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- Livros: Alta Fidelidade - A música na literatura de Nick Hornby
Se o livro anterior do Desafio Literário, "Febre de Bola", abordava o futebol, em "Alta Fidelidade" (Companhia das Letras), o romance de Nick Hornby que será analisado no post de hoje, as temáticas centrais são a música e o relacionamento amoroso do personagem principal. Além da mudança de assunto, esta publicação marca a estreia do escritor britânico no gênero ficcional (o livro anterior se encaixa mais na categoria autobiografia e memórias). Lançado em 1995, "Alta Fidelidade" rapidamente se tornou cultuado por uma geração ávida por encontrar na literatura os elementos da cultura pop vivenciados no dia a dia e por ver refletidas nos personagens as características do seu comportamento cotidiano. Com vendagem superior a um milhão de exemplares, o livro transformou seu autor em um verdadeiro pop star em seu país e porta voz de uma geração. O grande mérito de Nick Hornby, a meu ver, foi ter construído personagens contemporâneos e disfuncionais em suas obras. Os gostos, os hobbies, os defeitos, os hábitos e as obsessões das figuras criadas nos livros são similares aos dos seus leitores. O público do escritor, portanto, se identificou com essas criações, amando as histórias e louvando o autor. Em "Alta Fidelidade", o personagem principal é Rob, o proprietário de uma loja de discos. Desde a infância, ele é apaixonado por música, ouvindo incansavelmente as canções, colecionando vinis raros, gravando fitas e definindo a personalidade dos amigos, dos familiares e das namoradas pelo que eles ouvem no rádio, na vitrola e no toca discos. Com o término traumático do namoro de longo prazo com Laura, com quem dividia o apartamento, Rob mergulha em uma fase depressiva. Ao invés de encarar os problemas de frente (sua loja está à beira da falência e sua vida pessoal vira de ponta-cabeça), ele mergulha ainda mais no mundo musical, ouvindo sem parar as canções melosas pop que o fazem lembrar a todo instante da amada perdida. Ele também passa a fazer várias listas (chamadas de top five) com o ranking das melhores e das piores coisas sobre determinado tema. Por exemplo, Rob lista os términos de namoro mais memoráveis da sua vida, os empregos dos seus sonhos, os itens que mais gosta na ex-namorada e os melhores filmes de Dustin Hoffman. Entretanto, suas listas prediletas são as relacionadas à música: as melhores primeiras faixas de todos os tempos, as melhores canções quando se está bravo e as músicas mais melosas já produzidas. Enquanto vive com a cabeça no mundo da lua (ou seria na música), Rob tenta resolver, a seu jeito, os problemas de relacionamento, as dificuldades profissionais e as limitações financeiras. Seus únicos apoios são seus dois amigos, Dick e Barry, que também são seus funcionários na loja de discos. A dupla também é louca por música e não possui maturidade suficiente para tratar de assuntos adultos e sérios, tornando ainda mais complicada a vida de Rob. "Alta Fidelidade" é um romance com fortes elementos da cultura pop. Além da música, ele fala sobre cinema, televisão, artes e assuntos da atualidade. O livro contém boas doses de humor ácido (típicas do autor). A linguagem é leve e descompromissada, o que às vezes passa a impressão de ser pobre e limitada. A história em si é fraquinha. Escrito em primeira pessoa (a narração é do personagem Rob), o enredo é muitíssimo simplório e limitado. Não espere uma literatura de qualidade ou com qualquer requinte de sofisticação. Este é um livro de entretenimento, que agradou a uma determinada parcela de leitores de uma geração específica. Talvez você não se identifique com esses valores e com essas aspirações. A grande graça desta obra está na obsessão dos seus personagens e na imaturidade deles. Praticamente todos os homens da loja de discos (Rob, Dick e Barry) são adultos com mentalidade adolescente. Eles não conseguem encarar os desafios de suas vidas profissionais, pessoais, financeiras e matrimoniais como alguém da sua idade. Assim, praticamente Nick Hornby traz para a literatura contemporânea a figura do que alguns especialistas chamam de "adultescentes" (indivíduos que acabam ficando presos na mentalidade adolescente, mesmo depois de ter envelhecido - um mal cada vez maior em determinadas gerações). Em suma, gostei de ter lido "Alta Fidelidade" para conhecer um pouco mais do estilo de Nick Hornby. Creio que este livro tenha mesmo o jeitão do escritor. Entretanto, achei a obra fraca. Eu tinha uma expectativa grande em relação a ela, principalmente por ela ter marcado uma época. Ao sairmos do contexto histórico no qual foi escrita e lida, "Alta Fidelidade" perde um pouco do seu valor. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #NickHornby #Livros #Drama #Romance #LiteraturaInglesa #LiteraturaContemporânea
- Filmes: Quando Meus Pais Não Estão em Casa - A mãe terceirizada
Neste meio de semana, assisti ao filme “Quando Meus Pais Não Estão em Casa” (Ilo Ilo: 2013) no Caixa Belas Artes. Candidato oficial de Singapura na disputa do Oscar do ano passado de Melhor Filme Estrangeiro, esta produção estreou recentemente no circuito comercial aqui do Brasil. Esse filme é uma crônica social e econômica da cidade estado de Singapura durante a metade da década de 1990, período no qual a história se passa. O longa-metragem retrata a vida da família Lim depois da chegada de Terry, empregada doméstica vinda das Filipinas para trabalhar e morar na casa com os novos patrões. A família é composta pelo pai, pela mãe que está grávida pela segunda vez e por um filho de dez anos. Como muitas mulheres do seu país, Terry sonha em conseguir dinheiro e em melhorar de vida, desejando retornar em breve para a sua terra natal em melhores condições. Na vontade de fazer tudo direito e bem feito no novo emprego, a empregada doméstica, sem querer, começa a causar uma sensível piora no relacionamento da família. A mãe fica enciumada com a atenção e o cuidado da moça para com seu filho. Terry cria um forte vínculo com garoto, torna-se praticamente a grande responsável pela sua criação e sua educação. “Quando Meus Pais Não Estão em Casa” é um drama sensível e comovente. O filme aborda principalmente a importância da babá ou da empregada doméstica na formação da criança, um tema muitas vezes renegado. A verdadeira mãe, muitas vezes presa nas suas obrigações profissionais e em sua puxada rotina diária, acaba terceirizando o cuidado da sua cria. Esse processo, quando mal feito, gera meninos e meninas mimados, revoltados, mal educados, sem limites e com potencial para causar muitas confusões. Quando bem feito, a babá consegue transmitir valores e uma educação sólida para as crianças, ajudando na formação dos pequenos. O filme do diretor Anthony Chen é bom. Acho que essa foi a primeira produção que assisti de Singapura (para falar a verdade, minha familiaridade com esse país asiático é tão baixa que nem sei gravar corretamente seu nome – até hoje não sei se o correto é Singapura ou Cingapura). Quem gosta de um drama psicológico provavelmente gostará de “Quando Meus Pais Não Estão em Casa”. Veja o trailer de “Quando Meus Pais Não Estão em Casa” (Ilo Ilo: 2013): O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AnthonyChen #CinemaSingapuriano #CinemaAsiático
- Exposições: Do Objeto para o Mundo - A arte de Inhotim
O Banco Itaú e o Itaú Cultural fizeram uma parceria com o Instituto Inhotim, dono de um dos maiores acervos de arte contemporânea do mundo, e trouxeram para São Paulo 50 obras do instituto mineiro que eram expostas exclusivamente em sua sede. O Inhotim, para quem não conhece, fica localizado em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, e destaca-se por oferecer uma experiência única aos seus visitantes, aliando arte moderna e a natureza, em um gigantesco complexo museológico, considerado o maior (e provavelmente o mais belo) do país. O resultado mais imediato desta parceria é a exposição "Do Objeto para o Mundo" que está sendo apresentada no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 - Bela Vista) desde o começo do mês de abril. Em três andares do prédio (subsolo 2, subsolo 1 e primeiro andar), obras de artistas como Lygia Clark, Lygia Pape, Rivane Neuenschwander, Channa Horwitz, Décio Noviello, Hélio Oiticica, Cildo Meireles e Melanie Smith são exibidas para os paulistanos em várias mídias e suportes. Após visitar a exposição nesta quarta-feira, admito, sai um pouco decepcionado dela. Esperava mais. É verdade que é impossível trazer as principais obras do Inhotim (há muitas que são gigantescas). Além da inviabilidade de transporte e de espaço para exibição, tirá-las de seu ambiente descaracteriza muito sua apresentação. Mesmo sabendo disso tudo, achei um pouco pobre os materiais apresentados nessa exposição, principalmente aqueles presentes nos subsolos do edifício do Itaú Cultural. "Do Objeto para o Mundo" fica em cartaz até o final do mês de maio e tem entrada gratuita. Não é definitivamente a melhor exposição em cartaz em São Paulo no momento, mas quem estiver na região da Avenida Paulista pode pintar por lá para conferir. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Exposição #Mostra #ArtesPlásticas #InstitutoInhotim #Pintura #ArteContemporânea #LygiaClark #LygiaPape #RivaneNeuenschwander #ChannaHorwitz #DécioNoviello #HélioOiticica #CildoMeireles #MelanieSmith
- Livros: Febre de Bola - Nick Hornby e sua paixão pelo futebol
Este é o melhor livro que já li sobre futebol e sobre a paixão do torcedor comum para com o seu time do coração. "Febre de Bola" (Companhia das Letras) é a obra de estreia de Nick Hornby na literatura, publicado originalmente em 1992. E logo de cara, o escritor britânico já ganhou o reconhecimento do público e o sucesso da crítica. Vencedor do prêmio William Hill Sports Book of the Year Award de 1992, concedido ao melhor livro sobre esporte, "Febre de Bola" ainda foi transformado em roteiro de filme em duas oportunidades, em 1997 e em 2005. "Febre de Bola" é uma espécie de autobiografia de Nick Hornby sobre sua relação com o futebol e com o Arsenal, seu time do coração. Através de vários contos/histórias, o autor retrata as partidas de futebol mais marcantes de sua vida. Basicamente, os dois personagens principais do enredo são: ele, o narrador, e o time dele, o Arsenal. A dupla se cruza constantemente através do relato dos "jogos memoráveis". A ótica aqui é do torcedor fanático que abre mão de muitos elementos da sua vida pessoal (a família, a namorada/esposa, os amigos, o trabalho, os outros programas de lazer, sua residência, os demais hobbies, etc.) para acompanhar seu clube aonde quer que ele jogue. Esse fanatismo nasceu quando Nick tinha apenas 11 anos. Seu pai o levou ao estádio pela primeira vez em uma partida do Arsenal e o garoto ficou hipnotizado pelo ambiente, pelo jogo e pela torcida. A partir dali, ele nunca mais conseguiria deixar de ver um jogo, seja pela televisão ou, principalmente, nas arquibancadas. O rapaz mudou sua rotina, seus hábitos e sua agenda em prol do time. Isso durou toda a juventude e se estendeu pela vida adulta. A existência do torcedor fanático do futebol é pautada exclusivamente pela necessidade de acompanhar as partidas do seu time e de torcedor pelo êxito de sua agremiação dentro das quatro linhas do campo. Os demais elementos da vida são meros reflexos disso. Tudo mais é supérfluo. O mais interessante desse livro é que o escritor atrela os sucessos e os fracassos de sua vida pessoal e profissional ao desempenho esportivo do seu time. Para ele, tudo está interligado e se mistura em suas memórias afetivas. Não é possível ser totalmente feliz se o Arsenal perde... E não é concebível estar triste quando o Arsenal conquista grandes feitos... Além disso, é muito legal conhecer de perto o futebol inglês durante as décadas de 1970 e 1980 e no começo dos anos 1990. Naquela época, o jogo praticado na terra da rainha era completamente diferente do que vemos hoje pela televisão. O campeonato nacional não contava com as estrelas mundiais de atualmente e a organização e a paz nas arquibancadas eram sonhos inimagináveis. As brigas, as confusões e o desconforto dos torcedores nesse período dão um colorido especial para as histórias de Hornby e comprovam o quanto era preciso ser corajoso e gostar do time para acompanhá-lo presencialmente nos estádios. Não foram poucas as tragédias que aconteceram dentro e fora dos estádios ingleses, geralmente provocadas pelos hooligans, os torcedores baderneiros e violentos. Curiosamente, quem gostava de futebol nesta época era obrigado a se sujeitar a ver os jogos nas arquibancadas (imundas, desconfortáveis e perigosas), pois a televisão inglesa não transmitia os jogos. Ler o livro de Hornby é viajar neste passado preto e branco do futebol do Reino Unido. Obviamente, "Febre de Bola" é um livro para quem gosta de futebol ou para quem deseja mergulhar dentro da cabeça de um torcedor fanático do esporte bretão. Eu como sou um apaixonado por este jogo, adorei as narrativas de Hornby. O texto é recheado com a descrição de lances, com a citação de jogadores históricos, com a informação dos placares das partidas e com a contextualização da evolução do Arsenal nos campeonatos disputados. O escritor utiliza da sua memória fotográfica, do seu humor e do seu saudosismo para voltar ao passado e ambientar o cenário daqueles tempos. De certa forma, acabamos vibrando com cada situação comentada, até mesmo as mais delicadas como os estádios inseguros, a violência das torcidas, a relação ambígua entre dirigentes e torcida e os incansáveis fracassos esportivos do time em questão. Praticamente vemos nas páginas do livro o nascimento e a morte do antigo futebol inglês, que deu origem a lucrativa, organizada e admirada Premier League de hoje. Apesar de ter adorado "Febre de Bola", principalmente pela sua temática e pela maneira emotiva e apaixonante com que Nick Hornby retrata suas memórias, é preciso fazer algumas ressalvas em relação à qualidade do texto. Não espere encontrar qualquer valor literário ou interessantes recursos linguísticos nesta obra. Essa observação é importante principalmente depois de termos analisado tantos títulos de Mia Couto no mês passado. Hornby é um escritor pop e utiliza dos elementos convencionais para transmitir sua mensagem. Apesar de sua literatura ficar muito abaixo dos grandes escritores, suas histórias contemporâneas vinculadas às pessoas comuns conseguem criar um bom impacto nos leitores e transformar seus livros em objeto de bom entretenimento e fonte de análise da cultura atual de nossa sociedade. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #NickHornby #NãoFicção #Autobiografia #esportes #LiteraturaInglesa #LiteraturaContemporânea
- Filmes: Pássaro Branco na Nevasca - Mistérios e surpresas
Neste sábado, fui à Reserva Cultural assistir ao filme "Pássaro Branco na Nevasca" (White Bird in a Blizzard: 2014). O novo longa-metragem do diretor Gregg Araki, conhecido pelos trabalhos em "Kaboom" (Kaboom: 2010), "Mistérios da Carne" (Mysterious Skin: 2004) e "Geração Maldita" (The Doom Generation: 1995), é um drama familiar com altas doses de suspense. Destaques para a excelente atuação de Shailene Woodley e para o final surpreendente da história. Woodley é uma jovem atriz de 23 anos que fez recentemente "A Culpa é das Estrelas" e participa como protagonista da série "Divergente". A cada novo trabalho, ela vem se afirmando como uma das mais talentosas atrizes de sua geração. Neste filme, Shailene Woodley está primorosa, atuando com desenvoltura, sem medo de participar de cenas de nudez e mergulhando de corpo e alma nos traumas psicológicos de sua personagem. Em relação ao final do filme, o telespectador é surpreendido com o desfecho da narrativa. Quando se espera que o longa-metragem caminhe para um encerramento protocolar, a história muda rapidamente e o seu final é completamente inesperado. Parte da graça do filme está exatamente aí. O enredo de "Pássaro Branco na Nevasca" é sobre a jovem Katrina Connors (interpretada por Shailene Woodley) que um dia volta para casa e não encontra sua mãe (Eva Green). Tudo indica que a matriarca abandonou o esposo e a filha única, pois não aguentava mais o casamento, o marido e a vida entediante de dona de casa. A partir desse acontecimento trágico para a família, o pai de Katrina (Christopher Meloni) entra em um estado de choque, ficando estático, não reagindo. A filha, por sua vez, tenta levar sua vida normalmente, apesar de estar também muito abalada. Katrina passa, então, a fazer uma análise da vida da sua mãe, reconstruindo mentalmente os passos dela do casamento até o dia da partida. Assim, a filha tenta descobrir os reais motivos que levaram a mãe a tomar a radical decisão de fugir de casa e largar a família. "Pássaro Branco na Nevasca" é um bom filme. O drama da família Connors é bem narrado, com a mistura de cenas do presente e do passado. Os mistérios que rondam os personagens deixam a história ainda mais interessante e prendem o telespectador na frente da tela. A atuação dos principais atores também é muito boa. Além do espetacular desempenho de Shailene Woodley, Christopher Meloni convence no papel de pai abandonado e sofredor e Eva Green mostra outra vez desempenhar uma louca como ninguém. A direção de arte e o figurino do filme também estão ótimos, recriando o ambiente e o cenário do final dos anos de 1980 e início da década de 1990, período de tempo no qual a história se passa. Veja o trailer de "Pássaro Branco na Nevasca": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #GreggAraki
- Desafio Literário de maio/2015: Nick Hornby
O mês de abril, no Desafio Literário, foi de Mia Couto, o escritor moçambicano que apresenta toda a magia, a diversidade e a riqueza cultural da sua região e do seu povo. Agora, em maio, será a vez de Nick Hornby, autor britânico especializado em falar de música, de esporte e de personalidades imaturas. Ou seja, a mudança será radical! Sairemos da África e iremos para a Inglaterra. Deixaremos a poesia, o lirismo, os neologismos e a linguagem coloquial do moçambicano comum e avançaremos para o mundo pop contemporâneo inglês. Abandonaremos o universo místico africano e adotaremos a realidade concreta do nosso cotidiano. Quem já acompanha o Blog Bonas Histórias deve conhecer o Desafio Literário, coluna que analisa mensalmente um escritor previamente selecionado. Assim, tenho 30 dias para ler seus livros mais relevantes, criar uma resenha crítica para cada obra lida e, no final do período, montar uma avaliação do perfil literário e artístico deste autor. Sendo Hornby o escolhido do Desafio Literário de maio, a ideia é, ao final deste mês, ter uma visão completa das principais obras e das características literárias deste escritor. Para tal, a meta é analisar cinco dos seus livros: "Febre de Bola" (Companhia das Letras), "Alta Fidelidade" (Companhia das Letras), "Uma Longa Queda" (Companhia das Letras), "Um Grande Garoto" (Rocco) e o recente "Funny Girl" (Companhia das Letras). Acredito que com esse portfólio de leitura, poderei apresentar um panorama completo e preciso sobre o autor britânico e seu trabalho. Nick Hornby tem 58 anos e se posiciona como um escritor de temas corriqueiros. Ele escreve sobre esporte, música e relações pessoais conflitosas. Seus personagens são tradicionalmente obsessivos por algum assunto específico, sendo normalmente imaturos e presos na "eterna adolescência". Dos 18 livros que já lançou (com vendas de cinco milhões de exemplares no mundo), nove foram publicados aqui no Brasil pela Companhia das Letras. O primeiro livro publicado por Hornby foi "Febre de Bola" em 1992, tendo como tema o futebol. Depois vieram "Alta Fidelidade" em 1995, sobre os fracassos dos relacionamentos amorosos de um colecionador de discos. Ainda na década de 1990, foi lançado "Um Grande Garoto" sobre um ricaço que vivia depressivo com a herança recebida. Nos anos 2000, vieram mais quatro títulos relevantes: "Como ser Legal", "Uma Longa Queda", "Slam" e " Juliet, Nua e Crua". No ano passado chegou por aqui "Funny Gir", o mais recente livro do autor. Vamos embarcar nessa viagem para conhecer mais e melhor este escritor! Você é meu convidado nessa aventura. Fique atento aos posts deste mês e conheça mais sobre Nick Hornby. Esse é o nosso desafio em maio! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #NickHornby
- Filmes: Democracia em Preto e Branco - Nos braços do povo
Um filme sobre o processo de redemocratização do Brasil na primeira metade da década de 1980 sob a ótica do futebol e da música. Esta é a proposta de "Democracia em Preto e Branco" (2014), documentário de Pedro Asbeg, cineasta que tem feito várias produções sobre futebol nos últimos anos ("Copa Vidigal" de 2010, "Pulmão da Arquibancada, A Raça Rubro-Negra" de 2013 e "Geraldinos" de 2015, entre outras). "Democracia em Preto e Branco" foi lançada em abril do ano passado e não chegou às salas comerciais. Ela foi exibida em algumas sessões em eventos isolados. Como não consegui assisti-la na época, corri hoje à noite para a unidade da FIESP/SESI-SP da Avenida Paulista onde está sendo apresentado o 11o Festival FIESP/SESI-SP de Cinema. A mostra cinematográfica se propõe a apresentar as melhores produções do cinema nacional de 2014. E o filme de Asbeg era o destaque dessa segunda-feira. "Democracia em Preto e Branco" apresenta através de entrevistas (com Sócrates, Casagrande, Wladimir, Lula, Fernando Henrique, Marcelo Rubens Paiva, Marcelo Tas, Paulo Miklos, Rita Lee, entre outros) e da narrativa histórica a experiência inovadora e ousada dos jogadores corintianos dos anos de 1982 a 1984 de administrarem sua equipe através do voto direto e das escolhas da maioria (ao invés da hierarquia). Esse novo modelo de gestão do esporte ficou conhecido como a Democracia Corintiana. A ideia surgiu a partir da crise política do clube do Parque São Jorge (o time tinha caído para a segunda divisão do campeonato brasileiro e o presidente estava em litígio com o vice-presidente) e da chegada de um sociólogo comunista (Adilson Monteiro Alves) para ocupar a diretoria de futebol. No novo sistema implementado pelo revolucionário diretor (e liderado pelos jogadores Sócrates, Wladimir e Casagrande), os atletas passaram a ter voz ativa em todas as decisões do clube. Eles opinavam desde os períodos de concentração e horários de treinos até a contratação de novos jogadores e as formas de divisão da premiação pelas vitórias. O lema do grupo era: "Ganhar ou perder. Mas sempre com democracia". O movimento da Democracia Corintiana foi tão forte que acabou ultrapassando os muros do clube, influenciando a política nacional e a campanha das Diretas Já. O filme ainda retrata muito bem o cenário daquela época: a ditadura militar completava quase duas décadas no poder e o país estava arruinado socialmente e economicamente; e Rock N'Roll explodia no país como gênero musical de protesto, tomando as ruas e as bocas dos jovens. Neste documentário, portanto, futebol, música e política se unem para narrar as aspirações de mudanças da nação brasileira em um dos períodos mais turbulentos da história do país. Achei o filme de Pedro Asbeg bom. Ele consegue prender a atenção do telespectador ao longo dos seus noventa minutos de duração e possui uma narrativa linear e bem estruturada. A escolha dos entrevistados foi acertada, assim como o equilíbrio entre as imagens de futebol, música e política. Claro que os corintianos, provavelmente, se sintam mais felizes em ver novamente as grandes atuações do grande time bicampeão paulista de 1982 e 1983 (com Zenon, Sócrates, Casagrande, Wladimir, Biro-Biro, Zé Maria e Ataliba). Há um desfile de gols e de partidas do Timão na tela. Entretanto, esse não é um filme exclusivo para os corintianos e sobre futebol. Ele é acima de tudo um filme sobre política e democracia. Quem viveu os anos de 1980 tem a chance de relembrar as emoções das campanhas pelas Diretas Já e quem não as viveu tem a oportunidade de conhecer passagens interessantes da nossa história. O Festival FIESP/SESI-SP de Cinema prossegue até o final do mês. As entradas são gratuitas e as sessões principais acontecem normalmente às 20 horas. Quem tiver interesse por ver as boas produções nacionais, fica aqui essa dica! Veja o trailer de "Democracia em Preto e Branco": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #filmes #cinema #PedroAsbeg
- Livros: Raiz de Orvalho & Outros Poemas - Mia Couto em versos
Para encerrar o Desafio Literário de Mia Couto, o primeiro que o Blog Bonas Histórias apresenta, li "Raiz de Orvalho & Outros Poemas" (Caminho), livro de poesias do moçambicano. Publicada originalmente em 1983, esta obra representou a estreia do escritor no mundo literário. Depois disso, Couto enveredou pelos contos, pelo romance, pelas crônicas e pelo universo infantil, só voltando a publicar novamente poesias em 2011, com o livro "Tradutor de Chuvas". "Raiz de Orvalho & Outros Poemas" traz elementos que mais tarde caracterizariam a escrita de Mia Couto: o regionalismo, a fantasia, o lirismo, a musicalidade e o sentimentalismo, além de uma postura combativa em relação aos problemas e aos desafios do cotidiano do seu continente. O tema principal dos poemas é a tradição e a memória cultural da África, principalmente de Moçambique. Couto, assim, analisa aspectos da identidade do seu povo, o engajamento político e as transformações sociais sofridas após a descolonização e a independência do país. Quem espera ver poemas românticos e de amor, pode tirar o cavalinho da chuva. Em "Raiz de Orvalho & Outros Poemas", o escritor se apresenta como o libelo do engajamento político, sendo o porta-voz de algumas causas. Mia Couto, nesta obra, alia a excelência estética com a preocupação ideológica. A morte (precisamos lembrar que a Guerra Civil assolava a população e o país nesse período) aparece entranhada na maioria dos seus versos, assim como a tristeza do luto, a fortificação do indivíduo em relação às dificuldades do mundo externo, o abandono das pessoas amadas, a saudade do passado idílico, a perda da infância e a migração obrigatória do povo. Dos poeDos poemas, podemos destacar "Raiz de Orvalho", que dá nome ao livro, cuja temática aborda a perda da identidade pessoal, "Despedida", abandono da mulher amada, "Morte Silenciosa", a vida das pessoas afetadas por cada falecimento a sua volta, "Árvore", analogia da resistência do ser humano frente às dificuldades do cotidiano com a solidez da vida de uma árvore, e "Sotaque da Terra", identificação do autor com a origem da sua terra. Para quem se interessar em comprar "Raiz de Orvalho & Outros Poemas", eu preciso alertar: este livro é dificílimo de encontrar. Nenhuma editora brasileira o tem em catálogo. Ele está disponível em Portugal. Por isso, a maneira mais fácil de adquiri-lo é comprando a versão eletrônica (e-book) de alguma livraria portuguesa. Foi o que eu fiz. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MiaCouto #Poesia #LiteraturaContemporânea #LiteraturaMoçambicana #Livros #LiteraturaAfricana
- Filmes: Chappie - A nova decepção de Blomkamp
Nesta quarta-feira fui assistir à ficção científica "Chappie" (Chappie: 2015) no Cinemark do Shopping Tietê Plaza. Depois de dois anos de atraso, finalmente as salas de cinema deste shopping foram inauguradas para alegria dos frequentadores habituais do estabelecimento. Um shopping sem cinema não dá! "Chappie" foi dirigido e roteirizado pelo sul-africano Neil Blomkamp. O jovem cineasta de 35 anos tem se especializado em produzir ficção científica como forma de debater algum tema social. Começou com "Distrito 9" (District 9: 2009) e depois fez "Elysium" (Elysium: 2013), ambos ambientados e filmados na África do Sul. O primeiro filme foi muito interessante, pois fez uma crítica ao preconceito racial através da analogia ao Apartheid alienígena. O segundo, por sua vez, foi um filme fraco e sem graça. O tema nesta oportunidade era a desigualdade social entre os povos no ano de 2159. Agora com seu terceiro filme, a expectativa era saber qual era a imagem que Neil Blomkamp iria passar com seus trabalhos: da excelência de "Distrito 9" ou da superficialidade de "Elysium". E, infelizmente, "Chappie" está mais para "Elysium" do que para "Distrito 9". Ou seja, o placar foi desempatado para o lado do desempenho ruim: 2 a 1 para as obras fracas. Neil Blomkamp aproveitou o roteiro de um curta-metragem chamado "Tetra Vaal", de sua própria autoria, para produzir o roteiro de "Chappie". O filme também se passa na África do Sul em um futuro próximo e conta a história do robô Chappie (interpretado por Sharlto Copley), desenvolvido com consciência humana pelo brilhante cientista Deon (Dev Patel), um funcionário de uma empresa de segurança que criou uma série de policiais robóticos. Os modelos de robôs policiais de Deon foram tão bem sucedidos que acabaram substituindo os policiais humanos nas cidades sul-africanas, diminuindo o índice de criminalidade e deixando os bandidos assustados. Por causa do êxito das máquinas de combate ao crime (elas são altamente resistentes e dotadas de inteligência artificial superior), a diretora da empresa de segurança (Sigourney Weaver) não deixa Deon avançar nas pesquisas de um novo modelo robótico, cujo diferencial seria inserir emoção e consciência humana aos robôs. Na opinião dela, time que está vencendo não se mexe. Frustrado com o conservadorismo da chefe, o cientista decide testar por conta própria a novidade. Infelizmente, o novo robô é roubado por um grupo de bandidos e passa a conviver com os criminosos, aprendendo tudo aquilo que seu criador não desejava. A máquina desenvolvida para combater o crime passa assim a praticá-los. Chappie, como o robô passa a ser chamado, passa a viver, portanto, em um dilema moral: seguir as diretrizes do seu criador ou atender aos pedidos dos seus novos amigos? As coisas só pioram quando um colega de Deon resolve sabotar os projetos do colega, colocando em perigo o sistema de segurança pública das cidades nas quais a empresa deles opera. "Chappie" é um filme com muita ação. Sempre está acontecendo alguma coisa importante, geralmente com muito tiro e correria. Ele também tem alguns bons elementos de ficção científica (como, por exemplo, a transposição da consciência humana) e gera alguns pontos de reflexão (importância do ambiente e das influências no aprendizado do robô e dos seres humanos, por consequência). Entretanto, o resultado final da produção fica muito abaixo da expectativa gerada pelo ótimo primeiro trabalho de Blomkamp. A sensação final é que "Chappie" é uma obra superficial e um tanto boba. Em vários momentos me vi assistindo a alguns clássicos da Sessão da Tarde, como Robocop (RoboCop: 1987) e Um Robô em Curto Circuito (Short Circuit: 1988). Quem se interessa apenas por destruição, tiroteio para todo lado e correria dos atores pode até gostar deste filme. Porém, acho pouco para um cineasta que surgiu demonstrando tanto potencial. Veja o trailer de "Chappie": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #filmes #cinema #NeilBlomkamp
- Peças Teatrais: Caros Ouvintes - A decadência das radionovelas
Os anos de 1960 marcaram a transição da supremacia do rádio para o início da dominação da televisão. Depois de viver seu auge entre as décadas de 1940 e 1950 (conhecida como a "Era de Ouro"), o rádio entrou em rápida decadência. A maior prova dessa mudança aconteceu com as novelas. As radionovelas, sucesso estrondoso até então, deu lugar para as telenovelas, desaparecendo de vez da programação. Muitos atores acostumados apenas a oferecer suas falas e profissionais especializados em áudio perderam seus empregos e não puderam ser aproveitados na televisão. Assim, a imagem superou a voz. A fase complicada do rádio e, por extensão, das radionovelas é o tema principal da ótima e da engraçadíssima peça teatral "Caros Ouvintes". Depois de uma longa temporada no Teatro do MASP (Museu de Arte de São Paulo) entre 2014 e 2015, a peça muito bem escrita e dirigida por Otávio Martins chega agora para uma rápida temporada (pouco menos de um mês) no teatro do TUCA (Teatro da Universidade Católica). A estreia na nova casa foi na semana retrasada e eu fui conferir. "Caros Ouvintes" retrata o último capítulo da radionovela "Espelhos da Paixão". A história da peça é ambientada na cidade de São Paulo durante o ano de 1968. A trama se passa inteiramente dentro de um estúdio de rádio na qual a radionovela é encenada. O que era para ser mais um simples episódio da novela radiofônica se transforma em uma grande confusão, gerando as várias sacadas engraçadas da peça. Primeiro, uma manifestação de estudantes contra o governo militar nas ruas próximas atrapalha a chegada dos artistas e do público. Os ouvintes desejavam acompanhar o último capítulo ao lado do prédio da rádio, uma tradição da época. Depois, o ator principal que fazia o papel do mocinho da novela não comparece ao estúdio, provocando pânico entre os colegas e a direção da produção. Fica-se sabendo que ele foi preso no dia anterior pela polícia. Era comunista. Há também o surgimento de um dos patrocinadores da novela desejando aparecer no ar e comandar uma promoção ao vivo, para desespero do locutor oficial e do diretor do programa. Além disso, os atores e os funcionários da rádio descobrem neste dia várias fofocas dos colegas e os problemas da rádio, que irão impactar em seus futuros profissionais e em seus contratos de trabalho. E, para completar (ufa!), o diretor da novela e o sonoplasta são obrigados a lidar com a vaidade e o ego inflado dos vários artistas no último episódio. Ou seja, o estúdio é um barril de pólvora, pronto para explodir, justamento no dia mais importante para a emissora: o último capítulo da novela. A peça é muito engraçada. Os diálogos e os momentos dramáticos são excelentes. O figurino e a ambientação nos levam realmente para os anos de 1960. O contexto histórico (ditadura militar e demais acontecimentos mundiais da época) é inserido adequadamente na trama. Todos os atores estão muito bem em seus papéis. Destaque para Petrônio Gontijo como Vicente Martinho, o diretor da radionovela, Alex Gruli como Eurico Boavista, o sonoplasta da novela, e Eduardo Semerjiam como Péricles Gonçalvez, um dos atores da radionovela. Os três puxam as cenas mais hilárias de "Caros Ouvintes". Além do humor leve e inteligente, da excelente produção e da ótima atuação dos atores, "Caros Ouvintes" permite a uma geração que não conheceu de perto as radionovelas aprender como era este tipo de produção. Eu jamais havia visto ou ouvido um tipo de novela deste gênero. Achei espetacular! Sem sombra de dúvida, essa é uma das melhores peças em cartaz em São Paulo no momento (se não for a melhor). Ela rivaliza com "O Homem de La Mancha" (Teatro do SESI) e "Doze Homens e um Segredo" (Teatro Jaraguá) no topo do ranking das melhores. O valor do ingresso é R$ 60,00 (as sextas-feiras) e R$ 70,00 (sábados e domingos). Como a nova temporada vai até o final deste mês, é bom os interessados correrem para adquirir suas entradas e para assistir a peça. Tenho certeza que quem for ver "Caros Ouvintes" não irá se arrepender. Corra, então! Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe, então, sua opinião sobre as matérias desta coluna. Para acessar as demais críticas teatrais, clique em Teatro. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #artescênicas #teatro #peçadeteatro #Comédia #OtávioMartins #PetrônioGontijo #AlexGruli #EduardoSemerjiam
- Filmes: Ida - O vencedor estrangeiro do Oscar
Hoje fui ao Cine Livraria Cultura do Conjunto Nacional assistir ao vencedor do Oscar na categoria melhor filme estrangeiro. "Ida" (Ida: 2013) é uma produção polonesa e foi a grande surpresa na cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles deste ano. O grande favorito era o argentino "Relatos Selvagens" (Relatos Salvajes: 2014), o meu queridinho também. Porém, o longa-metragem europeu desbancou o sul-americano e levou para a casa a tão desejada estatueta. Como "Ida" passou despercebida por mim quando foi colocada em algumas salas de cinema aqui em São Paulo no começo de 2015, chegou a hora de conferi-la. Aproveitando a prorrogação da exibição deste filme na sala do Cine Livraria Cultura, fui, enfim, assisti-lo. "Ida" conta a história de Anna (interpretada pela bela Agata Trzebuchowska), uma jovem noviça que está prestes a se tornar freira. Algumas semanas antes da cerimônia na qual irá prestar seus votos, Anna é incentivada pela madre superiora (Halina Skoczynska) a visitar sua única parente viva e conhecida, uma tia chamada Wanda (Agata Kulesza). Meio ressabiada, a jovem aceita o conselho da madre e vai passar alguns dias na casa da tia. Com Wanda, Anna pode conhecer mais sobre seu passado e sobre seus falecidos pais. Compreende, assim, porque foi deixada quando pequena na igreja sob os cuidados de religiosos. A jovem religiosa também passa a desejar ter novas experiências, em um processo de aprendizado sobre o mundo externo e de autoconhecimento. Dirigido por Pawel Pawlikowski, conhecido por "Meu Amor de Verão" (My Summer of Love: 2004) e mais recentemente "Estranha Obsessão" (La femme du Vème:2011), "Ida" ficou muito abaixo das minhas expectativas. Sinceramente não acreditei, ao final da sessão, que estava diante do melhor filme estrangeiro de 2015. Para mim, "Relatos Selvagens" e "Leviatã", por exemplo, duas produções que estavam concorrendo pelo prêmio, são muitíssimo superiores. Para falar a verdade, nem sei como o longa-metragem polonês foi parar entre os finalistas do Oscar. "Ida" é um filme chato e muito parado. Ele caminha em um ritmo tão lento, tão lento que me peguei cochilando várias vezes na poltrona. Para meu espanto, esse pecado não foi cometido apenas por mim. Várias pessoas ao meu lado acabaram sucumbindo diante do tédio da tela grande. Além do ritmo, a história também não empolga: uma jovem religiosa virgem e sem experiência de vida precisa decidir entre o mundo do celibato e da ordem sacra e o mundo pagão e dos prazeres do cotidiano. Trata-se de uma temática um pouco batida e óbvia, porém se fosse bem trabalhada poderia extrair algum drama. Não foi o que aconteceu. A única coisa que chama atenção de maneira positiva no filme é a beleza da atriz principal, Agata Trzebuchowska. Curiosamente, ela foi escolhida por Pawlikowski exatamente por ser uma novata diante das telas. Ele queria alguém desconhecido para surpreender o público. Agata Trzebuchowska é uma estudante e jamais tinha atuado antes. Seu desempenho foi razoável (considerando sua vivência na profissão), tendo como principal característica a beleza facial como arma para prender a atenção do telespectador e aumentar o clima de suspense e mistério sobre as decisões da sua personagem. No fim das contas, não gostei do que vi. "Ida" é filme comum, um pouco chato para ser sincero, sem nenhum atrativo especial. Eu não iria ao cinema para vê-lo (se soubesse do seu conteúdo previamente), nem perderia meu tempo assistindo-o em DVD. Agora, como esse filme ganhou o Oscar, isso eu jamais vou entender.... Veja o trailer deste filme: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #filmes #cinema #PawelPawlikowski
- Livros: O Gato e o Escuro - No mundo infantil de Mia Couto
"O Gato e o Escuro" (Companhia das Letrinhas) é um dos livros infantis de Mia Couto. Esta obra foi lançada originalmente em 2001. Li a versão ilustrada pela mineira Marilda Castanha. Esta publicação é linda, com um ótimo acabamento e belos desenhos. Como um típico livro para as crianças, este é bem pequeno. Tem apenas 39 páginas e muitos recursos visuais. O escritor moçambicano afirma ter se enveredado pelo universo infantil ao criar narrativas para seus filhos: "Nunca acreditei que, um dia eu escreveria uma história que iria constar de um livro infantil. Mas sucedeu assim. À força de contar histórias para meus filhos adormecerem, inventei uma convicção para mim mesmo e acredito que invento histórias para a Terra inteira adormeça e sonhe. O escritor traria, assim, o planeta ao colo". Além deste livro infantil, Mia publicou "O Beijo da Palavrinha" (Caminho) em 2006. Em "O Gato e o Escuro", conhecemos o gatinho chamado Pintalgato. Ele é amarelo com pintinhas. E gosta, em suas excursões fora de casa, de passear entre a fronteira do dia e da noite. Alertado pela sua mãe dos perigos dessa atitude, Pintalgato sempre respeitou as orientações maternas e nunca avançou para além da penumbra noturna. Até que certa vez, banhado pela curiosidade, ele se arriscou para o outro lado. Uma vez na escuridão da noite, o gatinho encontra o Escuro. Intercedendo pelo filho, a mãe de Pintalgato vai até a sombra da noite e começa aí os belos diálogos travados entre ela e o Escuro. O gatinho percebe, então, que a figura sombria do Escuro é na verdade alguém com problemas de autoestima e com dificuldades típicas de qualquer indivíduo ("Sou eu, o escuro. Eu é que devia chorar, porque olho tudo e não vejo nada"; "Eu sou feio. Não há quem goste de mim"; e "Os meninos têm medo de mim. Todos têm medo do escuro"). O Escuro não é o monstro e o vilão que normalmente as pessoas acham. E o medo que normalmente temos dele é na verdade o medo das "ideias escuras que temos sobre o escuro" ("Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos"; e "Não é você - escuro - que mete medo. Somos nós que enchemos o escuro com nossos medos"). Pintalgato, ao voltar para a luz do dia, tem seus pelos amarelos com pintinhas transformados em coloração preta. "O Gato e o Escuro" é uma obra poética ("O espanto ainda o abraçava quando o escutou a voz da gata grande"; e "a mãe gata sorriu bondades, ronronou ternuras, esfregou carinho no corpo do escuro") com uma mensagem simples e bonita. Pelo jeito elaborado de escrever de Mia Couto até fico com algumas dúvidas se as crianças compreendem efetivamente a mensagem em sua totalidade. Nesta seara, as ilustrações de Marilda Castanha ajudam em muito o entendimento do livro. Os desenhos brincam com a relação "claro e escuro" e abordam a cultura africana. Como é típico de Mia Couto, a linguagem do livro é coloquial e se faz uso disseminado de neologismos ("O escuro se encolheu, ataratonto"; e "metade de seu corpo brilhava, arco-iriscando"). As metáforas utilizadas também ajudam na explicação para as crianças e para os adultos das ideias expostas ("Quando olhava o escuro, a mãe ficava com os olhos pretos. Pareciam cheio de escuro. Como se engravidassem de breu, a abarrotar a pupilas"; e "Pintalgato fitou o fundo dos olhos da sua mãe, como se debruçasse num poço escuro"). A fábula aborda um tema universal do mundo infantil: o medo do escuro. Segundo o autor: "A maior parte dos medos que sofremos, crianças e adultos, foram fabricados para nos roubar curiosidade e para matar a vontade de querermos saber o que existe para além do horizonte". A partir dessa temática, constrói-se uma narrativa bonita e muito figurada, elucidando a questão do ponto de vista lógico e humano. Quem precisa de um livro diferenciado e poético para ler para seus filhos à noite ou precisa tirar o medo da escuridão da criançada, fica aqui uma ótima dica: "O Gato e o Escuro", de Mia Couto. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MiaCouto #LiteraturaInfantil #Livros #LiteraturaMoçambicana #LiteraturaAfricana #LiteraturaContemporânea
















