• Ricardo Bonacorci

Desafio Literário de novembro/2020: José Eduardo Agualusa


A chegada da folha de novembro no calendário indica que 2020 entra na reta final. Isto é, se este ano teve alguma reta, né? Minha impressão é que tivemos curvas e mais curvas (e mais curvas) desde março. E com o fim do ano se aproximando sorrateiramente, também estamos próximos das páginas derradeiras (ou seriam posts finais?!) do Desafio Literário. Antes que os mais apressadinhos queiram encerrar prematuramente os trabalhos desta sexta temporada dos estudos estilísticos do Bonas Histórias, já vou logo avisando: ainda temos mais um autor para analisar neste mês.


Depois de investigarmos os estilos narrativos de Jack Kerouac (Estados Unidos) em abril, Maria José Dupré (Brasil) em maio, Kenzaburo Oe (Japão) em junho, Virginia Woolf (Inglaterra) em julho, Rubem Fonseca (Brasil) em setembro e Isabel Allende (Chile) em outubro, vamos analisar, em novembro, a literatura de José Eduardo Agualusa. Ou seja, chegamos agora ao sétimo e último escritor do Desafio Literário de 2020. Se este ano foi recheado de percalços e de obstáculos aparentemente intransponíveis, ao menos no Bonas Histórias conseguimos seguir nossa programação de análises literárias sem grandes dificuldades.


José Eduardo Agualusa é um dos principais escritores angolanos da atualidade. Aos 59 anos e com mais de três dezenas de títulos publicados, ele navega com excelência pela prosa ficcional (romance, novela, conto, crônica e literatura infantil), pela poesia e pela dramaturgia. Curiosamente, esta habilidade para a produção de vários gêneros textuais é uma marca de muitos autores africanos de língua portuguesa. De cabeça, posso citar o moçambicano Mia Couto e o angolano Ondjak como artistas que não ficam limitados a um ou a poucos gêneros. Eles praticamente escrevem de tudo (e com qualidade). No Brasil, normalmente os escritores acabam se especializando: há os romancistas, há os contistas, há os poetas, há os cronistas... São poucos os que abraçam a literatura de uma maneira mais ampla.


Vivendo entre Lisboa e a Ilha de Moçambique, Agualusa foi traduzido para mais de vinte idiomas e recebeu importantes prêmios literários internacionais. Além de escritor, o angolano também é editor (é um dos fundadores da Língua Geral, editora brasileira especializada na literatura lusófona), e jornalista (tem colunas na revista dominical do jornal português Público, na revista lusitana Ler e no jornal brasileiro O Globo). Nos últimos anos, ele passou a produzir peças teatrais – seus espetáculos foram produzidos em Portugal e no Brasil.

Antes de enveredar pela literatura, José Eduardo Agualusa estudou agricultura e silvicultura em Lisboa, entre o final da década de 1970 e o começo da década de 1980. Quem é fã de Mia Couto, autor de “Terra Sonâmbula” (Companhia das Letras”), “O Fio das Missangas” (Companhia das Letras) e “E Se Obama Fosse Africano” (Companhia das Letras), irá notar uma grande semelhança entre Agualusa e o Prêmio Camões de 2013: ambos os autores são da área da Biologia (Couto é biólogo). Interessante essa nota biográfica. Não sei se é só coincidência ou o fato de eles analisarem a natureza e as paisagens de seus países contribuiu de alguma forma para suas construções narrativas. Mia Couto afirmou várias vezes que sim, há uma relação nisso. Ele diz ter aprendido a contar histórias ao visitar seu país como biólogo e ao conversar com seus conterrâneos.


A estreia de José Eduardo Agualusa na ficção aconteceu em 1989 com o romance “A Conjura” (Gryphus Editora). A obra conquistou o Prêmio Sonangol de Revelação Literária daquele ano em Angola. Na primeira metade dos anos 1990, Agualusa publicou três livros - uma coletânea de contos, uma coleção poética e uma novela. Na segunda metade daquela década, ele lançou dois romances que catapultaram sua carreira: “Estação das Chuvas” (Língua Geral), em 1996, e “Nação Crioula” (Gryphus Editora), em 1997. A partir daí, Agualusa entrou para a prateleira dos grandes autores da literatura angolana (e de lá nunca mais saiu).


A partir dos anos 2000, ele aumentou a intensidade de suas produções ficcionais. Praticamente todo ano teve um lançamento – sua média é superior a uma obra por ano. Foram 24 livros publicados neste período, metade deles é de narrativas longas. Os destaques desta fase são: “O Vendedor de Passados” (Tusquets), romance de 2004, “As Mulheres do Meu Pai” (Língua Geral), romance de 2007, "Nweti e o Mar" (Gryphus Editora), obra infantil de 2011, e “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários” (Tusquets), romance de 2017.


Esta é uma pequena introdução sobre Agualusa, o autor que vamos investigar mais a fundo ao longo deste mês no Bonas Histórias. A ideia é fazermos inicialmente as análises individuais de seis livros do angolano – cinco romances e um título infantil. Concluída esta parte, será possível, em 30 de novembro, encerrarmos o Desafio Literário deste mês (e do ano) com a análise da literatura de José Eduardo Agualusa.

Confira, a seguir, o cronograma de análises literárias para as próximas quatro semanas:


- 6 de novembro de 2020 - "A Conjura" (1989) – romance.


- 10 de novembro de 2020 - "Nação Crioula" (1997) – romance.


- 14 de novembro de 2020 - "O Vendedor de Passados" (2004) – romance.


- 18 de novembro de 2020 - "As Mulheres do Meu Pai" (2007) – romance.


- 22 de novembro de 2020 - "Nweti e o Mar" (2011) – infantil.


- 26 de novembro de 2020 - "A Sociedade dos Sonhadores Involuntários" (2017) – romance.


- 30 de novembro de 2020 - Análise Literária de José Eduardo Agualusa.


Vale destacar que Agualusa é o segundo escritor angolano que será analisado no Desafio Literário. O primeiro foi Ondjaki, autor de “Bom Dia, Camaradas” (Companhia das Letras), “E Se Amanhã o Medo” (Língua Geral), “Os da Minha Rua” (Língua Geral), "AvóDezanove e o Segredo do Soviético" (Companhia das Letras), "A Bicicleta que Tinha Bigodes" (Pallas) e "Os Transparentes" (Companhia das Letras). A literatura de Ondjaki foi estudada em novembro de 2017 no Bonas Histórias.


E para começarmos a investigação do trabalho ficcional de José Eduardo Agualusa, a primeira obra que será estudada é justamente seu romance de estreia, “A Conjura” (Gryphus Editora). O post sobre este livro estará disponível no blog na próxima sexta-feira, dia 6. Boa leitura para todos nós em novembro!


Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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