Recomendações: Livros – Melhores Leituras do 1º Semestre de 2026
- Ricardo Bonacorci

- há 2 dias
- 9 min de leitura
Veja quais foram as obras literárias mais relevantes que analisamos na primeira metade do ano.

Terminaremos, hoje, a Retrospectiva do Bonas Histórias. No caso, a retrospectiva semestral. Nas últimas semanas, a coluna Recomendações já trouxe dois rankings: as melhores exposições conferidas de janeiro a junho de 2026 e os melhores filmes vistos tanto no cinema quanto no streaming nesse mesmíssimo período. Os vencedores foram, respectivamente, “Imbuídos das Forças das Florestas do Japão – Mestres da Carpintaria: Habilidade e Espírito”, mostra que ficou em cartaz no Japan House entre novembro de 2025 e abril de 2026, e “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” (Hamnet: 2025), drama histórico de Chloé Zhao que estreou no circuito comercial de cinema em janeiro.
Agora a bola da vez é a literatura, senhoras e senhores. A proposta aqui é hierarquizarmos as obras literárias que foram analisadas na primeira metade do ano. Entre os livros que tivemos o privilégio de conhecer nos seis meses iniciais de 2026, quais foram os que se destacaram positivamente e que mereceram entrar na nossa lista de excelência semestral, hein? Basicamente, este post tem a função de compartilhar com os leitores do Bonas Histórias as leituras que consideramos mais relevantes e que, por consequência, indicamos com conhecimento de causa. Estão procurando boas publicações para ler? Então, fiquem ligados na nossa lista de sugestões que vocês não vão se arrepender.
Para formular nosso ranking literário, avaliamos pouco mais de três dezenas de livros. A média foi ligeiramente superior a uma obra analisada por semana. Nesta coletânea semestral, há títulos ficcionais (romances, novelas, coletâneas de contos e crônicas, infantojuvenis e infantis) e não ficcionais (biografias, publicações sobre Teoria Literária, História, Psicologia, Fotografia e Administração de Empresas e obras religiosas e de autoajuda). Vamos combinar que se trata de uma amostragem bem variada, indo da literatura brasileira à literatura internacional. Também passamos da literatura clássica à literatura contemporânea e da literatura para o público adulto à literatura para o público mirim.

Infelizmente, não consigo apresentar com o devido detalhamento, na coluna Livros – Crítica Literária, todos os títulos ficcionais que li. Lá, acabo analisando apenas as publicações que considerei mais impactantes no mês. O alcance das demais colunas literárias do blog (Desafio Literário, Teoria Literária, Talk Show Literário, Contos & Crônicas e Mercado Editorial) também é limitado. Assim, o espaço para relatar as outras boas obras que conhecemos é na coluna Recomendações.
Começarei essa atividade, portanto, mostrando o Top 5 das leituras mais relevantes da primeira metade de 2026. Veja, por gentileza, se vocês conhecem alguns desses livros, se já os leram e/ou se compartilham do meu gosto. Aí vai o quinteto de obras ficcionais e não ficcionais que terminou o semestre no alto do nosso ranking literário!
5º Lugar: O Silêncio dos Inocentes – Thomas Harris (Estados Unidos) – Record – Literatura Ficcional/Romance – 1988 – 360 páginas.

Sei que esse é um livro antigo, com quase quatro décadas desde o lançamento nos Estados Unidos. Confesso que já assisti algumas vezes à sua adaptação cinematográfica, que, por sinal, é brilhante. Mesmo assim, quando a nova edição brasileira de “O Silêncio dos Inocentes” (Record), clássico do suspense policial de Thomas Harris, caiu em minhas mãos, não resisti e o li por recreação no último final de semana de março. Que excelente experiência literária obtive! E olha que me recordava de boa parte de sua história. Fico imaginando a receptividade dos leitores que não têm qualquer ciência sobre esta trama de Harris. Certamente, eles vão ficar maravilhados.
Em “Silêncio dos Inocentes”, Clarice Starling, uma jovem agente do FBI ainda em formação, é escalada para interrogar Hannibal Lecter, um dos mais perigosos prisioneiros do país. Lecter é um psiquiatra ao mesmo tempo inteligentíssimo e sanguinário, que foi condenado a prisão perpétua e vive sob rigorosos protocolos de segurança no Presídio de Baltimore. A questão é que ele é o único capaz de ajudar a polícia a identificar o serial killer que já matou várias mulheres. Cabe a Starling convencer a Hannibal Lecter a contribuir com as investigações. Será que ela irá amolecer o coração do velho psicopata?
O que mais gostei dessa leitura foi a maneira magistral como Thomas Harris narra a história. Não por acaso, esse livro se tornou um clássico da literatura norte-americana e influenciou vários escritores de thrillers e dos romances policiais dali para frente. Adoro conhecer os autores responsáveis pelas inovações que, depois, se tornam disseminadas nas artes, ganhando ares de banalidade. Juro que fiquei com vontade de ler toda a série literária sobre Clarice Starling e Hannibal Lecter, dois personagens emblemáticos da literatura contemporânea. Até porque, vale a menção, a nova edição da Record para a famosa saga de Harris está lindíssima.
4º Lugar: Para Ler Como Um Escritor – Francine Prose (Estados Unidos) – Zahar – Memórias e Não Ficção/Técnicas literárias – 2006 – 328 páginas.

Além de ser crítico literário e cultural, papel que exerço no Bonas Histórias, também trabalho como escritor (do tipo ghostwriter) na EV Publicações e como redator (ou, se preferir, como produtor de conteúdo textual) na Epifania Comunicação Integrada. Visando meu aperfeiçoamento profissional, estou sempre lendo livros que tratem do processo de Escrita Criativa e do ofício de autor ficcional. Como consequência, depois da estante dos romances, a parte da minha biblioteca particular que é mais robusta é justamente aquela voltada aos títulos da Teoria Literária e do Fazer Literário.
Estou falando sobre isso porque, no começo de maio, (re)li “Para Ler Como Um Escritor” (Zahar), obra não ficcional de Francine Prose, romancista norte-americana, crítica literária e professora de oficinas literárias, que se propõe a dialogar com seus colegas de profissão. Misturando dicas literárias, debate sobre elementos da narrativa ficcional, sugestão de recursos textuais, análise de clássicos literários e relatos autobiográficos, Prose guia os leitores pelos encantadores labirintos da arte da escrita. Esse é um daqueles livros que nos fazem ficar presos às suas páginas. Se você é apaixonado por Literatura, saiba que não tem como não gostar da leitura de “Para Ler Como Um Escritor”.
Os únicos elementos que podem incomodar os leitores brasileiros são o excesso de citações de obras e autores norte-americanos e russos (nem todos estão em nossas listas de leituras habituais) e a encheção de linguiça da edição nacional (que deu espaço demais para o posfácio de Italo Moriconi, que emulou a autora estrangeira numa tentativa de abrasileirar o conteúdo desta publicação). É aquele velho lance: comprei um livro de Francine Prose e recebi dezenas e dezenas de páginas de outro autor. Não dá para não se incomodar com isso, né? Se não fossem esses problemas, acredito que “Para Ler Como Um Escritor” teria ficado numa parte mais alta do pódio das melhores leituras do semestre.
3º Lugar: Pantanal: Um Patrimônio Natural e Sua Cultura – Ricardo Martins (Brasil) – Queen Books – Não Ficção/Ensaio Fotográfico – 2021 – 204 páginas.

Provando que minhas leituras são bem ecléticas, trago para a terceira posição do ranking semestral do Bonas Histórias um ensaio fotográfico primoroso. A obra em questão é “Pantanal: Um Patrimônio Natural e Sua Cultura” (Queen Books), de Ricardo Martins, um dos principais fotógrafos e documentaristas de natureza do Brasil. Além do Pantanal, ele já fez expedições pela Amazônia, pela Mata Atlântica e pela Serra da Mantiqueira, que resultaram em acervos visuais e conhecimento cultural sobre tais regiões.
Em “Pantanal”, Martins apresenta a savana alagada no centro da América do Sul logo após as queimadas históricas de 2020 e a seca recorde de 2021. Contudo, seu ensaio fotográfico não possui apenas o tom de denúncia ecológica. O livro mostra o poder de regeneração da fauna e da flora e a força cultural do Pantanal brasileiro. Em meio à riqueza natural e ao sobe e desce das águas do rio, a sociedade pantaneira possui raízes que a tornaram única e extremamente vibrante.
Infelizmente, a parte textual de “Pantanal” não é tão brilhante quanto as imagens captadas por Ricardo Martins. Afinal, estamos falando de um ensaio fotográfico (de altíssima qualidade) e não de um ensaio cultural, né? De qualquer maneira, os textos dos capítulos ajudam o leitor a caminhar pelos elementos visuais desta publicação com o mínimo de informação e conhecimento para percorrer essa expedição pantaneira. Prepare-se para conferir fotos de tirar o fôlego de um dos pedaços mais lindos do país!
2º Lugar: Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil – Leandro Narlock (Brasil) – LeYa – Não Ficção/História do Brasil – 2009 – 368 páginas.

Estava com vontade de ler “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” (LeYa), do jornalista Leandro Narlock, há quase quinze anos. Best-seller nacional na década passada, esta publicação de 2009 deu origem a uma aclamada e bem-sucedida série literária. “Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina”, de 2011, “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”, de 2013, e Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira”, de 2015, tiveram o próprio Narlock como autor. Outros títulos desta coletânea foram lançados por diferentes escritores. São os casos de “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”, de 2012, “Guia Politicamente Incorreto do Sexo”, de 2015, e “Guia Politicamente Incorreto do Futebol”, de 2016.
Essa lista só comprova o sucesso que foi “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”. Nesta obra pioneira, que só agora consegui ler com a devida atenção, Leandro Narlock apresenta versões alternativas e polêmicas do passado do nosso país. Usando estudos acadêmicos e recortes revisionistas de profissionais renomados, ele desconstrói consensos históricos tradicionais como: o heroísmo do Zumbi dos Palmares na luta abolicionista; o mito romântico de que os indígenas viviam em harmonia com a natureza e entre si; as causas verdadeiras da Guerra do Paraguai; o papel menos caricato da família imperial luso-brasileira; e o pioneirismo de Santos Dummont na aviação, a eterna disputa com os Irmãos Wright. Sem dúvida, essa obra é fenomenal.
Percorri as páginas de “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” sem qualquer preconceito. E admito, um pouco envergonhado, que adorei seu conteúdo. Essa é uma das obras mais surpreendentes e inteligentes sobre História que pude conhecer nos últimos anos, independentemente do perfil de seu autor. Digo isso porque, recentemente, Narlock foi cancelado pelos absurdos que propagou pela imprensa. Não sei se ele falou besteira só para voltar ao papel de destaque na mídia como “o senhor politicamente incorreto do Brasil” ou se realmente foi envenenado pelas bizarrices da extrema direita. O que posso garantir é que não tenho receio de ler livros por causa da má fama de seus escritores. E, uma vez que goste da obra, falo bem dela, mesmo possuindo divergências ideológicas com seus autores.
1º Lugar: Jantar Secreto – Raphael Montes (Brasil) – Companhia das Letras – Literatura Ficcional/Romance – 2016 – 368 páginas.
Chegamos, enfim, à melhor leitura deste semestre, senhoras e senhores. Não foi nada difícil apontar o título que encabeçaria o post de hoje da coluna Recomendações. Assim que li, em janeiro, “Jantar Secreto” (Companhia das Letras), o terceiro romance de Raphael Montes que está completando em 2026 dez anos de seu lançamento, senti que não teria melhor experiência literária nos cinco meses seguintes. Inclusive, acho que comentei essa questão na análise sobre a obra na coluna Livros – Crítica Literária. Desde já um clássico da literatura brasileira contemporânea, “Jantar Secreto” é a prova cabal de que Montes é atualmente um dos melhores escritores nacionais de suspense e terror. Até aqui, não li nenhuma publicação dele que não fosse ótima.
Neste romance, conhecemos o drama de um grupo de amigos que deixaram o interior do Paraná para fazer faculdade no Rio de Janeiro. Dante (estudante de Administração de Empresas), Miguel (estudante de Medicina), Victor Hugo (estudante de Gastronomia) e Leitão (estudante de Ciências da Computação), todos na faixa entre 18 e 20 anos, sempre se mostraram muito unidos. Afinal, o desafio de ser bem-sucedido na capital fluminense não é uma tarefa fácil, principalmente para quem vem de fora. Assim, os amigos repartiram as despesas na República alugada na Zona Sul carioca e compartilharam as descobertas de entrar na vida adulta.
O plano deles ia relativamente bem até a crise econômica de 2015, que atingiu o país e, de maneira mais intensa, o Rio de Janeiro. Sem dinheiro para pagar as contas básicas, o grupo acabou metido num esquema criminoso. Se por um lado o empreendimento culinário clandestino e antiético gerava receitas milionárias, por outro esbarrava em velhos tabus sociais. A partir daí, a amizade de Dante, Miguel, Victor Hugo e Leitão foi colocada à prova. Com a desunião e os problemas com a polícia, o prognóstico não era dos mais favoráveis para o quarteto de amigos paranaenses.
Com aproximadamente 250 mil unidades vendidas, “Jantar Secreto” é um enorme sucesso comercial até hoje em nossas livrarias. Conforme apresentado no post sobre os títulos mais vendidos no ano passado em nosso país, este romance de Raphael Montes segue sendo muito procurado pelos leitores nacionais. O motivo, acredito eu, é uma trama redonda, uma história horripilante (e original) e fortes críticas sociais, que se mantém extremamente atuais uma década mais tarde. Esse livro não foi apenas o melhor que li até agora em 2026 como foi um dos mais brilhantes que tive a felicidade de conhecer nos últimos anos. Montes é realmente um escritor de mão cheia e merece ser reverenciado pela crítica e pelo público leitor.
Para quem deseja conhecer os demais livros que me encantaram recentemente, aí vai também o Top 10 das minhas leituras preferidas do primeiro semestre de 2026. Quando analisamos a lista de maneira mais abrangente, conseguimos notar a pluralidade de títulos analisados. É curioso falar sobre isso, mas há romances, obras de História do Brasil, ensaios fotográficos, publicações sobre o ofício literário, livros técnicos sobre psicologia, literatura infantil e literatura infantojuvenil. O ponto negativo foi a pouca variedade geográfica. Entre os melhores, só tivemos autores brasileiros e cujo idioma é o inglês. Veja, a seguir, o ranking por uma perspectiva mais completa:

Acho que agora estamos prontos para encerrar o olhar sobre o primeiro semestre de 2026 e começar a encarar as novidades da segunda metade do ano. Com o fim da Copa do Mundo de Futebol e com o encerramento das férias de Inverno, não há mais motivos para não avançarmos em novas análises literárias e culturais no Bonas Histórias, né? Portanto, mãos à obra, senhores e senhoras!
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