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Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura, arte e entretenimento criado por Ricardo Bonacorci em 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, dança, teatro, exposição, pintura e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 43 anos, mora em Buenos Aires e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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Recomendações: Séries da ficção literária internacional que merecem a leitura (Parte III)

Chegamos agora ao terceiro e último quarteto de coleções de romances estrangeiros que encantam até mesmo os leitores mais exigentes.

Recomendações do Blog Bonas Histórias - Melhores séries da ficção literária internacional - Parte III

Hoje chegamos à terceira e última parte dos posts com as 12 Séries Literárias Internacionais que Valem Nossa Leitura. Para quem acabou de aportar no Bonas Histórias, preciso (além de desejar boas-vindas, claro!) contar que estamos listando mensalmente, na coluna Recomendações, quatro coleções de romances estrangeiros que se tornaram best-sellers no Brasil e no mundo e que conseguem cativar até mesmo os leitores mais exigentes. Em outras palavras, o sucesso de cada uma dessas tramas ficcionais é decorrência da enorme qualidade de suas narrativas e, obviamente, do talento descomunal de seus autores. Se você estiver procurando boas leituras e gosta de histórias longas (contadas em mais de três livros), indico de olhos fechados (na verdade, de olhos beeeeem abertos – li cada uma dessas coleções, tá?) as 12 coletâneas de obras apresentadas (e devidamente comentadas) nas três publicações desta série especial do blog.


Em agosto, eu trouxe o primeiro quarteto de séries da literatura ficcional ao Bonas Histórias: a Coleção O Talentoso Ripley de Patricia Highsmith, a Trilogia 1Q84 de Haruki Murakami, a Série Millennium de Stieg Larsson e a Coleção Harry Potter de J. K. Rowling. Em setembro, retornei com o segundo conjunto de títulos da nossa saga pelos best-sellers gringos: a Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante, a Trilogia O Bom Ditador de Gonçalo J. Nunes Dias, a Série Cinquenta Tons de Cinza de E. L. James e a Trilogia da Fundação de Isaac Asimov. E agora, em outubro, trago a terceira e última parte das coleções de romances que devem ser encaradas com muitíssimo carinho pelos grandes amantes da literatura internacional.


Vale a pena esclarecer (mais uma vez) o critério que utilizei para chegar a tal listagem. Em primeiro lugar, só coloquei séries internacionais que eu tenha lido (e adorado). Depois, optei por abranger o maior número possível de gêneros narrativos. Repare que há na minha lista: suspense noir, romance policial, fantasia, aventura, literatura infantojuvenil, drama, saga histórica, distopia, literatura erótica, ficção científica, humor/comédia/paródia e romance histórico. Por fim, quis dar voz a escritores dos quatro cantos do planeta: Estados Unidos, Japão, Suécia, Inglaterra, Itália, Portugal, França e Austrália. Como faltaram autores africanos, centro-americanos e sul-americanos, da próxima vez prometo fazer uma coletânea de sagas narrativas só com artistas desses continentes.


Tudo devidamente explicado, vamos então para as quatro novas séries literárias estrangeiras que você precisa conhecer o quanto antes. Aí vão elas, senhores e senhoras:


1) Trilogia A Bicicleta Azul – Régine Deforges (França) – Drama Histórico – “A Bicicleta Azul” (1981), “Vontade de Viver” (1983) e “O Sorriso do Diabo” (1985).

1)	Trilogia A Bicicleta Azul – Régine Deforges (França) – Drama Histórico – “A Bicicleta Azul” (1981), “Vontade de Viver” (1983) e “O Sorriso do Diabo” (1985).

A Trilogia A Bicicleta Azul é a obra-prima de Régine Deforges, uma das escritoras francesas mais populares e polêmicas entre o final do século XX e o início do século XXI. A literatura de Deforges sempre se caracterizou pelas tramas históricas e por conter bastante violência (de todos os tipos e graus), sexualidade (homossexualismo, bissexualismo, sexo casual, mulheres emancipadas do ponto de vista sexual), erotismo (o que poderíamos chamar hoje em dia de softcore da literatura), personagens femininas fortes e engajadas (em um período em que as mulheres intensificavam as críticas ao machismo da sociedade ocidental) e componentes políticos. Ou seja, os livros de Régine Deforges eram uma espécie de versão literária e feminista de “Game of Thrones”, em uma época em que George R. R. Martin estava longe, muito longe de se tornar uma figura icônica da cultura popular.


Se no começo da carreira a combinação um tanto explosiva de violência, sexualidade/erotismo, feminismo e política causou mais desconforto aos leitores e à crítica literária conservadora do que rendeu elogios, com o tempo a autora francesa provou seu valor e se tornou best-seller mundial. E essa mudança de interpretação do público e do mercado editorial aconteceu justamente com o sucesso de A Bicicleta Azul (BestBolso), romance que deu origem a saga homônima. A partir daí, começava uma nova fase na trajetória profissional de Deforges.


Curiosamente, os títulos dessa coleção trazem os mesmíssimos elementos narrativos que até então Régine Deforges utilizava e era tão criticada. A diferença é que, dessa vez, temos uma protagonista das mais encantadoras e carismáticas da moderna literatura francesa. Léa Delmas, a personagem ficcional mais famosa de Deforges, é uma jovem francesa que se tornou funcionária da Cruz Vermelha internacional e viajou o mundo para defender causas ideológicas nobres. Vale a pena dizer que a moça esteve, entre outros lugares, na França (colaborou com a Resistência na Segunda Guerra Mundial), na Argentina (à procura de nazistas que fugiram da Europa após o fim do conflito armado), em Cuba (participando da Revolução Comunista), na Argélia (atuando na Guerra de Independência do país africano) e no Vietnã (também na Guerra de Independência da nação asiática). Léa sempre esteve no olho do furacão e participou direta ou indiretamente dos acontecimentos políticos mais sensíveis do século XX. Incrível, hein?


Ao todo, Régine Deforges produziu dez romances com Léa Delmas e François Tavernier, o inseparável companheiro de aventura da heroína: “A Bicicleta Azul”, “Vontade de Viver” (BestBolso), “O Sorriso do Diabo” (BestBolso), Tango Negro" (Best Seller), "Rua da Seda" (Best Seller), "A Última Colina" (Best Seller), "Cuba Livre!" (Best Seller), "Argel, Cidade Branca" (Best Seller), "Les Généraux du Crépuscule" (sem edição no Brasil) e "Et Quand Viendra La Fin du Voyage" (também sem tradução para o português).


O que chamamos de Trilogia A Bicicleta Azul é na verdade o conjunto dos três primeiros romances dessa coleção de dez obras de Deforges. Com um enredo único, o trio de títulos iniciais da saga mostra a atuação de Léa em seu país natal durante a Segunda Guerra Mundial. Diante de uma França invadida pelos nazistas, coube a moça, que acabara de se tornar maior de idade, zelar pela segurança da família e cuidar dos negócios do pai. Isso tudo enquanto ela descobre os prazeres do sexo e precisa definir em qual lado da guerra vai lutar: dos nazistas ou da Resistência francesa.


Para mim, Léa Delmas é a personagem mais incrível da literatura de Régine Deforges e da ficção francesa do século XX. Bonita, inteligente, corajosa, engajada e sexualmente livre, a jovem é a representante máxima do movimento feminista nos anos 1980 e da liberdade sexual das mulheres. Com uma postura à frente de seu tempo, ela encara com determinação todos os desafios que surgem no horizonte. Como consequência, Léa participa ativamente dos fatos políticos mais emblemáticos do século passado. Impossível não nos apaixonarmos por alguém assim, né?


Publicado em 1981, o romance "A Bicicleta Azul" se passa entre 1939 e 1942 e mostra os anos iniciais da Segunda Guerra Mundial. Na França, Léa Delmas é ainda uma menina fútil, mimada e inexperiente no sexo. Tudo o que ela quer, independentemente da situação política do país, é viver ao lado de Laurent d'Argilat, o homem que ela ama e que parece não dar a mínima bola para a jovem. À medida que a guerra se intensifica, a protagonista amadurece, começa a colecionar experiências sexuais e se transforma completamente. A partir daí temos o surgimento de uma mulher com M maiúsculo, capaz de cuidar de si e dos familiares e de influenciar nos acontecimentos da nação.


“Vontade de Viver”, o segundo título da Trilogia A Bicicleta Azul, foi lançado dois anos mais tarde. Sua trama se passa entre 1942 e 1944. Nessa altura do campeonato, a França está profundamente dividida. Uma parte da sociedade francesa colabora com os nazistas, que tomaram o poder central de Paris, e outra resiste às ordens vindas de Berlim. Cada vez mais envolvida com os meandros políticos, Léa Delmas precisa optar por um lado. Como consequência, ela estará sujeita à violência e à perseguição dos inimigos. Não por acaso, temos aqui um contexto de terror.


Em “Vontade de Viver”, a protagonista já amadureceu demais e é uma legítima heroína. Esqueça definitivamente a Léa imatura, mimada e fútil do início de “A Bicicleta Azul”. O amadurecimento precoce da moça impacta diretamente na relação dela com François Tavernier. Se antes François era apenas um amigo e/ou um dos parceiros sexuais eventuais de Léa em Paris (sim, ela tinha alguns affairs), agora ele começa a conquistar mais espaço no coraçãozinho combalido da personagem central da saga de Régine Deforges.


O terceiro livro desta coleção é “O Sorriso do Diabo”. Publicado em 1985, o romance prossegue com as aventuras de Léa Delmas na França ocupada. O enredo de “O Sorriso do Diabo” vai de 1944 a mais ou menos 1945. Enquanto a protagonista continua envolvida com a Resistência, agora ela deseja conquistar (ou seria reconquistar?) o coração de François Tavernier. Depois de algumas idas e vindas, o casal parece mais desunido do que nunca. Conseguirá a jovem conciliar questões políticas e familiares delicadas aos desejos egoístas de seu coração?!


A Trilogia “A Bicicleta Azul” é uma das minhas séries literárias favoritas. Vale a pena conhecê-la!


2) Série O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams (Inglaterra) – Ficção Científica e Humor – “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (1979), “O Restaurante no Fim do Universo” (1980), “A Vida, o Universo e Tudo Mais” (1982), “Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!” (1984) e “Praticamente Inofensiva” (1992).

2)	Série O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams (Inglaterra) – Ficção Científica e Humor – “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (1979), “O Restaurante no Fim do Universo” (1980), “A Vida, o Universo e Tudo Mais” (1982), “Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!” (1984) e “Praticamente Inofensiva” (1992).

Douglas Adams é um dos meus escritores preferidos. Grande parte da minha admiração pelo autor e comediante inglês deve-se à Série Literária O Guia do Mochileiro das Galáxias. Publicados entre 1979 e 1992, os cinco romances da saga espacial são uma paródia divertidíssima das ficções científicas calcadas nas viagens interplanetárias. Em outras palavras, a coletânea O Guia do Mochileiro das Galáxias pode ser vista como uma espécie de versão escrachada e politicamente incorreta da Trilogia A Fundação, clássico de Isaac Asimov que comentamos na Parte II das Séries Literárias Internacionais que Valem Nossa Leitura.


Curiosamente, a trama de O Guia do Mochileiro das Galáxias surgiu a partir de um programa da rádio BBC 4. Douglas Adams e Simon Brett criaram, no final da década de 1970, uma atração cômica que falava das viagens pelo cosmo. Obviamente, a história ficcional tinha muito nonsense e sacadas hilárias (ao melhor estilo do humor inglês!). A ideia para tal enredo surgira de uma viagem que Adams fez sozinho pelo Velho Continente. Certa noite, o escritor inglês estava bêbado no interior da Áustria com o Guia do Mochileiro para a Europa nas mãos. Enquanto contemplava as estrelas, ele pensou: Por que ninguém escreve o Guia do Mochileiro das Galáxias, hein?! Tempos depois, já sóbrio, o autor lançou essa proposta de enredo para a rádio inglesa em que trabalhava. E, acredite, ela foi aceita!


Encantado com o sucesso do programa radiofônico e com o potencial daquela trama extremamente original, Douglas Adams resolveu levar a dinâmica da narrativa da BBC 4 para a literatura. Surgia, dessa maneira, uma obra-prima do humor inglês e da comédia literária internacional. Alguém, enfim, escrevia o tão aguardado (pelo menos para as crenças de Adams) O Guia do Mochileiro das Galáxias! Rapidamente o livro se tornou best-seller no Reino Unido e foi traduzido para outros idiomas. Atualmente, essa história já foi levada (porcamente, preciso dizer!) para o cinema, para a televisão e para o teatro. Se você assistiu aos filmes, aos seriados de TV ou as peças de O Guia do Mochileiro das Galáxias, saiba que eles não representam a essência do trabalho de Douglas Adams. Enquanto o livro, um clássico da literatura inglesa, é espetacular, suas adaptações deixaram muuuuuuito a desejar.


O romance “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (Arqueiro), o primeiro título da saga mais famosa de Douglas Adams, começa com o drama de Arthur Phillip Dent, um terráqueo solitário, fracassado e um tanto estúpido. Se a rotina do rapaz já não é lá grande coisa, ela se torna terrível quando sua casa é destruída para a construção de uma estrada. Desolado, Arthur encontra Ford Perfect, um alienígena que vive disfarçado na Terra há mais de uma década, em um bar. Para não chamar atenção, o E.T. se finge de ator desempregado. Cada um tenta afogar as desilusões enchendo a cara. Perfect veio ao nosso planeta para coletar informações para um tal de Guia do Mochileiro das Galáxias, uma enciclopédia destinada a assessorar os viajantes interplanetários com todo tipo de conhecimento sobre o universo que eles possam precisar. Com uma proposta consultiva e direta, o livrão tem na sua capa o primeiro ensinamento: não entre em pânico!


Quando Ford Perfect descobre que a Terra será destruída pelos vogons, uma raça alienígena violenta e sanguinária, o falso ator organiza sua partida do planeta azul e convida Arthur Dent para fugir com ele. Assim, a dupla embarca clandestinamente na nave vogon. A partir daí, começam as aventuras interespaciais de Arthur e Ford. Os dias de monotonia e de tranquilidade das personagens terminam definitivamente quando eles chegam ao espaço. Ainda na nave extraterrestre que os tirou do nosso planeta, Arthur e Ford precisam se esconder dos inimigos. Quando são enfim descobertos, os dois são expulsos sumariamente pelos vogons. Por sorte, a dupla não fica muito tempo à deriva no espaço. Eles são resgatados por uma nave comandada por Zaphod Beeblebrox, importante figurão interplanetário. Ele vive com Trillian, uma terráquea charmosa que tinha fugido da Terra após conhecer Zaphod em uma festa.


Ao longo dos outros quatro livros da série, “O Restaurante no Fim do Universo” (Arqueiro), “A Vida, o Universo e Tudo Mais” (Arqueiro), “Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!” (Arqueiro) e “Praticamente Inofensiva” (Arqueiro), Arthur Dent e Ford Perfect viajam até os confins do universo aprontando todas. Para se ter uma ideia, Arthur tem uma filha com Trillian (a rotina em uma nave espacial seria pouco casta e monogâmica?), se torna mestre no preparo de sanduíches em um planeta distante (não dá para viver sem um emprego nem mesmo lá nas alturas!!!) e precisa fugir o tempo inteiro dos inimigos (seria ele vítima de xenofobia fora da Terra ou o espaço é mesmo um lugar extremamente violento, hein?!). Para completar, a dupla mais inseparável da literatura inglesa anseia por uma resposta para a Pergunta Fundamental da Vida. Eles fazem tudo isso com o Guia do Mochileiro das Galáxias em mãos. Afinal, a enciclopédia interestelar é o almanaque fundamental para quem viaja de um planeta a outro pelo cosmo.


E aí, você já leu a coleção O Guia do Mochileiro das Galáxias? Se ainda não, recomendo encarar o primeiro romance da coletânea de Douglas Adams. Uma vez começada a saga de Arthur Dent e Ford Perfect pelo espaço sideral, na certa você não vai mais querer parar de lê-la. O legal é que os cinco livros desta série são curtinhos. Em conjunto, eles não devem ter mais do que 1.100 páginas – o tamanho aproximado de “A Viajante do Tempo” (Saída de Emergência), o primeiro livro de Outlander, próxima série que vamos discutir neste post. Sim, só um título da coleção Outlander tem a mesma quantidade de páginas de toda a Série O Guia do Mochileiro das Galáxias. Com medinho de encarar longas narrativas literárias, hein? O que posso dizer nessa hora é: inicia a leitura; e não entre em pânico!


3) Coleção Outlander – Diana Gabaldon (Estados Unidos) – Aventura Histórica – “A Viajante do Tempo” (1991), “A Libélula no Âmbar” (1992), “O Resgate no Mar” (1993), ”Os Tambores do Outono” (1996), “A Cruz de Fogo” (2001), “Um Sopro de Neve e Cinzas” (2005), “Ecos do Futuro” (2009), “Escrito com o Sangue do Meu Coração” (2014), ““Diga às Abelhas que Não Estou Mais Aqui” (2021).

3)	Coleção Outlander – Diana Gabaldon (Estados Unidos) – Aventura Histórica – “A Viajante do Tempo” (1991), “A Libélula no Âmbar” (1992), “O Resgate no Mar” (1993), ”Os Tambores do Outono” (1996), “A Cruz de Fogo” (2001), “Um Sopro de Neve e Cinzas” (2005), “Ecos do Futuro” (2009), “Escrito com o Sangue do Meu Coração” (2014), “Go Tell The Bees That I Am Gone” (2021).

Se eu não colocasse Outlander, conjunto de nove romances e algumas coletâneas de contos e de ensaios não ficcionais (confesso que já perdi a conta de quantos livros esta saga possui ao todo) da norte-americana Diana Gabaldon, na minha lista de séries literárias favoritas, Débora, uma de minhas amigas mais queridas, iria me matar. Beijo, Debinha! Ela mesma fez essa ameaça (devidamente registrada nas redes sociais do Bonas Histórias) quando publiquei, em agosto, a parte I desta sequência de posts da coluna Recomendações. Como não quero ser morto, ainda mais por mãos amigas, aqui está a apresentação da coleção de títulos de Gabaldon que tanto nos encantou, Srta. Débora Pesso.


Logo de cara, preciso alertar que para mergulhar em Outlander, o leitor precisa ter fôlego de maratonista (ou seria disposição de crítico literário?). Afinal, cada obra da saga de Claire Randall, enfermeira inglesa da Segunda Guerra Mundial que acabou viajando no tempo até a Escócia do século XVIII, tem mais de mil páginas. Aí você multiplica: mil páginas por nove romances. Dá, se minha calculadora mental não estiver tão ruim, nove mil páginas. Se contarmos que a série ainda não foi concluída (sim, senhores e senhoras, Gabaldon continua escrevendo, escrevendo, escrevendo...) e possui títulos adicionais (contos e ensaios que giram entorno do enredo dos romances), podemos colocar tranquilamente mais de dez mil páginas no colo dos leitores. Durmamos (ou não durmamos) com esse peso.


Diante dessa avalanche literária (quase usei o termo “informação assustadora”), alguém pode alegar: então não vou nem começar a ler Outlander. Se não curto muito literatura, o que dirá ficar preso(a) a uma trama quase infinita, né? Este argumento pode até parecer válido em um primeiro momento. Entretanto, ele não se aplica aos casos reais que conheço. A Débora, por exemplo, não é muito chegadinha em obras da literatura ficcional (segundo palavras dela mesmo, tá?). Como boa atriz que é (agora são minhas palavras), seu lance é mais os textos cênicos e as produções cinematográficas. Aí eu emprestei o livro “A Viajante do Tempo” (Saída de Emergência), o primeiro volume da série de Diana Gabaldon, e minha amiga não conseguiu mais parar de ler. Quando digo que ela não parou mais de ler, não é apenas o livro e sim a coletânea inteira. Inclusive, Debinha atrasou um pouco o acompanhamento da série de televisão Outlander, adaptação dos romances de Gabaldon para as telas (cuja produção, vale a menção, é simplesmente ESPETACULAR!!!), para não ter sua experiência literária comprometida. O que a boa literatura não faz conosco.


Segundo sei, Débora já leu “A Libélula no Âmbar” (Arqueiro), “O Resgate no Mar” (Arqueiro), ”Os Tambores do Outono” (Arqueiro), “A Cruz de Fogo” (Arqueiro) e “Um Sopro de Neve e Cinzas” (Arqueiro), respectivamente o segundo, terceiro, quarto, quinto e sexto volumes da série. Parece que ela está lendo agora “Ecos do Futuro” (Arqueiro), o sétimo livro da coletânea. Aí faltarão apenas “Escrito com o Sangue do Meu Coração” (Arqueiro), obra lançada no final do ano retrasado no Brasil e “Diga às Abelhas que Não Estou Mais Aqui” (Arqueiro), título recém-publicado por aqui. É isso mesmo, Debinha, ou entendi errada as nossas últimas conversas, hein?


Para quem ficou curioso(a) pelos detalhes do enredo de Outlander, vamos a eles. A coletânea é protagonizada por Claire Randall, uma jovem enfermeira inglesa que acabou de retornar da Segunda Guerra Mundial. Para se reaproximar do marido, um historiador escocês, Claire viaja em uma segunda Lua de Mel para Inverness, em Highlands, nas Ilhas Britânicas. Em um passeio pelas montanhas da região, a moça acaba tragada por uma fenda temporal até a Escócia de 1743.


A nova realidade se mostra muitíssimo violenta. Sozinha em uma sociedade machista e sanguinolenta, Clare precisa usar a coragem e a inteligência para superar os infindáveis desafios que insistem em aparecer no horizonte. Suas principais armas são o seu conhecimento histórico e as habilidades medicinais. Já sabendo o que irá ocorrer na Escócia do século XVIII e conseguindo identificar (e sanar) as doenças medievais, Clare torna-se rapidamente uma figura importante para as autoridades locais. Como consequência, ela também ganha inimigos poderosos, que a veem como bruxa.


Em meio a tantos tormentos, a moça se apaixona por Jamie, um jovem guerreiro escocês ingênuo e inexperiente. Não demora para os dois ficarem juntos e se casarem. Do ponto de vista carnal e sentimental, a união com Jamie é até mais forte do que Claire tinha em seu primeiro casamento (aquele do século XX, lembram-se?). Afinal, logo após o matrimônio (ainda estou falando da primeira união!), a enfermeira precisou deixar o marido em casa para socorrer os feridos nos campos da Segunda Guerra Mundial.


Quando pouco a pouco a vida da protagonista começa a entrar nos eixos na belicosa Escócia dos anos 1740, um novo passeio despretensioso da moça pelas montanhas de Highlands resulta em mais um incidente temporal. Ai, ai, ai. Pelo visto, essas fendas que nos levam a universos paralelos são mais perigosas do que podemos supor (beijo, Mara!).


Se você se interessou por essa trama, só tenho uma coisa para te dizer. Não comece a leitura de “A Viajante do Tempo” se você não tiver tempo e disposição para embarcar para valer na série inteira. Porque a leitura de alguns poucos capítulos do volume inicial da saga já será suficiente para te tragar, como se houvesse uma fenda mágica no meio do livro, para o universo encantador e desafiador de Claire Randall. Saiba que Diana Gabaldon é uma das melhores vozes da literatura norte-americana contemporânea e seu trabalho ficcional é impecável. Por isso, cuidado para não se viciar. Não é verdade, Debinha?


4) Série Senhores de Roma – Colleen McCullough (Austrália) – Saga Histórica – “O Primeiro Homem de Roma” (1990), “A Coroa de Ervas” (1991), “Os Favoritos de Fortuna” (1993), “As Mulheres de César” (1996), “César” (1997), “Cavalo de Outubro” (2002) e “Antônio e Cleópatra” (2007).

4)	Série Senhores de Roma – Colleen McCullough (Austrália) – Saga Histórica – “O Primeiro Homem de Roma” (1990), “A Coroa de Ervas” (1991), “Os Favoritos de Fortuna” (1993), “As Mulheres de César” (1996), “César” (1997), “Cavalo de Outubro” (2002) e “Antônio e Cleópatra” (2007).

Sejamos sinceros: o trabalho literário mais famoso de Colleen McCullough, uma das principais escritoras australianas de todos os tempos, é “Pássaros Feridos” (Bertrand Brasil). Esse romance histórico ambientado em Drogheda, um minúsculo povoado do Outback da Austrália, é um clássico da literatura em língua inglesa. Milhões e milhões de leitores do mundo inteiro padeceram com a história do amor proibido da jovem e meiga Meggie Cleary com o belo e ambicioso padre Ralph de Bricassart. Porém, não estamos aqui para falar de “Pássaros Feridos”. E sim da Série Senhores de Roma, a coletânea de romances mais ambiciosa de McCulloug.


Se você nunca ouviu falar desta saga, não se martirize, por favor. Dentro do portfólio literário de Colleen McCullough, a Série Senhores de Roma não figura entre os títulos mais populares. Depois de “Pássaros Feridos”, o líder absoluto no ranking de best-sellers da autora australiana, temos “As Moças de Missalonghi” (Círculo do Livro). Acho até que Carmine Delmonico, a coletânea de romances policiais de McCullough, vendeu mais exemplares do que Senhores de Roma. Pensando bem, não é fácil competir com um bom thriller criminal, né?


Gastei dois parágrafos só para dizer que mesmo não sendo tão conhecido aqui no Brasil, Senhores de Roma é uma série INCRÍVEL!!! Seus sete romances, “O Primeiro Homem de Roma” (Bertrand Brasil), “A Coroa de Ervas” (Bertrand Brasil), “Os Favoritos de Fortuna” (Bertrand Brasil), “As Mulheres de César” (Bertrand Brasil), “César” (Bertrand Brasil), “Cavalo de Outubro” (Difel) e “Antônio e Cleópatra” (Difel), foram lançados entre 1990 e 2007 e são livros do tipo tijolões. Em média, cada título possui 850 páginas. Portanto, estamos falando, segurem-se na cadeira, meu povo, de uma série literária com aproximadamente 6 mil páginas. Obviamente, Senhores de Roma não supera Outlander em extensão narrativa, mas precisamos reconhecer que ele é bem grandinho. É preciso fôlego, meus caros, para embarcar nos conflitos políticos e sentimentais das principais autoridades do final da República Romana e do início do Império Romano.


Por falar nisso, vamos tratar já do enredo desta saga. O que Colleen McCullough fez em Senhores de Roma foi romancear a história real de Roma entre 110 a.C. e 30 a.C. Misturando ficção (na construção das cenas, no estabelecimento dos diálogos, no colorido da ambientação e nos detalhes dos bastidores do poder) com passagens históricas (fruto de muita pesquisa, claro!), a escritora recriou à sua maneira os principais acontecimentos de aproximadamente oito décadas que levaram ao término da República de Roma e a decretação do Império Romano. Se hoje essa combinação de ficção e não ficção pode ser um tanto banal (veja a modinha das séries de televisão atuais que recriam o cotidiano de famosos e poderosos), no início da década de 1990, quando McCullough começou sua saga, esse recurso narrativo era uma grande novidade (e uma sacada genial!).


Nesta coletânea de romances, o olhar de Colleen McCullough paira sobre os homens e mulheres que estavam no cerne do poder. Ao mergulharmos na rotina dos poderosos, descobrimos as rivalidades, as intrigas políticas, os motivos reais das guerras, as alianças familiares, os jogos de sedução, os amores e desamores, as traições e as paixões avassaladoras da elite da nação que estava no centro do mundo em sua época. Incrível, hein?


Algo que precisa ser dito sobre Senhores de Roma é que não temos um núcleo de protagonistas definidos nesta série. À medida que a trama dos livros avança, novas personagens são inseridas e velhas figuras são escanteadas. O que vale aqui é o olhar atento para quem ocupa os principais postos do poder. Se a política é dinâmica e recheada de altos e baixos, o narrador irá acompanhar quem está ascendendo e quem chegou lá no alto (e, por consequência, abandonar sem pudor quem está em decadência e quem mergulhou no ocaso).


O único problema para os leitores brasileiros que forem curtir esta saga de McCullough é que Senhores de Roma não foi publicado integralmente em nosso país. Os dois últimos livros da coletânea, “Cavalo de Outubro” e “Antônio e Cleópatra”, não foram traduzidos nem lançados pela Bertrand Brasil. Quando falei que esta coleção não foi um grande sucesso de vendas por aqui, você entende agora as consequências disso, né? A boa notícia é que podemos recorrer a versão portuguesa desses dois títulos. A Difel, outrora uma editora lusitana e hoje um selo do Grupo Editorial Record, publicou em Portugal “Cavalo de Outubro” e “Antônio e Cleópatra”. Quem gosta de garimpar livros em sebos, não terá muita dificuldade para achar algumas cópias deles no lado de cá do Oceano Atlântico.


E aí, você tem coragem de embarcar no mundo violento, intrigante, apaixonante e surpreendente da República Romana? Se sim, boa jornada de seis milhares de páginas pela série literária mais ambiciosa de Colleen McCullough, um dos monstros sagrados da literatura australiana.


Com este post de hoje encerro a lista com as 12 Séries Literárias Internacionais que Valem a Leitura. Espero que vocês tenham gostado dessa rápida viagem, em três partes, pelas coleções de romances estrangeiros mais interessantes que temos à disposição nas livrarias brasileiras. Enquanto não volto com mais conteúdo para a coluna Recomendações, continue curtindo os demais posts do Bonas Histórias. Afinal, como eu sempre digo: enquanto o mundo gira e o tempo corre, a gente lê. Fazer o quê?!


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