• Ricardo Bonacorci

Livros: Dias de Abandono - O segundo romance de Elena Ferrante

Publicado em 2002, o drama psicológico narrado por uma mulher abandonada pelo marido representou a internacionalização do trabalho da escritora italiana.

Dias de Abandono é o romance de Elena Ferrante

Na semana passada, analisamos “Um Amor Incômodo” (Intrínseca), o romance de estreia de Elena Ferrante. No post de hoje, vamos comentar “Dias de Abandono” (Biblioteca Azul), a segunda publicação da principal escritora italiana da atualidade. Li essa obra no último final de semana e, mais uma vez, fiquei embasbacado com a qualidade da literatura praticada por Ferrante. Com essa nova crítica, damos sequência ao Desafio Literário desse bimestre. Para quem chegou agora e não está ligado na dinâmica do blog, eu aviso: em julho e agosto iremos estudar em profundidade oito livros de Elena Ferrante. A partir das avaliações individuais, construiremos, no finalzinho de agosto, uma análise completa da carreira, da trajetória pessoal e do estilo narrativo da autora best-seller. Quem curte o melhor da ficção contemporânea e da literatura italiana não pode perder os próximos posts do Bonas Histórias.


Publicado dez anos depois de “Um Amor Incômodo”, “Dias de Abandono” foi lançado na Itália em 2002. O segundo romance de Elena Ferrante foi finalista do Prêmio Viareggio, um dos mais tradicionais do país. O drama psicológico narrado por uma mulher desprezada pelo marido depois de 15 anos de um casamento aparentemente feliz e tranquilo caiu rapidamente no gosto dos leitores e da crítica literária italiana. Se Ferrante ficara mais de uma década sem apresentar novidades ao público, ao menos a longa espera valeu a pena. Seu novo trabalho manteve a excelência do livro de estreia, além de conservar boa parte do estilo narrativo que notabilizaram a obra anterior de Ferrante (thriller dramático extremamente tenso, narradora feminina com problemas emocionais, protagonista nascida em Nápoles, conflitos familiares delicados e relações amorosas tóxicas).


A discussão na Itália na época do lançamento de “Dias de Abandono” era: afinal de contas, esse livro seria melhor do que “Um Amor Incômodo”?! Uma parte da crítica literária se inclinou a dizer sim. Outra parte respondeu negativamente, destacando a complexidade psicológica de Delia, a narradora-protagonista da publicação antecedente. Confesso que fico em cima do muro nesse Fla-Flu literário. Achei “Um Amor Incômodo” um romance mais original, catártico e com uma personagem central profundamente polêmica. Já “Dias de Abandono” possui uma trama mais linear, personagens verossímeis (loucas é verdade, mas com um pé na realidade do dia a dia), um conflito mais carismático e uma trama recheada de reviravoltas. Admito que gostei mais de “Dias de Abandono” (do meu ponto de vista de leitor), mas reconheço que “Um Amor Incômodo” é um livro superior (do meu ponto de vista de crítico literário). Entendeu agora o porquê eu disse que fico em cima do muro nessa discussão?

Livro Dias de Abandono de Elena Ferrante

Avaliações subjetivas à parte, de concreto temos que o novo romance de Elena Ferrante representou a internacionalização da carreira da italiana. “Dias de Abandono” foi traduzido para vários idiomas e lançado com êxito no exterior, principalmente na Europa e na América do Norte. Com essa obra, a romancista napolitana que insiste em manter sua identidade sob total anonimato (Ferrante, vale a pena relembrar, é um pseudônimo) se tornava um autora best-seller mundial. Até a publicação da série Napolitana, tetralogia formada por “A Amiga Genial” (Biblioteca Azul), “História do Novo Sobrenome” (Biblioteca Azul), “História de Quem Foge e de Quem Fica” (Biblioteca Azul) e “História da Menina Perdida” (Biblioteca Azul), “Dias de Abandono” era o livro de maior vendagem mundial de Ferrante.


Aproveitando-se do sucesso desse título, o diretor Roberto Faenza levou para o cinema uma adaptação da história da esposa abandonada. A versão audiovisual de “Dias de Abandono” (I Giorni dell'abbandono: 2005) foi lançada três anos depois da chegada do livro homônimo às livrarias italianas. Curiosamente, esse foi o mesmo hiato temporal do lançamento nos cinemas da trama anterior de Elena Ferrante – o filme “Um Amor Incômodo” (L'amore Molesto) é de 1995, enquanto o romance é de 1992. Estrelaram a produção cinematográfica de “Dias de Abandono” Margherita Buy, Luca Zingaretti, Goran Bregovic, Alessia Goria, Gea Lionello e Gaia Bermani Amaral.


Voltando a falar do romance propriamente dito, “Dias de Abandono” foi publicado no Brasil apenas em 2016 pela Biblioteca Azul, selo da Editora Globo. Ou seja, tivemos que esperar mais de uma década para ter a edição em português desse livro. E isso ocorreu em virtude do sucesso estrondoso da série Napolitana, o maior êxito comercial de Elena Ferrante. A Editora Globo aproveitou o grande interesse dos brasileiros pela literatura da italiana e lançou uma obra do início da carreira da escritora. A tradução de “Dias de Abandono” para nosso idioma foi feita por Francesca Cricelli, poetisa, tradutora e pesquisadora acadêmica natural de Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo.


O romance se passa em Turim e é narrado por Olga, uma dona de casa napolitana de 38 anos. Ela está casada há quinze anos com Mario, um bem-sucedido engenheiro de 40 anos. A vida da protagonista é aparentemente tranquila e satisfatória. Depois de morar no Canadá, na Espanha e na Grécia por causa do emprego de Mario em uma multinacional, o casal fixou residência no norte da Itália, onde mora há pouco menos de cinco anos com os dois filhos pequenos, Gianni de 10 anos e Ilaria de 7 anos, e com o cachorro Otto, um pastor alemão.

Livro Dias de Abandono de Elena Ferrante

A rotina de Olga sofre uma transformação abrupta quando, em uma tarde de abril, o marido lhe comunica uma decisão importante. Ele quer a separação. Sem jamais ter demonstrado qualquer insatisfação com o matrimônio e com a companheira ao longo de uma década e meia, ele simplesmente opta por pegar suas coisas, sair de casa e deixar esposa, filhos e cachorro para trás. A naturalidade e a calma com que Mario age contrasta com a explosão emocional da narradora-protagonista. Olga tenta até manter a racionalidade e o controle da situação no início. Ingenuamente, ela acredita que o marido está agindo no calor da emoção e que logo mudará de ideia. Entretanto, ao perceber que a posição dele é definitiva, a dona de casa explode em um surto psicótico.


Vítima de uma fúria descontrolada (algo que só os psiquiatras poderiam definir com exatidão: seria borderline ou estresse pós-traumático?), Olga perde totalmente a estribeira. Obcecada por descobrir quem é a nova mulher do esposo (afinal, ela tem certeza de que foi trocada por outra!), a até então pacata napolitana se transforma em uma louca varrida. Seu nível de insanidade chega ao ponto de ela ser capaz de colocar em risco a sua vida, a dos filhos, a do marido (ou, nessa altura do campeonato, ex-marido), a do cachorrinho, a dos vizinhos, a dos amigos e a de quem mais entrar em seu caminho.


Nesse surto emotivo-psicológico que dura algumas semanas, a personagem principal do romance tem apenas um objetivo em mente: descobrir por quem foi traída e acabar com a nova rotina de Mario. Sua raiva tem uma explicação lógica. Ela abriu mão de muitas coisas nos últimos anos (carreira ascendente, sonho de ser escritora, contato com os parentes, interação com os velhos amigos, vida em Nápoles...) em prol da relação com Mario e da felicidade da família. Contudo, ele parece não enxergar as coisas dessa maneira, trocando-a possivelmente pela primeira mulher que cruzou na sua frente (as suspeitas de Olga recaem, em um primeiro momento, sobre Gina, uma antiga colega de faculdade de Mario e que é atualmente a colega mais próxima dele no trabalho).


Assim, é dado início aos piores dias dessa família de classe média alta aparentemente normal. Digo aparentemente normal porque uma vez que as estruturas que sustentam suas relações afetivas desmoronam, cada personagem da trama irá se comportar diferentemente do que indicaria o histórico de vida e seus papéis sociais. Nas páginas desse livro, assistimos ao colapso psicológico de uma mulher que até outro dia não mostrava sinais nenhum de psicopatia nem corria riscos de virar uma louca aos olhos dos parentes e da sociedade.

Livro Dias de Abandono de Elena Ferrante

“Dias de Abandono” possui 184 páginas e está dividido em 47 capítulos. Levei aproximadamente quatro horas e meia para percorrer integralmente seu conteúdo no sábado passado. Ou seja, esse é um título que dá para ler em um dia só. Li em dois momentos: metade durante a manhã e a outra metade à tarde. A extensão de “Dias de Abandono” é um pouco superior a “Um Amor Incômodo”, livro anterior de Ferrante, e “A Filha Perdida” (Intrínseca), o romance posterior da italiana, que têm 176 páginas. Porém, se comparada às obras da série Napolitana, que possuem em média 426 páginas, essa publicação é bem enxuta.


O primeiro aspecto que gostaria de destacar nesse romance de Elena Ferrante é o começo arrebatador, algo que já tínhamos visto em “Um Amor Incômodo”. Logo nos primeiros parágrafos de “Dias de Abandono”, a escritora italiana apresenta o drama de sua protagonista. Assim, mal o leitor inicia a leitura do livro, ele já cai de cabeça no conflito psicológico enfrentado por Olga. Esse recurso é genial, principalmente em uma narrativa de suspense. Acredito que é impossível você ler as primeiras páginas das obras de Ferrante e não querer prosseguir. Não acredita em mim?! Então, seguem os dois parágrafos iniciais desse romance para você entender o que estou falando:


“Uma tarde de abril, logo após o almoço, meu marido me comunicou que queria me deixar. Fez isso enquanto tirávamos a mesa, as crianças brigavam como sempre no outro cômodo, o cachorro sonhava resmungando ao lado do aquecedor. Disse-me que estava confuso, que vivia maus momentos de cansaço, de insatisfação, talvez de covardia. Falou por muito tempo dos nossos quinze anos casados, dos filhos, e admitiu que não tinha o que reclamar deles nem de mim. Manteve a compostura de sempre, contendo um gesto de excesso com a mão direita quando me explicou com uma careta infantil que vozes leves, certo sussurro, o levavam para outro lugar. Depois assumiu a culpa de tudo que estava acontecendo e fechou com cuidado a porta atrás de si, deixando-me como uma pedra ao lado da pia.


Passei a noite refletindo, consternada, na grande cama de casal. Por mais que eu reexaminasse as fases recentes da nossa relação, não conseguia encontrar verdadeiros sinais de uma crise. Eu o conhecia bem, sabia que era um homem de sentimentos tranquilos, a casa e os nossos rituais familiares eram para ele indispensáveis. Falávamos de tudo, ainda gostávamos de nos abraçar e de nos beijar, às vezes sabia ser engraçado a ponto de me fazer rir até as lágrimas. Parecia-me impossível que quisesse realmente ir embora. Quando depois lembrei que não havia levado consigo nenhuma das coisas que lhe eram importantes e que tinha até esquecido de se despedir das crianças, tive a certeza de que não se tratava de algo sério. Estava atravessando um daqueles momentos que se relatam nos livros, quando uma personagem reage, às vezes, de forma excessiva ao normal descontentamento da vida”.

Livro Dias de Abandono de Elena Ferrante

Compare agora com o começo de “Um Amor Incômodo”. São ou não são dois inícios espetaculares, hein?! Seguem, abaixo, os dois primeiros parágrafos do romance de estreia de Elena Ferrante para você escolher qual é o trecho melhor:


“Minha mãe se afogou na noite de 23 de maio, dia do meu aniversário, no mar de um lugar chamado Spaccavento, a poucos quilômetros de Minturno. Precisamente naquela área, no final dos anos cinquenta, quando meu pai ainda morava conosco, alugávamos no verão um quarto em uma casa de temporada e passávamos o mês de julho dormindo os cinco em poucos metros quadrados escaldantes. Toda manhã, nós, meninas, comíamos ovos crus, partíamos rumo à praia por trilhas de terra e areia ladeadas por juncos altos e íamos tomar banho de mar. Na noite em que minha mãe morreu, a dona da casa, que se chamava Rosa e já tinha mais de setenta anos, ouviu alguém bater à porta, mas não abriu temendo ladrões e assassinos.


Minha mãe pegara o trem para Roma dois dias antes, em 21 de maio, mas nunca havia chegado. Nos últimos tempos, vinha ficar comigo durante alguns dias pelo menos uma vez por mês. Eu não gostava de ouvi-la pela casa. Ela acordava ao raiar do dia e, seguindo seus hábitos, lustrava de cima a baixo a cozinha e a sala de estar. Eu tentava voltar a dormir, mas não conseguia: enrijecida entre os lençóis, eu tinha a impressão de que, enquanto ela se ocupava, meu corpo era transformado no de uma menina enrugada. Quando chegava com o café, eu me encolhia em um canto para evitar que ela tocasse em mim ao se sentar na beirada da cama. A sociabilidade dela me incomodava: saía para fazer compras e se enturmava com os comerciantes com os quais, em dez anos, eu não havia trocado mais do que duas palavras; ia passear pela cidade com alguns conhecidos ocasionais; fazia amizade com meus amigos, aos quais contava histórias de sua vida, sempre as mesmas. Com ela, eu só sabia ser contida e insincera”.


As semelhanças entre esses dois romances de Elena Ferrante não param por aqui. “Dias de Abandono” tem também uma narradora pouquíssimo confiável. Ou alguém em sã consciência iria acreditar piamente nos relatos de uma pessoa em um surto psicológico, hein?! Por falar nos dramas presentes de Olga, eles vêm misturado com lembranças angustiantes (talvez seu passado não seja tão tranquilo assim), alucinações (com aparições fantasmagóricas), autocríticas (por ter perdido o marido, a esposa rejeitada questiona-se onde teria errado), pensamentos perturbadores (estamos mergulhando na mente de alguém doente) e passagens literárias (a personagem principal é apaixonada pelos clássicos da ficção). Essa mistureba inusitada é o que confere graça e força à trama de Ferrante.

Livro Dias de Abandono de Elena Ferrante

A tensão é evidente em quase todos os capítulos de “Dias de Abandono”. E esse clima bélico entre esposa e marido irá prosseguir até o desfecho do livro. Esse é o tipo de obra que se o leitor estiver fumando durante a leitura, há o risco de provocar uma grande explosão (a quantidade de combustível presente nas páginas é absurda!). Achei que “Um Amor Incômodo” possui maior suspense, mas “Dias de Abandono” tem maior nível dramático.


Outra questão que aproxima os dois títulos iniciais de Elena Ferrante é o caráter novelesco das narrativas. Com poucas personagens em cena, capítulos curtos, apenas um espaço narrativo (basicamente a casa da família) e drama central que monopoliza a história, as características de “Dias de Abandono” são mais parecidas a uma novela do que a um romance. O único elemento que o faz ser um romance efetivamente é a extensão de sua história.


Não é preciso dizer que esse livro repete o enredo anterior da escritora italiana: drama familiar com alta voltagem de intrigas, traições, confusões e, principalmente, psicopatias. Se “Um Amor Incômodo” tratava das relações tumultuadas de mãe e filha, “Dias de Abandono” foca nas brigas de um casal. Se olharmos atentamente para “A Filha Perdida”, o terceiro romance de Elena Ferrante, ele é uma mistura dos dois anteriores (conflitos familiares envolvendo tanto as filhas da protagonista quanto a mãe e o marido).


Já que falamos das várias semelhanças, vamos tratar agora das diferenças entre “Dias de Abandono” e “Um Amor Incômodo”. E elas não são poucas. Para começo de conversa, Olga é bem diferente de Delia, apesar de ambas serem napolitanas e agirem como loucas varridas. A distinção está no caráter de cada uma. Enquanto Delia é alguém abalada desde a infância por episódios que nem mesmo ela sabe explicar racionalmente, Olga sofreu um abalo recente que tirou o seu chão. Em outras palavras, a ilustradora de histórias em quadrinhos que vivia em Roma era uma psicopata incurável. Já a dona de casa em Turim é simplesmente uma mulher que está momentaneamente abalada emocional e psicologicamente com uma traição inexplicável. Apesar de aparentemente sutil, essa diferença transforma totalmente a narrativa (o que indicará desfechos distintos para os dois romances).

Livro Dias de Abandono de Elena Ferrante

Por falar nisso, o desenlace de “Dias de Abandono” é o oposto do encerramento de “Um Amor Incômodo”. Nesse segundo romance de Elena Ferrante, assistimos à redenção da narradora-protagonista, algo que não aconteceu com Delia, mergulhada cada vez mais em suas neuroses. Olga consegue, depois de muito sofrimento, encontrar uma luz no fim do túnel e superar o trauma da separação abrupta com Mario. Aqui, temos o ciclo completo do romance de formação (personagem principal enfrenta um conflito seriíssimo, sofre, supera o problema e volta ao estado de normalidade). Como isso, Olga deixa o papel de anti-heroína, algo que Delia jamais conseguiu abandonar. Em “Dias de Abandono”, o maior vilão não é a protagonista (para quem viveu uma separação traumática, não é difícil adivinhar quem seja essa figura).


Não temos nessa obra a ambientação exuberante e caótica de Nápoles (um dos charmes de “Um Amor Incômodo”). Vale lembrar que “Dias de Abandono” se passa quase totalmente em Turim. Olga e Mario deixaram o sul da Itália há muitos anos e parecem ter largado os hábitos e o estilo de vida dos napolitanos. Por exemplo, eles não gritam, não brigam e não são chegados a uma confusão. Isso é, até se separarem. De certa forma, eles sempre agiram mais como os nortistas do que como os sulistas. Só quando surta, Olga irá agir de acordo com os estereótipos dos seus conterrâneos. É mais ou menos como diz o ditado: uma pessoa até pode deixar Nápoles, mas Nápoles jamais deixa o âmago de uma pessoa. Legal notar essa questão/contradição.


Cuidado, agora vai um pequeno spoiler (pequenino, juro!). Se você não quiser lê-lo, por favor, pule esse parágrafo. Então lá vai (não digam depois que não avisei!): a identidade da nova mulher de Mario é um tanto óbvia. Eu pelo menos acertei no meu palpite. Provavelmente você também acertará. Afinal, não são tantas as opções assim. Diria que são apenas duas: uma mais tradicional e outra mais disruptiva (fui nessa segunda hipótese). Mesmo assim, não deixa de ser surpreendente o momento em que Olga descobre a identidade da rival (algo que ocorre no capítulo 15, mais ou menos no final do primeiro terço do romance). Nesse instante, sua reação explosiva é até compreensível.


Em suma, “Dias de Abandono” mantém boa parte das características estilísticas que Elena Ferrante apresentou ao público em “Um Amor Incômodo”. Concomitantemente, há várias e sutis diferenças, o que confere ainda mais graça e força ao segundo romance da autora italiana. Como já disse, como leitor, gostei mais desse livro. Entretanto, é inegável que a obra de estreia possua elementos mais originais e inquietantes (se precisasse resumir a literatura de Ferrante, diria que são narrativas inquietantes!).

Livro Dias de Abandono de Elena Ferrante

Nossa investigação sobre a literatura de Elena Ferrante prosseguirá na semana que vem. Na próxima terça-feira, 20 de julho, retornarei ao Bonas Histórias para analisar mais um livro da romancista napolitana, o terceiro título dela do Desafio Literário desse bimestre. A obra em questão é “Frantumaglia – Os Caminhos de Uma Escritora” (Intrínseca), a coletânea de entrevistas, cartas, depoimentos e memórias de Ferrante. Esse título foi publicado em 2003, um ano depois de “Dias de Abandono”. Será interessante mergulharmos nesse texto não ficcional de Elena Ferrante. Essas páginas permitirão que conheçamos a sua personalidade, as suas crenças e a sua visão de mundo, algo que não foi possível até aqui pelos seus romances. Não perca a análise de “Frantumaglia – Os Caminhos de Uma Escritora” e os próximos capítulos do Desafio Literário de julho e agosto. Até mais!


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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