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- Premiações: Oscar 2015 - Os vencedores são...
Domingo à noite, a Academia de Artes e Ciência Cinematográficas de Los Angeles realizou a sua grande e aguardada premiação anual. Foram, enfim, eleitos os melhores do cinema mundial. O Oscar, o troféu símbolo do evento de mesmo nome, foi distribuído em diversas categorias. Confira os principais vencedores do evento de ontem: - Melhor filme: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance). - Melhor documentário: "Citizenfour" (Citizenfour). - Melhor filme estrangeiro: "Ida" (Ida) - Polônia. - Melhor longa de animação: "Operação Big Hero" (Big Hero 6) - Melhor Diretor: Alejandro G. Iñárritu por "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance). - Melhor ator: Eddie Redmayne de "A Teoria de Tudo" (The Theory of Everything). - Melhor atriz: Julianne Moore de "Para Sempre Alice" (Still Alice). - Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons de "Whiplash - Em Busca da Perfeição" (Whiplash). - Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette de "Boyhood de Da Infância à Juventude" (Boyhood). - Melhor fotografia: Emmanuel Lubezki por "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance). - Melhores efeitos especiais: "Interestelar" (Interstellar). - Melhor trilha sonora original: Alexandre Desplat por "O Grande Hotel Budapeste" (The Grand Budapest Hotel). Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts desta coluna, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #Oscar #Filmes #Cinema #Premiação
- Livros: Perdido em Marte - A viagem interplanetária de Andy Weir
Muito, muito bom! Excelente! Essa foi a sensação que tive ao fechar a última página do livro "Perdido em Marte" (Arqueiro), escrito por Andy Weir. Li esta obra no final do ano passado e gostaria de comentá-la aqui. O livro é uma ficção científica muito bem embasada (foi eleita pela revista Veja como a melhor ficção científica de 2014) e é completamente viciante. Para quem não conhece a história criada por Andy Weir, vou contá-la. Mark Watney é um astronauta da NASA (National Aeronautics and Space Administration) especializado em botânica. Watney é enviado junto com colegas para uma missão no planeta Marte. Depois de uma forte tempestade de areia, enquanto fazia uma operação em campo, o biólogo se perdeu dos colegas e é dado como morto por todos. Sem conseguir recuperar o corpo do amigo, os demais astronautas vão embora do planeta vermelho, deixando Mark para trás. Felizmente (ou seria infelizmente!), o biólogo não tinha morrido. E aí, começam os problemas para ele. Como Mark fará para sobreviver sozinho em um ambiente inteiramente hostil? Como ele avisará o pessoal da NASA que ele está vivo e que sobreviveu à tempestade de areia? Como fará para conseguir água, comida e oxigênio? Neste momento, o rapaz parece fadado ao fracasso e a morte prematura. Para resolver a todas essas questões, surge uma habilidade marcante do personagem principal: ele consegue consertar equipamentos com grande perícia e facilidade e consegue também construir artefatos originais com poucos recursos. Mark Watney é praticamente um MacGyver - da série de televisão da década de 1990, "Profissão Perigo" (MacGyver). Aí está grande parte da graça do livro. Utilizando alternativas reais e prováveis, o autor consegue explicar como um homem poderia sobreviver em Marte. Andy Weir, o escritor por trás dessa produção, é programador de laboratório e engenheiro de softwares. Ele se esmerou em tornar o enredo o mais fiel possível à realidade (algo louvável em se tratando de uma ficção científica). Eu tenho a impressão de que Weir é daqueles nerds que não deixa passar nada. Com isso, a história ganha em precisão técnica. Ao invés dessa característica tornar a narração chata (havia esse risco, pois cada fato e ação da trama possui uma justificativa científica detalhando o episódio), ela se torna incrível. Quem lê a obra, parece estar acompanhando o relato verídico de um sobrevivente interplanetário tamanho é a quantidade de detalhes passados na narrativa. Assim, "Perdido em Marte" se torna viciante. Mark fica preso em Marte já nas primeiras páginas e durante todo o livro ficamos presos ao seu relato. Queremos saber se ele conseguirá sobreviver e como. O personagem se apega a sua criatividade, as suas invenções e, principalmente, ao seu inabalável humor (há divertidas sacadas do personagem principal) para se manter vivo. Cada dia é uma batalha vencida e para ganhar a guerra da sobrevivência é necessário planejamento e disciplina. "Perdido em Marte" é um ótimo livro. Aliando um forte embasamento científico, bom humor e suspense, a obra de Andy Weir tem tudo para se tornar referência em seu gênero. Com certeza, é um dos melhores títulos de ficção científica das últimas duas décadas. Acredito que até quem não goste desse tipo de leitura, irá apreciá-la. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AndyWeir #Romance #FicçãoCientífica #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaContemporânea #Drama
- Filmes: Língua, Vidas em Português - Nosso idioma em foco
Hoje resolvi assistir ao documentário "Língua - Vidas em Português". Este DVD estava na minha lista de pendências há muito tempo. Você conhece este filme? Trata-se de uma produção de 2002 do diretor Victor Lopes, um cineasta moçambicano de nacionalidade portuguesa que vive no Brasil há mais de vinte e cinco anos. Além de produzir documentários, sua especialidade (Lopes também dirigiu "Serra Pelada, a Lenda da Montanha de Ouro" em 2013, no qual retrata a corrida ao ouro na montanha paraense durante a década de 1980), o cineasta também se aventurou recentemente, sem tanto sucesso, pela ficção (dirigindo em 2012 a fraca comédia "As Aventuras de Agamenor, o Repórter"). "Língua - Vidas em Português" é um filme de produção binacional (Portugal e Brasil) com uma hora e meia de duração. Ele foi filmado em seis países (Portugal, Moçambique, Índia, Brasil, China/Macau e Japão) e foi lançando em circuito comercial no Brasil apenas em 2004. A grande sacada criativa do documentário está em discutir a Língua Portuguesa através da mistura das histórias de pessoas comuns e famosas espalhadas nos quatro cantos do mundo. Assim, ao mesmo tempo em que temos os relatos de vendedores ambulantes, estudantes, músicos amadores, fazendeiros, feirantes, bancários, cozinheiros, jovens e idosos, também temos os relatos de personalidades importantes que falam português. José Saramago (primeiro e até hoje único escritor da Língua Portuguesa agraciado com o Nobel de Literatura), Mia Couto (principal escritor africano de língua portuguesa da atualidade), Martinho da Vila (sambista e compositor brasileiro) e João Ubaldo Ribeiro (escritor brasileiro) apresentam seus pontos de vista sobre a língua compartilhada por eles todos. Esse documentário, como o próprio nome diz, visa identificar a relação entre a Língua Portuguesa praticada nos quatro cantos do mundo (Europa, América, África e Ásia) e a vida da população afetada por esta cultura idiomática. Basicamente, o filme demonstra a influência entre o idioma pátrio (português) e o dia a dia das pessoas. Mesmo sendo homens, mulheres e crianças de continentes distintos, de religiões diferentes, com hábitos musicais e alimentícios próprios e com relações pessoais e familiares díspares, todos têm algo em comum: a cultura idiomática. Isso os torna próximos e, de certa maneira, parecidos. A globalização e o multiculturalismo são elementos essenciais para a transformação e a evolução idiomática. Para Mia Couto, a Língua Portuguesa passou por grandes transformações à medida que se expandiu para fora da Europa. Na África, ela ganhou um colorido e a uma particularidade local, assim como ocorreu no Brasil e na Ásia. Para José Saramago, a língua pátria é um arquivo de beleza e fonte de valor, sendo muito mais do que mera ferramenta de comunicação. Para o Nobel, não há uma única Língua Portuguesa, mas várias línguas em português. Segundo Martinho da Vila, a memória de um indivíduo se faz pelas palavras e pela conversa familiar. O sambista se considera muitíssimo ligado à cultura e às pessoas dos países de origem portuguesa. A Língua Portuguesa faz a ligação entre países e povos distantes no planeta. E para João Ubaldo Ribeiro, o português tem evoluído muito rapidamente e grande parte dessa transformação é fruto da combinação entre povos e culturas distintas. O filme de Victor Lopes é muito poético e foi muito bem produzido. Quem possui sensibilidade para compreender o valor da Língua Portuguesa e estiver interessado em desvendar os segredos culturais que um idioma pode impactar em uma pessoa e em um povo, com certeza irá gostar deste documentário. Apesar de já completar mais de uma década de sua realização (está disponível em DVD), "Língua - Vidas em Português" continua sendo um filme atual e relevante. Compreender o nosso idioma é entender quem somos, por que nos comportamos de determinada maneira e descobrir as particularidades de nossa cultura e do nosso cotidiano. Trata-se de um filme ao mesmo tempo profundo e inspirador. Vale a pena vê-lo. Veja um trecho de “Língua, Vidas em Português”: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #VictorLopes
- Livros: Identidade de Carreira - As mudanças profissionais por Herminia Ibarra
Estou desenvolvendo um novo curso para a The Open Mind School, escola no qual trabalho e cujo foco é atender às necessidades profissionais mais imediatas, além de abordar temas sobre qualidade de vida, cultura e entretenimento. O tema deste treinamento é "Mudança de Carreira". Esse assunto me interessa muito, pois estou passando por este processo já faz alguns anos (saindo da vida executiva e ingressando na de escritor). Assim, estou lendo bastante coisa sobre a transição entre profissões e a alteração radical de carreiras profissionais. E o livro que mais me impressionou positivamente foi "Identidade de Carreira" (Editora Gente) de Herminia Ibarra. Ibarra é mestra e doutora pela Universidade de Yale e professora do INSEAD na França, tendo lecionado em Harvard por mais de uma década. Seu campo principal de pesquisa é exatamente a mudança de carreira, tema deste seu ótimo livro. Suas descobertas fogem das constatações convencionais dos outros autores. Sua linha de trabalho aponta estratégias inovadoras e pouco óbvias para as pessoas serem bem- sucedidas no momento da transição da profissão. Achei os argumentos e as ações descritas pela autora interessantíssimos e muito lógicos, apesar de a princípio parecerem completamente estranhos (e absurdos). Em "Identidade de Carreira", Ibarra afirma que mais importante do que planejar bem a transição e cumprir detalhadamente o plano de ação da mudança de carreira, o profissional com o desejo de migrar para outra profissão deve lançar mão de várias experimentações. O planejamento nessa hora acaba tendo pouca importância. A prática e reflexão vindas de novas experiências são mais interessantes e relevantes para o profissional na etapa de transição e na fase de descobertas de suas verdadeiras vontades e vocações. A autora entende como experimentação os testes, as novas experiências, os empregos informais, os estágios e as pequenas tentativas de mudança. Sem tentar e testar novas possibilidades, o profissional nunca saberá se gostará do novo, se tem vocação para a nova carreira e se o mercado irá aceitá-lo na nova condição. É uma abordagem muito diferente da tradicional, apesar de lógica e sensata. O legal do livro de Ibarra é que a escritora descreve vários exemplos reais de pessoas que mudaram de carreira utilizando intuitivamente essa abordagem. Há o caso do executivo com o sonho de virar monge budista. Da professora com o desejo de se tornar empresária. Do consultor de empresas com a pretensão de se tornar escritor. Todos os casos (e são vários) são analisados e comentados pela autora, cujo trabalho de acompanhamento dessas transações de carreira foi acompanhado de perto ao longo dos anos. Para quem se interessar e desejar ler "Identidade de Carreira" fique aqui um alerta: esse livro está difícil de ser encontrado nas livrarias. A editora Gente parou de publicá-lo faz algum tempo (tive sorte de pegá-lo emprestado com um amigo). Assim, achá-lo, é tarefa complicadíssima. Talvez, seja possível localizá-lo em sebos. Ou pode ser mais fácil ler a versão em inglês do livro, importando-o. Mesmo com o dólar nas alturas e o custo maior do frete, vale a pena o investimento feito. O nome da versão inglesa dessa publicação é "Working Identity - Unconventional Strategies for Reinventing Your Career" (Harvard Business School Press). Achei "Identidade de Carreira" sensacional. Recomendo a leitura e o estudo da teoria de Herminia Ibarra para quem precisa e deseja alterar seus planos profissionais. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #HerminiaIbarra #Negócios #NãoFicção #Livros #LiteraturaEspanhola #LiteraturaContemporânea
- Filmes: O Último Concerto - A despedida de Philip Seymour Hoffman
Até 2005, Philip Seymour Hoffman sempre foi escalado para fazer papéis de coadjuvante no cinema. Mesmo assim, o ator conseguia desempenhar ótimos trabalhos, deixando seu nome e sua marca em muitas produções. "Perfume de Mulher" (Scent of a Woman: 1992), "Twister" (Twister: 1996), "Magnólia" (Magnolia: 1999), "O Talentoso Ripley" (The Talented Mr. Ripley: 1999) e "Cold Mountain" (Cold Mountain: 2003) são provas do talento deste artista. A vida profissional de Hoffaman mudou radicalmente em 2005. Escalado para ser o protagonista de "Capote" (Capote: 2005), ele arrebentou e ganhou o Oscar de melhor ator daquele ano. Assim, Philip Seymour Hoffman se tornou conhecido mundialmente e reconhecido como um dos melhores atores de sua geração. Novos tempos estavam iniciando-se para ele. Foi surpresa geral, portanto, no início desse mês de Fevereiro, a notícia da morte do ator. No dia 2 de Fevereiro, Hoffman foi encontrado morto em seu apartamento em Nova York. Uma overdose de drogas foi o motivo do óbito. A indústria cinematográfica ficou de luto com a perda de um dos grandes atores da atualidade. O público lamentou o falecimento precoce do carismático artista de 47 anos. E nesse cenário de consternação e luto, foram lançados, coincidentemente, aqui no Brasil, alguns filmes nos quais o ator trabalhou pela última vez. "O Último Concerto" (A Late Quartet: 2012) e "O Homem Mais Procurado" (A Most Wanted Man: 2014) estão nas salas de cinema de todo o país para quem desejar ver as atuações derradeiras de Hoffman na tela grande. Sabendo disso, corri para ver um deles. Minha escolha recaiu sobre "O Último Concerto". Neste filme dirigido por Yaron Zilberman, Peter (interpretado com sensibilidade por Christopher Walken) é o integrante mais velho de um famoso e tradicional quarteto de cordas, com 25 anos de existência. Os quatro músicos do grupo são muito amigos e a parceria artística de duas décadas e meia entre eles parece sólida e inabalável. Isto até o início dos ensaios para a nova temporada. Peter descobre que está com Mal de Parkinson e que não poderá seguir no quarteto. Assim, ele anuncia a sua aposentadoria para os colegas (irá fazer um último concerto de despedida) e se prontifica a procurar alguém para substituí-lo. Essa mudança precipita outras alterações traumáticas no grupo. Robert (o segundo violinista, interpretado por Philip Seymour Hoffman) briga com Daniel (o primeiro violinista, interpretado por Mark Ivanir) porque na nova formação ele deseja atuar com mais destaque e não apenas como coadjuvante. O colega não concorda com isso. Além disso, Juliette (Catherine Keener), casada com Robert no filme e outra integrante do quarteto, briga com o marido, colocando o futuro do grupo em risco. Nesse cenário de brigas e confusões (os problemas vão se sucedendo ao longo da história), os músicos se preparam para a apresentação de despedida de Peter. "O Último Concerto" é um filme bonito e dramático. Ele não é daquelas produções com cenas de ação, aventura e correria, tão comuns do cinema hollywoodiano. Pelo contrário. É um filme de diálogos longos, de emoções intensas e de cenas mais paradas. Muitas pessoas podem achá-lo meio cansativo, mas não é não. Eu achei ótimo. A parte musical é excelente. Quem gosta de música clássica não pode perder a oportunidade de ouvir Opus 131 de Beethoven sendo executada com primor. E para completar, de uma certa maneira, o filme traz uma coincidência triste. "O Último Concerto" aborda, em seu enredo, a finitude da vida e a despedida da cena profissional de um grande artista (o músico com Mal de Mal de Parkinson). Ao mesmo tempo, a produção se tornou, sem querer, um tributo de despedida ao ator Philip Seymour Hoffman da cena cinematográfica. É ou não é mesmo o último concerto? Veja o trailer de "O Último Concerto": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PhilipSeymourHoffman #YaronZilberman
- Livros: Através do Espelho - A novela filosófico-religiosa de Jostein Gaarder
Neste final de semana, li "Através do Espelho" (Companhia das Letras), novela do norueguês Jostein Gaarder. Mundialmente conhecido como o autor do best-seller "O Mundo de Sofia" (Companhia das Letras), Gaarder mistura em sua literatura filosofia e religião. Em muitos momentos, é possível comparar seu estilo ao do brasileiro Paulo Coelho. Apesar de seu receituário ficcional ser um tanto questionável, o fato é que Jostein Gaarder tornou-se o escritor norueguês mais vendido na década de 1990. "Através do Espelho" segue o padrão narrativo do autor: uma menina à beira da morte e um anjo conversam sobre filosofia e religião; a dupla tenta entender como funciona o mundo e qual a lógica por trás da criação divina. Publicado em 1993, "Através do Espelho" conquistou o Prêmio Norwegian Booksellers como o melhor livro ficcional norueguês daquele ano. Lançado dois anos após "O Mundo de Sofia", esta obra surfou no sucesso do principal best-seller de Gaarder e foi vendida em dezenas de país. No Brasil, a novela foi editada no final da década de 1990, alcançando relativo êxito comercial. Uma adaptação cinematográfica dessa história chegou aos cinemas escandinavos em 2008. A produção conquistou o Prêmio Amanda de melhor filme norueguês infantil da temporada. O enredo de "Através do Espelho" se passa essencialmente no quarto de Cecília Skotbu. A menina sofre de câncer terminal e não consegue mais sair da cama. A família optou por seguir o tratamento em casa ao invés do hospital. Assim, a garota pode compartilhar suas últimas semanas de vida com os parentes próximos: os pais, os avós e o irmão caçula, Lars. Quando a trama inicia-se, é época de Natal. Em sua cama, Cecília ouve os festejos tradicionais em sua casa. Os familiares revezam-se para ficar com a menina no quarto. De presente, Cecília pediu um esqui e um tobogã. Mesmo não conseguindo andar, ela espera poder usar esses brinquedos no próximo inverno, quando já estiver curada. Certa noite, Cecília desperta e vê um menino sem cabelo ao lado de sua cama. Ariel é o nome do rapazinho. Ele se identifica como um anjo que veio do céu para fazer companhia para a garota. Os dois começam a conversar sobre a vida e o mundo. Rapidamente, tornam-se amigos. Ninguém mais na casa consegue ver Ariel, apenas Cecília. O anjo só aparece quando não há ninguém por perto da menina doente. Nessas conversas, Ariel e Cecília Skotbu falam de religião, de Deus, da vida e das características conflitantes de seres humanos e dos anjos. Cada um tenta explicar como é sua existência. Enquanto Ariel não consegue ter sentimentos nem sensações, mas é eterno, Cecília usufrui de uma enxurrada de sentimentos e sensações, mas padece dos efeitos da sua finitude. "Através do Espelho" é um livro curto (possui apenas 141 páginas) e de leitura extremamente rápida (conclui a novela inteira na tarde de sábado). Sua linguagem simples e o constante diálogo entre os dois protagonistas ajudam o leitor a percorrer velozmente as páginas. Apesar de tratar de temas religiosos e filosóficos, o que temos aqui são discussões rasas, sem grandes complexidades. Sinceramente, fiquei decepcionado com esta obra. Achei a novela de Jostein Gaarder muito infantil. As discussões travadas na trama são enfadonhas e tolas. O mundo retratado segue a concepção católica, sendo mais uma ferramenta de evangelização do público do que um debate filosófico que enriqueça os leitores. Para piorar, o anjo e a menina são personagens pouco verossímeis. Ariel diz não saber como o mundo físico funciona, desejando a ajuda de Cecília para compreender como é a vida de um ser humano. Porém, o anjo já existe a milhares de anos (é, afinal de contas, eterno, né?). Por que ele ainda não tinha tido essa preocupação? Por que só agora quer aprender? Depois de tanto tempo, ele não sabe muita coisa. Ou Ariel é burro ou é preguiçoso. Ao mesmo tempo em que diz não saber aspectos básicos do mundo, ele ensina várias coisas pretensamente profundas para Cecília. Como isso é possível?! Ou ele sabe ou não sabe. Cecília, por sua vez, é uma menina ingênua e sonhadora. Porém, em alguns momentos, ela faz reflexões como se fosse uma pessoa adulta, conversando com o anjo como se fosse alguém muito experiente. Não vejo lógica nenhuma nisso. Ou ela é uma menina ingênua ou é alguém com um olhar perspicaz da realidade humana. Não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo. Antes de chegar à metade do livro, você já entendeu o destino da menina e a função do anjo nesta história. Não há qualquer surpresa até o desfecho. Isso talvez seja a questão mais decepcionante da obra. Além de lermos uma coletânea de filosofia barata e de conceitos de porta de bar, ainda acabamos sem qualquer novidade de ordem narrativa. Outra coisa que não gostei foi do estilo da narração dos diálogos. As personagens falam obviedades, mas estão o tempo inteiro se surpreendendo com o que o outro diz. Como assim? O autor gosta de explicar as reações de Cecília e Ariel, mesmo sendo desnecessárias. Se isso ocorresse em uma ou outra página, tudo bem. O problema é que essa dinâmica segue por toda a novela. Uma marcação melhor dos diálogos reduziria essa trama em certa de 10% a 15%. Ou seja, lemos muita coisa redundante ou desnecessária. Na certa, um leitor médio irá se incomodar com a falta de fluidez dos diálogos. Como literatura infantil ou infanto-juvenil, "Através do Espelho" pode até ter alguma graça. Porém, se você for um leitor minimamente crítico e com uma bagagem elementar de literatura e de filosofia, com certeza irá ficar arrependido de ter iniciado esta leitura. Gaarder tem seu valor como escritor, mas ninguém me tira da cabeça que esta novela foi escrita sem muito cuidado. A sensação é que ela foi feita às pressas e lançada no mercado editorial para angariar os fãs de "O Mundo de Sofia". Aí não dá para engolir, né? Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JosteinGaarder #Drama #Livros #Novela #LiteraturaContemporânea #LiteraturaNorueguesa
- Exposições: Leonardo Da Vinci, A Natureza da Inovação - As invenções do gênio italiano
Muita gente conhece a genialidade de Leonardo da Vinci, tido como o maior gênio da humanidade por muitos historiadores. O italiano que viveu no período do Renascimento foi um exímio cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, botânico, poeta, desenhista e músico (ufa!). Tudo o que se propôs a fazer (e como vimos, não foram poucas as áreas de atuação), ele se destacou, deixando um incrível legado. E parte dessa história é mostrada agora na exposição "Leonardo Da Vinci: A Natureza da Inovação", apresentada pelo SESI-SP na Galeria de Arte do Centro Cultural FIESP - Ruth Cardoso, localizado na Avenida Paulista. Nela, é possível conhecer de perto as invenções criadas por Leonardo. O acervo foi trazido do Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci de Milão, na Itália e apresenta uma incrível coleção de projetos, desenhos, maquetes e, principalmente, réplicas das principais criações do mestre renascentista. A exposição exibe armas de guerra, guindastes, máquinas fabris, equipamentos de mergulho, projetos arquitetônicos, máquinas voadoras como paraquedas e aviões portáteis, veículos aquáticos como o submarino, máquinas têxteis, máquinas hidráulicas e objetos do cotidiano. Saber que um homem no século XVI criou todas essas coisa já é sensacional por si só. Visualizar essas criações pessoalmente e materializadas como o artista elaborou é uma experiência ainda mais incrível. E é exatamente esse o mérito de "Leonardo Da Vinci: A Natureza da Inovação": permitir ao público visualizar os projetos desenhados pelo italiano. A exposição do SESI-SP é gratuita e vai até o dia 10 de maio. Eu recomendo um passeio por lá. Reserve pelo menos uma hora para recorrer todo o espaço, para analisar as criações e para explorar os recursos multimídia à disposição do público. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #LeonardodaVinci #Exposição #Mostra #ArtesPlásticas #Pintura #RenascimentoItaliano
- Filmes: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) - As maluquices de Iñárritu
Espetacular! Histórico! Caótico! Sensacional! Único! Arisco! Perfeito! Essas são as palavras que rondavam a minha cabeça hoje à noite ao sair do cinema depois da sessão do filme "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance): 2014). O longa-metragem co-escrito, co-produzido e dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu (de "Babel", "Biutiful" e "O Último Elvis") e recém lançado no Brasil é incrível. Este é o filme mais original que assisti nos últimos anos. Nem sei se consigo externar minhas impressões. Mesmo assim vou tentar. Começando pela história: "Birdman" aborda os bastidores de uma peça teatral da Broadway. Quem dirige, roteiriza e estrela a peça é Riggan Thomson (interpretado por Michael Keaton), um antigo ator que fez muito sucesso no cinema com um personagem de super-herói chamado Birdman. Os tempos de glória e fama de Thomson ficaram para trás quando ele se recusou a gravar o quarto episódio da série do super-herói. Nos dias de hoje, o ator é considerado pelo público e pela crítica como um fracassado e um péssimo interprete. Psicologicamente vulnerável, Riggan é perseguido pelas vozes do super-herói que encarnou no passado. Para provar seu talento e recuperar o antigo prestígio, o ator resolveu ir para o teatro e produzir uma peça na Broadway. Essa é a grande e última chance de provar seu valor. Porém, as coisas não parecem sair como Riggan Thomson deseja. Os ensaios da peça são catastróficos. Os demais atores da produção, Mike Shiner (interpretado por Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough) têm vários problemas de relacionamento e de desempenho. Há ainda dificuldades com o agente de Riggan (Zach Galifianakis), com a filha (Emma Stone) e a ex esposa (Amy Ryan). Ou seja, os personagens estão no meio de uma grande confusão. A sensação de caos se acentua pelo estilo de filmagem. Alejandro González Iñárritu optou por um plano sequencial longo e contínuo. Praticamente não há corte nas cenas. Com isso, o filme não para, tornando-o ainda mais caótico. A câmera se torna praticamente um novo personagem do enredo, caminhando por todos os lugares e invadindo a privacidade das pessoas. A dinâmica do longo-metragem, de certa forma, faz referência às peças teatrais, o tema do enredo. Da forma como foi filmado, o telespectador se sente em uma peça e não em um filme. Isso é bem legal. Outro ponto interessante é o paradoxo entre realidade e ilusão. Em muitas partes, brinca-se com esses elementos: o que estamos vendo, afinal, é verdadeiro ou faz parte da imaginação dos personagens? Essa dúvida vai da primeira cena até a última, aumentado à medida que o filme vai se desenrolando. E por falar em final... Quando achamos que já vimos tudo, o encerramento do filme é espetacular! Meio estranho, admito, mas muito bom. São muitos os elementos inovadores desse longa-metragem. "Birdman" é um filme único, incomparável, principalmente pela forma como foi filmado e produzido. Já li críticas comparando-o a produções como "A Malvada" (All About Eve: 1950) e "O Artista" (The Artist: 2011). Afinal, todos têm no enredo atores em fases de decadência na carreira, tentando dar a volta por cima. Acho essa analogia pobre. São filmes completamente diferentes... De tão inovador e diferente, "Birdman" pode ser ignorado pela Academia durante a votação do Oscar. Esse é o meu temor. Ele merece sim a estatueta de melhor filme (assim como "Boyhood - Da Infância à Juventude" também merece), mas corre o risco de não ser compreendido. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles é conhecida pelo seu conservadorismo e por premiar produções com determinado estilo. Dessa forma, o meu favoritismo para o prêmio máximo do cinema continua com Boyhood, um filme também revolucionário (por filmar ao longo de doze anos os mesmo personagens para mostrar seu real envelhecimento) e com um enredo mais convencional. De qualquer maneira, "Birdman" é um filme histórico, com potencial para ser citado daqui algumas décadas como um clássico. E Alejandro González Iñárritu é um revolucionário, tendo alterado as bases da filmagem do cinema moderno. Não duvido que daqui alguns anos ele seja considerado um gênio da Sétima Arte. Veja o trailer de "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AlejandroGonzálezIñárritu
- Livros: O Frio Aqui Fora - O romance de estreia de Flávio Cafiero
"O Frio aqui fora" (Cosac Naify) é a primeira obra publicada de Flávio Cafiero, carioca nascido em 1971 e morador da cidade de São Paulo desde 1994. Formado em publicidade, Flávio trabalhou por mais de uma década como gerente de produto de uma multinacional, até abandonar a carreira executiva e se transformar em escritor, dramaturgo, roteirista de cinema e televisão e ator. Esse processo de mudança de carreira é exatamente o tema do livro "O Frio aqui fora", uma história inspirada em sua biografia. Esta obra foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti do ano passado. Cafiero lançou recentemente sua segunda obra, chamada "Dez centímetros acima do chão" (Cosac Naify), uma coletânea de contos. O novo livro já venceu o prêmio Cidade de Belo Horizonte. Assim, Flávio Cafiero pode ser considerado uma revelação da literatura brasileira dos últimos anos. Com a expectativa de conhecer um autor tão talentoso, me coloquei a ler seu livro de estreia com grande entusiasmo. O enredo de "O Frio aqui fora" é o trauma sofrido por Luna, um executivo de uma grande empresa que, após treze anos de trabalho na organização, tem a esperança de ser promovido. Entretanto, a promoção não vem. A frustração só aumenta com a abrupta separação da namorada, que sai de casa sem dar nenhuma explicação para ele. Nesse cenário de caos, Luna se desequilibra e, de certa forma, passa a encarar a realidade de outra maneira. Após muitos devaneios, o rapaz decide abandonar a carreira executiva e se tornar escritor, sonho antigo e cultivado desde a adolescência. Esse processo de troca de carreira, normalmente conturbado, caótico e perigoso, é o tema central da obra. Luna precisa reconstruir sua vida profissional e pessoal e ordenar minimamente seu cotidiano. Enquanto isso, ele começa a escrever um livro. O termo que melhor expressa o sentimento vivido pelo personagem neste período conturbado de sua vida é aquele que dá nome ao título do livro de Flávio Cafiero. Após sair da rotina segura de um emprego remunerado e de se lançar ao desafio de uma nova profissão, totalmente incerta, Luna sente o frio do lado de fora (do mercado de trabalho, da família convencional e da sociedade). É uma boa figura de linguagem! O mais interessante deste livro é a maneira como Flávio Cafiero produziu a narrativa. Ela não é sequencial, lógica nem objetiva. A descrição da vida de Luna é recortada por cenas, sonhos, frustrações e lembranças do passado. Às vezes, a obra avança, em outras oportunidades ela volta na história, conferindo mais agilidade e suspense a trama. O narrador (o livro foi feito na primeira pessoa do singular, sendo o eu lírico o próprio Luna) pontua sua existência com muitas dúvidas e reflexões sobre a vida, seus relacionamentos e sobre seu destino. As melhores partes da obra são exatamente essas divagações do personagem-narrador. Elas conferem mais drama e complexidade ao enredo. Saber que a história foi inspirada na vida do autor também ajuda a dar um colorido especial à narração. Para mim, toda narrativa com elementos autobiográficos possuem uma força maior. Ainda mais um executivo que decide abandonar tudo para virar escritor... Gostei muito de "O frio aqui fora". Realmente Cafiero é muito talentoso e fiquei curioso em ler seu livro de contos. Quem sabe não o leio também e comento aqui. É só esperar... Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #FlávioCafiero #Romance #Livros #Drama #LiteraturaBrasileira #LiteraturaContemporânea
- Filmes: Whiplash, Em Busca da Perfeição - Obra-prima de Damien Chazelle
Una um líder coercitivo que não pensa duas vezes em ofender, agredir e humilhar seus subordinados a um jovem ambicioso em se tornar o melhor em sua profissão custe o que custar. O resultado é o filme "Whiplash - Em Busca da Perfeição" (Whiplash: 2014), a nova produção do jovem diretor norte-americano Damien Chazelle. Este filme é nitroglicerina pura. O suspense e a tensão são mantidos ao longo das quase duas horas da produção. Seu poder explosivo se dá pela ótima trama (baseada em fatos reais), pela excelente atuação dos personagens principais (Miles Teller no papel do jovem aprendiz e JK Simmons no do mestre tirano estão espetaculares), pela ótima trilha sonora (este é um filme para ser visto e ouvido) e pela impecável direção de Damien Chazelle (ele consegue manter o ritmo e a intensidade do longa-metragem do começo ao fim sem perder a mão). Não é à toa que "Whiplash" foi o grande vencedor do Festival de Sundance de 2014. Neste filme, o jovem e sonhador Andrew entra para a mais conceituada escola de música dos Estados Unidos. Sua ambição é se tornar o melhor baterista de sua geração. Seu ídolo é Buddy Rich, baterista de jazz da Era do Swing, conhecido pela velocidade impressionante com as bateras. Durante o curso, Andrew é selecionado pelo mestre do jazz Terence Fletcher, o mais admirado e exigente professor da instituição, para integrar a banda principal da escola. Para mostrar suas qualidades ao mestre, o jovem músico está disposto a tudo. Andrew acaba o namoro para poder ter mais tempo para se dedicar aos treinos e aos estudos. Ele passa horas e horas do dia praticando incansavelmente. Do outro lado, o professor também está disposto a tudo para fazer seus músicos evoluírem. O repertório do mestre para incentivar seus pupilos é insano: assédio moral, pesada carga de trabalho e pressão ao extremo. Essa é a única receita conhecida pelo professor Terence Fletcher para se chegar ao sucesso. A ambição de Andrew e os métodos agressivos de Fletcher uma hora se chocam, provocando tensão e levando o filme para seu clímax. As cenas finais são surpreendentes e de tirar o fôlego. Tanto o mestre quanto o pupilo se extrapolam na habilidade de provocar um ao outro. É impossível ficar indiferente a este filme. Como já disse, ele é nitroglicerina pura! O grande debate gerado com "Whiplash - Em Busca da Perfeição" é sobre os efeitos na equipe da liderança coercitiva, como a praticada por Terence Fletche. Essa foi a principal discussão acalentada no bar depois do filme. Há quem defenda esse método, alegando forçar os membros do time a evoluíram na marra, como o filme deixa subentendido. Eu pessoalmente sou da opinião do psicólogo norte-americano Daniel Goleman que, em seus estudos sobre liderança, aponta o estilo coercitivo como negativo a médio e longo prazo. Afinal, quem aguenta trabalhar muito tempo em um ambiente agressivo, desumano, insalubre mentalmente e ameaçador?! Só um paranoico aceita tais condições. Além disso, é preciso fazer a medição da produtividade desse método: quantos profissionais saem deste processo realmente melhores e quantos saem destruídos física e mentalmente. É para pensar e discutir. Garçom, mais uma cerveja, por favor. Veja o trailer de "Whiplash - Em Busca da Perfeição": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #DamienChazelle
- Cursos: Não Deixe a Vida Te Levar - Uma vida bem planejada
Nesta quinta-feira à noite, foi realizada a última parte do curso sobre Planejamento de Vida que ministro pela The Open Mind School. Essa foi a primeira turma do ano. A próxima será no dia 31 de janeiro (sábado). O local do treinamento foi na Rua Bela Cintra, na região da Avenida Paulista. O nome do curso é "Não Deixe a Vida Te Levar - Organização e planejamento de vida para você obter a realização pessoal". Ao longo de seis horas, divididas em duas noites, apresento aos participantes a metodologia criada em 2007 para canalizar meus sonhos em vários projetos viáveis. Desde então sigo essa ferramenta assiduamente, conseguindo realizar muitas das metas pelas quais planejei (a concretização deste blog é um bom exemplo). O meu planejamento de vida contempla ações até o ano de 2065. Nele estipulo os objetivos traçados por mim nas sete dimensões da vida: profissional, econômico, social-familiar, cultura/educação, saúde/estética, ético e religioso/espiritual. Além de planejar, faço um rigoroso acompanhamento e controle mensal dos resultados. Acredito ser esse o segredo do sucesso. A última parte do curso é um workshop no qual incentivo e conduzo os trabalhos para que cada participante monte um esboço do seu próprio planejamento de vida. Reconheço ser esse um processo um tanto difícil. É preciso força de vontade, muitas horas de reflexão e coragem para tirar da mente e do coração todas as propostas desejadas para nossa vida. Apesar de difícil, essa atividade é bem interessante. A maioria das pessoas sai bem empolgada do curso. Eu também gosto muito de ministrá-lo. Acho que esse é um dos meus favoritos. O único aspecto mais delicado para mim é a timidez. Fico muito acanhado por expor abertamente o meu próprio plano para a turma. Sinto-me como se estivesse nu na frente das pessoas. Não é fácil apresentar o planejamento da sua vida para os outros. Apesar de o pessoal adorar ver o meu planejamento (admito, ele é muitíssimo legal), mesmo assim eu fico morrendo de vergonha de apresentar os detalhes dos meus planos do presente e do futuro. Coisas da vida! A turma dessa semana tinha aproximadamente dez pessoas (alguns escaparam da foto!). Gostei muito de ter conhecido tanta gente legal. Espero ter conseguido contribuir um pouquinho para tornar suas vidas mais produtivas e desafiadoras, condizentes com suas expectativas e seus anseios. Pollyana, Karolina, Alberto, Gisleine, Pedro, Mateus, Eduardo "1", Eduardo "2" e Maria Cecília foi um prazer ter conhecido vocês e ter passado algumas horas divertidas nas suas companhias. Quem tiver interesse por conhecer mais os cursos da The Open Mind School, a escola oferece palestras, treinamentos e workshops sobre temas relacionados ao Bem Estar, Cultura & Entretenimento e Carreiras & Negócios. O site dela é: http://theopenmindschool.com/ Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em Cursos e Eventos. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #TheOpenMindSchool #Cursos #RicardoBonacorci
- Filmes: Se Fazendo de Morto - A boa comédia noir francesa
Nesta terça-feira, fui à Reserva Cultural assistir "Se Fazendo de Morto" (Je fais le mort: 2013), uma comédia francesa produzida por Jean-Paul Salomé. O filme é muito interessante e tem boas cenas de humor. O melhor desta produção está na comicidade do enredo. Jean (interpretado por François Damiens, de "A Família Bélier", "As Férias do Pequeno Nicolau" e "Tango Livre") é um ator com um passado de sucesso. Ele ganhou o prêmio César de revelação no ano de 1987. A premiação ao invés de ajudar a catapultar sua carreira, acabou atrapalhando-o. Seu ego inflou, ele se tornou uma pessoa insuportável, passou a brigar e discutir com diretores e com os outros atores e, com isso, as opções de trabalho minguaram. Hoje, com 40 anos, ele não consegue mais nenhum tipo de emprego na área. Às vezes, é chamado para fazer uma campanha publicitária menor. Desesperado para arranjar trabalho como ator, Jean aceita fazer o papel de morto em uma reconstituição de um crime ocorrido em uma gélida e nevada cidade ao norte da França. A polícia e a Justiça precisam de um corpo para fazer a simulação da cena do assassinato e para lá viaja o ator para desempenhar sua função com orgulho (um pouco ferido, é verdade). Logo na chegada, Jean desagrada à juíza Noémie Desfontaines (Géraldine Nakache, de "Os Infiéis", "O Dia em que Vi Seu Coração" e "Tudo o que Reluz") responsável pelo caso e aos demais policiais com sua maneira arrogante e metida de ser. Ele se mete no trabalho dos oficiais, querendo ensiná-los sobre o que fazer. Ele também não se limita a fazer seu papel de morto. Ele passa a quer atuar. Para piorar as coisas, a antiga estrela começa a discordar das conclusões da juíza Desfontaines e passa a investigar por conta própria o crime. Surreal e hilário, ao mesmo tempo! Depois de muitas brigas e confusões, Jean e a juíza passam a ter um relacionamento mais próximo e acabam trabalhando juntos. O filme é bem agitado para o padrão francês. Há cenas de perseguição, correria e suspense. Há algumas mudanças de perspectiva (o suspeito de ser o verdadeiro criminoso vai se alterando ao longo do filme) e pitadas de romance na medida certa. "Se Fazendo de Morto" é um filme engraçado e descompromissado. Recomendo para quem gostar do cinema e do humor francês. Veja o trailer de "Se Fazendo de Morto": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JeanPaulSalomé
















