Gastronomia: La Perla Caribe Na Rua – O restaurante venezuelano da Pompeia
- Ricardo Bonacorci

- há 10 minutos
- 23 min de leitura
Inaugurado em julho de 2025 na Zona Oeste da cidade de São Paulo, este restaurante de comida caribenha é comandado pelo casal Rosalva Cardona e Lester de Silva. Depois de venderem arepas num carrinho pelas ruas paulistanas por muitos anos, os imigrantes venezuelanos montaram, enfim, um estabelecimento fixo. O lugar encanta pelos pratos típicos, pela decoração que remete à Ilha Margarita, pela ambientação animada e pelo atendimento afetuoso.

Sempre tive adoração pela cultura venezuelana. Na minha infância e adolescência nos anos 1990, apreciava o intercâmbio cultural e linguístico com primos e tios que moravam em Caracas, que na época era uma metrópole pujante, cosmopolita e, acredite, rica. Quando nos visitavam em São Paulo, os Bonacorci radicados no norte da América do Sul esbanjavam alegria, bom humor e muita descontração. Eu também ficava fascinado com a beleza das mulheres de lá (quando moleque, sonhava em me casar com Alicia Machado) e com a sonoridade das bandas locais de Pop Rock (¡dale Los Amigos Invisibles). Assim, cada viagem ao Brasil dos familiares que falavam castellano era garantia de diversão para adultos e crianças.
Contudo, na primeira década do século XXI, o cenário na querida e encantadora Venezuela se tornou complicadíssimo. Para quem não sabe do que estou falando, recomendo assistir aos filmes “Zafari” (2023) e “Ainda É Noite em Caracas” (Aún es de Noche en Caracas: 2025). Esses dois dramas da cineasta Mariana Rondón foram baseados em episódios reais e demonstram com fidedignidade os apuros da sociedade local com o danoso regime político da dupla Chávez-Maduro. Se você curte mais a coluna Livros – Crítica Literária do que a coluna Cinema deste blog perdido no mundão da internet em língua portuguesa, a indicação é a leitura de "Voltar a Quando" (Biblioteca Azul), romance de María Elena Morán vencedor do Prêmio Café Gijón 2022. Essa obra também tem componentes autobiográficos e retrata com tintas fortes o drama do povo venezuelano nos últimos anos.
No contexto de falta completa de segurança e de perspectivas econômicas, meus familiares caraquenhos se mudaram para Miami há mais ou menos 15 anos. O exterior foi o caminho de boa parte de seus conterrâneos nas últimas duas décadas. Acredita-se que, de 2005 para cá, sete milhões de venezuelanos tenham emigrado, o que representa de 20% a 25% dos habitantes do país. Os destinos mais comuns foram Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Equador, Brasil, México, Estados Unidos e Espanha.
Mais recentemente, morando em Buenos Aires, fiz amizade com uma linda caribenha. ¡Besos, Ana María! Natural de Maracaibo e morando em Almagro/Caballito há cinco anos, ela se esmerou em me apresentar a riqueza da gastronomia de sua terra natal. Até então, confesso que não tinha percebido que a capital argentina é recheada de estabelecimentos que vendem arepas, tequeños, pabellones, cachapas e patacones. Foi nesse momento que descobri que a comunidade de imigrantes venezuelanos em Buenos Aires é gigantesca, muito maior do que a de São Paulo ou do Rio de Janeiro, por exemplo. Realmente a diáspora provocada pela Revolução Bolivariana teve proporções inimagináveis em nosso continente.

Numa das saídas noturnas mais legais com minha amiga de Maracaibo em Buenos Aires, conhecemos o Miss Venezuela Teatro Bar, provavelmente o restaurante venezuelano mais animado da metrópole portenha. O local é tão divertido, mas tão divertido que, como único representante brasileiro numa sexta-feira de karaokê venezuelano, fui obrigado a cantar e dançar “Ai Se Eu Te Pego”, sucesso internacional de Michel Teló. Afinal, o povo de lá acreditava piamente que todo brazuca sabia interpretar os hits de seu país. Juro que nunca passei tanta vergonha comigo mesmo. Ainda vou comentar, aqui na coluna Gastronomia, as delícias, os encantos e as surpresas do Miss Venezuela, casa localizada no sempre agitado e boêmio Palermo Hollywood.
Estou contando essas histórias para justificar minha paixão pela culinária venezuelana e fazer a ligação com o tema do post de hoje do Bonas Histórias. De volta à cidade de São Paulo no segundo semestre do ano passado, me vi seduzido por um restaurante de comida caribenha que descobri ao ladinho de minha casa. Estou falando do “La Perla – Caribe Na Rua”, empreendimento do casal de venezuelanos Rosalva Vanessa Cardona de Silva e Lester de Silva. Localizado no bairro da Pompeia, este estabelecimento foi inaugurado em julho de 2025 e está a pouco mais de 200 metros do Hospital São Camilo e a menos de um quilômetro do Allianz Parque (que em breve se chamará Nubank Parque), do Sesc Pompeia e do Shopping Bourbon. Se você é maluquinho(a), maluquinho(a) pela gastronomia venezuelana, saiba que o “La Perla” tem grandes chances de lhe encantar, assim como aconteceu comigo.
Há dez anos morando no Brasil, Rosa (como ela gosta de ser chamada) e o marido Lester começaram vendendo arepas pelas ruas de São Paulo num carrinho. O toldo deste equipamento faz parte agora da decoração do restaurante deles. Com listras vermelhas e brancas, ele está em cima do balcão que separa a cozinha do salão e ajuda a mostrar a ascensão do casal no novo país. Vem daí também o termo “Na Rua” que complementa o nome do “La Perla”.
A dupla de empreendedores é natural de Puerto Ordaz, cidade do interior da província de Bolívar, no nordeste do país. Enquanto Rosa cuida do atendimento aos clientes e dos serviços de mesa, Lester é o responsável pela cozinha do restaurante. Essa é a dinâmica do casal desde quando começaram a empreender no Brasil. Pelo visto, a estratégia tem sido bem-sucedida.
Curiosamente, o “La Perla – Caribe Na Rua” não é apenas focado em comida venezuelana, mas é especializado na gastronomia caribenha. Achei a proposta excelente, por mais que não curta peixes nem frutos do mar. É isso mesmo que você leu: os únicos itens que são riscados do meu cardápio são exatamente aqueles usados como principais matérias-primas da culinária do litoral do Caribe. Por isso, todas as vezes que visito o restaurante da Pompeia, acabo me limitando aos pratos típicos do país, feitos normalmente à base de farinha de milho, com recheios que dispensem os pescados. Apesar da minha restrição, ainda assim não faltam boas opções.

A pegada marítima é visível já na decoração do lugar. O “La Perla” emula a ambientação da Ilha Margarita, situada ao norte do país, no Mar do Caribe. Pense numa região quente, úmida, bonita, de águas esverdeadas, beleza selvagem e com um povo chegadinho na animação. Essa é La Isla Margarita, designação no original, um dos principais destinos turísticos da Venezuela. O apelido do lugar é “La perla del Caribe”, ou “A pérola do Caribe”, em bom português. Vem daí a ideia para o nome do restaurante de Rosa e Lester, que adoravam passar as férias por lá, na época em que sua nação não era uma mola injetora de gente.
No caso, o estilo caribenho do “La Perla” paulistano aparece de várias formas: na réplica de um barco logo na entrada; nas cores azuis das paredes fazendo referência ao céu e às águas da ilha; no emprego de muita madeira na decoração; no colorido dos elementos visuais; e na varandona com mesas e cadeiras que emula a sensação de se estar na orla da praia. Isso para ficarmos na ambientação do salão, né? Quando olhamos para o cardápio, encontramos bebidas refrescantes para aplacar o calor e pratos feitos com muitos peixes e frutos do mar.
A animação e a atmosfera festiva remetem ao jeito caloroso e descontraído do Norte da Venezuela. Em alguns finais de semana, bandas com músicos de origem venezuelana tocam canções típicas, potencializando o clima caribenho. Para saber a agenda de shows, é necessário consultar o Instagram do restaurante. As apresentações musicais são gratuitas e costumam agradar o público. Eu só vi uma até agora, no início de março. Para celebrar o mês das mulheres, o grupo liderado pelos irmãos César Augusto e Alejandro Hernández fez alguns covers. Achei bem legal.
A alegria do “La Perla” também se deve ao atendimento extremamente carinhoso com que Rosa recebe seus convidados. Não é exagero dizer que ela e sua equipe fazem com que nos sintamos em casa. A simpatia da proprietária é um absurdo. Com o sorriso eternamente estampado no rosto e com palavras doces na boca a todo momento, Rosa irradia o prazer que sente ao servir os visitantes. Sempre que fui lá, saí admirado com seu jeito ao mesmo tempo simples, afável e educado. E quando ela não está presente, algo que pode ocorrer durante a semana, a qualidade do atendimento não cai. Na minha última visita ao estabelecimento, Christian, o irmão mais novo de Lester que atua como garçom, foi um amor. Puxou conversa, se prontificou a apresentar o sistema e o cardápio e foi muitíssimo atencioso.
A melhor experiência de atendimento no “La Perla – Caribe Na Rua” aconteceu no finalzinho de dezembro. Após uma partida de beach tennis com meus amigos (beijos, Maroca, Celinha e Sandra; e abraços, Paulinho e Enzo), fomos matar a fome no meu restaurante venezuelano favorito em São Paulo. Ao chegar lá, no início de uma sexta-feira à noite, fomos recepcionados por um menino de aproximadamente 12 ou 13 anos. Posicionado na entrada do estabelecimento, ainda na calçada, o garotinho exalava simpatia e alegria. Imediatamente pensei: “ele deve ser o filhinho da Rosa e do Lester e está nas férias escolares”. Pelo visto, o atendimento caloroso está no DNA do clã. Quando saímos, duas horas mais tarde, o menino ainda estava de pé na calçada. Novamente, ele agradeceu nossa presença com a típica sinceridade e empolgação infantil. Incrível!

Adorei o atendimento nesse dia especificamente porque Rosa se mostrou ainda mais atenciosa conosco. Como meus amigos não conheciam a culinária venezuelana nem a gastronomia caribenha, ela não se cansou de explicar para cada integrante do nosso grupo o que era cada prato. Achei impressionante seu gosto por conversar, a paixão pelo seu negócio e a calma com que interagia com as pessoas. Essa característica pode ser exclusivamente dela e/ou de sua família. Afinal, estamos tratando aqui de um estabelecimento familiar, né? Ou talvez se deva à própria cultura dos venezuelanos, carinhosos e simpáticos em sua essência. Na América do Sul, eles rivalizam com os paraguaios na primeiríssima posição no quesito calor humano. Nesse mesmo ranking feito de forma subjetiva pelo DataRicardinho, as lideranças nos requisitos povo mais educado e povo mais animado do nosso continente são, respectivamente, de uruguaios e colombianos.
Voltando a falar da proprietária do “La Perla”... Quem assistiu à primeira temporada de “Segunda Chance” (2019 e 2021), seriado da Rede Globo que está agora disponível no Globoplay, certamente se recordará de Rosalva Vanessa Cardona de Silva. Na ficção televisiva, ela interpretou Alejandra Gonzáles Barrios, uma refugiada venezuelana que frequentava uma escola de ensino noturno para jovens e adultos. No enredo da série, sua personagem trabalhava vendendo arepas e sofria para aprender o português no novo país. Ainda era aterrorizada por um colega brasileiro da escola, que era chegadinho nuns trambiques e numas maldades. Essa foi a primeira (e até aqui única) incursão da venezuelana no ofício de atriz.
Formada em Engenharia (voltamos à realidade, tá?), Rosa deixou Puerto Ordaz em 2015 junto com o marido e o filho pequenininho. Eles vieram para São Paulo porque não aguentavam mais a crise econômica da Venezuela. Além da falta sistemática de produtos básicos e da crescente pobreza da população, o país enfrentava uma onda de violência. Chantagens, sequestros, roubos e assassinatos se tornaram comuns, provocados por gangues de jovens arruaceiros e sem perspectiva. As vítimas preferenciais das quadrilhas, chamadas por lá de colectivos, eram as pessoas de classe média alta, justamente o perfil da família de Rosa. Havia, inclusive, um toque de recolher informal depois das 18 horas. A partir do pôr do sol, ninguém podia colocar os pés nas ruas.
Na Venezuela, Rosa trabalhava como engenheira numa hidrelétrica. Já Lester era administrador de empresas e dava aulas de culinária aos finais de semana. Quem incentivou o casal a se mudar para a capital paulista foi o irmão dela, que trabalhava por aqui no Programa Mais Médicos. Quando constataram que a vida só pioraria na terra natal e que não poderiam mais oferecer a mínima segurança ao filho, que logo mais alcançaria a idade escolar, os atuais proprietários do “La Perla” embarcaram no avião com destino ao Aeroporto de Guarulhos.
O início em São Paulo não foi fácil. Como paulistano, reconheço que minha cidade não é das mais agradáveis para os recém-chegados, ainda mais para os estrangeiros. Sem perspectiva para validar o diploma universitário por aqui, Rosa foi ajudar o marido no então novo empreendimento da família: o “Arepas Picatta”. Eles investiram as economias num carrinho de comida típica de seu país. Dessa maneira, ainda se estabelecendo na Selva de Pedra e tropeçando no idioma, a dupla passou a vender arepas pelas ruas da maior metrópole brasileira.

Para quem não conhece, vale explicar que arepa é uma espécie de sanduíche feito com pão arredondado e achatado à base de farinha de milho. A massa é geralmente frita, mas pode ser assada ou grelhada. As opções de recheios são infinitas: queijo, carne bovina, frango, peixe, legumes e vegetais. Ou tudo isso junto e misturado. Os venezuelanos (e colombianos) são tão apaixonados pelas arepas que as comem em qualquer horário do dia, da noite e da madrugada. Inclusive no café da manhã, o que para mim parece um absurdo. Por mais que goste desse prato, juro que não consigo encará-lo no desayuno. Fritura ao acordar?! Pelo amor de Deus, não dá! Nem coxinha de frango com Catupiry, meu quitute favorito das padarias paulistanas, consigo pedir antes das 10h.
Enquanto Lester produzia a iguaria típica do Norte da América do Sul (curiosamente, os colombianos reivindicam para si a invenção e a adoração por este prato, chamando-o de patrimônio culinário nacional, em mais uma de tantas disputas entre esses países), a esposa se encarregava do atendimento aos clientes. De certa forma, a ficção do seriado da Rede Globo abraçou a realidade. Tanto Alejandra, a personagem venezuelana de “Segunda Chance”, quanto Rosalva, a engenheira que no novo país se tornou atriz e empreendedora, ganhavam a vida vendendo arepas.
O mais legal é que o negócio familiar foi crescendo pouco a pouco. De um carrinho, o “Arepas Picatta” passou a ter uma bicicleta de apoio. Alguns anos mais tarde, adquiriram um trailer. As vendas nas ruas passaram a ser feitas em conjunto com a realização de eventos fechados aos finais de semana. Logo o delivery foi implementado, assim como o sistema de catering. Até que, na metade do ano passado, o casal De Silva encontrou um imóvel nas ladeiras do bairro da Pompeia para montar seu restaurante. Após uma reforma, nascia o “La Perla – Caribe Na Rua”, uma continuação natural do “Arepas Picatta”.
Apesar de ter um ponto comercial fixo há menos de um ano, a família já é bastante experiente no ramo da gastronomia venezuelana. Afinal, já se vai uma década de empreendedorismo nessa área, né? Daí a excelência da operação do “La Perla” e da qualidade do que é ofertado pelo estabelecimento. Tal expertise é notada tanto na eficiência dos processos da casa quanto no alto nível dos itens de seu cardápio.
Por exemplo, adorei o sistema pelo qual os pedidos são feitos no restaurante. O cliente pode fazer a solicitação do prato acessando diretamente o QR Code disponível nas mesas. Após visualizar o cardápio na tela do celular, escolhe-se o que deseja e envia a requisição para a cozinha. Dá até para acompanhar a evolução do pedido, sabendo em qual fase da preparação ele está. Por mais que não seja uma grande novidade do mercado, esse tipo de sistema é ótimo, principalmente em horários de muita demanda.

Isso quer dizer que é impossível fazer a solicitação do pedido pela maneira tradicional? Nananinanão! Quem preferir o método antigo pode chamar a Rosa ou a equipe dela para fazer a interação pelo contato humano. Pelo meu histórico de visitas ao estabelecimento da Pompeia, tenho a certeza de que você será bem atendido(a). Esse é até mesmo o jeito ideal para os novatos da culinária caribenha. Conversando com os colaboradores do “La Perla”, eles vão explicar pacientemente o que é cada prato.
Quando olhamos para o cardápio, notamos a maturidade do restaurante de várias maneiras distintas. Sempre que fui lá, havia uma quantidade considerável de cada produto nichado. Precisamos reconhecer que não é fácil trabalhar com certos itens importados e/ou muito específicos, normalmente de baixíssima demanda na cidade de São Paulo. Daí o grande mérito do negócio de Rosa e Lester de saber onde e como efetuar as recompras na velocidade, no volume e com a qualidade ideais. Afinal, por mais interessante que seja apresentar ao público determinada especialização, a prática cotidiana costuma esconder graves problemas operacionais.
No dia a dia da operação, os produtos e as matérias-primas acabam e suas reposições ficam complicadas. Como seguir importando o refresco típico da Venezuela? Como garantir a qualidade e o frescor das ostras trazidas do Sul do país? Como encontrar o vegetal ideal para a arepa, o tempero certo para o pabellón e a melhor manteiga para a cachapa? E onde comprar os chocolates e os pirulitos tradicionais do país? Só quem está acostumado a esses desafios tem a resposta na ponta da língua. Por isso, acredito que o “Arepas Picatta”, que segue em operação realizando eventos, tenha sido a melhor escola para o “La Perla – Caribe Na Rua”.
Por falar no cardápio, acho que já chegou o momento de tratarmos das delícias do restaurante da Rosa e do Lester, né? Até porque foi para isso que viemos à coluna Gastronomia, não foi? Como diria a antiga música de Adoniran Barbosa, cantada pelos Demônios da Garoa e imortalizada mais tarde num bordão na propaganda da cerveja Antarctica: nóis viemos aqui pra bebê ou pra conversá?! No caso, pra prosear ou pra encher a barriga, hein?!
O “La Perla – Caribe Na Rua” tem basicamente duas linhas de pratos: os lanches venezuelanos e as refeições caribenhas. Comecemos falando do primeiro grupo, que é o que quase sempre peço em minhas visitas por lá. Para quem procura os lanches típicos do país do extremo Norte da América do Sul, as opções são as arepas, os patacones e as cachapas. Como já expliquei o que é a arepa, sinto-me na obrigação (moral e cívica) de contar aos novatos nesta gastronomia o que são os outros dois.

Tradicional da Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá, o patacone é uma massa arredondada feita com banana-da-terra verde amassada. Depois de frita, ela fica crocante e é servida como aperitivo. Geralmente acompanha sal, molhos (guacamole é mais comum, mas o meu preferido é o nosso bom e velho vinagrete, chamado na Argentina de salsa criolla), queijo e ceviche. Aqui vai um detalhe importante: nunca fale para venezuelanos (ou colombianos, equatorianos e panamenhos) que o patacone é um prato feito de banana. Eles ficam realmente zangados com tal gafe. Banana-da-terra (plátano em espanhol) é uma coisa e banana comum (prata e nanica para nós brasileiros) é outra completamente diferente.
Já a cachapa é a panqueca rústica típica da Venezuela. Feita de milho verde, ela tem um sabor doce e marcante, sendo muito consumida no café da manhã. Seu recheio mais tradicional é o queijo. Porém, na maioria das vezes, acrescenta-se manteiga e outros ingredientes. Obviamente, quanto mais recheio, melhor ficará. Em ocasiões especiais ou formais, vem acompanhada de molho, sendo o de alho o mais comum. Por falar nisso, como os venezuelanos gostam de molho de alho, Santo Deus!
No “La Perla”, pode-se pedir três tipos de cachapas. A Cachapa Quesual é recheada com queijo e vem decorada com uma coroa de abacate. Seu preço é R$ 45,00. A Cachapa Rumbera tem recheio de queijo grelhado, fatias de abacate e carne de pernil desfiada. Seu valor é R$ 50,00. Já a Cachapa Pabellón vem recheada com queijo coalho grelhado, fatias de abacate, fatias de banana-da-terra madura, carne bovina desfiada e feijão preto. O preço é R$ 60,00. Não é preciso dizer que a inspiração do recheio desta última cachapa é o Pabellón Criollo, prato nacional da Venezuela que mistura arroz, feijão preto, carne bovina desfiada e banana-da-terra. Não por acaso, essa é a minha opção favorita entre as cachapas. Todas vêm com o molho da casa, que é feito, por supuesto, de alho. É realmente delicioso.
Por mais que goste das cachapas, preciso admitir que, em 90% das visitas ao restaurante da Rosa e do Lester, acabo pedindo a arepa. Essa sim é minha paixão assumida. Coitado mesmo é dos patacones, que são ignorados solenemente. As opções mais tradicionais de arepa disponíveis no menu do “La Perla” são: La Perla Incrível (queijo coalho grelhado, banana-da-terra, fatias de abacate, carne bovina ou de pernil desfiada, folhas verdes, guacamole e molho da casa) por R$ 54,00; Reina Pepiada (guacamole venezuelana com frango desfiado, queijo muçarela ou queijo branco tradicional do país caribenho, folhas verdes e fatias de abacate) por R$ 48,00; Rumbera (carne de pernil desfiada, queijo prato ralado, folhas verdes, guacamole e molho da casa) por R$ 48,00; e Pelua Pabellón (carne bovina desfiada, feijão preto, queijo prato ralado, folhas verdes, molho da casa, fatias de abacate e fatias de banana-da-terra) por R$ 54,00.
Por sua vez, as variedades vegetarianas e com pescado são: Mc Fish Latina (filé de peixe empanado, queijo muçarela, folhas verdes, molho da casa, fatias de abacate e cebola roxa) por R$ 54,00; Veggie (shimeji, folhas verdes, guacamole, creme de feijão preto e fatias de banana-da-terra) por R$ 48,00; e Pulpotastic (polvo empanado e grelhado, chimichurri, reina pepiada, folhas verdes, banana-da-terra, fatias de abacate e molho verde) por R$ 57,00; e Vegetariana (shimeji, folhas verdes, guacamole, creme de feijão preto, fatias de banana-da-terra e queijo) por R$ 48,00.

Há ainda as opções mais simplórias: Arepa de queijo (só queijo) por R$ 35,00 e Arepa Sozinha (sem recheio nenhum) por R$ 15,00. Apesar de esses últimos itens serem consumidos cotidianamente nas residências venezuelanas, num restaurante acho que eles não têm tanta graça. Pelo menos eu não saio de casa para comer arepa com recheio banal ou, pior ainda, sem recheio nenhum. Por isso, não pense em pedi-los, por favor!
Vale dizer que ao fazer a solicitação (seja para os garçons, seja no sistema digital do QR Code), o cliente pode escolher se quer a arepa frita (alternativa sempre mais gostosa), a arepa assada (boa também) ou o patacón (alternativa mais difícil de agradar quem não está acostumado com o sabor intenso da massa de banana-da-terra/plátano). Outra observação interessante: o patacón é sempre frito – não existe a versão assada.
Disparadamente, a minha arepa favorita é a Rumbera (frita). Acho a combinação da massa venezuelana com carne de pernil desfiado (algo bem paulistano, né?) sensacional. Juro que poderia comer tranquilamente esse lanche todos os dias. Na segunda posição do meu ranking das arepas preferidas, coloco o Pelua Pabellón (frito). O feijão preto até pode parecer um recheio exótico num primeiro momento, mas ele combina perfeitamente com esse prato. Também gostei bastante da La Perla Incrível, que experimentei só uma vez. Contudo, preciso admitir que a galera ao meu lado suspira mesmo é pelo Mc Fish Latina. Como não curto peixe, não sei apontar se ele é bom. O que posso garantir é que bonitão ele é sim.
Para os esfomeados de plantão, adianto que as arepas do “La Perla” são muito bem recheadas. Eu como uma e já fico satisfeito. Ou seja, além de deliciosas, elas forram o estômago do comensal. Isso não acontece em todos os restaurantes, tá? Já fui em vários lugares (inclusive no adorado Miss Venezuela de Buenos Aires) em que a arepa era mais massa do que recheio. Em alguns casos, o lanche é até bem gostoso, mas exige a solicitação de mais itens do cardápio para aplacar el hambre. Definitivamente, não passamos por tal problema no estabelecimento da Pompeia.
Como efeito colateral da abundância de recheio, alerto aos aventureiros de primeira viagem do “La Perla” que é necessária certa habilidade para manusear as arepas tão volumosas. Portanto, estamos falando aqui de lanches que provavelmente escorregarão pelos lados e que sujarão as mãos (e boca) dos clientes. Sabendo previamente disso, não há o que se preocupar. Como diz o velho ditado: quanto melhor for o sanduíche, mais sujeira ele fará. Acredito de verdade nessa teoria e mergulho com alegria na minha arepa. À mesa, não tenho vergonha da imagem que passo para as pessoas ao lado.

Entremos agora na segunda categoria de pratos da casa, a das refeições propriamente ditas. Quem não quiser lanche, pode optar por comida venezuelana, comida pra valer. Afinal, estamos em um restaurante e não em uma lanchonete, né?! Aí as subdivisões são o menu executivo e os pratos com peixes e frutos do mar.
Em relação ao menu executivo, o “La Perla – Caribe Na Rua” dispõe de três opções, que são servidas em qualquer horário e são releituras gourmetizadas e modernas do clássico do clássico da culinária da Venezuela, o já citado Pabellón Criollo. Há o Pabellon Bowl (carne bovina ou suína desfiada com arroz, banana-da-terra, feijão preto e salada) por R$ 65,00; o Fish Empanado Bowl (peixe empanado com arroz, banana-da-terra, feijão preto, abacate, cebola roxa e folhas verdes) por R$ 65,00; e o Veggie Bowl (arroz, banana-da-terra, feijão preto, abacate, folhas verdes e shimeji) por R$ 65,00.
Como um carnívoro incorrigível (que acredita ter alma portenha), não abro mão do Pabellon Bowl. Para mim, esse prato beira a perfeição. E o Chef Lester o faz de maneira primorosa. No horário tradicional do almoço, entre meio-dia e 14 horas, confidencio a vocês que é complicado pedir outra coisa do cardápio do “La Perla”. Como não se apaixonar por um povo que come carne, arroz, feijão e salada no dia a dia, hein?! Viva a gastronomia venezuelana!
Quanto ao tamanho, eu acho os pratos do almoço executivo adequados para quem não come muito ou não está morrendo de fome. Também são perfeitos para o jantar (se bem que quando cai a noite, vou de arepa), que exige naturalmente refeições menos pesadas. Afinal, estamos falando de carne, arroz e feijão, né? Entretanto, confesso que para alguns amigos que tenho (abraços, Lampi e Dudu), o requinte e, principalmente, o tamanho do Pabellon Bowl podem decepcionar. Nesse caso, é importante saber que o paladar e a voracidade dos meus brothers são iguais ao dos canibais mais sanguinolentos da história. Portanto, não são referências para análise. Desculpe-me, rapazes!
Diferentemente das arepas, dos patacones e das cachapas, o menu executivo é servido em pratos e com talheres. Assim, não existe perigo de se fazer grandes lambanças como nos lanches. Além disso, a pegada aqui é bem mais gourmet. Note o refinamento na apresentação da comida. Até a louça é sofisticada e merece elogios, potencializando a experiência gastronômica.

Por fim, os pratos de peixes e frutos do mar seguem mais a linha da culinária caribenha. São três as possibilidades: o Plátano Real com Camarão ao Alho, o Plátano Real com Polvo ao Alho e o Ceviche Clássico. O Plátano Real com Camarão ao Alho e o Plátano Real com Polvo ao Alho são banana-da-terra madura e crocante recheada com camarão levemente apimentado ou polvo. O custo unitário de ambos é R$ 75,00. Por sua vez, o Ceviche Clássico traz peixe marinado com limão, cebola roxa e pimenta. Dependendo da época, pode vir com manga ou abacaxi. Seu preço é R$ 53,00.
Certa vez, fui com minha irmã Marcela ao “La Perla” e ela pediu Plátano Real com Camarão ao Alho. Ela adorou e vive comentando desse prato comigo. Toda vez que falo que fui ao restaurante venezuelano da Pompeia, ela solta: “aquele do camarão saboroso?!”. Quando balanço a cabeça afirmativamente, Marcelinha complementa: “Deveria ter ido com você”.
Se a fome for excessiva, uma boa alternativa é começar pedindo as entradas. A casa tem alguns ótimos itens. O meu favorito (disparado) é a porção de tequeños (6 unidades), servida com o molho de alho. Seu preço é R$ 40,00. Tequeño é um palito feito com massa de farinha de trigo que tem queijo como recheio. Ele é, como quase tudo na culinária venezuelana, frito. É servido costumeiramente em festas e encontros informais. Como entrada é tão apetitoso e imprescindível quanto os bolinhos de queijo nas festas brasileiras.
Os amantes de peixes e frutos do mar podem ir de porção de ostras servidas com limão (6 unidades por R$ 42,00) e porção de pastel de camarão ao estilo caribenho (6 unidades por R$ 20,00). Outras opções de porções típicas são as empanadas de maiz (milho) recheadas de carne bovina, queijo ou pernil (6 unidades por R$ 45,00), a banana-da-terra frita servida com queijo (por R$ 24,00), Casabe (pão de mandioca que lembra visualmente nossa tapioca) servido com molho verde (por R$ 21,00), batata-doce com chimichurri feita ao forno e banhada com alho (por R$ 18,00) e chips de banana-da-terra verde frita e salgada (por R$ 18,00). Quando vou em grupos grandes, alguém sempre pede uma porção de batata frita da casa (por R$ 26,00).
O que você não pode deixar de provar ao visitar o restaurante da Rosa e do Lester são as bebidas venezuelanas. Sei que sou suspeito para falar disso, mas acho quase todos os drinks com álcool e sem álcool de lá excelentes. Garanto que já provei essa seção inteira do cardápio e a aprovo. E olha que sou mais dos comes do que dos bebes.

Na minha humilde opinião, os melhores refrescos são, nessa ordem, o Flor de Jamaica (feito com hibisco, frutas cítricas e ervas) por R$ 15,00 e o Papelón con limón (feito com rapadura) por R$ 15,00. Por sua vez, o Martín Polar (bebida refrescante industrializada feita de malte escura sem álcool, típica da Venezuela) é um pouco difícil de encarar sozinho. Se compartilhado com alguém, aí vou numa boa. A latinha custa R$ 18,00.
Das bebidas alcoólicas, não há erro. Pode pedir qualquer uma sem receio que elas são ótimas. Destaque para o Mojito (à base de rum, com limão, hortelã e água com gás) por R$ 35,00, o Papelón Rum (limonada com rapadura e rum) por R$ 30,00 e cerveja Polar. Quem não quiser mergulhar na cultura etílica da Venezuela, dá para pedir as bebidas comuns dos restaurantes brasileiros: água, água com gás, refrigerantes, cervejas comerciais e doses de rum. Há até uma opção de café coado servido em um copinho comestível.
O que eu não gosto muito são os doces ofertados. A Torta Três Leches, bolo tradicional (unidade por R$ 26,00), é apenas OK. Já o carrinho da Oblea, bolachas venezuelanas ao estilo waffle servidas com vários acompanhamentos doces (porção para duas pessoas por 39,00), é mais divertido do que saboroso. Por isso, sempre que vou sozinho, pulo a parte final da refeição sem dor no coração. E quando vou com a Bruxinha, minha amiga com alma de formiga, temos que passar na padaria em frente antes de rumar para casa. Lá, ela devora sua torta de chocolate com prazer. Só assim, estamos listos para regressar ao lar devidamente saciados.
Talvez o único ponto negativo do “La Perla” seja o preço praticado. Admito que acho seus pratos e lanches um tanto caros, pelo menos para a minha realidade financeira atual – sou um mero escritor de ficção e crítico cultural. Nunca saio de lá sem gastar R$120,00, R$150,00 por pessoa. Na minha humilde visão, os valores do cardápio estão um degrau acima do que seria esperado, principalmente porque quase sempre peço as opções informais do menu do estabelecimento: lanches e porções.
Entretanto, pensando sobre esse tema recentemente, cheguei à outra conclusão. Se a comida é ótima, se o restaurante tem uma excelente ambientação e se o atendimento é espetacular, por que, então, Rosa e Lester deveriam praticar preços populares, hein?! Não faz o menor sentido. Ou seja, eles estão certíssimos em valorizar o que oferecem com tanto esmero. A prova cabal do acerto dos empreendedores venezuelanos está no movimento crescente da casa. Nos últimos seis meses, período em que tenho frequentado regularmente o “La Perla”, é visível o aumento da quantidade de mesas. Pelo visto, tem muitos venezuelanos em São Paulo e muita gente que está virando fã da culinária caribenha, né?

O “La Perla – Caribe Na Rua” funciona de terça a domingo. Às terças e quartas-feiras, ele abre exclusivamente para o jantar. Nesses dias, sua operação é reduzida: das 16h às 23h. Às quintas, sextas-feiras e sábados, é possível almoçar, já que funciona das 12h às 23h. Aos domingos e feriados, o fechamento é antecipado para as 18h, só sendo possível almoçar. A casa não abre às segundas-feiras. O restaurante está localizado na Rua Coronel Melo de Oliveira, 651. Essa via é uma travessa da Avenida Pompeia, ficando à direita para quem sobe em direção ao Metrô Vila Madalena – ou a esquerda para quem desce no sentido do Shopping Bourbon, do Allianz Parque e do Sesc Pompeia.
É bom dizer que esse é um pedaço interessantíssimo da Pompeia para quem se dedica à arte dos comes e bebes. O restaurante venezuelano é vizinho de porta do Botequim do Seu Emílio, lugar ao mesmo tempo com clima descontraído e ambientação classuda, ideal para beber chopp e provar porções com os amigos. Na frente deles está a Padaria Anadia, que impressiona mais pelo porte de suas instalações e pelo preço competitivo do que pela qualidade do que oferece e pela excelência do serviço. Se você quer uma padoca realmente boooa, caminhe um quarteirão até o Santiago Padaria Artesanal, na esquina das ruas Tavares Bastos e Raul Pompeia. Ali sim dá para se lambuzar com o cardápio.
Agora se a proposta for encher a barriga no meio da madrugada, a melhor opção nas redondezas é a Lanchonete Souza, clássico da Zona Oeste paulistana. Ele está localizado entre a Avenida Pompeia e a Rua Tavares Bastos, a dois quarteirões do “La Perla”, e opera 24 horas. E para os fãs do filé à parmegiana (põe o dedo aqui que já vai fechar), o melhor caminho é em direção ao Degas Pompeia, que fica ali do lado e é uma instituição gastronômica do bairro. Santo Deus, quer me deixar feliz é me convidar para ir ao Souza ou ao Degas.
Contudo, se você preferir as opções de Perdizes, minhas recomendações vão para o pedacinho mais animado e suculento da Av. Professor Alfonso Bovero. Na altura da Dança & Expressão (a pouco mais de um quilômetro do restaurante venezuelano), é possível se deliciar com os sanduíches do Shawarma Anwar e do Kebab Paris. Se o seu negócio for a culinária argentina, aí a visita ideal é ao Chimichurri Parrilla e à Mercearia Santa Thereza. Inclusive vou fazer em breve uma análise completa desses dois estabelecimentos aqui na coluna Gastronomia. Aguardem, por favor.
Para encerrar meu breve tour pelos melhores comes e bebes desse pedaço tão familiar de São Paulo, ali pertinho também temos: o sempre agradável e encantador Tiro-Liro, bar com comidas típicas de Portugal; o Velho Rabo, bar ideal para petiscar, bebericar e prosear com os amigos de longa data; e o Azulejo, restaurante de comida nordestina que chama atenção pelo ambiente descontraído e pela qualidade dos pratos servidos.

Mesmo com tanta concorrência, o “La Perla” segue sendo um dos meus favoritos nesse cantinho saboroso da metrópole paulistana. Praticamente, o visito uma vez por mês, uma vez a cada seis semanas. Quase sempre, vou a pé e sozinho, quando a fome bate ou quando a saudade da culinária da Venezuela chega com tudo. Nesses casos, opto invariavelmente por ir no horário do almoço. Em outras oportunidades, levo os amigos ou vou com a Bruxinha, que é a melhor companhia para as investidas à boa mesa. Aí a preferência é pelo jantar (ou pelo almoço após as 17h). Minha visita mais recente foi com a Bruxinha na última sexta-feira no fim da tarde e início da noite. Para manter a tradição, nos empanturramos de Rumbera, a arepa feita com pernil desfiado que é nosso predileto.
E você, já conhece o “La Perla – Caribe Na Rua” ou o frequenta assiduamente, hein?! É fã da gastronomia venezuelana, como eu? Se todas as suas respostas forem positivas, acredito que a gente deva se encontrar por lá em breve. Para me achar é muito fácil: basta procurar um rapaz gordinho sentado sozinho numa mesa da parte interna do salão. Se eu não estiver com as mãos sujas de arepas e tequeños, certamente estarei folheando um livro. Do contrário, estarei admirando embasbacado o trabalho de Rosa e sua equipe. Se porventura o gordinho não estiver só, certamente estará na companhia de uma linda loira ou de um grupo de amigos barulhentos. Aí será possível nos ouvir da calçada.
Para este post da coluna Gastronomia não ficar ainda mais extenso, acho de bom tom finalizá-lo o quanto antes. Até porque, acredito que já falei tudo o que gostaria sobre o restaurante de hoje. Assim, se você me permite uma frase de despedida em meu sempre cambaleante espanhol, aí vai: ¡Hasta la próxima arepa, gente chévere de Venezuela!
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