• Ricardo Bonacorci

Dança: Forró - As origens, a história e as características do ritmo pernambucano

Essa é a homenagem da coluna Dança ao Dia Nacional do Forró, comemorado em 13 de dezembro.

Forró - origens, história e características da dança e da música

Hoje é dia de comemoração! Em 13 de dezembro, celebra-se o Dia Nacional do Forró. E a coluna Dança não poderia deixar essa data passar em branco. Por isso, vamos antecipar as homenagens a esse ritmo genuinamente brasileiro. A ideia é contar, nesse novo post do Bonas Histórias, as origens, a história, a evolução, as características, as curiosidades e as variações do Forró. É mais ou menos o que já fizemos com o Frevo, a Dança Solta, a Dança de Salão, o Ballet Clássico e a Dança Moderna e Contemporânea.


E para quem pensa que o Forró se limita à dança e à música, já adianto que esse gênero é uma manifestação artístico-cultural muito mais ampla. Ele designa um tipo de festa muito popular no Nordeste brasileiro. O ritmo contagiante e animado desse evento acabou conquistando o país de Norte a Sul ao ponto de podermos dizer atualmente que ele tem uma abrangência nacional (quiçá internacional).


A origem do Forró se deu, em Pernambuco, nos anos 1930. Porém, foi só vinte anos mais tarde, na década de 1950, que ele se popularizou realmente. O responsável por isso foi o compositor e cantor Luiz Gonzaga (1912–1989). Ele gravou, em 1949, a música “Forró de Mané Vito” que fez grande sucesso no Nordeste inteiro. Foi Luiz Gonzaga quem caracterizou o estilo musical formado pelo trio de instrumentos sanfona, zabumba e triângulo. Nascia, ali, o Forró como conhecemos hoje.


O “Rei do Baião”, como Gonzaga era chamado popularmente, foi tão importante para a história desse ritmo que a escolha para a data do Dia Nacional do Forró, instituído em 2005, foi feita para homenageá-lo. Afinal, 13 de dezembro é nada mais, nada menos do que o dia de nascimento do músico.

Luiz Gonzaga - Forró

O reconhecimento desse gênero pelo restante do Brasil, no entanto, viria só nas décadas de 1960 e 1970. Com a migração nordestina para várias regiões do país, o Forró foi sendo disseminado e ganhando mais popularidade nos demais territórios da nação. Dessa maneira, esse estilo passou a integrar a programação das rádios e a atrair o interesse comercial das gravadoras nos principais centros urbanos brasileiros.


A história do Forró é marcada, obviamente, muito pela cultura nordestina, seja na origem do nome, nas letras das canções e até na forma de se dançar. As composições eram inicialmente inspiradas no modo de vida do povo dessa região do país. As letras das músicas retratavam os hábitos, as alegrias, o cotidiano, os amores e as lembranças da terra natal dos nordestinos.


A origem do nome Forró tem duas versões, mas nenhuma delas tem comprovação assegurada. A versão mais aceita pelos historiadores é aquela que diz que o termo Forró é uma derivação da palavra africana “forrobodó”, que significa festa, farra, confusão. No final do século XIX, com a influência dos negros vindos da África, as festas populares no Nordeste eram chamadas de “forrobodó”, “forrobodança” e “forrobodão”.


A outra versão, mais popular, é que o nome Forró teria se originado a partir de uma expressão inglesa. No início do século XX, engenheiros britânicos foram para Pernambuco para construir a ferrovia Great Western. Eles promoviam festas que muitas vezes eram abertas para a população local. E para anunciar que o evento era para todos, os ingleses colocavam placas na entrada escritas “for all”. A pronúncia arrastada em português desse termo teria levado ao Forró. A Enciclopédia da Música Brasileira afirma, no entanto, que essa palavra já era utilizada no final do século XIX, fortalecendo, assim, a primeira teoria – Forró teria surgido de “forrobodó” e não de “for all”.

Forró - festa, música e dança

Os bailes de Forró dessa época eram realizados em espaços com o chão batido, sem revestimento. Para diminuir a poeira levantada enquanto se dançava, o chão era molhado antes do baile começar e os dançarinos arrastavam os pés. Com isso, a dança do Forró também passou a ser chamada de Rastapé ou Arrasta-pé.


O Forró tradicional, também conhecido como Forró-pé-de-serra, reúne gêneros como Baião, Xote e Xaxado. O Baião teve origem no Lundu Africano e nas danças indígenas. Era cantado por violeiros e por bandas do interior nordestino. O Xote, por sua vez, teve influência europeia. Ele é uma dança parecida à Polca, mas de ritmo mais lento. Já o Xaxado teria se originado no Cangaço. Como não havia mulheres junto aos cangaceiros, ele era uma dança estritamente masculina e realizada com coreografias em linha, sem par.


É importante dizer que todos esses gêneros têm em comum a base instrumental do Forró – a utilização da sanfona, do triângulo e da zabumba. Os maiores representantes do Forró-pé-de-serra são: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro (1919–1982), Dominguinhos (1941–2013), Sivuca (1930–2006) e Marinês (1935–2007).


O Forró sofreu modificações ao longo de sua história. Podemos dizer que o Forró tradicional, aquele lá dos anos 1930, representou a primeira fase do gênero. Ele acabou perdendo força e apelo popular com a chegada da Bossa Nova e das músicas internacionais.


Foi em 1975 que esse ritmo ganhou um novo significado, o que lhe fez ganhar ainda mais notoriedade. Nessa época, começou um processo de revalorização da música brasileira. O Forró adquiriu uma nova roupagem com a introdução de instrumentos eletrônicos como a guitarra, o baixo, o teclado e a bateria. Esses novos instrumentos passaram a conviver com a zabumba, a sanfona e o triângulo. Assim, o Pop e o Rock foram incorporados ao Forró tradicional. Começava, então, a segunda fase do Forró, conhecida como Forró Universitário. O nome se deu porque os primeiros grandes consumidores dessa nova versão eram os estudantes das universidades.

Dança Forró

Por falar nisso, os jovens foram os grandes responsáveis por trazer uma temática mais urbana ao Forró. Nessa nova fase, destacam-se cantores e bandas como Alceu Valença (1945), Trio Nordestino, Zé Ramalho (1949) e Elba Ramalho (1951). No final da década de 1990, surgiram bandas que ajudaram a divulgar e a promover o gênero nas grandes metrópoles. Dessa geração, destacam-se grupos como Falamansa, Forroçacana, Rastapé, Trio Forrozão, Raiz do Sana e Bicho de Pé. Duvido que alguém com o mínimo de intimidade com a música nacional não conheça pelo menos uma dessas bandas.


Ainda nos anos 1990, teve início a terceira fase do Forró. Conhecida como Forró Eletrônico, essa variação usa mais intensamente os instrumentos eletrônicos, que ganharam mais destaque em detrimento à zabumba, que perdeu sua utilização e acabou retirada das músicas. As bandas que representam essa nova fase são: Mastruz com Leite, Magníficos, Calcinha Preta e Aviões do Forró.


O Forró é um dos ritmos da Dança de Salão, modalidade praticada essencialmente em casal. Desde os anos 1990, ele ganhou muito destaque e passou a ser uma das danças preferidas do público. Por ser um ritmo muito animado e contagiante, o Forró ganha muitos adeptos e é o queridinho dos brasileiros até hoje. Essa dança é caracterizada por movimentos simples, em que o casal dança próximo e abraçado, e por giros e desenhos de braço, quando o par está um pouco afastado.


Para quem quer iniciar na Dança de Salão e não sabe por qual ritmo começar, o Forró é uma excelente opção. Seus movimentos são mais fáceis, ele é um ritmo alegre e é muito fácil encontrar lugares para sair para dançar esse estilo em todas as regiões do país. Aqui o básico dois para lá, dois para cá faz todo o sentido. Com esse movimento já dá para começar a dançar e a se divertir ao som contagiante do Forró.


No vídeo, a seguir, eu ensino um passo inicial de Forró. Confira:

Para terminar o post de hoje da coluna Dança, deixo aqui uma fala de Tato Cruz (1978), vocalista e compositor do Falamansa. Suas palavras resumem bem a história e a importância do Forró: “A influência de Luiz Gonzaga que era regional, hoje é nacional. Até a MPB se inspira um pouco no Forró”.


Comemoremos o dia 13 de dezembro com um bom Forrobodó. E até o mês que vem com muito mais dança!


Dança é a coluna de Marcela Bonacorci, dançarina, coreógrafa, professora e diretora artística da Dança & Expressão. Esta seção do Bonas Histórias apresenta mensalmente as novidades do universo dançante. Gostou deste conteúdo? Não se esqueça de deixar seu comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre este tema, clique na coluna Dança. E aproveite também para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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