Rangel – Coletânea de Crônicas – 176 páginas. “Rua do Escritor” (Malê) – Henrique Rodrigues – Coletânea de Crônica – 192 páginas. “Alinhavos – O Futuro do Planeta Está no seu Guarda-Roupa” (Panda Books) – Alessandra Ponce Rocha – Literatura Infantojuvenil – 48 páginas. “Mari Miró e o Mané Gostoso” (Ciranda Cultural) – Vivian Caroline Lopes – Literatura Infantojuvenil – 48 páginas. “Ovelha Colorida” (Kapulana) – Carolina Portella, Felipe Tognoli e Mariana Rhormens – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “A Pinta Curiosa” (Iluminuras) – Fê – Literatura Infantojuvenil – 24 páginas. “Débora Garofalo – No Meio do Caminho Tinha... Coragem” (Malê) – Cristiane Boneto – Literatura Infantojuvenil – 96 páginas. Ficção Estrangeira: “O Fim da Eternidade” (Apeph) – Isaac Asimov (Rússia/Estados Unidos) – Romance – 256 páginas. “Longa Pétala de Mar” (Bertrand Brasil) – Isabel Allende (Chile) – Romance – 280 páginas. “M, o Filho do Século” (Intrínseca) – Antonio Scurati (Itália) – Romance – 812 páginas. “Lucinde” (Iluminuras) – Friedrich Schlegel (Alemanha) – Romance – 132 páginas. “Escândalo” (Planeta) – Shusaku Endo (Japão) – Romance – 256 páginas “A Criatura” (Darkside) – Andrew Pyper (Canadá) – Romance – 304 páginas. “Ida Um Romance” (Ponto Edita) – Gertrude Stein (Estados Unidos) – Romance – 224 páginas. “Formas de Voltar para Casa” (Planeta) – Alejandro Zambra (Chile) – Romance –160 páginas. “Recursão” (Intrínseca) – Blake Crouch (Estados Unidos) – Romance – 320 páginas. “O Livro do Mar” (Âyiné) – Morten Stroksnes (Noruega) – Romance – 428 páginas. “A Armadilha” (Mundaréu) – Emmanuel Bove (França) – Romance – 208 páginas. “O Céu que nos Oprime” (Bertrand Brasil) – Christine Leunens (Nova Zelândia/Bélgica/Estados Unidos) – Romance – 252 páginas. “O que Fazer?” (Expressão Popular) – Nikolai Tchernychevski (Rússia) – Romance – 590 páginas. “Daqui Não Saio” (Bertrand Brasil) – Marco Balzano (Itália) – Romance – 210 páginas. “Um Amor” (Nova Fronteira) – Dino Buzzati (Itália) – Romance – 240 páginas. “História da Violência” (TusQuets) – Édouard Louis (França) – Romance – 176 páginas. “Querido Diego, Sua Quiela” (Mundaréu) – Elena Poniatowska (México) – Novela –80 páginas. “Knulp – Três Histórias da Vida de um Andarilho” (Todavia) – Hermann Hesse (Alemanha) – Novela – 112 páginas. “A Gaiola” (Editora 34) – José Revueltas (México) – Novela – 64 páginas. “Vamos Comprar Um Poeta” (Dublinense) – Afonso Cruz (Portugal) – Novela – 96 páginas. “As Mulheres Contam” (Carambaia) – D. H. Lawrence (Inglaterra) – Coletânea de Contos – 288 páginas. “Vitorianas Macabras” (Darkside) – Charlotte Brontë, Elizabeth Gaskell, H. D. Everett, Violet Hunt, May Sinclair e outras – Coletânea de Contos – 240 páginas. “As Histórias de Pat Hobby” (Todavia) – F. Scott Fitzgerald (Estados Unidos) – Coletânea de Contos – 176 páginas. “Não Aceite Caramelos de Estranhos” (Mundaréu) – Andrea Jeftanovic (Chile) – Coletânea de Contos – 144 páginas. “Sobre Coisas que Aconteceram Comigo” (Papéis Selvagens) – Marcelo Matthey (Chile) – Coletânea de Crônicas – 108 páginas. “Robinson” (Companhia das Letrinhas) – Peter Sís (República Tcheca/Estados Unidos) - Literatura Infantojuvenil – 52 páginas. “Contos da Mamãe Ursa” (Raposa Vermelha) – Kitty Crowther (Bélgica) - Literatura Infantojuvenil – 72 páginas. “O Carteiro Encolheu” (Companhia das Letrinhas) – Janet Ahlberg e Allan Ahlberg (Inglaterra) – Literatura Infantojuvenil – 40 páginas. “O Urso Sonolento” (Brinque-Book) – Nick Bland (Austrália) - Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “Leotolda” (Boitatá) – Olga de Dios (Espanha) – Literatura Infantojuvenil – 42 páginas. “Eric Faz Tibum” (Brinque-Book) – Emily Mackenzie (Escócia) – 32 páginas. “Eu Medito e me Conheço” (Companhia das Letrinhas) – Sophie Raynal (França) – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “Abelhas” (WMF Martins) – Piotr Socha (Polônia) – Literatura Infantojuvenil – 72 páginas. Poesia Brasileira: “Poesia + Antologia 1985 – 2019” (Editora 34) – Edimilson Pereira de Almeida – 384 páginas. “Ressurreição – 101 Sonetos de Amor” (Nova Fronteira) – Carlos Newton Júnior – 128 páginas. “Nada Mais Maldito que um Amor Bonito” (Bertrand Brasil) – Everton Behenck - 128 páginas. “O Poeta de Pondichéry” (Moinhos) – Adília Lopes – 72 páginas. “Nenhuma Poesia” (7 Letras) – Diego Pansani – 160 páginas. “O Sapoeta” (Iluminuras) – Álvaro Faleiros e Fernando Vilela – 32 páginas. “Estuário” (Patuá) – Guilherme Scalzilli – 108 páginas. “Arraial do Curral del Rei – A Desmemória dos Bois” – Adriane Garcia – 160 páginas. “Corpos” (Quelônio) – Arthur Lungov – 104 páginas. “Máquina de Fazer Mar” (7 Letras) - Augusto Guimaraens Cavalcanti – 92 páginas. “Foda-se” (Editora do Autor) – Tania Angelita Iora Guesser – 96 páginas. “Pornografia em Extinção” (Patuá) – Gabriel Morais Medeiros – 176 páginas. “Poemas para Morder a Parede” (7 Letras) – Gabriel Morais Medeiros – 80 páginas. “Sophia – Singular Plural” (7 Letras) – Paola Poma – 288 páginas. “O Sono de Cronos” (Terra Redonda) – Telma Scherer – 79 páginas. Poesia Internacional: “Os Pecados Predilectos” (Jaguatirica) – Inês Lourenço (Portugal) – 168 páginas. “Ova Completa” (Jabuticaba) – Susana Thénon (Argentina) – 138 páginas Em junho, voltarei à coluna Mercado Editorial para trazer os lançamentos de maio e junho (o terceiro bimestre do ano). Até lá! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Mercado Editorial: Livros - Lançamentos em maio e junho de 2020
O pulso ainda pulsa. Em meio ao olho do furacão provocado pela epidemia do novo coronavírus, peste bubônica, câncer, pneumonia, raiva, rubéola, tuberculose, anemia, rancor, cisticercose, caxumba, difteria, encefalite, faringite, gripe e leucemia, é esperançoso saber que o mercado editorial não parou totalmente no Brasil. Mesmo com o fechamento das livrarias físicas e com a interrupção de boa parte dos trabalhos nas principais editoras nacionais, ainda sim novos livros foram lançados nos últimos dois meses em nosso país. É verdade que em número bem inferior ao mesmo período do ano passado, mesmo assim já é alguma coisa, né? O pulso ainda pulsa. E para destacar as novas publicações de maio e junho que chegaram de algum jeito aos leitores, preparei a já famosa lista bimestral de lançamentos do Bonas Histórias. Entre os títulos ficcionais (romances, novelas, coletâneas de contos e de crônicas, ensaios e literatura infantojuvenil) e as coletâneas poéticas, foram publicados 73 livros nos dois últimos meses. Confira, a seguir, as novidades que movimentaram o mercado editorial brasileiro: Ficção Brasileira: “Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha” (Companhia das Letras) – Tati Bernardi – Romance – 144 páginas. “Júlia nos Campos Conflagrados do Senhor” (Alameda) – B. Kucinski – Romance – 186 páginas. “A Maça no Escuro” (Rocco) – Clarice Lispector – Romance – 400 páginas. “A Muralha” (Instante) – Dinah Silveira de Queiroz – Romance – 400 páginas. “Corpos Secos” (Alfaguara) – Marcelo Ferroni, Luisa Geisler, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado – Romance – 192 páginas. “O Fantasma da Mãe” (Globo) – Gustavo Bernardo – Romance – 192 páginas. “Filho da Noite” (Valentina) – Antonio Calloni – Romance – 160 páginas. “Apátridas” (Companhia das Letras) – Alejandro Chacoff – Romance – 192 páginas. “As Amarras” (7 Letras) – Jorge Sá Earp – Romance – 176 páginas. “As Sombras de Ontem” (Companhia das Letras) – Marcelo Vicintin – Romance - 216 páginas. “Cólera” (Moinhos) – Jonathan Tavares – Romance – 272 páginas. “Laura é um Nome Falso para Alguém que Eu Amei de Verdade” (Patuá) – Daniel Belmonte – Romance – 140 páginas. “Fé no Inferno” (Companhia das Letras) – Santiago Nazarian – Romance – 376 páginas. “Os Blues que Não Dançamos” (Moinhos) – Frank Santos – Romance – 88 páginas. “Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam e Cantada na Cidade do Rio de Janeiro” (Global) – Cecília Meireles – Novela – 108 páginas. “Quanto Custa Um Elefante” (Editora 34) – Marcelo Mirisola – Novela – 128 páginas. “Malagueta, Perus e Bacanaço” (Editora 34) – João Antônio – Coletânea de Contos – 160 páginas. “Leão de Chácara” (Editora 34) – João Antônio – Coletânea de Contos – 120 páginas. “Para Não Esquecer” (Rocco) – Clarice Lispector – Coletânea de Contos – 160 páginas. “Contos (Quase) Esquecidos” (É Realizações) – Machado de Assis – Coletânea de Contos – 440 páginas. “Meninos & Outros Demônios” (Moinhos) – Pedro Salgueiro – Coletânea de Contos – 60 páginas. “Veríssimo Antológico – Meio Século de Crônicas ou Coisas Parecidas” (Objetiva) – Luis Fernando Veríssimo – Coletânea de Crônicas – 1.162 páginas. “E, No Princípio, Ela Veio” (Moinhos) – Bruno de Castro – Coletânea de Crônicas – 48 páginas. “Instruções para Montar Mapas, Cidades e Quebra-cabeças” (Guayabo) – Flávia Péret – Coletânea de Crônicas – 208 páginas. “A África Recomendada Para Crianças” (Martin Claret) – Avani Souza Silva – Literatura Infantojuvenil – 120 páginas. “Lá Dentro Tem Coisa” (Salamandra) – Adriana Falcão – Literatura Infantojuvenil – 56 páginas. “Dr. Urubu e Outras Fábulas (Yellowfante) – Ferreira Gullar – Literatura Infantojuvenil – 48 páginas. “O Fio da Palavra” (Global) – Bartolomeu Campos de Queirós – Literatura Infantojuvenil – 48 páginas. “Carmen – A Grande Pequena Notável” (Zahar) – Heloísa Seixas, Júlia Romeu e Graça Lima – Literatura Infantojuvenil – 40 páginas. “O Pai da Mamãe” (Caixote) - Cristiana Gomes e Odilon Moraes – Literatura Infantojuvenil – 40 páginas. “A Princesa que Mora no Livro” (Estrela Cultural) – Katia Canton e Marilena Saito – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “Ilha” (Kapulana) – Marcelo Jucá - Literatura Infantojuvenil – 28 páginas. “Fala Baixinho” (Boitatá) – Janaína Tokitaka – Literatura Infantojuvenil – 24 páginas. Ficção Estrangeira: “A Odisseia de Penélope” (Rocco) – Margaret Atwood (Canadá) – Romance – 128 páginas. “Um Dor Tão Doce” (Intrínseca) – David Nicholls (Inglaterra) – Romance – 384 páginas. “O Caminho Imperfeito” (Dublinense) – José Luís Peixoto (Portugal) – Romance – 192 páginas. “Minha Sombria Vanessa” (Intrínseca) – Kate Elizabeth Russell (Estados Unidos) – Romance – 432 páginas. “Beleza e Tristeza” (Estação Liberdade) – Yusunari Kawabata (Japão) – Romance – 264 páginas. “Crônica da Rua 513.2” (Kapulana) – João Paulo Borges Coelho (Moçambique) – Romance – 316 páginas. “Tarabas – Um Hóspede Nesta Terra” (Estação Liberdade) – Joseph Roth (Áustria) – Romance – 272 páginas. “A Onda” (Galera) – Todd Strasser (Estados Unidos) – Romance – 160 páginas. “A Casa na Rua Mango” (Dublinense) – Sandra Cisneros (México/Estados Unidos) – Romance - 144 páginas. “Com Toda Franqueza” (Estação Liberdade) – Richard Ford (Estados Unidos) – Romance – 248 páginas. “O Silêncio na Cidade Branca” (Intrínseca) – Eva Garcia Saénz Urturi (Espanha) – Romance – 416 páginas. “Vida à Venda” (Estação Liberdade) – Yukio Mishima (Japão) – Romance – 276 páginas. “Qualityland” (TusQuets) – Marc-Uwe Kling (Alemanha) – Romance – 352 páginas. “Um Outro Brooklyn” (Todavia) – Jacqueline Woodson (Estados Unidos) – Romance – 120 páginas. “Patriotismo” (Autêntica) – Yukio Mishima (Japão) – Novela – 128 páginas. “Anotações de Um Jovem Médico” (Editora 34) – Mikhail Bulgákov (Rússia) – Coletânea de Contos – 216 páginas. “O Grande Livro dos Gatos” (Alfaguara) – Banville, Balzac, Zola, Perrault, Poe, Maupassant, Conan Doyle, Taine, Rudyard, Kipling, Lovecraft, Mark Twain, Edith Nesbit e outros – Coletânea de Contos – 216 páginas. “Super Normal” (Intrínseca) – Greg James e Chris Smith (Inglaterra) – Literatura Infantojuvenil – 336 páginas. “A Convenção das Aves – O Lar da Sra. Peregrine para Crianças Peculiares (Intrínseca) – Ransom Riggs (Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil – 320 páginas. “Clara e o Homem na Janela” (Ameli) – Maria Teresa Andruetto e Martina Trach (Argentina) – Literatura Infantojuvenil – 56 páginas. “Gordon e Tapir” (Martins Fontes) – Sebastian Meschenmoser (Alemanha) – Literatura Infantojuvenil – 56 páginas. “O Dia de Ir e Vir” (Aletria) – Alain Allard e Mariona Cabassa (Suíça/França/Inglaterra/Espanha) – Literatura Infantojuvenil – 40 páginas. “Ninguém é Pequeno Demais para Fazer a Diferença – O Chamado de Greta Thunberg para Salvar o Planeta” (Companhia das Letrinhas) -Jeanette Winter (Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil – 40 páginas. “Como Eu Cheguei Aqui” (Brinque-Book) – Philip Bunting (Inglaterra/Austrália) – Literatura Infantojuvenil – 36 páginas. “Dave, o Monstro Solitário” (Paz e Terra) – Anna Kemp e Sara Ogilvie (Inglaterra) – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “Greta e os Gigantes – Inspirado na Luta de Greta Thunberg para Salvar o Planeta” (Carochinha) – Zoë Tucker e Zoe Persico (Suécia/Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “A Inacreditável História dos Dinossauros” (Brinque-Book) – Guido van Genechten (Bélgica) – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “O Crocodilo que Não Gostava de Água” (Brinque-Book) – Gemma Merino (Espanha/Inglaterra) – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. Poesia Brasileira: “Rio Linguagem” (7 Letras) – Paulo Neves – 176 páginas. “Mais Longa Vida – Poemas” (Record) – Marina Colasanti – 160 páginas. “Ato Poético – Poemas pela Democracia” (Oficina Raquel) – Marcia Tiburi e Luis Maffei – 156 páginas. “Agora (Depois” (Autografia) – Thássio Ferreira – 94 páginas. “O Assassinato da Rosa” (7 Letras) – Paulo Fichtner – 64 páginas. “Um Circo no Nevoeiro” (Moinhos) – Renata Botelho – 48 páginas. “Brasileirinhos da Amazônia – Poesia para os Bichos da Nossa Maior Floresta” (Companhia das Letrinhas) – Lalau e Laurabeatriz - 48 páginas. Poesia Internacional: “Ilíada” (Editora 34) – Homero (Grécia) – 1.048 páginas. “O Romance de Tristão” (Editora 34) – Béroul (França) – 336 páginas. “Antologia da Poesia Clássica Chinesa – Dinastia Tang” (Editora Unesp) – Ricardo Primo e Tan Xiao (China) – 310 páginas. “Eu Destilo Melanina e Mel” (LeYa) – Upile Chisala (Malawi/África do Sul) – 128 páginas. “A Paisagem Correta” (Relicário) – Amir Or (Israel) – 76 páginas. Em agosto, trarei, na coluna Mercado Editorial, os lançamentos de julho e agosto, o quarto bimestre do ano. Até mais! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
















