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- Filmes: Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo - Sexta edição da mostra
Nessa sexta-feira, fui ao Centro Cultural do Banco do Brasil para assistir a uma seleção de curtas-metragens. Trata-se da sexta edição do "Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo", em cartaz desde quarta-feira (15/06) na capital paulista. A proposta da mostra, com duração de doze dias, é apresentar ao público brasileiro o melhor do atual cinema suíço. A maioria das produções são longas-metragens, porém há também documentários e curtas-metragens. Na sessão da tarde dessa sexta-feira foram apresentados sete curtas-metragens produzidos nos últimos dois anos: "Quase Documentário", "Dada", "Moriom", "Intervalo", "O Bloco", "O Pasto" e "Rebobine". O conjunto de filmes tem duração de aproximadamente uma hora e meia. Em "Quase Documentário" (25 minutos), o primeiro da sequência, conhecemos um antigo cineasta de sucesso com dificuldade para ser compreendido pela nova geração de expectadores. Depois de fracassar com seus novos documentários, ele decide filmar uma produção em que mostra a vida de sósias e homônimos de Roger Federer. Apesar da péssima legenda, a história é até razoável. Outras três histórias medianas são "Moriom", "Rebobine" e "Intervalo". Em "Moriom", com 12 minutos de duração, conhecemos um episódio ocorrido em uma cidade muçulmana. Um dia a filha de uma família simples, Moriom, desaparece de casa. Alguns dias depois a moça é encontrada pela mãe vagando a esmo pela cidade vizinha. Depois que retorna ao lar, Moriom não é mais a mesma. Vivendo como uma louca e se comportando estranhamente, ela deixa seus pais perplexos. A família só descobre o que aconteceu quando vê um vídeo gravado no celular da moça. A outra produção é "Rebobine" (13 minutos). Neste filme de ação, conhecemos a história de quatro personagens: uma comerciante, uma jovem viciada em drogas, o irmão da moça e um traficante local. Só ficamos sabendo o que realmente acontece na vida de todos quando assistimos repetidamente à trama. Em cada repetição, o filme roda a partir da perspectiva de um dos personagens, trazendo novos componentes à narrativa. Em "Intervalo", o filme mais longo dessa sessão com 27 minutos de duração, aborda o dia a dia dos médicos em um hospital suíço. Enquanto eles descansam, conversam e se alimentam no intervalo do trabalho, acabam relatando os desafios e as dificuldades da profissão. Este é um documentário simples que foca os dilemas profissionais e pessoais dos médicos. Os demais filmes são horríveis. O pior é "O Pasto". Por 9 minutos assistimos às vacas pastando na beira de uma estrada. O que mais acontece? Nada. É isso apenas: vacas pastando, ruminando e caminhando de um lado para o outro. Muito interessante, né?! "Dada" também é um tanto fora de contexto. Nessa produção de 7 minutos, vemos a recriação de uma apresentação cênica de uma antiga artista suíça. Não há graça nenhuma na apresentação nem uma explicação detalhada de quem foi aquela personagem. "O Bloco", com 10 minutos de duração, é também bem insignificante. Em uma localidade desértica, os habitantes dos povoados da região vão até uma rocha para poderem falar pelo celular. Ali é o único ponto onde há sinal para as ligações telefônicas. Vemos as pessoas chegarem de todas as formas (camelos, carros e caminhões) e assistimos suas conversas. Juro que não vi nada de interessante nisso. Fiquei muito decepcionado com a sessão desta sexta-feira. Se esses são os melhores curtas-metragens suíços dos últimos anos então para tudo. Não quero ver os piores! Tramas sem conteúdo, paradas e sem emoção não trazem nada de novo para o expectador. Fui embora muito triste com o que assisti e achando que fui muito infeliz ao ter trocado os longas-metragens pelos curtas. Ou esta é a pior opção do "Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo" ou a edição desse ano da mostra está péssima. O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Livros: Caiu o Pano - A última aventura do detetive Hercule Poirot
Li, nessa sábado, “Caiu o Pano” (Nova Fronteira). Nesse livro, Agatha Christie coloca ponto final nas aventuras do detetive Hercule Poirot. Um dos mais celebrados personagens dos romances policiais tem sua última história narrada nessa obra que ficou marcada pela ousadia de sua autora. Se eu acreditava que já tinha visto de tudo com o final de “O Assassinato de Roger Ackroyd” (Globo), agora sei que estava redondamente enganado. Agatha Christie consegue novamente surpreender com um final incrivelmente original. E o grande lance do desfecho da obra não está na morte de Poirot (algo que os fãs já previam que iria acontecer). A surpresa está na solução do último enigma do detetive belga e em como o assassino é, enfim, contido. Agatha Christie escreveu “Caiu o Pano” na metade da década de 1940. Já prevendo que um dia precisaria contar os últimos dias e o último caso do detetive Poirot, ela o fez antecipadamente. Assim, terminou essa história e a guardou no banco. A ordem era clara: esse livro só poderia ser publicado quando sua autora não tivesse mais condições de escrever. A assim aconteceu. Ela publicou mais algumas dezenas de livros em que o investigador belga é o protagonista até o ano de 1975. Percebendo que não conseguiria mais escrever, Agatha autorizou a publicação da última história de Poirot. “Caiu o Pano” chegou às livrarias do mundo todo no segundo semestre daquele ano. Em janeiro de 2016, Agatha Christie faleceu. Ou seja, essa foi a última obra da escritora inglesa lançada em vida. Não é errado afirmar que a autora e sua principal criatura/personagem morreram quase que ao mesmo tempo. Em “Caiu o Pano”, temos um Hercule Poirot já bem idoso, sofrendo de vários problemas de saúde. Sem conseguir se locomover (suas pernas já não lhe obedeciam), o detetive resolve se hospedar no hotel Styles, mansão que fora palco de sua primeira história, “O Misterioso Caso de Styles” (Nova Fronteira), publicado em 1920. Assim como no primeiro livro, o narrador é Arthur Hastings, amigo de Poirot. Agora viúvo e com filhos já crescidos (na obra de estreia, ele era um jovem solteiro), Hastings aceita o convite de Poirot e também se hospeda alguns dias na velha mansão Styles. Para surpresa de Hastings, a proposta de Poirot não é para ambos reviverem os “bons tempos” nem para tirarem um período de férias juntos. Logo de cara, o belga informa seu amigo que eles estão lá para solucionar um crime. O último da carreira do famoso detetive e, possivelmente, o mais complicado de todos. Poirot reuniu cinco crimes que aconteceram no passado e que, a princípio, não tinham nenhuma relação um com os outros. Contudo, ele afirma que há relação entre esses episódios e que o assassino não é quem a polícia e a Justiça apontaram. O verdadeiro criminoso sempre ficou oculto e agora está hospedado em Styles. Para piorar as coisas, o belga tem certeza que um novo crime será praticado ali. Com a mobilidade reduzidíssima de Poirot, Hastings fará o papel de olhos e ouvidos do amigo investigador preso na cadeira de rodas. Esta obra foge um pouco do convencional de Agatha Christie e das histórias de Poirot. Ao invés de investigar um crime, trabalha-se para evitar um. Além disso, não estamos falando unicamente de um caso do presente e sim de vários episódios do passado distante entrelaçados em si. Ou seja, o quebra-cabeça é um pouco mais elaborado e complexo. E para dificultar ainda mais as coisas, Poirot apresenta sérias limitações físicas que comprometem seu trabalho, apesar de afirmar a todo instante que está bem e que está em condições de resolver qualquer caso. Logo no início de “Caiu o Pano”, somos remetidos a algumas passagens de “O Misterioso Caso de Styles”. Quem leu esta publicação irá se lembrar de alguns personagens e citações. Contudo, quem não leu o antigo livro poderá acompanhar tranquilamente essa “nova” história. O interessante desse recurso literário utilizado por Agatha Christie é que ela amarra a primeira e a "última" narrativa de Poirot, conferindo um ar de continuidade à carreira do investigador belga. Gostei muito desta trama. O ponto alto, como na maioria das histórias de Christie, está em seu desfecho. Novamente a escritora consegue surpreender o leitor de uma forma que ele suspira para si: “Nossa! Juro que não tinha imaginado isso!!!”. Diria que o encerramento dessa publicação é tão inovador quanto em “O Assassinato de Roger Ackroyd”. Pensei que era impossível Christie ser mais espetacular em um final do que ela tinha sido naquele livro. E ela conseguiu!!! Além de o assassino ser alguém inimaginável, alguns episódios são completamente extraordinários, jamais passando pela cabeça do leitor que fossem possíveis de acontecer. Como última história de Poirot, achei o livro perfeito. Ele consegue retratar a astúcia do detetive ao mesmo tempo em que consegue mostrar a passagem do tempo e os efeitos da idade. Além disso, há a inserção de um elemento moral/ético novo (e maravilhoso) nas histórias de Poirot que nos faz refletir. Obviamente não citarei qual é para não estragar a leitura de quem não o fez. Gostei muito desse livro. Depois de “O Assassinato de Roger Ackroyd”, essa é minha obra favorita de Agatha Christie. Agora entendi porque sua autora deixou os originais dessa publicação guardados por três décadas no cofre de um banco. Trata-se de uma joia dos romances policiais modernos. O Desafio Literário de junho retorna no dia 23, quinta-feira, com o post sobre a obra mais famosa de Agatha Christie, o romance "E Não Sobrou Nenhum" (Globo). Não perca as novas análises do Blog Bonas Histórias. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. 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- Exposições: Triunfo da Cor, o Pós-Impressionismo
Fui, nesta quarta-feira, ao Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), localizado no centro histórico de São Paulo, para ver "Triunfo da Cor - O Pós-Impressionismo". Em cartaz desde o início de maio na capital paulista, a exposição conta com obras-primas de Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Cézanne, Georges Seurat e Henri Matisse. A proposta, de curadoria de Pablo Jimenez Burillo, Guy Cogeval e Isabelle Cahn, é apresentar ao público o capítulo seguinte à história do impressionismo. Após o grande sucesso da exposição dedicada aos artistas e às obras do movimento liderado por Claude Monet, Édouard Manet, Edgar Degas e Pierre-Auguste Renoir, agora é a vez de acompanharmos o passo seguinte. O que veio depois dos impressionistas? A resposta é um conjunto de movimentos artísticos que ganhou a nomenclatura de pós-impressionistas. Como ponto em comum, todas essas escolas tiveram como característica básica a valorização da cor e da bidimensionalidade. Daí o nome da mostra. Em "Triunfo da Cor", somos agraciados com setenta e cinco obras de trinta e dois artistas. As pinturas são da virada do século XIX para o XX e estão divididas em quatro módulos ("A cor científica", "No núcleo misterioso do pensamento. Gauguin e a escola de Pont-Aven", "Os Nabis, profetas de uma nova arte" e "A cor em liberdade") espalhados pelos vários andares do prédio do CCBB. No quarto andar, temos as mais famosas pinturas apresentadas. Ali desfila o que há de melhor de Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec e Cézanne. É um esplendor para nossos olhos! Contudo, para mim, é no terceiro andar onde estão os itens mais incríveis. Como fã do Pontilhismo, fiquei maravilhado diante das mais famosas composições de Georges Seurat e de Paul Signac. Nesse momento, não se acanhe de ir e vir diante das obras, vendo-as em diferentes distâncias para sentir os vários efeitos propostos pelos artistas. Os interessados em ver de perto a exposição em São Paulo têm até o dia 7 de julho para comparecer ao Centro Cultural do Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112 - Centro). Depois disso, a mostra viajará para o Rio de Janeiro. A entrada é gratuita. Como há uma multidão vendo diariamente "Triunfo da Cor - O Pós-Impressionismo", vá com tempo, pois a espera para entrar e para se locomover entre as obras é longa. O congestionamento de pessoas internamente pode enervar quem não estiver com tempo. Acredito que em uma hora e uma hora e meia é possível acompanhar com atenção toda a mostra. Para aqueles que não estiverem habituados às instalações do CCBB, o caminho entre os andares (quase um labirinto) pode causar certas confusões. Apesar desses contratempos, vale muito a pena a visita. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #PabloJimenezBurillo #GuyCogeval #IsabelleCahn #VincentVanGogh #PaulGauguin #HenrideToulouseLautrec #PaulCézanne #GeorgesSeurat #HenriMatisse #ClaudeMonet #ÉdouardManet #EdgarDegas #PierreAugusteRenoir #Exposição #Mostra #Pintura #PósImpressionismo
- Livros: Morte na Mesopotâmia - A fase internacional de Agatha Christie
Li, nesse final de semana congelante em São Paulo, “Morte na Mesopotâmia” (Nova Fronteira), romance de Agatha Christie. A primeira publicação desse livro é de 1936. Essa obra faz parte da fase internacional da carreira da escritora inglesa e narra mais uma investigação protagonizada por Hercule Poirot, o conceituado detetive belga. Depois de escrever histórias ambientadas essencialmente na Inglaterra, como é possível constatar em “O Inimigo Secreto” (1922) e “O Assassinato de Roger Ackroyd” (1926), Agatha passou a construir enredos que se passavam no exterior. Essas histórias internacionais são frutos das viagens que ela fazia, a partir do final da década de 1920, para acompanhar seu segundo marido, um arqueólogo. Enquanto ele se enveredava por sítios arqueólogos e escavações, ela aproveitava para conhecer novos cenários, bolar enredos diferentes e construir personagens mais variados. Em “Morte na Mesopotâmia”, conhecemos a trama a partir da narração da enfermeira Amy Leatheran. A jovem fora incentivada a escrever os acontecimentos que vivenciou durante o período em que trabalhou no Oriente Médio. Depois de uma temporada como babá em Bagdá, ela foi enviada para Tell Yarimjah, no interior do Iraque. Seu ofício ali era cuidar de Louise Leidner, esposa do chefe da expedição arqueológica. A bela esposa do Dr. Leidner sofria de crise nervosa. Ela recebia constantes ameaças de morte enviadas por cartas anônimas. Temendo divulgar as intimidações aos colegas e funcionários do marido, ela se desesperava com qualquer coisa que fugisse da rotina do lugar. Isso, aos olhos da maioria, era encarado como paranoia ou mania de chamar a atenção. Louise era vista como uma louca por todos. Isso até o assassinato dela ser consumado. Para esclarecer o mistério da sua morte, o detetive Hercule Poirot foi contratado. Aproveitando-se que o famoso investigador belga estava em viagem pelo Oriente Médio, o Dr. Leidner contrata-o para elucidar o mistério sobre a morte da esposa. Gostei do livro. É possível lê-lo em um dia. Como esse sábado estava com uma temperatura que me desencorajava a sair de casa, aproveitei e passei o dia em baixo das cobertas com o livro na mão. Rapidamente consumi suas 220 páginas. Temos novamente nessa obra o melhor de Agatha Christie: mistério, surpresas, reviravoltas, suspense, intrigas e dúvidas. Muitas dúvidas, por sinal! A cada momento o assassino parece ser um e no final é a pessoa em que menos acreditássemos que era. Nesse sentido, a escritora inglesa é mestre. Em três livros lidos dela até agora, não consegui acertar o culpado em nenhum. Será que conseguirei ter sorte ou a habilidade para solucionar algum caso até o final desse "Desafio do mês"? A trama dessa obra é boa, ágil e interessante. Contudo, a estrutura de "Morte na Mesopotâmia" é basicamente igual ao do livro anterior que li, "O Assassinato de Roger Ackroyd". Uma série de assassinatos acontece em determinado lugar e o culpado é um dos moradores daquela localidade. A história também é contada em primeira pessoa por um personagem "secundário". Cabe ao detetive Poirot esclarecer o que parece ser um crime quase perfeito. A única diferença é que esta trama se realiza no interior do Iraque enquanto a outra acontecia no interior da Inglaterra. Ou seja, só muda-se o cenário. Assim, uma dúvida passou em minha mente: "Será que todo livro da inglesa, a partir de agora, será assim, igual ao anterior?". Sei que a fórmula é boa e foi muito bem-sucedida ao longo do tempo, mas ler a mesma sinopse várias vezes sem parar é um tanto decepcionante para quem busca sempre alguma novidade. Apesar de o livro ser bom e sua história prender nossa atenção, esperava alguma coisa diferente por parte da escritora. Procurando esse algo a mais vou começar agora a leitura do último livro da série do detetive Hercule Poirot: "Cai o Pano" (Nova Fronteira). Escrito durante a segunda Grande Guerra, ele só foi publicado em dezembro de 1975, um mês antes do falecimento de Agatha Christie. Vamos ver se encontro algo inovador e diferenciado nele. Até o próximo post do Desafio Literário de Agatha Christie, uma exclusividade do Blog Bonas Histórias! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AgathaChristie #LiteraturaInglesa #LiteraturaClássica #Romance #RomancePolicial #Drama
- Filmes: O Pecado Mora ao Lado - A cena que imortalizou Marilyn Moroe
Amanhã é 12 de junho, Dia dos Namorados, e aqui vai uma indicação para quem quer assistir em casa a um filme romântico ao lado do seu amorzinho. Ao invés de ver uma produção atual, que tal voltar no tempo e curtir um longa-metragem da década de 1950 que trata do amor sincero, único e fiel? Foi isso que fiz nesta sexta-feira à noite. Assisti ao "O Pecado Mora ao Lado" (The Seven Year Itch: 1955), filme do mestre Billy Wilder. Estrelado por Marilyn Moroe e Tom Ewell, essa comédia ficou imortalizada por causa da famosa cena em que o ar quente vindo dos dutos do metrô levanta a saia da bela protagonista. Sou suspeito para falar desse filme porque adoro as comédias de Billy Wilder com Marilyn Moroe. Recordo com entusiasmo de "Quanto Mais Quente Melhor" (Some Like It Hot: 1959), uma das mais engraçadas produções antigas que já assisti. A loira também estrelou "Os Homens Preferem as Loiras" (Gentlemen Prefer Blondes:1953), dessa vez com outro monstro da direção: Howard Hawks. Esses dois filmes estão na lista dos meus favoritos. Contudo, ainda não tinha visto "O Pecado Mora ao Lado", uma perversidade que corrigi ontem. Nessa história, conhecemos o editor de livros Richard Sherman (Tom Ewell). Como acontecia em todo verão em Manhattan, ele, assim como todos os homens da ilha nova-iorquina, encaminhou a esposa (Evelyn Keyes) e o filho (Burch Bernard) para passar as férias em um lugar menos quente. Depois de despachar a família, ele retornou para o escritório para trabalhar. Aquele seria um mês de muito trabalho e pouca perturbação em casa. Por ser um homem fiel à esposa, ele não iria se envolver em nenhum romance de verão, como os demais integrantes do seu sexo faziam naquele período. Ele realmente amava a mulher e era uma pessoa íntegra em todos os sentidos. Contudo, o bom Richard não contava com dois problemas: a fase complicada em que seu matrimonio entrava e a chegada de uma nova vizinha. Aquele era o sétimo ano do seu casamento. E segundo os psicólogos, esse era o momento em que os maridos tinham mais probabilidade para trair suas esposas. Isso ele descobriu quando analisava um novo livro que seria publicado pela editora em que trabalhava. Para completar, assim que a família de Richard viajou, uma belíssima jovem (Marilyn Moroe) se tornou sua vizinha. A moça muito sensual se atirou em cima do vizinho, encantada com o simples fato de ele possuir ar condicionado em sua residência. Aí, Richard precisou lidar com o choque de desejos: ou ele deixaria os instintos sexuais aflorarem ou manteria a retidão de seu caráter. O filme é ótimo e muito engraçado. É uma típica "água com açúcar" divertida. Tanto Marilyn Moroe quanto Tom Ewell estão sensacionais em seus papéis. Ela com sua típica sensualidade e a capacidade para interpretar moças ingênuas, fúteis e lascivas. E ele com seu ar debochado de marido fiel com vontades que fogem do seu controle. A química da dupla é ótima, o que torna o longa-metragem melhor ainda. Curiosamente, "O Pecado Mora ao Lado" é rodado quase que integralmente na sala da casa de Richard Sherman. A primeira cena no interior daquela residência dura aproximadamente quarenta minutos. A segunda mais trinta. Considerando que o filme tem pouco menos de uma hora e meia de duração, dá para perceber o quanto os acontecimentos concentram-se nesse local. Entre essas duas cenas há rapidamente algumas tomadas no escritório onde Richard trabalhava e uma na rua quando ele e sua vizinha voltavam de uma sessão de cinema. É nesse momento em que acontece a famosa cena do vestido esvoaçante de Marilyn. Surpreendentemente, a cena é muito rápida, durando poucos segundos. Um expectador menos atento corre grande risco de não notá-la ou de perdê-la. A mensagem do filme é apropriada para essa época do ano (entende-se, o Dia 12 de junho). Já imaginou você estar sozinho em casa (sua esposa está viajando) e a estonteante Marilyn Moroe aparecer no meio da noite querendo dormir ali com você?! Não é à toa que o Richard Sherman começa a delirar como um louco em um turbilhão de emoções e reflexões. Ele fica tão enfeitiçado pela beleza da moça (quem não ficaria?) que nem se lembra de perguntar o nome dela. Assim, o personagem de Marilyn fica sem um nome próprio. A parte mais divertida do filme está na entrada de vizinhos, amigos e funcionários do condomínio na casa de Richard enquanto ele está com sua vizinha. O proprietário tenta disfarçar a visita da bela jovem para não ser mal interpretado pelos outros homens, que não acreditariam na sua fidelidade à esposa. O final é um tanto previsível, mas perfeitamente adequado. Diria que se trata do desfecho ideal para quem assisti ao filme ao lado do(a) namorado(a) ou marido/esposa. Exatamente por isso a indicação dele para o Dia dos Namorados. Que tal passar essa data com seu(sua) namorado(a) e, ao mesmo tempo, com Tom Ewell/Marilyn Moroe? Fica aqui a dica! Veja o trailer de "O Pecado Mora ao Lado": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #BillyWilder #MarilynMoroe #TomEwell
- Livros: O Assassinato de Roger Ackroyd - O primeiro best-seller de Agatha Christie
Conclui nessa quinta-feira a leitura de “O Assassinato de Roger Ackroyd” (Globo). Esse foi o primeiro grande sucesso de Agatha Christie. Muitos fãs da britânica, até hoje, consideram este livro com sendo uma das melhores tramas da escritora. Publicado pela primeira vez em 1926, a obra foi responsável por consolidar Agatha como uma das grandes autoras de seu país, levando-a ao posto de uma das mais vendidas em toda a Europa. Parte do charme desse livro se deve a polêmica criada em relação ao seu desfecho. A solução do enigma da narrativa contrariou a lógica até então em voga nos romances policiais da época, despertando a ira dos mais conversadores. Há também quem aponte os estranhos acontecimentos que rondaram a vida de Christie no período de lançamento do livro como um dos responsáveis pela grande divulgação da obra. “O Assassinato de Roger Ackroyd” é narrado em primeira pessoa por um dos seus personagens, o médico James Sheppard. Ele mora e trabalha na pequena e pacata cidade interiorana de King's Abbott. Naquele povoado inglês do início do século passado, onde o tempo parece não passar e a vida de todos é motivo de fofoca geral, o médico é um dos poucos habitantes que conta com o respeito e a confiança de quase toda a população. O doutor também sabe de muitos segredos de seus pacientes, sendo discreto em relação as particularidades de cada um e de cada família. O cotidiano da cidade muda drasticamente com o assassinato de Roger Ackroyd, um milionário local, patriarca de uma das mais importantes famílias da região. Essa foi a terceira morte trágica no período de um ano. O senhor e a senhora Ferrars também morreram repentinamente e a boataria da cidade é que eles também foram assassinados. A polícia do povoado fica encarregada de investigar o episódio da morte de Roger Ackroyd, mas a sobrinha do milionário, Flora Ackroyd, contrata o conceituado investigador particular Hercule Poirot para também descobrir o que de fato aconteceu. Poirot, depois de alcançar fama como um dos melhores detetives do mundo, tinha resolvido se aposentar e vivia de forma tranquila na cidade de King's Abbott. O principal suspeito é Rudolph Paton, filho adotivo de Roger e principal herdeiro da fortuna do milionário. O Dr. Sheppard, muito amigo da família do assassinado e vizinho de Poirot, de certa forma participa diretamente da investigação. A irmã do médico, a solteirona e fofoqueira Caroline Sheppard, acaba ajudando no trabalho investigativo. Astuta e muito perspicaz, a senhorita consegue ter uma visão geral da situação sem precisar visitar os locais nem conversar com os suspeitos. Da janela da sua casa, ela consegue montar um panorama completo do que acontece na cidade, auxiliando o irmão e o detetive belga na investigação. A trama do “O Assassinato de Roger Ackroyd”, como a maioria das histórias de Agatha Christie, é muito boa. A narrativa é ágil e prende o leitor. Os mistérios se tornam intrigantes e a pergunta “Quem foi que matou?” fica o tempo inteiro martelando na cabeça de quem lê as páginas dessa publicação. Como de hábito, a escritora inglesa deixa um monte de pistas durante a narrativa que só iremos sacar quando a trama é elucidada por Poirot. Até isso acontecer, a cada momento, acredita-se que um personagem diferente é o responsável pelo assassinato, o que gera muitas reviravoltas. Algo interessante dessa história é que ela é narrada em primeira pessoa por um dos personagens aparentemente secundários do livro. Desse jeito, não temos uma visão completa da situação (sabemos apenas o que esse personagem tem consciência). Além disso, esse recurso torna mais verossímil a investigação, pois parece que estamos participando dela como os demais envolvidos. Gostei muitíssimo desse livro. Ele possui uma dinâmica totalmente distinta da obra anterior da escritora britânica que li há alguns dias. Enquanto temos aqui o típico caso de investigação policial que se realiza em um espaço físico e de tempo determinados, em “O Inimigo Secreto” (a obra anterior) temos uma aventura policial que envolve um variado número de personagens, de políticos a criminosos, com uma abrangência maior de lugares e de tempo. Ou seja, são histórias de formatação bem diferente. O final de “O Assassinato de Roger Ackroyd” é espetacular!!! Sem sombra de dúvida, os últimos capítulos dessa obra são os melhores que já li em um romance policial. Um leitor atento consegue descobrir o verdadeiro responsável pela morte do Sr. Ackroyd um pouco antes dele ser anunciado pelo investigador Poirot. Mesmo assim, essa revelação é chocante. Não é à toa que ela tenha provocado tanta polêmica na época do lançamento do livro (óbvio que não vou contar quem era o assassino). Além do assassino ser uma das pessoas menos óbvias da história, o recurso narrativo utilizado por Agatha Christie foi de uma ousadia digna de aplauso. Ficou evidente toda a maestria dessa escritora durante o desfecho dessa trama. “O Assassinato de Roger Ackroyd” chegou às livrarias inglesas, em 1926, poucas semanas antes do estranho desaparecimento de Agatha Christie. A escritora, nessa época, estava envolvida em um ruidoso processo de separação matrimonial. Seu primeiro marido, o Coronel Archibald Christie, piloto das forças britânicas, saiu de casa e foi viver com uma amante, deixando Agatha com a filha pequena do casal. Aí, misteriosamente, a escritora desapareceu. O carro e a mala da escritora foram encontrados abandonados na beira de uma estrada. Depois de onze dias de mobilização nacional, ela retornou sem explicar o que de fato aconteceu. Há quem alegue que ela sofreu um acidente automobilístico e perdeu momentaneamente a memória. Outros falam que ela tentou se vingar do marido traído, mas desistiu e retornou para casa para cuidar da filha. E há quem veja nesse episódio uma ação de publicidade para aumentar as vendas de “O Assassinato de Roger Ackroyd”. A única verdade que sabemos é: o livro é monstruosamente fantástico. Ele mereceu ter o sucesso retumbante que teve desde o seu lançamento. A história é boa, a trama é muito envolvente e o final é absurdamente incrível. O resto é lenda ou intriga da oposição. O Desafio Literário continua no dia 13, segunda-feira, com a análise de "Morte na Mesopotâmia" (Nova Fronteira), o terceiro livro de Agatha Christie que o Blog Bonas Histórias investiga em profundidade. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. 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- Livros: O Inimigo Secreto - A estreia dos Jovens Aventureiros de Agatha Christie
Comecei a leitura das obras de Agatha Christie do Desafio Literário por um dos seus primeiros livros. “O Inimigo Secreto” (Record) é o segundo romance da inglesa. Sua publicação inicial é datada de 1922. O aspecto mais interessante dessa obra é que ela foi a estreia da dupla de detetives Thomas Beresford e Prudence Cowley, mais conhecidos como Tommy e Tuppence, respectivamente. O jovem casal acompanharia a “Rainha do Crime” ao longo dos anos e por mais quatro livros: “Sócios no Crime” (1929), “M ou N” (1941), “Um Pressentimento Funesto” (1968) e “Portal do Destino” (1973). Thomas Beresford e Prudence Cowley foram os personagens mais populares de Agatha Christie depois do detetive Hercule Poirot. Tommy e Tuppence foram o único casal criado pela mente da britânica que esteve em mais de uma história dela. Ao longo dos livros, é possível acompanhar a evolução da vida da dupla. Curiosamente, o envelhecimento das personagens respeita a passagem cronológica do tempo entre as publicações dos livros. No início, eles são apenas jovens, solteiros e amigos de infância que se arriscam em uma investigação amadora. Depois, se apaixonam, casam e tem um filho, tornando-se detetives profissionais. Na última história, temos os dois já idosos e aposentados, vivendo tranquilamente em uma cidadezinha do interior da Inglaterra. Assim, em “O Inimigo Secreto”, ficamos conhecendo os jovens Tommy e Tuppence. Com o fim da Primeira Guerra, a dupla retorna a Londres (ele tinha lutado no campo de batalha e ela fora enfermeira). Desempregados, sem dinheiro e sem perspectivas profissionais, os dois decidem abrir, em conjunto, uma empresa de investigação particular. Chamada de Jovens Aventureiros LTDA, a nova companhia tinha como proposta principal dar vasão a sede de aventuras da dupla. Meio sem querer, assim que decidem abrir a empresa, eles são imediatamente chamados para o primeiro caso. Tommy e Tuppence precisam localizar Jane Finn, uma garota envolvida em uma trama política. A moça norte-americana recebeu documentos secretos de um espião de seu país assim que desembarcou no continente europeu. Se esses papéis caíssem nas mãos erradas, governantes dos países aliados estariam em maus lençóis. Contudo, ninguém sabe onde está a jovem. Tanto o governo inglês quanto grupos revolucionários desejam encontra-la para se apossar dos documentos. E aí está o perigo! Enquanto procuram por Jane Finn, Tommy e Tuppence acabam se tornando inimigos do grupo revolucionário comandado pelo misterioso Sr. Brown. A trama gira em torno da verdadeira identidade do tal Sr. Brown. Quem é ele? Essa pergunta anda lado a lado com outra: Onde está Jane Finn? Essa história é recheada de intrigas, assassinatos, suspense, perseguições e reviravoltas. Com pouco mais de 200 páginas, é possível ler este livro em um único dia (foi o que fiz neste domingo chuvoso). Basta ler o primeiro capítulo para ter vontade de ir até o final. Realmente, o casal Tommy e Tuppence é muito carismático. Não foi à toa que Agatha Christie quis dar continuidade a vida fictícia da dupla. O mais interessante nessa história é que na metade do livro eu disse para mim mesmo: “Já sei quem é o Sr. Brown!”. Já no finalzinho da narrativa, tive certeza que estava certo. Neste momento pensei: “A Rainha do Crime não é tão boa assim. Eu descobri facilmente o mistério”. Esse meu pensamento se diluiu nos capítulos finais. A história deu uma reviravolta incrível e nada do que sentenciei se concretizou. Ao fechar o livro, pensei com os meus botões: “Nunca mais vou menosprezá-la assim”. O livro é realmente bom. Dá vontade de ler as demais histórias da dupla Tommy e Tuppence para saber o que aconteceu com eles. Além disso, a trama é bem amarrada do início ao fim, com boas doses de política e romance. O tempo inteiro está acontecendo alguma coisa e a sensação é que a ação domina toda a narrativa. Tudo tem um motivo e uma razão de ser. Só não gostei da sequência de coincidências que abre a trama. Essa é a única parte que foge da verossimilhança. Gostei de “O Inimigo Secreto”. Agatha Christie escreve bem, consegue prender a atenção do leitor e sabe dar reviravoltas na trama. Esse foi um bom aperitivo pelo que virá nesse mês. O próximo livro que será analisado neste Desafio Literário é "O Assassinato de Roger Ackroyd" (Globo). O post sobre esta obra está disponível no Blog Bonas Histórias no dia 9, quinta-feira. Não perca o estudo sobre a literatura de Agatha Christie! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AgathaChristie #LiteraturaInglesa #LiteraturaClássica #RomancePolicial #Romance #Suspense
- Televisão: Stephen Curry - O novo mito do basquete
É muito legal ver a história acontecendo diante dos nossos olhos. Para quem gosta de esporte, presenciar o surgimento e o ápice dos grandes gênios esportivos é uma recordação que pode ser levada para toda a vida. Lembro saudosamente das grandes atuações de Ayrton Senna e Michael Schumacher nas pistas, Ronaldo Fenômeno, Marta e Diego Armando Maradona nos campos e Roger Federer, Steffi Graf e Pete Sampras nas quadras. O que dizer de Usain Bolt, Kelly Slater, Yelena Isinbayeva, Valentino Rossi, Tiger Woods e Michael Phelps? Todos estes são ícones de suas modalidades e deixaram suas marcas e números na história. Por que estou falando sobre isso? Porque assisti, na madrugada de segunda para terça-feira, à partida sete da semifinal da NBA entre Golden State Warriors e Oklahoma City Thunder. Quem vencesse o jogo se classificaria para a decisão do torneio de basquete mais disputado do mundo (a série estava empatada em 3 a 3). E que jogo foi aquele! Mais espetacular do que a partida em si foi a atuação de um rapaz chamado Stephen Curry. Quem ainda não conhece esse jogador não ficará muito tempo sem ouvir falar dele. Em poucos anos, o camisa 30 do Warriors estará ao lado de nomes como Michael Jordan, Magic Johnson e Oscar Schmidt como um dos maiores do basquete de todos os tempos. O que esse rapaz tem feito nos últimos dois anos em quadra tem enchido os olhos dos amantes desse esporte. Já há muitos especialistas dizendo que não é difícil ele se tornar o maior de todos nesta modalidade. Stephen Curry não é um jogador alto para o padrão do moderno basquete profissional. Ele mede apenas um metro e noventa e um centímetros. Ele também não é forte, como a maioria dos seus colegas. Seu peso é de apenas oitenta e seis quilos. O que faz um atleta baixo e fraquinho em quadra? Veja o vídeo a seguir com algumas jogadas dele nessa temporada. A equipe de Curry pode chegar, nessa temporada, ao seu segundo título consecutivo da liga norte-americana de basquete. Contudo, muitos recordes já foram quebrados pelo seu principal astro. Por exemplo, o camisa 30 do Golden State Warriors foi eleito por unanimidade como o melhor jogador desse ano. Esta foi a primeira vez que houve uma escolha unanime. Nem Michael Jordan conseguiu agradar a todos quando esteve em seu auge. Além disso, o rapaz é recordista em arremessos de três pontos. Pense em uma estatística nesse quesito e tenha certeza que ou Curry a lidera ou brevemente irá liderar. Para completar, o armador tem levado o Golden State Warriors ao patamar das grandes equipes da história. O desempenho do time de Oakland nessa temporada já é superior ao melhor momento do mágico Chicago Bulls da temporada de 1992-1993. Stephen Curry é magnifico! Ele arma jogadas com excelência, chuta de três pontos como ninguém e driblar seus adversários como se enfrentasse crianças. Não há limites para esse monstro! Vi Michael Jordan e Magic Johnson jogarem. Eles também faziam coisas incríveis em quadra e eram decisivos nos momentos derradeiros da partida e do campeonato. Porém, nada se compara ao que Curry tem feito em 2015-2016. O rapaz, que só tem 28 anos, tem realizado proezas que nenhum dos grandes nomes da história do basquete conseguiu fazer. Às vezes, suas jogadas beiram o absurdo. Ele parece, em muitos momentos, mais um ilusionista do que um jogador de basquete. Veja a seguir os melhores momentos da partida da madrugada de segunda para terça-feira. Não perco as finais da NBA deste ano por nada. Tenho certeza que irei me recordar das jogadas desse monstro do esporte por muitos anos ainda. Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em TV, Rádio e Internet. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #StephenCurry #televisão #esportes #Basquete #NBA
- Desafio Literário de junho/2016: Agatha Christie
Junho é o mês de analisarmos, no Blog Bonas Histórias, as obras e a carreira literária de Agatha Christie. Depois de estudarmos um escritor brasileiro em maio (Graciliano Ramos), nada mais natural do que apontarmos agora os olhos para um autor estrangeiro. E pela primeira vez no Desafio Literário, teremos uma mulher como foco de estudo. Já era hora, né? Agatha Christie é uma inglesa que nasceu no final do século XIX no sul da ilha britânica, perto do Canal da Mancha, e se tornou mundialmente conhecida como uma escritora de romances policiais. Apelidada de “Rainha do Crime” pela sua especialização e excelência nos romances investigativos, a escritora também atuou como contista, dramaturga e poetisa. Falecida em 1976, Christie é considera a romancista de maior sucesso no mercado editorial. Seus mais de oitenta livros venderam conjuntamente mais de quatro bilhões de exemplares no mundo todo. Para se ter uma ideia do que isso representa, apenas William Shakespeare e a Bíblia possuem números superiores. “O Caso dos Dez Negrinhos" (também chamado de "E Não Sobrou Nenhum"), sua obra mais conhecida, atingiu a marca de 100 milhões de livros vendidos nos quatro cantos do planeta. Traduzida para mais de 100 idiomas, a inglesa criou um ícone da cultura contemporânea: o investigador Hercule Poirot. O detetive belga é o responsável por desvendar os crimes na maioria dos romances da inglesa. Agatha Christie proveu algumas inovações na literatura policial. Ela foi a precursora em terminar suas histórias com um final surpreendente, não permitindo que o leitor descobrisse facilmente os mistérios das suas tramas. A iniciação na literatura profissional aconteceu quando a moça tinha 30 anos. O romance de estreia foi “O Mistério Caso de Styles”, publicado em 1920. Nesta época, Agatha Christie ainda estava unida com o piloto das Forças Armadas inglesa com quem fora casada por doze anos. O casal teve uma única filha. Já nessa primeira história somos apresentados ao detetive Poirot. Nos três anos seguintes, são publicados cinco livros, a maioria com o personagem do investigador belga no enredo. É desse período a publicação de “O Inimigo Secreto”, a primeira aventura do casal de detetives amadores Thomas Beresford e Tuppence. Em 1926, veio o retumbante sucesso com o lançamento de “O Assassinato de Roger Ackroynd”. Essa obra foi a responsável por tornar a escritora nacionalmente conhecida. Nessa história, Agatha Christie já estabelece a forma narrativa em que ficaria caracterizada, invertendo a lógica na qual os romances policiais eram escritos. Apesar do grande apelo popular que o livro teve, houve também muitas críticas em relação à autora, que estaria deturpando a forma tradicional de escrita dos romances. Nesse mesmo ano, o marido de Agatha Christie pediu o divórcio, fugindo de casa para viver com uma nova mulher. Assim, a escritora passou a cuidar sozinha da filha e enfrentou uma série crise emocional, o que a fez interromper por algum tempo a escrita. Em 1930, a romancista se casa novamente, agora com um jovem assistente, catorze anos mais novo do que ela. Esse matrimônio durou até o falecimento dela, em 1976. Ao lado do segundo marido, Christie viajou o mundo, construindo cenários e novos enredos para os seus livros. Um bom exemplo disse é “Morte na Mesopotâmia”. A partir de uma visita ao sítio arqueológico de Ur, no atual Iraque, a escritora criou uma trama que se passa nessa localidade. Com o segundo casamento, a carreira da escritora deslancha. Ela passa a escrever ininterruptamente, lançando ao menos uma nova obra por ano até o final da década de 1970. Durante os anos de 1930 e 1940, a média de lançamentos é de dois livros inéditos por ano. Em 1934, chegou às livrarias uma das mais famosas histórias da britânica: “Assassinato no Expresso do Oriente”. Adaptado mais tarde para o cinema, para a televisão e para o teatro, a trama se tornou um ícone na literatura mundial. O maior sucesso chegou em 1939. “O Caso dos Dez Negrinhos” é o nome original da obra. Devido à acusação de racismo no título, ela também pode ser encontrada como “E Não Sobrou Nenhum”. Essa foi outra história adaptada com êxito para o teatro, para a televisão e para o cinema. O último livro da série do detetive Poirot foi publicado um mês antes da morte da escritora. Em dezembro de 1975, depois de ficar mais de três décadas trancado em um cofre, chega às livrarias "Cai o Pano". Nessa trama sabemos o desfecho da história de um dos mais importantes personagens da literatura mundial. Para conhecer mais sobre essa trajetória impressionante e me aprofundar nesta rica coleção de Agatha Christie, lerei e analisarei criticamente cinco livros da Rainha do Crime. Em minha lista estão somente romances policiais, todos entre as principais obras da inglesa: “E Não Sobrou Nenhum”, "Cai o Pano", "O Assassinato de Roger Ackroyd", "Morte na Mesopotâmia" e "O Inimigo Secreto". Não perca o Desafio Literário de junho do Bonas Histórias. O primeiro livro de Agatha Christie que será analisado no blog é "O inimigo secreto" (Record). O post com a crítica desta obra será publicado no dia 5, próximo domingo. Até lá! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AgathaChristie
- Peças Teatrais: Galileu Galilei - O carisma de Denise Fraga
Nesta Virada Cultural, a 12ª promovida pela Secretaria de Cultura de São Paulo, fui assistir à peça “Galileu Galilei”. A produção com direção de Cibele Forjaz, adaptada de “Leben des Galilei” de Bertolt Brecht, esteve em cartaz durante boa parte do ano passado aqui na cidade. Agora, ela voltou para uma curtíssima temporada de apenas duas semanas. No final de semana passado, ela foi apresentada no Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro. Sexta, amanhã e domingo, o cenário será o João Caetano. O destaque do elenco de “Galileu Galilei” é Denise Fraga, que interpreta o matemático e cientista italiano do século XVII. Afastada há alguns anos da televisão, a carismática atriz tem se dedicado prioritariamente às artes cênicas. Dos outros nove atores (seis homens e três mulheres) que compõe esse elenco, os mais conhecidos são Ary França, Vanderlei Bernardino e Lúcia Romano. O enredo dessa história verídica se passa na primeira metade dos anos de 1600. Em Florença, o conceituado cientista Galileu Galilei faz descobertas importantíssimas sobre o sistema solar. Seus estudos e cálculos indicam que os planetas, os satélites e as estrelas não giram em volta da Terra, como se acreditava até então. Sua nova teoria aponta que o nosso planeta girava em torno do Sol. A Igreja Católica, localizada em Roma, aceita em um primeiro momento as novas descobertas, validando o trabalho de Galileu. Contudo, quando os teólogos da instituição percebem o conflito que esse fato traria para a religião (o homem não estaria mais no centro do universo), eles voltam atrás. E exigem que o cientista faço o mesmo. Galileu Galilei fica, então, diante de uma encruzilhada: descarta as descobertas realizadas pelos seus estudos e trabalhos de observação e fica vivo; ou reafirma o que acredita ser verdade e corre o risco de ser morto pela Inquisição. Sua decisão envolve sua família, a vida de sua filha e o relacionamento com seus amigos. Apesar de ser uma história um tanto batida, a peça é muito interessante e dinâmica. As duas horas e meia (sem intervalo) de espetáculo passam rapidinhas. As cenas com muitos atores no palco, as várias mudanças de cenários e o avanço rápido da trama (a passagem dos anos é acelerada) tornam a produção bem cativante. É impossível desgrudar os olhos do palco. Todos os atores estão excelentes em seus papéis. Não é preciso dizer que Denise Fraga está ótima como Galileu. A atriz global irradia carisma e interpreta magnificamente o cientista italiano da Renascença. Repare também nas atuações marcantes de Vanderlei Bernardino, Luís Mármora e Daniel Warren. Em minha opinião, o ponto alto dessa produção está nos diálogos. O texto faz o público pensar, refletindo sobre o momento histórico e os dias de hoje. Essa ponte entre o passado e o presente se dá também pelas músicas. As canções são ótimas. A sacada de colocar canções contemporâneas na trama renascentista torna a peça mais irônica e reflexiva. Os pontos negativos ficaram com a organização do teatro, o oportunismo de se fazer uma crítica política e algumas cenas de humor escrachado. No espetáculo dessa quinta-feira, acabaram entrando mais pessoas no teatro do que a sua capacidade. Como não furo fila, não empurro ninguém nem fico brigando por um acento, acabei ficando sem um lugar. Minha sorte é que tenho cara de pau. Não tendo onde me sentar, fui até o palco e me alojei ali do lado. Como não dei ouvidos para aqueles que quiserem me tirar dali, creio que acabei tendo uma visão privilegiada da peça. Praticamente assisti às cenas de dentro do palco. Incrível a experiência! Em relação à crítica política, não achei pertinente a cena com o panelaço feita pelos atores nem pelo discurso engajado contra os antigos mandatários do país. Afinal, a intransigência e a censura da Igreja Católica em nada se parecessem com os mandos e desmandos do governo petista. Eu não vou a uma peça de teatro para saber a opinião política dos atores. Por isso, achei desnecessária essa interferência. Quanto as cenas de humor escrachado, também as considerei um tanto apelativas. Apesar de considerar Ary França um excelente ator cômico, acho que alguns de seus papéis nessa peça fugiram da proposta do tema principal. Há peças em que cenas de humor pastelão são engraçadas e fazem parte do cenário. Definitivamente, não é o caso aqui. Apesar de um deslize aqui e outro ali, achei muito boa essa peça. Quem estiver em São Paulo nesse feriadão prolongado, venha conferir os últimos dias dessa peça com conteúdo rico e dinâmica leve. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe, então, sua opinião sobre as matérias desta coluna. Para acessar as demais críticas teatrais, clique em Teatro. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #CibeleForjaz #BertoltBrecht #DeniseFraga #peçadeteatro #teatro #AryFrança #VanderleiBernardino #LúciaRomano
- Livros: Caetés - O romance de estreia de Graciliano Ramos
Admito que comecei a ler “Caetés” (Record) de Graciliano Ramos com certa desconfiança. Afinal, este primeiro romance do escritor alagoano, publicado originalmente em 1933, não contava com a simpatia do próprio autor. Em “Memórias do Cárcere”, Graciliano cita seu livro de estreia com algum embaraço. Ele não o considerava suficiente bom. Além disso, a crítica da época não o avaliou digno de uma avaliação positiva. A receptividade do público leitor também ficou bem abaixo do que viria acontecer com “São Bernardo” e, principalmente, “Angústia”. Por tudo isso, iniciei a leitura meio reticente. A história de “Caetés” é contada em primeira pessoa e se passa em Palmeira dos Índios, em Alagoas. O narrador é João Valério, um jovem escriturário de uma firma comercial da cidade. Nas horas vagas, o rapaz gosta de escrever e tenta dar continuidade a um romance histórico do tempo colonial. Nessa trama, índios (liderados pelo selvagem Caetés) e os portugueses vivem em constante confronto. O patrão de Valério é Adrião, um senhor mal-humorado, hipocondríaco e um tanto severo. Apesar dessas características, Adrião gosta de João e abre as portas de sua casa para o culto funcionário. Depois de seis anos frequentado a casa do patrão, João Valério, em um momento de destempero, tenta beijar a jovem esposa de Adrião. Luiza, a bela e honrada moça, impede as investidas do atrevido rapaz. Na hora, João Valério se arrepende da iniciativa e imagina que irá ser despedido do emprego, quando Luíza contar à família o que aconteceu. Porém, o tempo passa e Luiza não conta o episódio embaraçoso a ninguém. Além disso, a moça passa a se comportar de maneira dúbia, demonstrando sentir algo pelo jovem funcionário do marido. É dado o início do flerte entre os dois. Não demora para João Valério se transformar em amante de Luiza. A paixão fulminante dos jovens torna suas ações cada vez mais temerárias. João Valério descobre pelo seu principal amigo que o romance clandestino já caiu na boca do povo. A honra de Luiza e de seu marido já foram manchadas. Mesmo assim, o rapaz não se importa e continua com o romance sem se preocupar com as consequências. Apenas quando Adrião descobre a traição, por meio de uma carta anônima endereçada a ele, é que as coisas mudam de figura. Aí temos o desfecho da história. Admito que o final é surpreendente. A reação de Adrião é incomum, assim como o comportamento de Luíza e, por que não, de João Valério. A grande graça do livro está em seu encerramento. Se o início e o desenvolvimento da obra não trazem grandes novidades, o desfecho é espetacular. Somente nele podemos conhecer de fato o caráter das personagens principais: quem parece meigo e bondoso se torna interesseiro e avarento; o sonhador e romântico se transforma alguém prático e acumulativo de bens materiais; e o estúpido e insensível pode se tornar amoroso e humano. Gostei muito de “Caetés”. Acho que Graciliano deveria se orgulhar dessa sua produção ao invés de se envergonhar dela. No início, a obra parece uma trama do período romântico. O mocinho quer namorar a mocinha e ambos são impedidos pelas circunstâncias. Estamos diante, portanto, de algo bem José de Alencar. Porém, quando a trama vai se desenrolando, percebemos a ausência do romantismo e somos jogados diante da realidade nua e crua da sociedade moderna. Ou seja, passamos a comparar a obra com as histórias de Machado de Assis. O componente modernista aparece no final, com o desfecho. Percebemos que as personagens são muito mais complexas do que pareciam à princípio. Além disso, a ambientação da cidade, com seus vários tipos e acontecimentos, se parece muito com as tramas de Jorge Amado. Ao redor da história principal (triângulo amoroso entre João Valério, Luiza e Adrião), conhecemos a vida de várias personagens periféricas. O livro é muito bom. Obviamente, ele está em um patamar a baixo de “São Bernardo”, "Vidas Secas", “Angústia” e “Memórias do Cárcere”. Isso acontece não por demérito dele, mas pela excelência do foco de comparação. Contudo, considerei “Caetés”, por exemplo, bem mais interesse do que “Insônia”, livro de contos do escritor alagoano. Ou seja, um romance de Graciliano Ramos de “segunda categoria” é ainda muito superior a grande maioria das obras escritas pela maioria dos autores. No próximo dia 29, retorno ao Blog Bonas Histórias para apresentar a análise literária completa de Graciliano Ramos. Não perca a parte final do Desafio Literário deste mês. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #GracilianoRamos #LiteraturaBrasileira #LiteraturaClássica #Modernismo #Regionalismo #Romance
- Filmes: Quero Ser John Malkovich - O mais criativo roteiro da década
Recentemente assisti ao filme "Quero Ser John Malkovich" (Being John Malkovich: 1999), produção de estreia dos norte-americanos Spike Jonze na direção e Charlie Kaufman como roteirista. E que filme é esse! Indicado ao Oscar de 2000 (melhor diretor: Spike Jonze; melhor roteiro original: Charlie Kaufman; e melhor atriz coadjuvante: Catherine Keener) e ao Globo de Ouro daquele ano (melhor filme de comédia/musical; melhor roteiro: Charlie Kaufman; e melhor atriz coadjuvante: Catherine Keener e Cameron Dias) em três categorias cada, o longa-metragem é incrivelmente original. Fazia muito tempo que não via algo, ao mesmo tempo, tão maluco e surpreendentemente bom. A história inicia-se quando o estranho Craig Schwartz (interpretado por John Cusack) consegue um emprego no andar sete e meio de um edifício comercial. Por ficar entre os andares sete e oito, tudo ali é apertado. A altura e a largura do escritório é um quarto do que deveria ser. Assim, os funcionários precisam andar curvados para se locomover pelo lugar. A chegada ao andar é um tanto curiosa também: a ascensorista precisa dar um tranco no elevador para ele parar no lugar exato. Depois disso, ela abre a porta com um pé de cabra. Muito perturbador! Tudo naquele lugar parece esquisito. Os funcionários e o proprietário da companhia parecem ser desequilibrados psicologicamente. Cada um possui uma fobia, uma mania ou um comportamento completamente inusitado. O próprio Craig é um rapaz desajustado. Maníaco por bonecos e profundamente antissocial, ele vive com a esposa Lotte Schwartz (Cameron Dias) em um porão bagunçado que mais parece um laboratório científico (há vários animais espalhados ali, como aves e macacos). As coisas ficam ainda mais estranhas quando Craig encontra, sem querer, uma passagem secreta em uma das salas do andar onde trabalha. Ao investigar aonde o lugar vai dar, ele descobre que consegue acessar a consciência e o corpo do grande ator John Malkovich (interpretado por ele mesmo). Durante 15 minutos é possível controlar a mente do ator até o invasor ser expelido, caindo na beira de uma estrada na saída da cidade de Nova Jersey. A descoberta se transforma em uma empreitada comercial. Craig se torna sócio da colega Maxine (Catherine Keener) por quem o rapaz nutre um amor platônico e por quem ele compartilhou pela primeira vez seu achado. A dupla cobra para pessoas passarem pela passagem secreta e acessar a consciência do ator. Contudo, a experiência surreal é um tanto viciante. Assim Craig e sua esposa acabam tragados pela vida de John Malkovich. O vício do casal transforma sua relação. Rapidamente, os dois iniciam um triangulo amoroso surpreendente com Maxine. O filme é muito mais maluco do que essa sinopse pode apontar. Trata-se do roteiro mais original que vi nas últimas décadas. A cada nova fase do longa-metragem, somos surpreendidos com alguma maluquice do roteirista Charlie Kaufman. O cara é um gênio! Além de ser um suspense nonsense, a história é muito engraçada. O final é ainda mais surpreendente. Quando pensamos que já vimos tudo, somos mais uma vez passados para trás. As surpresas não param até a última cena. Esse não é apenas um filme original. Ele é muito bom também. A combinação desses dois elementos produziu um longa-metragem que será muito brevemente um cult dos cinéfilos (se já não for). Todas as peças desse enredo são admiravelmente bem encaixadas: ambiente alucinante, personagens malucos, história fantástica, ausência de maniqueísmo (não sabemos quem está certo ou errado ou para quem torcer), humor debochado e inteligente, cenas impagáveis com autorreferências hilárias (por exemplo, além de John Malkovich, Charlie Sheen, Brad Pitt e Winona Ryder também interpretam a si mesmo) e reviravoltas intermináveis. O clima sombrio e apertado do cenário também potencializa a angústia dos personagens. Como é bom ver a ousadia de artistas como Spike Jonze e Charlie Kaufman. Ambos saíram do lugar comum e conseguiram transformar um filme com um orçamento limitado (U$ 13 milhões) em um clássico do cinema contemporâneo. Se você gosta do bom cinema e ainda não viu esta produção, saiba que você está perdendo um filmão. "Quero Ser John Malkovich" é uma aula de como fazer um filme alternativo com conteúdo, originalidade e humor. Veja o trailer de "Quero Ser John Malkovich": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SpikeJonze #CharlieKaufman #JohnCusack #CameronDias #JohnMalkovich
















