• Marcela Bonacorci

Dança: Dançarinas Históricas - Isadora Duncan

Conheça a trajetória profissional e pessoal de Isadora Duncan, uma das pioneiras da Dança Moderna.

Dançarinas Históricas - Isadora Duncan

A coluna Dança aproveita a celebração do mês das mulheres (8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher) para iniciar a homenagem a quatro das mais importantes dançarinas da história. Na seleta lista de personalidades femininas que revolucionaram a arte dançante, coloco Isadora Duncan, Anna Pavlova, Martha Graham e Márcia Haydée como figuras de destaque. Cada uma dessas mulheres teve papel decisivo para a consolidação da dança como uma prática moderna, expressiva/passional e libertária. E seus trabalhos serão analisados no Bonas Histórias em 2021. Impossível não nos emocionarmos com a dedicação, a paixão e o pioneirismo dessas dançarinas inesquecíveis.


No post de hoje da coluna Dança, vamos conhecer o legado artístico e a trajetória pessoal de Isadora Duncan, uma das pioneiras da Dança Moderna. Os textos sobre Anna Pavlova, Martha Graham e Márcia Haydée serão postados, respectivamente, em agosto, outubro e dezembro desse ano. Sou suspeita para falar, mas o conteúdo abordando as principais dançarinas de todos os tempos percorre uma das páginas mais emocionantes da história da dança no século XX.


Isadora Duncan, nome artístico de Dora Angela Duncanon, nasceu em São Francisco, Califórnia, em 26 de maio de 1877. Você deve se lembrar dela. Eu já a citei na coluna Dança, mais especificamente no post Dança Moderna e Dança Contemporânea - Surgimento e características. Duncan foi muito importante para a dança na primeira metade do século XX. Entre outros feitos, ela é uma das pioneiras da Dança Moderna e é até hoje uma das principais dançarinas da história.

Isadora Duncan, dançarina pioneira da Dança Moderna

Desde muito pequena, Isadora Duncan praticava assiduamente a arte dançante. Filha da pianista e professora de música Dora Gray Duncanon e do poeta Joseph Charles, a pequena Isadora dançava enquanto a mãe tocava piano. E assim, com apenas seis anos de idade, ela já ensinava as crianças de sua idade as práticas de vários passos dançantes. Com o passar dos anos, Isadora Duncan largou os estudos formais para se dedicar exclusivamente à carreira de dançarina. Ela foi coreógrafa, bailarina e professora.


Com muita personalidade, a adolescente Duncan se apresentava nos palcos norte-americanos. Nesses espetáculos, ela quebrava grande parte dos rígidos padrões que vigoravam na dança da época. Precisando apenas de um palco e de uma cortina, Isadora Duncan bailava descalça e vestindo apenas uma túnica leve. Contudo, seu estilo revolucionário não agradou ao conservador público dos Estados Unidos. Seus conterrâneos nunca viram com bons olhos as inovações trazidas pela jovem dançarina.


Assim, aos 17 anos, Isadora se mudou para a Europa com a família. Ela partiu em busca do reconhecimento artístico e da valorização do seu jeito peculiar de dançar. No velho continente, ela fez diversas apresentações. Contudo, o estrelato seria alcançado em Paris. Aos 21 anos, Duncan se tornou estrela de primeira grandeza da dança assim que estreou no Teatro Sarah Bemhardt. Enfim, o público reconhecia e aplaudia suas ousadias estéticas.

Isadora Duncan, dançarina de Dança Moderna

Isadora Duncan fundou, tempos mais tarde, sua primeira escola de dança. Destinada às crianças carentes, a companhia ficava no subúrbio de Berlim. O objetivo da escola era educar através da arte. Ainda na Alemanha, a norte-americana foi convidada por Cosima Wagner, a segunda esposa do compositor Richard Wagner, a coreografar e a interpretar o “Bacanal de Tannhauser” no Festival de Bayreuth. O sucesso foi retumbante.


Na Rússia, Duncan montou sua segunda escola. Em 1905, em Moscou, ela teve contato com os mais renomados artistas e pesquisadores do Império Russo, então a capital mundial da dança. A forma de dançar da californiana logo chamou a atenção das bailarinas russas do porte de Anna Pavlova (que falaremos mais a seguir) e Matilde Kschessinska. Alguns compositores de Ballet, como Igor Stravinsky, também ficaram encantados com sua proposta artística.


Isadora Duncan foi responsável por criar um estilo de dança revolucionário. Ela quebrou os rígidos padrões da época. Por exemplo, em contraponto ao penteado das dançarinas clássicas, sempre com cabelos presos com um coque, ela dançava de cabelos soltos. Sem as vestimentas exigidas pelo Ballet, sapatilhas e vestidos formais, a norte-americana se apresentava descalça e com figurinos leves e inspirados na Grécia Antiga. Sua dança não exigia tanta técnica nem se prendia aos movimentos tradicionais. Com um jeito espontâneo, Duncan buscava incorporar em sua dança vários movimentos do cotidiano, como andar, correr e saltar.


Curiosamente, a leveza e a alegria da dança de Isadora Duncan contrastavam com a dureza e a tristeza que marcaram sua trajetória pessoal. Ela teve o primeiro filho com o coreografo inglês Edward Henry Gordon Graig. O segundo filho veio do segundo casamento, com o milionário francês Eugéne Singer. Em 1913, as duas crianças morreram quando o carro em que estavam caiu no rio Sena. Abalada, Isadora ficou afastada da dança e dos palcos por um bom tempo. Em 1922, a norte-americana casou-se pela terceira vez, agora com o poeta soviético Serguei Iessienin. Três anos depois do matrimônio, ele se suicidou.

Isadora Duncan - Dança Moderna

Depois dessa nova catástrofe, Isadora se mudou para a França. E em setembro de 1927, foi a vez da própria dançarina morrer em uma tragédia. Ela estava viajando em um carro com a capota aberta e em alta velocidade pela Riviera Francesa quando sua echarpe, que trazia no pescoço, se enrolou em uma das rodas do carro. Isadora Duncan morreu estrangulada. Esse fim trágico não apagou o legado de Duncan para a dança e para a Dança Moderna. Prova disso é que seu nome se mantém na memória dos dançarinos e das dançarinas do mundo inteiro como uma das figuras mais revolucionárias dessa arte.


Espero que essa singela homenagem à Isadora Duncan sirva de inspiração para todos que desejam se lançar na dança. Se não iremos fazer parte da história da dança como Duncan, Anna Pavlova, Martha Graham e Márcia Haydée, ao menos nós podemos deixar que a dança faça parte da nossa história pessoal. A vida dessas artistas já é por si só uma grande inspiração para que comecemos a dançar agora mesmo, não é?


Para finalizar este post da coluna Dança, deixo aqui uma frase do nosso poeta e escritor Augusto Branco: “Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança. Mas a paixão que vai na alma de quem dança”. Um maravilhoso mês das mulheres para todos e até a próxima!


Dança é a coluna de Marcela Bonacorci, dançarina, coreógrafa, professora e diretora artística da Dança & Expressão. Esta seção do Bonas Histórias apresenta mensalmente as novidades do universo dançante. Gostou deste conteúdo? Não se esqueça de deixar seu comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre este tema, clique na coluna Dança. Para conferir os posts sobre as datas comemorativas, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite também para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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