• Ricardo Bonacorci

Desafio Literário de julho/2020: Virginia Woolf


O Desafio Literário parte agora para a análise de seu quarto escritor desta temporada. Quem está acompanhando com assiduidade o Bonas Histórias sabe que já estudamos, em 2020, as literaturas de Jack Kerouac (Estados Unidos), em abril, de Maria José Dupré (Brasil), em maio, e de Kenzaburo Oe (Japão), em junho. E o autor de julho é, na verdade, uma autora: Virginia Woolf. Nesse caso, o correto seria chamá-la pelo artigo definido e expresso com letras maiúsculas - A escritora!


Woolf é uma das principais artistas europeias da primeira metade do século XX. Figura central do Modernismo em língua inglesa, intelectual de renome no período entre guerras, editora de grande sucesso e precursora do Feminismo, a britânica de jeito frágil e muitas vezes deprimida deixou um legado incontestável para a literatura universal. Seu portfólio de textos é bem variado. Ela produziu romances, coletâneas de contos, ensaios e uma peça teatral, além de ter deixado traduções, cartas e diários de enorme relevância histórica. Sua obra mais famosa é “Mrs. Dalloway” (L&PM Pocket), romance que figura entre os cânones da literatura inglesa.


Adeline Virginia Stephen (Woolf é o sobrenome do marido) nasceu em janeiro de 1882, em Londres. Sua estreia na literatura aconteceu aos 33 anos com a publicação de “A Viagem” (Novo Século), romance que demorou oito anos para ficar pronto. Muitos consideram essa obra a que melhor retrata a vida tumultuada, os dramas psicológicos e o destino trágico da escritora inglesa. Não à toa, Virginia se suicidou, em 1941, aos 59 anos, depois de deixar uma carta-confidência ao marido.


O grande sucesso da autora veio com o lançamento, em 1925, de “Mrs. Dalloway”. Em uma narrativa para lá de inovadora, Woolf descreve em um único dia os dramas de Clarissa Dalloway, uma socialite inglesa que está se preparando para dar um festão em sua residência. Com esta obra, a escritora inglesa entrava de vez para o grupo dos grandes escritores modernistas.

Ainda na segunda metade da década de 1920, Virginia publicou outros dois romances de enorme repercussão: “Passeio ao Farol” (Rio Gráfica) e “Orlando” (Penguin). O primeiro, também encontrado em língua portuguesa com outros títulos (“Ao Farol” e “Rumo ao Farol”, por exemplo), foi publicado em 1927 e é considerado um dos marcos do modernismo inglês. A descrição das visitas dos Ramsay à Ilha de Skye, na Escócia, fica em segundo plano frente aos debates filosóficos e existencialistas propostos pela narradora. O segundo romance, também chamado em nosso país de “Orlando – Uma Biografia”, foi lançado em 1928 e apresenta uma sátira literário-feminista. Nele, um poeta se veste como mulher para encontrar as principais figuras da literatura britânica. Com essa obra, Virginia Woolf integrava de uma vez por todas o feminismo à sua pauta narrativa.


Por falar em debates literários e feministas, “Um Teto Todo Seu” (Tordesilhas), ensaio publicado um ano depois de “Orlando”, resume muito bem os pensamentos da escritora sobre essas questões. Baseado em duas palestras que Virginia realizou em universidades inglesas, o texto aponta a necessidade das mulheres em adentrar definitivamente no universo literário, um reduto historicamente masculino.


Em um dos seus últimos romances, Woolf publica, em 1933, “Flush: Uma Biografia” (L&PM Pocket), narrativa que mistura realidade e ficção. Nesse livro, a autora descreve a vida de um cãozinho, o cocker spaniel de Elizabeth Barrett Browning.


A proposta deste Desafio Literário é analisar individualmente, nas próximas quatro semanas, esses seis livros de destaque de Virginia Woolf. Após essa etapa, terminaremos o mês apresentando um panorama completo do trabalho e da carreira da escritora inglesa. A ideia, assim, é abordar não apenas seu estilo narrativo e as inovações trazidas em seus textos ficcionais, mas também discutir um pouco as polêmicas de sua vida pessoal. Woolf é uma figura riquíssima, com múltiplas facetas.

Conhecer os diferentes aspectos de sua trajetória particular e profissional é nossa meta aqui. Para tal, preparamos o seguinte cardápio para o Bonas Histórias em julho. Confira, a seguir, nosso calendário de posts:


- 5 de julho - “A Viagem” (1915) – o primeiro romance da autora.


- 9 de julho - “Mrs. Dalloway” (1925) – a obra mais famosa de Virginia Woolf.


- 13 de julho - “O Passeio ao Farol” (1927) – um dos marcos do modernismo inglês.


- 17 de julho - “Orlando” (1928) – outro grande sucesso da escritora.


- 21 de julho - “Um Teto Todo Seu” (1929) – ensaio sobre literatura e feminismo.


- 25 de julho - “Flush - Memórias de um Cão” (1933) – romance que mistura ficção e não ficção.


- 29 de julho - Análise Literária de Virginia Woolf.


E aí, preparado(a) para começarmos um novo Desafio Literário? Eu estou. No próximo domingo, dia 5, venho ao Bonas Histórias para divulgar a análise do primeiro livro deste estudo: “A Viagem” (Novo Século). Nada melhor do que iniciarmos nossa aventura pela literatura de Virginia Woolf pelo seu romance de estreia, né? Boa leitura a todos!


Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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