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- Televisão: A célebre entrevista de Mia Couto no Roda Viva
Esta entrevista do escritor moçambicano Mia Couto não é tão recente. Ela foi realizada em novembro de 2012 no programa Roda Viva da TV Cultura. Contudo, só a descobri agora. E fiquei encantado com o que assisti. Couto tem tiradas sensacionais. Sou fã do seu trabalho e da sua concepção de mundo desde que li "Terra Sonâmbula" (Companhia das Letras) e "Se Obama Fosse Africano" (Companhia das Letras). Ouvi-lo faz bem para os ouvidos e para a alma. Captei alguns fragmentos de sua entrevista que mais me chamaram a atenção: "Toda vez que morre um velho na África, perdemos uma biblioteca". "Sou um ateu não praticante". "Estou escritor, não sou escritor". "Mais grave do que não escrever um livro, é escrever em demasiado". "Deus já foi mulher. E eu também". "O escritor não sabe em que momento ele é caçado pela história ou em que momento está perseguindo (a história). Ou é o personagem que o prende ou ele é quem prende o personagem". "A África conhece mais o Brasil do que o Brasil conhece a África". "Já encontrei textos inteiros (na Internet) que não eram meus. Descobrir o poder imenso que tem este tipo de mundo (...). E eu percebi que era impossível contraria isso. Porque quando se pretende desmentir uma coisa destas que circula nesse nível, é como querer travar os ventos com as mãos". Assista a entrevista na íntegra: Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em TV, Rádio e Internet. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #MiaCouto #televisão #Entrevista #LiteraturaMoçambicana
- Livros: O Monte Cinco - A narrativa bíblica de Paulo Coelho
No domingo, li "O Monte Cinco" (Objetiva), romance de Paulo Coelho baseado em um pequeno trecho da Bíblia. Misturando ficção com passagens religiosas, o escritor brasileiro expande uma narrativa do Velho Testamento transformando-a em um romance. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1996. Com apenas 185 páginas, é possível lê-lo em poucas horas. A história de "O Monte Cinco" é sobre a fé de Elias. Séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, Elias, um jovem profeta israelense, precisou deixar sua terra natal, Israel, para atender a um pedido de Deus. Depois de caminhar pelo deserto, ele chega à cidade de Akbar (atualmente no Líbano). Recebido na casa de uma viúva pobre com um filho pequeno, rapidamente Elias é alçado ao primeiro plano da política local. O povo é contra a presença de um profeta estrangeiro. Acusado de trazer má sorte à cidade, Elias é condenado pelos sacerdotes municipais. Sua presença teria levado, entre outras coisas, a morte do filho da mulher que o hospedou. Elias precisa, então, subir ao Monte Cinco, local sagrado, para receber sua punição. Se os deuses não o matassem diretamente, quando ele regressasse da montanha seria morto pela população de Akbar. No alto do Monte Cinco, porém, Elias ouve a voz de um anjo. Este anuncia que ele volte para a casa da mulher que o abrigou e invoque o poder de Deus. Assim, o menino voltaria à vida. Elias faz isto. Ao retornar da montanha, ele é escoltado até a casa onde viveu. Sua desculpa é que precisa pedir perdão para sua moradora. Ao chegar lá, ele traz a vida o menino, conforme anunciado pelo anjo. O povo de Akbar entra em delírio reconhecendo a bondade e o poder do profeta estrangeiro. A partir daí, Elias passa a trabalhar no atendimento à população carente, sendo ainda mais adorado pelos cidadãos da cidade. Quando Akbar fica sitiada por tropas inimigas, o sacerdote e o comandante militar passam a influenciar o governador para que a cidade ataque os estrangeiros. Eles ficam sedentos por guerrear e por derramar sangue. Elias, por sua vez, é contra o confronto armado e passa a tentar convencer o governador para fazer um acordo de paz. Este é o jogo de intrigas de dois lados opostos que tentam influenciar os caminhos da cidade. O que irá prevalecer: a paz ou a guerra?; O caminho da diplomacia ou das armas? "O Monte Cinco" é um livro fraco. A história é até boa (costumeiramente o Velho e o Novo Testamentos trazem boas narrativas), mas a forma como ela é contada torna tudo um tanto enfadonho. Em determinados momentos, a trama demora para avançar, deixando o leitor entediado. Em outras partes, os diálogos se tornam desnecessários e repetitivos. Isso acontece principalmente no segundo terço da trama. Além disso, não temos aqui a força das narrativas anteriores. "Diário de Um Mago" (Rocco) e "O Alquimista" (Rocco), por exemplo, são livros que conseguem cativar o leitor, deixando algum legado filosófico/existencialista. A religião não é o único componente que move a trama. Não é o que vemos em "O Monte Cinco". Se excluirmos a mensagem religiosa, não sobra nada (ou quase nada). É como se estivéssemos ouvindo um padre/pastor na missa/culto de domingo descrevendo as aventuras bíblicas de Elias. A impressão é que Paulo Coelho já transmitiu todas as "lições de vida" que poderia passar para o leitor com seus dois grandes sucessos da década de 1980. A partir daí, ele fica se repetindo, reciclando seus conceitos e sua religiosidade. Os diálogos perdem força e a mensagem se torna vazia. O estilo literário de Coelho em "O Monte Cinco" é similar ao dos livros anteriores: texto simples, protagonista com poderes mediúnicos, romantismo platônico, forte religiosidade, presença de diálogos que transmitem mensagens de autoajuda, personagens em constante deslocamento, recursos narrativos pouco sofisticados e o uso de parábolas. A única inovação, neste caso, foi ter usado como enredo uma passagem bíblica. Talvez o maior problema de "O Monte Cinco" tenha sido o fato de Paulo tê-lo transformando em um romance. Esta história poderia ser sido contada através de um conto ou de uma novela (narrativas menores e mais enxutas). Ao alongá-la, o autor conseguiu diminuí-la em qualidade. "Monte Cinco" é uma obra que com muito custo pode ser apontada como mediana. Um crítico mais exigente a classificaria, com toda a razão, com sendo um romance ruim. Admito que não morri de amores por esta publicação e não recomendaria sua leitura para ninguém. Os únicos que podem gostar um pouco desta história são os leitores apaixonados pela Bíblia. Mesmo assim tenho algumas dúvidas. Eles podem considerar ofensiva a iniciativa do autor de explanar sobre personagens religiosos e condenar esta obra. Vai saber! De qualquer forma, não vale a pena ler este livro, seja você crente ou não. O quinto e último livro do Desafio Literário de Paulo Coelho é “Veronika Decide Morrer" (Objetiva). Continue acompanhando no Blog Bonas Histórias a análise da literatura do escritor brasileiro de maior sucesso internacional. O post sobre “Veronika Decide Morrer" será publicado no sábado, dia 24. Não perca! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. 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- Filmes: O Céu Pode Esperar - O sucesso marcante de Warren Beatty
Há algumas semanas, assisti ao filme "O Céu Pode Esperar" (Heaven Can Wait: 1978). Esta comédia foi um grande sucesso na época do seu lançamento, alcançando uma bilheteria superior a US$ 80 milhões (em um tempo em que estes números eram significativos). Dirigido e estrelado por Warren Beatty, o longa-metragem elevou o nome do ator-diretor norte-americano ao estrelato em Hollywood. Com "O Céu Pode Esperar", Warren foi indicado ao Oscar como ator, diretor, produtor e roteirista, algo que apenas Orson Welles havia conseguido com "Cidadão Kane" (Citizen Kane: 1941). Para provar que não foi sorte, Warren Beatty repetiu o feito com "Reds" (Reds: 1981), três anos mais tarde. Em "O Céu Pode Esperar", conhecemos o jogador de futebol americano Joe Pendleton (interpretado por Warren Beatty). Ele se preparava para o início da temporada quando morreu em um acidente automobilístico. Sua bicicleta foi atropelada por um carro na estrada. Ao chegar ao céu, Joe gera um tumulto por não aceitar seu destino. O anjo responsável por conduzi-lo até ali, percebendo a revolta do rapaz, chama seu superior hierárquico para resolver o problema. Sr. Jordan (James Mason) decide checar se houve algum equívoco e constata o engano. Não era para Joe ter morrido. O anjo iniciante cometeu um erro grave. Depois de muitas discussões, fica acertada a volta do jogador. Contudo, ele retorna a Terra após a sua cremação. Sem poder reviver em seu próprio organismo, a única alternativa é escolher um novo corpo onde Joe possa reencarnar. Não gostando das opções apresentadas, Joe combina com Sr. Jordan que voltará no corpo de um milionário, o Sr. Farnsworth. O ricaço foi assassinado pela esposa (Dyan Cannon) e pelo amante dela (Charles Grodin). Uma vez no novo corpo, Joe precisa fugir das tentativas de assassinato (a esposa e o amante dela não desistem) enquanto sonha em retornar para seu time de futebol americano. "O Céu Pode Esperar" é um excelente filme. Ele mistura humor e crítica de costumes na medida certa. O pós-vida do personagem principal se torna perigoso e complicado. Nem sempre ser um milionário é uma coisa fácil. O grande mérito deste longa-metragem está em seu roteiro. Muito bem produzido, ele guia o filme de maneira certeira para seu clímax. A atuação dos principais atores também é digna de elogio. Warren Beatty está muito bem acompanhado por Julie Christie, James Mason, Jack Warden, Charles Grodin e Dyan Cannon. Buck Henry, que compartilha a direção com Beatty, também faz uma ponta. A trilha sonora também se destaca, tornando as cenas ainda mais interessantes e divertidas. O único ponto mais polêmico é o desfecho da trama. Ele é um tanto controverso. Acredito que muita gente pode se frustrar. Eu gostei. Achei-o plausível e adequado. Não havia alternativa mais pragmática para encerrar esta história incomum. "O Céu Pode Esperar" conquistou um Oscar em 1979, o de melhor direção de arte. Ele acabara indicado em várias outras categorias: melhor filme, diretor, ator principal (Warren Beatty), ator coadjuvante (Jack Warden), atriz coadjuvante (Dyan Cannon), fotografia, roteiro adaptado e trilha sonora. Warren Beatty conquistaria seu Oscar três anos mais tarde com "Reds", de melhor diretor. Veja o trailer de "O Céu Pode Esperar": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #WarrenBeatty
- Livros: Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei - O sétimo livro de Paulo Coelho
Li, no último domingo à tarde, o livro "Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei" (Rocco) de Paulo Coelho. Esta obra foi lançada em 1994. Entre "O Alquimista" (Planeta) de 1988 e "Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei", Coelho publicou dois romances: "Brida" (Rocco) em 1990 e "As Valkírias" (Rocco) em 1992. Na história que li neste final de semana, conhecemos Pilar, uma espanhola de 29 anos que leva uma vida normal: estuda, trabalha e mora em Zaragoza. É ela a responsável por conduzir a narrativa em primeira pessoa desta publicação. A vida da moça sofre uma reviravolta quando um amigo de infância a convida para ir até Madrid. Ele ministrará uma palestra na capital espanhola e quer que ela o assista. Os dois amigos estavam sem se ver há onze anos. Depois de passarem a infância e a juventude juntos em uma pequena cidade, eles acabaram seguindo suas trajetórias e nunca mais se viram, apesar de trocarem eventualmente cartas. Neste encontro, Pilar é surpreendia com a declaração do amigo (que não tem seu nome revelado durante toda a trama): ele está apaixonado por ela. Ou melhor, ele sempre fora apaixonado, desde que se conheceram, mas nunca teve a coragem de dizer isso para ela. Agora ele criou a coragem, desnorteando a amiga. O que Pilar deve fazer? Pilar é uma mulher forte, decidida e racional. Ela tem uma vida convencional e há muito tempo abandonou a religião. Seu amigo de infância, por outro lado, mostra-se frágil, inseguro, passional e muito religioso. Ele tem uma rotina pouco convencional e carrega um segredo. Os dois decidem passar alguns dias juntos para relembrar o passado e se conhecerem melhor. "Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei" é um livro apenas razoável. Novamente temos as principais características de Paulo Coelho: religiosidade exacerbada, episódios mediúnicos, narrativa ancorada no diálogo, personagens em constante viagem, o uso de linguagem simples, poucos recursos literários sofisticados, o uso de parábolas para se transmitir a mensagem e o romantismo platônico. Ou seja, não temos nenhuma grande novidade. Depois de ler "Diário de Um Mago" (Rocco) e "O Alquimista", fiquei com a impressão de ter lido "mais do mesmo" ao terminar esta nova publicação neste domingo. As únicas inovações foram: o uso de uma narradora feminina, o mistério causado por um dos protagonistas não ter seu nome revelado e o romantismo ser elevado a um papel principal na trama. Como os anteriores, este é um livro muito rápido de ser lido. Comecei "Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei" depois do almoço e o concluí no final da tarde. Não gastei mais do que cinco horas para percorrer suas pouco mais de 230 páginas. Gostei do livro, mas ele é realmente muito inferior aos precedentes. Esta é aquela obra que temos certeza que não iremos nos lembrar de ter lida depois de um ano ou dois. Curiosamente, eu já havia lido este livro há dez ou quinze anos. Contudo, não me lembrava de absolutamente nada. Se for para ler apenas um ou dois livros de Paulo Coelho para conhecer seu estilo literário, não escolha "Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei. Opte por, em primeiro lugar, "O Alquimista" e, depois, por "Diário de Um Mago". Na próxima terça-feira, dia 20, volto ao Blog Bonas Histórias para comentar o quarto livro de Paulo Coelho do Desafio Literário de setembro: “O Monte Cinco” (Objetiva). Não perca! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PauloCoelho #Romance #Drama #LiteraturaBrasileira #LiteraturaContemporânea
- Livros: O Alquimista - O maior sucesso de Paulo Coelho
"O Alquimista" (Planeta) é o livro de maior sucesso internacional produzido por um escritor brasileiro. A obra de Paulo Coelho, publicada originalmente em 1988, teve mais de 80 milhões de unidades vendidas. Ela foi traduzida para mais de 60 línguas, sendo um best-seller mundial. Esta é a história de um jovem espanhol, pastor de ovelhas chamado Santiago. Após sonhar pela segunda vez com um tesouro guardado no Egito, ele resolveu procurar uma cigana com poderes de vidência. A mulher afirmou que a missão de vida do rapaz seria seguir até as pirâmides egípcias e encontrar o tesouro. Mais tarde, este mesmo presságio seria dito por um senhor que se declarava um rei místico. O velho homem incentivou Santiago a seguir seu destino e descobrir o tesouro que o esperava, dando-lhe também vários conselhos sábios. Empolgado, o pastor vendeu suas ovelhas e partiu em viagem para o Egito com todo o dinheiro que havia ganhado em sua vida inteira. Apesar de amar sua terra e sua profissão como pastor, ele precisa ir em busca do seu sonho. Contudo, na primeira cidade africana visitada, Santiago foi roubado, perdendo todo o seu dinheiro. Este foi o primeiro infortúnio de muitos que viriam mais a frente que atrapalharia sua viagem. Mantendo a força de vontade e a esperança de encontrar seu tesouro, Santiago não desistiu do seu sonho, por mais difícil que ele se parecesse em muitas oportunidades. Durante a trajetória até o Egito, o pastor conheceu muita gente: o dono de uma loja de cristais, um inglês que seguia em caravana pelo deserto, um alquimista com grande sabedoria, uma moça que buscava água em um poço, um monge em um monastério e guerreiros muçulmanos. Quem mais ajudou Santiago foi o alquimista. O misterioso homem transmitiu os conhecimentos necessários para o pastor seguir em frente em sua jornada. "O Alquimista" é um livro curto (tem pouco mais de 100 páginas) e de uma temática simples. Admito que gostei de seu conteúdo (por mais que chovam pedras em cima de quem fale algo do tipo). Paulo Coelho se baseou em uma antiga lenda britânica chamada "O Mascate de Swaffham" para construir uma trama de caráter universal e filosófica. O autor usa e abusa de elementos religiosos e mágicos (se não fizesse isto, não seria Paulo Coelho). A história do pastor Santiago é uma parábola com o objetivo de transmitir lições de sabedoria e moral aos leitores. Os ensinamentos éticos e filosóficos, neste caso, são transmitidos por uma prosa metafórica recheada de simbologia. Assim, este livro se parece, por exemplo, com "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry e com o "Conto da Ilha Desconhecida" de José Saramago. Repare que não estou comparando a qualidade literária das obras e dos autores (evidentemente, Saint-Exupéry e Saramago foram muito mais brilhantes do que Coelho), apenas estou comparando as obras de mesmo gênero narrativo. Por ser uma parábola, é óbvio que a linguagem é simples e as situações vividas pelas personagens são corriqueiras e universais. Vejo muito gente criticando a simplicidade da trama desta obra de Paulo Coelho não compreendendo que se trata de uma característica deste tipo de narrativa. Além disso, a própria essência das parábolas é conferir ensinamentos existenciais para os leitores. Portanto, não faz sentido rotular depreciativamente "O Alquimista" como sendo uma "história banal de autoajuda". Se assim fosse, teríamos que falar o mesmo do "O Pequeno Príncipe" e do "Conto da Ilha Desconhecida". "O Alquimista" é um livro gostoso de ler e com uma mensagem muito interessante. Não é à toa que tenha conquistado tantos admiradores no mundo todo. Li a obra de uma só vez em uma única noite (em pouco mais de quatro horas é possível concluí-la). Por mais que pareçam óbvios e por mais que caminhem para o lugar comum, os ensinamentos passados por esta publicação são nobres. Admito que não gosto de livros de autoajuda, mas acho interesse as parábolas. Apesar de possuir um conteúdo fortemente religioso (algo que me faz sempre ficar com um pé atrás), "O Alquimista" de uma maneira geral é mais uma obra inspiradora do que dogmática. Gostei mais de "O Alquimista" do que de "O Diário de Um Mago". Ao passar para a ficção suas crenças e sua visão de mundo, Paulo Coelho foi mais feliz do que quando tentou transmiti-las através de uma história autobiográfica. As magias, o sobrenatural, a religiosidade cristã, a fé e o transcendental combinam muito mais com as parábolas do que com as descrições pessoais de uma viagem. "O Alquimista" foi considerado, em 1994, um dos melhores livros pela National Library Association (EUA), foi indicado ao prêmio da publicação do ano pela Elle (França) e considerado a obra do ano pelo Sidney Morning Herald (Austrália). A história do pastor Santiago alcançou o topo da lista dos livros mais vendidos nos Estados Unidos, México, Argentina, Canadá, França e Austrália. Como isso tudo seria possível se não fosse uma boa trama? Juro que não consigo entender quem critica negativamente esta obra e seu autor! O Desafio Literário de setembro prossegue, no dia 16, com a análise do romance "Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei" (Rocco). Esta obra de Paulo Coelho foi publicada em 1994. Acompanhe as próximas etapas do estudo da literatura do escritor brasileiro de maior sucesso internacional no Blog Bonas Histórias. Até a próxima! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PauloCoelho #Parábola #LiteraturaBrasileira #Romance #LiteraturaContemporânea
- Mercado Editorial: Bienal do Livro de 2016 - Balanço da feira
No domingo passado, terminou a 24a edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento, o maior do gênero na América Latina, aconteceu entre 26 de agosto e 4 de setembro no Pavilhão do Anhembi. A feira reuniu as principais editoras, autores, livrarias e distribuidoras do país, além de um enorme público interessadíssimo nas novidades do mercado editorial. O balanço que faço da edição deste ano é um tanto sombria. Apesar dos organizadores terem se esmerado para promover o maior número de atrações possíveis, fica nítida a queda acentuada deste mercado nos dois últimos anos. A última edição, em 2014, recebeu mais visitantes e expositores. A crise econômica ainda não tinha atingido os brasileiros e era possível fazer bons negócios naquela época. Com isso, o clima ainda era de otimismo e de planos ambiciosos. Quem se lembra do espaço ocupado pelas empresas e da multidão que se acotovelava pelos corredores e pelos stands nas últimas edições, fica desanimado com o que viu desta vez. Agora, o cenário é complemente diferente. Editoras, autores, livrarias e distribuidoras reclamam da queda acentuada das vendas. Há quem compute a retração deste mercado entre 20 a 50% de 2014 para cá. Em 2015, o setor diminui 13% (já descontando a inflação), apesar da febre dos livros para colorir. Se o ano passado foi difícil, este tem sido pior. O primeiro semestre de 2016 apresentou uma retração maior: 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Desta forma, o mercado inteiro está em crise. Editoras de todos os tamanhos não conseguem dinheiro para pagar seus autores e seus fornecedores. As livrarias atrasam os pagamentos para as editoras. Distribuidores ficam se equilibrando entre as duas pontas, sofrendo com o capital de giro cada vez mais apertado. Não será surpresa se uma onda de fechamentos e falências de empresas ocorrerem entre o final deste ano e o começo do próximo. Conheço editoras de porte médio que estão na iminência de declarar incapazes de honrar suas obrigações financeiras. Quando temos conhecimento desta realidade, é curioso vermos muitas empresas tentando seu último suspiro na Bienal do Livro. O investimento que fazem, na minha visão, parece mais desespero para conseguir seus últimos cinco minutos de fama. Além disso, muitos empresários são guiados pela aparência. Mesmo operando com capital de giro negativo, eles sentem que precisam "ver e ser vistos" em eventos desta dimensão. Vamos torcer para a Bienal de 2018 apresentar melhoras. Entretanto, uma coisa eu garanto: muitas empresas fizeram na edição de 2016 sua última participação neste tipo de evento. É uma pena, mas é a realidade nua e crua de um setor devastado pela crise econômica e pela mudança de hábitos dos clientes. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #BienaldoLivrodeSP
- Livros: O Diário de Um Mago - A história mágica de Paulo Coelho
Comecei a leitura das obras de Paulo Coelho do Desafio Literário de setembro pelo seu primeiro grande sucesso editorial: "O Diário de Um Mago" (Rocco). Publicado pela primeira vez em 1987, este livro narra, de forma autobiográfica, a viagem de três meses que o autor fez a pé, um ano antes, pelo Caminho de Santiago, trajeto lendário de mais de 700 quilômetros entre o sul da França e a cidade espanhola de Compostela. Esta história foi traduzida para mais de 21 idiomas e colocou o nome do jornalista e compositor Paulo Coelho na seção dos autores best-seller. "O Diário de Um Mago" inicia-se com um ritual místico da Tradição, ordem religiosa oculta que mistura práticas mágicas e esotéricas com rituais cristãos. Durante a cerimônia de consagração de Paulo Coelho, adepto desta crença, em Mago, o Mestre deste identifica um erro no comportamento de seu discípulo e o pune com a perda de sua espada mágica. Para ter seu instrumento de volta, Paulo precisará percorrer a pé o Caminho de Santiago. Nesta viagem, ele precisará, ao mesmo tempo, evoluir espiritualmente e encontrar sua querida espada. Logo no início do trajeto, Paulo é apresentado a Petrus, um italiano de aproximadamente cinquenta anos. Também integrante de uma ordem religiosa secreta cristã, Petrus é incumbido de orientar o brasileiro ao longo do percurso. O guia tem um papel muito mais espiritual do que turístico. O italiano ensina Paulo as práticas do RAM, exercícios variados que aumentam a habilidade de ver, ouvir e sentir os diferentes planos espirituais. Enquanto caminham, Petrus e Paulo vão conversando. O guia explica para seu pupilo as histórias dos lugares percorridos, transmite os ensinamentos religiosos de suas crenças e orienta sobre as técnicas para alcançar um nível espiritual mais elevado. "O Diário de Um Mago" é um bom livro. Ele possui, obviamente, muitos elementos religiosos, rituais secretos e componentes mágicos. É difícil para quem não é crente acreditar em tudo o que é relatado. Os personagens principais conversam com espíritos, movimentam objetos pelo pensamento, enfrentam demônios, entre outras práticas mágicas. Depois de realizar exercícios banais, eles passam a ver e ouvir como se possuíssem poderes sobrenaturais. Admito que fiquei um pouco reticente com tudo o que foi relatado. Não vejo o livro como uma narrativa baseada fielmente em acontecimentos 100% reais. Enxergo a trama mais como uma boa parábola sobre a busca do autoconhecimento através da religião. O que favorece a credibilidade de Paulo Coelho neste tema é que ele sempre foi muito atrelado às regiões alternativas e às seitas ocultas. Recordo que no filme "Raul - O Início, o Fim e o Meio" (2009), o parceiro de Raul Seixas era apresentado como alguém que gostava de mergulhar em várias práticas religiosas polêmicas. Ou seja, ele sabia muito bem sobre o que estava escrevendo. Agora acreditar em tudo o que aconteceu nesta mágica viagem, para mim é jogar contra a lógica e o bom-senso. O ponto mais interessante desta obra está no debate filosófico e humanista dos personagens. Se a história tem pouca ação, ela é recheada de bons diálogos. Paulo e Petrus estão a todo momento discutindo sobre temas existenciais: importância da simplicidade, os méritos do homem (e da mulher) comum, os vários tipos de amor, as diferentes faces do demônio, os mecanismos para concretizar os sonhos, a relevância do pensamento positivo, entre outros. Os diálogos são de alto nível. Cada palavra e cada ideia exposta foram muito bem escolhidas. Esta reflexão existencial é que sustenta o enredo do início ao fim da narrativa. Outro aspecto que chamou minha atenção foi a postura humilde do narrador/personagem. Paulo Coelho não é exatamente conhecido como uma pessoa humilde, mas nesta história ele conseguiu se colocar como um aprendiz e não como um mestre acima das pessoas comuns. O único momento em que ele se mostra presunçoso é na hora da perda da sua espada (punido pelo Mestre por se comportar assim). A linguagem e o estilo narrativo do livro são simples e objetivos. Paulo Coelho escreve fácil e de maneira coloquial. Ele não perde tempo descrevendo cenários, caracterizando personagens ou apresentando perfis psicológicos. Ele vai direto ao ponto, em uma narrativa seca. Em sua história, só há espaço para o essencial. Se o texto fica curto e direto, ele também fica sem qualquer sofisticação literária. Nesta primeira obra do Desafio Literário, não achei Paulo Coelho um autor raso e banal, como geralmente os críticos mais ácidos do escritor apontam. Diria até que ele possui alguma profundidade filosófica e religiosa. A linguagem simples e direta, alvo normalmente de muitos comentários pejorativos, não me desagradou. Sinceramente, gosto de quem escreve fácil e de forma corriqueira. "O Diário de Um Mago" se encaixa na categoria de autoajuda, fornecendo elementos reflexivos para as pessoas melhorarem suas vidas. Este livro está no patamar de "A Cabana", de William P. Young. Se muita gente gosta das obras de Young, por que desvalorizar ou ridicularizar as histórias de Paulo Coelho?! Acho isso preconceito bobo. O segundo livro do Desafio Literário de setembro é “O Alquimista” (Planeta), o maior sucesso da carreira de Paulo Coelho. Continue acompanhando o estudo da literatura do escritor brasileiro de maior sucesso internacional no Blog Bonas Histórias. O post com a análise de “O Alquimista” será publicado no dia 12. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. 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- Desafio Literário de setembro/2016: Paulo Coelho
Depois de ler, no Desafio Literário de agosto, Sidney Sheldon, um autor que sofreu a carreira inteira com as críticas (injustas em minha opinião) em relação à qualidade de suas obras, eu mantenho a mesma pegada para os estudos literários do Blog Bonas Histórias em setembro. Agora vou me aprofundar nos livros de um escritor nacional muito contestado: Paulo Coelho. Paulo Coelho é aquele tipo de figura que provoca reações exacerbadas. Há quem o ame e há quem o odeie. De modo geral, ele é execrado pelos críticos literários e pelos leitores brasileiros. Em seu país, o escritor é visto como um autor pueril e de poucos recursos. A frase que mais se ouve quando alguém vai comentar os livros de Coelho é: "Não li e não gosto". De certa forma, tal frase carrega certo tom de preconceito. No exterior, por outro lado, o autor é venerado. Ele é o escritor brasileiro mais lido no mundo, tendo superado Jorge Amado neste quesito. Seu livro "O Alquimista" (Planeta) virou um fenômeno cultural mundial. Foram vendidos mais de 165 milhões de unidades da obra em 65 línguas. Afinal, quem é o verdadeiro escritor Paulo Coelho?! Ele é realmente um autor insignificante como apontam seus conterrâneos ou é um brilhante best-seller capaz de emocionar pessoas do mundo todo? Para descobrir isso, nada melhor do que ler algumas de suas principais obras. Para este mês de setembro, me programei para analisar cinco livros dele. Irei ler estas obras na sequência em que foram publicadas. Começarei com "O Diário de um Mago" (Rocco). Este foi o primeiro grande sucesso de Coelho. Lançado em 1987, esta publicação foi traduzida para mais de 20 idiomas. A história narra a viagem mística que o próprio autor fez pelo Caminho de Santiago de Compostela, saindo da França e caminhando até a Espanha. . Na sequência, seguirei por "O Alquimista". Lançado em 1988, esta foi a publicação responsável por tornar seu autor um best-seller mundial. Esta história não possui os elementos autobiográficos tão presentes no livro anterior. Aqui, Coelho narra uma viagem da Espanha para o Egito de um personagem fictício, um jovem pastor. O protagonista encontrará, durante sua jornada, muitas respostas para questionamentos existenciais que possui. O terceiro livro será "Na Margem do Rio Piedra, Eu Sentei e Chorei" (Rocco), lançado em 1994. Este romance retrata o encontro de um casal de amigos depois de muitos anos separados. A vida acabou moldando-os de maneiras diferentes. Eu já li esta obra quando eu era adolescente, porém admito que não me recordo absolutamente de nada dela. O mesmo aconteceu com "Diário de um Mago". Sei que já o li, mas não tenho lembrança nenhuma da sua história. "O Monte Cinco" (Objetiva) é o quarto da lista. Publicado em 1996, esta trama mistura ficção e passagens históricas. O romance retrata de maneira ficcional a trajetória de Elias, um dos profetas do Velho Testamento, para atender aos pedidos de Deus, enquanto sofre com as desventuras provocadas pelos homens na Terra. A última obra que vou ler é "Veronika Decide Morrer" (Objetiva). Este livro foi lançado em 1998 e teve uma adaptação feita para o cinema onze anos mais tarde. Nesta trama, conhecemos Veronika, uma jovem eslovena. Depois de tentar um suicídio, ela é internava em uma clínica psiquiátrica. Estes livros, eu tenho aqui na biblioteca de casa. Por isso, pretendo começar suas leituras agora mesmo. No final de setembro, espero ter uma opinião consolidada sobre as qualidades literárias deste importante escritor tão discriminado no Brasil. Quem, afinal, tem razão: os brasileiros ou os estrangeiros? Desafio Literário de setembro começará efetivamente na quinta-feira, dia 8, com o post da análise crítica do primeiro grande sucesso de Paulo Coelho, o livro “O Diário de Um Mago” (Rocco). Acompanhe ao longo do mês, no Bonas Histórias, o estudo da literatura do escritor brasileiro de maior sucesso no exterior. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PauloCoelho
- Filmes: Butch Cassidy - Um filme recheado de cenas mágicas
Há alguns filmes em que não nos cansamos de assistir. Este é o caso de "Butch Cassidy" (Butch Cassidy and The Sundance Kid: 1969). Assisti outra vez a este longa-metragem neste final de semana. Acho que é a terceira ou quarta vez que o vi. Vencedor de quatro premiações do Oscar em 1970 (melhor roteiro, fotografia, trilha sonora e canção original), este clássico do cinema foi dirigido por George Roy Hill e protagonizado pelo trio Paul Newman, Robert Redford e Katharine Ross. Hill, Newman e Redford voltariam a trabalhar juntos quatro anos mais tarde em "Golpe de Mestre" (The Sting: 1973). Este segundo trabalho levaria para casa sete estatuetas do Oscar em 1974 (melhor filme, diretor, roteiro original, montagem, direção de arte, figurino e música). O que faz "Butch Cassidy" tão especial é uma combinação magnífica de uma boa história, com cenas marcantes, interpretações carismáticas e um trilha sonora incrível. Impossível não se emocionar com este longa-metragem. A produção de George Roy Hill inovou ao narrar uma história de Velho Oeste de forma completamente distinta do habitual (basta nos lembrarmos de como eram os filmes protagonizados por John Wayne). Em "Butch Cassidy" os bandidos são os mocinhos e os policiais sãos os vilões. O filme é pautado o tempo inteiro com humor e com muita ação. O companheirismo entre a dupla de bandidos também uma marca do longa-metragem, estando presente do início ao final. Esta é a história de dois famosos bandidos norte-americanos, Butch Cassidy (interpretado por Paul Newman) e Sundance Kid (Robert Redford). Baseado em dois personagens reais, a trama conta a vida destes dois amigos inseparáveis. A dupla ganhou fama ao liderar um grupo de foras da lei chamado "Bando do Buraco na Parede". Eles assaltavam trens e bancos de cidades do Velho Oeste norte-americano entre o final do século XIX e os primeiros anos do século XX. Após um famoso roubo de um trem em Nebraska, os dois bandidos são apontados como os inimigos número um do país. Policiais dos Estados Unidos inteiro passam a procurá-los incansavelmente. Para fugir das garras das autoridades, a dupla resolve fugir para a Bolívia. Eles levam, para esta viagem, a namorada de Sundance Kid, a bela Etta Place (Katharine Ross). Por ser a única que sabe falar espanhol da turma, a moça passa a ajudá-los a assaltar bancos. Rapidamente, os gringos se tornam conhecidos na Bolívia como um dos principais assaltantes do país, sendo novamente perseguidos pelos policias e pelo exército local. É difícil encontrar um filme com tantas cenas marcantes como este. É claro que a mais famosa sequência de "Butch Cassidy" é aquela protagonizada pelo passeio de bicicleta de Paul Newman e Katharine Ross. A riqueza desta cena está tanto na música quanto na mensagem subliminar (Cassidy compartilharia a namorada do amigo para fins sexuais). O cara que escolheu "Raindrops Keep Fallin' On My Head" como trilha sonora desta parte do filme deveria ter acesso automático ao Paraíso quando morresse. Para mim, é uma das melhores cenas de todos os tempos do cinema. Contudo, este não é um filme de uma única cena. Há varias partes incríveis. Logo do começo do longa-metragem, Butch Cassidy protagoniza uma briga com um dos integrantes do seu bando que quer assumir a liderança da gangue. Como Cassidy e Kid ficaram alguns anos presos, seus homens estavam naquele instante sob nova liderança. Costumo utilizar esta sequência em meus treinamentos de inovação e criativa como um ótimo exemplo do que a inteligência pode fazer (no caso, vencer uma briga com um homem muito mais forte). Outras partes célebres são a invasão ao quarto de uma dama, realizado por Sundance Kid, e os assaltos aos trens que transportavam dinheiro, protagonizado pelo "Bando do Buraco na Parede". Na primeira, temos a tensão que a entrada repentina do bandido no quarto de uma dama à noite pode representar. O desfecho é fantástico. No caso dos assaltos aos trens, o jeito desbocado e divertido de Cassidy se estende até mesmo quando ele está "trabalhando". Até quando as coisas não saem como planejado em seus assaltos, ele não perde o espírito zombeiro. Para completar, outra cena clássica do cinema é o tiroteio final realizada pela dupla na Bolívia contra os militares do país sul-americano. A tensão e a dramaticidade da cena se estendem por bons e longos minutos. "Golpe de Mestre" pode ter até conquistado mais estatuetas do Oscar (é também um excelente filme), mas a minha produção predileta do trio Paul Newman, Robert Redford e George Roy Hill é "Butch Cassidy". Este bangue-bangue ao estilo Velho Oeste revolucionou o gênero ao aliar ação, humor e música de primeira. Juro que acho impossível alguém não gostar desta produção. Talvez eu assista mais uma vez só para me certificar que não deixei nada de importante escapar. Veja o trailer desta magnífica produção: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Premiação: Conto Culatra recebe prêmio na ALSJBV
Neste final de semana, ocorreu a festa de premiação do XXIV Concurso Prosa e Poesia na cidade de São João da Boa Vista. Participei da edição deste ano do Prêmio Fábio de Carvalho Noronha, dedicado à prosa literária, com o conto "Culatra". Minha história terminou em terceiro lugar e foi homenageada no evento. A premiação aconteceu neste sábado, dia 27, na sede da Academia de Letras da cidade paulista. O vencedor na categoria prosa foi Robson Batista dos Santos Hasmann de Águas da Prata (SP) e o segundo colocado foi Márcio Dias de Poços de Caldas (MG). Na categoria principal de poesia, chamada de Prêmio Emílio Lansac Toha, os vencedores foram: Ana Carolina Cerqueira Chaves de Santa Margarida (MG) em primeiro lugar, Allan Caetano Zanetti de Bento Gonçalves (RS) em segundo e Rita de Kasia Andrade Amaral do Rio de Janeiro (RJ) em terceiro. O concurso contou com algumas centenas de inscritos de todos os estados brasileiros, além de ter participantes de Portugal, Angola, Moçambique, Estados Unidos, Japão e Alemanha. "Culatra" é uma narrativa curta que apresentarei aqui no Bonas Histórias em 2018. Esta história integrará a série narrativa "Paranoias Modernas", que será divulgada na coluna Contos & Crônicas do blog. Agora, ela foi publicada pela Academia de Letras de São João da Boa Vista (ALSJBV) em uma Antologia. Fazem parte do acervo desta publicação as demais prosas e poesias premiadas na noite deste sábado. Agradeço a todos que me ajudaram na criação do conto e que me homenagearam na noite deste sábado. Um muito obrigado a todos vocês! Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts desta coluna, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite para curtir a página do blog no Facebook. #RicardoBonacorci #ALSJBV #Premiação #LiteraturaBrasileira
- Filmes: Meu Namorado é um Zumbi - Uma história de zumbi diferente
É engraçado falar isso, mas assisti na semana passada ao filme "Meu Namorado é um Zumbi" (Warm Bodies: 2012). A graça está no fato que não gosto de histórias de zumbi e não me interesso muito pelas aventuras adolescentes. Contudo, adoro produções de terror e isso acabou pesando para me atrever a ver esta produção. Dirigido por Jonathan Levine, um diretor em busca de afirmação, "Meu Namorado é um Zumbi" é disparado seu melhor trabalho até aqui. Este longo metragem apresentou bom público nos cinemas mundiais em 2013, ano do seu lançamento. Prova deste fato é que uma continuação está sendo preparada para o ano que vem. Nicholas Hoult e Teresa Palmer formam o casal protagonista desta comédia-dramática. O filme é uma adaptação do livro homônimo escrito por Isaac Marion. Nesta história, conhecemos um mundo pós-apocalíptico em que a maioria dos seres humanos se transformou em zumbis. A pequena parcela da humanidade que ainda "vive de maneira normal" fica protegida em uma cidade sitiada. É nesta cidade que vive Julie (Teresa Palmer), filha do militar responsável por proteger a população local. A prática é atirar e destruir os zumbis que ousem se aproximar dos humanos. Por isso, os zumbis vivem no restante do planeta, um lugar obscuro e repugnante. É neste lugar sórdido que vive R. (interpretado por Nicholas Hoult). Ele é um zumbi que sofre pela falta de amizade e se arrepende por ficar comendo carne de humanos. As vidas de R. e Julie sofrem uma grande reviravolta quando a moça acaba perdida no lado onde os zumbis vivem. Ao invés de matá-la, comendo-a (no sentido original do termo), R. protege a moça. O convívio entre os dois acaba provando para Julie que os zumbis não são tão maus quanto parecem e também mostra para R. que é possível ele voltar a nutrir sentimentos. O conflito maior acontece quando Julie precisa voltar para a sua gente. A separação do casal irá provocar grandes transformações nos dois lados do mundo. "Meu Namorado é um Zumbi" é um filme interessante. Confesso que gostei muito. O começo é típico de um filme de terror, com cenas fortes de autofagia e antropofagia. Entretanto, à medida que a trama se desenrola, ela passa a ter um enredo de ação. No final, o filme novamente muda de tom, tornando-se romântico. Para mim, a graça deste longa-metragem está exatamente nessa mutação. É raro encontrarmos uma produção tão eclética. Há também algumas cenas de humor, o que deixa a tensa narrativa mais leve. Além disso, a mensagem de pluralidade e de aceitação às diferenças é bem atual no plano mundial. O diretor consegue transmitir o conceito de convívio entre opostos de forma sutil e engraçada. O relacionamento entre uma moça humana e um zumbi pode ser comparado, por exemplo, com o de um casal interracial, de religiões diferentes, de países distintos ou mesmo formado por integrantes do mesmo sexo. Infelizmente, essas uniões ainda sofrem o preconceito social e são combatidas em algumas culturas. Gostei de "Meu Namorado é um Zumbi". Ele possui uma narrativa um tanto simples, mas bem executada. As reflexões que podemos tirar dele também ajudam. Os atores são regulares e há uma boa química entre os protagonistas. É obvio que quando for lançado "Meu Namorado é um Zumbi 2", provavelmente não irei aos cinemas para vê-lo. Este é aquele tipo de história que se encerra no primeiro episódio, sendo sua extensão apenas para angariar mais faturamento com uma nova série comercial. Veja o trailer de "Meu Namorado é um Zumbi": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JonathanLevine #NicholasHoult #TeresaPalmer #IsaacMarion
- Livros: A Outra Face - O romance de estreia de Sidney Sheldon
Concluí a leitura das obras de Sidney Sheldon do Desafio Literário de agosto com o seu livro de estreia. Curiosamente, deixei sua primeira história para o final. "A Outra Face" (Record) foi publicado pela primeira vez em 1970. Até aquele momento, Sheldon era um bem-sucedido roteirista de filmes cinematográficos e de séries televisivas. Ás vezes, ele se arriscava também como dramaturgo. A mudança para a carreira de escritor best-seller mundial começou com "A Outra Face", um sucesso de crítica e de público. Esta história foi criada inicialmente para virar um roteiro de filme. A ideia original de Sheldon era retratá-la nas telas do cinema ou da televisão. Contudo, o autor percebeu que a trama era elabora de mais para ser filmada. A partir desta constatação, um romance foi escrito. O livro conquistou em 1970 o título de "Melhor suspense do ano" pelo New York Times. No ano seguinte, ganhou o prêmio Edgar Allan Poe Award de "Melhor Livro de Estreia". A carreira de Sidney Sheldon na literatura estava, portanto, iniciada com o pé direito. O sucesso do primeiro romance aumentaria sucessivamente ao longo dos anos, com os demais lançamentos. Em "A Outra Face", conhecemos o famoso psicanalista Judd Stevens. A vida dele sobre um grande abalo quando sua secretária e um dos seus pacientes são assassinados no mesmo dia. Enquanto precisa provar para a polícia que é inocente, Judd percebe que está correndo perigo. Alguém está querendo matá-lo. Como ninguém acredita nele, inicia-se um jogo psicológico interessante: Judd está realmente correndo riscos ou ele se transformou em um maluco que não tem consciência de alguns dos seus atos? O suspense é potencializado pelo clima de insanidade dos pacientes do doutor. Ele atende cada maluco! Há uma atriz decadente ninfomaníaca, um executivo com mania de perseguição, um homossexual que deseja se tornar um pai de família respeitado e uma esposa misteriosa que não consegue falar qual é seu problema. Esses pacientes também são suspeitos de estar envolvidos com o drama de Judd Stevens. Com 250 páginas, a narrativa é escrita em terceira pessoa. Mesmo assim, o leitor não sabe o que efetivamente acontece durante boa parte da trama, precisando descobrir junto com o protagonista. As dúvidas e suspeitas de Judd Stevens é que dão o tom de suspense à obra. Quem gosta de suspense psicológico e de mistério policial, "A Outra Face" tem um estilo muito parecido às histórias de Harlan Coben. Para ser sincero, esse livro não parece ter sido escrito por Sidney Sheldon. Muitas das características do autor estão ausentes nessa obra. Por exemplo, não temos o predomínio de personagens femininas com personalidades fortes e dispostas a tudo para conquistar os seus sonhos. Talvez, Sidney Sheldon ainda não tivesse se tornado um feminista quando escreveu "A Outra Face". O romantismo exacerbado não aparece tão intensamente. Ele só aparece rapidamente no finalzinho. O maniqueísmo, outra característica forte do autor, também não é tão claramente visível aqui. A disputa entre o bem e o mal e o certo e o errado não são tão evidentes. Por outro lado, temos alguns pontos interessantes e originais. Quase todos os personagens apresentam algum problema psicológico grave. Não é errado afirmarmos que é um livro recheado de malucos. O suspense também é a base de todo o livro. O clima de mistério e indefinição do que está acontecendo é o que faz o leitor ficar preso nessa história repleta de nuances. Apesar de ser possível descobrir em linhas gerais quem é o vilão logo de cara (identifiquei o que estava acontecendo após ler um terço da obra), o suspense ainda sim é bom. Lembremos que Sidney Sheldon não é uma Agatha Christie. O final é um tanto forçado. O maior vilão é um personagem que não estava inserido na trama com ênfase. Além disso, o romantismo meio piegas entre o protagonista e seu par romântico acaba prejudicando o realismo da história no encerramento. Apesar de uma ou outra falha, gostei de "A Outra Face". Ele é um bom livro de suspense, apenar de não ter sido a melhor obra da carreira de Sidney Sheldon. Como publicação de estreia, dá para dizer que o norte-americano começou com o pé direito na literatura. No último dia do mês, voltarei ao Bonas Histórias para postar a análise completa sobre a literatura de Sidney Sheldon. Assim, pretendo concluir o Desafio Literário de agosto. Não perca o próximo post desta coluna do blog. Até lá! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SidneySheldon #Romance #LiteraturaNorteAmericana #RomancePolicial #LiteraturaContemporânea
















