• Ricardo Bonacorci

Livros: Os Reis - A primeira obra de Julio Cortázar a estampar seu nome

Publicado em 1949, esse poema dramático apresenta a versão pessoal do escritor argentino para o mito da batalha do Minotauro com Teseu.

Os Reis é o livro de Julio Cortázar que foi publicado em 1949

Hoje, começamos efetivamente o terceiro e último Desafio Literário de 2021. Aos desavisados que acabaram de chegar ao Bonas Histórias, comunico com certa pompa: depois de analisarmos a ficção de Orhan Pamuk, em abril e maio, e de destrincharmos os romances de Elena Ferrante, em julho e agosto, vamos agora investigar, ao longo de outubro e novembro, a literatura de Julio Cortázar. O calendário de livros do escritor argentino que serão comentados aqui no blog nas próximas oito semanas foi apresentado no último domingo, dia 3. Confesso que estava há muito tempo ansioso para conhecer com mais profundidade o trabalho de Cortázar. Já tinha estudado alguns dos seus contos na época da Pós-graduação em Formação de Escritores, no Instituto Vera Cruz, mas jamais tinha mergulhado para valer em seus títulos, como farei no estudo desse bimestre.


O que posso dizer logo de cara é que Julio Cortázar foi um dos principais contistas do século XX, um dos precursores do Realismo Fantástico e um dos maiores nomes da história da literatura argentina (e, por que não, da literatura em língua espanhola do século passado). Em outras palavras, ele revolucionou a narrativa ficcional, principalmente a curta (contos) e a média (novelas). Por isso mesmo, Cortázar é tão admirado até hoje pelos autores, críticos e teóricos da literatura.


E nada melhor do que abrirmos os trabalhos do Desafio Literário com “Os Reis” (Civilização Brasileira), livro considerado por muita gente como o primeiro de Julio Cortázar – algo que não é tão verídico assim como será verificado mais à frente nesse post. Para entender a sua importância e o seu alcance, li “Os Reis” nessa semana.


Admito que tive um pouco de dificuldade para achar essa obra nas livrarias brasileiras. Mesmo a edição mais recente, de 2015, não está disponível em todos os pontos de venda do país nem em formato de ebook. No meu caso, precisei recorrer à boa e velha (não tão velha assim!) Estante Virtual. Se você não estiver com tanta pressa para efetuar a leitura, pode encomendar esse título de Cortázar, por exemplo, na Amazon e na Livraria Travessa. Ao menos nesses dois lugares, há a possibilidade de solicitar a publicação mais recente da Editora Record, dona do selo Civilização Brasileira, mesmo se ela estiver indisponível em estoque.

Julio Cortázar, escritor argentino

Lançado originalmente em 1949, quando Julio Cortázar tinha 35 anos, “Os Reis” é na verdade a segunda (ou seria a terceira, hein?!) obra do autor. A primeira publicação efetiva do argentino é “Presencia” (não editado em português), uma antologia poética que chegou às livrarias onze anos antes de “Os Reis”. A questão que gera tantas polêmicas até hoje está no fato de a coleção de sonetos de 1938 ter saído com o pseudônimo de Julio Denis. Além disso, o livro, que teve baixíssima tiragem (apenas 250 exemplares) e teve sua edição totalmente bancada pelo autor (sim, no início do século XX já tínhamos autopublicação!), foi completamente ignorado pelo público e pela crítica da época. Essa estreia tímida, decepcionante e de certa forma estranha (é difícil imaginar Cortázar produzindo poesia, né?) faz com que os fãs mais fervorosos do autor acabem ignorando essa publicação.


Para quem possa estranhar Julio Cortázar (ou seria Julio Denis?!) criando sonetos, é legal dizer que, na época do lançamento de “Presencia”, o jovem escritor era um novato como professor universitário e já desenvolvia seus contos. Sua primeira coletânea de narrativas curtas foi “La Otra Orilla” (não publicado em nosso idioma). As histórias dessa obra foram escritas entre 1937 e 1945 e seriam publicadas por uma pequena editora de Buenos Aires, em fevereiro de 1946. Contudo, na última hora, os editores não quiseram investir no livro e cancelaram o envio do material para as gráficas. “La Otra Orilla” só ganhou uma versão física em 1994, quando Cortázar já tinha falecido.


Por essas e outras, é difícil dizer se “Os Reis” foi o primeiro, o segundo ou o terceiro livro de Julio Cortázar. Como quase tudo na vida, essa definição depende do ponto de vista escolhido. Se você considerar as publicações para valer, tinta sobre tinta, papel no papel, “Os Reis” foi a segunda obra de Cortázar (a primazia é de “Presencia”, mesmo que tenha saído com um pseudônimo). Sou adepto dessa versão. Se você considerar os textos enviados para as editoras argentinas, “Os Reis” foi o terceiro título que o escritor desenvolveu (o segundo, nesse caso, seria “La Otra Orilla”, que chegaria para os leitores com um pequeno atraso de quase cinco décadas). Agora, se você olhar para o nome estampado na capa, aí sim podemos enxergar “Os Reis” como a estreia de Julio na literatura comercial. Eu disse literatura?! Para complicar ainda mais esse debate, “Os Reis” é um texto que flerta o tempo inteiro com a dramaturgia. Ai, ai, ai! Mesmo não tendo sido encenada na época do seu lançamento, essa obra tem uma estrutura narrativa que foi desenvolvida para ir para o teatro. Convenhamos: explicar a literatura de Julio Cortázar não é algo nada fácil.

Livro Os Reis de Julio Cortázar

De qualquer maneira, o que posso afirmar categoricamente é que “Os Reis” foi publicado em livro, em 1949. Acho que já disse isso, né? E como não poderia ser diferente em se tratando de Cortázar, mesmo que em início de carreira, esse texto possui forte pegada de experimentalismo estético-conceitual. Por isso mesmo, é até difícil defini-lo. “Os Reis” pode ser visto como um poema dramático, uma novela poética, um conto mitológico, uma releitura de um episódio clássico ou uma narrativa curta que mistura literatura, teatro e mitologia grega. A definição do que esse título é depende, mais uma vez, do ponto de vista de cada leitor. Particularmente, gosto de vê-lo como uma mistureba de conto/novela (literatura) e teatro.


Para quem deseja algo mais palpável/palatável (esse papinho de prosa dramática, novela teatral e conto mitológico não está com nada), diria que “Os Reis” traz uma variação da história clássica do Minotauro, monstro com a cabeça de touro e o corpo de homem. A criatura vivia presa em um labirinto que fora construído por Minos, rei de Creta. Para aplacar a fúria do bichano, os gregos tinham que enviar periodicamente sete rapazes e sete moças virgens para o labirinto, onde acabavam invariavelmente devorados pelo bichano que lá morava. Para acabar com essa sina de uma vez por todas, Teseu, príncipe de Atenas, entrou no labirinto para matar o Minotauro. Nessa complicada missão, ele foi ajudado por Ariadne, filha de Minos.


Segundo a mitologia grega, Ariadne se apaixonou por Teseu durante a emboscada à criatura meio homem, meio touro. Porém, de acordo com a versão de Cortázar em “Os Reis”, esse episódio não foi bem assim... No texto do argentino, Ariadne teria se apaixonado pelo Minotauro e não por Teseu. E a moça fingiria ajudar Teseu com o intuito de permitir que o Minotauro conseguisse fugir tanto do labirinto quanto dos instintos assassinos do príncipe ateniense. Curiosamente, apesar da mudança de parte importante do enredo, o desfecho da trama é parecido, o que potencializa os significados das cenas assistidas.

Livro Os Reis de Julio Cortázar

Vale a pena dizer que no final dos anos 1940, quando “Os Reis” foi publicado, Julio Cortázar já tinha abandonado o magistério e as viagens pelo interior da Argentina. Logo após se formar em Letras, ele fora enviado pelo governo para dar aulas em escolas e, mais tarde, em universidades longe da capital. Ao compreender que não queria levar aquele tipo de vida, Cortázar fixou novamente residência em Buenos Aires e passou a trabalhar como tradutor (ofício que levaria para toda a vida) na Câmara Argentina do Livro. Além disso, ele escrevia, desde 1946, contos para as principais revistas literárias da Argentina. Foi nesse período justamente que ele se tornou próximo de Jorge Luis Borges, então diretor do periódico Anales de Buenos Aires. Juro que fico imaginando uma reunião de trabalho entre esses dois monstros da literatura universal.


O fato é que quando “Os Reis” foi lançado na Argentina, a fama de Julio Cortázar, isso é se ele já tinha algum renome nesse momento, era restrito ao círculo de literatos portenhos. Talvez isso explique o enorme silêncio da crítica literária da época e o desinteresse quase total do público leitor naquela ocasião em relação a “Os Reis”. Ou seja, esse livro acompanhou o fracasso comercial que “Presencia” teve onze anos antes. Até esse momento da história, podemos dizer que Cortázar era um escritor ainda pouco lido e, como consequência, desconhecido nas livrarias de seu país. Em contraponto a essa situação delicada para um autor ficcional iniciante, Julio conseguia ser publicado com relativo êxito nas revistas literárias da Capital Federal. Pelo menos ali, ele era muito requisitado pelos editores, que reconheciam seu talento para a produção das narrativas curtas.


É legal dizer que a recriação do mito do Minotauro não era, no final dos anos 1940, uma novidade na literatura argentina. Dois anos antes da publicação de “Os Reis”, Jorge Luis Borges tinha explorado essa temática no conto “La Casa de Asterión”. Teria Cortázar copiado o colega mais velho ou sido incentivado a apresentar sua versão própria para o episódio clássico do labirinto de Creta?! Não é possível afirmar nada a esse respeito. O que sabemos é que ambos os escritores se debruçaram algumas vezes sobre a questão do drama labiríntico dali para frente.


Apesar da fraquíssima repercussão de “Os Reis”, a história desse livro foi transformada mais tarde em ópera pelo francês Phillipe Fénelon, compositor especializado em adaptar tramas ficcionais para os palcos. Além de musicar Cortázar, Fénelon recriou obras de Miguel de Cervantes, Franz Kafka, Gustave Flaubert, Nikolaus Lenau, entre outros. A versão cênico-musical de “Os Reis” se chamou “Les Rois” e foi apresentada ao público pela primeira vez em 2004, no Opéra National de Bordeaux.

Livro Os Reis de Julio Cortázar

No Brasil, “Os Reis” foi publicado pela Civilização Brasileira pela primeira vez em 2001. Em 2015, o livro ganhou um projeto gráfico mais moderno e foi readequado ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Foi justamente essa segunda edição que li nessa semana. Em ambas as publicações, a tradução para nosso idioma foi desenvolvida por Ari Roitman e Paulina Wacht. A dupla é atualmente os principais tradutores de Mario Vargas Llosa e de Julio Cortázar no Brasil. Sempre trabalhando em conjunto, Roitman e Wacht traduziram, além de “Os Reis”, outros seis títulos de Cortázar, todos pela Civilização Brasileira: “Final do Jogo”, “Último Round”, “A Volta ao Dia em 80 Mundos”, “A Fascinação das Palavras”, “Um Tal Lucas” e “Papeis Inesperados”. Dessas obras, iremos comentar aqui no Desafio Literário de Cortázar apenas “Final do Jogo”.


O enredo de “Os Reis” está dividido em cinco cenas. Na primeira, Minos, rei de Creta, e Ariadne, sua filha, conversam à porta do labirinto do Minotauro. Enquanto o monarca explicita a monstruosidade daquela criatura meio homem meio touro e justifica o aprisionamento do bichano (uma questão de segurança pública e com desdobramentos geopolíticos), a princesa defende o meio-irmão (sim, o Minotauro é meio-irmão da moça!). Ariadne enaltece o quão triste e solitário deve ser a vida no interior da construção.


Na segunda cena, Teseu, príncipe de Atenas, anuncia a Minos que entrará no labirinto junto com os outros 13 conterrâneos enviados como oferenda ao Minotauro. Teseu quer matar o monstro, que já provocou tantas mortes e tristezas para os atenienses. Preocupado com essa possibilidade, o rei de Creta faz uma proposta tentadora para o herói.


A terceira passagem do livro é um monólogo curtinho de Ariadne. Preocupada com o irmão que tanto ama, ela entrega um novelo para Teseu no momento em que ele entra no labirinto. Ao invés das linhas servirem para o ateniense retornar para o lado de fora da construção depois do combate com o Minotauro, o plano da princesa de Creta é outro. Ela imagina que o monstro irá devorar Teseu e, a partir do caminho deixado pelo novelo, poderá enfim ganhar a liberdade.


A quarta e penúltima cena é o combate fatal travado entre Teseu e o Minotauro no labirinto de Creta. E a quinta e última cena é o diálogo derradeiro do Minotauro com o Citarista.


“Os Reis” é um livro curtinho. Ele tem apenas 80 páginas. Além das cinco cenas, a obra ainda traz um belo prefácio de Ari Roitman. O tamanho dessa publicação é de um conto (ou, sendo um pouco condescendente com os conceitos da classificação das narrativas ficcionais, de uma novela mais breve). É possível ler “Os Reis” em aproximadamente uma hora, uma hora e meia no máximo. Foi mais ou menos esse o tempo que levei para concluir minha leitura na última quarta-feira à noite. Praticamente fui da primeira à última página do livro em um fôlego só.

Livro Os Reis de Julio Cortázar

Quem tem aversão às obras mais volumosas, saiba que Julio Cortázar é tradicionalmente um autor de títulos enxutos. Portanto, não teremos, no Desafio Literário de outubro e novembro, uma coletânea de publicações do tipo tijolão como vimos nos estudos de Orhan Pamuk e Elena Ferrante. As exceções aqui (que confirmam a regra) são “Os Prêmios” (Civilização Brasileira), de 432 páginas, e “O Jogo da Amarelinha” (Companhia das Letras), de 592 páginas. Mesmo entre os livros mais fininhos de Cortázar, “Os Reis” se destaca – é o campeão dos campeões. Ele é o livro com menos páginas que vamos analisar do autor argentino nesse bimestre. Para você ter uma ideia, o segundo colocado no ranking da magreza é “Bestiário” (Civilização Brasileira), com 144 páginas, quase o dobro do volume da obra que estamos comentando hoje. Coincidentemente, “Bestiário” será o próximo título de Julio Cortázar que vamos estudar no Bonas Histórias. Porém, isso é papo para a próxima semana. Calma, ainda temos muito o que falar sobre “Os Reis”.


Voltando a falar especificamente de “Os Reis”, esse livro apresenta algumas das características que marcariam a literatura do escritor argentino. Temos aqui, por exemplo, um texto com entrelaçamento de temas (é quase um novelo narrativo), acentuado lirismo (prosa poética), forte carga simbólica e pegada extremamente existencialista.


Por outro lado, “Os Reis” é uma publicação muito formal e comportada. Portanto, essa obra está muito distante das invencionices linguísticas e das maluquices imaginativas que Julio Cortázar promoveria em sua ficção poucos anos depois. Em outras palavras, “Os Reis” se assemelha a “Presencia”. Podemos dizer que esses dois títulos integram a fase mais quadradona da literatura do argentino. Até esse instante, não tínhamos um Cortázar revolucionário e inclinado a derrubar as paredes das narrativas ficcionais.


Alguns elementos são marcantes em “Os Reis”. O primeiro deles é a linguagem rebuscada. Julio Cortázar utiliza um linguajar erudito para (re)criar a ambientação da trama mitológica. Ou você imaginava que os heróis, as heroínas, os deuses e as deusas da Antiga Grécia falavam de qualquer jeito uns com os outros ou usavam a linguagem popular no dia a dia, hein? Sabe de nada, inocente! Apesar de normalmente não gostar do uso de palavras e de construções textuais complicadas, acho que nessa obra esse recurso combinou bem. Ao menos a linguagem rebuscada caiu como uma luva para o enredo histórico composto por personagens mitológicas.


Pensando em emular ao máximo o clima da Grécia Antiga, o autor argentino optou por construir seu texto como se fosse uma peça teatral. Novamente, temos aqui outro acerto de Cortázar. Por mais que não pensasse em encenar sua história nos palcos (até porque essa narrativa é muito curta para viabilizar um espetáculo), ele queria se aproximar ao máximo do universo clássico. E não há nenhuma manifestação artística que tenha mais a cara dos antigos gregos do que o teatro, né?

Livro Os Reis de Julio Cortázar

Outra questão perceptível é a forte musicalidade desse texto. A prosa poética de “Os Reis” é muito bonita e contagiante. Leia algumas páginas em voz alta para notar essa característica. Mesmo sendo uma tradução, a versão em português do livro manteve o lirismo e boa parte da musicalidade da edição original em espanhol. Nesse caso, os méritos são dos tradutores nacionais. É preciso reconhecer: Ari Roitman e Paulina Wacht fizeram um trabalho espetacular e merecem nossos elogios.


Também temos várias citações mitológicas durante a narrativa de “Os Reis”. As referências aos episódios, às personagens, às localidades e às situações da Grécia Antiga são tanto diretas quanto indiretas. Por isso, é necessário certo repertório por parte do leitor. Se você não souber nada ou quase nada do mito do Minotauro, por exemplo, na certa ficará boiando durante essa leitura. O texto de Julio Cortázar não é autoexplicativo. A exigência de conhecimento prévio da Mitologia Grega e a linguagem erudita fazem de “Os Reis” um livro com uma leitura bastante difícil. Portanto, não espere moleza nas páginas dessa publicação. Confesso que precisei ler mais de uma vez alguns trechos para entender o que estava acontecendo em cena e o que os protagonistas estavam dizendo.


O ponto alto desse título de Cortázar está na pegada existencialista de sua história. Os diálogos de “Os Reis” e os dramas dos protagonistas suscitam vários questionamentos de alto nível: o que é liberdade e o que é aprisionamento?; o que é mais cruel – deixar o monstro morrer de fome ou alimentá-lo com vidas humanas?; qual a outra alternativa que o rei de Creta teria a não ser construir o labirinto que abrigou o Minotauro?; até onde a monstruosidade de alguém se dá pela forma como ele é tratado?; e quem é o verdadeiro herói e quem é o legítimo vilão dessa trama?


É legal reparar que nessa reconstrução mitológica, Julio Cortázar escancara os dramas da existência humana e inverte a lógica dos papéis desempenhados pelas personagens clássicas. O herói tradicional é agora retratado como vilão e o vilão de outrora é dessa vez apresentado como herói. O que permitiu essa mudança foi a promoção de um novo ponto de vista. Assim, não subestime o enredo de “Os Reis”. Ele pode ser curtinho e ter poucas personagens (cinco apenas), mas é uma narrativa profunda e emblemática.

Julio Cortázar, escritor argentino

Para os leitores mais conservadores que possam ter ficado chocados com os desejos incestuosos de Ariadne e do Minotauro, aviso desde já que a Mitologia Grega não é o lugar ideal para as suas leituras. As tramas envolvendo os deuses do Olimpo e os heróis da Península do Peloponeso são recheadas de passagens polêmicas e apimentadas. Parte da graça dessas tramas está justamente no choque moral provocado pelas atitudes das personagens clássicas. Nesse sentido, a irmã se apaixonar pelo irmão não é o maior dos pecados encontrados no universo mitológico. Diria até se tratar de algo leve.


Apesar de ser uma leitura difícil (e põe difícil nisso!), gostei de “Os Reis”. Esse é o tipo de livro que exige uma leitura minuciosa e ativa por parte dos leitores. Não estranhe se ao concluir a obra, você quiser relê-la. Isso aconteceu comigo. Minha sensação é que tinha perdido muita coisa na primeira leitura – e realmente a segunda foi bastante reveladora!


Como já mencionado, na sexta-feira, dia 15, o Desafio Literário partirá para a análise de “Bestiário” (Civilização Brasileira), o segundo livro de Julio Cortázar que merece nossa atenção nesse bimestre. Publicado em 1951, dois anos depois de “Os Reis”, “Bestiário” se tornou, ao longo do tempo, um dos trabalhos mais famosos do escritor argentino. Essa coletânea de contos ganhou tanta importância porque ela marcou a estreia efetiva do autor nas narrativas curtas (lembremos que “La Otra Orilla” não tinha sido lançado até então), gênero narrativo em que Cortázar se transformaria em referência mundial. Além disso, “Bestiário” é nada mais nada menos do que a primeira obra de Julio Cortázar a mergulhar no Realismo Fantástico. Ou seja, esse é um título emblemático que vale a pena ser conhecido. Por essas e outras, não perca as próximas etapas do estudo da literatura de Cortázar. Até lá!


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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