• Marcela Bonacorci

Dança: Dançarinas Históricas - Anna Pavlova

Acompanhe a trajetória de vida, as realizações e o legado artístico de Anna Pavlova, a mais importante bailarina russa da história.

Dançarinas Históricas - Anna Pavlova

Em março, comecei na coluna Dança a série Dançarinas Históricas. A ideia é comentar, nessa coletânea de posts, a trajetória de vida, os feitos, as inovações e as contribuições artísticas das mulheres mais marcantes da dança. Naquele momento, o mês do Dia Internacional da Mulher, apresentei detalhes da vida e da carreira de Isadora Duncan, uma dançarina revolucionária e pioneira da Dança Moderna.


Hoje, retorno ao Bonas Histórias para dar sequência à série. Dessa vez, a dançarina célebre que será analisada é Anna Pavlova, a mais importante bailarina russa de todos os tempos. É impossível falar da dança no século XX e do Ballet sem dedicar alguns capítulos especiais a Pavlova.


Anna Matveievna Pavlova nasceu em São Petersburgo, em 12 de fevereiro de 1881. Ela já teve o nome mencionado aqui na coluna Dança. No post sobre o Ballet Clássico – História, curiosidades e características, eu a citei algumas vezes. Anna era filha única e praticamente foi educada apenas pela mãe, pois aos dois anos de idade seu pai faleceu. Sua infância foi simples e humilde. Somente aos oito anos, ela teve a oportunidade de ir, pela primeira vez, a um teatro. Esse dia mudaria para sempre a vida de Anna Pavlova. Sua mãe quis fazer uma surpresa e, como presente de aniversário, a levou para assistir a “A Bela Adormecida” no Teatro Mariinsky. A menina ficou tão maravilhada com o espetáculo de Ballet que não pensava em mais nada além de se dedicar a dança. Seu sonho passou a ser o Ballet. Ela queria estar em cima do palco se apresentando para as plateias.

Anna Pavlova, maior bailarina russa da história.

Anna Pavlova foi imediatamente atrás de seu sonho. E alguns dias depois de sua ida ao teatro, ela buscou uma escola de Ballet. Tentou ingressar na Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, mas foi rejeitada. Aos oito anos de idade, ela era considerada muito nova e de baixa estatura para poder iniciar os estudos na dança. Porém, Anna não desistiu. E aos dez anos, voltou para tentar uma vaga na mesma instituição. Dessa vez, não apenas foi aceita, como também teve seu talento precoce reconhecido. Anna concluiu sua formação aos 18 anos, em 1899, e entrou para o Ballet Imperial Russo. Coincidentemente, a companhia tinha como seu palco principal o Teatro Mariinsky, onde o sonho da jovem dançarina nasceu.


Em 1906, Anna Pavlova se tornou prima ballerina, a primeira bailarina de sua companhia. Esse título é muito difícil de ser conquistado – apenas as bailarinas mais brilhantes e diferenciadas conseguem alcançá-lo. Ser uma prima ballerina representa se tornar a bailarina mais importante e com os papéis centrais das peças daquela companhia. A partir desse momento, Anna Pavlova começou a escrever de fato seu nome na História do Ballet. Sua trajetória foi curta, mas intensa. Ao longo de 15 anos, a russa fez apresentações por diversos países e em mais de quatro mil cidades.


Sua peça mais famosa é “A Morte do Cisne”. Para quem conhece um pouco de Ballet, com certeza já ouviu falar dessa obra-prima da dança. O que poucos sabem é que “A Morte do Cisne” foi escrito para a própria Anna Pavlova. Anna inclusive tinha como bicho de estimação um cisne. Esse espetáculo foi escrito, em 1905, pelo mestre de Anna, o russo Mikhail Fokine. A música era “O Cisne”, do francês Camille Saint-Saëns. Esse é simplesmente o solo de Ballet mais famoso do mundo. Anna Pavlova deixou sua marca nessa obra ao interpretá-la com dramaticidade, força e expressividade. Estava, assim, criado um estilo marcante e inconfundível de dançar, que influenciaria gerações e gerações de bailarinas.

Anna Pavlova – Dançarinas Históricas

Sem dúvida nenhuma, Anna Pavlova foi responsável por inspirar muitas bailarinas na Rússia e em todas as partes do mundo. Ela viajou por muitos países e com isso pôde disseminar essa arte pela Europa, América e Ásia. Ela esteve aqui no Brasil por diversas vezes. Em 1918, se apresentou no Teatro da Paz, em Belém do Pará, e na década de 1920, subiu aos palcos dos teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro.


Graças à Anna Pavlova, o Ballet passou por sensíveis modificações. A russa foi a responsável por transformar direta ou indiretamente vários aspectos dessa dança: a forma de se expressar no palco, as exigências físicas dos corpos dos dançarinos e o figurino usado nos espetáculos. Anna tinha uma aparência delicada e graciosa. Com um corpo magro e com uma estatura pequena, ela se contrapunha ao estereótipo das bailarinas de então, que eram mulheres altas, fortes e musculosas.


Anna valorizava e respeitava as técnicas da dança impostas na época. Sua performance era, inclusive, brilhante, executada sempre com maestria. Porém, ela ia muito além da mera execução dos passos e dos movimentos programados. A russa entregava-se literalmente de corpo e alma às suas atuações. Dessa forma, costumava deixar cravada sua personalidade e sua expressividade dramática em cada apresentação. Até então, o que se esperava de uma bailarina era uma atuação mais discreta, sóbria, em que apenas a técnica podia se destacar no palco. Com atuações evidentemente mais calorosas, Anna Pavlova revolucionou o Ballet Clássico. Com movimentos tecnicamente perfeitos e uma expressividade até ali nunca vista nos espetáculos, ela mostrou que as almas dos artistas não podiam ficar reprimidas dentro dos corpos.


Por iniciativa de Pavlova, as sapatilhas de ponta também sofreram modificações. Ou seja, os bailarinos contemporâneos devem agradecer à russa pelo tipo de calçado que possuem hoje em dia. Ela inovou ao inserir um reforço de couro nas sapatilhas. Assim, conseguiu minimizar os estresses nos dedos e facilitou os movimentos que precisavam ser executados na ponta. Na época, essa inovação não foi bem-vista pelos dançarinos. Afinal, essas mudanças deixavam as sapatilhas com uma base mais larga, o que ia contra o aspecto romântico de se dançar nas pontas de pés finos e delicados. Porém, o tempo foi o responsável por mostrar que Anna Pavlova tinha razão. Atualmente, o tipo de sapatilha que ela concebeu é o padrão usado pelos bailarinos do mundo inteiro.

Anna Pavlova – Ballet Clássico

Em 1931, aos 49 anos, no auge de sua notoriedade como bailarina clássica, Anna Pavlova morreu de pneumonia. Voltando para a Holanda, depois de uma turnê pela Europa, o trem em que a russa estava se descarrilou. Ela resolveu sair para ver o que tinha acontecido no lado de fora sem se preocupar com as roupas que estava usando. O frio era intenso e ela vestia apenas roupas leves. Como consequência, a dançarina pegou uma forte pneumonia. Dias mais tarde, os médicos queriam operá-la, mas ela sabendo que depois ficaria impossibilitada de dançar, rejeitou a intervenção cirúrgica. Só a morte poderia separá-la da dança. Então, Anna fez seu último pedido. Mesmo debilitada, ela queria vestir o traje de “A Morte do Cisne” e executar o último compasso do seu espetáculo mais famoso. Seu desejo foi atendido. E um dia depois de sua morte, a orquestra tocou “O Cisne” para um palco vazio.


E vamos a mais uma curiosidade: você já degustou a sobremesa Pavlova? Esse é um bolo com base de merengue, crocante por fora e macio por dentro e coberto com frutas geralmente vermelhas. Esse doce foi criado especialmente para Anna Pavlova. Dizem que ele teria sido inventado depois de uma visita da dançarina russa à Nova Zelândia. O merengue representa o tutu do figurino de Ballet, com suas ondas e movimento, e as frutas fazem o papel da dança intensa e expressiva. Incrível, né?


No mês que vem, retornarei à coluna Dança para apresentar a história, as características e os benefícios da Dança Solta, uma das modalidades que mais gosto. Um novo capítulo da série Dançarinas Históricas será disponibilizado no Bonas Histórias apenas em outubro. No novo post dessa série, trarei detalhes da vida e da carreira de Martha Graham, bailarina e coreógrafa norte-americana conhecida como a Mãe da Dança Moderna. Nos vemos em setembro!


Dança é a coluna de Marcela Bonacorci, dançarina, coreógrafa, professora e diretora artística da Dança & Expressão. Esta seção do Bonas Histórias apresenta mensalmente as novidades do universo dançante. Gostou deste conteúdo? Não se esqueça de deixar seu comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre este tema, clique na coluna Dança. E aproveite também para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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