• Ricardo Bonacorci

Desafio Literário: julho e agosto/2021 - Elena Ferrante

A escritora italiana mais vendida da atualidade e que mantém oculta sua verdadeira identidade será analisada pelo Bonas Histórias nesse bimestre.

Desafio Literário: julho e agosto/2021 - Elena Ferrante

Chegamos à análise do segundo autor do Desafio Literário de 2021. Depois de estudarmos, em abril e maio, as obras do turco Orhan Pamuk, vamos a partir de hoje conhecer o trabalho ficcional da italiana Elena Ferrante, um dos principais nomes da literatura contemporânea. Seus romances, a maioria deles best-sellers mundiais, estarão no foco do Bonas Histórias ao longo de julho e agosto. Vale lembrar que a sétima temporada do Desafio Literário, coluna do blog dedicada à investigação do estilo narrativo dos grandes escritores nacionais e internacionais de ontem e de hoje, será completada no bimestre outubro/novembro com a análise crítica dos títulos do argentino Julio Cortázar. Ou seja, nesse ano, serão apenas três os autores investigados em profundidade pelo Bonas Histórias.


Para conhecermos mais e melhor o estilo ficcional de Elena Ferrante, vamos comentar, nas próximas oito semanas, oito de seus principais livros: “Um Amor Incômodo” (Intrínseca), romance de 1992, “Dias de Abandono” (Biblioteca Azul), romance de 2002, “Frantumaglia – Os Caminhos de Uma Escritora” (Intrínseca), coletânea de 2003 com entrevistas, cartas, depoimentos e memórias da autora, “A Amiga Genial” (Biblioteca Azul), romance de 2011 que inaugurou a série napolitana, “História do Novo Sobrenome” (Biblioteca Azul), romance de 2012 que dá sequência à série mais famosa de Ferrante, “História de Quem Foge e de Quem Fica” (Biblioteca Azul), romance de 2013 e terceiro volume da série napolitana, “História da Menina Perdida” (Biblioteca Azul) , romance de 2014 que fecha a tetralogia napolitana, e “A Vida Mentirosa dos Adultos” (Intrínseca), o mais recente romance da autora que foi publicado em 2019.


Os leitores mais antigos do Bonas Histórias devem se lembrar que já comentamos um livro de Ferrante aqui no blog. Foi em agosto do ano passado, na coluna Livros – Crítica Literária. A obra em questão foi “A Filha Perdida” (Intrínseca), o terceiro romance da autora. Esse título foi publicado originalmente em 2006. Como já tinha analisado “A Filha Perdida”, optei por excluí-lo da lista do Desafio Literário desse bimestre. Se não fosse por isso, na certa teria incluído esse romance na coletânea de livros de Elena Ferrante que serão estudados agora.

Livros de Elena Ferrante

A partir da análise individual de obra a obra, estaremos aptos para, no finalzinho do próximo mês, construir um panorama completo da carreira, do estilo literário e das marcas da ficção de Elena Ferrante. Esse é o grande objetivo do Desafio Literário de julho e agosto. Afinal, quais são os segredos do texto de uma das escritoras mais vendidas da atualidade? O que tem de tão especial em suas narrativas (geralmente thrillers dramáticos envolvendo personagens femininas fortes e polêmicas) que colocaram a literatura italiana no topo dos best-sellers internacionais? Espero conseguir as respostas para essas questões (para, então, poder compartilhar com vocês).


Atualmente, Elena Ferrante é uma das autoras mais lidas no mundo. Somente os romances da Série Napolitana, seu maior sucesso editorial, venderam mais de 16 milhões de unidades nos quatro cantos do planeta. Não por acaso, a italiana se tornou a escritora queridinha da HBO e da Netflix, que compraram os direitos de adaptação de seus principais títulos. Em 2016, Ferrante foi mencionada pela revista norte-americana Time como uma das cem personalidades mais influentes do mundo. Desde Umberto Eco e Italo Calvino, a literatura de língua italiana não atingia os primeiros lugares no ranking internacional dos títulos ficcionais mais comercializados.


Nascida em 1953, em Nápoles, Elena Ferrante é o pseudônimo de uma escritora que mantém oculta sua verdadeira identidade até hoje. Mesmo diante da fama internacional, ela preferiu preservar-se e, assim, permanece longe (muito longe!) dos holofotes da mídia. Essa característica inusitada de sua personalidade só foi possível porque Elena jamais apareceu em público. Suas entrevistas são realizadas sempre por escrito e intermediadas pela editora italiana (que deve conhecer sua identidade, mas a mantém em segredo absoluto). Isso é, quando a romancista permite esse tipo de interação com os jornalistas, algo bastante raro. Ela normalmente prefere ficar na dela e não falar com ninguém (é uma versão feminina, italiana e mais radical de Rubem Fonseca).


Como reflexo da crescente curiosidade dos leitores e da imprensa, várias pessoas já foram apontadas, nos últimos anos, como sendo a autora napolitana. Há quem diga que Ferrante seja uma tradutora. Outros afirmam se tratar de uma jornalista. Tem também aqueles que dizem que a escritora é na verdade um homem (algo que duvido!). Contudo, nenhum desses indivíduos mencionados confirmou os boatos de serem Elena Ferrante (na verdade, todos desmentiram categoricamente essa hipótese). Dessa maneira, perpetua-se até hoje o mistério envolvendo a identidade verídica da maior best-seller italiana da atualidade. Sem dúvida nenhuma, esse é um dos maiores segredos da literatura contemporânea.

Elena Ferrante, romancista italiana

As únicas informações concretas que temos sobre a vida pessoal da romancista estão disponíveis no livro “Frantumaglia – Os Caminhos de Uma Escritora”. Publicada em 2003, essa obra reúne as memórias de Elena Ferrante e sua justificativa por não revelar sua identidade. Na época do lançamento de “Frantumaglia”, Ferrante ainda não era um dos principais nomes da literatura mundial. Sua fama ainda estava restrita à Itália, que recebeu muito bem os dois romances iniciais da napolitana. No cenário europeu, ela começava a despontar.


A primeira publicação de Elena Ferrante é “Um Amor Incômodo”, romance lançado em 1992. Sucesso de crítica e de público na Itália, essa obra de estreia conquistou vários prêmios em âmbito nacional (Prêmio Procida-Isola di Arturo-Elsa Morante e Prêmio Oplonti d'Argento) e alçou o nome da escritora entre seus conterrâneos. Essa história foi adaptada para o cinema por Mario Martone em 1995.


O segundo romance de Elena Ferrante demorou dez anos para chegar às livrarias. E a longa espera valeu a pena. Lançado em 2002, “Dias de Abandono” se tornou um best-seller mundial. Com esse título, a autora italiana se tornou conhecida internacionalmente. “Dias de Abandono” foi finalista do Prêmio Viareggio e foi levado às telonas. O filme homônimo teve direção de Roberto Faenza e chegou aos cinemas italianos em 2005. Há poucas semanas, saiu a notícia que esse livro ganhará uma nova adaptação cinematográfica, dessa vez feita por uma superprodução de Hollywood.


Ainda nos anos 2000, Ferrante publicou outros dois livros ficcionais: o romance “A Filha Perdida”, em 2006, e o título infantojuvenil “Uma Noite na Praia” (Intrínseca), em 2007. Essas duas obras contam basicamente a mesma história. A diferença é o foco. Se em “A Filha Perdida” assistimos ao thriller dramático do ponto de vista de Leda, em “Uma Noite na Praia a trama é narrada pela boneca perdida/roubada da menina Elena. Esse terceiro romance de Elena Ferrante representou a consolidação da autora no hall das principais figuras da literatura italiana contemporânea. Mais uma vez, “A Filha Perdida” foi sucesso de público e de crítica.

Nápoles, cenário dos romances de Elena Ferrante

O ápice da carreira literária de Ferrante seria estabelecido entre 2011 e 2014. Nesse período, ela lançou seus títulos mais famosos até aqui: os quatro romances da Série Napolitana. A coleção é formada por “A Amiga Genial”, de 2011, “História do Novo Sobrenome”, de 2012, “História de Quem Foge e de Quem Fica”, de 2013, e “História da Menina Perdida”, 2014. A tetralogia de Elena Ferrante se transformou em um dos maiores sucessos editoriais da década passada. Best-seller internacional, os livros da série napolitana foram adaptados recentemente para a televisão tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. A partir daí, Elena Ferrante entrou definitivamente para a cultura popular mundial.


Em 2019, chegou ao mercado “A Vida Mentirosa dos Adultos”, o oitavo e, até o momento, último romance de Ferrante. Para boa parte da crítica literária, esse é o melhor livro da autora italiana. Em maio do ano passado, em pleno olho do furacão chamado pandemia do novo coronavírus, a Netflix comunicou que comprou os direitos televisivos dessa história e que lançará uma série televisiva baseada na trama de “A Vida Mentirosa dos Adultos”.


Ainda em 2019, Elena publicou “A Invenção Ocasional” (Relógio D´Água), coletânea de 51 crônicas multitemáticas. Esses textos foram escritos no ano anterior para a coluna semanal da autora no jornal inglês The Guardian. Esse livro é o único de Ferrante que ainda não foi lançado no Brasil (a Relógio D´Água é uma editora portuguesa).


Com a intenção de conhecer as particularidades da literatura de Elena Ferrante, o Bonas Histórias mergulhará ao longo dos próximos dois meses nas principais obras da escritora italiana. Confira, a seguir, o cronograma completo do Desafio Literário nesse período:


- 8 de julho de 2021 – Análise de “Um Amor Incômodo” (1992) – romance.


- 14 de julho de 2021 – Análise de “Dias de Abandono” (2002) – romance.


- 20 de julho de 2021 – Análise de “Frantumaglia – Os Caminhos de Uma Escritora” (2003) – memória.


- 26 de julho de 2021 – Análise de “A Amiga Genial” (2011) – romance (livro 1 da série napolitana).


- 4 de agosto de 2021 – Análise de “História do Novo Sobrenome” (2012) – romance (livro 2 da série napolitana).


- 10 de agosto de 2021 – Análise de “História de Quem Foge e de Quem Fica” (2013) – romance (livro 3 da série napolitana).


- 16 de agosto de 2021 – Análise de “História da Menina Perdida” (2014) – romance (livro 4 da série napolitana).


- 22 de agosto de 2021 – Análise de “A Vida Mentirosa dos Adultos” (2019) – romance.


- 28 de agosto de 2021 - Análise Literária de Elena Ferrante.


Nosso estudo da produção ficcional de Elena Ferrante começará efetivamente na próxima semana. A primeira obra da escritora italiana que será comentada aqui no Bonas Histórias é o seu romance de estreia. O post sobre “Um Amor Incômodo” (Intrínseca) será publicado na próxima quinta-feira, dia 8. Não perca o Desafio Literário de julho e agosto. E uma ótima leitura e uma excelente análise para todos!


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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