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Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura, arte e entretenimento criado por Ricardo Bonacorci em 2014. Com um conteúdo multicultural – literatura, cinema, música, dança, teatro, exposição, pintura, gastronomia, turismo etc. –, o Blog Bonas Histórias analisa de maneira profunda e completa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 44 anos e mora com um pé em Buenos Aires e outro na capital paulista. Atuando como editor de livros, escritor (ghostwriter), redator publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural e pesquisador acadêmico, Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

Dança: Bachata – A passionalidade do ritmo caribenho que conquistou o mundo

  • Foto do escritor: Marcela Bonacorci
    Marcela Bonacorci
  • 15 de jun.
  • 14 min de leitura

Conheça a origem, a evolução, as características, os passos e a sonoridade da Bachata, um estilo de Dança de Salão extremamente romântico nascido na República Dominicana no fim da década de 1950. Favorito de muitos casais de dançarinos em todos os cantos do planeta, este ritmo é marcado por movimentações de quatro em quatro tempos, deslocamentos laterais, jogos de quadril e intensa conexão entre os parceiros.


Dança Bachata: Marcela Bonacorci apresenta, na coluna Dança, a origem, a evolução histórica, as influências, as características e os principais passos da Bachata, um dos ritmos mais passionais da vertente latina da Dança de Salão

Vamos para mais um giro pelo salão, pessoal! Depois de detalhar, nos últimos posts, ritmos latino-americanos como Bolero, Salsa e Tango, a coluna Dança irá analisar hoje outra popular e carismática modalidade caribenha de Dança de Salão: a Bachata. Esta nova publicação do Bonas Histórias é uma espécie de singelo presente que ofereço aos alunos, professores e amigos da Dança & Expressão, que tem esse gênero como seu favorito. Confesso que entendo suas preferências pela Bachata. Impossível não se encantar com a sensualidade, a animação e a energia contagiantes de uma das danças mais românticas e intensas criadas na América Latina.


Quem vê uma pista de dança cheia de casais deslizando alegres e agarradinhos ao som da Bachata talvez não imagine a incrível trajetória percorrida por esse ritmo ao longo de quase sete décadas. Adianto que não foi nada fácil para ele alcançar o atual reconhecimento mundial e cair nas graças de milhares de dançarinos. Praticada hoje em escolas de dança, casas noturnas, festas familiares, festivais de dança e congressos internacionais, a Bachata nasceu de forma simples, na zona rural da República Dominicana. Sua origem está carregada de histórias de amor, sofrimento e resistência cultural por parte das camadas populares do país da América Central. Vem daí sua passionalidade, que transborda seja nos passos de dança, seja na sonoridade das canções.


Não por acaso, a evolução e consolidação da Bachata constituem uma das histórias mais fascinantes e surpreendentes da música latina. O que durante décadas foi considerado um gênero marginalizado tornou-se patrimônio cultural do Caribe, fenômeno global e uma das Danças de Salão mais praticadas nos quatro cantos do planeta.


Ficou interessado(a) em conhecer a origem, as particularidades, a expansão, a consolidação, as características dos movimentos, a sonoridade e os diferenciais da Bachata? Aposto que sim! Venha, então, comigo neste passeio histórico surpreendente e, por que não, emocionante pelos detalhes da arte dançante da América Central. E quem sabe se, ao final deste novo post da coluna Dança, você não se empolgue ao ponto de querer aprender alguns passinhos básicos, né? Vamos dançar, turma!


A Bachata surgiu na República Dominicana entre o fim da década de 1950 e o início da década de 1960. Na época de sua criação, ela era ainda muito marginalizada, chegando a ser coibida pelo ditador Rafael Trujillo. O governante local, responsável por implementar uma das ditaduras militares mais brutais da história latino-americana, não queria que nenhum gênero musical-dançante competisse com o Merengue, até então símbolo nacional e fortemente atrelado à identidade cultural dominicana.


Confira a história, a passionalidade, a sonoridade e os movimentos da Bachata, a modalidade de Dança de Salão originada na República Dominicana entre o fim da década de 1950 e o início da década de 1960

Curiosamente, o termo “bachata” não se referia, naquele momento da história, a um estilo de dança ou a um gênero musical especificamente. A palavra era usada no interior da República Dominicana e nas periferias de São Domingo, a capital do país, para designar encontros populares, festas realizadas entre amigos, celebrações familiares e folias comunitárias. “Vamos a bachata?!” era como se a pessoa estivesse perguntando ou convidando os demais para irem a uma farra ou a um rega-bofe.  


Mesmo após o regime ditatorial de Trujillo sucumbir no início dos anos 1960, a Bachata ainda carregou por décadas forte estigma social. Ela era bastante associada aos povoados interioranos e às camadas mais pobres das cidades dominicanas, que a adotaram de imediato. Por isso, tocava apenas em bares simples, pequenos restaurantes e espaços frequentados pela classe trabalhadora. A associação com o público mais humilde fez com que o ritmo fosse desprezado pela elite, pelo governo e pelos principais meios de comunicação por muito tempo.


Influenciada pelo Bolero Cubano, pelo Son, pelo Chá-chá-chá e pelo Tango, além do Merengue e outros ritmos tradicionais da República Dominicana, a Bachata desenvolveu características próprias. Suas letras falam principalmente de amor, de desilusões amorosas, de saudades e, por vezes, das dificuldades da vida cotidiana para quem não nasceu em berços esplêndidos. Por tratar de temas tão emotivos, ela ficou conhecida como a "música da amargura". Em outras palavras, é uma espécie de versão caribenha das canções que os brasileiros chamam historicamente de “dor de cotovelo” e “sofrência”. 


Quando estudamos a origem da Bachata, um nome é unânime em qualquer bibliografia musical: José Manuel Calderón. Ele é considerado pela maioria dos historiadores como o primeiro intérprete a gravar oficialmente canções deste gênero. Logo após o assassinato de Rafael Trujillo, Calderón lançou, em 1962, duas músicas: “Borracho de Amor”, de sua autoria, e “Condena”, de autoria de Bienvenido Fabián. A primeira canção mescla ritmos latinos com Bolero Cubano e fala de uma desilusão amorosa. Após perder seu grande amor, o eu lírico entrega-se às bebidas alcóolicas em busca de consolo. A segunda faixa, cujos versos iniciais são o famoso “Que será de mi?”, também trata da tristeza de uma paixão perdida. Nesse caso, o eu lírico questiona se sua existência ainda vale a pena depois do abandono da mulher amada.  


“Borracho de Amor” e “Condena” definiram as identidades poéticas e sonoras da Bachata. O trabalho de José Manuel Calderón abriu caminho para que outros artistas desenvolvessem este estilo sem o medo da repressão estatal. Alguns intérpretes chegaram a levar, já nesse momento, o novo som para os países vizinhos. Vale mencionar Rodobaldo Duartes, Rafael Encarnación, Ramón Cordero e Luiz Segura como músicos importantes dessa fase inicial. Inclusive, Segura ficou conhecido como o “Pai da Bachata”, estando ativo até hoje aos 87 anos. Ele foi o responsável por moldar o gênero lançado por Calderón para uma versão mais próxima do que escutamos atualmente.


Fortemente atrelada à identidade cultural da República Dominicana, a Bachata é um dos ritmos caribenhos mais populares e carismáticos da Dança de Salão

Mesmo carregando desde sempre muitos componentes da identidade cultural da República Dominicana, a Bachata seguia com a fama de ser uma variante simplória e melosa do Bolero. Nos anos de 1960 e 1970, ainda era rotulada como uma música inferior, de versos pejorativos e sonoridade de baixa qualidade. Por isso, os bachateros continuavam proibidos de se apresentar em círculos da alta sociedade e de tocarem nas emissoras de televisão e rádio de São Domingo. Do ponto de vista da mídia nacional e da elite da capital, era como se a Bachata sequer existisse. A perseguição violenta e formal do governo nos anos 1950 acabou se convertendo em uma censura velada nas duas décadas seguintes.  


Por outro lado, no interior do país e na periferia das grandes cidades dominicanas, esta música era cada vez mais popular. Os nomes mais famosos deste ritmo na década de 1970 foram: Marino Perez, Leonardo Paniagua, Ramon Isidro Cabrera, mais conhecido como El Chivo Sin Ley, e Eladio Romero Santos – não o confundir, por favor, com Romeo Santos! Eladio ajudou a tornar a Bachata um pouco mais aceita socialmente, misturando elementos do Merengue e tornando o ritmo mais dançante e expressivo.


Contudo, a grande virada ocorreu nas décadas de 1980 e 1990. Os artistas passaram a investir em gravações mais elaboradas e os compositores escreveram letras mais sofisticadas. Por exemplo, melhorou-se a qualidade sonora dos discos, modernizou-se a melodia com o acréscimo das guitarras elétricas e surgiram temas mais cosmopolitas. Assim, a Bachata se tornou aceita por todos os públicos e começou a ser apresentada nas principais rádios e emissoras de televisão da República Dominicana.


Como consequência de sua popularização, ela ficou ainda mais dançante, com tempos maiores, som encorpado pelas guitarras e cantos de chamada e resposta mais frequentes. Quem contribuiu significativamente com tal evolução foi Blas Durán. O cantor dominicano foi o primeiro a gravar canções de Bachata com guitarras elétricas. Lançado em 1986, “Consejo a las Mujeres” virou um hit instantâneo na América Central. Estamos falando, portanto, de uma canção que completa 40 anos em 2026. Do ponto de vista musical, é pouco tempo.


Outras duas figuras extremamente importantes para a modernização e popularização da Bachata foram Luiz Vargas e Antony Santos. Vargas é conhecido como “El Rey Supremo de la Bachata” e sua música é mais refinada e romântica. E Santos foi o responsável por trazer a sonoridade Pop para essa modalidade. Com letras populares, refrões comerciais e batidas extremamente dançantes, emplacou vários hits e se tornou um dos cantores mais queridos pelo público local. Tanto Luiz Vargas quanto Antony Santos são vistos como a primeira geração de artistas realmente midiáticos da Bachata, com notoriedade nacional e internacional (no âmbito da América hispânica).


Dança dominicana extremamente intensa e sensual, a Bachata tem passos que fazem com que os casais se movimentem bem agarrados, o que confere ainda mais romantismo às apresentações dançantes

Um marco importante deste gênero foi o lançamento de “Bachata Rosa”, disco de 1990 de Juan Luis Guerra. Essa coletânea musical ganhou, em 1992, o Grammy de Melhor Álbum de Música Tropical Latina. Embora Guerra transitasse entre diferentes estilos musicais, seu premiado trabalho ajudou a apresentar a Bachata a novos públicos no exterior e a diminuir o preconceito que ainda existia em alguns setores da sociedade dominicana. Com o reconhecimento de “Bachata Rosa” pela crítica internacional, a Bachata não só se tornou uma das músicas oficiais da República Dominicana como ganhou a chancela de canção caribenha de qualidade.  


Se Juan Luis Guerra abriu as portas deste gênero para o público externo, foi o grupo norte-americano Aventura que transformou a Bachata em fenômeno global. A banda nova-iorquina era formada por quatro descendentes de dominicanos: Romeo Santos, Henry Santos, Lenny Santos e Max Santos. Pelo sobrenome em comum, dá para ver que a maioria dos músicos era da mesma família, né? Lenny e Max são irmãos, enquanto Henry é primo da dupla. Já Romeo adotou o sobrenome artístico para combinar com os parceiros de grupo.


O quarteto foi pioneiro na fusão da Bachata Tradicional com elementos de Pop, R&B e Música Urbana. O Aventura conquistou milhares de fãs, principalmente entre os jovens da América Latina, Estados Unidos e Europa. "Obsesión", canção de 2002, se tornou hit internacional e apresentou a versão comercial da Bachata para milhões de pessoas no mundo inteiro.


O sucesso do grupo norte-americano foi tamanho que Romeo Santos, o vocalista e compositor do Aventura, optou por, a partir de 2011, seguir em carreira solo. Enquanto a famosa banda terminava, Romeo Santos não apenas se consolidou, nos anos seguintes, como o maior nome da história da Bachata, mas virou uma das principais figuras da música latina contemporânea.


Após décadas de evolução, esta modalidade conquistou o reconhecimento internacional tanto como gênero musical quanto como expressão artístico-cultural. Em 2019, a UNESCO declarou a Bachata Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Assim, comprovou sua importância para a identidade dominicana e para a diversidade artística mundial. A honraria concedida pela agência de Educação, Ciência e Cultura da Organização das Nações Unidas simbolizou a vitória de uma manifestação popular que durante muito tempo foi alvo de discriminação e censura na nação que a criou.


Modalidade dançante com fãs nos quatro cantos do mundo, a Bachata é a Dança de Salão de origem caribenha em que os casais dançam grudados, se movimentando preferencialmente para os lados e fazendo intensos jogos de quadril, o que cria uma intensa conexão entre os dançarinos

Entre os maiores representantes da nova geração da Bachata estão, além do já citado Romeo Santos, Prince Royce e Raulín Rodríguez. Nascido no Bronx, em Nova York, Royce é filho de imigrantes dominicanos. Ele conquistou o público ao unir a essência romântica do gênero com as batidas vibrantes do Pop e R&B. Seu sucesso começou, em 2010, com o lançamento da versão em Bachata de “Stand By Me”. Prince Royce é atualmente um dos artistas mais populares da música latina.


Por sua vez, Rodríguez, conhecido como “El Cacique”, é apontado como o responsável por modernizar a Bachata nos anos 1990. Com letras românticas e uma habilidade descomunal como guitarrista, o cantor nascido no interior da República Dominicana fez o caminho inverso ao de Romeo Santos e Prince Royce: primeiro se tornou bem-sucedido nacionalmente para depois ganhar a admiração do público estrangeiro. Hoje, Raulín Rodríguez é um dos artistas mais conhecidos deste gênero musical.


A dupla Monchy & Alexandra também ocupa um lugar especial na história da Bachata. Formado por Ramón Rijo e Alexandra Cabrera de la Cruz, o casal de dominicanos inovou ao popularizar os duetos românticos neste gênero. Canções como “Hoja en Blanco”, de 1999, “Perdidos”, “Hasta El Fin”, ambos de 2004, e “No Es Una Novela”, de 2006, são clássicos contemporâneos deste ritmo. Já Frank Reyes, conhecido como “O Príncipe da Bachata”, é tido atualmente como um dos maiores intérpretes de sua modalidade. Sua carreira foi construída com muitos sucessos românticos e inúmeros prêmios. A voz inconfundível e a trajetória consistente de Reyes fizeram dele uma das figuras mais respeitadas da música dominicana contemporânea.


Outra canção bastante popular é “Bailando Bachata”, do cantor e ator porto-riquenho Chayanne. Apesar de seu intérprete englobar outros ritmos em seu portfólio musical, geralmente baladas românticas que mesclam Pop Latino com Salsa, Bachata, Merengue e Bolero, ele ficou muito atrelado à modalidade dominicana por causa do título deste hit.


Paralelamente ao crescimento deste tipo de canção, a dança também passou por profundas transformações ao longo de meio século. A Bachata dançada originalmente na República Dominicana era simples, espontânea e baseada na interpretação pessoal da música. Os movimentos eram compactos e lentos, próximos ao chão, com bastante trabalho de pés e improvisação. Portanto, parecia bastante com o Bolero. Com a expansão internacional, professores e bailarinos começaram a desenvolver novas formas de movimento e passos um pouco mais acelerados, criando o estilo que hoje contagia os salões de dança ao redor do mundo.


Na coluna Dança, Marcela Bonacorci apresenta a história, as características e os principais passos da Bachata, a romântica e passional dança dominicana que emociona tantas pessoas até hoje nos quatro cantos do mundo

Indiferente à variação da Bachata praticada, a principal característica desta dança é o conjunto de movimentos quartenários. Em outras palavras, ela é executada de quatro em quatro tempos. A estrutura básica desenha um pequeno quadrado no chão e os deslocamentos são: lado, lado, para frente e lado, lado, para trás. Esta é a parte fechada da sincronia do casal, que permanece abraçado na posição tradicional da Dança de Salão.


Não me lembro se expliquei em detalhes essa técnica em outros posts da coluna Dança. De qualquer forma, deixo aqui registrado que a posição tradicional dos dançarinos é aquela em que o condutor fica com o braço esquerdo aberto e o braço direito envolvendo o centro das costas da conduzida; e a conduzida fica com o braço direito aberto e o braço esquerdo envolvendo a altura do ombro do condutor.


A parte aberta da posição tradicional é o que possibilita a realização dos giros e das figuras mais elaboradas da Bachata. Os casais têm que se afastar um pouco, ficando conectados através das mãos. Fazem, assim, uma dança linear e com deslocamento de um lado para o outro. Dão três passos para o lado e, no quarto tempo, dão um toque ou uma leve elevação no quadril. Depois, repetem a dinâmica para o outro lado. O movimento do quadril, chamado muitas vezes de “jogo de quadril”, é bem característico deste ritmo e é executado com a flexão do joelho de uma das pernas. A outra perna fica com o joelho esticado, tirando o calcanhar do chão.


Os principais estilos de Bachata são: Bachata Dominicana, Bachata Moderna, Bachata Sensual e Bachata Fusion. A seguir, vamos entender um pouco cada uma dessas variações.


A Bachata Dominicana é considerada a forma mais tradicional e autêntica da dança. Caracteriza-se pelo uso intenso da musicalidade, do improviso e dos jogos de pés. Os dançarinos interpretam instrumentos específicos da música, criando uma dança rica em detalhes rítmicos. O casal fica bem juntinho, movimentando-se de um lado para o outro com passos mais simples e com um estilo mais livre. A Bachata Dominicana é, contrariando seu nome, dançada em todo o Caribe e já é praticada com músicas mais rápidas, o que é uma inovação considerando a sua pegada original de maior lentidão.


Confira a história, a passionalidade, a sonoridade e os movimentos da Bachata, a modalidade de Dança de Salão originada na República Dominicana entre o fim da década de 1950 e o início da década de 1960

A Bachata Moderna foi desenvolvida principalmente nos Estados Unidos e na Europa no início dos anos 2000. Apresenta deslocamentos mais lineares, figuras mais estruturadas e influências de outras danças latinas, especialmente a Salsa. Porém, é possível ver também efeitos do Bolero, do Tango e do Zouk. Os dançarinos movimentam mais a parte superior do corpo, com ênfase ao quadril nos tempos 4 e 8. E fazem muitas cruzadas com as pernas, as chamadas “cruzes”. Nos giros, é possível notar a fortíssima influência da Salsa.


Em escala mundial, o estilo mais popular é a Bachata Sensual. Ela é uma evolução da Bachata Dominicana, destacando mais a expressão corporal e a variação de passos. Criada pelos bailarinos espanhóis Korke Escalona e Judith Cordero, a Bachata Sensual utiliza movimentos fluidos, ondulações corporais, isolamentos de tronco e grande conexão entre os parceiros de dança. Apesar do nome, seu foco principal está na interpretação musical por parte dos casais de dançarinos e não apenas na sensualidade que eles transparecem ao público que assiste às apresentações.


Por fim, a Bachata Fusion mistura elementos de diferentes estilos à Bachata Dominicana. É comum encontrar movimentos inspirados no Zouk Brasileiro, no Tango, na Dança Contemporânea e até mesmo nas Danças Urbanas, como o Hip Hop. Essa variação da Bachata permite que o casal de dançarinos mescle giros complexos, isolamentos corporais e movimentos fluidos. Tudo isso, claro, com a musicalidade tão característica do ritmo latino.


No Brasil, vale a pena explicar, a Bachata começou a ganhar força a partir dos anos 2000. Ou seja, ela ainda é uma modalidade de Dança de Salão bem recente por aqui, com um público de dançarinos em formação. Inicialmente, se tornou mais conhecida pelos grupos especializados em danças latinas. Só depois foi incorporada à grade de aulas das escolas de Dança de Salão. Na Dança & Expressão, por exemplo, tivemos um workshop de Bachata durante o Curso de Verão, em janeiro. Atualmente, ela é uma modalidade bastante procurada por alunos dos níveis iniciantes e intermediários, que buscam algo dinâmico e divertido para praticar.


O crescimento dos festivais internacionais, a chegada de professores estrangeiros e o intercâmbio constante entre profissionais contribuíram para elevar o nível técnico dos bachateros brasileiros. Atualmente, nosso país possui professores, DJs, organizadores de eventos e artistas reconhecidos mundialmente dentro desta comunidade. Em muitas escolas, inclusive, a Bachata virou a porta de entrada para a Dança de Salão, atraindo pessoas que querem socialização, buscam bem-estar e prezam por novas formas de expressão corporal.


Fortemente atrelada à identidade cultural da República Dominicana, a Bachata é um dos ritmos caribenhos mais populares e carismáticos da Dança de Salão

Tanto nacional quanto internacionalmente, é difícil encontrar, hoje, um grande congresso de danças sociais que não tenha a Bachata em sua programação. Fora da América Central, Espanha, França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e Brasil são países com comunidades de bachateros extremamente ativas. A Espanha, em particular, desempenhou papel fundamental na popularização da Bachata Sensual e se tornou um dos principais centros mundiais de formação de profissionais deste gênero. Festivais internacionais chegam a reunir milhares de participantes em workshops, bailes, competições e apresentações artísticas.


Para melhor exemplificar a força deste ritmo, organizei uma playlist com o Top 10 das Bachatas mais celebradas pelo público e pela crítica musical. Conhecer essas canções é mergulhar no que este ritmo caribenho tem de mais contagiante. Aposto que você irá se apaixonar pela sonoridade da Bachata e vai querer dançá-la o quanto antes. Como prometido, aí vão as dez canções que acho mais relevantes do ponto de vista histórico-comercial:


1) “Obsesión” (Aventura): o maior clássico da Bachata Moderna.



2) “Propuesta Indecente” (Romeo Santos): uma das músicas latinas mais populares do século XXI.



3) “Stand By Me” (Prince Royce): Versão em Bachata de um clássico da música internacional. 



4) “Bachata Rosa” (Juan Luis Guerra): Homônima ao álbum premiado, esta canção foi fundamental para a evolução do gênero.



5) “Pena por Ti” (Luis Segura): Viagem às raízes da Bachata Tradicional.



6) “Bailando Bachata” (Chayanne): Puro suco do romantismo latino que embala os corações enamorados.



7) “Condena” (José Manuel Calderón): Uma volta saudosa pelas origens do ritmo nascido no interior da República Dominicana. 



8) “Hoja en Blanco” (Monchy & Alexandra): Maior sucesso da querida dupla dominicana.



9) “Esta Noche” (Raulín Rodríguez): Uma das músicas mais conhecidas de El Cacique.



10) “Tú Eres Ajena” (Frank Reyes): Clássico contemporâneo da música latina na voz do Príncipe da Bachata.



Que tal a minha lista musical, hein? Desta playlist, você tem alguma canção favorita ou algum artista predileto?!


A história da Bachata demonstra que a cultura tem o poder de transformar percepções e derrubar preconceitos. O ritmo nascido no interior dominicano e desenvolvido na periferia de São Domingo, que embala versos de amor e de sofrimento com tanta passionalidade, atravessou fronteiras e oceanos, adquiriu o respeito do público internacional e se tornou tão desejado por dançarinos no mundo inteiro. Seja em São Domingo, São Paulo, Buenos Aires, Cidade do México, Madrid, Nova York, Paris, Milão, Berlin, Joanesburgo, Seul ou Sydney, milhares de pessoas compartilham a mesmíssima experiência: a conexão proporcionada pela música e pela dança de fortes cores caribenhas.


Acredito que seja justamente essa capacidade de unir pessoas através das emoções à flor da pele que faça da Bachata muito mais do que um simples gênero musical ou uma sequência de passos de dança. Ela é, acima de tudo, a celebração da emotividade humana transformada em expressividade músico-corporal. É também a prova de que as manifestações culturais mais autênticas e espontâneas sempre encontram o caminho do reconhecimento e da viabilidade social.


Era essa a história que queria contar para vocês no Bonas Histórias. Espero que minhas palavras sobre a Bachata encontrem gente apaixonada pela música e pela dança e ecoem nas almas dispostas a dar vazão ao romantismo. Até porque, esse sentimento não deve ficar restrito ao 12 de junho, data festiva comemorada na última sexta-feira, né?


Prometo retornar em breve para a coluna Dança com mais conteúdo exclusivo. Quem sabe não comente com vocês outra Dança de Salão de características tão marcantes. Enquanto a nova publicação não chega, desejo a todos boas danças e excelentes músicas. Até a próxima!


Dança é a coluna de Marcela Bonacorci, dançarina, coreógrafa, professora e diretora artística da Dança & Expressão. Esta seção do Bonas Histórias apresenta mensalmente as novidades do universo dançante. Gostou deste conteúdo? Não se esqueça de deixar seu comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre este tema, clique na coluna Dança. E aproveite também para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

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